CAPÍTULO I

- Ah que droga!

Usagi dirigiu um olhar feroz ao caminhão que despejara uma enxurrada de água gelada da chuva sobre ela e seu antiquado carrinho de bebê. A ansiedade provocou uma tensão no delicado maxilar. Caso não conseguisse atravessar aquela avenida nos próximos minutos chegaria atrasada ao endereço na Finsbury Circus. Na noite passada, ao aceitar abrigá-la até que pudesse arranjar trabalho, Motoki enfatizara que só estaria disponível durante trinta minutos, na hora do almoço, para acomodá-la em seu apartamento. E desse tempo restavam apenas quinze minutos.

Posicionada de modo a aproveitar qualquer lacuna no trânsito, respirou fundo e tentou relaxar, lembrando a si mesma que as coisas não estavam tão ruins. Pelo menos seu filho de sete meses estava seco sob a cobertura de lona daquela geringonça antiga. Caso Motoki desistisse de esperá-la, preocupado que estava com sua iminente promoção para gerente da agência de viagens, ela ao menos poderia encontrar uma lanchonete modesta onde esperaria com seu bebê até o entardecer, enxutos e embalados por uma xícara de chá. Não seria problema. Pelo menos não seria um problema dos grandes.

As esperanças de encontrar um intervalo na torrente de tráfego desapareciam e ela refletiu que teria de se arrastar penosamente até uma passagem para pedestres. Agarrou a barra do carrinho pensando em mudar de direção, mas deu de encontro com um sólido poste de luz. Comprimindo os exuberantes lábios cor-de-rosa, tentou manobra de recuo equilibrando-se no meio-fio e, na pressa, aterrissou na sarjeta ouvindo o guincho de uma freada e percebendo um pára-choque de um carro prateado a apenas alguns milímetros de sua face pálida.

Se tivesse sido atropelada pelo automóvel, poderia estar morta, como se não bastasse estar desabrigada e pobre! E o que teria sido de seu querido bebê? Um soluço enorme se formou em sua garganta. Não suportava imaginar como tudo ficaria! Por que era tão estúpida?

Mamoru Chiba dirigia pensativo pelas ruas de Londres o Mercedes prateado que alugara. Os encontros de negócios do dia tinham sido satisfatórios. Aliás, como sempre. Estava com a tarde livre, faltavam somente alguns contratos para examinar. Seriam mais dois dias em Londres numa de suas visitas regulares, os encontros já agendados. Cinco dias de intensas negociações, jantares e reuniões onde necessitava demonstrar sua autoridade aos executivos do banco da família Chiba . Depois retornaria a Florença, mas sem a grata satisfação de dever cumprido,

Não se sentia cansado. Jamais se sentira cansado. Seu vigor já era lendário. O que sentia então? Um vazio, como se algo muito importante estivesse faltando em sua vida dourada. Estreitou os olhos negros e afugentou o sentimento negativo. Detestava perder tempo com tolices!

Madona diavola! Não tinha tudo o que um homem poderia desejar? Trinta e seis anos, forte, saudável e extremamente rico. Desde que seu pai falecera, quatro anos atrás, assumira o controle do império financeiro da família. E fora recentemente considerado pelas revistas especializadas um gênio das finanças. Além do mais, poderia escolher entre as diversas mulheres lindas que se insinuavam para ele. Sua noiva adorava fazer vista grossa e, sem pressa, assim como ele, esperar que fosse marcada a data do que seria um casamento de conveniência. Uma vida que qualquer homem invejaria. Que droga então poderia estar faltando?

Quando chegasse ao apartamento da família Chiba em Londres, abriria uma garrafa de vinho e escutaria o compositor clássico Verdi. Deixaria se transportar até a Toscana, aos bosques de oliveiras e aos verdes montes Apeninos. Certamente aquela sensação desagradável iria embora.

O tempo chuvoso e o tráfego horroroso eram mesmo de deixar qualquer um deprimido. Outra visão deprimente se apresentava logo adiante. Uma velha metida numa espécie de casaco de chuva e com um capuz de lã na cabeça lutava com um carrinho de bebê antiquado que, sem dúvida, guardava seus poucos pertences. Ele supôs que fosse uma mulher, pois a achou muito baixa e rechonchuda para ser um rapaz.

A figura lutava com o carrinho na calçada e, de repente, Mamoru pisou no freio ao mesmo tempo em que a pessoa desmoronava na frente do capo prateado de seu carro.

Praguejando e esquecido do trânsito, Mamoru saiu do carro acompanhado por uma sinfonia de buzinas.

Teria ele atingido a patética criatura? Achava que não. Ele teria sentido o impacto. Mesmo assim... era bom verificar.

Com passos largos dirigiu-se à frente do carro. Ela ainda estava sentada onde aterrissara, na sarjeta, junto ao lixo descartado pelos passantes. De costas para ele, a cabeça tombada, uma mecha de longos cabelos louros escapava do capuz. Sem dúvida, era uma mulher.

Ele tocou no ombro da criatura ao mesmo tempo em que perguntou:

- Está ferida?

A mulher deu um salto, pôs-se de pé como se uma bomba tivesse explodido ao seu lado, e saiu empurrando o carrinho.

- Espere!

Ele tinha a impressão de que a mulher seria uma das desabrigadas da cidade, então poderia ao menos lhe oferecer o dinheiro para uma boa refeição e uma noite de hospedagem. Queria se certificar de que ela estaria bem.

- Você sofreu um acidente!

Segurando os ombros da mulher ele a fez voltar-se, calculando quanto dinheiro teria na carteira. Duzentas libras seria uma compensação adequada?

Sua expressão fechou-se numa carranca quando ela ergueu a face lívida para ele. O coração de Mamoru bateu forte, muito forte. Dio mio! A voz, quando finalmente saiu, estava gélida e amarga.

- Com os diabos, Usagi Tsukino! Jogada na sarjeta que é o lugar ao qual pertence!

Imediatamente Mamoru se arrependeu de suas palavras ferinas. Insultar aquela mulher infeliz era indigno.

E o que tal explosão de irracionalidade revelava sobre ele? Que ele ainda se importava com aquela mulher adorável, atenciosa, charmosa e incrivelmente sensual que o enfeitiçara e seduzira, e que se revelara uma pequena ladra?

Claro que ele não se importava! Como poderia? Há mais de um ano que a cortara de seu coração com precisão cirúrgica. Tudo não passara de uma valiosa experiência.

Mesmo que sua vida dependesse de uma palavra, Usagi não teria conseguido falar. Há apenas alguns segundos, a mesma voz e o mesmo toque a tiraram da imobilidade do choque, mas naquele exato momento suas energias tinham sido drenadas. Ele! Em Londres! O último homem que ela queria ver. Alguém que ela já varrera de sua memória.

Brutalmente lindo, como sempre. As gotas de chuva brilhavam sobre o cabelo negro e sedoso. E a boca prometia, e entregava o paraíso na terra. Uma boca pela qual se poderia morrer. Do alto de seu um metro e oitenta e três centímetros, ele ostentava um terno bem cortado e caríssimo, preenchendo-o com sua elegância italiana. E ela mal podia respirar diante do olhar de desprezo dele.

Mamoru reparou que os grandes olhos cinzentos de Usagi estavam assustados, e sua boca, macia e sem pintura, tremia. Teria sido o choque de um quase acidente? Ou algo mais? Era óbvio que ela não estava ferida. Mamoru pensou consigo que, vendo-a em total estado de penúria, não se sentia nem um pouco atraído. Ele era a única culpada pela própria ruína. Quem sabe, tinha saído a pouco da prisão? Nem todas as suas vítimas teriam sido tão generosas como ele fora.

Com essa idéia em mente, Mamoru quase foi embora quando ouviu um protesto furioso vindo das profundezas daquele pavoroso carrinho de bebê. Suas sobrancelhas negras se levantaram ao ver Usagi retirar de lá um pacote bem embrulhado e aconchegá-lo junto ao coração. Por uma fração de segundo, a expressão terna e adorável fez renascer a beleza interior que já o extasiara uma vez.

Usagi o impressionara justamente por tratar os gêmeos de Flávia com firmeza, porém, como se eles fossem às crianças mais especiais do mundo. Que ela era uma excelente babá, isso ele não podia negar.

- Seus atuais patrões não podem comprar um veículo mais adequado para o bebê? Esse parece que foi encontrado no lixo.

- Eu não trabalho mais como babá, e você sabe muito bem disso, signor. Mamo é meu filho.

E seu também, acrescentou mentalmente. Pois jamais falaria isso em voz alta, mesmo que fosse arrastada por cavalos selvagens.

- E agora eu preciso ir, pois já estou muito atrasada.

- Ir para onde?

A chuva começou a cair mais forte. Um vento fustigante soprava. A face de Usagi estava mais magra do que ele se lembrava. E mais pálida. Na ilha, a pele dela brilhava de saúde ao toque do sol, e ainda tinha um bocado de sardas no lindo nariz. Um nariz que franzia quando gargalhava ou sorria. Ela costumava rir muito. Sua genuína alegria de viver o enredara. A leveza e o charme deveriam fazer parte do arsenal que ela usava para impressionar, pensou com amargura. Um arsenal cinco estrelas, pois ela fora capaz de iludir cinicamente um renomado banqueiro.

Inclinada sobre o carrinho de bebê, ela ignorava Mamoru. Irritado com a ausência de resposta para um pergunta tão razoável, e ainda mais possesso por estar se incomodando com isso, ele insistiu:

- E então?

Por que ele não ia embora? Usagi tinha vontade de gritar. Vê-lo a estava destroçando mentalmente. Ela havia se esforçado para esquecê-lo. Tinha varrido de sua memória as semanas mágicas passadas na ilha. O modo como o amara, e o modo como tolamente tinha acreditado que ele também a amava. E depois de tudo, um pesadelo repleto de dor, humilhação e desgraça. A disposição dele em acreditar que ela era uma ladra, sua gélida indiferença às tentativas de defesa dela, o modo como agira para assegurar que ela jamais trabalharia como babá outra vez.

- Estou indo para Finsbury Circus - murmurou por entre os dentes. Quem sabe se respondendo a pergunta, embora não fosse da conta dele, a deixaria em paz.

Não havia mais pressa. Na hora em que chegassem lá, Motoki já não estaria mais. Ele não queria se atrasar para o trabalho, ainda mais com uma promoção em vista. E o táxi, abarrotado com o restante de seus pertences, não deveria chegar antes do anoitecer.

- Levo você de carro. Não é longe.

Aquilo não era uma sugestão, e sim um comando.

- Não precisa.

- Não seja boba. Você está encharcada e já confessou estar atrasada.

Ele já agarrara o braço de Usagi e abria a porta para que ela entrasse. A poltrona de couro parecia convidativa. O interior do carro estava quente e seco. Também havia no ar a leve fragrância da loção pós-barba que ele adorava. Era íntimo demais para Usagi. Ela se voltou num salto.

- Meu carrinho de bebê! Não posso abandoná-lo.

Todas as coisas do bebê estão lá.

- Eu resolvo! - disse Mamoru, em tom bastante autoritário.

Mamo se remexeu nos braços de Usagi. Ela refletiu que não poderia ficar o dia todo discutindo naquela chuva. Portanto, obedeceu a instrução de colocar o cinto de segurança enquanto ele andou a passos largos, até uma loja de caridade levando o carrinho.

Bastaram alguns segundos, e uma generosa doação em dinheiro, para resolver o problema. Ele retornou ao carro com cobertores, um ursinho azul e um monte de produtos para bebês. Mamoru não sabia por que se importava tanto. Com certeza, não seria por causa daquela atrevida. Claro que não. Era, certamente, por causa da inocente criança. Satisfeito com a explicação, depositou as coisas no banco traseiro e posicionou-se junto ao volante. Nenhuma esposa sua ficaria ao relento naquele temporal, empurrando uma criança dentro de um artefato que poderia ter estado na moda quando a Rainha Vitória ainda ocupava o trono.

- Qual é o endereço? - perguntou ao dar a partida no motor.

Procurando absorver a resposta de Usagi, Mamoru retornou ao trânsito. Ela não estava usando aliança. Mãe solteira? Devia ter saído da cama dele direto para a cama de outro homem! Por dentro, Mamoru se corroia de raiva.

O bebê choramingou. Num relance ele pôde ver que a criança tinha fartos cabelos negros cacheados e também grandes olhos castanhos. Que garoto bonitinho! Pena que o pobrezinho tinha como mãe uma ladra promíscua.

Espreitando o relógio digital no painel e tentando se concentrar no fato de que talvez pudessem chegar a tempo, Usagi procurou afastar da mente a idéia de estar medonha como uma baleia inchada. Tudo bem. Ela parecia absolutamente horrorosa. E daí? Quem se importava com isso?

- Será um encontro de negócios ou pessoal? - perguntou Mamoru apenas para dizer alguma coisa, pois de forma alguma se achava interessado.

- Pessoal. - A tensão nervosa fez com que a voz dela soasse esganiçada.

Mamoru olhou-a. Usagi parecia doente de tão pálida. O rosto, mais fino do que tinha sido o suor molhava sua testa e acima do lábio superior. E o corpo, sem dúvida estava acima do peso. As antigas curvas fantásticas tinham desaparecido, deformadas pelo inchaço.

- E o que mais? - insistiu ele. O trânsito tinha melhorado um pouco quando ele entrou na rua e começou a procurar o número fornecido por ela. Escutou um suspiro e logo em seguida a explicação em tom irritado.

- Estou me mudando para a casa de um amigo. Ele tem um tempo limitado para me receber. Pode ser até que já tenha desistido de me esperar.

Mas não tinha. Usagi respirou aliviada ao ver Motoki descer as escadas e atravessar a portaria em direção à calçada. Ele chegou no mesmo momento em que Usagi saía com o menino meio adormecido nos braços.

Mamoru reunia as coisas no banco traseiro. Aquele rapaz seria o pai da criança? Ela dissera que iria morar com ele. Aceitação tardia de suas responsabilidades? Pelo bem da criança, Mamoru preferiu acreditar que sim. Seus olhos se estreitaram olhando o rapaz. Ele não parecia ser de confiança. Alto e magro, fartos cabelos louros, olhos azuis tão claros como os de Usagi. Provavelmente não era o pai da criança. Mamoru ficou ainda mais nervoso. Afinal, com quantos homens essa criatura havia se deitado? Não que ele se importasse com isso, evidentemente. Somente agradecia aos céus a sorte de ter escapado daquela armadilha.

O rapaz caminhou apressado, colocou algo na mão livre de Usagi, beijou-a na face e saiu correndo. Era completamente sem coordenação nas pernas compridas. E o casaco desabotoado voava atrás dele.

Que sorte. Usagi e seu filho estariam longe da chuva em alguns instantes. E por qual motivo ele não se sentia confortável?

- Está tudo bem?

Ela murmurou uma reposta inaudível. Desejava que ele fosse embora. Odiava o modo como seu coração disparava quando ele estava por perto. Odiava-o pelo que tinha feito a ela. Mas, mesmo assim não conseguiu evitar lembrar a paixão calorosa, os momentos passados juntos. Subiu os degraus e abriu a porta que dava para um corredor sem graça. Virando-se para Mamoru, que a seguia de perto, disse, com o máximo de educação possível:

- Obrigada pela carona.

Não conseguia olhar para ele. Apontou os cobertores e as outras coisas que ele carregava e disse:

- Deixe essas coisas aí mesmo. Eu desço depois para apanhar.

E caminhou para a escada.

Mamo começou a choramingar. Ela o aconchegou no peito. Não queria que o bebê chamasse atenção. Mamoru não era bobo. E ela não desejava que as características físicas da criança se fixassem no cérebro esperto daquele Chiba !

Pelo som de passos logo atrás, ela continuava sendo seguida. Ele não tinha o direito! Não o queria perto dela e do seu bebê. Ele perdera qualquer direito quando a acusara de ser uma ladra e deixara claro que ela não conseguiria trabalhar como babá outra vez! Reconhecendo as ondas de calor como um princípio de histeria, respirou fundo e tentou se acalmar.

As boas maneiras de Mamoru impressionaram Usagi desde o primeiro encontro na casa da irmã e do cunhado dele, uma elegante residência em Florença. Ele a tratara não como a babá, mas como uma hóspede. Portanto, mesmo que ele a tivesse considerado uma ladra, sua polidez inata não o permitiria deixá-la carregar um monte de coisas por dois lances de escada.

Resignada, ela comprimiu os lábios e colocou a chave na porta marcada com o nome de Motoki. Mamoru estava tão perto agora que sentiu sua pele queimar. Será que ele percebia como seu coração tinha disparado? A respiração falhava e voltavam todas as antigas sensações. Era repugnante assumir que seu corpo ainda reagia positivamente à presença dele, quando na verdade ela o odiava com toda a sua alma.

- Obrigada!

Ela estava a ponto de explodir! Seu mundo desabara com aquele fato repulsivo e humilhante. Ele acreditara na palavra de uma esnobe de alta classe, Béryl di Metália, e refutara sua defesa. Isso a deixara bastante magoada e com o coração partido. O fato de impedi-la de praticar a carreira que amava só acrescentou mais confusão à sua dor.

A porta dava diretamente na sala. Um típico apartamento de solteiro. A única concessão ao conforto era um amplo sofá de couro em frente a um aparelho de televisão de tela plana. Uma mesinha de centro comportava várias latas vazias de cerveja e pilhas de revistas sobre carros. Como Mamoru, acostumado a ambientes sofisticados, veria aquilo?

- Adeus.

Apelar para a formalidade era o único jeito de lidar com a situação. Ela se afastou um pouco para que ele colocasse as coisas sobre o sofá. Mas era bem difícil manter a dignidade quando Mamo cismava de agarrar seu cabelo e desmanchar seu rabo de cavalo.

Mamoru a olhava agora. Estaria sentindo pena?

- Você... foi muito gentil.

Usagi lutava contra as palavras. Gostaria de ter dito que ele fora abelhudo, isto sim.

- Quando posso apanhar meu carrinho de bebê?

- Você não pode. Eu o doei para caridade.

Junto com um cheque para que não tivessem grandes problemas em levar o troço até uma caçamba de entulho, concluiu Mamoru em pensamento.

- Como ousou fazer isso?

Os olhos de Usagi faiscavam de raiva.

- Você não tinha o direito de dar o que era meu! Tinha valor sentimental!

Com o peito comprimido de raiva e angústia ela recordou quando sua antiga babá, a senhora Hopkins orgulhosamente apareceu empurrando o carrinho pela rua. Tinha estado no sótão de uma amiga durante décadas.

- É de qualidade. Pense nas menininhas e menininhos aristocráticos que passearam neste carrinho. Vai servir perfeitamente para passear com seu bebê. Vou limpá-lo e vai ficar novinho - dissera a sra. Hopkins feliz da vida.

A gravidez pesava e Usagi tinha suas dúvidas, mas a sra. Hopkins estivera sempre presente. Após a morte prematura de sua mãe, e o novo casamento de seu pai, a sra. Hopkins fora demitida. Mas mantiveram contato através de correspondências, pequenos presentes, conselhos... Quando Usagi retornou da Itália, grávida, sem emprego e sem casa para morar, foi a sra. Hopkins quem a abrigou. Agora, depois de um ataque cardíaco, a babá se fora. E esse bruto... insensível...

As lágrimas rolavam sobre as faces de Usagi. O luto recente fazia com que seu peito queimasse de dor.

- Nada tem interesse para você a menos que venha num prato dourado etiquetado com um preço exorbitante. Nem mesmo os sentimentos de outras pessoas!

Ela engoliu um soluço.

- Saia da minha frente. Agora mesmo! Vá embora!

O rosto de Mamoru empalideceu sob o tom moreno de sua pele. Os olhos faiscavam enquanto seu orgulho vinha à tona. Ninguém falava desse modo com ele. Ninguém! Tirou de sua carteira algumas notas e atirou-as aos pés de Usagi.

- Compre para seu filho algo mais adequado para este século.

E pela segunda vez na vida, virou as costas abandonando aquela criatura.