CAPÍTULO 4
As palavras que podiam selar o destino de Mamo chegaram à ponta da língua de Usagi, mas ela apenas conseguiu chorar. E, igualmente desmoralizante, sentiu seus joelhos fraquejarem, as cores lhe fugiam da face sob o duro desafio daqueles brilhantes olhos escuros.
Ele parecia tão frio e distante como o lado escuro da lua, e a perspectiva de fatalmente dizer palavras que dariam a ele direitos sobre o seu precioso bebê a assustava de modo estúpido. Baixou os olhos e foi tomada de pânico quando a voz dele, tensa e cortante, soou sobre sua cabeça tombada.
- Vamos subir. Não podemos conversar nesse buraco escuro.
Ao ouvir as palavras de Mamoru, Usagi retomou o controle.
- É claro que podemos. Não vai levar mais do que dois segundos!
Ela não queria, de forma alguma, que ele chegasse perto de seu bebê. Ele podia exigir dar uma longa olhada no fruto de seu ventre. E ninguém que visse o pequeno encantador deixaria de se apaixonar por ele. Nem mesmo um bruto feito Mamoru Chiba .
Sem dar a chance de réplica, ela confessou:
- Mamo é seu filho. Mas escute, prometo que não vou exigir nada. Ninguém, além de nós dois, sabe que você é o pai dele e ninguém nunca saberá. A sua esposa nunca vai saber, não há motivo para enervá-la Você pode esquecer sobre nós dois.
- Onde ele está? No apartamento?
Usagi percebeu que Mamoru não dera importância a uma só palavra do que ela dissera, além do fato atordoante de ser pai. E onde mais ele podia achar que o bebê estava? Na lixeira? Que tipo de mãe ele pensava que ela era? A ansiedade transformou-se em acidez em seu estômago ao vê-lo passar chispando escada acima, pulando os degraus de dois em dois.
Usagi apressou-se atrás dele. As atitudes de Mamoru não eram as de um homem que pudesse dar de ombros e ir embora desprezando a existência de um filho ilegítimo, embora essa oportunidade lhe tenha sido dada de bandeja. Mas então não compreendera que ela não iria fazer exigências? Usagi raciocinava às pressas enquanto ele escancarava a porta do apartamento e invadia o espaço.
Chegou na sala ao mesmo tempo em que Mamoru, e tentou impedi-lo, segurando-o pelo braço. Mas recebeu dele um olhar tão selvagem quanto um ataque físico.
- Onde ele está?
Mamoru não esperou resposta e se dirigiu para a porta de um dos dois minúsculos quartos.
Ele era impossível! Grande, dominador e tudo o mais.
Resignada, ela abriu a porta do quartinho que Motoki lhe permitira usar e se colocou de lado dando passagem a Mamoru.
Será que olhar saciaria sua curiosidade? Ficaria satisfeito? Bem provável que não. Não era homem de se satisfazer facilmente. E corou ao lembrar como ele era insaciável quando estavam na ilha.
Uma olhada em seu filho jamais seria suficiente, calculou. E ele observou o menino demoradamente, procurando absorver cada detalhe daquelas feições diminutas emolduradas por cabelos pretos e sedosos.
Finalmente, virou-se, e a ternura tingida de orgulho que ela estava certa de ter reparado em sua expressão transformou-se em violenta agressividade quando ele falou:
- Precisamos conversar.
- É claro.
Com a postura ereta, Usagi avançou para a sala de estar.
- E talvez agora você me escute.
Ela se recusou a se deixar intimidar. E recusou-se, a um gesto dele, a sentar-se no sofá de três lugares.
- Como eu disse...
- Eu sei o que você disse - ele a cortou bruscamente.- Sem exigências. Segredos. Você imagina, por um segundo sequer, que eu me envergonharia em reconhecer meu próprio filho? Sangue do meu sangue! Que eu não me importaria com ele, deixando-o crescer sem pai, contando apenas com o último amante de sua mãe para providenciar-lhe um teto e pão para sua boca? Deixar que ele seja criado com negligência, sem segurança e sem princípios morais que o guiem?
- Como ousa dizer isso? - despejou Usagi, profundamente ofendida. Ela colocou as mãos firmemente nos quadris redondos. - Hipócrita! Onde estavam seus princípios morais quando você me seduziu, fez promessas, me levou para a cama, e durante o tempo todo estava comprometido em desposar outra mulher?
Os grandes olhos cinzentos de Usagi brilharam em sinal de triunfo quando reparou no transtorno de Mamoru. Os longos cílios escuros baixaram. De repente, Usagi sentiu a compaixão inflar dentro dela como uma bola. Não entendia por que, mas detestava vê-lo em desvantagem, muito embora soubesse que ele merecia cada palavra que ela dissera.
Mamoru Chiba não era homem de se deixar abater facilmente.
- Não faz sentido revolver os pecados do passado quando precisamos nos concentrar no presente e no futuro do nosso filho.
Ele viu quando o lábio inferior de Usagi tremeu, O coração dele saltou ao rememorar como aquela boca correspondia aos seus beijos.
Cedendo ao pedido de sua irmã ele se dirigiu para a isolada casa de férias da família.
- Só por quarenta e oito horas para ver como Usagi está lidando com as crianças. Tenho certeza que ela está indo bem. Durante as semanas em que esteve conosco, foi perfeita. Pode me chamar de chata, mas eu ficaria bem mais descansada se você fosse.
E as quarenta e oito horas foram esticadas para três semanas.
Em sua primeira noite na ilha ele estivera profundamente abalado. O futuro de sua vida pessoal lhe parecera de um vazio doloroso.
O acordo de longa data que ele tinha com Béryl di Metália, a filha única do amigo de seu pai, fora negociado primeiramente pelos pais de ambos, e parecia aceitável e normal. Nas altas rodas onde se movimentava, o casamento era considerado como a fusão de várias empresas. Casar tendo como motivo a efêmera emoção nomeada de amor era para seres inferiores. E não para pessoas que carregavam nos ombros a responsabilidade por grandes indústrias e impérios financeiros.
Consolidar fortunas era uma tarefa que devia ser desempenhada acima de qualquer outra. Assim fora educado desde o nascimento.
Mas recentemente, algo dentro dele começara a se rebelar, a questionar. Poderia haver algo mais do que uma união vazia em seu futuro?
Béryl tinha sido sempre honesta, uma amiga confiável.
- Não estamos loucamente apaixonados um pelo outro, mas essas bobagens românticas são para aqueles que não têm nada na cabeça. Nós nos respeitamos e nos valorizamos. Para adultos inteligentes essa é uma excelente base para se construir um relacionamento. Nós iremos nos casar quando você decidir que quer um herdeiro. Eu lhe darei seus herdeiros -- prometera Béryl logo após a morte do pai de Mamoru, quando a família dela começou a pressionar pelo casamento deles.
A mão fria de Béryl o tocara e o sorriso dela, como sempre, era pura doçura e luz.
- Ao contrário de papai, eu entendo que a perda pela qual está passando significa muito mais trabalho para você. Podemos esperar um pouco mais. Não estou com pressa de me estabelecer, e como sua futura noiva permanecerei intocada, isso nem precisava dizer. E, nesse meio tempo, se você tiver certas necessidades, insisto para que as satisfaça sem que eu tome conhecimento.
Naquela época, ele não entendia a ausência do que as pessoas chamavam de amor como um problema. Na camada superior da sociedade os casamentos por conveniência familiar quase sempre funcionavam bem. E não havia olhar de censura quando um homem arranjava uma amante. Além do mais, levava uma vida plena de satisfação. Quase todo o seu tempo era preenchido pelo trabalho, e as mulheres que ocupavam as horas remanescentes lidavam bem com a situação.
Quando ele finalmente dissesse adeus a sua vida de solteiro, ganharia uma esposa bela, rica e sofisticada, que lhe daria um herdeiro, e administraria a sua elegante mansão como uma anfitriã brilhante. Poderia algum homem querer mais do que isso?
Nas semanas precedentes a sua ida até ilha, tomara a decisão de romper seu noivado. Tinha de haver algo mais profundo do que aquele vazio, aquela superficialidade.
O pai dele provavelmente estaria se remexendo no túmulo. E sua mãe, que estava vivendo com acompanhantes pagas em um belo apartamento em Veneza, iria desaprovar. Mas ele não poderia viver a vida do modo como os outros queriam, preso a regras que agora ele via como medievais. Pela primeira vez na vida desejava encontrar o que os poetas chamavam de amor. Uma vez que Béryl nunca se envolvera emocionalmente, a família di Metália poderia encontrar outro casamento de conveniência. Ninguém sofreria com essa sua decisão.
Ele contaria a Béryl sobre a decisão de romper o noivado quando retornasse a Florença. Pessoalmente. Para preservar o orgulho de Béryl, lhe daria a oportunidade de dizer a todos que a idéia de desistir do casamento partira dela.
Estava nesse ponto de suas reflexões quando chegou à ilha, verificou seus sobrinhos adormecidos e desceu até uma pequena enseada iluminada pela luz da lua. Nesse momento, foi flechado por uma sensação luxuriosa como jamais experimentara antes.
Emergindo da água transparente, a babá contratada para as férias das crianças, se apresentava vestindo um pequeno biquíni num corpo espetacular. Os braços levantados de Usagi ajeitavam seu longo cabelo louro, e isso deixava os seios perfeitos ainda mais empinados.
Nos dias que se seguiram, ele a conheceu mais e melhor. A luxúria logo desabrochou em amor. Um amor que ele sequer desconfiava ser possível.
Tudo a respeito dela o deliciava e o fascinava. Ela não era como as mulheres que ele se acostumara a encontrar no seu meio social. Era calorosa, divertida e generosa em seu amor, no cuidado com as crianças de Rei. E completamente espontânea, sem atitudes estudadas como as das mulheres com quem ele travara contato.
O ato de amor fora tão natural, tão perfeito. Ela não era virgem, admitiu. Afinal estavam no século vinte e um. No entanto, como homem italiano, ele teria preferido ser o primeiro de sua mulher, mas decidiu que isso não iria detê-lo. E acreditou quando ela confidenciou, após aquela primeira vez encantada, que jamais fora tão delicioso. Que ela não imaginava que pudesse ser tão maravilhoso.
Olhando-a naquele momento, o cabelo louro macio, os olhos límpidos e as fantásticas curvas femininas, um enorme surto de raiva se apoderou dele ameaçando tirá-lo de órbita. Ele respirou fundo tentando recuperar o controle. Essa raiva não era dirigida diretamente a ela, mas a ele mesmo, por permitir-se ter o comportamento de um animal no cio. E deixar que ela o cegasse a ponto de não enxergar o que de fato era. Uma ladra promíscua.
Sem suportar encará-la nos olhos naquele momento, ele sugeriu:
- Eu não esperava vê-la novamente, mas temos de pôr o passado de lado e nos concentrar em nosso filho. Por favor, sente-se.
Inundada por uma sensação desconfortável, por ter sido ingênua a ponto de acreditar que tal homem sofisticado pudesse se interessar por uma mulher tão comum quanto ela, Usagi sentou-se rigidamente na ponta do sofá. E observou Mamoru sentar-se bem longe na outra ponta.
Por dentro, Usagi tinha vontade de gritar. Refutar as acusações feitas contra ela. Ela não era ladra. Fora vítima de uma armadilha. Mas não teria proveito algum em acusar a esposa dele, e a empregada dela. Ele jamais acreditaria.
- Se eu me esforçar bastante, posso entender que você não queira fugir das suas responsabilidades para com Mamo - falou de modo sarcástico deixando claro que esperava o contrário de um conquistador como ele. - E prometo que poderá vê-lo sempre que quiser, para certificar-se de que está sendo bem criado. Pense a respeito. A publicidade neste caso iria apenas magoar e humilhar a sua esposa.
Mas o queixo de Usagi caiu quando ele retrucou:
- Isto não é problema. Eu não tenho uma esposa.
Diante da surpresa manifestada por Usagi, Mamoru se perguntou como Béryl reagiria à notícia de seu recém-revelado filho. Iria se aferrar ao pacto com o qual ele friamente concordara, relembrando-o de que a mulher de seus sonhos era uma ladra comum, e provando que o tão proclamado amor era algo para pássaros? Ou voltaria atrás? Mentalmente chegou à conclusão de que como nenhum dos dois havia investido emocionalmente no casamento, isso não teria importância alguma.
Tudo o que importava era seu filho. Seu filho. Já conseguia distinguir sinais das feições dos Chiba , cheio de orgulho.
- Não vou aceitar apenas direitos de visita.
Mamoru foi enfático.
- Quem sabe qual será a próxima vez em que decidirá se amigar com outro rapaz, partindo sem deixar endereço?
Usagi abriu a boca num veemente protesto, mas Mamoru fez um gesto silenciando-a.
- Infelizmente não poderei fazer o que eu quero, que é obter a custódia de meu filho sozinho. Pois uma criança precisa da mãe.
A essa concessão Usagi relaxou o espírito. Mas, logo em seguida, foi jogada nas profundezas do inferno quando ele continuou.
- Meu filho também precisa de seu pai. Especialmente quando a mãe parece não ter recursos para o sustento. E, se considerarmos os acontecimentos passados, ela pode ser tentada a apelar para o roubo, caso seus favores sexuais não sejam suficientes para garantir as finanças desejadas.
Certamente fora isso o que acontecera na Itália. Por quantas vezes na ilha, cujo encontro tinha significado para ele o paraíso na terra, fantasiara o dia em que estaria livre de compromissos para proporcionar a Usagi tudo o que seu coração desejasse. Após romper com Béryl ele levaria Usagi até a Inglaterra e a pediria em casamento cobrindo-a de beijos e pedras preciosas.
Guardara em segredo seus planos até que pudesse romper o noivado. E então, não vendo qualquer desfecho lucrativo em vista, Usagi aproveitou a oportunidade para roubar uma jóia de alto valor. Era a idéia dela para o pagamento de seus serviços!
Momentaneamente paralisada pelo odioso julgamento que Mamoru fazia a seu respeito, Usagi sentiu a raiva crescer com a força de um incêndio florestal,
- Jamais roubei qualquer coisa em toda a minha vida. Não se atreva a dizer isso de mim! E uma vez que você não está casado com aquela mulher horrível, devo lhe dizer que foi ela quem colocou a jóia na minha mala. Ou deve ter mandado a empregada dela colocar!
Mamoru olhou-a de modo enigmático e perguntou com ironia na voz:
- E por que ela faria isso?
- Porque ela é louca!
- Mas você não negou a acusação de roubo. Ele podia jurar que seu coração tinha parado de bater enquanto esperava dela uma explicação razoável pela presença da jóia perdida enfiada entre as suas coisas.
- Seu silêncio foi uma admissão de culpa.
Usagi percebeu, tardiamente, que seu silêncio tinha parecido uma admissão de culpa, Com os olhos baixos murmurou:
- Estava magoada, atônita. Foi como um pesadelo. Acreditei que você era o amor da minha vida. E todo o tempo você estava mentindo. Descobri naquela noite que, durante todo o tempo na ilha, você estava à beira de se casar. Estava desesperada tentando lidar com essa revelação. E quando você invadiu o meu quarto, me acusando de roubo... bem, como eu disse, minhas negativas podem ter parecido frágeis, pois eu estava simplesmente atônita.
Nesse momento um choro irrompeu no quarto ao lado. Mamo. Um sorriso iluminou a face de Usagi quando ela se levantou para atendê-lo. Ao vê-la andar, Mamoru ficou constrangido mas não pôde deixar de admirar o balanço dos quadris de Usagi e observar como a calça jeans lhe caía bem.
Mamoru começou a juntar os fatos. Sua irmã ou cunhado deviam ter mencionado o compromisso com Béryl. Com certeza não fora Béryl. A essa altura ele já havia lhe comunicado a mudança de planos. E confessado estar perdidamente apaixonado por Usagi.
Naquela noite, durante a festa do aniversário de Rei, as coisas não tinham ocorrido tão facilmente como ele imaginara. Béryl exigira muito de seu tempo querendo conversar sobre detalhes. E ela pareceu razoável ao chamar demonstrar que o casamento deles, a realizar-se em algum momento do futuro, poderia ser uma opção válida. E que se casar com uma empregada seria o maior erro que ele poderia cometer na vida. Teria ela condições de receber convidados para jantares de negócios? Se o desejo fosse muito forte ele deveria, por todos os meios, controlar-se com discrição. Mas não deveria atirar pela janela uma união que iria trazer benefícios sociais e financeiros para as duas importantes famílias.
No dia seguinte, ele reconheceu, com amargura que Béryl estava certa. A razão foge pela janela quando um homem se apaixona pela mulher errada Portanto, o compromisso de longa data fora restabelecido.
Saber de seu compromisso de noivado deve ter feito Usagi acreditar que o caso com ele não tinha futuro. Sem se incomodar com um pedido de explicação Usagi seguiu seus instintos gananciosos e surrupiou uma jóia de alto valor. E agora ainda tinha a audácia de acusar Béryl de planejar uma armadilha!
Mamoru escutou movimentos na cozinha. A suave voz de Usagi falando com seu filho.
Filho dele!
Subitamente entrou na cozinha, que era do tamanho de um pires. Ela segurava o bebê apoiado em um ombro, ao mesmo tempo em que lidava com uma panela e uma mamadeira. Ele apanhou seu filho segurando-o com as mãos fortes, ignorando o protesto de Usagi.
- Ei, o que pensa que está fazendo!
Mamoru sorriu. Mamo sorriu para ele, estendendo a mãozinha para agarrar o cabelo de seu pai. Mamoru ria sem parar.
- Por que não me contou quando descobriu que estava grávida de um filho meu?
- Quando descobri que estava grávida, imaginei que já devia estar casado e que não desejaria tomar conhecimento. Esse tipo de notícia bombástica não iria facilitar o seu entendimento com sua nova esposa de alta classe! Fui perfeitamente capaz de lidar sozinha com a situação!
- Mas não está conseguindo mais, não é mesmo?
Ele notou que as mãos de Usagi tremiam. - Estou sim.
Usagi apoiou a mamadeira num balcão e sentou-se em um tamborete estendendo os braços para apanhar seu filho de volta.
Com relutância, Mamoru colocou o filho no colo de Usagi. E desejou estrangular a si próprio quando um desejo animal tomou-lhe de assalto ao roçar a mão, inadvertidamente, em um dos lindos e perfeitos seios de Usagi. Enfiou as mãos nos bolsos de sua calça e perguntou:
- Então, como pretende sustentar meu filho? E aviso logo que confiar numa fila de amantes está fora de questão.
Irritada, Usagi ignorou o aviso ultrajante. Alguém a deveria ter avisado de que o contato da mão dele em seu seio poderia ser fatal, transformando-a em geléia, fazendo seu pobre coração disparar. Ele chegara tão perto ao se inclinar sobre ela, exalando um perfume poderosamente afrodisíaco. Usagi desejou que os bicos dos seios não estivessem marcando a suéter de lã que usava.
O que havia com esse homem que mexia tanto com ela? Para usar uma palavra da sra. Hopkins, ele era um grosseirão. E ainda assim, só de olhá-lo seus hormônios dançavam descontrolados.
- Estou procurando trabalho, se quer saber. Embora, graças a você, vou ter de aceitar alguma coisa mal remunerada. Mas eu vou conseguir, você vai ver.
- Basta! Chega de jogar conversa fora. Você espera que eu acredite que pode ganhar o suficiente para providenciar acomodações decentes e bancar despesas diárias suas e da criança, numa cidade onde o custo de vida é alto como aqui em Londres? Caia na real. Se as suas idéias sobre se sustentar incluem viver com algum rapaz em troca de seus favores, pode tirar isso da cabeça. Jamais vou permitir que meu filho fique metido numa situação sórdida.
O sangue de Usagi congelou. Lágrimas inundaram seus olhos. Ele iria tirar seu filho. Tudo o que ele dizia caminhava para essa decisão. Ela apertou Mamo de encontro ao peito. Após a morte da sra. Hopkins e a perda do pequeno lar que partilhavam, acreditara que as coisas não podiam ficar piores.
Mas estava errada. Encarava agora o pior pesadelo. Seus olhos derramaram lágrimas.
Mamoru achou que as lágrimas faziam parte de unia estratégia para enternecer um homem. E por alguns momentos, o retrato da mulher vulnerável e desamparada realmente funcionou, colocou um freio em sua aspereza masculina, despertou-lhe a vontade de procurar um lenço para enxugar suas lágrimas. Mas ele reprimiu essa ternura.
- Você tem duas escolhas. Você e meu filho retornam para a Itália comigo. Lá será providenciada uma casa luxuosa e meu filho irá crescer cercado de cuidados e vantagens que incluem a presença de seu pai. Ou você se recusa e vamos enfrentar uma batalha judicial. Que eu vou ganhar, é claro.
Os olhos escuros de Mamoru a fitavam com arrogância.
- Faça como eu quero e terá uma vida de luxo perto de seu filho. Ou o tribunal poderá lhe conceder direitos de visitas ocasionais. Mas eu não contaria com isso, considerando sua conduta passada. Você escolhe.
