NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPÍTULO OITO
Hinata mordeu o lábio, suas defesas se rompendo, mas não disse nada.
Gaara ficou um pouco mais furioso. A Senhora Eficiên cia, a secretária que sempre via motivo em tudo, não ti nha nada a dizer sobre seu pedido de demissão? Aquilo era inacreditável.
— Você recebeu uma oferta? De quem? Do Jerry? Confie em mim, se for isso, ele vai se arrepender de ten tar roubar o que é meu.
— Eu não pertenço a você, Gaara. Sou sua secretária pessoal, não sua escrava.
Uma ova que ela não lhe pertencia.
— Você não vai me abandonar.
— Vou.
— Vou acabar com ele.
Pelo brilho nos olhos de Hinata, Gaara percebeu que sua secretária entendia que ele estava falando sério.
— Não vou trabalhar com o Jerry. Gaara a olhava com desprezo.
— Não vou — insistiu Hinata.
— Então por quê? — Ele não lhe deu chance de res ponder. — Diga que não é por dinheiro. Você sabe que eu lhe darei um aumento. — Gaara lhe pagaria qualquer coisa. — Se você estiver se sentindo muito apertada naquele apartamentinho, vamos encontrar um maior e a empresa pagará por ele.
— Não é por causa de dinheiro ou apartamento. — Hinata parecia atormentada.
Mas por quê? Era ela quem estava ameaçando aban doná-lo!
— Então me diga. Por quê?
— Motivos pessoais.
— Motivos pessoais? — repetiu Gaara, sem acreditar. Não que Hinata não tivesse motivações pessoais, mas se ela achava que podia ludibriá-lo com algo tão vago...
— Quais são estes motivos pessoais?
— Por definição, são pessoais. Não é da sua conta.
As palavras eram desafiadoras, mas seu tom de voz trazia um quê de mágoa. O que estava acontecendo?
— No passado, você não diria isso.
— Mas é passado. Agora é o presente.
— E o que mudou?
Hinata abriu e fechou a boca sem dizer nada. Suspiran do, ela pôs as mãos na cintura.
— Eu. Fui eu quem mudou Gaara.
— Você não seria tão desleal.
— Não se trata de lealdade. Não estou indo para um concorrente. Duvido até mesmo que fique em Nova York. Apenas tenho que continuar com a minha vida.
— Por quê? Sua vida como minha secretária não é ruim.
— Não, mas não me deixa ter outra vida.
— Você nunca reclamou disso antes.
— Não estou reclamando.
— Mas está pedindo demissão.
— Sim.
— Então mudaremos seu horário. Você terá mais do que considera uma vida.
— Enquanto continuar trabalhando para você, isso não dará certo. — Parecia que aquelas palavras tinham um significado mais profundo, mas Gaara não conseguia entender qual.
Ele ainda estava furioso, mas também magoado.
— Você disse que eu era seu melhor amigo.
— Mas eu não sou sua melhor amiga.
— Você está se demitindo porque acha que não é mi nha melhor amiga? — ele perguntou.
— Porque eu sei que não sou.
— E o que lhe dá esta certeza?
— O fato de você ter uma vida fora do trabalho. Você tem uma família que você visita mais do que eu visito a minha. Seus irmãos são seus amigos. Você tem suas namoradinhas e logo terá uma esposa.
— E você só tem a mim. E por isso que você está fazendo este showzinho?
Os olhos da secretária se encheram de raiva,
— Não é um showzinho. Estou simplesmente tentan do explicar minha decisão.
— Mas você está se demitindo porque eu tenho mais amigos do que você — disse ele, zombando.
— Estou me demitindo porque preciso fazer isso para continuar com a minha vida. É simples assim.
— Não há nada de simples no fato de você me aban donar.
— Não o estou abandonando.
— Você é minha melhor amiga — admitiu o sheik com relutância. Ele odiava esta coisa sentimental, mas por Hinata ele abriria uma exceção.
— Não sou.
— Droga...
— Não, escute. Desde que vim a Zorha, e mesmo antes, você está me afastando, me colocando numa caixinha com a etiqueta "secretária" em cima. Nada, além disso. Eu real mente entendo — disse — que isso o estivesse incomodan do. — Você está se casando e não vai ficar a vontade para continuar com esta amizade diante das circunstâncias.
— Não tem nada a ver!
— Por favor, você nunca mentiu para mim antes. Não comece agora.
— Como você sabe que nunca menti? — ele pergun tou furioso diante daquelas afirmações equivocadas. — Eu minto todos os dias, fingindo que não quero mais do que uma amizade profissional com você, sendo que na verdade o que eu quero é sair de trás desta mesa e saborear cada centímetro da sua pele branca e macia. É por isso que eu a afastei. Eu não podia correr o risco de ficar sozinho com você. — E se Hinata achava que era fácil para Gaara admitir aquilo, ela não o conhecia tão bem quanto dizia.
— O quê? — Ela balançava a cabeça, como se não es tivesse entendendo o que Gaara dissera. — Você não está falando sério — afirmou atordoada.
— Com certeza estou.
— Você não pode.
— E por que você acha isso?
— Não sou uma mulher bonita. Não sou sofisticada. Não sou como as mulheres que você namora.
— E mesmo assim é você quem eu quero.
— Não.
— Por que você insiste em negar? Você também me deseja.
— O quê? Por que... Você não entende.
— O que há para ser entendido? É desejo. — Gaara ficou em pé. Hinata não podia ignorar a evidência física daquele desejo. — E é recíproco.
Ela o encarava, sem desviar o olhar. Gaara balançava a cabeça.
— Tão inocente.
— O quê?
— Você.
— Eu sou inocente?
— Vai negar?
— Ah... Não.
— Isto me excita. A sua inocência.
— Mas eu achava que você gostava de mulheres ex perientes.
Ele deu a volta na mesa, puxando-a para perto.
— Eu gosto de você, Hinata.
A secretária o encarava olhando para cima como se o sheik fosse um extraterrestre prestes a devorá-la. Se bem que Hinata não acharia aquilo ruim.
— Você me deseja? — ela perguntou insegura.
— Eu desejo você. — Então Gaara a beijou. Apesar da raiva e da luxúria sendo extravasada, Gaara só conseguiu ser carinhoso. Até porque era o primeiro beijo deles. E, para Hinata, talvez o primeiro beijo de sua vida. Os lábios da secretária eram doces, como amoras recém-colhidas, e macios. Com o formato perfeito para lhe dar prazer. Hinata não devolveu o beijo, mas também não tentou afastá-lo.
— Beije-me — disse Gaara. Ela o olhava, em choque.
— Eu não sei como.
— Mova seus lábios com os meus e os abra, para que eu possa sentir seu gosto.
— Sim. — Hinata disse aquilo como um gemido. Gaara voltou a beijá-la, com uma paixão renovada.
Ela fez como o sheik mandara. Ele foi cuidadoso para não exagerar e lentamente libertá-la da inocência quanto ao prazer carnal. Suas mãos subiam e desciam pelas cos tas de Hinata, enquanto ele apertava seu corpo excitado contra o dela, pela primeira vez sem se preocupar. Gaara queria que Hinata soubesse como ela o excitava.
Ela deu um miadinho, acariciando-lhe o peito com os dedos.
Hakim, primo de Gaara, às vezes chamava Catherine de gatinha, e pela primeira vez o sheik entendeu aquele apelido carinhoso.
Ele provou de toda a boca de sua secretária, aqueles lábios cândidos que eram ainda mais saborosos do que a boca. Gaara podia facilmente se viciar naquele sabor.
O beijo ficou mais intenso e a virginal Hinata esta va aprendendo rápido como deixá-lo louco. Foi preciso todo o autocontrole do mundo para que Gaara não fizesse aquilo que queria: desnudá-la, deitá-la sobre a mesa e beijá-la todinha.
Um dia, pensou, ele faria exatamente isso.
De repente, Hinata se livrou dos braços de Gaara.
— Não, espere... Por que você está fazendo isso?
— Como assim? Eu a desejo. Eu lhe disse.
— Disse? Ou você está tentando usar o sexo para me manipular?
Gaara ficou chocado com aquela idéia.
— Você realmente acha que eu seria capaz?
— Você não tem escrúpulos quando está negociando.
— Eu não tenho motivos para fazer isso. — Embora o plano de ataque tivesse lá seus méritos.
Se Hinata pedisse mesmo demissão, não haveria mais motivo para Gaara não a levá-la para cama. Ele podia se convencer de que a estava protegendo, tornando-se o primeiro amante da sua vida. O sheik não podia garantir que esta primeira experiência fosse prazerosa. Ele não prometeria nada nem a usaria. Além do mais, Hinata o desejava.
Ela estava franzindo a testa para o sheik.
— Não serei sua amante. Você prometeu ser fiel, lembra?
— Eu não disse que quero ter um caso depois de casa do. Mas foi você quem disse que não posso ser visto com outra mulher agora. Mas não há problema algum em ser visto ao seu lado.
— Então eu sou conveniente! Um corpo de mulher, um objeto para você?
O que Hinata queria dele? Seria outro ataque de ro mantismo?
— Não fique pensando muito. É improvável que você ouça outras ofertas como a minha. Aceite o que eu estou oferecendo e nos faça felizes.
Hinata nem se importou em lhe perguntar qual era a oferta. Dizendo uma palavra que Gaara nem sabia que poderia ser dita por uma mulher como sua secretária, ela deu meia-volta e saiu batendo a porta do escritório, com o exagero típico de uma mulher ofendida, não uma se cretária inocente e hiper eficiente que não tivera um na morado nos últimos cinco anos.
Gaara praguejou, virou-se e socou a parede. A dor não o deixou mais calmo.
O que acontecera? Num segundo ele a estava beijando. Finalmente. E gostando. Noutro Hinata o estava acusando e saindo da sala. Tudo bem, talvez Gaara tivesse alguma culpa. Ele não quis dizer aquilo. Mas, droga, ela ameaça ra abandoná-lo. Por isso um pouco da raiva fora extrava sada nas palavras que Gaara dissera. E Hinata se fora.
De uma coisa o sheik estava certo: ele não deixaria Hinata ir embora, de um jeito ou de outro.
Hinata entrou correndo em seu quarto, querendo quebrar alguma coisa. Mas aquele quarto não lhe perten cia e ela não podia pagar pelos objetos, exceto, talvez, pelo despertador sobre a mesa. Sem pensar duas vezes, Hinata pegou o alarme e o jogou contra a parede com toda a força.
O plástico se despedaçou agradavelmente.
Hinata procurou por outra coisa, mas não encontrou nada. Frustrada, ela só conseguia pensar em se jogar na cama. Foi então que Hinata começou a chorar. E ela chorou por muito tempo. Chorou pelas palavras cruéis de Gaara, mas também pelos cinco anos de amor não-correspondido. Ela chorou pelo futuro que teria sem o homem no qual estava prestes a bater, mas que ainda amava.
E Hinata chorou ainda pela mulher patética que acha va que era. Gaara era seu mundo e ela era apenas uma parte do mundo dele. Claro que substituí-la seria difícil, mas não impossível. Hinata não era mais do que um cor po para Gaara. No escritório e fora dele.
Lembranças que ela não queria evocar vieram à tona, algo que Hinata achou injusto. Gaara a tratara como se fosse especial, mesmo que ela não fosse mais do que uma secretária. Reconhecer aquilo só a fizera chorar ain da mais.
Como Gaara pôde dizer aquilo sobre Hinata não ter muitas ofertas? Sim, era verdade, mas ele tinha de jo gar na cara dela? Só que o sheik não a beijara como um homem que estava apenas querendo um alívio para o desejo. Ele fizera daquele primeiro beijo tudo o que de veria ser até mesmo a ensinando pacientemente como reagir.
Então Gaara estragou tudo dizendo aquelas coisas horríveis. Mas ele estava com raiva. Muito mais do que Hinata imaginara. E talvez um pouco magoado.
O que Gaara dissera era apenas um jeito de se vingar ou será que refletiam o que ele pensava da secretária? Com qualquer outra pessoa Hinata teria levado as pala vras ao pé da letra. Mas estamos falando de Gaara. E ela o conhecia melhor do que ninguém. Mesmo não sendo a melhor amiga dele. Só que Gaara dissera que Hinata era,
Onde estavam a verdade e a mentira?
Gaara dissera que a desejava, ela, Hinata Hyuuga, de aparência comum, desengonçada e simplória. Pelo modo como o sheik falara, ele a desejava há muito tempo. E não confessara aquilo por não querer a amizade dela.
Gaara confessara aquilo porque para ele estava difícil re sistir à atração por sua secretária.
Será verdade? Hinata dissera que ele jamais mentira. O que significava que ela deveria acreditar no que Gaara lhe dissera. Primeiro, que ele a desejava. Segundo, há muito tempo. E terceiro que o sheik não queria que Hinata pedisse demissão.
Mas era difícil acreditar nisso.
Hinata olhou para uma cópia que mantivera do projeto do casamento — um gesto masoquista incompreensível. Novas perguntas surgiram. A esperança se recusava a ce der, talvez porque estivesse ligada a um amor que jamais abandonaria seu peito.
Ela sempre acreditara que Gaara não a desejava, mas estava enganada. Sobre o que mais estava enganada? Hinata se lembrou de um programa de transformação ao qual assistia quando tinha tempo livre. Mulheres que pa reciam caseiras surgiam como divas sofisticadas. Será que Hinata podia fazer o mesmo consigo?
Seria aquela uma chance para Hinata de criar a candi data perfeita para o casamento arranjado de Gaara? Sua única exigência era compatibilidade na cama. Se aque le beijo era o sinal de alguma coisa, isso não seria pro blema. Hinata podia ler sobre o assunto. Desta vez sem escondê-lo quando chegasse numa parte incômoda. Ela pedia até mesmo assistir a filmes. Não pornográficos, mis filmes educativos. O sexo era um grande negócio. Tinha de haver algo deste tipo por aí.
Sentando-se, Hinata se sentiu mais determinada do que nunca.
Se havia um modo de fazer com que seu chefe a visse não só como uma candidata a esposa, mas também como a melhor candidata, Hinata faria isso.
Afinal, ela sempre conseguira ser aquilo de que Gaara precisava. A única coisa que lhe faltava era saber se ele a desejava como uma mulher. O sheik talvez merecesse uma princesa... Sua autoconfiança recém-adquirida fra quejou. Talvez ele realmente merecesse. Mas nenhuma outra mulher, por mais majestosa ou bela ou qualquer coisa, seria capaz de amá-lo como Hinata. Disso ela tinha certeza absoluta.
E nem importava que Gaara não a amasse. Desde que pertencessem um ao outro, isso bastaria. Seria mais do que Hinata podia sonhar. E ela não o estaria impedindo de encontrar o amor, já que o sheik não queria amor. Gaara tinha a mesma chance de ser feliz com Hinata do que com qualquer outra.
Era o pote de ouro no fim do arco-íris. Hinata faria chover, pensou, limpando as lágrimas do rosto.
Agora era hora de viajar até o arco-íris.
