Spirit of the Sea


Era meu dia, eu mal conseguia acreditar. Levantei da cama com tanta disposição, que alguém vendo aquela cena não saberia que se tratava de Haruno. Tinha sonhado com esse dia o último mês todo, e ele finalmente tinha chego. Minha felicidade dependia desse dia, minha vida começaria de novo a partir de hoje. E eu não via a hora de recomeçar. Estava saindo do quarto quando um cheiro estranho invadiu meu quarto. Meu estômago estava prestes a entrar em rota de colisão e só me dei conta de que estava péssima quando vomitei na privada do meu banheiro. Respirei fundo, escovei os dentes novamente e decidi por esconder esse pequeno fato de minha mãe. Rezando para que o cheiro não me encomodasse novamente e que ela não percebesse nada. Desci as escadas de casa tentando parecer o mais natural, esquecendo o fato passado. Encontrei mamãe na cozinha, com a xícara de café em suas mãos. Novamente aquele cheiro, mas meu estômago já estava um pouco mais calmo.

- Caiu da cama Sakura? - Disse ela, enquanto virava sua xícara de café com leite. Ela estava feliz, dava para ver isso em seu rosto. Todos estavam felizes, aquele clima era maravilhoso. E de hoje em diante só melhoraria. - Isso chegou agora cedo pra você querida, mas não se assuste com o remetente.

- Nada vai me assustar mamãe! - Arranquei o papel de sua mão e hesitei quando li o nome atrás da carta. Era de Sasuke. Mas o que aquele garoto ainda queria comigo?

- Eu tentei avisar. - Ignorei as palavras de minha mãe e abri o envelope, anciosa para descobrir o que tinha ali dentro. Só esperava do fundo do meu coração que não fosse mais uma de suas coisas.

" Sakura, espero que você não tenha rasgado isso quando leu meu nome, mas se você está lendo isso deve ser porque não rasgou. Enfim, eu admito, não tive coragem de falar as minhas palavras a seguir na sua frente. Fui até a sua casa hoje cedo e hesitei na porta, não sabia o que fazer. Minhas mãos tremiam, tudo estava estranho demais para mim. Decidi voltar para casa, e precisava de certa forma falar com você. E a única opção que eu conseguiria tornar real era por meiode uma carta. Eu gostaria de lhe pedir desculpas, eu não sou o Sasuke que você conheceu nesses últimos tempos. Pelo menos eu não era isso que eu acabei me tornando, mas não há desculpa nenhuma que faça voltar atrás, não é? Portanto, a única coisa que eu posso escrever aqui, é que eu desejo tudo de bom para você e meu irmão. Sim, é isso mesmo que você está lendo. Eu lhe desejo tudo de bom, muitas felicidades com meu irmão. Se você o escolheu, eu tenho que aceitar será o melhor para você. Mas eu nunca vou esquecer que um dia eu já tive você, mas não tive a competência de faze-lá feliz. E se de certo modo isso te conforta, eu vou carregar essa culpa e essa dor pelo resto da minha vida. Hoje eu estarei lá, na primeira fila, para ver como você estará linda e feliz, invejando meu irmão pela sua sorte grande. Vou aplaudir de pé o casal, chorando por dentro pensando que podia ser eu. Mas estarei lá, pode ter certeza. Por último, obrigado por ter lido essa carta. Considero isso como uma segunda chance que você me deu. É isso. Ah, e fique mais linda do que já é. Um beijo.
Uchiha Sasuke"

Eu terminei de ler a carta aos prantos. Não chorava de tristeza, chorava de um tipo estranho de alegria. Era difícil ler aquelas palavras de Sasuke, um garoto sempre orgulhoso, que nunca aceitava um erro. Muito menos pedia desculpas. E todas aquelas palavras eram para ela, todas aquelas desculpas, todas aquela tristeza jamais vista no Uchiha, tudo se direcionava à ela. Dobrou a carta e pôs de volta no envelope, guardaria aquilo para sempre. Limpou os olhos, afastando as lágrimas restantes, mesmo com todos os ocorridos, Sasuke ainda sabia como mexer com a minha pessoa. Levantei meu olhar e deparei com uma mãe em choque.

- Mãe, está tudo bem. É que foi um... - Travei - baque, sabe? Vou guardar isso e já volto.

Subi as escadas ainda chorando, era triste ver como as coisas podiam ter sido diferentes. Eu podia estar com Sasuke agora, não que eu gostaria que isso acontecesse, mas era uma situação muito possível, que por meras idiotices não foi para frente. Mas aí eu conheci Itachi e bem, não preciso falar mais nada. Novamente senti aquele incomodo no estômago e corri para o banheiro, mas nada aconteceu. Eu deveria ter comido algo ruim, era apenas isso. Quando eu voltei para a cozinha, mamãe já não estava mais lá. Tomei meu café tranquila, tranquila até demais, se é que vocês me entendem. Ouvi a campainha tocar e bufei, pelo amor de Deus, que horas eram?

- São nove da manhã de sábado Shikamaru. - Revirei os olhos quando vi quem era na porta, só podia ser brincadeira dos Deuses comigo. Todo mundo resolveu falar com a minha pessoa, bem hoje! Tentei ser educada, mesmo nervosa. Convidei-o para entrar e logo ele estava sentado no sofá olhando a televisão. - Então?

- É hoje seu casamento, não é? - Hã? Dou um chute ou não dou nesse garoto? São nove horas da manhã de sábado, o dia do meu casamento, o dia que eu li uma carta linda de um garoto que eu amei praticamente a minha vida toda, e ainda ouço essa pergunta! - Desculpe, não sou bom com datas.

- Achei que tivesse mandado o seu convite. - Eu tinha que entrar para um grupo de teatro, minha interpretação estava sendo maravilhosa, pelo menos até aquele momento.

- Mandou, mandou sim. É que eu não vim falar disso, foi só para quebrar o gelo, entende? - Claro que eu te entendo Shikamaru, agora eu levanto do meu sofá e tasco lhe um beijo. Com total certeza era isso que ele estava pensando ou imaginando naquele momento, mas coitado. Eu gostava dele.

- Pois bem, eu estou esperando.

- Me desculpa, sabe! - Ele começou a gaguejar desesperadamente e meus dedos já batiam em um ritmo rápido na mesa de madeira. - Eu não sei por quais motivos fui inventar de gostar de você. Você sempre foi apaixonada pelo Sasuke e depois se apaixonou pelo irmão dele, era óbvio que eu não conseguiria entrar nessa rodinha. Era óbvio demais!

- Shikamaru, você não tem que pedir desculpas nenhuma. - Eu decide por cortar aquela conversa. Já tinha sido difícil demais ler as palavras de Sasuke, ouvir mais um pedido de desculpas naquele dia seria tortura demais para o meu gosto. - As pessoas acabam se apaixonando, pela pessoa certa ou pela errada. Isso acontece, mas é legal o fato de que você viu que não tinha chances de "entrar na rodinha". - Usei a mesma expressão que ele usou, tentando ser um pouco descontraida, só que Shikamaru não se movia. Parecia estar em transe, em algum tipo de guerra com o seu interior. - E bem, eu espero que você compareça hoje. E que você ache alguém que possa gostar de você. - Ele finalmente sorriu e levantou para me abraçar.

Retribui o abraço. Era bom abraçar um amigo, mesmo que os sentimentos sejam diferentes pelas duas partes. Suspirei percebendo que no fim, tudo tinha dado certo. Shikamaru já estava indo embora quando virou para mim.

- Eu gosto, sempre gostei, da Ino e vou reconquista-lá. Obrigado Sakura, por tudo. - Shikamaru piscou e saiu. Me joguei no sofá esperando a fixa cair. Então, tudo estava resolvido. Corri para o meu quarto e liguei o computador, faziam anos que eu não entrava no Msn. Me conectei e logo vi Hinata online. Ps: com o nick assim: Hinata s2 Naruto. Era tão bonitinho. Mandei mensagem.

Futura Uchiha diz:
OIIIIIIIIIII! Cara você não sabe o que aconteceu.

Hinata s2 Naruto diz:
meu, nem me fala. hj é o dia do seu casamento, eu nem quero saber. Estou com medo!

Futura Uchiha diz:
mesmo você sendo chata eu vou te contar, tá? E eu adorei o seu nick! Tão lindinho!

E ficamos conversando por algumas horas, permaneci offline pois Sasuke estava online e tive medo dele vir falar comigo. Eu até gostaria de ver se ele falaria comigo, mas não hoje. Não era o dia certo. Hinata me contara alguns detalhes sobre seu namoro com Naruto, e que eles tinham avançado em certas coisas também. Ela não me contara os detalhes, disse que para isso um dia ela ligava, e nós dividiriamos a conta do telefone como nos velhos tempos.

Velhos tempos, em pensar que isso faz mais ou menos um ano, logo a escola acabará, as pessoas se dividirão, inclusive eu. Não sei como vou ficar com Hinata, com Naruto, Tenten e etc. Só sei que sentirei uma falta enorme. Ouvi mamãe bater na porta e deixei que ela entrasse.

- Não está na hora de você ir tomar banho para o cabelereiro? Acho que você já está atrasada!

- A mãe, relaxa. - Olhei o relógio e vi que realmente estava atrasada - Não seria uma noiva se não estivesse atrasada. - E ela riu docemente.

OoOoOoOooOOOooOOooOOoooO

Meu cabelo estava quase pronto, só restava o finalzinho da maquiagem. O vestido tinha entrado perfeitamente, sem qualquer problema. Nada de engordar, nada de pequenos defeitos, estava tudo perfeito. Me olhava no espelho e aquela imagem parecia falsa para mim, de tão inacreditável que aquilo estava acontecendo comigo. Gostaria apenas de ser uma mosquinha e descobrir o que Itachi estava fazendo e pensando nesse exato momento.

Itachi's POV.

A gravata não se ajeitava de nenhum modo e Kisame não fazia a menor ideia de como me ajudar. Aquela situação já estava ficando embaraçada, da goleada que estávamos levando de uma mera gravata. Se fosse há algum tempo atrás eu já teria cortado ela ao meio, mas eu tinha que estar apresentável para Sakura. Ela sim, deveria estar maravilhosa, mais do que sempre foi. Apesar de que isso era totalmente impossível.

- Bom, acho melhor você já se posicionar. Todos estão aqui, menos ela é claro. - Kisame começou a falar quando finalmente terminamos com a gravata. Eu estava pronto, agora só faltava esperar por ela. Meu Deus, eu nunca estive tão nervoso como no dia de hoje. Já lutara tantas vezes, tivera tantos problemas, e nada se comparava ao sentimento que eu estava sentido agora. Era bom e ao mesmo tempo sufocante. Que desispero!

Apertei a mão de Kisame e dei um leve abraço nele, eu não costumava ser carinhoso com os outros. Mas hoje pouco me importava com a minha pose de homem frio, eu jogaria tudo para o alto. Minha nova vida começaria hoje.

- Sabe... - Eu reconheci o tom de voz de Kisame e tentei evitar. - Até que sua noiva tem umas amiguinhas, digamos assim, bonitas. - Eu sabia que vinha besteira, mas era divertido ouvir aquelas coisas. - Mas a Sakura é melhor. - Também sabia que ele só falava aquilo para me provocar, eu não caia mais. Era apenas uma diversão nossa.

- Você é o pior padrinho da face da Terra. - Dei um empurrão nele e fui comprimentar o pessoal no salão. Sasuke estava lá, totalmente perdido. Quase não reconheci o meu pequenino irmão. Quando me viu, se levantou e veio em minha direção. - Sasuke...

- Parabéns. - Foi a única coisa que ele disse antes de voltar para o banco da primeira fileira, que era onde ele estava antes. Eu imaginava o quanto estava sendo difícil para ele, mas eu não tinha culpa nenhuma naquela história. Se alguém tem que ser culpado, ele que se culpe. Comprimentei metade das pessoas, o resto eu não conhecia.

Os minutos não passavam, o embrulho no meu estômago só aumentava. Meu Deus, como essa mulher consegue mexer tanto comigo? Me desprendi dos meus pensamentos quando ouvi a música. A música que nós dois tinhamos escolhido para a sua entrada. Spirit of the Sea instrumental, era maravilhosa. Todos os convidados se levantaram e a porta enorme se abriu.

Lá estava ela, linda, maravilhosa, aliás, não existia adjetivo que descrevesse como Sakura estava. Seu sorriso ia de lado a lado e seus olhos brilhavam como nunca haviam brilhado antes. Ela estava fascinante, literalmente fantástica. E ela era minha.

Sakura's POV.

Minhas pernas tremiam, eu praticamente não as sentia. Me avisaram que estava na hora, e eu entrei. A primeira pessoa que vi foi Itachi. Ele estava paralisado,literalmente congelado! Mas olhava para mim e estava feliz, eu podia sentir a felicidade no seu olhar. Sorri de volta para ele. Tentei manter minhas pernas firmes, algo que se tornava cada segundo mais difícil. Ainda mais contando com um olhar de Itachi completo em você, e mais os de uma centena de pessoas. Reparei em mamãe chorando, em meus tios que não via há muito tempo, Hinata que chorava feito uma criança, Naruto que sorria, e por fim vi Sasuke. Onde ele disse que estaria, na primeira fila. Me olhava com uma mistura de dor e felicidade. Com a felicidade prevalecendo, pelo menos pelo seu exterior. Lhe mandei o sorriso, que foi logo retribuido. Eu tinha perdoado aquele garoto, ele merecia.

Caminhei a passos curtos em na direção de Itachi, e quando cheguei perto dele,segurou minha mão. E agora eu me sentia completa, só pelo simples fato dele estar segurando a minha mão.

- Eu te amo. - Falou tão baixo, que nem o padre a nossa frente podia ter escutado. Aquele eu te amo era só para mim e sempre seria apenas para mim.

Abaixei o véu e olhei nos olhos de Itachi novamente. Ficamos assim por meros segundos, que mais tinham parecido uma eternidade de tão profundo que fora. Voltei a olhar o padre e começamos com os juramentos.

- Eu prometo amar você...- Ele dizia segurando minhas mãos.

- Uchiha Itachi eu lhe juro fidelidade... - Eu dizia enquanto segurava as minhas lágrimas.

Além das cameras, aquele momento estaria registrado para sempre em minha memória. Tudo estava em perfeita sintonia, era o paraíso em terra.

- O noivo pode beijar a noiva.

E aquele foi o beijo mais breve, mas também o mais maravilhoso do nosso amor. Ali celava nosso elo, nosso ato de fidelidade um com o outro. Ali estava nossa nova vida, nossa vida à dois. Seguimos para a saída da Igreja, e meu cabelo já estava cheio de arroz. Eu apenas ria, ria, ria... sem parar. Era a única coisa que eu conseguia fazer naquele momento. Capaz de no dia seguinte acordar com dor na bochecha de tanto sorrir, mas tanto faz, como tanto fez.

Já não existiam mais pessoas ao nosso redor, era apenas eu e Itachi. Nossas mãos entrelaçadas durante o caminho para o carro com a traseira carregada de latinhas. Um sonho realizado. Era tudo o que girava em minha mente. Logo percebi que não era só a minha cabeça que girava, meu estômago girava junto. Itachi me olhou sem entender e eu abri a boca, na tentativa inútel de falar.

OoOoOoOOoOoOoOoooOooOOo

Levantei da suposta cama que eu estava e dei de cara com um assutado Itachi.

- Sakura?! Sakura?! - Disse desesperadamente enquanto procurava minhas mãos que estavam escondidas por baixo do cobertor. - Ela acordou! - Um moço de branco apareceu, e só quando olhei em sua direção vi os carros logo a frente. Eu estava em uma ambulância, mas não lembrava de nada. O casamento, eu tinha me casado... fitei minhas vestes. Eu ainda usava o vestido branco, então...

- O que aconteceu? - Puxei o máximo de ar suficiente para falar, eu estava fraca demais e nem ao menos sabia dizer porque. O médico levantou meu rosto fiscalizando-me sem explicar absolutamente nada, e logo sentou-se ao meu lado.

- Você estava a caminho da sua festa de casamento quando vomitou em seu marido e desmaiou. - Arregalei os olhos enquanto me virava para Itachi. Ele estava sem o paletó, provavelmente sujo pelo meu vomito. Meu Deus, que horror. - Por enquanto ainda não sabemos o que causou isto. Tiramos sua pressão e está normal. Perguntamos a sua mãe se você tinha se alimentado direito, ela disse que sim. Não comentou nada sobre alguma comida diferente. Você lembra de algo?

- N-não... eu não comi nada de diferente. - Minha voz estava baixa, quase não se dava para ouvir. Eu estava muito fraca, meus olhos pesavam e teimavam em se fechar.

- Estamos chegando no hospital, é melhor você descansar. Só quero te fazer mais uma pergunta, posso? - Itachi quase rosnou, insatisfeito com tantas perguntas do doutor que me levariam a fazer mais esforços. Respondi que sim com a cabeça, evitando assim de falar.

- Sua menstruação, como está? - E de repente tudo pareceu ficar claro para mim. Minha menstruação estava atrasada mais de cinco dias, o que não era nada comum. Meus seios estavam de certa forma diferente, mas eu achei tudo isso normal. O cheiro do café de mamãe mais cedo tinha me causado mal estar. Tudo se encaixava em um perfeito quebra-cabeça agora.

Itachi's POV

O carro começou a movimentar-se, e atrás de nós podia se ouvir o barulho das latinhas contra o chão. Olhei aquele ser pequeno, mas forte em volta dos meus braços. Seu cheiro me invadindo. Eu nunca imaginaria estar onde estou agora, mas eu garanto, é uma sensação incrível. Não tem como sentir tanta felicidade assim. Sakura levantou a cabeça devagar, fechou os olhos e tudo o que eu senti depois foi minha roupa molhada.

- SAKURA? SAKURA?! - Sakura tinha desmaiado para o lado da janela e depositado sua cabeça nela. Tentei, em vão, acordá-la. - PARA O CARRO! PARA ESSE CARRO JÁ! - O motorista parou o carro totalmente assustado, e só entendeu a situação quando olhou para o banco traseiro. Logo buscou por um celular em seu bolso e discou a emergência.

...

- Sua menstruação, como está? - Prestei muita atenção em todas as palavras do doutor, mas me desliguei quando senti Sakura apertar minha mão mais forte. Era apenas uma suposição, mas tente dizer isso ao meu coração que estava prestes a sair pela minha boca. Um filho, um filho, um herdeiro, uma mistura minha e dela. Era tudo o que rondava minha cabeça.

- Atrasada... - Ela disse com aquela voz mansa. Voz que eu reconheceria estando de olhos fechados. Acariciei sua mão lhe dando calma. Não queria que Sakura ficasse animada com a possível gravidez e na última hora descobrir que era um alarme falso. Mas confesso que até para mim, que sempre fui tão controlado, estava difícil aquela situação de ser ou nao ser pai.

Algum tempo se passou até o exame de sangue estar pronto. Sakura estava inquieta mesmo deitada na cama do hospital. Já de roupa trocada, virava de um lado para o outro enquanto esperava o resultado. Eu tentava ser o mais calmo naquele quarto e parecia que estava conseguindo, já que Sakura e sua mãe não conseguiam parar de fazer planos. Ouvimos a porta bater e o doutor entrar pela mesma. Corri para o lado de minha mulher e voltei a segurar suas mãos. Aquela espera estava nos matando.

- Bom, os resultados já estão em minhas mãos. Parece que você teve apenas um mal estar comum, causado por alguma comida ingerida. Me desculpem, mas foi alarme falso. - Depois de pedir passagem o doutor foi embora. A mãe de Sakura permanecia quieta, mas a filha não tinha uma expressão muito boa. E eu conhecia ela. Sakura estava segurando o choro. Sua mãe piscou para mim antes de deixar nós dois a sós.

- Amor... - Comecei, ainda sem saber direito o que falar. Acariciei sua mão de leve enquanto as primeiras lágrimas caiam pelo seu rosto. Aquela cena partia meu coração. - Não chore, por favor. - Limpei uma lágrima que corria em direção a sua boca e Sakura tentou esboçar um sorriso. - Nos casamos hoje, não está feliz? - Ela riu, mas dessa vez de um modo sincero. - Temos uma vida inteira pela frente, muitas oportunidades viram, você sabe disso!

- Eu sei Itachi, acho que me empolguei demais. Agora só quero sair daqui e curtir nossa lu... - O médico entrou novamente no quarto, mas dessa vez correndo e acompanhado da senhora Haruno. Ambos mantinham um sorriso largo em seus rostos e de certa forma aquilo me trouxe esperanças.

- Os exames foram trocados. Parabéns Haruno Sakura, você será mamãe! - E eu serei papai. Sakura não se conteve e desobedecendo todas as ordens possíveis jogou-se em meu colo. Agarrei-a antes dela tocar o chão evitando algum tipo de problema. Girei-a no ar. Sakura me daria o melhor presente de todos os tempos, a única que poderia me trazer tal felicidade. Abracei-a forte o suficiente para ela não tentar nenhuma fulga.

- Eu te amo muito.

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Quatro anos depois.

- Oh meu Deus. Minhas sinceras desculpas, não sei nem o que dizer! - Fitei o pequeno garotinho de cabelos negros, que não estava nem ligando para a conversa que eu tinha com a sua professora.

- Não acho que isso seja um caso para punir seu filho de qualquer forma, ele ainda é pequeno demais para medir consequencias. - Eu ficava tranquila com seus comentários, ser mãe a primeira vez não era uma tarefa fácil, ainda mais com Tay sendo o seu filho.

- Sim, claro. Mas penso que será melhor eu apenas explicar para ele que essas coisas não são para a idade dele. - Ela apenas riu e nos liberou em seguida. Caminhei em direção de Tay e o peguei no colo. Quatro anos e eu já não o aguentava mais no colo, apenas Itachi conseguia tal coisa.

- Mamãe eu vou levar bronca? - Fiz que não com a cabeça, enquanto me perdia toda o colocando na cadeirinha no banco traseiro. - E o papai? - Disse ele, já preparado para a viagem de volta para casa.

- Acho que ele vai gostar de saber do que você aprontou. - Coloquei o seu joguinho preferido em seu colo e em apenas um segundo Tay já estava totalmente em outro mundo, tentando passar do chefe final.

Quando chegamos em casa sorri aliviada ao ver que Itachi já estava lá. Beijei-o e agradeci pela gentileza de ter feito o jantar. Itachi tinha aprendido muito nesses últimos quatro anos.

- E então? O que foi que ele aprontou? - Lavei as mãos enquanto me segurava para não rir. Contei à ele que Tay tinha agarrado uma coleguinha e a beijado. Itachi também não conteve o riso. Tay apenas riu alto enquanto buscava pelos Padrinhos Mágicos na televisão. - Bom. Tal pai tal filho.


NOSSA. Acabou gente! Eu nem acredito nisso...é uma sensação boa de dever feito, mas uma sensação tão ruim de saudade... ! Essa fic me marcou muito, as reviews foram maravilhosas, todos foram muito atenciosos... foi tudo muito bom! Aprendi muito enquanto a escrevia e eu tenho muito a agradecer.

Agradeçam também a Polly, se não fosse ela talvez o capitulo não tivesse saído hoje...

Estarei em breve com uma fic nova de Itachi e Sakura, então pra quem gostou da Spirit e quer conferir uma nova fic minha com o mesmo casal, fique ligado no meu profile... postarei em breve e tenho certeza de que irão gostar!

Agradecimentos especiais a TODOS, todos mesmo que comentaram, que tiveram atenção, que me alertaram, que favoritaram a fic. Muito obrigada Polly também...

Todos foram de grande importância.

ATÉ A PROXIMA!!

Um beijo!