CAPÍTULO 8
Mamoru colocou sobre a mesa dinheiro suficiente para pagar a despesa, apanhou o casaco de Usagi e saiu angustiado atrás dela. Ele odiava vê-la sofrer. Odiava! Tinha sido um erro falar sem pensar.
Usagi estava inclinada sobre o carro, o retrato da tristeza. Gentilmente ele cobriu-a com o casaco e abriu a porta.
— Entre. A noite está fria.
Usagi desabou no banco do carro. Aquela noite fora um desastre total. Ela pretendia convencê-lo de uma vez por todas de que era inocente de todas as acusações que lhe eram feitas. Mas ele não levou em conta o que ela tinha a dizer. Como faria para que ele acreditasse, se ele não queria acreditar? Por que desperdiçar seu tempo tentando?
— Eu sinto muito. Não quis dar a impressão de censurar sua atitude de mudar para o apartamento daquele rapaz.
Usagi abriu bem os olhos. Ele tinha mesmo uma opinião muito baixa sobre ela e estava aferrado a ela. Tomava-a pelo tipo de mulher que viveria à custa de um homem, dando em troca seus favores na cama. Seria esse o motivo de ele pensar que ela aceitaria sem pestanejar sua oferta de casamento?
— E por que você deveria dar a impressão de censurar? Acima de todas as pessoas, você sabe muito bem como é agarrar algo que está em oferta. Você é muito bom nisso.
— O que está querendo dizer?
— Acha que eu preciso soletrar? Você acha que todo mundo é igual a você! Quando vê alguma coisa tentadora, fácil de pegar, a toma para si!
— Está me acusando de roubar o que é propriedade alheia?
— Pior! Você rouba corações e depois os esmaga!
Pela mente de Usagi passava que certamente ele sabia que ela fora sincera ao dizer que o amava. Que ela não estava brincando de ser somente um flerte de férias! Que seu tolo coração fora verdadeiramente destroçado. Aliado ao fato de que seu corpo respondia com avidez a um simples toque dele, a um simples olhar, e ele sabia que ela ainda estava muito apaixonada por ele. Sabia que poderia convencê-la a se casar com ele, pois ela jamais conseguiria escapar e construir uma vida tranqüila para Mamo e para ela a uma distância segura. — Quero ir embora.
E infelizmente, debulhou-se em lágrimas, numa amostra final de humilhação.
Mamoru ligou o motor e seguiu velozmente colina acima. Odiava vê-la chorar! Béryl e ele tinham cometido um terrível erro. Béryl ativamente e ele passivamente.
Ele ficara chocado e magoado com a prova apresentada a ele, com o silêncio de Usagi, que dera a impressão de uma confissão de culpa. Mas agora estava certo que o silêncio fora resultado de um choque, tão grande quanto o dele próprio.
Quando pensou em tudo o que ela passou, ficou mortificado. Deixar a casa de Rei debaixo de um clima pesado, e depois, graças a Béryl, ser demitida da agência. Mais tarde, descobriu que estava grávida de um filho dele e era incapaz de pedir ajuda porque o acreditava recém-casado. Uma mulher ordinária teria se aproximado dele de qualquer modo, exigido ser sustentada, sem se incomodar de atrapalhar seus planos.
Em vez disso, ela agira com bravura. Dera à luz o filho deles em circunstâncias mais do que modestas. Até que o destino lhe aprontou outro golpe terrível com a morte de sua velha amiga. E por isso ela fora morar com o rapaz louro? E daí? Olhando friamente, pelo ponto de vista dela, o que mais a pobre criança poderia fazer? Repentinamente sem casa, sem poder trabalhar porque falecera a sua velha babá, que tomava conta do lindo filho deles, enquanto ela se esfalfava em um serviço de terceira categoria... ela não tinha um amplo leque de opções pela frente. Não com um bebê no colo. Então, que direito tinha ele de pensar nela como uma ordinária!
Precisaria fazer reparações. No dia seguinte confrontaria Béryl. Extrairia dela a verdade. E então, faria todo o possível para corrigir seu terrível comportamento. Um choro ao seu lado interrompeu seus pensamentos. Olhou para Usagi. Ela estava com as juntas de seus dedos fortemente pressionadas contra a boca. Um gesto clássico de quem está apavorada.
Imediatamente, ele reduziu a velocidade do carro. Conhecia as estradas estreitas das colinas do campo toscano, mas ela não. Não poderia saber que ele estava dirigindo com toda a segurança.
— Estamos quase chegando em casa — assegurou Mamoru imprimindo carinho em sua voz.
Casa? Quem dera se ela de fato estivesse chegando em sua casa. Usagi não pode impedir as lágrimas Aquela adorável mansão, em meio ao campo tosca-no, jamais seria o lar dela. A menos que ela concordasse com a gélida proposta de casamento que ele lhe fizera. Ela ainda o amava, reconhecia, com amargura. Mas como poderia concordar com tal insanidade'' Infelizmente, recusando-se a escolher uma vida de humilhações, mágoas e esperanças perdidas, ela iria privar seu precioso filho de tudo aquilo que um Chiba poderia esperar. O melhor de tudo. Era um dilema que a estava deixando histérica!
Assim que o carro estacionou, ela tentou sair mas suas pernas estavam bambas.
— Deixe-me ajudá-la.
O tom carinhoso da voz de Mamoru fez com que ela sentisse vontade de chorar novamente. Ele a amparava com um braço enlaçando sua cintura. A vontade de Usagi era de virar-se, abraçá-lo, encostar a cabeça em seu peito largo, e chorar todas as suas misérias,
Já dentro de casa, Usagi teve a presença de espírito de agradecer.
— Muito obrigada. Agora posso ir sozinha.
Ele obviamente não levou suas palavras em consideração e, tomando-a nos braços, subiu as escadas até o quarto. O coração de Usagi martelou enlouquecido quando inspirou o cheiro característico de Mamoru e absorveu sua potente masculinidade.
No momento em que eles atravessaram a porta do quarto ela já estava toda derretida. E se perguntava se ele estaria captando os sinais enviados por seus braços, que envolviam com ternura o pescoço dele, e pelo seu corpo que se aconchegava ao dele. Usagi sentia seu corpo em chamas.
Colocando-a de pé, Mamoru, sensatamente afastou-se a aconselhando.
— Tome um banho. Você mal tocou na comida e tomou muito vinho. Vou pedir a alguém para lhe trazer sanduíches e café forte.
Ele saiu fechando a porta, deixando-a com a sensação de ter se sido ridícula ao imaginar que ele ainda a desejava, que ainda existia a antiga mágica que os atraíra na ilha.
Que ele não a amava, ela não tinha dúvidas. Mentir sobre sua devoção eterna fora mais um dos truques de sedução dele, com o objetivo de que ela fosse para cama e correspondesse aos seus anseios. Mas agora, ele nem mesmo a desejava. Reunindo todas as suas forças, proibiu-se de pensar nesse assunto e reforçou sua convicção de que o casamento estava completamente fora de questão.
Uma ducha fria a ajudou a retomar o juízo que perdera ao ficar tão próxima dele. Vestiu uma camisola de seda e na saída do banheiro deparou-se com uma bandeja que alguém depositara, cheia de biscoitos crocantes com diversas coberturas. Sentiu seu estômago apertar. Café quente a faria bem, mas... a comida?
— Coma!
A voz de Mamoru a surpreendeu. Ele estava perto da porta, quase intocado pela luz do abajur na mesinha de cabeceira. Usagi não conseguiu fazer outra coisa a não ser olhar fixamente Mamoru, apreciando suas feições perfeitas, o brilho daqueles olhos escuros que pareciam soldar-se aos dela. Os próprios olhos de Usagi estavam molhados.
Se ela chorasse novamente ele estaria perdido, Mamoru tinha certeza disso e lutou para permanecer decidido a não tocá-la. No entanto, cada átomo de seu corpo implorava para que ele colocasse se unisse a Usagi dentro do recanto suave e pleno de sua submissa feminilidade.
Ele a olhava, embriagado por suas feições adoráveis, a luz iluminando sedutoramente os contornos de seu lindo corpo através da fina e transparente camisola marfim. Ele sentiu seu corpo inteiro retesar-se.
O fato de ela não ser imune a ele, a tornava mais tentadora. Dio! Será que ele não tinha um pingo de integridade? Até que suas suspeitas fossem confirmadas, Usagi estava fora de seu alcance, e mesmo depois, os desentendimentos teriam de ser esclarecidos antes que eles pudessem engrenar em um relacionamento verdadeiro.
Ela poderia sentir o mesmo desejo por ele e corresponder fisicamente, mas a dádiva de seu amor, essa não mais pertencia a ele. Provavelmente ela o odiava pelo tratamento absurdo que ele vinha dedicando a ela desde que a reencontrara em Londres. E ele não podia censurá-la por esse sentimento.
Ela se moveu. Apenas um pouquinho, amparando-se no braço da poltrona. O tecido de seda moveu-se também, grudando nas coxas dela, revelando as formas perfeitas de sua feminilidade.
Mamoru começou a suar.
Ele não deveria estar ali. Com ela daquele jeito. Ele não tinha condição de resistir. O que havia dado nele para preparar ele próprio a bandeja? Na verdade, tudo o que quisera era ficar junto dela. Olhá-la, tocá-la, Estar com ela...
Ele se moveu na direção dela. Os olhos prateados levantaram-se penetrando os dele. Os olhos escuros abaixaram-se num relance para ver o peito dela, que arfava, os seios deslocando a seda da camisola. O coração bateu mais forte.
— Usagi?
Fora uma pergunta? Fora ele quem falara? Fora aquele homem tão másculo, autoconfiante que ocupava a pele de Mamoru Chiba até aquele momento? Ou fora um humilde suplicante, um adorador aos pés de uni anjo, perplexo pela força de seu sentimento por uma mulher?
Os lábios de Usagi se entreabriram trêmulos. A necessidade que sentia estava de volta ocupando o íntimo de seu ser. Bastou um toque. Somente um. Somente a palma de sua mão sobre a pele lisa e acetinada do ombro de Usagi para que ele se rendesse. Ele era dela novamente.
Com um tímido gemido ela se aproximou cheia de desejo, derretendo-se quando as mãos dele rodearam os seus quadris, puxando-a ao encontro de toda aquela virilidade.
Todas as idéias de resistência, de auto-preservação e cada pedacinho de orgulho desapareceram num piscar de olhos quando a boca de Mamoru invadiu a dela. Ele a desejava!
Por alguma razão, as atitudes dele, assim como o ar de indiferença, pareciam negar isso, mas naquele momento as barreiras ruíam. A velha mágica estava de volta, com uma força tão estrondosa que nenhum dos dois poderia calcular.
A emoção cega a tomou por inteiro quando ela correspondeu ao impulso passional de Mamoru. Ela percorreu com seus dedos ávidos a cabeleira escura e sedosa, e imediatamente sentiu o calor da ereção dele pressionando contra seu corpo dócil e submisso. No momento, ela era nada mais do que puro delírio.
Ele afastou sua boca apenas para enterrá-la nos seios intumescidos de Usagi, deixando-a eletrizada Ela tombou a cabeça para trás quando os dedos dele afastaram a seda e ele saboreou alternadamente cada um dos seios. Outro movimento e a camisola caiu aos seus pés. Com um sussurrar sensual, sedutor e malicioso, Mamoru a afastou levemente, enquanto a penetrava com os olhos. Mantendo-a cativa em seus braços, o seu olhar percorreu, feito uma carícia, aquela nudez revelada.
— Estou ardendo de desejo por você, Usagi. Seja minha.
Nenhuma parte dela resistia mais. Usagi era pura aquiescência. Tudo o que ele precisou fazer foi levantá-la e carregá-la até a cama. Quando ele retirou o agasalho mostrando o dorso nu, Usagi pôde apenas olhar fixo e estremecer com a força do desejo que a aquecia. Seus olhos redescobriram cada centímetro daquele corpo que, um dia, ela conhecera melhor do que o dela mesma.
Ele mentira para ela, a enganara, a tratara como se ela fosse uma peste. Mas ela era mulher dele. Tinha dado à luz um filho dele. Ele nunca saberia, mas ela o amaria sempre, com todos os defeitos. Essa última noite com ele seria tudo o que ela teria ou pediria,
Mais do que isso, casamento, direitos ocasionais sobre o corpo dela, a destruiriam.
Que, para ele seria apenas uma noite na qual teria a oportunidade de satisfazer seus instintos animalescos de sexo, não era algo com que ela devesse se preocupar naquele momento.
Ela era mulher dele. Era o destino. Esse foi o último pensamento coerente de Usagi antes de Mamoru se deitar colando o corpo dele ao dela. E ele a tomou para si.
