III
- Pois vejam! Meu pai então tentou fazer com que você "virasse homem" ao ficar com uma moça viúva que já tinha alguma prática com "namorados"? E no que deu isso afinal de contas?
- Espere e verá. Deixe-me continuar contando.
- Será que o restante da narrativa me deixará com ciúmes...?
Saga mirou ao irmão com um olhar maroto.
- Isso você verá no decorrer da narrativa.
- Ora...! Gosta mesma de me provocar!
- Mas já basta por enquanto saber que não fiz "nada demais" com ela no primeiro dia. Já no segundo...
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Dezesseis anos antes
No segundo dia, Giannette chegou como no primeiro: perfumada, com decote e vestido bastante chamativo, bem como joias e um penteado bastante elaborados. Cumprimentou educadamente o rei e a rainha, e em seguida foi deixada a sós com Saga outra vez. Na alcova, ele permanecia a olhar um dos quadros de Kanon.
- Será que algum dia vou vê-lo?
- Olá, meu belo rapaz! Continua a olhar as fotos de seu irmão?
- Ahn... continuo. É o que tenho a fazer aqui. Não posso frequentar a corte...
- Pois agora tem a mim para distraí-lo!
Alegremente, Giannette sentou-se e passou a se abanar com o leque.
- E então? Pensou em mim ontem à noite?
Ela tocou o rosto de Saga suavemente com o leque, mas ele não deu maiores atenções a isso.
- Desculpe, mas não pensei desta maneira que pensa.
- E o que me falta para que pense em mim?! Olha que teu pai já começa a estranhar... ele sabe que não consumamos nada ontem à noite, espera que consumamos hoje! Posso até nem ser tão direta, nem fazer tudo hoje mesmo... mas algum progresso teremos de apresentar!
- Progresso... eu acho uma grande bobagem o meu pai ter feito isso comigo!
- Ele fez para o educar melhor nestas... artes, se entende o que quero dizer! É o que todo pai amoroso faz com o filho. Mas enfim... vamos alcançar a um patamar diferente hoje. Já se tocou pensando numa mulher?
- C-como assim?
- Não é possível que não saiba o que é isso! Já tem quinze anos!
- Pois não sei!
- Então devo instrui-lo! Finalmente algo para eu fazer neste aspecto!
Sorrindo, Giannette bateu com o leque de leve na mão e começou a falar:
- Sabe o órgão masculino, que é diferente do da mulher?
- Sei.
- Quando o homem fica... pronto... por assim dizer... para possuir a uma mulher... seu membro fica maior.
- Hun?
- Já deve ter percebido o seu assim, de forma diferente.
- Não quero falar sobre isso.
- Não precisa ter vergonha de mim!
Ela continuava a sorrir, tentando deixá-lo a vontade. Ficar com vergonha seria normal para alguém como ele, que ainda quase nada conhecia daquelas coisas.
A moça continuou:
- Daí, quando você vê que sua masculinidade está já bastante ereta, você se toca... bem na pontinha... e faz movimentos de vai-e-vem nele, para sentir prazer. Quando o homem se deita com a mulher, ele coloca seu membro dentro dela para que possa assim derramar sua semente nela. Mas você pode simular tal movimento... com suas próprias mãos.
Saga continuava em silêncio, sem nada dizer. Ela ainda queria dar corda à conversa, querendo alguma reação dele.
- Quer que eu faça em você?
- Não!
- Como assim, "não"? Sabe pro que eu vim aqui, não sabe?
- Sei. Mas não quero.
- Não quer? Nunca antes fui rejeitada por um homem! Ora! Que tenho eu de errado?
- Não é nada com você. Eu é que fui colocado nisso contra a minha vontade e por isso não sei como reagir.
Giannette sorriu de novo, como se fosse impossível a ela ficar de mau humor por muito tempo. De fato, o rei Christensen a havia escolhido por aquele motivo mesmo: ela podia alegrar o coração de qualquer um - até mesmo de Saga, que era tão quieto, tão soturno e tão isolado.
- É assim mesmo! Ainda está começando, portanto devo ser paciente! Deixe estar: qualquer coisa, se precisar de mais tempo mentirei a seu pai dizendo que estamos já "fazendo as coisas". Serei sua amiga e sua cúmplice, não se preocupe!
A moça sorriu, bateu de leve com o leque na mão de Saga e já se preparava para sair novamente, quando se virou a ele.
- Quem sabe mais um beijinho por hoje? Pra ver se pensa em meu beijo quando for dormir?
O rapaz fechou o semblante e fez que "não" com a cabeça. Ela entendeu, sorrindo e pensando que ao menos, ao falar de como funcionava a masturbação, "plantava" uma semente de excitação nele. Homens inexperientes eram daquela forma... precisavam ser conduzidos, precisavam imaginar... e só depois de muito ter ideias, podiam enfim começar a agir de fato.
- Até amanhã! Pense em mim e sonhe com o que lhe falei!
E mais uma vez ela saiu, alegre, a arrastar as saias pelo chão e exalar o cheiro do perfume forte que usava.
Na saída, conversou ligeiramente com o rei e disse que já estavam a fazer alguns progressos. Christensen não acreditava muito naquilo, pois Saga era muito fechado para se abrir assim somente com dois dias de... convivência com a mulher. Mas se ela dizia que já progrediam, era melhor esperar para ver no que daria.
Naquela noite, como Giannette bem adivinhara, Saga pensara em se tocar... como ela indicara. Mas não pensando nela. E sim em seu irmão. Tal pensamento ainda o perturbava, porém ele o levou a cabo mesmo assim. No banho, para que ninguém percebesse ao ver lençóis manchados ou outras coisas assim, ele se tocou pensando em Kanon. E se assustou ao perceber quanto prazer sentia ao se tocar daquela forma. Porém, após o êxtase atingido, ele sorriu. Sorriu, porque não considerava nada daquilo como "pecado", nem conseguia considerar.
Em seu sorriso, já havia malícia.
Apesar de sequer ter encostado em Giannette, parte das ideias dela o corromperam de fato. Ali já não havia mais o Saga inocente, o qual sequer pensava naquelas coisas... e sim alguém que, além de pensar e conseguir fruir prazer por si próprio, o fazia pensando não em qualquer um, mas sim em seu irmão.
Se aquilo fosse pecado, que fosse! Que fosse, pois pecado maior ainda era separá-los e deixá-los isolados um do outro. Se ele não podia tê-lo de maneira lícita, que o tivesse de maneira ilícita. E o teria, sim... o teria mesmo que fosse somente em pensamentos. E se aquilo fosse pecado, ele queria, ele ansiava por pecar!
To be continued
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Rsssss, o coitado do Saguinha infante está a ser corrompido pela moça... mas não exatamente do jeito que o rei ou ela mesma esperavam!
A audiência de "A mulher do inquisidor" tão grande, tantos comentários, e o fandom dos gêmeos, que um dia já foi tão prolífico, mais vazio que sorveteria na Sibéria. Mas enfim, como não deixo uma única fic incompleta desde 2005, com essa não será diferente. Terminarei de postar mesmo que ninguém mais leia.
Beijos a todos e todas!
