CAPÍTULO 11

A primavera finalmente fazia uma tentativa de apa­recer na Inglaterra, mas ainda não havia recebido no­tícias de Usagi desde que ela voltara a morar com o rapaz louro.

Vivia com o amante dela, rosnou Mamoru consigo mesmo. Era melhor que encarasse os fatos!

O prédio era deprimente. A pintura toda descasca­da. O quanto antes Usagi e seu filho se mudassem para um ambiente mais saudável melhor.

Será que o amante iria com eles?

Bem provável.

A idéia de outro homem perto de seu filho, vinte e quatro horas, sete dias por semana, enquanto ele mes­mo, o pai, teria de marcar um encontro para ver o que era carne de sua carne, sangue de seu sangue, o dei­xou com vontade de quebrar paredes! Mas fora o que Usagi escolhera, ela assim desejara.

Uma quinzena era um período de tempo curto? Claro que não. Infernal Ele tinha todo o direito de passar e ver seu próprio filho! Duas semanas era um tempo muito longo.

Além do mais, ainda tinha a questão do acordo fi­nanceiro. Ele precisava da assinatura dela para o do­cumento que levava na maleta. Seus advogados po­deriam ter providenciado, mas ele preferiu resolver pessoalmente.

Por quê? Já listara alguns argumentos, economiza­ria tempo, se certificaria pessoalmente se ela enten­dera os termos legais etc. Ele ansiava por vê-la, essa era a verdade. Não que fosse demonstrar. Isso não.

A tensão esticou suas feições quando ele passou pela portaria. E trincou os dentes com tanta força que achou que fosse quebrar sua arcada dentária, quando viu o rapaz louro trotar escada abaixo.

Motoki foi o primeiro a quebrar o silêncio no vestíbulo cheirando a mofo, e apresentou um tom beligeran­te em sua voz.

— O que você quer?

Motoki o reconhecera. Era o pai do garoto. Imensa­mente rico, poderoso, todo bem arrumado dentro de um terno italiano de corte elegante. As feições do ho­mem estampavam crueldade e desprezo.

Recordou o quanto seus pais e Lita encheram seus ouvidos por ter deixado que esse bastardo arrastasse Usagi e o menino, da primeira vez. Será que deveria ficar para se certificar de que isso não aconteceria no­vamente? E então se atrasaria para o trabalho. Isso não era uma boa idéia para um novo gerente em teste. Subitamente lhe veio uma idéia.

— Se você veio ver Usagi, ela saiu com o meni­no. Eles vão passar o dia fora. Eu darei o recado. Se quiser encontrá-los no futuro, melhor marcar uma hora.

Motoki empinou o corpo consciente da presença da­quele homem bem mais alto, com postura dominante, e superioridade física evidente. Precisou se encher de coragem para dizer.

— Por que você não a deixa em paz? Já não a pre­judicou bastante? Ela não quer contar o que foi que você fez, mas basta olhar para ela para a gente ver que você a fez passar por maus bocados. Já a magoou bastante. Fique longe dela!

E Motoki precipitou-se para a rua, antes que o olhar mortal daqueles olhos escuros pudesse se traduzir numa ação física. E cumprimentou-se, crente que agora o italiano iria dar a volta e ir embora, pensando que Usagi estava fora com o menino.

Aquele rapaz estava mentindo, concluiu Mamoru com rancor. No mesmo lugar em que já estivera esta­cionado aquele pavoroso carrinho antiquado, estava agora um carrinho de bebê com aparência de usado, porém com linhas modernas. Motoki estava protegendo sua Usagi. Mamoru entendeu bem o sentimento. Mas protegendo-a do quê?

Usagi tinha feito o que desejava, disse a si mes­mo, amargurado. Fizera sua escolha. Escolhera livre­mente aquele rapaz com ar camarada, cabelos louros, um rosto honesto e aquela casa tosca. Dera preferên­cia a eles ao invés da vida de luxo que ele apresentara a ela. Ele já se perguntara o motivo dessa escolha em diversas ocasiões e chegava sempre à mesma res­posta.

Uma vez ela lhe dissera que Motoki acreditara na ino­cência dela, sem questionar. Enquanto ele, bradara que ela era ladra e mentirosa. A escolha dela fazia sentido, embora lhe doesse como o inferno. Ele, com sua arrogância, seu orgulho e sua desconfiança tinha perdido o direito a qualquer esperança de ter o amor de Usagi. Punição justa. Não havia o que contestar, concluiu Mamoru pesaroso.

Procurando espantar esses sentimentos negativos que beiravam a autopiedade, Mamoru subiu os degraus de dois em dois. Quando ela escolheu retornar a Lon­dres, ele ficou muito abalado para qualquer outra coi­sa que não fosse arranjar os preparativos para a parti­da, imerso em um silêncio glacial. E omitiu a Usagi que colocara Béryl contra a parede. E que suas sus­peitas haviam sido confirmadas.

Era tempo de consertar isso. Ela podia não querer vê-lo, mas ele lhe devia umas desculpas. Já era tempo para que ela ficasse sabendo do generoso acordo que permitiria a ela e a seu filho abandonar aquele prédio lúgubre e construir uma vida decente.

Então, depois disso, sua consciência poderia des­cansar, embora ele achasse que seu coração jamais iria fazê-lo.

Usagi colocou o bebê no berço mal ousando res­pirar. Carinhosamente cobriu-o com uma manta re­zando para que não acordasse. Depois de muito tem­po parecia que Mamo adormecera. Estava com as cos­tas e os braços doendo de carregá-lo durante toda a manhã. E durante a maior parte da noite anterior, ela tentara confortar seu mal-humorado bebê.

O pobrezinho sofria com novos dentes que nas­ciam. Ela empurrou o cabelo emaranhado para trás, esfregou os olhos enevoados. Ao olhar o bebê ador­mecido seus lábios se abriram num sorriso. O primei­ro do dia que não era forçado.

Tudo o que ela conseguiu pensar naquele momen­to foi numa grande xícara de café. Quente, escuro, e muito, muito forte. Andando com um cuidado exagerado, foi até a cozinha.

Ela ficara acordada embalando Mamo a maior par­te da noite. Esfregando pomada em suas gengivas inflamadas. Acalentando-o pois não queria que ele per­turbasse o descanso de Motoki. Ele fora tão bondoso in­sistindo com ela para que ficassem até que ela pu­desse acertar seu futuro. O abençoado Motoki não disse­ra uma palavra de censura quando ela aterrissou em sua casa há uma quinzena. Ela não tinha outro lugar para ir.

Com a caneca de café na mão, encaminhando-se para a sala de visitas, disse a si mesma que as coisas estavam melhorando ainda que seu coração insistisse em sentir o contrário.

Dentro de outra quinzena os pais de Motoki retorna­riam de sua visita ao Canadá e a tinham convidado para ficar temporariamente com eles em um chalé no campo, nos arredores de um vilarejo que mais pare­cia uma pintura de cartão-postal.

— Basil e eu já conversamos — dissera Enid Furuhata há alguns dias. — Temos um belo quarto de hóspedes que raramente usamos, e você sempre foi como uma pessoa da família, sabe disso Usagi que­rida. Será mais saudável para você e para o bebê. Além disso, você deve conseguir com que o pai lhe sustente financeiramente. Soube que ele é imensa­mente rico. Então você não precisa se preocupar em como vai fazer para viver com seu filho. Não vejo porque ele não possa comprar uma casa para você, perto da nossa, onde poderemos ajudá-la cuidando do bebê quando você precisar. Ser mãe solteira não é fá­cil. Desse modo, enquanto não arranjar as coisas você deve ficar conosco.

Aconchegando-se no amplo sofá de couro, tomou um gole de café ponderando sobre a sugestão de Enid. Certamente, sua madrasta e a filha não derra­mariam uma lágrima se ela desaparecesse da face da terra. E seria bom para Mamo ter avós adotivos por perto. A família Furuhata sempre fora ligada a ela, mais até do que a sua própria família perturbada. Mas ela gostaria de trabalhar novamente, quando Mamo ti­vesse idade suficiente para ir para a creche. Ela que­ria ser independente, e não ter que confiar nas esmo­las de Mamoru, ainda que tivesse direito.

Ela ainda não conseguira pensar na oferta de apoio financeiro de Mamoru. Quando pensava nele, o que, apesar de suas boas intenções, acontecia um trilhão de vezes ao dia, era para se perguntar se o noivado com Béryl fora reatado. Se ele estava feliz, com sua vida correndo conforme planejara. Se a sua noiva da alta sociedade havia decidido fechar os olhos à trai­ção dele. E se ele havia passado o recado de que ela, Usagi, não faria escândalos, e ficaria fora da vida deles.

Quando a campainha da porta tocou insistente­mente, ela se pôs de pé num salto, temendo que Mamo acordasse. O pobrezinho precisava descansar.

Será que Motoki esquecera alguma coisa? Pelo visto esquecera também a chave da porta! Ele tinha vindo almoçar em casa, no lugar de comer um sanduíche na lanchonete da esquina de seu trabalho, apenas para ver se ela estava bem. E agora ele se atrasaria...

Abrindo a porta e se colocando de lado, preparada para ver Motoki passar voando por ela, viu-se encarando aquela face adorada, perfeitamente bela, e perfeita­mente séria. O sorriso armado desapareceu.

Por um momento sustentou o olhar encarando a ex­pressão severa de Mamoru. Depois, baixou seus olhos intensificar a cada vez. À medida que os anos fossem se passando, assistiria ao crescimento da amizade en­tre pai e filho e jamais poderia tomar parte nesse acontecimento.

A folha de papel gelava nas mãos de Usagi, en­quanto ela lutava para se recompor. Fora preciso que ela soubesse como as coisas aconteceriam, pensou. Agora, tudo o que lhe restava era aceitar. E parar de se comportar como uma tola.

Bem-vinda ao mundo real Usagi Tsukino!

Olhando de relance o documento que deveria assi­nar, seus olhos depararam-se horrorizados com a quantia estabelecida para a compra da casa. Confor­tável? Ela poderia comprar alguns palácios com aquele dinheiro. E ainda lhe sobraria algum!

Seus olhos turvaram-se repentinamente.

— Eu não preciso desse dinheiro todo...

Impedindo seu olhar masoquista de devorar o per­fil de Usagi, Mamoru fechou os punhos tentando tam­bém combater a ansiedade de segurá-la em seus bra­ços, estreitá-la junto ao coração, mantê-la bem junto a si, sempre, cuidando dela, amando-a.

— Você precisa de uma boa dose de juízo, isto sim.

Ele estava áspero, detestando vê-la daquele jeito, tão pálida e cansada, como se suas forças tivessem se esvaído.

— É óbvio que você não está cuidando adequada­mente de si mesma. Precisa se cuidar, pelo bem do meu filho. Você está parecendo uma ruína.

Mamoru se arrependeu profundamente na mesma hora em que emitiu essas palavras brutais. Madonna diavola! A boca de Usagi tremia agora, os longos cílios se abriam e fechavam de modo desordenado, ten­tando reter as lágrimas que ameaçavam cair em cas­cata sobre sua face pálida.

Ele precisou lutar contra seus instintos que coman­davam uma forte ansiedade de abraçá-la. De retirar suas palavras, dizer que ela sempre seria linda aos seus olhos. Pegou caneta em sua maleta e estendeu a ela sobre a mesa.

— Você vai assinar? Os fundos estarão imediata­mente disponíveis para você. Vou precisar de seus dados bancários, é claro. E voumandar uma cópia deste documento para você, em um ou dois dias.

Então ele já não estaria mais ali. Tinha sido muito cedo, cedo demais esse encontro. Fora um engano terrível. Ele deveria ter deixado tudo ao encargo de seus advogados. Ele queria vê-la. Não conseguiu pensar em mais nada desde o dia em que a levou ao aeroporto. Achou que poderia lidar com isso. Mas não podia. Pela primeira vez na vida estava diante de um fato com o qual não conseguia lidar.

— Claro. Desculpe-me. Dados bancários. Obedecendo à necessidade de se retirar antes de se debulhar em lágrimas na frente de Mamoru, Usagi ig­norou a caneta. E se levantou, partindo para a relativa privacidade da cozinha.

Inclinada sobre a pia, deixou cair as lágrimas que desesperadamente tentara conter. E mordeu as mãos na tentativa de interromper os soluços que vinham dolorosamente machucando sua garganta. Uma vez ele a chamara de linda. Agora ela era uma ruína. Bem, ela sabia disso, não sabia?

Muitas noites sem dormir, e a única a cuidar de um bebê cujos dentes estão apontando. Longas noites insones, revirando-se na cama estreita com o pensa­mento em Mamoru, com todo o seu corpo e sua alma sentindo a falta dele. Sem contar o esforço em se mostrar alegre diante do bebê e de Motoki. Tudo isso es­tava acabando com ela.

Jurando se reerguer, encarar os acontecimentos e contabilizar suas muitas bênçãos, ela enxugou as lá­grimas com papel toalha e ouviu uma voz profunda e aveludada perguntar,

— Por que você está chorando? Motoki está maltra­tando você? Se for o caso eu...

O sinal de perigo foi como um alarme chamando-a. Virando-se rapidamente, com o coração disparado, armou o que esperava ser um incrível sorriso e falou com a voz firme.

— Claro que não! Motoki está sendo absolutamente maravilhoso. Ele não maltrataria uma mosca!

E vendo seu caminho bloqueado por um homem tão espetacular e bronzeado, seus sentidos foram sub­jugados. Ela precisava passar por cima disso, então perguntou:

— E você? Conseguiu o que queria? Como vai Béryl?

A pergunta a mortificava, mas ela precisava saber. Depois da conversa com a noiva que ele rejeitara, ela ficou sabendo que suas próprias esperanças de uma felicidade futura com esse homem estavam acabadas.

— Ela perdoou você?

— Você está falando por meio de charadas! Mas quanto ao assunto Béryl, existem algumas coisas que eu quero lhe dizer. Venha. Essa cozinha não é um lugar muito agradável para nós conversarmos. Eu te­nho uma desculpa atrasada a pedir.

Sobre o quê, perguntou-se Usagi ao avançar al­guns passos em direção a ele. Mesmo que seu com­portamento moral fosse duvidoso, ele estava sendo justo. Oferecera-se para casar com ela, havia até mes­mo rompido o longo noivado com sua noiva da alta sociedade quando achou que ela fosse mudar de idéia e agarrar a oferta de casamento. E, quando pela se­gunda vez ela recusou a oferta, ele decidiu dar a ela uma fabulosa soma em dinheiro. Ele já desistira da idéia de ficar o tempo todo junto ao filho dele. Mere­cia um crédito por isso.

Ele não a tocou quando ela passou por ele no cor­redor. Embora cada centímetro do corpo dela dese­jasse com ardor que ele a tocasse. Só uma última vez. Ela estava parecendo uma viciada, necessitando de uma dose e alheia ao perigo. Ele provocava esse efei­to nela. Sempre fora assim. Intoxicava cada um dos seus sentidos deixando-a clamar de desejo por ele. Estar consciente da presença dele era uma tortura ab­soluta. Corou quando, com um gesto, ele apontou o sofá.

Aquelas feições belas e dramáticas nunca parece­ram tão austeras, e a voz macia e aveludada, nunca fora tão abrasiva ao declarar.

— Por pequenas coisas que foram ditas, pedaços desconexos de informação, eu comecei a suspeitar de que a havia julgado mal no episódio do roubo.

— Bravo!

A ironia de Usagi beirava a apatia. Como ela ansia­ra por ouvir essas palavras. Como desejara que ele ti­vesse dado o menor indício de acreditar nela. Mas isso era passado, Agora não importava nem um pouco.

Mamoru trincou os dentes. Achou ter merecido essa ironia. Isso e muito mais como castigo. Viu quando ela afastou uma mecha de seu glorioso cabelo louro do rosto, e odiou-se por ter acreditado na acusação de roubo.

— Eu precisava confirmar minhas suspeitas antes de falar com você. Trabalho com fatos e não com suposições. Lembra daquela manhã na qual eu parti cedo para ir a Florença?

Usagi comprimiu os lábios e se recusou a responder! Claro que ela lembrava! Como poderia? Fora tão tolamente feliz acreditando que poderiam fazer o casamento dar certo! Ela não queria lembrar. Mas como conseguiria esquecer? Ela torceu as mãos em seu colo e olhou estupidificada.

— Posso considerar que lembra, não é mesmo? Estava sendo muito mais difícil do que ele imaginara.

— Confrontei os dados, e pressionei Béryl, que confessou ter instruído a empregada particular dela a colocar a gargantilha de diamante na sua mala.

Ele sabia que devia uma desculpa a Usagi, mas não conseguia falar claramente. Seria uma desculpa truncada.

Ele não devia ter vindo. Precisava ir embora dali naquele mesmo momento. Não fora uma boa idéia estar ali sozinho com ela, pois a amava mais do que acreditava ser possível. Estar ali deixava o seu controle físico e mental fora dos limites.

Era a Motoki que ela queria. Não a ele, lembrou-se com veemência,

— Sinto profundamente ter duvidado de você.

Ele colocou a caneta novamente nas mãos dela e estendeu o documento.

Imediatamente ela deixou a caneta cair sobre a mesinha. Mamoru suspirou. Sua mínima desculpa não fora o suficiente. Ele lhe devia muito mais do que isso. Consciente disso ele continuou com a voz monótona.

— Minha única defesa, como eu já disse, é que eu sempre trabalho com fatos, esse é o modo como a minha mente funciona. Acho que é o banqueiro dentro de mim!

Sua frágil tentativa de humor não impressionou. Ele respirou fundo e prosseguiu.

— Quando Béryl fez as primeiras acusações eu me recusei a acreditar numa palavra. Quando a jóia foi descoberta dentro da sua mala, eu continuei me recusando a acreditar. Mas era um fato. Não podia fingir que era qualquer coisa diferente. E, erroneamente, quando a prova foi apresentada, traduzi o seu silêncio como culpa. Agora eu entendo que você estava em estado de choque.

Uma fúria, tão inesperada quanto violenta, possuiu Usagi por inteiro.

— Então uma desculpa esfarrapada por algo imperdoável faz tudo ficar certo, não é?

Usagi torcia as mãos ao vociferar, como se tivesse a intenção de quebrar seus dedos.

— Eu não conhecia aquela canalha e ela não me conhecia. E ainda assim ela me pôs para fora da casa da sua irmã. Humilhada, em desgraça. E você fez questão de me colocar na lista negra da agência! E você...

Os olhos de Usagi se encheram de lágrimas.

— E você ainda quer se casar com tal criatura mes­mo sabendo do que ela é capaz de fazer! Bem, eu es­pero que vocês sejam muito felizes!

E ela explodiu em soluços.

Sentiu então suas mãos serem carinhosamente se­paradas e escutou Mamoru com a voz rouca.

— Por favor, não chore.

— Posso chorar se eu quiser! — lamentou com fú­ria infantil. Cansada de ser mártir ela se pôs a gritar. — Ela é perigosa e impiedosa, mas é de alta linha­gem, tem rios de dinheiro, e é adequada para as altas rodas sociais. É por isso que você quer se casar com ela! Você não a ama, somente deseja aquilo que ela representa. Se você a amasse não sairia por aí dor­mindo com a gostosinha mais acessível! E eu real­mente não sei como ainda posso amar um verme desses!

Na mesma hora Usagi tapou a boca com as mãos. As faces ficaram mais vermelhas do que gostaria. Ela desejou poder engolir as palavras de volta. Horrori­zada, contraiu-se silenciosa. E sentiu que as mãos dele acalmavam as suas e, com uma voz suave e rou­ca, ele comandou:

— Diga isso novamente.