Brisa

"COMO ALGUÉM PODE SER TÃO IRRESPONSÁVEL!"

Os gritos fizeram com que aquele prédio branco tremesse e as pessoas ficavam assustadas e até indignadas com a falta de educação, mas ninguém ousou dizer nada, com medo. Os berros eram quase suficientemente potentes para fazerem até mesmo um paciente em coma acabar por acordar.

"VOCÊ PENSA QUE É QUEM PARA GRITAR COMIGO DESSE JEITO?"

O ambiente parecia estar carregado e tenso mesmo para os que estavam apenas assistindo a discussão. Ninguém se quer ousava se mexer.

"ALGUÉM COM MAIS COMPETÊNCIA DO QUE VOCÊ! VOLTE AQUI, NÃO FINJA QUE NÃO ESTÁ ME OUVINDO AYA!"

Os enfermeiros fingiam não ver o que acontecia, para disfarçar liam alguma ficha médica ou folheavam páginas em branco mostrando-se "concentrados" apenas em sua tarefa. Os pacientes, por outro lado, apenas assistiam a cena, sem se importarem se estavam sendo grosseiros ou mal educados; como se não passasse de um mero programa de televisão.

"QUER PARAR DE FAZER ESCANDÂLO? ESTAMOS EM HOSPITAL!" – A médica gritou parando de andar e encarando o homem de branco a sua frente.

"Escuta aqui,"- Ele apontou o dedo acusadoramente em direção a ela, abaixando um pouco o tom de voz- "Já vi médicos incompetentes mas você, Aya, devia ganhar um prêmio!"

Uma criança riu colocando as mãos em frente a boca para abafar o som. Para ela, chegava a ser divertido uma briga como aquela, já que o hospital era apenas um lugar tedioso e não havia nada que fizesse passar o tempo.

"Esse medicamento que você receitou a paciente do quarto 132 podia Ter custado a vida dela!"- Continuou o médico que não percebeu nem o riso abafado nem as mãos a frente da boca do pequeno paciente, quão irritado estava.

"Acidentes acontecem tá legal? Pelo menos ela não está morta."

"Mas se estivesse a culpa seria sua! Como pode tratar um paciente com tanta imprudência e descaso?"

A jovem médica fechou a cara e encolheu os ombros, tendo seu orgulho ferido por aquele homem sentiu-se extremamente irritada e envergonhada.

"Tenho de voltar ao trabalho."- Respondeu por fim dando as costas.

"É bom que o faça direito!"- Disse seu colega entre os dentes, tomando a direção oposta mas antes de se afastar completamente acrescentou- "Quando a paciente acordar aconselho que peça desculpas a ela!

A mulher resmungou algumas palavras que ninguém pode compreender e se afastou quão rápido se pode andar com sapatos de salto alto.


O quarto continuava ser o mesmo de sempre; as mesmas cores pastéis da parede, as mesmas cortinas brancas e finas até mesmo a velha televisão de poucas polegadas continuava a mesma- em seu lugar de sempre.

"Sora que bom que acordou!"- A menina de cabelo rosa gritou, segurando firmemente na mão trêmula da amiga.

"Ahn.. Olá Mimi!"- respondeu baixinho, percebendo que voltara para o lugar que mais detestava.

O hospital era o mesmo, o quarto era o mesmo e o caso também. Só que em uma gravidade menor, segundo os médicos. O que já daria um certo alivio para qualquer paciente, mas para Sora, era um peso.

"Acho que você poderá ir pra casa logo logo não se preocupe!"- A menina continuava a falar animada.

Sua amiga no entanto não foi contagiada por seu entusiasmo e tão pouco fingiu estar. Olhou para o lado sem responder, apenas fitando a janela, o que deu a Mimi uma sensação estranha, desconfortável, fazendo-a ficar em silencio.

"Onde estão os outros?"- Sora perguntou, ainda sem voltar o rosto para ela.

"Estão na sala de espera."- Mimi respondeu, ainda tentando alegrar a amiga.- " Vou chama-los!"

"Não precisa."

"Como?"- Perguntou em um sobressalto sem conseguir esconder o espanto.

"Não precisa chama-los; quero ficar sozinha!"

"Mas Sora..."- Ela ainda tentou argumentar- "Estão todos preocupados, querendo falar com você!"

"Já disse que quero ficar sozinha."- cortou fria, voltando a olhar para a janela.

A digiescolhida da sinceridade ficou pasma. Se levantou, tentou procurar algo para continuar a discussão mas não conseguiu nada que a levasse a vencer. Mesmo assim tentou, não era uma menina que desistia tão fácil...

"Sora, são seus amigos e..."

"Que parte de 'Eu quero ficar sozinha' você não entendeu?"- cortou, com uma pouco de raiva na voz.

Mimi ficou sem palavras outra vez. O que poderia responder? A amiga estava estranha, muito estranha. E pior: estava conseguindo deixa-la bastante irritada.

"Tudo bem Sora, já que é assim que você quer!"

A garota saiu do quarto zangada batendo a porta na saída e os pés contra o chão fazendo o hospital tremer..

A digiescolhida do amor sentou-se com dificuldade na cama, olhando para as próprias mãos que estavam bastante pálidas.

"Não, Mimi, é assim que tem que ser..."- Murmurou baixinho para si própria quando se viu sozinha.

"Você sempre acaba machucando as pessoas que você ama. As faz brigar. As faz sofrer..."

Pousou os olhos em um pequeno espelho ao seu lado e segurando-o com ambas as mãos a sua frente, começou a examinar o próprio rosto detalhadamente.

"E mesmo assim não consegue se virar sozinha. As pessoas ficam preocupadas e você precisa delas. Mas sabe que não pode manter ninguém por perto, pois você é um perigo até para si mesma."

Passou uma das mãos com cuidado por sobre os cortes que tinha aqui e ali do lado direito da face.

"É por isso que você tem que se afastar das pessoas e dar um fim nisso tudo."

Deixou o espelho cair por fim, estilhaçando-se por todo o chão e a menina levou as mãos tremulas a frente de seu rosto para essas esconderem as lágrimas que a faziam sentir vergonha de ser tão fraca.

O silêncio naquele quarto era assustador e solitário. Trazia apenas um sensação de abandono, tristeza, dor e o que seria a pior parte entre esses três sentimentos na verdade seria um outro que se infiltrava como intruso; o remorso.

Sim, talvez não exista nada melhor do que o silencio para nos fazer sentir tristeza para nos fazer sentir dor, remorso...

Para nos trazer medo.


"Mimi já está de volta?"- Kari perguntou ao ver a menina de cabelo rosa voltar para a recepção. "E como está a Sora?"

Mimi torceu o nariz, como fazia sempre quando estava zangada, cruzou os braços e sentou-se no sofá ao lado de Joe.

"Está ótima!"- e acrescentou ainda irritada- "Nunca vi melhor!"

"Ora Mimi, o que aconteceu?"- Izzy perguntou segurando na mão dela, percebendo com facilidade a mudança de comportamento da "amiga".

A digiescolhida da sinceridade corou um pouco com o coração acelerado, murmurou para si mesma algo como "Que romântico!" e suspirou antes de responder.

"Eu não sei, ela estava tão grossa! Disse que não queria ver ninguém e brigou comigo!"

Os demais se calaram com a boca aberta, como se Mimi estivesse contando uma história absurda, que ao mesmo tempo, os deixava chocados.

"Mas a Sora jamais seria..."- Kari começou quebrando o silencio

"A antiga Sora nunca seria assim Kari, a verdade é que a Sora não é mais a mesma e a gente nem conhece direito quem ela é de verdade agora..."- Takeru explicou calmamente antes de Kari terminar seu raciocínio.

"Mas a Sora é sempre a Sora.."- Kari respondeu vacilante, desviando seu olhar de TK e olhando tristemente para o chão lembrando-se da briga daquela manhã.

O garoto loiro continuo fitando Kari um pouco triste e arrependido do modo grosseiro que a tinha tratado, comportamento tal que ele nem podia explicar o porquê.

"Kari... eu.. Me desculpa"- disse e a abraçou firmemente em uma tentativa de conseguir perdão, de acalmar as coisas e de, simplesmente, faze-la compreender que não queria machuca-la.

Kari sorriu e retribuiu o abraço, ruborizando bastante por causa da atitude inesperada de TK.

Davis por outro lado já estava irrequieto com a situação, já ameaçando levantar-se "Tomar alguma atitude quanto aquilo", mas foi logo impedido por Arashi e Chiharu que o seguraram pela orelha.

"Eu sei que eu posso estar errado mas..."- Ken começou tímido quando TK e Kari pararam de se abraçar e Davis se tranqüilizou. -"Mas pode ser por causa disso que a Sora ficou doente..."

"Eu também fiquei doente com esse abraço."- Davis disse enciumado.

"Davis, fique quieto pelo bem da humanidade sim?"- Youlei pediu fazendo os demais rirem.

"Humpf!"- bufou indignado.

"Permita-me esclarecer melhor Davis."- Ken continuou com seu jeito formal de falar- "O que eu quero dizer é que talvez a Sora tenha ficado muito nervosa com as brigas e por isso ela desmaiou, quero dizer ela sempre parece se preocupar mais com vocês do que com ela."

"É.. verdade.."- Mimi murmurou baixinho encarando o chão.

"Não se preocupe Mimi."- Izzy voltou a segurar as mãos dela- " Logo ela ficará bem e voltará ao normal."

"C-certo."- Ela concordou ruborizando novamente.

"Queria que o Tai e o Matt estivessem aqui."- Suspirou Joe- "Acho que eles saberiam o que fazer."

"Você fala como se nunca fizesse nada certo."- Miako disse apoiada nas costas do sofá fazendo bico- "Devia parar de se rebaixar Joe!"

O rapaz apenas empurrou os óculos para cima e ficou olhando para baixo entrelaçando os dedos, sempre ficava nervoso quando estava perto da namorada.

"Seja como for eles não estão aqui, ficaram presos na diretoria."- Cody afirmou.

"São uns bakas!"- Youlei quase gritou impaciente e se levantou- Vamos dar uma volta Ken!"

"H-hai!"- Concordou surpreso e corado ao mesmo tempo e a seguiu até o lado de fora do hospital.

"Eu espero que eles cheguem logo.. Eu sinto que algo ruim vai acontecer se eles demorarem..."- Kari murmurou para si mesma fechando os olhos.


As cortinas brancas balançavam suavemente com a brisa e, se você prestasse muita atenção e usasse um pouco de imaginação, você poderia ver duas asas querendo voar.

Claro que para um lugar como aquele usar a imaginação era muito difícil, já que estaria preso a sua própria realidade é a sua incapacidade de voar, pois significa estar trancado na gaiola.

Mas não é só uma gaiola que pode te impedir de voar.

A menina dos olhos castanhos já tinha os olhos inchados de tanto chorar, mas suas lágrimas não paravam de escorrer. Já lhe faltava o ar para sua respiração, mas ela não conseguia parar de soluçar. Seus braços já estavam cansados de segurar o travesseiro, mas suas mãos não conseguiam mais solta-los, como se algo de ruim fosse acontecer se ela o fizesse.

Era esse "Mas" que a impedia de ver que tinha asas, e que essas não eram usadas apenas para se debaterem contra a gaiola e se ferirem, MAS que também podiam ajuda-la a voar.

O problema é que , se as lágrimas parasse de escorrer, se o soluço a deixasse respirar e se suas mãos conseguissem soltar o travesseiro, talvez suas asas estivessem machucadas demais para voar e ela apenas cairia no silencio do medo.

O silencio continuava ali com ela, mostrando-se ser seu pior inimigo, pois só ele podia podar ainda mais suas asas.

Talvez seja algo estranho colocar "Silêncio" e "Asas" como se eles fossem opostos um do outro, porem é algo possível de se compreender quando se coloca a palavra "Asas" substituindo a palavra "Alma", mas o silencio em si, pode ser traduzido ao pé da letra.

Afinal, o que melhor do que o silêncio para permitir que os pensamentos mais tristes e obscuros cheguem até suas "asas".

Sora parou de soluçar e soltou o travesseiro.

Olhou para onde ainda haviam cacos de vidro espalhados pelo chão, cujos pequenos pedaços refletiam parcialmente seu rosto porém deixavam ver com clareza suas asas que já não mais se debatiam, estavam apenas escurecendo-se com as gotas de sangue que escorria por entre as penas lentamente.

"Eu... queria poder voar.. e ir embora... pra.. bem longe daqui..."- Murmurou para si própria vacilante, secando as lágrimas com as costas das mãos.

Saiu da cama e ficou de pé com muita dificuldade sentindo as pernas tremerem teve de se apoiar a parede rapidamente.

"Droga.. por que eu sou tão fraca?"- perguntou baixinho colocando a testa na parede e fazendo força pra respirar.

"Como se você não soubesse... Está tão surpresa por quê?"

Como se suas asas estivessem sendo rasgadas novamente acabou por cair de joelhos no chão.

"Você vai cair de novo... Sabe que vai!"

Balançou a cabeça um pouco tonta e se levantou novamente usando o máximo de força que conseguia.

Apoiou-se novamente na parede e, apoiando toda força contra essa, foi até a porta e a abriu.

"Até quando você vai continuar andando assim? Gosta de sentir dor pelo corpo pra lembrar como tudo o que aconteceu na escola é culpa sua?"

Continuou cambaleando pelos corredores do hospital, que estavam quase completamente vazios e, as poucas enfermeiras que tinham, estavam levando senhoras em cadeiras de rodas para os exames de costume.

"Ninguém se importa."

Subiu para o segundo andar pelas escadas de emergência apoiando-se pelo corrimão conseguiu subir mais um andar e mais um assim por diante.

É difícil para qualquer um explicar como tal "milagre" ocorreu, já que a pouco ela mal conseguia andar, mas Sora sempre foi uma pessoa muito determinada e além disso...

"Além disso..."

Ela só enxergava as feridas e cortes profundos que haviam em suas asas, que o silêncio- o seu próprio silêncio- fazia as feridas ficarem maiores e mais visíveis aos seus olhos, mas não aos olhos de quem estava perto. Mas por estar tão perdida dentro desse silêncio ela não percebia que havia uma pessoa- uma não, duas.- que sempre zelava por ela.

Mas no silêncio ela já não conseguia pensar em outra coisa senão;

"As suas asas não podem mais cicatrizar, você não vai voltar ao que era antes."

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A brisa tocava os cabelos e o rosto da garota com suavidade, como se pudesse ajuda-la dessa forma, juntamente com o sol que esforçava-se para aquecer seu corpo frio e fraco.

Claro que, em um momento como aquele, Sora nem se dava conta do que a cercava, era como se nada pudesse toca-la; nem a brisa nem o sol.

Conseguira chegar ao último andar do hospital, onde ficava apenas o terraço e nada mais, a não ser a vista de prédios ao redor e carros e pessoas muito em baixo, que pareciam pontinhos se movendo apressados de um lado para o outro.

A garota olhava para tudo em volta por algum tempo, antes de tomar coragem e subir no muro de segurança que a impedia de cair em queda livre por mais de dez andares.

Sora ficou em pé por sobre o muro continuou a observar a cidade.

"Eu tive um sonho assim uma vez, que eu estava bem no alto e podia ver toda a cidade, só que a diferença e que, se eu caisse ou me jogasse haveria um passaro de fogo para me pegar."

Colocou o pé direito um pouco a frente do esquerdo, onde não havia mais onde pisar.

"Mas um pássaro de fogo não existe."


Nossa, nem acredito que depois de tanto tempo consegui colocar mais um capitulo. Vou pedir desculpas novamente pelo meu atraso, é que eu estava viajando e , logo que eu voltei, teve mais um dos festivais de animes e eu –muito viciada claro- não pude deixar de ir assim não tive tempo de colocar mais um capitulo, gomen. Eu não sei se o capitulo ficou bom, mas eu fiz o que pude, devo a inspiração graças a um anime chamado "Air", essa coisa de asas e tal (tenho que parar também de ler Fruits Basket, já estou contando quase toda minha vida pessoal nessas notinhas por causa dele )

A eu também esqueci de colocar o significado de 1 palavra na tradução do capitulo anterior então;

Aniki- derivado de uma forma máscula (não obsoleta) de chamar o irmão mais velho, Assim "Aniki" é um jeito de um irmãozinho(a) menor chamar o irmão mais velho como se estivesse o provocando. (tirado do Angel Sanctuary)

A quem deixou comentários

rodfsm - Atualizei como vc pediu gotinha desculpe a demora eu naum pretendia... Ah tadinho do Matt, eu sempre adorei ele.. Mas cada um gosta de uma coisa neh? bjs

Fefechan- Vc estah viva? O.O Por favor diga que sim!assustada Fiko muito feliz que vc goste da fic tanto assim, se quizer eu posso te mandar um e-mail quando for atualizar.. claro se vc quizer. Mas eu sinto, nem sempre continuar logo eh possivel...

Rayana Wolfer- Com certeza o confronto uma hora outra tinha de ocorrer afinal eles sempre gostaram muito da Sora naum? Bom, não posso revelar nada quanto aos próximos capitulos sabe? Assim.. Obrigada pelo apoio, muitissimo agradecida-curvando-se para gradecer- Bjs

Estelar- Continue torcendo Star porque por enquanto eu não posso garantir mais nada... -totalmente confusa- Bjs obrigada
Sora Takenouchi Ishida- Eh! e a torcida estah montada -sorriso- Bjs Domo Arigatou

Ino Miharu Nakamura- Eu tinha que fazer o retorno da Mimi neh? XD tudo bem, pelo menos vc leu neh? isso q importa- Bjs

Espero non ter eskecido ninguém ----aiaia como soh atrapalhada-