Capítulo 10
—O que eu teria feito em teu lugar? - murmurou Misty pensativamente por telefone, uma semana depois. - Creio que teria mentido como uma desconhecida.
—Misty... - grunhiu Isabella.
—Os homens não estão capacitados para enfrentar-se a certas coisas - disse sua gêmea com tranqüilidade.- Admitir que planejavas abandoná-lo poucas horas depois de aceitar os votos matrimoniais sem dúvida é uma delas. Edward é um romântico... não o entende? Recebeu-te com flores à entrada da igreja no dia de teu casamento. Encantou-lhe que tu lhe agradasse quando eras uma colegial. Creio que já é hora de que lhe digas o que para valer sentes por ele. Lhe disse quanto me importa.
— Hei-lhe dito quanto me importa
— A mim me importam montões de pessoas, mas não as amo. Durante a maior parte de sua vida, a Edward o mimaram as mulheres, depois se alucinou de ti e, desde então, é ele quem te mimou!
—Sim - reconheceu Isabella, a ponto de jogar-se a chorar. - Mas está tanto tempo fora a negócios que mal o vi esta semana; sei que não é culpa sua, mas isso não facilita as coisas.
— Oxalá tivesse permitido que Ângela e eu fôssemos ao funeral - Misty soltou um suspiro. - Te teríamos apoiado e sempre é melhor falar cara a cara.
— Estava e sigo estando bem - disse Isabella que, cumprindo os desejos que Charlie Swan tinha expressado em seu testamento, só tinha permitido a assistência de um núcleo muito reduzido de familiares ao evento.
Quando Isabella deixou de dar voltas a seus problemas com sua irmã, que começava a considerar sua melhor amiga, saiu ao florido balcão de sua nova salinha. Numa semana se tinham produzido muitas mudanças.
Tinha decidido que as habitações que tinha ocupado desde que era menina, serviriam para expor os ursinhos e bonecos de pelúcia, em honra à memória de seu irmão, mas que ela precisava um meio menos infantil. Já não era a pessoa que tinha sido dois meses antes.
Ao liberar-se do medo, tinha amadurecido de repente, e, se não lhe doesse tanto a recordação, ela riria com vontades ao recordar o absurdo modelo juvenil que se tinha posto para fugir no dia de seu casamento. Tinha desfrutado instalando-se, com o urso Edmund, numa suite da primeira planta.
Isso a tinha mantido ocupada e era como começar uma nova vida em sua própria casa.
Edward só tinha ficado na ilha até depois da leitura do testamento. Depois tinha voado aos escritórios centrais, em Atenas, para começar a reorganizar as empresas de seu pai e convertê-las num império empresarial moderno, responsável e eficaz, Isabella sabia que estava trabalhando dezoito horas por dia e que por isso só tinha voltado uma vez, para o funeral, mas isso não tranqüilizava sua angústia pela situação de seu casamento. Fazia mais de uma semana que não se beijavam, por não falar de compartilhar a mesma cama. Perguntava-se se assim acabaria tudo: Edward afastando-se mais e mais, até que ela tivesse que aceitar que o homem a quem amava já não desejava estar a seu lado.
Apesar de tudo, Lexos nunca lhe tinha parecido tão bela. As colinas verdes, salpicadas de ciprestes, estavam preciosas contra o fundo de um mar turquesa e ensolarado. Não tinha compreendido quanto amava Lexos até que Kalliope a tinha surpreendido ao comunicar-lhe que se marchava para estabelecer-se em Atenas.
—Teu pai queria que vivesse em sua casa e, por suposto, fui-lhe muito útil porque tua mãe, Amanda, não tinha nenhum interesse pelos assuntos domésticos - tinha assinalado sua tia, fazendo honra à verdade. - Mas sempre desejei viver na cidade, cerca de minhas amigas. Sei que meu irmão não o teria aprovado, mas estou encantada com a idéia de comprar minha primeira casa.
Ao ouvi-la, Isabella tinha captado o restringida e vazia que tinha sido a vida de Kalliope. Sua tia nunca tinha tido liberdade.
Tinha passado a maior parte de sua vida dirigindo a casa de seu irmão sendo que ninguém lhe agradecesse, e não era estranho que essa experiência lhe tivesse amargurado o caráter. Isabella tinha abandonado sua atitude reservada com Kalliope e se levavam muito melhor. Isabella se tinha envergonhado quando sua tia lhe tinha pedida permissão para convidar a umas amigas essa tarde.
Consciente de que devia ir saudar, ainda que fosse um momento, pôs-se um vestido azul escuro singelo mas muito elegante. Sentia-se demasiado frágil para manter uma conversa educada; de fato, temia jogar-se a chorar a qualquer momento.
Enquanto Isabella dava as boas vindas às amigas de sua tia, o helicóptero de Edward aterrizava na ilha e um homem jovem subia fazia a casa pelo caminho, depois de uma longa caminhada desde o pequeno porto. O forasteiro se deteve para recuperar o alento, com uma expressão apreensiva em seu rosto delgado e inteligente. Edward ia para a entrada quando o viu e, com a cortesia natural que o distinguia, acercou-se a apresentar-se. Sou Jacob Kanavos - disse o jovem. - Perguntava-me se poderia ver Isabella.
Edward ficou sorvete e sem fala um instante. Era seu pior pesadelo que se tinha feito realidade no pior momento. O filho do pescador, o único amor de Isabella, do que seu pai a tinha obrigado a separar-se. Não posso evitar que seu rosto refletisse sua reação.
—Vejo que reconhece meu nome - Jacob manteve o tipo, mas parecia muito jovem e cheio de apreensão.
Isabella se tinha ficado no salão enquanto Kalliope saía ao olhador com suas amigas. A porta se abriu e levantou os olhos. Quando viu a Jacob, pensou que seus olhos a enganavam; pôs-se em pé. Seu atendimento se concentrou nos rasgos tensos do jovem, ao que conhecia desde sua infância, e não viu Edward entrar depois dele.
—É você...
—Sim - exclamou Jacob, tão emocionado como ela.
—Onde tens estado? - sussurrou Isabella, com os olhos cheios de lágrimas mas resplandecente de felicidade.
—Em Kosovo, com uma equipe de auxílio médico. Inteirei-me de que você tinha casado quando vim a casa de permissão.
Kalliope Swan, entrando ao salão desde o olhador, reconheceu ao inesperado visitante e seu rosto não ocultou sua surpresa e desaprovação. Lançou um olhar a Edward e se acercou a seu lado.
—Que faz o garoto dos Kanavos aqui? - sussurrou.
—Queria ver Isabella.
—E você o permitiu? - Kalliope olhou ao marido de sua sobrinha como se tivesse ficado louco.
O sentido da honra de Edward tinha triunfado sobre seus instintos mais primários. Imaginava o valor que tinha precisado Jacob para atrever-se a ir ao lar dos Swan, e o respeitava por isso, ainda que tivesse preferido vê-lo no inferno. Mas o que estava contemplando não recompensava sua generosidade: era um castigo e uma tortura. Nunca tinha visto Isabella tão descontraída e natural com uma pessoa que não fosse ele mesmo; tinha passado das lágrimas ao riso e conversava intensamente com seu antigo noivo. Edward, com os punhos fechados, era consciente de que Isabella nem sequer tinha percebido sua presença.
Isabella convidou a Jacob a sentar-se e, então, viu Edward no umbral. Uma simples olhadela em seu rosto fez que o coração lhe desse um tombo, mas ao ver sua expressão, conteve o sorriso de alívio e bem-vinda que estava a ponto de esboçar.
— Edward... - disse, perguntando-se quanto tempo levava observando-a falar com Jacob e sentindo-se incômoda.
—Estou seguro de que o doutor Kanavos e você tenham muito de que falar. Te verei no jantar - disse Edward e saiu da habitação.
—Vamos dar um passeio - sugeriu Isabella depois que Jacob e sua tia se saudassem, desejando falar com ele em privado.
Cruzaram os jardins e foram para a praia, pois Jacob não podia ficar muito tempo na ilha.
Com sua independência habitual, tinha recusado a oferta de regressar no helicóptero dos Swan, e não queria perder o ferry, que só parava um par de horas na ilha, para descarregar fornecimentos.
—Foi decisão tua casar-te com Edward Christoulakis? - perguntou Jacob quando caminhavam pelo passeio que desembocava no porto. —Por isso queria ver-te. Temia que teu pai te tivesse obrigado a casar-te.
—Amo a Edward - respondeu Isabella singelamente.
—Me alegro por ti - Jacob sorriu. - Já notei que ele te ama com loucura!
—Seriamente? - a Isabella lhe fez graça a segurança e convicção da voz de seu amigo.
—Quanto Edward compreendeu quem era, considerou-me uma ameaça. Não queria deixar que te visse, mas é um homem decente. Que lhe contaste de nós para que reagisse assim? Nunca estiveste apaixonada de mim - lhe recordou Jacob com um sorriso sombrio - Quando muito, fomos bons amigos. É curioso, as vezes, ainda que um não o visse assim no momento, certas coisas são para bem.
Eric, às costas de seu pai, tinha ajudado à família Kanavos a estabelecer-se no continente, mas Jacob admitiu que a seus pais lhes agradaria voltar à ilha.
Isabella lhe assegurou que seriam bem recebidos e que faria que arejassem e pintassem sua antiga casa, que estava fechada desde que tiveram que fugir apressadamente. Observou Jacob partir no ferry e voltou a casa passeando lentamente, sumida em seus pensamentos.
Sabia que tinha que deixar de esconder-se depois de seu orgulho quando falasse com Edward. Na realidade não tinha feito nenhum esforço real por dissolver o dano que a revelação de Kalliope tinha feito a seu casamento. Dizer a Edward que o esperaria acordada fazia uma semana, não tinha nenhum mérito. Reconheceu, envergonhada, que não tinha sido mais do que um convite a compartilhar sua cama, a simular as gretas de sua relação com sexo. Tinha sido uma atitude superficial, e não podia culpá-lo por ter reagido com desdém.
Edward, desejando que tivesse um binóculo que permitissem ver o porto através das colinas, ia para seu terceiro copo de conhaque divisou a diminuta figura de Isabella. Deu um salto de alegria. A havia visto partir com Jacob, sem ter idéia de, onde iam, e a espera tinha sido um inferno. Se a tinha imaginado subindo ao barco com ele, disposta a cumprir um sonho idílico. Deixá-la partir teria sido o mais difícil que tinha feito em sua vida. Ainda que o tinha feito por ela, no momento em que desapareceu de sua vida, tinha começado a parecer-lhe uma loucura e uma estupidez.
—Vieste para casa... - disse, cruzando o enorme alpendre para recebê-la. Isabella sem entender o comentário, olhou seus olhos verdes e perdeu toda capacidade de pensar. Teve que fazer um esforço consciente para não se lançar em seus braços. - Vais ficar aqui? - perguntou Edward com voz rouca.
Isabella assentiu em silêncio, incapaz de propor-se o porque dessa pergunta. Ele acariciou sua bochecha com ternura, e depois enredou os dedos em seu cabelo. Isabella ficou sem alento. Subitamente, Edward a atraiu para si e a beijou na boca com fome e paixão extravasada.
Toda a incerteza da última semana se liberou no curso desse beijo selvagem. Levantando-a em braços, levou-a ao dormitório. Sem deixar que recuperasse o alento, Edward se arrancou a gravata e se tirou a jaqueta, tentando fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo, mas sem deixar de beijá-la com fervor.
—Oh... - gemeu Isabella, excitada e super feliz por seu entusiasmo, mas perplexa.
—Se tivesse subido naquele esse barco, pensava seguir-te e partir o bom doutor em pedaços. Não poderia deixar-te embora... não poderia! - revelou Edward. - Sabes o que me disse quando lhe permiti que entrasse? .
—Não... - disse Isabella, tentando entender a que se referia ao falar do barco. Era possível que a tivesse acreditado capaz de escapar-se com Jacob?
—Kanavos disse que o único que lhe importava era que fosses feliz, o teria matado com gosto! - exclamou Edward ressentido. - Eu também quero que sejas feliz, mas comigo. Sou teu esposo. E se não é feliz a meu lado quero que te esforce para ser. Não encaixas com um homem assim. Ele não teria tempo para sapatos com saltos de diamantes e ursinhos e bonecos de pelúcia.
—Eu sei... Jacob é muito sério e nunca se fugiria com a mulher de outro homem. Ademais, está a ponto de comprometer-se com uma enfermeira - pontualizou Isabella.
Edward a olhou atônito.
—Tenho-lhe muito carinho. Era amigo de meu irmão e sempre me agradou falar com ele, mas inclusive faz dois anos sabia que não estava apaixonada de Jacob - admitiu Isabella. - É uma pessoa muito especial, boa e amável, mas só flertei com ele...
—Flertaste...? - repetiu Edward agoniado.
—Por isso me senti tão mau quando papai acreditou que era algo mais sério e fez com que o jogassem da ilha. Todos esses problemas eram minha culpa - suspirou Isabella com tristeza. Edward fechou a boca com aparente esforço e tomou ar.
—Ele estava apaixonado de ti?
—Encaprichado, creio, a princípio... mas creio que não tínhamos o suficiente em comum como para propor-nos um futuro juntos.
—Pensei que tinha vindo declarar-te amor eterno e tentar que me abandonasse! – exclamou Edward com tom de reprovação.
—E me deixou acompanhá-lo até o barco, pensando que talvez não voltaria - Isabella entendeu por fim e o olhou incrédula. - Que classe de marido é você? - perguntou com ira. O rubor escureceu as faces de Edward. - Sou tua esposa. Como pudeste pensar por um momento que iria com Jacob?
—Queria que escolhesse entre os dois - confessou ele. - Nunca me escolheste livremente. Não, não o discutas - adicionou ao ver os lábios de Isabella se entreabriam para protestar. - Só contesta a uma pergunta. Te disse teu pai que tinhas que te casar comigo?
Isabella, em silêncio, tentou encontrar uma maneira de evadir a pergunta mas, se não queria mentir, não tinha escapatória. Com os olhos ardentes, Isabella apertou os lábios e assentiu com a cabeça.
—Deveria ter sabido - a pele de Edward empalideceu - Assim que tinha razão. Não tinhas escolha e quando te encontrei no aeroporto decidiste de repente tentar dar-lhe uma oportunidade a nosso casamento...
—Faz que soe pior do que foi...
—Não... não há nada pior do que descobrir do que te obrigaram a casar comigo – disse Edward com voz rasgada e profunda.
—Mas... – exclamou, Isabella ao ver a dor de seus olhos. Edward pôs um dedo em seus lábios para silenciá-la.
—Te educaram para que fosses uma filha obediente. Sim, inicialmente pensaste abandonar-me, mas quando tudo se complicou, quando me enfrentei a ti... não te resultou o mais fácil... simplesmente aceitar nosso casamento?
A Isabella a horrorizou captar exatamente o que Edward levava rumiando em sua cabeça nove dias. Tinha colocado todas as peças em seu lugar até compor uma imagem dela como vítima impotente ao longo de toda sua relação.
—Não... não o foi! - argumentou com veemência. - De fato, foi uma das coisas mais difíceis que fiz em minha vida. A essas alturas o de ser uma filha obediente não me importava o mínimo. Levava anos planejando e sonhando encontrar a minha irmã e começar uma nova vida. Depois apareceste tu e, de repente, já não soube o que queria. No aeroporto só podia pensar em ti e em como te sentirias quando descobrisses minha fuga.
—Queria estar contigo, essa é a única razão pela que fiquei...
—Isso é verdade? - os olhos de Edward se fincaram nos seus com intensidade.
—Não importa como começássemos... só importa onde acabemos - falou Isabella. - E eu só quero acabar contigo. Isso é tudo. Nada mais. Só você.
—Tinha tanto medo de que fosse com Jacob... - admitiu Edward com o rosto tenso. — Perguntei-me... como, te amando tanto, podia interpor-me em teu caminho. Como podia exigir-te que seguisses comigo quando supunha que a tinham obrigado a casar-te?
"Te amando tanto". Isabella sentiu milhares de borboletas revolteando em seu estômago e o olhou fascinada.
—Acreditava que enterrou seu coração com o de Tânia...
—Minha dor era real, mas se apoiava na culpabilidade. Não o entendi até que te conheci ti - Edward fez uma careta, mas seus olhos verdes procuraram os seus. — Para quando Tânia morreu, nosso compromisso ia costa abaixo, mas era muito teimoso para aceitá-lo. Tinha quebrado as relações com minha família por ela, e não queria admitir meu engano. Isso não quer dizer que não a quisesse. Estivemos juntos muito tempo...
—Mas já não queria te casar com ela - interveio Isabella com gentileza, admirando sua honradez. Sabia o que não estava dizendo: se sua família não se houvesse oposto tanto à relação, Possivelmente não teria chegado a comprometer-se com ela.
—Eu me apaixonei por ti – àgape mou. Nunca amei ninguém assim...
—Mas, e Tânia ? Já não querias casar-te com ela? - interveio Isabella com gentileza, admirando sua honradez. Sabia o que não estava dizendo: se sua família não se tivesse oposto tanto à relação, possivelmente não teria chegado a comprometer-se com ela.
—Tive que me apaixonar por ti para saber que nunca tinha estado apaixonado antes, ágape mou - confiou Edward. - Tu me importava mais do que eu mesmo. Bastante básica, mas é a melhor definição.
—É muito especial - sussurrou ela com lágrimas na voz.
—Me destroçou saber que tinhas reservado o vôo dias antes de casarmos porque, enquanto tu fazias isso, eu contava os dias que faltavam para o casamento. Não sabia que fazer... que dizer. Levei toda a semana tentando não pensar em nisso entregando-me ao trabalho.
—Estava tão distante... - Isabella estourava de felicidade, ele já a amava. AMAVA-A de verdade.
—Como se pode atuar quando se descobre que a pessoa à que se ama se casou por obrigação? Que se pode dizer quando tudo o que fez parece compreensível? Estava muito doido e me senti como um estúpido por não o ter descoberto ao princípio, mas na realidade não queria descobri-lo - admitiu Edward. Sua sinceridade só conseguiu que Isabella começasse a chorar a lágrima viva. Ele a abraçou e lhe alisou o cabelo com torpeza. - Quando me disseste a verdade, Acreditei que já não tinha direito a estar contigo, nem direito a considerar-te minha esposa... não tinhas tido escolhido!
—Eu também te amo - soluçou ela. - Amo-te tanto. Tinha medo de dizer-te a verdade por medo de perdê-lo...
Tu também me ama? - Edward jogou sua cabeça para atrás e escrutinou seus olhos intensamente. Isabella assentiu. - Então, por que choras? - perguntou ele perplexo.
—Me senti tão triste ao dar-me conta do mau que o passaste toda a semana...
—Isso é igual... - Edward a jogou sobre o travesseiro. - Diz que me ama porque te dou pena?
—Não...não - soluçou Isabella. - É que passei toda a semana sentindo pena de mim...
— Tem certeza que me ama?
—Estou louca por ti! - gritou Isabella irritada porque não a acreditava e deixando de chorar.
—Quanto de louca? - o rosto de Edward se iluminou com um sorriso radiante.
—Não posso viver sem ti, louca... da cabeça aos pés - exclamou ela borbujeante, derretendo-se sob o cálido olhar de seu marido.
—Nunca terá outra mulher em minha vida, ágape mou. Amo-te tanto que dói.
BEIJOU-A e se deixou levar pela intensa onda de amor que a envolveu. A paixão que seguiu foi tormentosa e selvagem, porque ambos desejavam expressar esse amor que os consumia. Depois, ficaram abraçados, desfrutando de sua renovada intimidade.
—Então... - murmurou Isabella pensativa, relaxada entre seus braços. —Que há do tema de "o que é teu é meu"?
Edward se tensionou e a olhou com certa incomodidade.
—Não podia suportar que pensasses que podia aproveitar-me de ti. Era meu orgulho o que falava... o pouco que me ficou depois de ouvir a Kalliope. Não sou um caça fortunas...
Minha fortuna é você - disse Isabella com ternura. - Preciso-te tanto como o ar que respiro.
—Te adoro... mas te juro que em cinco ou dez anos, serei eu quem te mantenha!
—Não quero que te mates de trabalhar e não te ver nunca! - protestou Isabella com desconsolo.
—Se estou mais de uma hora sem ver-te, sinto-te a falta... confia em mim - riu Edward, pondo-a sobre ele.
Isabella descobriu que já o fazia, confiava nele plenamente, com cada fibra de seu ser.
Dezoito meses depois, em sua casa de Londres, Isabella sorriu maternalmente ao olhar os dois berços que tinha ante si. Ainda que já tinham passado três meses desde o nascimento dos gêmeos, menino e menina, ainda não acabava de crer-se. Apollo tinha os olhos grandes e marrons, o cabelo escuro e encaracolado, e dormia como um bendito. Diantha era menor, dormia menos e exigia mais atenção. Mas seus orgulhosos pais os adoravam por essa personalidade tão diferente que já começavam a manifestar.
Isabella sorriu com malícia. Ela e suas irmãs tinham decidido que seria maravilhoso ter filhos de idades similares, para que pudessem fazer-se amigos. Não tinham considerado necessário mencionar esse plano a seus maridos. Ângela lhes levava vantagem, com Ben e Ângela, e acabava de dar a luz a Ázima, uma menina preciosa. Misty estava gestante de oito meses, esperava um menino que seria o colega perfeito para Connor. A Isabella a tinha encantado saber que teria gêmeos, e que fossem um menino e uma menina tinha sido a guinda.
Edward se tinha preocupado ao saber que eram dois, e mais quando ela esteve esgotada as últimas semanas, mas não tinha tido nenhuma complicação. Para Isabella foi maravilhoso saber que Misty e Ângela esperavam fora tão nervosas como Edward.
Sua relação com suas irmãs era muito importante para Isabella, que tinha levado uma vida muito solitária. Tinha conhecido a seu pai, Phil Sargent, mas não sentia nenhum vínculo especial com ele; em mudança, dava-se muito bem com sua mulher, Sue. Mas suas irmãs não a tinham decepcionado, Misty era mais viva e divertida, mas ambas eram igual de carinhosas.
Seis meses antes, Edward tinha dado uma fabulosa festa surpresa para celebrar seu vigésimo quarto aniversário e o de sua gêmea. Essa tarde, Misty tinha chegado com uma caixa de sapatos entre os braços, com uma verdadeira tensão no rosto.
—Tenho que vos fazer uma confissão - lhe disse com voz de culpabilidade. - Há uma coisa de nosso passado que nunca contei a vocês. Nossa mãe, casou-se quando eu ainda era pequena. Não me atrevia a dizer porque é o que mais dano me fez de seu comportamento. Enquanto me prometia que ia tentar levar-me a viver com ela e retirar-me do programa de adoção, estava casada com um homem que eu nem sequer sabia que existia!
Misty, cada vez mais inquieta por tê-lo ocultado, tinha decidido descobrir mais informação sobre sua mãe para compensá-las. Ângela era quem tinha descoberto quando e onde morreu, mas não sabiam como tinha vivido desde que abandonou às gêmeas até que morreu só numa pensão. Misty pesquisou até encontrar à caseira de sua mãe com a esperança de que recordasse a Renée e se tinha ficado atordoada quando esta lhe entregou uma velha caixa de sapatos.
—Me pareceu cruel atirar suas recordações ao lixo e não tinha a quem dar-se porque nunca tinha visitas. Sempre me perguntei quem seriam as meninas das fotos - explicou a anciã.
Na bolsa tinha recordações que tinham suavizado a atitude de todas elas para a mulher que as tinha trazido ao mundo, para depois abandoná-las. Encontraram fotos de bebês em envelopes, com uma mecha de cabelo de cada uma delas. Mas a grande surpresa foi encontrar "quatro" envelopes, não três. No quarto tinha uma mecha de cabelo castanho e uma foto de uma menina de dois anos, com um sorriso tímido e encantador, que sua mãe provavelmente teve. —Creio que
temos outra irmã em algum lugar - disse Misty. - Poderia ter nascido durante o segundo casamento de Renée, mas não sabemos o nome de seu marido, nem que fez todos esses anos; não temos nenhuma pista e duvido que ela saiba que existimos. Poderia ser bem mais jovem do que nós...
Renée tinha pouco mais de vinte anos quando nascemos... e se nossa irmã seguisse numa casa de adoção?
Quando Misty expôs todas as horríveis possibilidades que se lhe tinham ocorrido, Leone, Edward e Ben juraram que fariam tudo o possível por encontrar a essa irmã. Mas ainda não tinham encontrado nenhum dado que pudesse ajudá-los a consegui-lo.
Isabella sentiu que um forte braço se curvava sobre seus ombros e voltou ao presente.
— Já está admirando os meninos outra vez - recriminou Edward com um suspiro zombador.
—Por que não? Isto de ser mamãe é novo para mim.
—É uma mãe fantástica - lhe assegurou Edward.
Isabella sorriu ao vê-lo examinar a seus filhos com orgulho e satisfação. Sabia a afortunada que era ao ter encontrado o amor verdadeiro com o homem de seus sonhos e cada vez que Edward a olhava, sabia que ele compartilhava esses sentimentos.
Passavam muito tempo na casa de Londres que uma vez tinha pertencido a seu irmão.
Contava com uma espetacular piscina envidraçada no porão, com uma cascata e uma mini ilha, digna de um filme. Tinham redecorado o resto da casa, que era muito estridente, e consideravam Londres, junto com o sítio, seu lar.
Utilizavam a casa de Lexos para as férias, alguma reunião de negócios e para emprestar-se a Ângela e Ben ou a Misty e Leone para suas escapadas românticas. Por muito que Isabella amava a ilha, parecia-lhe demasiado solitária depois de duas semanas de estadia. Era o lugar ideal para que toda a família se reunisse, porque era enorme. Também convidavam aos pais e às irmãs de Edward.
Isabella tinha chegado a querê-los tanto como a sua recém descoberta família.
—Hoje te senti a falta - murmurou Edward, impedindo-lhe contestar com um beijo apaixonado. Agarrou-a mão e a conduziu ao quarto. —Também senti de Apollo e Diantha... - voltou a beijá-la, arrancando um gemido de paixão de Isabella, o que ele considerou um convite para tomá-la nos braços e levá-la ao dormitório.
Edward tinha tido uma reunião pela tarde, coisa que odiava, e a Isabella lhe encantava saber que tinha estado desejando regressar a casa. Quando a olhou com amor possessivo nos olhos, notou algo estranho em seu sorriso, uma expressão satisfeita que a intrigou.
—Que passou hoje? - perguntou Isabella.
—Te contarei depois... - seu sorriso adquiriu uma tintura triunfal mas, como ele tirou a camisa e começou a exibir sua beleza, Isabella deixou de pensar nisso.
—Te adoro, senhora Christoulakis. Não duvides nunca - murmurou Edward indolentemente uma hora depois, com ela ainda entre seus braços. Isabella sonolenta e satisfeita se sentiu adorada. — Mas as vezes sou muito egoísta. Cheguei em casa desejando dar-te uma notícia, mas quando te olhei e compreendi que passarias meia noite ao telefone com Ângela e Misty... decidi deixá-lo para mais tarde.
—Por que? - Isabella se apoiou no travesseiro e o olhou perplexa, não sabia de que estava falando. Edward colocou o telefone sobre seu braço.
—Tenho uma pista que talvez nos ajude a encontrar à "quarta" irmã Garitón...
—Oh, Deus meu! - exclamou Isabella. - Que descobriste?
Os olhos castanhos de Isabella brilharam. Com um sobrenome, só seria questão
de tempo encontrá-la.
—Aposto que a Leone lhe incomoda eu a tenhas descoberto – disse Edward.
—Por que os homens são tão competitivos? –reprovou Isabella.
—Vocês não são? –olhou-a de cima abaixo com olhos crispantes- Então, diga, porque sei que o ano que vem te toca a ti voltar a ficar gestante?
—Isso não é ser competitiva – Isabella se ruborizou intensamente e Edward se esticou com preguiça e sorriu.
—Não te preocupes, agape mou. Leone, Ben e eu estamos de acordo em que desfrutamos bastante do processo.
Isabella, com o telefone de Misty a discar, deu-lhe um suave murro nas costelas. Ele riu e voltou a tomá-la entre seus braços.
—Te amo – sussurou. Ela sentiu tal onda de felicidade que essa noite em particular não passou tanto tempo falando com suas irmãs como tivesse sido de esperar.
Fim
