NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPÍTULO NOVE
— Você acordou cedo, irmãozinho. Gaara parou sua prática com a gumia.
— Eu sempre acordo cedo.
— Mas não aqui, suando deste jeito.
Ele pensou um pouco na sua pele brilhosa e suada.
— Em Nova York eu vou à academia.
— E aqui? Não temos sacos de pancada?
— Isso mesmo.
— Mais frustrações?
— As mesmas. Só maiores do que estavam ontem.
— Quer conversar sobre isso? Ou prefere exorcizá-las um pouco mais? — Sasori não estava pronto para a luta, mas Gaara sabia que seu irmão mais velho se troca ria se ele pedisse.
O sheik apertou a espada, pensando na oferta do ir mão. Ele já estava se exercitando há 45 minutos. E não se sentia mais tranqüilo, nem pensara numa solução, do que quando entrara na sala que fora montada anos antes do nascimento de Gaara, para que os membros da família real pudessem lutar do modo tradicional.
Ele sempre se exercitava enquanto pensava em um problema. E saía da sala de exercícios se sentindo melhor. Naquela manhã, contudo, não estava funcio nando.
Se bem que Gaara jamais teve de encarar um problema deste tipo.
— Conversar? — perguntou.
Sasori arregalou os olhos, como se a resposta o tivesse surpreendido, mas concordou.
— Então vamos conversar.
— Não vou atrapalhar seu treino? — Era claro que Sasori fora à sala para alguma coisa.
Mas seu irmão fez que não.
— Não.
— Talvez pudéssemos cavalgar. — Era uma conces são, mas desde que não passassem o tempo todo conver sando. Sasori não faria exercício algum cavalgando.
— Encontro você nos estábulos dentro de 20 minutos. Gaara se permitiu um sorrisinho ao perceber a tendên cia natural do irmão mais velho a dar ordens.
— Parece bom.
Ele estava limpo e nos estábulos em quinze minutos.
— Você é rápido — disse Sasori, verificando a sela do garanhão pertencente a Gaara.
O cavalo do irmão mais velho era outro garanhão, já selado e à espera. Eles subiram em suas montarias ao mesmo tempo, mas Gaara deixou que Sasori os conduzis se para o deserto.
— Então, o que o está incomodando, irmãozinho? — perguntou Sasori depois de alguns minutos de silêncio.
— Ela está me deixando.
— Hinata?
— Quem mais?
— Bem, você podia estar falando de alguma das suas namoradinhas... Ino, talvez.
— Eu lhe disse que rompemos.
— Vocês podiam ter voltado. Depois de a princesa Lina fugir com aquele empresário.
— Improvável — disse Gaara, com um escárnio in consciente. Ino podia ser linda, divertida e até inteligen te, mas não era a mulher que o sheik queria.
— Entendo. Então estamos falando sobre a Hinata.
— Isso mesmo.
— E ela o está deixando? — Sasori franziu a testa. —Admito que isso me surpreende.
—A mim também.
— Por que ela está saindo?
— Ela disse que por motivos pessoais.
— E ela se recusa a dizer quais.
— Sim. Isso é muito estranho.
O irmão mais velho fez um som que, se Gaara não sou besse que era impossível, podia ser confundido com uma risada.
— Entendo. E naturalmente isso o irrita.
— Sim. Ela é a melhor secretária que encontrarei. Ela é perfeita para mim.
— E você ainda a quer.
Gaara desviou o olhar para o deserto.
— Sim.
— Você vai possuí-la?— Sasori não parecia estar jul gando; estava apenas curioso.
— Ela é virgem.
— Isso é incomum na idade dela, não acha?
— Bem, algumas pessoas dizem que o celibato está voltando à moda na cultura americana. Mas Hinata não é só virgem. Ela é completamente inocente. Ela nunca namorou.
— Ela não tem admiradores?
Gaara pensou em Jerry e fez uma careta.
— Alguns.
— Mas você não quer se casar com ela?
— Não. Isso não mudou.
— Mas e quanto à sua determinação de possuí-la? O sheik suspirou.
— Você me conhece.
— Somos irmãos.
— Sim. — E Gaara gostava disso. — Ela é romântica. Não é algo que eu soubesse sobre ela, mas agora sei. Tenho medo de que esta característica da personalidade dela a deixe sozinha e a magoe.
— Você não sabia que a Hinata era romântica? — per guntou Sasori, sem acreditar.
— Você sabia? — perguntou Gaara, com um ciúme inaceitável.
— Eu lembro que ela reagiu bem quando nossa mãe a colocou naquele quarto que parece um harém.
— E a partir disso você deduziu que ela era român tica?
—S im. — E pelo modo que olhou o irmão caçu la Sasori estava lhe perguntando como Gaara não notou antes.
Gaara ficou sério, mas não respondeu nada. Depois, voltou ao assunto.
— Que seja. Agora me pergunto se ela não namora porque criou um ideal romântico qualquer, daqueles que jamais se encaixarão num homem de carne e osso.
— E você acha que apresentá-la aos prazeres do sexo a ajudará a superar esta obsessão fantasiosa?
— Ela é vulnerável a mim e não a outros homens. Talvez eu possa lhe mostrar que sexo não é amor, o que a deixaria mais aberta a relacionamentos. — Algo in cômodo se apoderou do coração de Gaara ao pensar em Hinata com algum estranho no futuro, mas o sheik igno rou aquilo. — Não vou mentir para ela, nem prometer nada que não pretenda cumprir.
— É assim que você justifica roubar a inocência dela?
— Você acha que estou errado?
— Acredito que você precise da Hinata mais do que quer admitir.
— Eu já admiti que ficarei perdido sem ela.
— Sim.
— Mas?
— Eu disse alguma coisa?
— Você está pensando.
— Você a quer o suficiente para ignorar seus bons motivos para deixá-la em paz. Estes motivos estão gra vados em você. Se você os está ignorando é porque seus sentimentos devem ser profundos.
— Eu não neguei que a desejo.
— Mas tem certeza de que é apenas físico?
— Ela é minha amiga também. Minha melhor amiga. Por algum tempo, Sasori ficou olhando para ele em silêncio. Finalmente o irmão mais velho exibiu um de seus raros sorrisos.
— Você deve fazer o que acha melhor, claro, mas eu acho que seu plano de fazer amor com a Hinata vai, no fim, ser prejudicial para ela.
Gaara não conseguiu esconder a surpresa. Ele espe rava que seu irmão fosse repreendê-lo por ser egoísta e criar justificativas em proveito próprio.
— Está falando sério?
— Sim, mas eu espero ser seu padrinho no casamen to. Afinal, sou o mais velho. — Com isso, Sasori golpeou o ganharão que saiu a galope.
Gaara sentiu-se desafiado e golpeou seu cavalo, que se pôs a galope também. Ele não sabia que o desejo de Sasori de ser seu padrinho de casamento, quando ele en contrasse uma esposa, tinha a ver com Hinata, mas certo alívio tomou conta de seu corpo, por isso o sheik estimu lou o cavalo a correr mais rápido.
Sasori não achava que Gaara estava errado em seduzir Hinata. Ele entendia as justificativas do irmão, o que sig nificava que eram fortes até mesmo para Gaara.
Ótimo. Até porque o sheik não podia lutar contra o desejo de possuir Hinata. Não depois daquele beijo. Não depois que ela ameaçou abandoná-lo.
Hinata acordou se sentindo melhor. Ela tinha um plano e, como Gaara mesmo dissera mais de uma vez, quando Hinata Hyuuga tinha um plano, ele ficava com medo.
Ela se lavou às pressas e foi diretamente para o estú dio da rainha. Hinata era uma entusiasta de idéia de se procurar sempre o conselho de um profissional. E quan do se tratava de mudar uma imagem, ela achou, com cer teza, que nenhuma outra pessoa lhe aconselharia melhor do que a rainha Karura.
A secretária da rainha deixou que Hinata entrasse nos aposentos.
Karura mexia em uma pilha de papéis espalhados ao redor dela. Pareciam folhas de um calendário.
— Trabalhando na sua agenda? A rainha cocou a cabeça.
— Sim. Não é uma coisa fácil agora que minhas antigas secretárias se casaram e têm suas agendas próprias. Eu tenho de le var isso em conta quando estou fazendo meus próprios horários. Só a tarefa de coordenar as viagens é de dar medo ao mais hábil dos estrategistas.
Hinata sorriu solidária.
— Você está usando o novo programa de compromis sos que eu lhe recomendei no ano passado?
— Sim. Mesmo assim, preciso primeiro descobrir os eventos... — Karura apontou para vários calendários so bre a mesa. —... depois adicioná-los ao sistema.
— Mas é mais fácil tomar conta de tudo — acrescen tou a secretária da rainha.
— Posso fazer algo para ajudá-la? — perguntou Hinata, apontando para os papéis.
— Gaara não precisa que você trabalhe para ele hoje? — perguntou a rainha, surpresa.
— Eu decidi tirar o dia de folga.
Agora Karura levantou as sobrancelhas quase até os cabelos. Ela se virou para sua secretária particular.
— Pode pegar um café para nós na cozinha? Acho que vamos precisar.
A jovem saiu e então Karura voltou sua atenção para Hinata.
— O que está acontecendo?
— Como assim?
— Você trabalha para o meu filho há cinco anos. — A rainha se aproximou, pegando Hinata pelo pulso.
— Sim.
— E você alguma vez tirou o dia de folga como agora?
Hinata percebeu que estava sendo puxada lentamente para a poltrona ao lado de Karura.
— Hummm. Não.
— Então, diga... Hinata riu.
— Você não parece uma rainha neste momento. Mas Karura não sorriu.
— Acho que não. Eu pareço uma amiga e mãe preo cupada, porque é o que eu sou.
— Eu quero mudar minha aparência — Hinata deixou escapar.
Várias expressões passaram pelo rosto da rainha. Primeiro surpresa. Depois, dúvida. E por fim alegria.
— Finalmente.
— Como?
— Há quatro anos eu espero que você venha a mim com este pedido.
— Você acha que pareço tão mal assim? — perguntou a secretária, sem saber se estava se sentindo ofendida ou irritada.
— Não, claro que não. Mas você não se parece com uma futura princesa e é isso o que você pretende, não é?
— Como você sabia? — sussurrou Hinata.
— Eu sei do seu amor pelo meu filho desde a primeira vez que vi vocês dois juntos.
— Mas e agora? Como você sabia que eu quero fazer com que ele me veja como uma possível esposa?
— Era inevitável.
— Como?
— Você já se perguntou por que não discuti com meu marido quando ele combinou com o rei Fahd o casamen to de Gaara com a princesa Lina?
— Na verdade, não. Ela é uma princesa, uma esposa mais conveniente para Gaara.
— Conversa mole. É assim que se diz, não? — per guntou Karura. — Não vivemos mais na Idade Média, mesmo que os homens da minha família se comportem como bárbaros de vez em quando.
— Mas se você sentia isso, por que não lutou contra o casamento arranjado? — perguntou Hinata, perplexa.
— Algo tinha de ser feito para acordar meu filho.
— Mas e se ele acabasse se casando com a princesa Lina? — Hinata quase começou a chorar ao se lembrar da dor que sentira quando pensou que Gaara se casaria com outra mulher.
Karura desprezou esta possibilidade com um aceno.
— Eu tinha um relatório sobre ela. Você sabia que ela é cidadã americana?
— Não — respondeu Hinata, chocada.
— Nem a família dela, mas eu descobri. Uma mulher que se esforça assim para proteger sua independência não vai se submeter a um casamento arranjado.
— Mas ela é uma princesa.
— Ela não foi criada em sua terra natal. O pai dela cometeu o erro de acreditar que linhagens reais po diam ser garantia de lealdade, quando o que importa é o amor.
— Mas e se você estivesse errada?
A rainha arregalou os olhos, com uma certeza arro gante.
— Eu não estava. — Então sorriu. — E eu também estava certa sobre outra coisa.
— O quê?
— Você finalmente percebeu que, com um pouco de esforço, poderia fazer com que meu filho visse que você é a esposa de que ele precisa.
— Se você acreditava nisso, por que não disse nada antes? Você sabia o que eu sentia...
— Claro. Não sou cega, mesmo que meus filhos se jam um pouco.
— Então?
— Hinata, você tinha que encontrar a força dentro de si mesma para acreditar nesta possibilidade. Eu não po dia lhe dar esta força. Do mesmo modo que Kankuro teve de encontrar em seu interior a convicção para lutar pela felicidade ao lado da Temari.
— Mas...
— Gaara não vai se convencer facilmente. Você sabe disso. Mas você não pode desistir. Você tem de ter cer teza de que pode ser a escolhida dele. Ninguém, nem mesmo eu, podia lhe dar esta certeza.
— Exceto Gaara — admitiu Hinata.
— Ele disse alguma coisa? Estou surpresa. Eu acho que ele ainda não se abriu para o que sente de verdade.
— Não sei nada sobre os sentimentos dele, mas ele me deseja.
— E isso bastou para lhe dar coragem para aceitar sua beleza interior?
— Para procurá-la a qualquer custo.
— Como queira. Eu estava ansiosa por este dia e es tou entusiasmada como uma menininha agora que você está aqui. — Karura levantou-se. — Venha, temos muito que fazer e nosso tempo, como sempre, é curto.
Hinata sentiu pena da jovem secretária que ouviu de Karura que algo urgente acontecera, por isso ela foi dei xada sozinha com o café e uma pilha de calendários.
Mas Hinata não teve muito tempo para sentir pena da outra mulher, porque logo percebeu que estava sendo le vada para o aeroporto real.
— Para onde vamos?
— Atenas. Temari se juntará a nós. Assim como a con sultora de moda que eu contratei especialmente para a ocasião. Ela está na capital e nos encontrará no aero porto.
— Mas você não podia imaginar que eu pediria sua ajuda.
— Eu tinha tudo planejado. — E pelo modo como a rainha disse aquilo, Hinata ficou feliz por ter pedido ajuda a Karura.
A viagem a Atenas foi rápida. A consultora de moda perguntou a Hinata o que ela sentia sobre milhares de coisas. Quando aterrissaram no aeroporto onde estivera com Gaara no dia anterior, desta vez havia apenas uma pessoa esperando por elas no saguão. Bem, na verdade três, com os guarda-costas.
Temari se aproximou e abraçou Karura e Hinata.
— Então hoje é o dia da grande transformação?
— Não tanto uma transformação e mais uma mu dança... Queremos revelar a beleza natural e o estilo da Hinata sem ignorar as coisas que fazem dela uma mulher especial — disse a consultora de moda.
A rainha Karura concordou, aprovando.
— Não vamos transformá-la numa gatinha cheia de sensualidade, mesmo que meu filho demonstre apreciar isso mais do que tudo.
Temari ria, enquanto Hinata ruborizava de vergonha. A consultora de moda, uma elegante francesa com a pele bronzeada e alta como Hinata, apenas sorriu.
— Vamos começar. — A rainha bateu palmas e, mi lagrosamente, todos os guarda-costas e mulheres se co locaram em movimento, para o mais luxuoso bairro de compras de Atenas.
Sabrina, a consultora de moda, insistia que Hinata deveria ter aulas sobre penteado e maquiagem antes, porque isso poderia influenciar na compra das roupas. Hinata geralmente cortava seu cabelo em salões a que ti nha acesso e raramente usava aqueles cabelos azuis soltos.
— Vamos começar com uma hidratação e uma texturização— disse o cabeleireiro. — A primeira vez pode demorar até três horas. Mas depois que você começar a fazer isso a cada seis meses será menos demorado.
— Texturização? A cada seis meses? — perguntou Hinata, desesperada.
A rainha não tinha tempo a perder. Ela e Sabrina pas saram os primeiros trinta minutos discutindo a palheta de cores de Hinata. Temari sumiu para um almoço com o marido. Karura comprou comida para todas as pessoas do salão.
Três horas depois, Hinata olhava para si mesma no es pelho. Seu cabelo não só estava "texturizado", como tam bém fora cortado. Não mais curto. Deram-lhe forma. Ela aprendeu a deixá-lo ondulado em casa com o uso de uma babyliss.
— Mas você também pode usá-la liso e ain da assim manter o estilo — disse o cabeleireiro. — As ondas suaves vão combinar com seu belo rosto.
O cabelo estava longo o bastante para que Hinata sentisse ele balançando e acariciando seu quadril.
A lição de maquiagem foi nada menos do que um cho que cultural para Hinata. A especialista em cosméticos a ensinou a aplicar diferentes sombras e combinações ade quadas para roupas cotidianas ou especiais, tanto para o dia quanto para a noite.
— Teremos outra aula amanhã, então se preocupe em aprender tudo de uma vez.
Hinata olhou para Karura.
— Amanhã?
— Não se pode esperar que uma mudança deste tipo seja feita em poucas horas.
— Mas Gaara...
— Ele sobreviverá com o pai e o irmão mais velho mantendo-o ocupado.
— Eles também estão envolvidos nisso?
— Claro que não.
O suspiro de alívio foi também a última vez que Hinata respirou de verdade nas seis horas seguintes. As mulhe res fizeram compras em mais lojas do que Hinata estivera em toda sua vida. Ela não sabia que experimentar roupas podia ser tão exaustivo. Ou libertador.
Hinata descobriu que gostava de várias coisas que estavam na moda e detestava praticamente tudo o que tinha no guarda-roupa de casa. Então porque ela vestia aquilo? Porque aquelas roupas permitiam que Hinata se escondesse, mas aquilo era passado.
Ao voltar para a casa de Kankuro e Temari, à noite, Hinata estava tão cansada que mal podia manter os olhos abertos.
— Você foi ótima hoje — disse a rainha.
— É mesmo — concordou Sabrina. — Você foi uma das clientes mais fáceis que já tive.
— Você considera isso fácil? Sabrina riu.
— É cansativo, mas você é adorável e só precisa mos trar isso, sem inventar nada.
Hinata não sabia se acreditava no que a consultora lhe dizia, mas estava exausta demais para discutir.
Dois dias mais tarde, ela estava de pé em frente ao espelho no vestíbulo de Kankuro e Temari, enquanto esperava que o motorista as pegasse para levá-las ao aeroporto. Hinata não reconheceu a mulher que a olhava e ainda assim a conhecia intimamente. Era disso que Sabrina es tava falando.
Aquela mulher era Hinata Hyuuga. As roupas que ves tiam não eram nada que ela teria comprado sem ajuda, mas também não eram nada que lhe desagradasse.
A decotada blusa sem mangas cor de âmbar dava ape nas uma amostra de seus seios, destacando as linhas do restante do corpo de Hinata de um modo que ressaltava suas qualidades. A saia num tom leve de camurça chega va um pouco acima dos joelhos, fazendo com que suas pernas parecessem realmente compridas. E os sapatos de salto alto apenas reforçavam este efeito, que Sabrina insistia ser uma coisa boa.
Hinata se lembrou dos anos em que foi ridiculariza da como um varapau, anos em que teria feito qualquer coisa para esconder suas costelas magras e disfarçar sua altura. Sabrina dissera que o corpo dela era equilibrado — não magricela — e na verdade belo. Depois, para justificar o que dizia a consultora lhe mostrou uma re vista que trazia uma mulher vestindo a mesma roupa que Hinata.
A princípio, a mente de Hinata evitou uma comparação, mas nem mesmo ela era capaz de negar a semelhança en tre os corpos.
Elas tinham visto a roupa que Hinata vestia em uma revista daquelas, e a secretária adorara. Era ao mesmo tempo confortável e elegante. Hinata se sentia bem ao vestir aquilo, mas também se sentia à vontade. Não era como se ela estivesse tentando se passar por outra pessoa.
Hinata agora tinha todo um guarda-roupa com poucas roupas, mas que abrangiam momentos casuais ou for mais. Todas elas lhe caíam perfeitamente bem e com binavam com sua personalidade... Aquela que emergia quando Hinata começara a trabalhar para Gaara.
A personalidade que Sabrina lhe dissera que estava escondida pelas roupas largas demais e pelo corte de cabelo horrível. Ao ouvir isso, Hinata rira um pouco. Ela jamais soubera que seu cabelo era tão flexível, mas o usaria de um jeito diferente a cada dia. Às vezes até duas vezes — um estilo para o dia e outro para a noi te. O cabeleireiro a ensinara como recriar cada um dos penteados.
Hinata se sentia segura quanto à mulher que a encara va do espelho, à vontade em sua própria pele e entusias mada para descobrir qual seria a reação de Gaara àquela mudança.
Em algum momento no dia de ontem ela entendera algo que a rainha lhe falara no escritório. Hinata tinha de fazer esta transformação por si mesma. Não por causa do desejo de alguém ou simplesmente porque esperava provar a si mesma ser digna de Gaara.
Mas porque já era hora de parar de esconder a ver dade de Hinata Hyuuga.
E foi exatamente isso o que Hinata fez. Parou de se esconder de si mesma. Ela esperava que a nova Hinata pudesse atrair o interesse de Gaara. Mas, se isso não acontecesse, ela jamais voltaria a ser aquela mulher tão incomodada com sua feminilidade que não era capaz nem mesmo de usar um batom.
Caramba, agora Hinata sabia até mesmo usar delineador e brilho para os eventos noturnos.
Ela sorriu e se virou para a porta no exato instante em que a rainha surgiu no corredor.
Hinata abraçou fortemente a mulher.
— Obrigada.
— Você fez isso sozinha.
— Mas você tornou isso possível. Os olhos da rainha ficaram úmidos.
— O que posso dizer? Eu gosto de me meter no as sunto dos outros.
Hinata deu uma gargalhada.
