Capítulo 18 – A felicidade assusta
"Será que finalmente descobriremos o sexo do bebê?". Cuddy estava ansiosa a caminho do ultrassom. Aliás, ela só falava nisso há semanas. Nos últimos exames o bebê estava em uma posição nada favorável para a identificação do sexo, dessa vez Cuddy fez de tudo o que encontrou na internet ou o que a indicavam para que o bebê estivesse ativo na hora do exame.
"Você ingeriu tanta coisa que dará uma parada cardíaca para esse feto". House disse.
"Vire essa boca pra lá! E eu não ingeri tanta coisa assim...".
"Não? Chocolate de seis tipos diferentes".
"Dizem que o bebê fica agitado e abre as perninhas".
"Ok, se eu soubesse disso teria dado chocolate pra muitas garotas por aí".
"Ai!". Ele reclamou segundos depois quando apanhou.
"Não fale de outras mulheres pra mim". Cuddy disse tentando fingir irritação.
"Isso quando eu estava sozinho, claro. Antes de você".
"Mesmo assim". Ela estava inquieta e ansiosa. "Vamos logo!".
"Esqueceu que o seu namorado é manco?".
Ela nem ouviu, o puxou pelo braço.
"Por que você continua vindo ver a Dra. Sara se o seu hospital é muito mais perto".
"Justamente por isso. Não quero minha vida pessoal misturada a minha vida no hospital".
Ele riu.
"O que?".
"Hipocrisia. Eu sou sua vida pessoal e sua vida profissional e tudo ao mesmo tempo".
"Eu sei, por isso quero separar o que for possível. Já tem muito de nós lá".
"E o parto?".
"Será lá".
Ele sorriu.
"É diferente".
"Completamente". Ele respondeu sarcastico.
"Dra. Sara fará o parto lá com a equipe dela".
"Não vai parecer que você está desmerecendo os médicos estúpidos que contratou?".
"Não, vai parecer que eu não quero que eles vejam minha vagina".
"Ok, pensando por esse lado... Eu também prefiro assim. Sara ver sua vagina até que tudo bem, ela é meio bonitinha".
"Ai! Outro tapa? Isso já é violência domestica".
"Pare de falar bobagens que os tapas param".
Ele sorriu. Ele estava feliz em um relacionamento depois de anos... Será que isso era motivo de preocupação? Nada fica igual, tudo muda. De repente ele ficou sério.
"Olá!"Cuddy disse assim que abriu a porta do consultório.
"Olá pais! Eu espero que dessa vez possamos identificar o sexo do bebê". Dra. Sara os recebeu gentil.
"Algo me diz que conseguiremos ver". Cuddy respondeu ansiosa.
"Depois de tanto chocolate... Ou veremos ou ela vai ficar obesa".
Cuddy olhou feio para ele.
Dra. Sara riu. Era comum as mães comerem chocolates antes do ultrassom.
"Mas antes de ver o sexo, é claro que minha preocupação maior é que o bebê esteja bem". Cuddy falou apreensiva.
"Vamos descobrir tudo isso já".
E Cuddy foi conduzida a cama. Ela estava com o olhar tenso, mas não mais tenso do que o de House. Algo lhe ocorrerá, a felicidade não duraria, era uma ilusão, sempre foi. Algo errado aconteceria, certamente.
"O gel está quente, eu o mantive aquecido". Dra. Sara disse educada enquanto esfregava o produto no abdômen de Cuddy.
"House". Ela o chamou. "Venha mais perto".
"Ok". Ele respondeu saindo de seu transe mental.
Cuddy não sabia o que aconteceu, mas tê-lo perto fisicamente era reconfortante.
"Olha isso... O bebê está com as pernas bem abertas". Dra. Sara anunciou feliz. "Olha só... Eu já sei o que temos aqui e não resta duvidas. Posso revelar?".
"É um menino!". House a cortou.
"Isso mesmo, papai". Ela disse para ele. "É tão bom quando temos médicos como pais...".
"Ou tão ruim porque atrapalha o seu trabalho". House disse.
"Espere! É um menino?". Cuddy perguntou ainda em choque.
"Um meninão. Ele é grande e muito saudável. Deixe-me só fazer algumas checagens de rotina".
"Ele tem um pênis grande pra idade". House falou fazendo Dra. Sara rir. "Típico pai".
"Pai machista". Cuddy disse. "Um menino!".
"Agora você será mãe de um casal". Dra. Sara falou.
Cuddy abriu um largo sorriso e pegou a mãe de House.
"Obrigada!".
"Por dar um pênis grande para o bebê?".
"Não! Claro que não. Obrigada por me dar esse bebê".
"Oh, foi um prazer, literalmente falando".
Cuddy corou e Dra. Sara riu. "Ele é uma figura".
"O bebê?". House perguntou novamente.
"Não, você". Ela disse. "Desde os tempos de faculdade Gregory House nunca decepciona!".
"Ele é uma figura...". Cuddy concordou. "Está tudo bem com o bebê?".
"Ouça por si mesma". E o som mais lindo do mundo ecoou: os batimentos cardíacos acelerados vindos do ventre dela.
Cuddy começou a chorar imediatamente, House voltou seu pensamento para o que iria sair errado. "Você tem certeza de que está tudo bem?".
"Sim doutor House, está tudo certo com o seu bebê".
Cuddy apertou a mão dele ao ouvir aquelas palavras. Era estranho ainda, mas era tão bom. De repente um rompante de felicidade a envolveu. Ela, Lisa Cuddy, que estava receosa até agora, esqueceu-se da cautela e da prudência e se entregou a felicidade.
"Anthony".
"O quê?". House perguntou.
"Ele se chamará Anthony".
"Você decidiu isso sem mim?". House pareceu frustrado.
"Eu sempre quis um garotinho para chamar de Thony. E você me deu isso".
Ele queria contestar, mas não conseguiu depois daquela argumentação. Também, ele nunca havia pensado em nomes para bebês, nem nada do gênero. "Thony, eu gosto. Não é como Mick Jagger, Roger Waters, mas serve".
Dra. Sara sorriu. "Pais sempre são os mais engraçados".
Cuddy saiu dali pisando em nuvens. E House saiu dali extremamente preocupado e tenso.
"Vamos comprar um sorvete?".
"Você pode comer sorvete? Não é doce demais ou gelado demais? Você já comeu um balde de chocolate...".
Ela franziu a testa. "De onde isso vem?".
"Não sei... Desculpe".
"Vamos tomar um sorvete antes de voltarmos para o hospital. Eu quero pistache, e você?". Cuddy declarou.
"Você sempre quer pistache".
"Verdade". Ela riu. Ela estava feliz. Muito feliz. Ela tinha Rachel, ela tinha Thony e ela estava com o homem que amava. O resto era o resto, até mesmo o hospital. Até mesmo o hospital?
"Soube que você será pai de um garotinho". Wilson invadiu a sala dele horas depois.
"Cuddy não pode manter a boca fechada...".
"Olha quem fala. Meus parabéns, papai de Thony!".
Ele fechou a cara.
"O que foi? Você queria me dar a noticia? Fazer um chá revelação e Cuddy estragou a surpresa?".
"Claro que não".
"Então o que foi? Você queria uma menina?".
"Eu acho que... eu acho que algo vai dar errado".
"Como assim?". Wilson perguntou confuso.
"Wilson, faz parte da lei da natureza que sempre alguma coisa vai sair errado quando tudo parece bem. O universo não deixa as coisas tranquilas por muito tempo. Se existe um Deus, Ele é um ser perverso que gosta de brincar com a vida dos humanos como se fossemos marionetes".
"Uau! Me pergunto de onde isso veio".
"Deixa pra lá...".
"Você está feliz e pensa que não merece essa felicidade e que por alguma nada misteriosa isso será tirado de você?".
"Mais ou menos...".
Wilson riu.
"Nossa você seria um péssimo psicólogo rindo de seus clientes".
"Você não é meu cliente. E você poderia ao menos curtir a felicidade ao invés de pensar no que pode dar errado?".
"Você concorda que algo sairá errado então?".
"Não. Não como você pensa. Ok, sempre há algo que precisamos resolver, problemas... Mas não quer dizer que será como um grande piano caindo sobre sua cabeça. Não quer dizer que será algo com Anthony, ou com Cuddy... Você prefere viver a felicidade ou viver sofrendo esperando pelo problema que surgirá eventualmente?".
"Eu tenho que estar alerta".
"Isso não existe e você sabe".
"Se eu me entregar a felicidade serei um marionete".
"Cala a boca e aproveite a vida. Queria eu estar na sua situação. Aproveite! Só aproveite!". Wilson falou antes de sair.
House respirou fundo. "Apenas aproveite! Quão fácil é isso pra mim?".
...
Mais tarde naquele dia Wilson se encontrou com Cuddy.
"Ei, mãe do ano".
Ela abriu um largo sorriso e acariciou a barriga.
"O pai do ano está apavorado".
"House?". Ela perguntou surpresa.
"Tem outro pai?".
"O que ele te disse?". De repente ela ficou séria e tensa.
"Ele está só esperando as más noticias chegarem porque, de acordo com a teoria dele mesmo: A felicidade não pode durar".
Cuddy respirou pesadamente. Ela estava tão feliz, ele não podia simplesmente curtir aquele momento?
"Eu já disse a ele como ele é um idiota".
"Obrigada por isso". Ela respondeu com um sorriso triste.
"Tudo vai ficar bem, é só uma fase".
"Obrigada Wilson por me deixar saber".
Aquela noite Cuddy fez questão de recebê-lo com um beijo demorado. A pequena Rachel já se agitava toda quando ouvia a voz de House. Ela já o reconhecia e se animava, pois House era o adulto mais divertido ao redor, sem sombra de duvidas.
"Ei pequena Rachel, sujou muitas fraldas hoje?".
A menina sorriu.
"Se eu te pegar você irá babar em minha camisa? Já foram três essa semana".
"Coloque um babador na frente". Cuddy o orientou e trouxe o babador rapidamente.
House a pegou e a menina ficou muito feliz.
"Ela gosta muito de você". Cuddy falou.
"Ela ainda não sabe nada da vida".
"As crianças e bebês são melhores julgadores do que nós".
House pareceu ficar acanhado.
"E Thony também se mexe sempre que você está ao redor. Veja". Ela pegou a mão livre de House e levou para seu abdome. "Sente isso?".
"Sim".
"Ele já te reconhece".
House sorriu. Aquela sensação de que algo ruim o rodeando era constante.
"Você pode dar mamadeira para Rachel enquanto eu tomo um banho, por favor?".
"Ok".
Ele já sabia onde encontrar as mamadeiras, como preparar, então isso era parte da rotina. Nesses meses ele não havia percebido, mas tinha se tornado um verdadeiro perito em cuidados com bebês.
...
Horas depois...
"Vamos pra cama?". Cuddy o chamou provocativa.
"Rachel dormiu?".
"Sim".
"Ok".
"Vem meu tigrão". E Cuddy logo o jogou na cama e o montou.
"Uau, alguém está excitada".
"Quem será?". Ela respondeu começando a devorar o pescoço dele.
Bom, o fato é que eles fizeram sexo duas vezes naquela noite antes de pegarem no sono. Mas as quatro da manhã House estava desperto. Ele começou a beijá-la.
"Uhhh".
Cuddy reclamou.
"House... durma!".
"Estou sem sono".
"Amanhã é sábado, durma!".
"Quero sexo".
"Já tivemos sexo".
"Eu estou com tesão".
"Amanhã...".
Ele respirou frustrado e tentou dormir, mas os pensamentos o perturbavam e o mantinham acordado. Ele ficou entre dormir e acordar até perto das seis horas.
"Você ainda não dormiu?". Cuddy acordou para ir ao banheiro.
"Não muito".
"Está preocupado com algo?". Ela perguntou levantando-se e indo até o banheiro. House nada respondeu.
"Ei... Vamos dormir!". Ela falou quando retornou.
"Ok".
Cuddy se deixou envolver pelos braços dele e estava começando a pegar no sono novamente, estava tão confortável. De repente os lábios de House tocaram sua nuca, seu pescoço.
"House...".
Ele não respondeu e continuou a beijando.
"Ok, eu farei sexo com você".
House a virou e agora começou a lamber e mordiscar os seios dela.
"Como você pode ter tanto tesão assim? Fizemos sexo duas vezes ontem...".
"Você é muito apetitosa".
Cuddy não reclamaria do elogio e se entregou completamente ao momento. Ao final eles dormiram um pouco, mas às oito e meia ela resolveu levantar para alimentar Rachel.
"Não!". House a puxou de volta contra seu peito.
"Eu tenho que ir...".
"Você fica!".
"Rachel precisa de mim".
"Você é só minha!".
Ela sorriu. "Eu sou sua sim. Mas também de Rachel e de Thony".
"Não...".
"House... Fizemos tanto sexo que estou dolorida, preciso de um momento para minhas partes femininas se recuperarem".
"Três vezes não foi o suficiente".
"Oh sinto muito, mas terá que ser. Por enquanto...".
Ela ia se desvencilhando quando ele a puxou novamente. Ela riu.
"Hoje é sábado!".
"Eu tenho almoço com minhas amigas, você sabe... Você tem... Algo com Wilson".
"Uh...". Ele reclamou.
"Eu preciso ir!".
Ele a soltou. Cuddy levantou-se nua e rebolando a caminho do banheiro.
"Mulher má!".
Ela sorriu.
"Você está bocejando a cada segundo... A vida de mãe é mesmo complicada, hein?". Wilma falou divertida.
"Não é isso... Meu namorado me acordou de madrugada para fazer sexo".
"Oh pobre homem, você não pode sonegá-lo". Lia falou.
"Nós havíamos feito sexo duas vezes na noite anterior. E uma na manhã anterior".
"Oh não reclame, mulher! Quem me dera meu marido ainda sentisse essa atração por mim. Agora fazemos sexo em datas comemorativas apenas". Wilma confessou fazendo as mulheres rirem.
"Você está exagerando!". Cuddy falou.
"Quem me dera!".
O garçom trouxe o almoço para as três amigas.
"Oh, eu amo o peixe daqui!". Wilma disse devorando o prato com os olhos.
"Você ainda é vegetariana, Lisa?". Lia perguntou vendo o prato de legumes que a amiga pediu.
"Sim. Eu estou fazendo uma alimentação diferenciada e suplementação agora, por conta da gestação".
"Tenho que dizer novamente que você está linda grávida". Wilma disse e Lia concordou.
"Obrigada". Cuddy respondeu orgulhosa de si e de sua barriga. "Há quanto tempo não vínhamos aqui?".
"Desde que você retornou da ilha do amor". Lia falou fazendo as amigas rirem.
"Tenho noticias!". Cuddy disse.
"Você vai se casar?".
"Não". House se casar, ela pensou, era surreal demais. "É um menino: Anthony".
"Oh meu Deus! Você terá um casal! Eu sempre quis um casal. Mas amo minhas duas meninas". Wilma disse levantando para abraçá-la.
"Essa ilha deserta foi a melhor coisa que te aconteceu". Lia falou pegando a mão de Lisa que sorriu tímida.
"Você agora está apaixonada, grávida e sendo bem fodida. Posso atestar isso". Wilma disse.
"Wilma!". Cuddy contestou, mas acabaram rindo.
...
Horas depois ela encontrou House em casa novamente. Ele estava no sofá e Rachel ao lado no carrinho de bebês. A menina havia ficado com a avó durante o almoço, mas Cuddy a buscou quando retornou do almoço e a deixou aos cuidados de House enquanto tomava banho.
"Ei... como foi o encontro de motociclistas?". Ela se aproximou dele e o beijou, deixando suas mãos massagearem as costas largas do namorado.
"Pelo menos Wilson não usou calças de couro dessa vez". Claro que ele havia contado para Cuddy sobre o episodio de Wilson com calças de couro.
Ela riu. "Eu me diverti com as meninas".
"Você diz, com as senhoras".
Ela balançou a cabeça.
"Claro porque, pelo que você me disse, todas são quarentonas".
"Ok House, você sempre um chato tão literal". Ela falou bem humorada.
"Chato deve ser esse tênis clube onde você foi. Isso deve ser uma chatice de lugar, cheio de gente metida e esnobe".
Ela respirou fundo e nada respondeu, pois ele tinha razão. Mas era um lugar onde ela costumava se divertir com as amigas, tinha um bom restaurante, quadras de tênis. Entretanto será que isso havia ficado no passado? Sua vida havia se transformado em poucos meses. Além disso, mesmo antes da ilha deserta, ela havia reduzido a frequência com que ia ao clube. Ela se lembrou de um namorado que conheceu lá, um engenheiro bonito e bem sucedido, mas arrogante. O namoro durou exatos dois meses, quando ela o viu tratar o garçom como se fosse um ser inferior, eles terminaram.
"E o clube de motociclistas?".
"Não é um clube".
"Ok, e o encontro de motociclistas?".
"Muito melhor. Tem música boa, comida de verdade e não aquelas porcarias que colocam no prato nesses restaurantes granfinos, aquilo não sustenta ninguém e todos mentem dizendo-se satisfeitos. Quando chegam em casa devem fazer macarrão instantâneo para matar a fome".
Ela riu. "Quero ir com você qualquer dia em um desses encontros de motociclistas".
"Sério?".
"Sim".
"Lá não tem nenhuma frescura, não é nada chique".
"Eu sei, mas até parece que você não me conhece. Eu não sou cheia de frescuras".
"Se fosse não estaria comigo".
"Não por isso...".
"Ok, deixe Thony desbravar o túnel vaginal que iremos lá qualquer dia".
Cuddy fez cara de nojo. "Não fale assim".
"Túnel vaginal?".
"Você torna nojento algo tão bonito".
"Mas tecnicamente é isso, e só digo isso porque sei que você é louca o bastante para preferir parto natural a cesariana".
"Se eu puder ter parto natural eu prefiro".
"Então... Túnel vaginal".
Ela balançou a cabeça.
"Júnior terá o prazer...".
"Cale-se! Não piore as coisas. E é Anthony e não Júnior".
"Ok, Thony".
Ela sorriu e deitou a cabeça no peito dele.
O que Cuddy não sabia é que seu namorado e Wilson tiveram uma conversa profunda naquele dia.
Horas atrás no encontro de motociclistas...
"Você conversou com Cuddy sobre as suas inseguranças?".
House tossiu. "Se eu conversei com a minha namorada grávida por conta de minhas inseguranças?".
"Sim".
"Acorda Wilson!".
"Por quê? Ela te ama e vocês vão ter um filho juntos. Sem contar Rachel".
"Eu não tenho insegurança, é um fato da vida que tudo se transforma".
"Mas nem sempre mudar é ruim".
"Eu não lido bem com mudanças".
"Não me diga!". Wilson foi irônico.
"O que ela faria? Diria que nada vai mudar? Ninguém controla isso...".
"Mudar pode ser bom. Veja: Você não é mais um homem solitário e drogado".
"Por enquanto...".
"Ei, deixe de esperar tão pouco da vida".
"Claro, vou esperar muito e tomar um tombo alto".
"Você não precisa ser iludido, pode ser realista, mas não pessimista".
"Você vai me dizer agora que meu pensamento atraí coisas".
"Com certeza".
House riu alto. "Vamos comer".
"Você não pode fugir disso".
"Não posso fugir de meus pensamentos, mas posso fugir de você".
"Eu acho que não...".
"Sim quando eu estiver montado na moto".
"Você não me deixaria pra trás...".
"É uma aposta?".
"Não!".
"Então mais comida e menos conversa".
De volta ao tempo presente...
"House, você precisa falar com a sua mãe".
"Wilson faz isso por mim".
"É sério! O que ela sabe sobre Anthony?".
"Uh... nada".
"House!".
"O quê?".
"Ela sabe sobre nós dois?". Cuddy arregalou os olhos, ela nunca imaginou que Blythe nem fizesse ideia de que seu filho estava namorando.
"Tecnicamente ela sabe que você é minha chefa e que passamos dias quentes em uma ilha deserta".
"House!".
Ele não respondeu, mas franziu a testa esperando pelo pior.
"Você precisa falar com a sua mãe".
"Eu não penso assim".
"Logo ela será avó e nem sabe disso".
"Ela pode descobrir eventualmente...".
"No aniversário de dezoito anos de Anthony?".
"Ou no meu velório".
Cuddy franziu a testa.
"Cuddy, com tudo o que vivi e com a idade que tenho você acha mesmo que verei Junior completar dezoito anos?".
"Claro que sim! Não fale bobagem!".
"Não é bobagem, é a realidade".
"House...". Ela se aproximou dele e o envolveu em um abraço.
"Oh não! Não quero piedade".
"Não é piedade, eu te amo!".
"Ok, e isso é o que então?".
"Você está com medo de não ver seu filho crescer? Você está inseguro? Eu entendo isso, mas agora você mudou".
"Oh não... Cuddy...". Ele se afastou. "Se você soubesse o quanto eu quero tomar Vicodin as vezes".
Ela o olhou surpresa.
"Eu estou sem drogas, mas ainda sou um dependente".
Cuddy não pensava muito nisso, ela estava tão absorvida em tudo que esqueceu-se de algo tão relevante. Ele era um viciado, sempre seria e ele seria o parceiro dela, o pai de seu filho e havia... Rachel.
Continua...
