Nota da Autora: Oi! Obrigada a todos que comentaram no capítulo anterior e os favoritos deixados ao longo da fanfic. Fiquei muito feliz por saber que gostaram. Aqui está mais um capítulo. Espero ansiosa vossas opiniões. Bjs :D

S.L.

Capítulo 68

Solidão

Severus se levantou da cama de um salto e correu para o banheiro. Sua magia permitiu que trancasse a porta e lançasse um feitiço silenciador. Se atirou para a sanita e vomitou, implorando a Merlin que esses meses passassem rapidamente para não ter esses malditos enjoos matinais.

Ao terminar, se ergueu e se dirigiu para a pia, escutando a descarga a ser feita. Bochechou a boca com um pouco de água e lavou o rosto.

Se limpou a uma toalha felpuda e a deitou no chão, desaparecendo com um passe de mágica e aparecendo uma limpa, pendurada na parede.

Observou seu rosto pálido e deu uns tapas nas bochechas, as deixando um pouco mais rosadas. Respirou fundo, ansioso por fazer sua higiene e saiu do banheiro. Viu seus colegas se levantando, sonolentos, da cama e Crabble perguntou:

- Você está bem, Snape?

- Estou ótimo. - Respondeu ele, enquanto regressava para sua cama. Não insistiu no assunto, não querendo que fizessem demasiadas perguntas. Temia que desconfiassem ou que descobrissem sua condição.

Deixou que seus colegas se preparassem primeiro, enquanto fazia a mochila para aquele dia. Teria aulas de manhã e tarde livre.

James e Remus faziam anos nesse mês. Iria aproveitar e fazer umas compras a Hogsmeade. Deu uma olhada na dia redação de Encantamentos, nas questões de Transfiguração e sua pesquisa de DCAT, e guardou na mochila, juntamente com seus livros.

Observou seus materiais, vendo que suas penas ainda estavam boas para usar, tinha pergaminhos novos e um frasco de tinta ainda cheio.

De seguida, pegou em um uniforme lavado, roupa interior e sua bolsa de produtos de higiene, esperando sua vez. Não iria demorar muito. Quando seu ultimo colega saiu do banheiro, entrou e trancou magicamente a porta. Não queria surpresas desagradáveis. Tomou uma ducha rápida e se preparou. Teria um longo dia pela frente.

Na Torre de Gryffindor, Remus acordou naquela manhã nublada com dores no corpo, uma das premonições do que iria acontecer naquela noite. Mais um mês tinha passado, parecia que tinha sido ontem.

Como odiava as semanas de lua cheia, era dos momentos em que se desprezava mais, pelo que iria se transformar. Odiava Greyback por ter destruído sua vida.

Ficou deitado, olhando para o teto, enquanto escutava o ressonar de Peter e as respirações serenas de seus colegas. Como gostaria de ser uma pessoa normal, conviver sem medo com seus amigos, estudar em qualquer escola mágica e trabalhar no que quisesse, sem sofrer qualquer discriminação, de não ter medo de se expor.

Mas tinha de encarar os fatos: era um lobisomem, uma criatura das Trevas. Mas ele não era assim, não era uma pessoa ruim. Suspirou, piscando os olhos, tentando afastar a lágrimas que teimavam em sair. Sabia o que viria, dor e sofrimento. Já devia estar habituado, mas quem se iria habituar a uma vida assim?

Não conseguia descrever a dor que o possuía quando os rasgos luminosos da lua cheia iluminavam seu corpo. Não era a dor física, suas garras crescendo e seu corpo se alongando. Não. Era a dor mental, a separação mental do seu ser racional, humano, para o ser animal, uma besta que não tinha consciência de quem era perigoso, ou não. Agia por instinto, não por lógica. E ele era uma pessoa lógica, cautelosa nas ações e pensamentos. Talvez seu lado lobo o tivesse obrigado a tal.

Não se moveu por muito tempo. Sentia o braço de Sirius rodeando seu corpo, a respiração quente e serena batendo em seu pescoço e o coração palpitando ritmamente. Como o amava. Sirius era seu porto seguro. Embora ainda tivesse algumas ações infantis, tinha amadurecido muito durante esses últimos anos. Já não fazia as pegadinhas - muitas delas malvadas -, humilhando seus colegas. Nem os Slytherins eram mais alvo de suas brincadeiras.

Com cuidado, tirou os braços dele de cima de si e afastou os lençóis. Saiu silenciosamente da cama e pegou em sua bolsa de higiene, uma roupa Muggle - muito usada - que tinha comprado de propósito para aquelas ocasiões.

Entrou no banheiro, fechando silenciosamente a porta atrás de si. Arrumou seus pertences para um canto e se despiu. Observou as cicatrizes esbranquiçadas marcando sua pele, resultado de inúmeras transformações.

Encheu a banheira de água quente, colocou um pouco de sais minerais - oferecido por seu namorado como presente de Natal - e se banhou.

Tentou relaxar o corpo, sentia as pontadas dolorosas em seus músculos. Seus nariz absorvia o intenso odor dos sais e seus olhos, de visão melhorada, observavam como os sais coloridos se dividiam em minúsculas partículas.

Sua mão entrou na água, como se a acariciasse, aproveitando aquele momento relaxante. Logo à noite se iniciaria, novamente, seu ciclo infernal. Iria aguentar aquele martírio até quando? Desejava ardentemente que descobrissem uma cura para a licantropia. Queria voltar a ser normal.

Se ensaboou, soltando de vez em quando um gemido, quando havia uma dor mais profunda. Amaldiçoou Greyback mentalmente. Ele era o culpado de toda sua desgraça. Se não tivesse sido mordido, seus pais não teriam fugido de França por sua causa e teria ido para Beauxbatons. Não seria uma pessoa temerosa por seu futuro.

Mas assim, não teria frequentado Hogwarts e conhecido seus amigos, se tornando parte dos Marotos. Não teria uma amizade tão forte, eram como irmãos. Não teria Sirius como seu companheiro.

Seu lobo interior uivou, revoltado com seus pensamentos. Ele estava quase surgindo ao de cima, quase possuindo seu corpo e seus pensamentos. Mas não o deixaria dominá-lo antes da lua cheia.

Continuou se ensaboando, a água quente relaxando seus músculos. Seus ouvidos, mais sensíveis que normalmente, captavam o que acontecia do outro lado da porta. Seus colegas se remexendo na cama, se erguendo e se preparando para mais um dia de aulas.

Terminou o banho, sabendo que seus colegas também queriam se preparar, senão ficaria a manhã toda debaixo da água quente. Enrolou uma toalha contra os quadris, lavou os dentes e se limpou, antes de vestir sua roupa.

Saiu do banheiro, vendo James com cara de sono, o observando:

- B'dia. - Murmurou ele e Remus acenou em resposta, deixando seu amigo entrar. Cumprimentou os restantes colegas com um aceno de cabeça e se dirigiu para sua cama, onde Sirius o esperava, já acordado.

- Bom dia. - Cumprimentou, se aproximando dele e trocando um selinho.

- B'dia. - Respondeu Sirius - Como você está?

- Com algumas dores. - Admitiu ele, enquanto arrumava uns pertences seus de ultima hora. Organizou uma pequena mochila para levar consigo para a casa dos gritos.

Conversaram um pouco, até James sair do banheiro já vestido e bem disposto. Sirius pegou em seus pertences e entrou, aproveitando que Peter estava dormindo e Frank estava lendo uns pergaminhos de aspeto importante.

Decidiu acordar Peter, que resmungou e pediu mais cinco minutos. Em resposta, James atirou con um jato de água fria sua direção. Todo o dormitório escutou o berro de Peter, que xingou todo o mundo. Do banheiro, se escutou a típica risada de Sirius.

James ignorou o alvoroço e se virou para Remus, perguntando:

- Preparado para essa noite?

- Tenho de estar. - Respondeu Remus, um pouco mais brusco do que o habitual, mas James não se deixou afetar. Já estava habituado. Remus parecia perder uma parte de sua humanidade, antes de chegar a lua cheia.

Remus ficava irritado, sua voz ficava mais grossa e seus olhos âmbar mais brilhante. Mas só eles percebiam essas mudanças, seus colegas pensavam que era cansaço ou preocupação pelo problema de saúde de sua mãe, Hope.

Sirius saiu no banheiro, Peter aproveitando e entrando de seguida. Frank terminou seus assuntos e arrumou seus pertences, se preparando para quando Peter saísse, pudesse entrar.

- Ainda é cedo para o café da manhã. - Constatou James - As aulas só começam daqui a umas horas. Vamos jogar Gobstones?

- Sim. - Acenaram seus amigos e Sirius foi buscar o jogo. Se sentaram em roda no chão e começaram a jogar. Remus preferiu só assistir.

Quando Frank saiu algum tempo depois, se juntou ao grupo. Risadas e palavrões ecoaram pelo dormitório. Remus ignorou toda aquela alegria, pensando na lua cheia, que chegaria naquela noite.

Quando sua mente e seu corpo pertenceriam a um lobisomem transloucado, sedento de sangue. Não saberia quem era realmente, onde estava, quem eram seus amigos ou inimigos. Para um lobisomem transformado, nada disso fazia diferença.

Escutaram Peter contando uma canção de Cristina Welbeck, a mais recente cantora mágica, que era um sucesso entre as mulheres, principalmente as mais velhas. Sua voz esganiçada fazia com que seus colegas soltassem gargalhadas e Remus tapou os ouvido, para abafar um som irritante.

Seu lobo interior rosnou, querendo rasgar a garganta daquele idiota que o incomodava, mas Remus abafou suas ideias. Não iria permitir que seu lobo se manifestasse. Ainda tinha força de vontade para controlá-lo.

Jogaram mais algumas vezes, até serem horas para irem tomar o café da manhã. Remus vestiu sua capa de viagem e saíram do dormitório em direção ao Salão Comunal, onde já se encontravam algumas pessoas, de rostos ensonados.

Saíram pelo retrato e avançaram pelo corredor em direção às escadas, tendo o cuidado de ver se elas se moviam.

Chegaram ao hall do castelo, vendo pequenos grupos de estudantes entrando para o Salão Principal. Viram Severus encostado a uma parede, os esperando. O Slytherin, ao vê-los, foi a direção deles, e cumprimentou:

- Bom dia.

- Bom dia. - Ecoaram as respostas, enquanto Remus tinha grunhido em resposta. Fingiram não perceber.

Entraram no Salão Principal e se sentaram na mesa dos leões. Remus pousou a mochila a seu lado, e escolheu o que iria comer naquela manhã. Desejava que o tempo não passasse tão rápido. Como desejava ter um vira tempo, talvez conseguisse evitar ser mordido. Mas sabia que era totalmente impossível. Os vira tempos só iam umas horas no passado, não anos.

Não conseguia saborear os alimentos que consumia. Seu estômago parecia embrulhado, que fechavam sua garganta com uma garra. Comeu meia salsicha e bebeu uma xícara de chá.

Viu como Sirius saboreava seu café da manhã e sentiu uma pontada de ciúmes. Como gostaria de fazer o mesmo. Esperou que seus amigos terminassem de comer, alongando o mais que podia sua partida. Só quando todos terminaram é que se levantou.

Pegou na mochila e a ajeitou em seu ombro, antes de se despedir:

- Tenho de ir. - E comentou - Minha mãe está me esperando.

Escutou palavras de despedida, abraços e beijos das pessoas mais próximas. Severus lhe deu um aperto de mão constrangido e Lily se atirou a seus braços, seu lobo interior ronronando con o perfume floral que ela usava. Parecia que seu lobo interior amava abraços.

Foi acompanhado até à porta do castelo, onde Madame Pomfrey já o esperava. Trocou umas ultimas palavras com seus amigos, e se afastaram.

- Mais um mês, Sr. Lupin. - Comentou Madame Pomfrey, quando já estavam suficientemente longe de ouvidos curiosos.

- É verdade, Madame Pomfrey. - Respondeu Remus, cortesmente.

- Já sabe, depois desse ciclo lunar, quero vê-lo na enfermaria para um check-up completo.

- Sim, senhora. - Confirmou ele, enquanto subiam a colina em direção ao Salgueiro Lutador, cujos ramos esbracejavam violentamente.

Enquanto Madame Pomfrey imobilizava a árvore, seu refúgio, olhou para trás com uma pontada de tristeza. Um nó se formou em sua garganta. Sentiu seus olhos lacrimejando, mas controlou suas emoções. Madame Pomfrey imobilizou a árvore, se virou para ele e desejou:

- Boa sorte.

- Obrigado. - Respondeu Remus, entrando pelo buraco da árvore, passando a estar na casa dos gritos.

Caminhou em direção a uma das salas construídas e entrou. O chão estava ensanguentado e arranhado devido à transformação anterior. As paredes estavam riscadas com tinta e marcas de garras. Sua prisão pessoal.

Abriu sua mochila, observando seus poucos pertences: sua varinha, um livro Muggle de aventuras e o Mapa do Maroto. Estendeu a manta no chão e se sentou. Tirou o livro e o Mapa. Tinha sido com a ajuda de seus amigos, que tinham descoberto todos os recantos de Hogwarts, mas tinha sido ele que trabalhara incansavelmente para que aquele projeto viesse à vida.

Tinha perdido horas, dias de sono e estudo, mas tinha valido a pena. O Mapa tinha sido um sucesso. Mostrava onde cada pessoa estava, e em que parte do castelo. Se sentou, pensando em seus pais. Como Lyall perdera tudo o que tinha construído ao longo de sua vida, graças a Greyback e morrido de desgosto quando tinha entrado em seu primeiro ano em Hogwarts, já que ele desejara que seu filho entrasse em Beauxbatons, tal como ele, e Hope tinha entrado em uma severa depressão, tendo de ser cuidada em uma instituição paga pelo governo Muggle. Visitava sua mãe nas férias, vendo seu estado de saúde nunca se alterando. Tinha sido um choque terrível saber que seu filho bruxo era um lobisomem e nunca tinha recuperado.

Abriu o Mapa e procurou pelas estufas o nome de seu namorado e o encontrou junto a seus amigos. Suspirou, seu dedo tocando carinhosamente no nome de Sirius, uma lágrima escorrendo por seu rosto. Como a vida a era injusta.

Continua...

Notas da Autora:

1. Oi! Finalmente consegui publicar mais um capítulo dessa fanfic. Como sempre, demorando uma eternidade, mas aqui está. Muito aconteceu em minha desde a publicação do capítulo anterior. Tive meses com muito que fazer. Mas, obrigada a todos que favoritaram e comentaram ao longo da fanfic. Espero terminar a história em breve, embora vá ser muito difícil atualizar no verão devido ao trabalho. Não deve faltar mais de 10 capítulos. Estou aberta a ideias. Que querem que aconteça nos próximos capítulos? Bjs :D

2. Para quem estiver interessado, deixo o link do meu grupo de WhatsApp: EpcuFRu16Xl0AQqXi7CWUB