CAPÍTULO 12
A face de Usagi queimava de humilhação. Desejou que o chão se abrisse e que ela fosse engolida. O que ela fora dizer? Por Deus, o que a havia possuído? Deve ter sido o excesso de emoções cruéis, concluiu paralisada. Sentia-se atravessada por aqueles olhos negros. Estava vulnerável e sentindo-se completamente idiota.
— Esqueça...
Era uma resposta patética, mas foi tudo o que conseguiu balbuciar no momento. De algum modo ela precisava impedir aquela linha de questionamentos. De algum modo!
Levantando-se para evitar aquele olhar ela pensou numa saída.
— Gostaria de tomar um café enquanto você espera? Ou também pode ir e voltar mais tarde quando Mamo tiver acordado, e...
— Tal qual um elefante, eu nunca esqueço.
Duas mãos firmes a puxaram pela cintura e a colocaram novamente no sofá. Tão perto dele que ela achou que não fosse suportar. O coração disparou e ela sabia que estava vermelha como uma reação instintiva àquele homem era desencadeada.
Precisava dizer alguma coisa que explicasse suas revelações. Qualquer coisa! Que tal, estava só brincando?Funcionaria? Mas sua boca estava ressecada, a respiração desordenada. Tentou umedecer os lábios com a ponta da língua e arriscou um olhar entre as mechas de cabelo que cobriam seu rosto.
Ele a olhava como se ela tivesse acabado de lhe dar um tapa no rosto. Magoado, e definitivamente raivoso. Ou seria desgostoso? Era claro que ele não tinha recebido bem a confissão explosiva dela.
Nos momentos mágicos na ilha, quando ela se apaixonara por ele da primeira vez, haviam trocado juras de amor. Era óbvio que ele havia feito isso como parte de um jogo, obedecendo ao instinto de luxúria animal, ele deve ter feito isso dúzias de vezes em sua vida privilegiada e sofisticada. Sem dúvida, pensou que também ela jogava o mesmo jogo e que conhecia as regras. Agora suas palavras tolas o haviam alertado para o fato de que ela fora sincera. E ainda o amava, apesar de tudo o que acontecera.
Como um sofisticado membro da nata da sociedade italiana ele pensaria que ela era exatamente aquilo mesmo que era. Uma tola inexperiente cujo habitat natural era uma terra enevoada! Oh, porque fora soltar a língua e complicar um relacionamento já tão preocupante?
— O que você está tentando fazer, Usagi?
Ele deixou as mãos caírem. Será que ela estava deliberadamente tentando magoá-lo? Havia rejeitado a sua proposta e optado por retornar a Londres para viver com o amante inglês dela. E agora mudava de idéia e o atormentava, falando de amor?
— Eu quero uma resposta.
Qualquer resposta jocosa estava fora de cogitação. As feições de Mamoru estavam austeras, mas os olhos tinham uma inusitada aparência frágil. E uma angústia apoderou-se dela quando ele observou o óbvio.
— Você escolheu me deixar e voltar para o seu amante. E agora me diz tudo aquilo que eu estava louco de vontade de ouvir esse tempo todo! Está querendo me fazer pagar pelos erros que eu cometi?
Louco de vontade de ouvir? Impossível! As feições expressivas de Usagi se anuviaram.
— Motoki não é meu amante e nem nunca foi. Apenas por ter um coração muito bom ele me abrigou. Mamo e eu não tínhamos nenhum outro lugar para ir. Eu o conheço desde os sete anos de idade. Ele é irmão da minha melhor amiga. E por que motivo você queria me ouvir dizer que te amo? Para inflar o seu ego? Não acho que isso seja necessário, não concorda? Já é seis vezes maior do que esse prédio.
Desconsiderando o insulto, Mamoru passeou com os olhos pela figura indignada de Usagi, vestida numa camisa xadrez e uma velha calça jeans. Sentiu uma fisgada ao recordar que ela deixara para trás todas as roupas que ele lhe dera. Ela não queria lembranças dele.
— Neste caso, porque você aceitou participar daquela longa e confortável conversa quando me acreditava ausente?
Mamoru endureceu as feições ao lembrar que foi exatamente nesse momento que todas as suas esperanças ruíram.
— Uma conversa que incluía os seus protestos de que eu era o pai de seu filho e você não teve escolha a não ser concordar com minhas exigências, mas que faria com que tudo se acertasse bem. Para ele. Sabe como eu me senti? Com dois centímetros de altura!
A ponto de gritar Usagi desviou a cabeça. Tudo parecia estar fora de esquadro. Em vista do que escutara da noiva rejeitada dele, nada fazia sentido. Ela quis entender.
— Por quê?
— E por qual motivo você acha que foi?
Mamoru olhou-a com desprezo e se levantou num salto. Andando pelo ambiente pouco mobiliado, ele se deparou com uma janela, e uma visão desanimado-ra de uma fileira de latas de lixo.
— Eu detesto recordar mas de fato eu não lhe dei outra opção a não ser dançar conforme a minha música. Desde o início do nosso reencontro, mesmo acreditando que você tivesse roubado a jóia, eu me predispus a casar com você. Por causa do nosso filho. E por minha causa também. Estava louco por você. Para ser inteiramente honesto, eu ainda sou apaixonado por você. Só que naquela ocasião eu não admiti isso nem para mim mesmo.
Ele enfiou as mãos nos bolsos de sua calça preta bem cortada e ficou de costas para ela, aparentemente apreciando a vista ordinária.
— Aquela conversa ao telefone, pelo menos a parte que eu ouvi, me fez ver o quanto estava sendo injusto. Então, optei pela única coisa que poderia ter feito. Ofereci a você a liberdade de casar comigo ou voltar para ele. Amando você, eu quis, e ainda quero, que você seja feliz.
Usagi precisou lutar contra a tontura que lhe acometeu. Pressionou os dedos contra a testa tentando acalmar a massa informe de pensamentos. E se ergueu. Atravessou a sala se colocando entre a janela e Mamoru. Ela não estivera ouvindo coisas, afirmou a si mesma. Ela escutara ele dizer que a amava. Mas ela não estava entendendo. Estava ficando louca!
Ele parecia tão distante. Claro que ele não iria se expor! Atitude tipicamente masculina! Como ele podia soltar uma bomba inesperada e então, ao estilo superior masculino, decidir que não devia a ela qualquer outra explicação!
— Motoki somente ligou para saber se eu estava bem. Eu havia prometido manter contato, mas esqueci. E ele estava sendo duramente repreendido, pelos pais e pela minha amiga, irmã dele, por permitir que você me levasse no que eles qualificaram como rapto! Portanto, eu estava tentando acalmá-lo prometendo contatar os pais dele e acertar tudo para o bem dele. E por causa de meia dúzia de palavras ouvidas ao acaso você decidiu dar sua ordem de retirada a mim e a Mamo!
Mamoru deu um passo atrás. Pois estando tão perto dela corria o risco de perder o autocontrole.
— Eu não dei ordem de retirada. Eu pedi você em casamento. Você preferiu me dispensar.
Uma resposta finalmente! Mas completamente frustrante. Usagi queria sacudi-lo! Aproximando-se, o peito em estado de agitação profunda, ela despejou uma torrente de palavras.
— E eu tinha outra opção, tinha? Eu acabara de ouvir a adorável Béryl encher os meus ouvidos, me acusando pelo rompimento do seu belo e longo noivado que ocorrera somente naquela manha. Que você e ela formavam um casal perfeito. Mas você sentia que era seu dever casar comigo porque eu tinha um filho seu!
Usagi procurou respirar pois achava que ia perder seu fôlego todo de uma vez, e cair em profunda tristeza. Porque embora ele tivesse dito que a amava, obviamente não estava interessado em desatar os cordões emaranhados desse eterno e confuso triângulo.
— Ela deixou óbvio que eu estava bloqueando o caminho da sua futura felicidade com sua tão perfeita parceira de vida. Então, o que mais eu podia fazer?
Mamoru sentiu um estalo no cérebro. O coração criou asas. A cabeça de sua amada estava baixa agora, e uma única lágrima prateada descia pela face rosada até o canto daquela boca sensual e trêmula. Tirando vantagem imediata de seu estado altamente emocional, ele a agarrou nos braços e, com uma das mãos, aninhou a cabeça de Usagi contra seu peito, cujo coração batia acelerado.
— Esqueça Béryl. Tire ela da cabeça. Você é a única mulher que eu amei verdadeiramente. Creia-me.
O coração de Usagi deu um pulo. Ela queria acreditar nele com um desespero assustador. Queria se estreitar cada vez mais perto daquele corpo másculo, para se sentir amparada, para se sentir segura.
Mas o receio de se magoar novamente a fez murmurar junto ao terno bem cortado.
— Como posso acreditar em você, se há apenas algumas semanas estava planejando se casar com ela? Você esteve noivo de Béryl desde que nasceu!
— Praticamente — concordou Mamoru divertido, e estreitando mais aquele corpo gracioso junto a si. Ele não a deixaria escapar novamente. Não enquanto ambos estivessem respirando. Para afirmar suas intenções, inclinou a cabeça de Usagi para trás e, faminto, encontrou sua boca. E ela, mandando às favas qualquer instinto de auto-preservação, derreteu-se naquele beijo, correspondendo com exuberante paixão.
Numa pequena pausa, Mamoru disse tremendo:
— Agora negue que você me ama.
Ela meneou a cabeça, os lábios deixados em brasa pelos beijos dele, o corpo querendo mais.
— Não posso, amo você desde... desde quando estávamos na ilha.
Os olhos deles brilharam triunfantes.
— Eu também. Venha, preciso esclarecer alguns equívocos antes de levar você de volta para a nossa casa, na Itália. Porque, meu único amor, quer você concorde, ou não em ser minha esposa, eu nunca mais vou perder você de vista.
Ele a tomou pelas duas mãos e a levou ao sofá, liberando-a com um sorriso maroto.
— Se estivermos nos tocando, não me responsabilizo pelos meus atos.
Usagi o desejou ainda mais, seus olhos enevoados sentiram tanta necessidade dele.
— Não me olhe assim! Eu vou acabar esquecendo meu próprio nome, além de esquecer o que eu tenho para lhe dizer nesse momento.
— O que é?
Usagi sorria. Jamais se sentira tão segura de si, de seus encantos femininos.
Sentando-se no canto mais longe do sofá, Mamoru disse:
— Você tem razão. Fui prometido a Béryl di Metália mal tinha saído da adolescência. Um acordo entre as duas famílias. Altamente vantajoso para ambas as partes. É o que acontece nos círculos aos quais pertencemos. Não nos amávamos, mas era um acordo altamente conveniente. E nenhum de nós dois teve a menor pressa de marcar a data do casamento.
Sustentando o olhar brilhante em Usagi, Mamoru jurou:
— Mesmo antes de eu me apaixonar por você, eu já tinha decidido que na minha volta a Florença iria terminar o noivado. Sabia que para ser digno eu deveria fazer isso pessoalmente. Desconsiderando o desejo de nossas famílias, eu acabara de descobrir que o casamento deveria ser algo bem maior do que a junção de duas fortunas. E assim, eu me apaixonei por você, e pela primeira vez na vida, compreendi o significado do amor. Mas nosso encontro acabou acarretando um atraso na minha volta a Florença. Na primeira oportunidade que eu tive, na noite da festa de aniversário de Rei, eu declarei a Béryl que o noivado estava rompido. Confessei que estava apaixonado por você, que era a minha vida. Ela tentou me dissuadir. Eu não sabia que, já naquela época, o pai dela estava com dificuldades financeiras. Quando finalmente consegui me livrar dela, procurei por você. Rei me disse que você havia se retirado, com dor de cabeça.
— Béryl havia me dito que você e ela iriam se casar muito em breve. A sua irmã confirmou. Eu entrei em estado de choque. Nunca me senti tão ferida, tão traída.
Com a face pálida ela estremeceu com essas memórias. Mamoru avançou para perto dela, abraçando-a e pedindo em tom de súplica.
— Será que um dia você vai me perdoar por tudo o que aconteceu? Vai tentar? Béryl agiu de forma diabólica. Dando-se conta de que nenhum de seus argumentos poderia me demover, ela decidiu manchar sua imagem aos meus olhos, bradando que você era uma ladra. E para minha vergonha, eu acreditei na evidência. Você estava em estado de choque. Eu não fazia idéia, naquele momento, que lhe tivessem contado sobre meu noivado. E os dois choques sucessivos deixaram você sem fala. Incapaz de se defender. Eu sou tão culpado quanto ela!
Impedindo de fluir seu desejo de dizer que o perdoava de tudo e qualquer coisa Usagi perguntou:
-— E você, reatou o noivado?
— Sim.
Ele parecia devastado.
— Eu estava perplexo! Naquele momento horrível, tanto quanto eu soubesse, a mulher que eu amava, como jamais amara alguém em toda a minha vida, havia se transformado numa pequena ladra. Ela nunca me amou, pensei, apenas via o que poderia conseguir de mim.
Era evidente a angústia de Mamoru.
— Por favor minha querida, tente entender. Eu verdadeiramente tencionava trazer você a Londres e lhe propor casamento. Não havia contado nada a você. Ansiava por isso, mas acreditei ser meu dever romper o noivado com Béryl antes de expor as minhas intenções. Por essa razão, eu pensei, de forma imperdoável, que como eu não tinha dado sinal algum de recompensar você pelos serviços prestados na ilha, você decidiu então se servir da parte que julgava que lhe era devida. Depois disso, cedi aos desejos alheios. Estava confuso quanto ao meu futuro. Atirei-me ao trabalho na esperança de excluir tudo o mais. E depois eu a reencontrei em Londres. Com o nosso filho.
Usagi acariciou as linhas da face de Mamoru com as pontas de seus dedos.
— Você me assustou. Achei que moveria céus e terras para tirar Mamo de mim. Você ainda pensava que eu era uma ladra, e eu acreditava que você fora responsável por me colocar na lista negra.
— Foi Béryl a responsável. Contra a minha vontade. E eu jamais iria separar você do nosso filho. Vocês precisam um do outro. Mas também eu precisava de você, e ameaçar foi tudo o que pude pensar para manter você comigo.
— Não se culpe por isso. Estou contente por ter agido assim.
Como para selar sua declaração Usagi aproximou seus lábios num beijo leve.
A resposta de Mamoru foi imediata, sua boca comportou-se de modo devorador, tomava os lábios de Usagi com os seus de modo provocante, despertando um instinto selvagem. Passou-se um longo tempo até que Usagi se deu conta de estar recostada nas almofadas desejando mais e mais.
— Estou perdendo todo o controle. Mas eu quero que, da próxima vez que fizermos amor, seja perfeito para nós dois. Não nesse lugar. Não com um bebê faminto que pode acordar a qualquer momento e nos desconcentrar.
E então, com um sorriso charmoso, e afastando as mechas de cabelo do rosto de Usagi, confidenciou:
— Se você se lembrar, na mesma hora em que chegamos à mansão, eu deixei você lá e parti. Estava com pressa de terminar o meu relacionamento com Béryl de uma vez por todas, e para contar a minha mãe e a minha irmã que eu tinha um lindo filho e iria me casar com a linda mãe dele. Parece que Béryl levou você a creditar que eu só rompi o noivado na segunda vez em que eu fui visitá-la. Não é verdade. Eu já suspeitava de que ela estava por trás do assim chamado roubo, por motivos mercenários particulares. Fui confrontá-la. O pai dela está tendo sua falência decretada. Ia acontecer algum dia ao que parece. Ela estava desesperada para manter o acordo comigo, assegurar sua fortuna através da minha riqueza, em conseqüência preparou a armadilha para manchar o seu caráter.
Os olhos de Mamoru crivaram os de Usagi.
— Minhas suspeitas foram confirmadas. E eu voltei para você. Estava desesperado para me ajoelhar diante de você e te pedir perdão, pedir você novamente em casamento, implorar para que tentasse me amar como eu a amava. Mas Béryl, mesmo sabendo que não haveria chance de reatarmos, teve de colocar seu veneno. Eu devia ter esperado. Eu a fiz confessar seu comportamento maldoso, e eu disse a ela exatamente tudo o que pensava a esse respeito. Ela deve ter pensado que, se ela não iria usufruir da minha riqueza, então a mulher que eu amava também não seria feliz.
Ele engoliu em seco, sustentando o olhar.
— Você vai se casar comigo?
Reprimindo o impulso de dizer, Tente o seu melhor para me convencer! ela envolveu o pescoço dele em seus braços.
— Sim, por favor. Amanhã. Hoje. Nesse minuto! Assim comovidos, escutaram Motoki colocar a chave na porta.
Usagi permaneceu imóvel enquanto seu amigo irrompia dentro do apartamento.
— Você está bem, Usagi? Saí mais cedo do trabalho para ver se aquele homem estava aqui...
Ele se calou ao ver Mamoru se levantar. Por um momento os dois homens se encararam. Usagi receou algum tipo de confronto no qual o pobre Motoki não teria chance alguma. Então Mamoru abriu um sorriso.
— Obrigado por tomar conta de Usagi para mim. Ela me contou o quanto você tem sido bondoso. Usagi, você tem algo a dizer ao seu amigo, não é mesmo?
Com a face radiante Usagi se levantou, encostando-se junto a Mamoru.
— Sim, nós vamos nos casar... — E olhou para o homem que adorava. E ele falou por ela.
— Em quatro semanas. Eu gostaria que fosse mais cedo, mas para realizar o casamento que o amor da minha vida merece, é preciso um pouco de tempo. Nós ficaremos muito felizes se, como um dos mais antigos amigos de Usagi, você puder comparecer. Você é parte da verdadeira família de Usagi.
— E Lita e o marido, se puderem vir do Canadá. E seus pais, é claro!
Usagi transparecia euforia. E ficou aliviada quando viu Motoki abrir um grande sorriso, tirar o casaco e estender a mão a Mamoru.
— Meus cumprimentos! Acho que eu passei boa parte da minha vida cuidando da minha irmãzinha e de Usagi. Lita está bem casada, e agora é Usagi que você tira das minhas mãos!
— Então nesse caso você está feliz de me ver pelas costas — brincou Usagi sorrindo.
— Pode apostar! E agora, quem quer um sanduíche? Eu estou faminto. Temos carne assada e... carne assada!
Sem esperar resposta ele foi até a cozinha. Usagi voltou-se.
— Eu estou tão feliz que poderia explodir feito um balão. Você vai me amar para sempre? Diga quanto?
Mamoru olhou-a com adoração.
— Mais do que a minha própria vida. Escute, está ouvindo algo?
— É nosso filho que está acordando. Venha. Ele está sentindo a sua falta.
O menino sorriu quando viu seus pais se debruçarem no berço.
— Ele já tem outro dente!
Mamoru falou aquilo como se fosse a mais recente descoberta do planeta. Ele pegou o menino e suspendeu-o no ar. Antes de passá-lo a Usagi deu carinhosamente dois beijinhos, um em cada face da criança.
— Minha família. Eu sou o homem mais sortudo do universo!
Quatro semanas depois
Foi um casamento perfeito. Mamoru dava a mão a Usagi ajudando-a com os metros de seda creme a entrar no carro para voltarem a mansão.
— Você está tão linda, não posso tirar os olhos de você!
Ele retirou o véu que cobria a face de Usagi e a beijou delicadamente. Usagi sentiu os seus seios forçarem o tecido do corpete.
— Se você não parar de me beijar, vamos passar vergonha em público!
Finalmente, foram para a mansão, onde iriam receber os cumprimentos, risadas e votos de felicidade dos convidados. Usagi olhou Mamo de relance. Vestindo uma miniatura de terno de marinheiro, parecia inteiramente encantador nos braços da avó coruja.
— Você está certo. Ele não vai sentir a nossa falta, só por uma noite especial — admitiu Usagi.
— É claro! E eu não estou sempre certo? Todo mundo o adora. E Minette irá assegurar para que ele não seja mimado demais. Na semana que vem, estaremos embarcando para a nossa lua-de-mel na minha mansão na costa amalfitana. Minette tomará conta de Mamo quando nós quisermos ficar a sós. E esta noite, minha querida, será somente nossa.
Usagi relaxou na confortável poltrona de couro do automóvel. Sua mente passou em revista as últimas quatro semanas. Fora uma agitação febril.
Rei a recebera com beijos e abraços.
— Estou muito contente que aquele horrível equívoco tenha sido esclarecido. Oh, que mulher horrorosa e diabólica. Poderia estrangulá-la sorrindo! Sabia do compromisso mas nunca gostei da idéia. Ela teria acabado com Mamoru. Mas agora não vamos mais falar dela e vamos nos concentrar em como você fará Mamoru feliz. Posso lhe jurar, que depois daquela terrível circunstância, ele ficou arrasado, e só pensava em trabalho.
Rei tinha hospedado todo o contingente inglês dos convidados por todo o período do casamento.
Encontrar a mãe de Mamoru pela primeira vez fora assustador. Mas ela a cumprimentara de modo tão caloroso, e exigiu ser tratada de mãe por Usagi. A senhora caiu de amores por Mamo e contou que ele era o retrato de Mamoru quando criança.
Escolher o vestido e preparar a recepção que Rei decidira deveria ser apropriada à realeza, mas deixara pouco tempo para sentir saudades de Mamoru. As semanas passaram-se voando e Usagi foi acordada de seu devaneio quando Mamoru desligou o motor.
— Estamos em casa.
Olhando a bela mansão e o sol se pondo nas colinas toscanas, Usagi percebeu que seus olhos estavam úmidos de pura felicidade. Ela os deixou fechados enquanto Mamoru a ajudava a sair do carro e a erguia em seus braços. Ela os abriu novamente quando foi colocada de pé no salão da entrada, e deixou escapar um gritinho de surpresa.
No centro do salão, estava o carrinho de bebê presenteado pela sra. Hopkins. Parecia ter sido feito na véspera. A carroceria brilhava, os aros cromados reluziam e havia uma luxuosa coberta branca no interior.
— Para você, minha querida esposa — murmurou Mamoru.
As mãos dele seguravam a cintura de Usagi e ele procurou seus lábios para saciarem seu desejo.
— Nosso filho já está muito grande para precisar desse carrinho. Mas algum dia, outro bebezinho poderá se divertir nesse modelo de luxo, o que acha?
O coração de Usagi cresceu em seu peito. Ela abraçou o pescoço dele, e disse com a voz macia, olhando bem dentro dos olhos negros:
— Ao menos mais dois bebês irão se divertir aí dentro. Acho que poderemos começar a providenciar agora mesmo.
Com um sorriso masculino de aprovação Mamoru a tomou novamente nos braços.
— Essa é a melhor idéia que eu já ouvi em toda a minha vida.
E carregou-a nos braços subindo a longa escadaria.
FIM
