NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPÍTULO DOIS

Hinata se encolheu no sofá da sala de estar da suíte de dois quartos que dividia com Gaara, fingindo assistir a um velho filme de Audrey Hepburn. Mas ela estava mes mo é pensando em Gaara.

Certa vez ele lhe contou que, se sua família soubes se como viajava, isso magoaria sua mãe, a rainha. Em seguida, Gaara riu diante da idéia de que algo pudesse acontecer entre ele e a secretária, como se fosse algo en graçado demais.

E era?

Hinata perguntara o que ele considerava uma mulher atraente, mas Gaara recorrera a suas ex-namoradas, mes mo depois de concordar que ficara plenamente satisfeito com a mulher que seu pai escolhera para ser sua esposa. Todas as ex-namoradas de Gaara tinham um corpo prati camente perfeito. Ele saíra com modelos, mas geralmen te se sentia atraído por mulheres do seu círculo social, que se vestiam como se estivessem posando para a capa de uma revista de moda, mesmo que não estivessem. E princesa Lina. Ela era uma Vênus em miniatura, se houvesse tal coisa. Hinata passou a mão sobre seus seios pequeninos, franzindo a testa.

Se ela estava destinada a ser tão alta quanto muitos homens, porque não tinha também um corpo voluptuoso para combinar com a altura? Hinata era magra demais, sem curva alguma em seu corpo. Abraçada à almofada do sofá, ela ficou séria. Gaara não dissera nada sobre personalidade e compatibilidade, a não ser no que diz respeito a sexo. Será que ele era mesmo fútil assim?

Hinata sabia que não. Mas então por que Gaara estava querendo se casar com uma mulher que tinha tão pouco a oferecer, apenas a beleza e a habilidade para ser sim pática durante eventos sociais? Ele merecia mais do que isso. Sua alma apaixonada precisava de mais, mesmo que Gaara se recusasse a perceber isso.

Deve ser porque, muito novo, ele perdeu Matsuri. Gaara certa vez lhe contara que a dor o fizera sentir coi sas que jamais queria sentir novamente. Os homens da família real de Zorha odiavam qualquer coisa semelhan te à fraqueza. E talvez Gaara odiasse até mais do que os outros, porque era o mais jovem e sentia que tinha de provar algo.

Deve ser difícil crescer como um macho dominante em meio a dois irmãos com personalidades igualmente fortes. Mesmo agora Hinata o via freqüentemente se irritar com esta realidade. Mas se resignar? Isso não era certo.

A penúltima coisa que Hinata poderia querer era vê-lo se apaixonar por outra mulher. A última coisa era vê-lo casa do com uma mulher que jamais amaria. Por mais irritada que estivesse Hinata não podia evitar o desejo de querer ajudá-lo a ser feliz.

Gaara não acabaria daquele jeito, casado com uma mulher bela, mas de cabeça oca, que não tinha nada em comum com ele, a não ser a capacidade de viajar pelo mundo e de agradá-lo na cama.

Hinata apertou ainda mais a almofada, sentindo-se mais solitária do que quando conhecera Gaara. Desde que entrara pela primeira vez naquele escritório, aos 20 anos, para ser entrevistada para o cargo de secretária pessoal do sheik, Gaara mudara a vida dela. Ele a preenchera com luz, afeto e música.

Aquele desconforto social que geralmente a assolava não a atingia quando Hinata estava perto dele. Era como se, na sombra, interpretando o papel de secretária, ela fizesse parte do mundo de Gaara. Ele não tinha por que ser tímido ou inseguro. Agindo em nome dele, Hinata também pensa va que não tinha por que ser tímida e insegura. No escritó rio, ela sempre se sentiu como se estivesse em casa.

Hinata também se apaixonara pelo chefe de imedia to, por mais que não tivesse percebido isso. Claro, tudo começara como a típica atração pelo príncipe rico e lin do. Mas mesmo quando se sentia simplesmente atraída por Gaara, Hinata era ingênua demais para se dar conta. O sheik, por sua vez, mostrou-lhe rapidamente que era mais do que um homem rico e bonito.

Ele se preocupava com a família e com o povo de Zorha. Ele se preocupava com o povo de sua pátria ado tiva, doando mais para a caridade do que a maioria dos empresários sonhava que fosse possível. Gaara também era bom para as crianças e os idosos. Por mais que isso parecesse um clichê, era verdade. Sem falar que Gaara era paciente e generoso com sua secretária pessoal. Mas não paciente e generoso o bastante para pensar nela como sua esposa.

Por um momento, Hinata chegou a pensar que isso fosse possível.

Afinal, ele não deixara claro que não esperava e nem mesmo queria amar sua futura esposa? Até mes mo a idéia de que a esposa deveria ser capaz de tran sitar em mundos diferentes combinava com Hinata. Ela passara boa parte de sua vida, antes de trabalhar para Gaara, escondendo ou mantendo-se calada em qualquer evento social que envolvesse mais de duas pessoas, mas descobriu seu lugar ao lado de Gaara e aprendeu a agir como secretária em qualquer ocasião ou na companhia de quem quer que fosse.

Ela poderia fazer o mesmo como esposa dele, não?

Ah, claro, ela riu de si mesma. Hinata Hyuuga, futura princesa. Ela podia até imaginar. Não.

Ignorando o suor em seu rosto, Hinata reviveu aque le momento na limusine quando percebeu que jamais poderia se candidatar ao posto que Gaara queria. Desde aquele momento, no entanto, Hinata acalentara fanta sias loucas e proibidas. Só mesmo quando Gaara lhe disse que queria se sentir atraído por sua noiva, de modo que seu juramento de fidelidade não se tornasse um castigo. Se havia uma coisa da qual Hinata tinha certeza absoluta era de que seu chefe não a desejava sexualmente.

Era como se ela tivesse sido golpeada pela realida de, com os sonhos caídos pelo chão, deixando-a sozinha com seu já ferido coração.

Sentada, incapaz de dormir, Hinata pensava no que o futuro lhe reservava. Dor. Sim. Não havia como escapar disso. O homem que ela amava se casaria com outra mulher. E se ela o amasse mesmo, iria ajudá-lo a encontrar esta mulher.

Por quê?

Porque era a única chance que Hinata tinha de garantir que Gaara seria feliz. Se continuasse a se recusar a aju dá-lo, ele acabaria casando com uma beldade qualquer, pensando que aquilo era exatamente o que ele queria, porque não colocava seu coração em risco.

Hinata não era boba. Pelo menos não totalmente. Ela sabia que Gaara estava evitando qualquer risco de de monstrar fraqueza, como fizera aos 18 anos. Ele não queria se machucar, e Hinata entendia isso. O que Gaara não entendia era que a solidão dentro deste casamento iria sugar todo o afeto de seu coração até que ele se tor nasse o homem frio que pensava que queria ser.

Ela não podia suportar a idéia de uma coisa assim acontecendo a Gaara. O único modo de ajudá-lo era en contrar uma esposa para este casamento por conveniên cia, mas que tivesse o potencial de ser algo mais.

Se seu coração agüentasse até o final deste processo, Hinata sobreviveria... De algum jeito.

Gaara sentou-se para o café da manhã que Hinata pe dira. Ela tinha olheiras e sua pele parecia ainda mais pá lida que o normal.

Ele franziu a testa, falando com uma voz preocu pada.

— Você parece cansada. Não dormiu bem? Você está doente?

— Não estou doente, mas não dormi muito.

— Por causa do que eu lhe pedi?

— Sim.

— Se isso a incomoda tanto, retiro meu pedido. — Gaara não queria que Hinata deixasse de dormir por causa disso. Ela trabalhava duro demais e tinha uma vida fora do emprego, do mesmo modo que Gaara tinha uma vida fora do mundo dos negócios.

— Não será preciso.

— Como assim?

— Eu decidi aceitar a responsabilidade.

— Mas se isso a deixar assim... —Gaara segurou as palavras, mas, apontando para a secretária, não dei xou dúvidas sobre o que estava falando. — Você está péssima.

Ela deu um risinho.

— Muito obrigada, Gaara.

— Não é hora para falsa modéstia. Você tem certeza de que não está doente?

— Certeza. Assim como estou certa de que quero lhe ajudar a encontrar uma esposa.

Gaara sentiu um golpe qualquer, mas o ignorou.

— Isso é um alívio.

Ela sorriu novamente, um sorriso sincero.

— Fico feliz.

— Obrigado. Mas não quero que você fique doente por causa disso. Diga-me se for demais.

Hinata deu uma gargalhada.

— Certo. Como se você não fosse exigir uma lista em 24 horas.

— Não sou tão impaciente assim.

— Sim, é. — Mas havia graça, e não irritação, na voz dela.

Sentindo-se extremamente grato, Gaara se levantou e foi até o outro lado da mesa para abraçá-la, algo raro.

A princípio, Hinata ficou dura, surpresa com o abra ço, mas depois relaxou, agarrando-se a Gaara. Aquele calor feminino de encontro a ele o deixou inegavel mente excitado.

Mas Gaara não a soltou.

E Hinata não se afastou.

Ele abaixou a cabeça para sentir melhor o perfume de Hinata.

— Você cheira a canela — disse Gaara, de encontro ao cabelo azulado liso dela. — E jasmim. —Aquele perfume lhe despertava memórias de casa.

— Sua mãe me deu sabonetes e produtos para o cabe lo artesanais. — Hinata tinha o rosto escondido no pesco ço dele, e sua voz soava como um sussurro rouco.

Gaara levantou a cabeça e, com a ponta dos dedos, ergueu o queixo de Hinata, até que seus olhos se en contrassem.

— Minha mãe lhe deu coisas?

— Sim. Desde a nossa primeira viagem a Zorha, quando eu disse a ela que adorava os sabonetes e xampus disponíveis nos banheiros do palácio.

— Ela gosta de você. — Gaara se perguntava por que não percebera isso antes. Talvez porque achasse que ou tros homens gostariam dela. E não havia nada em Hinata que se pudesse desgostar. Ela podia ser tímida e teimosa, mas não era insuportável.

— Eu também gosto dela.

Por que Gaara não a soltava? Aquele abraço estava se transformando em algo mais, algo que ele não podia correr o risco de se tornar. Gaara quis se afastar, mas seus braços se recusavam a soltá-la. Agora que Hinata olha va para ele, tinha os lábios a poucos centímetros da de Gaara. Entreabertos, era possível ver a deliciosa língua rosada da secretária.

Ela respirava com sofreguidão. Se Gaara olhasse para baixo e afastasse um pouco o casaco que Hinata usava, poderia ver seus mamilos eriçados. A reação dela à pre sença dele era uma das razões por que era tão difícil con ter seus desejos. Gaara não fez nada. Ele ainda não estava louco.

Hinata estava estranhamente silenciosa, algo incomum nela.

Mesmo usando sapatos baixos, ela era mais alta do que a maioria das mulheres com as quais Gaara saiu. Alta o bastante para estar na altura certa para que ele abaixasse só um pouco a cabeça e a beijasse. A tenta ção cresceu ainda mais quando Gaara viu que seus olhos perolados estavam ficando escuros e fora de foco, desejosos.

Hinata o queria, mas era o desejo de uma inocente. Ela não sabia como aquilo terminaria. Hinata não era aquele tipo de mulher. Ela era uma presença mais permanente em sua vida, e Gaara queria mantê-la assim.

Mas naquele momento a tentação de provar da ino cência dela era avassaladora.

O alarme da agenda eletrônica disparou ao mesmo tempo em que o da agenda de Hinata, indicando que tinham uma reunião dali a pouco.

Aquela interrupção era o que Gaara precisava para sol tá-la e se afastar.

— Candidatas em potencial devem ser mais altas do que a princesa Lina. Você cabe bem em meus braços.

Ele não podia acreditar que dissera algo tão ambíguo, mas Hinata não parecia triunfante.

Pelo contrário, a expressão se tornou cuidadosamente neutra à medida que ela se virava.

— Vou anotar isso.

Enquanto Hinata saía para pegar a agenda eletrônica e sua pasta, Gaara se amaldiçoou por ter flertado com o perigo. No que ele estava pensando? Por que a abraçara, sabendo que estava tão necessitado de sexo? Alguém po deria pensar que sua secretária o estava seduzindo. Mas Gaara a conhecia bem. E ele sabia como a inocência de Hinata podia ser perigosa.

E só por isso Gaara merecia a ereção dolorosa em sua calça e a frustração sexual que ele sentiria depois que isso passasse. Gaara deveria ter pensando nisso antes de fazer uma coisa tão estúpida quanto abraçá-la.

Se tivesse beijado Hinata, inevitavelmente acabaria levando-a para a cama.

E depois a perderia.

Ela era valiosa demais como secretária e amiga para fazer algo tão idiota.

Toda esta coisa do casamento precisava ser feita ra pidamente.

Hinata tentou não olhar para Gaara, que conversa va com o desenvolvedor de softwares sobre investir na empresa do homem. Era mais difícil do que o nor mal. Primeiro porque Hinata pesquisara e descobrira que aquele era um bom investimento, que só um tolo ignoraria, e seu chefe estava longe de ser tolo. E se gundo porque Hinata não parava de pensar em como o traje esporte que Gaara vestia se ajustava bem ao corpo musculoso dele. O que, por sua vez, continuava fazen do com que ela se lembrasse do que acontecera antes, no hotel.

O problema era que Hinata não sabia ao certo o que acontecera.

Ele quase a beijara? Parece que sim. Gaara a abraçara por mais tempo do que um abraço normal entre patrão e funcionária. Será que outros patrões abraçavam suas se cretárias daquele jeito? Gaara, com certeza, não fazia isso freqüentemente. A última vez que ele a abraçara fora em seu aniversário, há dois anos. Por que Gaara a abraçara? A princípio Hinata pensou que ele a estava agradecen do por concordar em ajudá-lo. Mas um abraço de agra decimento durava tanto? Ou será que foi um abraço de "amizade"?

Mas, se fosse isso, por que Gaara a abraçaria agora, e não antes de lhe pedir que encontrasse uma mulher para se casar com ele?

O que Hinata realmente queria saber, contudo, achan do que morreria se não descobrisse era: Gaara quase a beijou?

Aquela pressão que ela sentira contra a barriga era uma ilusão ou uma prova irrefutável de que, por mais improvável que lhe parecesse, Hinata o deixara exci tado? Ou será que ela estava mais uma vez tendo um daqueles sonhos que a deixavam arrasada ao acordar? Gaara a afastara com outras exigências a respeito da sua futura esposa. Talvez ele apenas tenha abraçado Hinata por todo aquele tempo para testar a teoria de que gostava de mulheres altas. A maioria das mulheres com as quais Gaara se relacionou tinha cinco centímetros a menos do que ela.

Se fosse isso, que humilhação! Se bem que o que po deria ser mais humilhante do que atender ao pedido do homem que amava para encontrar-lhe uma esposa?

— Hinata?

Ela voltou à realidade ao perceber certa impaciência na voz de Gaara. Os dois homens estavam olhando para a secretária.

— Anotou isso?

Envergonhada, ela teve de admitir que não e pedir ao outro homem que repetisse o que dissera. Aquilo era tão estranho que Hinata sabia que o sheik mencionaria o ocorrido mais tarde. Jerry, o programador, estava tran qüilo e, sorrindo, perguntou-se se Hinata, desta vez, ano tara tudo. Ela se percebeu mais relaxada diante desta gentileza, respondendo com mais afeto do que o nor mal. Hinata tinha a impressão de que se tornaria amiga de Jerry.

— Que pena que a sua empresa está instalada aqui — disse Hinata, sem pensar.

— Ou que o escritório do sheik não fica aqui — res pondeu Jerry, sem perder a chance.

— Não vejo nada disso como uma tragédia. — O tom de voz de Gaara era gélido, e Hinata teve de conter um suspiro.

Ela sorriu para Jerry, como se pedisse desculpas.

— Ele ainda está com raiva porque eu não prestei atenção.

Ele não gosta que falem sobre ele como se ele não estivesse sentado bem ao seu lado.

— Desculpe. — Jerry parecia preocupado, por isso Hinata não disse o que estava na ponta da sua língua.

Na verdade, ela não disse nada.

Pouco depois, enquanto Jerry e Gaara planejavam um jantar para celebrar o acordo, o programador perguntou a Hinata se ela os acompanharia. Antes que a secretária pudesse responder, o sheik disse que ela precisava traba lhar e por isso não poderia acompanhá-los.

Hinata não estava acreditando na afronta e estava pres tes a brigar com Gaara assim que entraram na suíte. As sim que a porta foi fechada, ela se virou para o sheik:

— O que é tão urgente a ponto de eu ter de recusar um jantar de trabalho?

Gaara a encarou.

— Você concordou em encontrar uma esposa para mim. Já se esqueceu?

— Não estou louca ainda, se bem que trabalhar com você vai me deixar assim logo.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que acho muita falta de considera ção que você tenha recusado um convite para jantar em meu nome simplesmente porque você acha que eu deveria usar meu tempo livre para trabalhar no seu plano.

— Você nunca se importou em fazer hora-extra antes.

— Você nunca ordenou que eu fizesse. E, para sua informação, não pretendo começar a grande caçada à es posa esta noite.

— Você está querendo dizer que pretende jantar com Jerry?

— Achei que isto estava claro.

— Então talvez eu deva ficar aqui e deixar que vocês dois se divirtam sozinhos.

Será que Gaara estava louco?

— Do que é que você está falando?

— Você e Jerry. Parece que vocês se deram bem.

— E você está dizendo isso porque eu quero jantar com você?

— Você estava flertando com ele.

— Eu nunca flerto. — Até porque Hinata não sabia como fazer isso.

— Você sorriu.

— E isso é um crime? Você também estava sorrindo.

— Tenho certeza de que eu não estava flertando. Hinata respirou fundo, tentando outro caminho.

— Qual foi o último jantar de negócios ao qual eu não o acompanhei?

— Mês passado, quando eu jantei com Sandor Christofídes a respeito de usar os navios dele para importar mercadorias de Zorha.

— Eu estava em Seattle preparando tudo para a sua chegada à conferência de negócios!

— Você não falou nada sobre onde você estava na ocasião. Você só me falou para citar o último jantar que você perdeu. Foi o que fiz. Agora, espero que você tra balhe no meu projeto.

— Trabalharei nele quando eu quiser. E não será esta noite, quando eu poderia estar num agradável jantar com um parceiro de negócios.

— Ele é meu parceiro de negócios.

— Qual é o seu problema? Você nunca agiu assim antes sobre eu acompanhá-lo em um jantar com alguém.

Já não bastava que Gaara estivesse planejando se casar com outra mulher? Agora ele também estava tentando manter Hinata fora de outras áreas da sua vida?

— Não gostei do modo como Jerry estava olhando para você.

Como assim?! Só porque ele teve pena de mim por eu ter um chefe tão grosseiro?

— Não sou grosseiro.

— Impedir que eu jante com alguém sem um salvo-conduto certamente não é sinal de educação.

— Então nós voltamos a este assunto?

— Nós nunca mudamos de assunto!

— Estamos mudando agora.

— E como é que eu fico?

— Você gostaria que eu ligasse e cancelasse o jantar, para você não ter de comer sozinha?

Hinata não era digna deste tipo de pena. Ela podia ser tímida e submissa quando começou a trabalhar para Gaara, mas ela aprendera muito em cinco anos.

— Claro que não. Se não Jerry pensaria que você é instável, e você não quer que um parceiro de negócios tenha esta impressão a seu respeito.

— Então você vai ficar e trabalhar no meu projeto pessoal?

— Não. Vou sair para jantar por aí. — Hinata apontou para a janela. — E voltarei muito tarde para trabalhar em qualquer coisa. Agora, se você me der licença, preciso me trocar.

Gaara ficou atordoado ao ouvir o silêncio que ficou no ar depois que Hinata bateu a porta.

— Eu prefiro uma esposa que não bata a porta — ele disse, em voz alta, para o quarto vazio.

Como resposta, ele ouviu a porta do banheiro de Hinata batendo, e com mais força.

Droga. O que foi isso? Numa hora ele estava fechan do um acordo lucrativo e noutro travando uma guerra verbal com uma mulher teimosa. Será que ela estava fa lando sério sobre sair sozinha? Mesmo não tão agitada quanto Nova York, Boston tinha uma vida noturna razoá vel. E Hinata estava planejando se divertir na noite?

Jamais!

Já era hora de ir para casa, onde a vida noturna se re sumia aos sons do deserto. Sim, definitivamente... Ele e Hinata precisavam ir para Zorha. Gaara poderia se reunir com seu pai e irmãos e conversar sobre os empreendi mentos enquanto a secretária convenceria sua mãe a lhe enviar mais sabonetes perfumados.

Mas o que fazer quanto àquela noite? Gaara tinha duas opções. Ele poderia incluí-la no jantar com Jerry, que passara o resto da reunião babando sobre sua atraente secretária. Aquele homem tinha mau-gosto... Ou será que ele era mais exigente do que os outros? Gaara temia pelo pior. Ele temia ainda mais que Jerry estivesse vendo Hinata como uma presa fácil e que ela confirmasse esta idéia. Ela estava madura para ser colhida da árvore da sua virgindade.

A outra opção do sheik era permitir que ela saísse so zinha à noite. Nervosa como estava, Hinata podia fazer algo do que se arrependeria mais tarde. Como amigo dela, Gaara estava tentado a não permitir que isso acon tecesse. Se a secretária o acompanhasse no jantar, pelo menos ele poderia manter o olho nela.

Se Jerry achava que viveria um caso de uma noite com Hinata, ele estava prestes a ter uma surpresa.