V
- Então continuou negando a moça? E não teve medo de nosso pai vir a fazer nenhuma reclamação a seu respeito?
- Eu até temia que ele o fizesse, mas não queria ceder. Ora, se fosse o contrário; um rapaz com uma moça e a moça estivesse contra a vontade, ela poderia temer ser forçada. Já no meu caso... Giannette não poderia me forçar sem eu querer.
- Sei. Mas por quanto tempo ainda durou isto?
- Por mais sete dias, como lhe contei. A jovem viúva tinha paciência, mas no final se exasperou...
- Se exasperou?! Vamos, me conte como foi isto!
Saga sorriu outra vez, antes de enfim contar a parte final do que ocorrera consigo àqueles tempos.
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Dezesseis anos antes
Durante todos os sete dias, Giannette foi paciente com Saga. Ele em todas as vezes se negara, e ela mentia dizendo ao rei Christensen que estavam "se dando muito bem". Mas prometeu a si mesma que faria com que Saga se interessasse em si. Mesmo que fosse no último dia! E foi isso que tentou fazer.
No último dia, lá estava Saga outra vez com o retrato do irmão nas mãos, como se precisasse dele para viver. Giannette sentou-se outra vez na frente de si; abanou-se com o leque, mas dessa vez faria algo de diferente.
- Escute. Eu disse a si que lhe daria mais alguns dias. Mas agora... creio que preciso ser mais direta consigo.
Então, sem cerimônia alguma, ela tirou a roupa toda e ficou nua perante ele.
- Se isso não o atentar, nada mais o atenta!
- Não quero!
- E por que?! Nunca, nunca antes, fiquei tanto tempo com um homem dessa maneira, resistindo a mim dessa forma!
- Não quero porque... já gosto de outra pessoa.
- E como assim gosta, se não vê ninguém?
- ...eu gosto, oras. É uma pessoa... que vem aqui me ver de vez em quando.
- É uma das criadas...?
O infante permaneceu em silêncio. Giannette se irritou:
- Diga! É uma das criadas?! Como diabos pode gostar mais de uma criada do que de mim?!
- Não queria dizer nos primeiros dias. Mas é verdade, eu gosto de outra pessoa.
- Mas...! Seu pai me chamou porque você não se dedicava a ninguém! E de mais a mais, vejo em seus olhos que ainda não consumou nada com ninguém... que ainda não conheceu mulher!
A moça tentou se insinuar pra cima dele outra vez, mas Saga a repeliu.
- É sério. Eu gosto de outra pessoa.
- Mas os homens usualmente não se importam em ter várias, mesmo dizendo que amam a uma só! Eu mesma sequer me importo com essa coisa de "amor"! Sequer amei a meu marido!
- Talvez por não amar é que não saiba como se sente quem sente verdadeiramente...
Irritada, Giannette recolheu as roupas e se vestiu.
- Pois muito bem! Tentei de tudo - de tudo! Sou nova, bonita, os homens todos me desejam! Se não me quer, o problema só pode ser a si próprio!
E com raiva, já vestida, Giannette saiu pela porta. Dessa vez o rei estranhou que ela se demorasse tão pouco nos aposentos de Saga, mas ela deu uma desculpa qualquer, saiu andando e nunca mais voltou.
Quanto a Saga, permanecia a segurar o quadro de Kanon nas mãos - quadro esse que não largara por nenhum momento.
O rei, pensando que o filho havia finalmente "consumado algo" com Giannette, disse enfim para Ruth:
- Viu só? Foi fácil. Agora ele já sabe como se portar com mulher. De vez em quando posso vir a trazer outra moça como ela aqui para ele se distrair.
Ruth não gostava muito daquelas coisas, mas sabia que eram "assuntos de homem", nos quais ela não deveria se intrometer. E de mais a mais, se ao menos aquilo servisse para que Saga deixasse um pouco aquela fixação pelo irmão...
...mas o que ninguém sabia ainda era que, muito longe de afastar a Saga de Kanon ou mesmo fazer com que ele se interessasse em mulheres, tal ato de trazer Giannette somente fez com que ele descobrisse uma nova forma de amar a Kanon... e naquela noite, olhando ainda ao retrato dele, pensou que talvez aquilo fosse um pecado... um delicioso pecado... mas era tão bom, que ele queria pecar caso assim fosse considerado.
OoOoOoOoOoOoO
- Então foi isso que aconteceu? Ora, mas na época você podia ter tido "algo a mais" com ela... não devia fidelidade a ninguém, muito menos a mim!
- Sei que não. Mas de qualquer forma, não gostei dela. Gostei de você, quis com você e... bem, me toquei muitas vezes pensando em você. Não importa se é pecado ou não!
- Pois bem... viu que ela reparou que você agora já está devidamente iniciado nas "artes do amor"?
Saga riu.
- Sim, eu reparei. Mas mesmo assim ela vai ter de se conformar, como há dezesseis anos teve de fazê-lo... sobre não ter nada comigo.
- Eu que não me cuide! Pois com certeza as solteiras da corte certamente também terão a seus olhares atraídos para si.
- Elas tem... mas sabe, se não acabei por fazer nada demais com Giannette naquele tempo no qual não tinha compromisso consigo e sequer o conhecia pessoalmente... agora então é que tenho menos chances ainda de ceder a quem quer quer seja!
- Pois sim... sei disso! Porém, sei que se já está "iniciado nas artes do amor", pode ser que queira provar de outras fontes...
Kanon beijou a Saga na boca, ao que ele riu.
- Kanon... esse pecado, eu quero fazer só com você!
Então, já bastante animados, sorriram e se entregaram um ao outro, celebrando a um amor que parecia ser ainda mais puro e mais legítimo que os outros, por mais que fosse considerado "pecado" aos olhos de uns e outros. Pois que pecado maior do que fazer o que vai contra a sua própria vontade?
FIM
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E acabou! Rssssss, o Kanon ficou apreensivo ao saber da tal de Giannette, pensando que a mesma havia feito algo com o Saguinha, mas na real mesmo ela nem fez nada! Mesmo ficando pelada na frente do cara ele nem quis! Rssss!
Mas pior que era assim mesmo. Por volta dessa idade, o rapaz era quase que forçado a se encontrar com uma mulher e "virar homem" por assim dizer, por séculos foi assim. E muitos rapazes hoje ainda sentem a "pressão" de ter a muitas mulheres somente pra dizer que "são machos". Isso é de fato muito triste!
Mas enfim, obrigada aos que leram! Felizmente consegui terminar mais uma fic, enfim! Sigo com o "recorde" de nenhuma fic incompleta desde 2005, rssss!
Beijos a todos e todas!
