x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
-
-
-
Donzela Ardilosa
-
-
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
-
Capítulo 2
Assim que mencionou o nome, Sesshoumaru sentiu que algo estava errado. Houve um longo silêncio como resposta.
— Você quer dizer Rin? — o cavaleiro mais jovem perguntou.
Sesshoumaru piscou inquieto. Merda! Como podia ter se equivocado com o nome da moça?
— Sim, Rin. — Ele franziu o cenho com confusão. — Não foi isso o que eu disse? — Ele sorriu. Temo que esteja um pouco nervoso.
— Deveria estar. — disse Nobu. — Não ouviu falar das Donzelas Guerreiras de Higurashi?
— Donzelas Guerreiras? — A inquietação o invadiu. Quem, inferno, era as Donzelas Guerreiras? Sesshoumaru começava a suspeitar que houvesse detalhes sobre essa missão que Morbroch havia omitido detalhe que iam fazer que sua recompensa generosa parecesse uma esmola no final dessa aventura. — Oh, sim, é claro. — ele balbuciou. — Quem não ouviu falar delas?
Os olhos do cavaleiro mais jovem brilharam.
— Dou-lhe duas horas de vida. — Kenneth disse a Nobu.
— Com a recepção calorosa de Sango? — Nobu sacudiu a cabeça. - Uma hora máximo.
Sesshoumaru olhou de um homem par outro. De que demônios estavam falando?
— Venha, então. — disse Nobu. — Se se apressar pode estar no caminho de volta a Morbroch antes do meio-dia.
— De volta? Mas eu só...
Os guardas trocaram sorrisos conhecedores antes de se virarem para partir, e Sesshoumaru refreou o impulso de golpear as cabeças desses insolentes. Ele supôs que era sua própria culpa. Ele tinha decidido bancar o "rapazinho perdido de amor". E agora havia se convertido em objeto de brincadeiras.
— Espero que você seja bom com a espada. — comentou o cavaleiro mais jovem sobre seu ombro, enquanto lhe sorria sarcasticamente.
Sesshoumaru sorriu em resposta. Bom com a espada? Ele poderia ter extraído sua espada e ter transpassado o rapaz antes que esse sorriso de ironia desaparecesse de seu rosto. Mas a experiência havia lhe ensinado que era sábio guardar as melhores armas escondidas até que fossem necessárias.
Perguntou-se quanto tempo teria até que fosse necessário usar sua espada. Essa missão já estava se tornando problemática. Tinha esperado passar alguns dias em Higurashi, cortejando a dama para salvar as aparências, mais alguns para apanhar o ladrão, e ter sua presa nas mãos por volta do final da semana para depois poder voltar e recolher o resto de seu pagamento.
Não necessitava de mais complicações. Já, a idéia de cortejar uma donzela inocente lhe prometendo um noivado quando não tinha nenhuma intenção de se casar lhe produzia um gosto amargo na boca. Sem mencionar o fato de que teria que passar muito tempo com uma moça de quem nada sabia.
Lorde Morbroch havia lhe assegurado que a donzela era atraente e doce e, o mais importante, maleável, ela entraria muito facilmente em sua farsa. Mas agora não tinha certeza de confiar plenamente nas palavras de Morbroch.
Tomando as rédeas de seu cavalo, Sesshoumaru estalou sua língua para incitar o animal a avançar.
Pelo que ele sabia, Rin podia ser uma megera de língua afiada. Ou uma moça malcriada. Ou uma velha bruxa com dentes podres e seios caídos. Sesshoumaru estremeceu internamente.
Já tinha avançado uns cinco metros quando de repente se lembrou da moça escondida na árvore. Virou-se, explorando com o olhar os ramos de um cedro denso, mas não pôde ver ninguém na folhagem. Mas podia sentir sua presença.
Sesshoumaru sorriu abertamente.
— Adeus, diabinha. — Disse ele suavemente, lançando um beijo ao ar. Então se virou para partir para o Castelo Higurashi.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
No momento em que ele a tinha chamado de Rina, os olhos de Rin se estreitaram com desgosto. Se esse safado pretendia fingir um amor, ao menos poderia ter a decência de obter seu nome corretamente.
Apesar de sua irritação, outra parte dela se sentiu intrigada. Muitos homens no ano passado haviam manifestado interesse em Rin, mas nenhum se atreveu a solicitar permissão para cortejá-la. Entre Kaede a protegendo como uma mãe galinha e suas irmãs que recebiam qualquer pretendente com uma espada na mão, os homens preferiram ficar à distância. Apenas Inuyasha Taysho havia ido tão longe ao lhe oferecer um casamento, embora se tratasse de um casamento de conveniência política, e que inclusive havia sido usurpado por sua irmã Kagome, quem agora estava felizmente casada com ele e esperando um bebê.
Suas irmãs indubitavelmente iam dar um pontapé no traseiro deste novo candidato e o mandariam de volta a Morbroch com o rabo entre as pernas tão rápido, que ela não teria tempo de dizer "Prazer em conhecê-lo".
Não podia deixar que isso acontecesse. Sir Sesshoumaru estava em uma missão suspeita aqui nos bosques, e ela tinha que descobrir suas verdadeiras intenções.
De qualquer modo, era uma pena, Rin pensou enquanto apoiava sua bochecha contra o musgo suave que cobria o cedro, olhando os três homens conversando mais abaixo. Ele era demasiado bonito. Seus ombros eram largos, seus quadris estreitos, e parecia quase tão alto como Nobu. Entre seu sorriso brilhante, suas sobrancelhas masculinas, e suas encantadoras covinhas, ele certamente era o homem mais bonito que ela já havia visto. Seus olhos brilhavam como um topázio escuro. Sua voz acalmava e excitava ao mesmo tempo. E seu cabelo prateado parecia implorar ser desembaraçado por seus dedos.
Quão terrível seria - Rin refletiu cobrindo-se com um rubor de culpa - participar de sua charada, ignorar a possibilidade que ele tivesse segundas intenções, e lhe permitir que ele a cortejasse? Permitir que pusesse suas grandes mãos sobre sua cintura... Permitir que ele a beijasse levemente sobre sua boca e permitir que ele lhe sussurrasse palavras carinhosas em seu ouvido... Permitir que ele desembainhasse a adaga em suas calças outra vez e...
No segundo seguinte, Rin voltou a recuperar a razão. Os homens haviam partido. Mas quando eles já haviam percorrido grande parte do caminho, Sesshoumaru fez uma pausa, virou sua cabeça para olhá-la diretamente. É obvio que ele não podia vê-la completamente pelos densos e abundantes ramos do cedro, mas o impacto de seu olhar lhe causou um tremor estranho no corpo. E quando lhe lançou um beijo, ela quase sentiu o calor de seu hálito sobre seus lábios.
No instante em que eles estavam fora de vista, Rin desceu da árvore e correu pelos bosques pelo caminho que tinha vindo. Talvez sir Sesshoumaru de Morbroch fosse um safado, um falso e um canalha. Talvez ele fosse absolutamente inadequado e impróprio como pretendente. Mas não ia deixar que suas irmãs decidissem isso. Ou seu pai. Ou sua criada oriental.
Além disso, esse homem definitivamente planejava fazer algo errado. Se isto significava que ela teria que fingir ser receptiva a seus avanços amorosos para descobrir a natureza de sua missão em Higurashi, então por todos os Santos, ela o faria. Pelo bem de Higurashi, é obvio.
Quando finalmente emergiu do túnel secreto, seu coração ainda palpitava pela emoção da aventura, estava tão distraída que quase se chocou contra sua criada.
— Ah! — Ela murmurou com certa culpa. — Kaede.
— Café da manhã. — A criada lhe estendeu um prato de pão e queijo.
— Comerei mais tarde. — Rin tentou evitar à anciã, mas ela de uma maneira sutil lhe bloqueou o caminho.
— Deve comer agora, para manter sua força.
Rin apertou seus lábios. Por que todos nesse castelo pensavam que podiam lhe dar ordens, inclusive sua criada?
— Não tenho tempo, Kaede.
Uma de suas sobrancelhas se arqueou em acusação silenciosa.
— Mas teve tempo para passear pelo bosque.
Rin franziu o cenho exasperada.
— Bom. — Ela pegou rapidamente o queijo e o pão, deu uma mordida tão grande que ela mal podia falar. — Satisfeita?
Os olhos de Kaede se estreitaram.
— Você é tola, uma menina muito tola.
Com um grunhido de cólera, ela empurrou Kaede para passar e abriu a porta de seu local de trabalho.
— Digo-lhe isso de uma vez e para sempre. — Rin declarou suas palavras amortecidas pelo pão. — Não sou uma menina!
Em seguida fechou a porta com uma batida atrás dela.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Sesshoumaru estava de pé no meio do enorme campo de prática de Higurashi com seus braços cruzados sobre seu peito. Havia atraídos os olhares de muitas moças ao longo de seus vinte e quatro anos de idade, mas nenhum coincidia ao escrutínio ao qual estava sendo submetido agora.
Então essa era Sango, a irmã de Rin. Ela uma garota atraente, com olhos cor de topázio, cabelos escuros e selvagens, e seios generosos. Se não fosse pela armadura e a ameaçadora espada pendurada em seu quadril, sem mencionar o noivo dela que estaria em algum lugar por ali, Sango poderia ser perigosamente tentadora.
Mas nesse momento, tudo em que podia pensar era no fato que ela o estava circulando em volta dele como um chefe de estábulos a ponto de comprar um cavalo, estreitando seus olhos em seu peito, contemplando suas pernas, assentindo com satisfação, mas finalmente estalou sua língua com desaprovação. Ele meio que esperava que ela lhe abrisse a boca e examinasse seus dentes.
— Então você veio para cortejar Rin? — ela perguntou, parando diante dele e cruzando seus braços sobre seu peito em uma atitude desafio.
RIN. Não Rim. Não Rena. Nem Rina. Por Deus, tinha que memorizar o nome dessa garota.
— Sim, com a permissão de vocês.
Como o pai das damas de Higurashi, Lorde Tourhu, padecia de senilidade, os pretendentes de Rin aparentemente requeriam a aprovação de suas duas irmãs mais velhas.
— E você pensa que pode protegê-la?
— Protegê-la?
— Você sabe lutar?
Sesshoumaru sufocou um sorriso. Tinha sido um mercenário durante seis anos. É obvio que sabia lutar.
— Em caso de necessidade.
Então, com um movimento fluido, Sango extraiu sua espada e o enfrentou.
— Prove.
Seus braços caíram ao lado se seu corpo. Certamente ela não falava a sério. Ele enrugou a testa. Talvez, Sesshoumaru pensou, fosse uma brincadeira.
— Vamos ver o que você sabe fazer. — ela o encorajou.
Sesshoumaru olhou os espectadores. Sir Nobu e seu companheiro estavam ali, vários outros cavaleiros, um menino pequeno chupando o polegar, e três moças. Nenhum deles parecia surpreso pelo desafio de Sango.
— Minha lady, não acredito...
— Vamos, lute comigo. — Ela tocou seu peito com a ponta de sua espada.
Ele recuou um passo. Por Deus! Ela falava a sério.
— Com todo o respeito devido, minha lady, não posso...
— Não pode o que? Proteger Rin? Então você não pode cortejá-la.
— É claro posso protegê-la, mas...
— Então o demonstre. — Com sua mão esquerda, Sango tirou a espada dele de sua bainha. — Mostre-me. — Ela lhe alcançou a sua arma, primeiramente o cabo.
Sesshoumaru pegou a espada, mas se recusava a usá-la.
— Minha lady, não é uma questão...
A espada dela avançou sobre ele tão rapidamente que tudo o que Sesshoumaru pôde fazer foi bloquear o golpe com sua própria espada. Sobressaltado, ele quase não conseguiu desviar o segundo ataque. Sesshoumaru retrocedeu, mas ela continuou sua arma movendo-se com uma velocidade inesperada.
Isso não podia estar acontecendo com ele, Sesshoumaru pensou. Não podia se confrontar com uma dama. Era algo impróprio. Pouco digno. Nada cortês.
Naturalmente poderia machucá-la gravemente. Ele era muito mais forte que ela e certamente tinha muita mais experiência em combate, não importando quão rapidamente ela se movesse. Mas Sesshoumaru não se atreveu a utilizar a plenitude de sua força.
— Minha lady, eu lhe imploro que pare!
Ela deu golpes em seu ombro.
— O que acontece? Não tem bolas? — Sango zombou.
— Por Deus! Não lutarei com uma mulher.
— E se a mulher pretende te matar?
Seus olhos brilharam como fogo verde, e Sesshoumaru se perguntou se ela realmente pensava em matá-lo. Talvez fosse a isso que Nobu se referia quando ele predisse que ele não duraria uma hora.
Ainda assim, quando ele havia ganhado suas insígnias como cavaleiro, tinha jurado nunca machucar uma dama. Podia ser um bastardo escocês e um mercenário, mas Sesshoumaru orgulhosamente mantinha os votos feitos quando tinha recebido o título de cavaleiro.
Por isso, ele rezou para estar tomando a decisão correta, e em seguida lançou sua espada ao chão em sinal de rendição.
— Sango! — ouviu-se um grito de fora do campo.
Ele desviou o olhar dos olhos de Sango, que tinham adotado um brilho maligno, e olhou para o lugar de onde se originara o grito. Uma encantadora moça corria pela grama, sua saia azul recolhida em suas mãos, seu cabelo solto flutuando atrás dela como uma bandeira cor mel castanha. Seu rosto era lindo e tão delicado como uma flor de maçã, mas suas belas feições denotavam preocupação.
— Não o mate! — ela gritou.
Sango falou por sobre seu ombro.
— Eu não ia matá-lo. — Seus lábios se curvaram maliciosamente. — Só ia mutilá-lo.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Rin não iria deixar que Sango cortasse uma só mecha do cabelo de Sesshoumaru.
— Não! — Ela levantou suas saias e começou a subir sobre a cerca.
— Minha lady. — Sir Nobu protestou, agarrando-a pelo ombro. — É melhor você ficar fora disto.
Seu tom paternalista pôs a prova o caráter sereno de Rin. Ela conseguiu sorrir docemente enquanto dizia entre dentes.
— Tire a mão de cima de mim, seu grande imbecil.
Os olhos de Nobu se arregalaram de surpresa, e ele a soltou imediatamente.
Enquanto corria através do campo, tudo o que Rin pôde fazer foi tentar manter-se em controle. Mas que droga! Estava farta de ser tratada como uma menina indefesa. Afinal tinha sido ela que tinha salvado Higurashi do ataque dos ingleses. Graças ao túnel secreto. Graças às armas que havia provido. E graças a sua habilidade. Mesmo que ninguém soubesse. Não queria ser tratada como uma menina mimada e viver envolto em uma camada de proteção que a asfixiava. Sobre tudo não queria ser vigiada e protegida por uma irmã que era somente alguns anos mais velha que ela.
Sango ia estragar tudo.
Quando Rin se aproximou, sua irmã suspirou, seu olhar feroz se abrandou com certa condescendência.
— Garota tola, eu só ia lhe ensinar uma lição.
Talvez fosse por todos os anos de silêncio a razão pela qual Rin queria gritar. Ou talvez pelo fingimento de ser uma moça indefesa quando na realidade poderia vencer facilmente a qualquer homem que tivesse duas vezes seu tamanho. Ou talvez por ter vivido à sombra de suas ilustres irmãs.
Independentemente de qual fosse à razão, a formação e o treinamento que Kaede havia lhe dado, destacava a importância da serenidade e do autocontrole. Mas nesse momento Rin sentiu que o sangue fervia em suas veias, e deu um empurrão em Sango para afastá-la.
A surpresa fez com que Sango cambaleasse para trás, mas seus instintos de guerreiro eram fortes. Como de hábito, ela colocou a ponta de sua espada na garganta de Rin, fazendo os espectadores que observavam da cerca gritar. Nunca tinham visto ninguém brandir uma arma para atacar à mansa Rin.
Igualmente impressionante foi à rapidez que uma segunda espada colidiu com a de Sango, colocando de lado.
Era a espada de Sesshoumaru que havia feito isso, e tanto Rin como Sango viraram suas cabeças para ele.
Tudo tinha acontecido tão rápido, Rin quase não sabia o que dizer. E o pobre Sesshoumaru com a testa enrugada em confusão e assombro, estava paralisado, seus dedos apertando firmemente o cabo da adaga.
O assombro de Sango rapidamente se converteu em desgosto. Em silêncio ela fervia de raiva, seu orgulho estava ferido porque indubitavelmente Sesshoumaru agora tinha ganhado controle da situação. Sua humilhação foi completada quando Nobu gritou da cerca.
— Necessita de ajuda, minha lady?
— Não! — Ela replicou. Em seguida resmungou para Rin. — Viu o que você fez? Por que se interpôs entre nós?
A mandíbula de Rin caiu com perplexidade. O fato que Sango tão facilmente lhe lançava a culpa só fez que se sentisse mais decidida a desafiar a sua irmã de uma vez para sempre.
— Porque é arrogante e uma garota intrometida. — Grunhiu ela. — Este não é assunto seu. É assunto meu, entendeu?
O choque no rosto de Sango era incalculável.
Antes que ela pudesse perder a coragem, Rin se virou para Sesshoumaru, que parecia tão perplexo como uma raposa encurralada por um par de galinhas loucas. Colocando seu cabelo para trás de seus ombros, ela foi para frente, estendeu sua mão, agarrou-o pela túnica o puxou em sua direção. Então lhe plantou um beijo na boca.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Continua...
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Notinha da não autora:
Donzelas, obrigada pela Reviews, estou tentando postar o mais rápido possível, bjos
