Spirit of the Sea

Meus olhos se abriram lentamente ao mesmo tempo que se acostumavam com a luz do dia que entrava pela janela. Levantei com um pouco de dificuldade e vi que Itachi ainda estava deitado na cama, aparentemente em um sono bem profundo. Sorri ao ve-lo naquela situação, parecia um anjinho, meu anjo. Peguei o relógio que se encontrava na comoda do quarto e olhei as horas, meio dia em ponto.

Não sabia se acordava Itachi ou não, e na dúvida rumei para o banheiro. Queria tomar um banho demorado, pensar em tudo o que estava acontecendo. Era tão bom, e era real. A água estava fria, mas resisti até meu corpo se acostumar com a temperatura. A noite de ontem passava como um filme na minha cabeça, pensava no que mamãe iria dizer sobre isso, talvez ela fosse ficar brava, mas eu sei que ela gosta dele. Ele fora tão carinhoso... meus pensamentos voavam para outro lugares, imaginava nosso futuro, e quando me dei conta lá estava ele parado na porta me olhando, com aquele sorriso.

- Posso saber o motivo da minha pessoa não estar aí com a sua pessoa?

- Ah. - Eu tentava me acalmar, ainda era estranho a idéia dele me ver tomando banho. - Você estava tão bonitinho dormindo, que não quis atrapalhar.

- Bom... - Ele se ajeitou, mantendo-se encostado no batente da porta. - Sabe o que eu estava sonhando?

- Nem imagino. - Comecei a pensar em tanta coisa, que nem sabia mais o que imaginar. - Talvez, arrependimento? - Eu disse brincando, mas não expressei isso no tom de minha voz.

- Arrependido de quê? - Sua sobrancelha direita levantou e me segurei com todas as minhas forças para não rir.

- Talvez de ter pedido essa coisa feia aqui em casamento, sei lá.

- Nossa. É verdade. Como posso ser tão idiota! - Ele levou a mão a cabeça, enquanto eu tentava imaginar os seus pensamentos. - Esqueci o fato de que você é uma boba. - Revirei os olhos e ri, era tão difícil acreditar que aquilo tudo era realmente verdade. Vi Itachi andando apressado em minha direção e me enrolei na toalha.

- Ei ei ei! Posso ter um momento de privacidade?

- Hummmmm. Não posso fazer isso por você? - O tom de brincadeira não tinha ido embora das nossas falas, e logo estava eu correndo para o quarto, tentando fugir dele. - O que você vai fazer agora? Abrir a porta e sair correndo no corredor de toalha?

Olhei para baixo e me lembrei que estava enrolada na toalha branca. Olhei para o resto do quarto, só tinha o banheiro, e a outra porta que dava para o corredor. Estava encurralada.

- Bom, tenho certeza que os hóspedes iriam adorar ver essa visão. - Segurei a maçaneta que dava para o corredor, eu não teria coragem de fazer aquilo. - E aí? - Itachi estava parado no mesmo lugar, me olhando com reprovação. - Vai ficar parado enquanto vários marmanjos vêem sua noiva de toalinha?

- Estou esperando você pagar o maior mico da sua vida. - E ele se acomodou na cama sem parar de me olhar, esperando eu abrir a porta e sair correndo que nem uma doida. Olhei para ele uma, duas, três vezes até desistir e sentar na cama de toalha. - Eu sabia que você não ia fazer isso.

- Te odeio. - Itachi riu atrás de mim, sentia que ele estava se movimentando e chegando mais perto de mim. Antes que ele se aproximasse o suficiente para me tocar, levantei e fui em direção aonde estavam minhas roupas. Peguei qualquer uma sem soltar a toalha, enquanto sentia seu olhar em mim. - É hoje que nós voltamos, certo?

- Sim senhora. - Tentava puxar assunto para distrair sua atenção, mas foi em vão. Deixei a toalha cair e ouvi uma risada atrás de mim. Coloquei a roupa escolhida o mais rápido que pude e voltei a olha-lo. - Você é linda, sabia?

- Claro, e você é o Bozo. - Ele se levantou e veio me abraçar, me joguei em seus braços e senti o tempo parar. Aliás, eu sempre sentia isso quando estava junto dele. Era isso o amor verdadeiro? - Que horas partimos? - Ainda estavamos abraçados e eu rezava com todas as minhas forças para que continuassemos assim por mais algum tempo.

- Agora. - Mas ele logo me soltou para pegar as coisas. - Suas coisas estão arrumadas? - Eu concordei com a cabeça e ele sorriu, saindo do quarto. - Vem!

Logo estavamos dentro do carro presos em um trânsito.

- Sabe Itachi, eu sei que não é uma boa hora, quer dizer, nunca é uma boa hora, mas... - Gaguejava sem controle enquanto vomitava palavras sem sentido.

- Quê?

- É que eu queria saber se Ino te procurou, ou algo do tipo. - Ele me olhou sem entender absolutamente nada. Tá, definitivamente não era a hora de tocar no nome daquela loira aguada, mas eu precisava saber. Na festa, ela me perguntou tantas coisas sobre Itachi, parecia tão interessada, e até conseguiu arrancar de mim para onde ele tinha ido. Só que ela fez aquelas perguntas todas para quê? Para saber novidades sobre a amiguinha é que não era, Ino não é santa assim e eu sei muito bem disso. - Ela me perguntou tantas coisas sobre você naquela festa, falou tanto que me dói a cabeça só de lembrar...

- Ela veio aqui. - Os carros do lado de fora pararam. O vento não batia mais em meu rosto e a sensação de felicidade fugira pela janela do carro aberta.

- Ino esteve aqui e você não me falou nada? - Minha voz estava calma, mas dentro de mim crescia uma raiva imensa. Virei o rosto para a janela e os carros ao lado lentamente voltavam a se movimentar, e o vento aos poucos batia em meu rosto.

- Achei que se eu falasse, iria estragar o momento. - Voltei a olha-lo, estava apertando o volante em suas mãos com tanta força, que podia quebrar a qualquer hora. - Fui idiota.

- Então se eu não te perguntasse, você não iria me con...

- Não, Sakura! Não! - Ele me interrompeu e me olhou pelos cantos. - É lógico que ia te contar, mas as coisas estavam indo tão bem, que não iria mudar muita coisa contar agora ou depois.

- Então agora é hora de falar as coisas, não é? Pois bem, eu recebi um buque de flores no dia dos namorados, de um admirador secreto! - Eu sinceramente não sabia o porque de ter dito isso, e sabia que eu não iria ganhar absolutamente nada falando aquilo, mas as palavras saiam sem controle de minha boca, como se tivessem vida própria.

- E você está reclamando que Ino veio me visitar?!

- Te visitar?! - Eu gritei enquanto me afundava no banco de couro do carro. Ino tinha ido ao encontro de Itachi para fazer qualquer coisa, menos visita-lo apenas. - Aquela garota já provou que vai fazer de tudo, usar de todas as armas para acabar com nosso amor e você diz que ela só veio te visitar?!

- Aparentemente ela conseguiu fazer com que nós brigassemos. - Era verdade. Ela tinha conseguido fazer com que nós brigassemos, mais uma vez.

- Droga Itachi, me desculpa. - Minha voz tinha voltado ao tom calmo do ínicio da discussão, e a raiva estava passando aos poucos, a tristeza e o desapontamento tomavam o seu lugar.

- Tudo bem Sakura, se você quer saber, Ino veio me dizer que iria deixar eu de lado e não atrapalharia mais. - Eu ri, ri sem controle. Aquilo era piada ou coisa do tipo? - E eu sei que você não acredita isso, mas sinceramente Sakura, você acha mesmo que eu acredito? Eu não sou mais um adolescente que vê um rabo de saia e corre atrás sem controle. Ino já foi, é passado. Só que você continua a insistir nela. - Me afundei ainda mais no banco ao ouvir as palavras dele, de fato quase tudo ali pronunciado era verdade. Itachi já tinha deixado bem claro pra mim que Ino não significava nada para ele. - Eu sei que se ela me agarrar, e você por obra das próprias mãos dela nos ver, você vai acreditar no que seus olhos viram. Eu entendo isso, se acontecesse ao contrário eu também brigaria com você, mas Ino simplismente não fez absolutamente nada e olha só o clima que está aqui. - Percebi que estavamos parados, presos no trânsito.

- Me sinto péssima. - E me sentia mesmo, só que era bem pior do que isso. Eu não sabia o que dizer, me sentia uma burra e um monte de coisas que eu nem sei nomear.

- Não sinta, eu tento te entender. - Como se aquelas palavras ajudassem a melhorar o que eu estava sentindo. - Agora, podemos esquecer a Ino? Quero saber sobre o buquê. - Concordei com a cabeça ainda perdida com tudo aquilo que tinha acontecido, meu estado tinha mudado do vinho para a água em questão de segundos, o clima estava pesado, estava horrível.

- Eu acho que é do Shikamaru.

- Ou talvez uma brincadeira do meu queridinho irmão.

- Ah, é. Tem o Sasuke. - Nossas palavras eram frias, parecia que não tinhamos nenhuma vontade de conversar. Mas era necessário. - Só que parecia algo romântico, não brincadeira.

- Isso mexeu com você? - A pergunta me pegou desprevinida. Comecei a lembrar de quando mamãe me mostrou as flores, eu fiquei feliz de primeira. Mas quando vi o cartão, meu sentimento era decepção por não ser de Itachi. Eu tinha esquecido já aquilo, só agora que lembrei das flores.

- N-não. - Não falei com firmeza e Itachi me fitou, tentando tirar a verdade de mim. Só que eu tinha falado a verdade mais verdadeira, aquelas flores não adicionaram nada em minha vida.

- Tem certeza?

- Tenho. - Uma lágrima desceu pelo meu olho esquerdo, só que Itachi a limpou antes que descesse para o meu pescoço.

- Então eu acredito em você. - A mesma mão pousou encima da minha, fazendo carinho. Aquilo de alguma forma me confortou. - Parece que temos longas horas dentro desse carro. - Concordei enquanto olhava a quantidade de carros que estavam parados a frente de nós. Me concentrei antes de começar um novo assunto. Queria acabar com aquele clima e nada melhor do que falar sobre coisas boas, sobre coisas que o deixariam muito feliz.

- Que dia? - Ele se virou para mim pedindo uma explicação. - Quando vamos marcar a data do nosso casamento? Aliás, precisamos marcar o jantar de noivado!

- Uau, achei que estivesse com medo de se comprometer comigo. - Medo eu não tinha, não mais.

- Medo de você? Ah que piada! - Nós rimos juntos, era tão bom ouvir aquela risada denovo...

Ficamos dentro do carro conversando horas e horas, e de vez em quando Itachi ligava o motor do carro e andava mais um pouquinho. Nossos celulares não pegavam, devido a chuva que tinha começado a cair. Conversamos sobre tantas coisas, e combinamos de vermos as coisas do casamento no dia seguinte. Consegui me manter acordada até o anoitecer, o trânsito já ficava mais tranquilo e Itachi teve que se concentrar no volante devido a chuva, então adormeci.


Senti alguém me cutucando e abri os olhos com um pouco de preguiça. Olhei e era Itachi, ainda estavamos dentro do carro, mas minha casa estava ali na nossa frente.

- Bom, consegui ligar para sua mãe e ela não está brava pela nossa demora. - As palavras de Itachi pareciam estar em outra língua, minha cabeça girava e minhas costas doiam demais. Acho que era tudo culpa da sonequinha no carro. - Acho melhor eu te levar lá dentro, você não parece estar...bem...em condições. - Fiquei sem me mover até Itachi abrir a porta ao meu lado e me colocar em seu colo.

- Não precisava, mas eu gostei. - Ele riu enquanto tocava a campainha.

- Bobona. - Senti seus lábios em minha testa e abri um sorriso enorme. - Ela está entregue! - Mamãe abriu a porta com uma velocidade inacreditável, parecia tão feliz em me ver. Principalmente em me ver nos braços de Itachi.

- Não quer entrar Itachi? - Fui colocada lentamente no chão e fiquei parada esperando a decisão dele.

- Tenho trabalho a fazer, mesmo estando cansado. É preciso, você entende. - Mamãe concordou, se despediu e deixou que ficassemos a sós. - Amanhã, combinado? - Concordei enquanto bocejava, odiava bocejar na frente dele. - Se cuida, ve se não vai em festas beber.

- Pode deixar, senhor. - Dei um passo para ficar mais próximo dele e poder tocar-lhe os lábios. Aquilo já estava virando um vicio, Itachi era meu único e predileto vicio.

- Está tarde. - Disse ele ao nos separarmos. A hora do adeus era tão ruim, um vázio tomava conta de mim ao ve-lo se despedir de mim. - Tenho que ir. - Fiz um biquinho, imitando uma criança manhosa. Eu tenho certeza que ele acha que eu sou uma. - Não faz isso Sakura, se não eu não consigo ir embora.

- Mas esse é o real objetivo da coisa. - Ele sorriu e enlaçou minha cintura, encostei minha cabeça em seu ombro enquanto sentia sua respiração. Apertei-o mais forte que pude contra mim.

- Eu te amo. - Itachi falou isso tão próximo do ouvido que cheguei a sentir um arrepio, mas um arrepio tão bom.

- Eu também te amo.

Então nós se separamos um pouco, só para nos olharmos. Me perdi naqueles olhos assim como me perdi na primeira vez que o vi.

- Até amanhã.

Beijou minha testa e entrou no carro dando a partida. Logo sumira no meio dos outros carros na rua, fechei a porta e entrei em casa.

- Mãe?! - Gritei vendo que ela não se encontrava na sala. Eu tinha certeza que ela ia vir correndo saber os acontecimentos, e como previsto, lá estava ela sentada no sofá aguardando. - Eu tenho mesmo que contar tudo hoje?

- Não, não precisa. Mas as coisas importantes você pode contar, não é?! - Os olhos dela brilharam como nunca e eu sabia que iria me sentir muito mal se não lhe contasse alguma coisinha hoje. Então sentei no sofá, acomodando-me de um jeito que minhas costas não doessem, e comecei a falar.

- Bom, ele me pediu em casamento. - Mamãe abriu um enorme sorriso, mas continuei a falar sem parar antes que ela se pronunciasse. - Nós... nós.... er... - Que culpa eu tinha se era timida? As palavras não saiam, e esperei que ela advinhasse. Mas ela não advinhou, nem sequer tentou. - Nós, dormimos juntos. - DORMIMOS? Eu só espero que ela entenda o significado desse "dormimos".

- Dormiram juntos? Como assim? Dormiram mesmo? - Ah ela é tão esperta pra cada coisa inútil, que no momento que ela pode ser mais esperta, ela joga isso fora.

- Mãe, nós não dormimos. Entende? - Eu dei uma piscadinha pra ela e levantei fitando o chão, tentando fugir do seu olhar que eu não conseguia decifrar.

- Vocês...vocês, fizeram sexo? - Fiquei feliz ao saber que eu não era a única tímida o suficiente para falar sobre essas coisas, só que mamãe era mil vezes mais solta do que eu.

- É mãe, fizemos! Agora posso, dormir?! - Comecei a subir as escadas sem ouvir sua resposta, e não ouve resposta alguma. Ela ficou quieta me observando ir para o quarto. Respirei aliviada, consegui fugir do assunto, mas só até amanhã.

Amanhã eu iria sair com Itachi, não iria? Então eu não teria tempo algum para falar com mamãe, e poderei enrolar mais um pouquinho antes das perguntas constrangedoras que estavam por vir.

- MÃE?! Só pra avisar... - Eu gritava para que ela me ouvisse de qualquer lugar da casa que ela estivesse. - Eu vou sair com o Itachi amanhã!Vamos marcar a data do casamento!

E caí na cama, eu tinha dormido tanto no carro, mas uma moleza tremenda se apossou do meu corpo. Fiquei girando de um lado para o outro, e finalmente peguei no sono.


Ouvi o barulho do carro de Itachi do meu quarto, fui conferir na janela e lá estava ele olhando na minha direção, mas não estava sorrindo. Dei um tchauzinho e pedi para esperar, já que ainda estava me arrumando. Não sabia exatamente em que igreja iriamos, deixaria aquilo para ele escolher, não fazia muita questão já que todas as igrejas daqui são extremamente bonitas.

Mamãe entrou no quarto e sentou na minha cama.

- Tem certeza de que quer isso, não é? - Mamãe as vezes me assustava. Em um dia ela estava doida para eu casar com Itachi, para me firmar com ele de uma vez por toda, e no dia seguinte ela estava com esse ar de dúvida, de medo, de cautela. - Eu não consigo esconder minha felicidade de ver você finalmente feliz com algum cara filha. Para mim, para mim, ouviu? - Eu concordei e ela continuou - Ele é o cara perfeito. Só que pra você filha, ele pode não ser perfeito. E eu não quero que você faça isso só por não querer magoá-lo. Você tem que ter certeza do que quer, tem que pensar primeiro em você. - Aquilo já não estava me deixando confortável e resolvi acabar logo com o assunto.

- Mãe, eu sei o que eu estou fazendo. Eu sei que falei tantas coisas boas de Sasuke pra você, mas ninguém me faz feliz como Itachi faz. Ele é especial, e eu sei que também sou especial para ele. Você entende isso? - Mamãe apenas ficou parada vendo eu desabafar. E eu preferia ela assim, em silêncio, me dando espaço. - Nunca estive tão feliz e com tanta certeza de uma decisão. Você me conhece bem, e sabe como nunca fui boa em tomar decisões importantes, mas, sinto que agora tudo faz sentido pra mim, e que essa é a melhor decisão que posso tomar.

Fiquei feliz quando senti ela me abraçar, era tão bom poder contar com ela, tão bom me abrir assim com alguém. Levantei de cama e ajeitei minha roupa, Itachi já devia estar impaciente, mas com a conversa eu tinha completamente me esquecido que ele estava lá fora. Dei um beijo em mamãe e fui ao seu encontro.

- Pronta?

- Claro.


Parei em frente a igreja que Itachi escolhera. Era enorme, de uma graciosidade inexplicável. Tudo ali parecia ter feito com o máximo de vontade, precaução e inspiração já imaginada. Eu não a conhecia, mas já ouvira falar muito bem de suas artes. E todos que diziam isso não estavam nem um pouco enganados. Levantei a cabeça para poder observar a igreja por inteira, as portas enormes de madeira, com alguns traços salientes, davam um charme e uma paz a mais naquele lugar. Sorri com o gosto de Itachi, era mais do que eu imaginava.

Itachi passou o braço por cima do meu ombro e começou a caminhar em direção a igreja. Minha boca quase caiu quando entramos, era muito mais bonita do que o lado de fora. No teto haviam várias imagens pintadas, e lá dentro, você sentia algo estranho. Não sei dizer o que senti, mas era algo fascinante. As janelas eram de uma beleza inexistente, e o reflexo de uma pintura fazia com que os vidros ficassem coloridos.

Nos cantos haviam estátuas de Jesus e de outros Santos que eu não pude identificar. Fomos em direção ao padre que parecia nos aguardar ancioso, comprimentamos-o e seguimos até uma sala.

Em pouco tempo, sem problemas algum, marcamos o dia do nosso casamento. Era daqui 3 meses, a imagem do casamento, a lua de mel, tudo vinha em minha mente como um turbilhão, eu mal continha a excitação. Itachi viu que eu ficara contente e mal conseguia esconder o sorriso e a excitação também, as imagens do meu vestido, de mim entrando na igreja, era incrível.

Sem perceber graças aos meus pensamentos, me encontrei parada dentro do carro ao lado de uma sorveteria. Itachi abriu a porta do meu lado convidando-me para sair, sorri e levantei.

- Você... está, quieta. - Talvez porque eu estivesse perdida em meus pensamentos, mas o sentimento de medo em seu olhar me fez pensar que talvez eu estivesse parecendo arrependida.

- Não! - Segurei a mão dele enquanto ele me levava para dentro da sorveteria. - Eu estou muito feliz, muito mesmo. Como nunca estive Ita-kun.

- Tem certeza de que não é muito cedo para você?

- Tenho total certeza. - Então ele abriu aquele sorriso. Aquele sorriso que eu desejava poder ter para mim eternamente, e esperava que assim fosse. - Eu amo você.

- Eu também amo você.


Cheguei em casa exausta. O dia fora de muita correria, vendo pequenos detalhes sobre o casamento, eu precisava decidir logo quem seria minha madrinha para ela me ajudar. Talvez Hinata, ela era a que mais merecia, e parecia que ela iria adorar a idéia. Deitei em minha cama e fiquei a encarar o meu computador, lembrei da noite em que Ino brigou comigo pelo msn, aquela noite que eu achava que iria ser a pior, acabou sendo a melhor. Mesmo ela tendo sido um pouco, digamos, aterrorizante, mas me proporcionou um namorado, um noivo, mais que perfeito.

Ouvi a campainha tocar lá embaixo e estranhei, olhei para o relógio e marcavam vinte minutos para as onze. Que maldita pessoa visitava alguém essa hora? Talvez uma amiga de mamãe, quem sabe. Mas ouvi a própria gritando meu nome lá de baixo, talvez fosse Itachi. A idéia me animou, arrumei o cabelo com ajuda do espelho no banheiro e rumei escada a baixo.

Só que não era bem a pessoa que eu esperava, era Shikamaru.

- Shi-Shi-Shikamaru?

- Ele disse que precisava falar urgente com você querida. - Disse mamãe tão calma, só que eu sentia que ela não tinha gostado daquela visitinha noturna. - Vou deixar vocês a sós. - E se foi pela porta da cozinha.

- Bom, o que te trás a essa hora da noite aqui? - Convidei-o a sentar no sofá a frente do que eu me sentara, não seria nem um pouco confortável sentar ao seu lado. Shikamaru parecia gente fina, mas eu nunca fui de conversar com ele. Era algo bizarro uma aproximação assim tão rapidamente.

- Eu precisava falar algo para você Sakura e sinceramente não sei nem por onde começar. - Aquilo não estava me cheirando bem. As mãos do garoto a minha frente tremiam, e suas pernas não paravam de balançar. Algo não muito legal estava para acontecer. - Lembra quando eu te disse que não aguentava mais Ino, e que aquilo que você falou foi um maravilhoso pretesto para terminar com ela?

Acenti com a cabeça e engoli em seco. O que ele queria dizer com aquelas coisas? Minha cabeça girava enquanto várias coisas vinham em minha mente, o que Ino tinha a ver com tudo aquilo? Aliás, por que diabos estavamos tendo essa conversa?

- Eu queria terminar com Ino, porque na verdade eu tinha outra garota em minha cabeça. - Ah meu Deus, não. Não, não e não. Itachi bem que podia aparecer naquela hora e dar um basta na conversa, pois o que estava a vir não seria nada bom. - E eu acho que você sabe quem é essa garota.

- Ahn. Er. Assim...

- Não precisa dizer nada Sakura. Eu sei que você gosta do Itachi e não de mim. - Viu, eu disse que não iria sair coisa boa. Eu só me perguntava quais motivos um garoto como Shikamaru(que aparentava ser muito legal) teria para gostar de alguém como eu. Ainda mais porque eu estou comprometida e todos lá na escola sabem muito bem disso, inclusive um casalzinho infernal. - Mas eu precisava falar isso para você, não tinha mais como me segurar.

- Aquelas flores?

- Sim.

E paramos de conversar, apenas ficamos nos encarando. Eu rezava para que mamãe resolvesse ouvir um pouquinho da conversa e enxergasse que as coisas não estavam indo nada bem. Enquanto ele me encarava eu pensava. Antes de mim encontrar Itachi, ninguém ligava para eu. Nenhum garoto, além daquele Sasuke, olhavam para mim com outros olhos. E agora é só eu encontrar alguém decente que vem um monte.

- Bom, olhando pra você eu vejo que só estou atrapalhando. - Ele se levantou e eu não podia impedir. Acompanhei-o até a porta em silêncio. - Desejo felicidades a vocês dois, mas caso termine, estarei aqui. - Ele deu uma piscadinha, mas eu precisava terminar com as esperanças dele.

- Nós vamos nos casar. - A expressão dele mudou totalmente, não posso dizer que ficou ruim, pois já estava péssima antes deu pronunciar as palavras. - Daqui a 3 meses, eu sinto muito.

- Não tem o que sentir Sakura, só quero te pedir uma última coisa.

Fiquei em frente a porta esperando o seu pedido. Mas ele não veio pronunciado, e sim veio em um beijo. Isso mesmo, ele me beijou.


Bom, dessa vez eu não demorei tanto para postar! Fiquei contente comigo mesma haha. Só que esse capítulo não era para mim postar agora, era mais pra frente, mas decidi por dar um presentinho de Natal atrasado e de Ano Novo!

Desejo um ótimo ano novo para todos, com muitas fics haha, principalmente de Itachi e Sakura hihi!

Espero que gostem desse capítulo, o próximo NÃO É O ÚLTIMO! Decidi fazer mais uns, dois, ou quem sabe três. Estou animada hihi!

Agradeço a todas as reviews, algumas pessoas não abandonaram a fic, mas os números de reviews cairam demaaais, e eu não posso reclamar haieohaeoiheaioa.

Ah e repostei o capitulo pra avisar que as reviews estao sendo respondidas por email!! xD

Vou indo agora!

FELIZ ANO NOVO PARA TODOOOOOOOOOOOOOOOOS!

MUITA PAZ, SAÚDE ETC ETC!

beijinhosssss