NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPÍTULO DEZ
Ela não estava rindo quando chegou a Zorha.
Gaara estava esperando por Hinata no hangar. Usando uma vestimenta típica do deserto, com a faixa colorida e a guttrah que eram símbolos da sua realeza, ele pare cia ameaçador. Hinata sempre achava que aquelas roupas cobriam com uma aura de mistério o homem que ela co nhecia quase tão bem quanto a si mesma.
Quando Gaara vestia aqueles trajes, Hinata o imagina va como o sheik da antigüidade. De um tempo do qual vinham as mais interessantes idéias dele.
Apesar da luz forte do sol do deserto caindo sobre eles agora, seu rosto estava tão sombrio que Hinata quis iluminá-lo com uma lanterna. Gaara estava compenetra-damente e totalmente, cem por cento repressor. O olhar que ele lançou ao banco, a sua própria mãe, era capaz de pôr fogo em neve.
A rainha mal levantou o rosto para um beijo, que Gaara lhe deu, apesar de sentir que todo seu corpo tremia de raiva. Karura então passou pelo filho e entrou numa limusine, deixando Hinata sozinha.
Sentindo apenas um pouco de medo, Hinata tentou se guir a rainha, mas Gaara se pôs ao pé da escada, de modo que ela não pudesse passar diretamente por ele.
— Onde você esteve?
— Eu deixei uma mensagem avisando de que estaria ocupada com sua mãe.
— Um e-mail que você sabia que eu não leria ime diatamente — resmungou Gaara, deixando claro que não gostou de como foi comunicado. — Você não entrou em detalhes. Você não atendeu ao telefone nem respon deu minhas mensagens. Eu tive de perguntar ao meu pai onde a rainha fora para descobrir que você voltou à Grécia.
E aquilo não a deixara bem com ele. Gaara não gos tava de ter de consultar outras pessoas para saber onde Hinata estava. Ela entendia, mas aquilo foi necessário. Se tivesse conversado com Gaara, eles teriam brigado nova mente... Durante todo o tempo que esteve na Grécia, ela ainda estava furiosa com o sheik. Embora aquela raiva não tenha diminuído em nada o desejo de Hinata de se guir com o plano.
— Foi uma viagem necessária.
— É o que você diz. Se era tão necessária, por que você não me levou junto?
— Não foi uma viagem de trabalho.
— Então nós voltamos ao terreno das coisas pessoais? Por que minha mãe é digna de suas confidencias e eu não? — perguntou, como um legítimo e ofendido sheik.
Hinata o encarou, surpresa de que o motivo não esti vesse claro para ele.
— Acho que você não gostaria da maratona de com pras e sessões de maquiagem. Você nem mesmo gosta de fazer compra com suas namoradas. Você me obriga a fazer isso.
E, sério, como Gaara podia confiar no seu bom gosto, considerando o modo como se vestia e as lojas que fre qüentava? Não era uma boa idéia.
— Maratona de compras? Você ficou fazendo com pras durante três dias? — perguntou Gaara, com uma voz ameaçadora. — Enquanto eu me perguntava se você vol taria para mim você estava comprando o quê?
— Você realmente não vê — ela perguntou.
Gaara a observou com os olhos estreitos, sem lhe dar nenhum indício do que pensava sobre as mudanças.
— Maquiagem... Roupas diferentes do traje barato de escritório... O que isso tudo significa?
— O que significa? — perguntou Hinata, vendo que a limusine com a rainha e os guarda-costas se afastava, deixando-a sozinha com um maluco.
Bem, quase sozinha. A tripulação do avião ainda esta va a bordo, mas não ali... Na pista onde um sheik furioso lhe fazia perguntas estranhas.
— Isso é para o Jerry? — Gaara apontou para a nova aparência da secretária com um aceno de mão. — Você quer convencê-lo a se tornar mais do que seu novo patrão?
— Pela última vez, eu não vou trabalhar para o Jerry! — gritou ela na cara de Gaara. Gaara não recuou.
— Então para que isso?
— Eu fiz isso para mim mesma. Entende?
— Entendo. Claro que entendo, mas por que agora, quando temos estas questões não resolvidas entre nós?
Gaara considerava aquela carta de demissão como uma questão não resolvida!
— Eu precisava de um tempo. Você precisava de um tempo.
— Eu não preciso de tempo. Preciso de você. — En tão Gaara fechou a boca, como se quisesse se impedir de falar aquilo.
— Eu senti a sua falta também — disse Hinata.
Boa parte da raiva que sentia de Gaara já havia se dissolvido. Mas quando o sheik confessara que pre cisava dela, e ninguém mais, o restante da raiva desa pareceu.
— Não era preciso. Eu podia ter ido com você.
— Você tinha reuniões.
— E você acha que elas foram prazerosas sem você? Eu não conseguia encontrar nada.
Hinata deu uma risadinha.
— Você realmente fica indefeso sem mim.
— Não seja tão convencida. Não fica bem.
— Minha boca está trancada sobre isso.
— Não acho que deixei de ficar com raiva de você.
— E por quanto tempo você acha que isso vai durar? Talvez eu deva pedir ao piloto para me levar de volta à Grécia enquanto isso.
— Você não vai mais me abandonar. — Gaara estava falando sério.
— Nem vou para o palácio, se você não sair da frente.
— Eu preciso estar bem perto de você. Afinal, você pode desaparecer novamente. — Por que aquilo soava tão insinuante?
— E do que exatamente você precisa? — O que era aquilo? Hinata estava flertando? Ela achava que sim. E muito bem.
— Tenha certeza de que precisarei de algo. — A pro messa na voz dele atingiu todos os nervos do corpo de Hinata. Gaara lhe esticou um braço. — Venha.
Apoiando-se no braço dele, ela sentia o calor do corpo do sheik por sob as vestimentas tradicionais.
— Será que é uma péssima hora para lhe avisar que sua mãe fugiu com a limusine?
— Eu tenho meu carro. Hinata viu um Jaguar.
— Adoro andar neste carro. Obrigada por tê-lo trazido.
— Meus motivos não são tão agradáveis. Mas que bom que você ficou feliz.
— Tem certeza? Nem um pouco?
Gaara suspirou, olhando para Hinata com uma mistura de perplexidade e graça.
— Talvez um pouquinho.
— Qual sua maior motivação para trazer o carro?
— Eu queria um lugar para brigarmos sem sermos interrompidos.
Hinata deu uma gargalhada.
— E agora?
— Você está aqui. Percebi que minha necessidade de bater no peito e fazer barulho diminuiu.
— Você realmente me vê como algo que lhe pertence? — Será que Gaara não conseguia ver como isso revelava seus pensamentos mais escondidos sobre Hinata?
— Já disse que sim.
— Mas, Gaara, sou sua secretária, não sua namorada.
— Ainda bem. Minhas namoradas não duram muito na minha vida, e o seu lugar nela é bem mais duradouro.
— Você já se esqueceu do meu pedido de demissão?
— Estou me esforçando para esquecê-lo. Hinata não sabia o que dizer. Caso seu plano de lhe mostrar que era uma esposa em potencial para os pla nos do sheik falhasse, ela ainda teria de se demitir. Mas; Hinata não queria que sua saída iminente pairasse sobre a cabeça deles, deixando-os nervosos. Ela achava que poderia lidar com isso quando fosse à hora e se tivesse mesmo de se demitir.
— Nós podemos adiar esta discussão por enquanto — disse ela.
— Já está adiada. — E Hinata percebeu que Gaara esquecera aquele assunto antes mesmo que ela fosse à Grécia.
— Arrogante.
— Você é amiga da minha mãe... Você conhece meu pai... Meus irmãos... E ainda me culpa?
— Só porque sua família é assim não significa que você precise ser também.
— Eu não me acho arrogante.
— Mesmo?
— Eu prefiro o termo confiante.
— Sei que prefere.
— Você está ficando saidinha, Hinata.
— Isso é ruim?
— Só se você não quiser que eu faça isso.
— O q...? — Mas a palavra foi tomada de seus lá bios.
Quente. Macio. Delicioso. Tudo aquilo que Hinata se lembrava da noite antes de ir para a Grécia e muito mais. Ela gemeu o corpo pesando contra o dele, enquanto suas bocas se acariciavam. Gaara era tão saboroso...
O sheik lhe acariciava o seio, despertando sensações.
— Eu gosto disso — disse Gaara contra os lábios de Hinata.
— O q-quê?
— As roupas novas. Gosto da textura delas, mas não deve ser tão bom quanto tocar em sua pele nua.
— São confortáveis — murmurou Hinata, retoman do o beijo depois de entender o impacto daquelas pa lavras.
Então ela ficou imóvel.
Gaara levantou a cabeça um pouco, apenas para que sua boca ficasse a centímetros da dela.
— Mas talvez você devesse voltar a usar suas roupas antigas.
— Por quê? — perguntou Hinata, ainda pensando na quela coisa de ficar nua.
— Porque outros homens serão um aborrecimento agora que estas roupas destacaram sua sensualidade.
— Homens como Jerry? — provocou Hinata.
— Maldito seja... Ele a notou antes da mudança.
— E você também.
— Lembro disso, Hinata.
Ela não entendeu direito aquilo, mas o afeto se espa lhava por seu corpo e coração. Hinata se permitiu amolecer-se contra o corpo de Gaara, algo que estava ansiosa para fazer.
Gaara voltou a beijá-la, fazendo com que Hinata se lembrasse das coisas que ele lhe ensinara naquela noite no escritório e lhe mostrando mais. O barulho das esca das sendo retiradas do avião foi acompanhando por uma voz em sua mente.
O sheik se afastou, aflito.
— Aqui não é lugar.
Hinata olhava em volta, perdida. O hangar estava ago ra vazio, o avião fechado e as escadas foram retiradas. A tripulação os avistara. Será que as notícias sobre o beijo se espalhariam?
A família real era particularmente intolerante com fo focas, mas isso podia acontecer. Hinata não podia acredi tar que Gaara se arriscasse tanto. Ela o encarou com olhos curiosos, enquanto o sheik cuidadosamente a recostava de volta no banco, simplesmente porque Hinata parecia não ser capaz de se mexer.
Gaara ligou o motor e o ar-condicionado. Hinata colo cou o rosto bem em frente a uma das ventarolas.
— Está precisando se refrescar?
— Sim. — Ela não foi capaz de mentir.
Amor não-correspondido era algo difícil de aceitar, mas uma luxúria completamente recíproca era algo com pletamente diferente. Mesmo com o ar soprando em seu rosto, Hinata percebeu que era difícil respirar. Ela queria simplesmente que Gaara parasse o carro para que fizes sem amor.
— Eu nunca fiz em carros.
— Em carros?
— Nunca fiz amor dentro de um carro.
—Agora sei no que você está pensando. Hinata olhou para o sheik e para o colo dele.
— Também estou vendo no que você está pensando. Ele riu aquele som sensual preenchendo todo o carro.
— Então você finalmente viu minha querida inocente.
Hinata voltou à ventarola, sem ousar respondê-lo. Ela estava completamente vermelha.
Gaara passou os dedos pelos cabelos da secretária.
— Gosto disso.
— Menos escorrido?
—Ah, gosto do cabelo liso, Hinata. Mas tam bém gosto do cabelo ondulado. Está lindo.
— Você quer que eu use meu cabelo assim?
— Quero que você seja você mesma — disse, rindo.
— Mas você gosta do penteado? — ela perguntou. Agora que a conversa tinha voltado ao normal, Hinata queria detalhes da opinião dele.
— Sim. E da maquiagem. E das roupas — disse Gaara, fazendo mais esta concessão e provando que a conhecia e se importava com ela o suficiente para lhe dar o que Hinata queria ou precisava. — Mas eu também gostava de você antes. Se é que você não sabia.
— Você nunca me pediu para melhorar minha ima gem para que isso se refletisse em você.
— Sempre achei você agradável, mas esta aparência... Parece a revelação de algo escondido.
— É como eu me sinto. Acho que passei muito tempo com medo de ser uma pessoa especial e falhar.
— Porque você sempre se viu como alguém com me nos talentos e habilidades que seus irmãos.
— Mas, como você sabia? Eu nunca lhe contei.
— Passamos muito tempo juntos nos últimos cinco anos, Hinata. Eu a conheço melhor do que ninguém.
— Idem.
— Sim, embora meus irmãos cheguem perto.
— Sasori ou Kankuro?
— Sasori. Ele é muito perspicaz.
— E eu aqui achando que ele estava ocupado demais sendo o herdeiro para reparar nas outras pessoas.
— Observar é parte do trabalho dele. Sasori percebeu já há muito tempo que você é uma romântica.
— Sério?
— Ah, sim. Fiquei envergonhado por não perceber isto antes.
— Provavelmente porque eu escondia.
— Não dele. — Gaara pareceu infeliz ao dizer aquilo. Hinata tocou-lhe o braço.
— Às vezes é preciso distância para ver as coisas. Nós estamos muito próximos.
— Sim... E você é muito especial. Única. Não se es queça disso.
— Obrigada. Sou uma boa secretária. Eu sei disso... E preciso uma habilidade especial para manter sua vida correndo sem atropelos.
— Sim, mas você é mais do que o seu trabalho, Hinata.
— Você não diria isso se soubesse o quanto eu tra balho.
— Você está querendo dizer que sou um chefe difícil?
— Mais exigente intrometido e persistente.
— Você acha que sou persistente?
— Eu sei que é. Não se esqueça de que conheço todos os aspectos da sua vida.
— Só não sabe de um aspecto, mas logo saberá. Uau, ele estava sendo direto.
— Você está se referindo ao sexo.
— Amor... Sim.
Gaara estava completamente seguro.
— Preciso saber uma coisa.
— O quê?
— Eu sou apenas um corpo à disposição?
— Não há nada disponível em você, Hinata. Como você mesma diz, sou protetor, e você é um desafio... Um enorme desafio para mim, de várias maneiras. Não será fácil esconder da minha família se eu levá-la para a cama. E nem será um assunto fácil para quando voltar mos para Nova York.
— Mas este trabalho todo vale o esforço?
— Quando você saiu para sua viagem inesperada, eu percebi que não tinha escolha. Eu a desejo, Hinata, e eu a possuirei.
Não era apenas segurança... Era um desespero, nas cido do desejo. Gaara tinha de possuí-la e Hinata sabia exatamente o que era sentir aquilo.
— Eu também o desejo, Gaara.
— Que bom.
— Você disse que já sabia.
— É verdade, mas acho que precisava ouvir isso. Ele pousou a mão sobre as delas, na coxa.
A intimidade daquele gesto a enlouqueceu.
— Tudo bem.
— Você entende. Esta coisa... Esta...
— Luxúria?
— Não sei se gosto da palavra. Luxúria é um termo que pode ser mal interpretado. O que sinto por você é físico, sim, mas você também é minha melhor amiga.
Era com isso que Hinata contava.
— E?
— E meu desejo por você... Seu desejo por mim... Isso não pode ser classificado como luxúria.
— Mas não é amor. — Ela quis dizer para ele. Hinata já sabia que o amava, mas não que Gaara lhe corres pondia.
— Isso é um problema para você? — perguntou o sheik antes de responder.
— Eu... — Era? Hinata não sabia, mas se não assumis se o risco, jamais saberia se poderia sentir aquele desejo profundo. — Não.
— Você é romântica, Hinata... Você quer que sua pri meira vez seja com alguém que você ame.
— Eu amo você. — As palavras foram ditas sem que ela acreditasse, e sem que pudesse pegá-las de volta.
— Eu sei... Como um amigo... Sou seu melhor amigo e talvez isso baste para saciar seu lado romântico — dis se Gaara, tentando se convencer.
Ele não disse mais nada e foi só quando o silêncio se impôs que Hinata percebeu que o sheik não a estava levando para o palácio. Assim que ela percebeu, Gaara parou o carro em frente a um prédio que parecia estar no meio de lugar nenhum.
— O que estamos fazendo aqui?
— Mudando nosso meio de transporte.
Ele estacionou o Jaguar na garagem. Então a levou até os fundos do prédio, onde havia um jipe cor de areia. Um homem usando vestimentas do deserto colocou as malas dela no porta-malas, junto com dois estojos de couro que já estavam lá.
— Já que íamos trocar de carro, por que você já não levou o jipe ao aeroporto?
— Eu não sabia se faríamos esta viagem hoje.
— Ah, porque você estava com raiva de mim.
— E eu não sabia por que você saíra do palácio. De pois das coisas que você disse e das palavras cruéis que eu disse, não sabia se você estaria com raiva de mim.
Foi a primeira vez que o sheik se mostrou inseguro. Hinata ficou emocionada.
— Eu estava triste, mas percebi que você disse algu mas daquelas coisas no calor do momento.
— Isso é verdade.
— E agora eu percebo que você me deseja. Isso é im portante para mim.
— Como deveria ser. Hinata olhou para o Jipe.
— E você provavelmente não queria que sua mãe sou besse que nós vamos para o deserto. Levar o Jaguar ao ae roporto foi inteligente. Você pode ser sorrateiro às vezes.
— Só quando tenho os melhores motivos.
Eles pegaram a estrada novamente, quando Hinata perguntou:
— Aonde vamos?
— Como sempre, você está fazendo perguntas demais.
— Não estou a fim de mudar isso.
Gaara a olhou pelo canto do olho. Um olhar que evo cava várias perguntas.
— Você mesmo disse que não era uma mudança, e, sim, a minha essência sendo mostrada.
— Combina com você, mas é uma mudança. Esta ne cessidade de ser notada, isso é novo. Mas é bom. Eu gosto.
— Acho que dei meu primeiro passo no sentido de parar de me esgueirar pelas paredes quando aceitei o emprego para ser sua secretária. Você não fica se esgueirando pelos cantos.
— E já que você está próxima de mim, também não.
— Não, Até porque sou sua secretária. E as pessoas me notam porque querem se aproximar de você.
— Ou me cercarem.
— Às vezes.
— Mas estas pessoas logo aprendem que isso só acon tece quando nós dois queremos.
— Exatamente.
— Formamos uma bela equipe, Hinata.
Era o que ela esperava. Mas Hinata sabia que, naquele momento, eles estavam pensando em um tipo de equipe diferente. Hinata tinha de descobrir se era capaz de fazer com que Gaara quisesse o mesmo que ela.
