NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPÍTULO TRÊS
Hinata apertou o cinto e olhou para a pista molhada, pela janela do avião particular. Estava chovendo. Ne nhuma novidade para Nova York na primavera. Havia algo de bom em viajar para o deserto: nada de dias cin zentos e chuvosos. Mas, além de fugir do clima, Hinata não estava entendo por que eles estavam indo para Zorha.
— Por que mesmo estamos indo para casa?
Gaara não disse nada sobre o ato falho de Hinata, em bora tecnicamente Zorha fosse a casa dele, não a dela. Sua casa ficava numa fazenda no estado de Nova York. Ela ainda ficava intrigada com o fato de uma menina do interior, que fizera um curso de dois anos de admi nistração numa faculdade perto da cidade, acabar como secretária pessoal de um príncipe.
—Gaara?
— Sim?
— No que você está pensando que sequer me escutou?
— Eu sempre fico assim antes de voltar para casa. Estou pensando em tudo que me faz falta e em tudo que me deixará feliz.
Hinata sorriu.
— É por isso que você está visitando sua família dois meses antes do planejado? Está com saudade de casa?
Havia um brilho estranho no rosto lindo do sheik, algo que desapareceu rapidamente.
— Em parte.
— E qual o outro motivo, se você não se importar em me dizer?
— Eu me importo.
— O quê? Você se importa? — Ela sentiu um nó no estômago, o mesmo que sentira ao descobrir que o pai de Gaara queria que ele se casasse com outra mulher. Como ela temia desde Boston, o sheik a estava afastando da sua vida. — Entendo. Bem, sem problemas. Vou apenas trabalhar no relatório para o seu pai.
— Você faz relatórios para meu pai?
— Sim. Ele queria mais informações sobre o acordo de transporte marítimo que você... Você disse que não se importava que eu escrevesse o relatório. Ou mudou de idéia?
— Claro que não. Eu tinha esquecido só isso.
— Você não é disso.
— Eu estou com a cabeça cheia. Provavelmente com coisas sobre as quais ele não queria conversar, por isso Hinata não perdeu tempo per guntando.
— Talvez pudéssemos falar sobre as candidatas que você encontrou para meu projeto.
Era engraçado falar sobre a futura esposa dele como um projeto, mas Gaara tinha uma visão empresarial sobre o assunto desde o começo e esta atitude não se alterou em nada.
— Ainda não terminei e não quero discuti-la antes de ter terminado.
— Você disse que sabia que eu pediria uma lista em 24 horas. Já faz quase uma semana.
— Eu não disse que conseguiria cumprir o prazo.
— Hinata não estava evitando dar-lhe a lista por razões pessoais. Não estava. Só que encontrar a mulher que ela achava que combinaria com Gaara e que ele merecia não era uma tarefa fácil.
— Talvez conseguisse se você passasse mais tem po trabalhando nisso em vez de mostrar Nova York ao Jerry.
Ela não se surpreendeu quando, em Boston, Gaara acertou tudo para que Hinata se juntasse aos dois em presários no jantar, mas ela só concordara porque Jerry a estava esperando. Hinata ainda estava furiosa com seu chefe. O que a surpreendeu foi que Jerry apareceu em Nova York dois dias depois.
Ele tinha uma reunião de última hora com o designer gráfico de um programa de computador.
— Você estava com a gente o tempo todo.
— Eu não tinha outros compromissos.
— Nós sempre temos tarefas pendentes. E o único jeito de lidar com isto é saber quando tirar uma folga.
— Por isso você decidiu tirar uma folga com Jerry.
— Assim como você. Gaara desistiu de responder.
— Se você está tão preocupado com o projeto, vou trabalhar nele em vez de escrever o relatório para seu pai. Sei que ele vai entender e aplaudir a decisão.
— Não é preciso. E não vamos falar com ele sobre este projeto.
— Certo.
Diante do risinho de triunfo de Hinata, Gaara fechou a cara.
— Você é insuportável.
— Aprendi com o melhor professor!
Gaara observava Hinata cochilando na poltrona. Ela estivera bocejando bem antes de terminar o relatório e fechar o laptop. Aprendeu com o melhor mesmo. Agora, Gaara podia deixar transparecer a graça que vira na es perteza dela. Hinata era uma das poucas pessoas capazes de ganhar uma discussão com ele.
Ela virou a cabeça e as marcas sob os olhos da secre tária ficaram mais visíveis.
Hinata não estava dormindo direito ultimamente. Se ria por causa do projeto pessoal do sheik? Talvez Gaara devesse pedir à sua mãe para ajudá-la. Mas isso não atrairia também a opinião de seu pai? Gaara queria que esta decisão estivesse sob seu controle, o máximo possí vel. Mas se Hinata adoecesse por causa disso, ele poderia mudar de idéia.
Talvez sua mãe concordasse em manter o projeto em segredo até que Gaara escolhesse sua esposa.
Ele se surpreendeu por Hinata não ter perguntando no que o sheik estava pensando. Era muito estranho que ele tivesse esquecido que sua secretária estava escrevendo aquele relatório. Possivelmente era mais um sinal de que ela estava exausta. De certo modo, Gaara estava feliz por Hinata não ter perguntado mais. Nos últimos cinco anos, eles discutiram vários assuntos, mas Gaara não pretendia falar a ela sobre seus desejos. Especialmente porque era isso o que o estava deixando tão irritado. Gaara precisava de uma mulher, só isso. Mas entre os preparativos para sua viagem de última hora para casa e seus com promissos empresariais costumeiros, ele não encontrara ninguém.
Quando fizera menção de sair numa noite de folga antes de viajar para Zorha, Hinata deixou claro seu des contentamento. Ela dizia que, já que Gaara lhe pedira para encontrar uma esposa, ele não deveria sair com outras mulheres. Era o romantismo se manifestando novamente.
Gaara não concordava claro. Mas não valia brigar por causa disso, já que ele contava com a cooperação da secretária no que dizia respeito à viagem. Viajar fora uma decisão de impulso e, apesar de Gaara ser o chefe de Hinata, ela podia ter inventado vários obstáculos para que o sheik mudasse de idéia. Sendo que o maior destes obstáculos seria se negar a acompanhá-lo.
Hinata jamais fizera uma coisa destas, mas, como es tava irritada recentemente, Gaara não estava disposto a arriscar. Além do mais, se ele lhe desse uma noite de folga, havia a chance de Hinata sair sozinha. Ou então de ela combinar algo com Jerry, que convenientemente os acompanhara desde Boston.
Saber que o homem estava na cidade fez Gaara sentir que precisava convidar Hinata para jantar e conversar so bre a viagem, em vez de ir a uma boate.
Ela estava numa posição vulnerável, mesmo que não percebesse. Hinata tinha 25 anos e se Gaara não estava enganado — e ele quase nunca estava — sua secretária ainda era virgem. Ela não estava percebendo que Jerry só queria uma ou duas noites de diversão antes de voltar para Boston. Hinata não era como as mulheres com as quais Gaara saía. Ela era generosa demais e estava vulne rável a ter seu coração partido, especialmente com aque le romantismo antiquado embaçando-lhe a visão.
Era obrigação de o sheik protegê-la. Afinal, Gaara era seu chefe. Hinata era sua responsabilidade.
Ressonando adoravelmente, ela se virou na poltro na. Por que Gaara não percebeu antes que sua secretária era uma gatinha? Ele não entendia como outros homens como Jerry não surgiram no caminho dela no passado. Já há algum tempo Gaara a achava sexualmente atraente, mas Hinata era tão... Doce e... Meiga.
Que estranho. Ou talvez nem tão estranho assim. Até porque ser meiga não era um pré-requisito para uma se cretária. Fazia sentido que Gaara não tivesse percebido o apelo sexual de Hinata antes.
A questão era: por que ele estava percebendo agora?
Tudo começou depois do fiasco com Ino. Desde en tão Gaara não saíra com mulher alguma. O sheik termi nara o namoro uma semana antes da visita do seu irmão. Ou seja, ele estava sem mulher há oito semanas. Por mais grosseiro que isso soasse, até mesmo para Gaara, seu desejo era uma prova disso.
E não havia alívio no horizonte. A falta de vida no turna em Zorha não manteria somente sua secretária na rédea curta, mas ele também.
Gaara não conseguiria manter um relacionamento dis creto sob os olhos atentos de seu pai e irmãos. Ele se irritava com o controle da família, mas ao mesmo tempo ansiava por reencontrar os parentes.
Sempre foi assim.
O fato de ele ser o caçula de uma família de homens de personalidade forte, pelo menos foi assim que Hinata e sua mãe os chamaram durante a última viagem, choca va-se com sua necessidade de controlar sua própria vida e influenciava um pouco a vida das pessoas ao seu redor. Tinha algo a ver com o modo como os reis do deserto controlavam as províncias governadas por seus filhos, que só se submetiam ao próprio rei.
Gaara achava que, ao mandá-lo para Nova York, seu pai estava seguindo esta tradição. Seu pai mandara o ou tro irmão, Kankuro, para servir como diplomata, morando na Grécia. E o rei Rasa estava treinando Sasori para as sumir seu lugar quando o monarca morresse.
Sem perceber, porque Gaara estava o tempo todo pen sando no pai e nos irmãos, ele passou os dedos pelo rosto macio de Hinata. O sheik acariciou-lhe as delicadas sardas e o contorno do queixo, sabendo que tinha de parar de tocá-la.
Hinata suspirou, emitindo um barulho doce e extrema mente sexy. Então ela sussurrou o nome dele e Gaara teve de se conter para não beijar seus lábios adormecidos. No que ela estava pensando para dizer seu nome?
