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Donzela Ardilosa

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Capítulo 4

— O que...!

Rin olhou para ele com um misto de satisfação e horror. Ela não queria ter feito isso. Na verdade, seu coração ainda se acelerava com a emoção do beijo de sir Sesshoumaru. Mas ela não podia permitir semelhante liberdade, já que se o fizesse, Rin temia que se esquecesse dos verdadeiros motivos dele para cortejá-la.

— Doce Virgem Maria! — Ela exclamou com surpresa. — Você tropeçou nas rosas?

Claro que ele não havia tropeçado nas rosas. Sesshoumaru tinha tropeçado com o pé que ela tinha colocado atrás de seu calcanhar. Sesshoumaru piscou atordoado e se sentou. Estava completamente perplexo.

Antes que pudesse pensar muito no que tinha acontecido, ela lhe estendeu uma mão para ajudá-lo.

— Talvez tenha desmaiado de fome. Quer outro pedaço de pão? Kaede deixou a bandeja.

— Não estou com fome. — Sesshoumaru disse enquanto lutava para ficar de pé, estudando o pedaço de terra, tentando verificar no que diabos ele havia tropeçado para cair assim.

— Não tem fome? — Ela sacudiu a terra de seu ombro, em seguida disse cautelosamente. — Parecia estar faminto no bosque.

Ele a olhou intensamente.

— É mesmo? Por que você diz isso?

Ela tragou profundamente. Quando Sesshoumaru sorria, era irresistivelmente bonito. Duas covinhas se marcavam em suas bochechas e seus olhos brilharam como estrelas. Mas agora, olhando-a e interrogando-a dessa maneira, ele parecia perigoso.

Ela se encolheu de ombros despreocupada.

— Não era isso o que você fazia no bosque? Caçar para algo para comer?

Seus olhos se estreitaram ligeiramente, e ela teve o pressentimento que ele tentava ler seus pensamentos. Então ele afrouxou o aperto em sua mão e seu olhar se iluminou com um brilho malicioso.

— Sabe perfeitamente bem o que eu estava fazendo no bosque, minha querida.

Rin se ruborizou com essa recordação. Não tinha querido referir-se a isso.

— E quando quiser dar outra olhada no que tenho em minhas calças...

Ela retirou sua mão nervosamente.

— Cavaleiro, só estamos começado com o cortejo. — ela o repreendeu. — Você anda muito rápido. Sou uma moça solteira, afinal. Talvez mais tarde, quando nos conhecermos melhor.

— Nos conhecer melhor? — Ele tomou uma mecha de seu cabelo e a enroscou ao redor de seu dedo. — Minha lady, eu teria pensado, que cuidando de mim noite e dia na tenda de Morbroch, já conhecia cada aspecto de minha pessoa.

Deus, a mentira gotejava de sua boca como mel de um pente. Ela nunca havia cuidado dele. Ela tinha inventado isso. E ele sabia. Na verdade, Rin começava a se perguntar se esse canalha alguma vez teria posto um pé em Higurashi.

Sesshoumaru levantou a mecha de seu cabelo e a beijou.

— De qualquer maneira, me desculpe, minha lady, se te assustei com minhas palavras. Tentarei refrear minhas paixões no futuro. — Ele acariciou sua bochecha com o dorso de um dedo. — Embora seja extremamente difícil. — Então Sesshoumaru se inclinou para sussurrar em seu ouvido. — Muito, mas muito difícil.

Não havia modo de confundir ou interpretar mal suas intenções. Por Deus! Era um patife. Deveria esbofetear seu lindo rosto por falar tais vulgaridades. Mas isso não serviria a seus objetivos. Se ela queria lhe extrair alguma informação, tinha que jogar o jogo dele. Então Rin lhe deu um sorriso enganosamente tímido.

— Não tenha medo, minha querida. — Ele lhe deu um beijo inocente na testa. — Mas me retirarei agora antes que sua criada mal-humorada vá relatar que estamos a sós. Seus parentes não parecem ser do tipo compreensivo, e já que fui convocado ao campo de prática... — Ele suspirou. — Vai parecer uma eternidade até que nos encontrarmos novamente.

Com um sorriso ardiloso e um olhar provocador, Sesshoumaru a saudou e cruzou o portão de jardim. Rin se sentiu satisfeita de ver que a túnica desse safado levava uma incriminatória mancha de terra que demonstrava que ele havia sido derrubado e derrotado.

Mal Sesshoumaru havia partido quando Rin começou a conspirar. Tinha que averiguar que ele tentaria. Onde estavam seus pertences? Ela tinha visto um pacote de provisões em seu cavalo. Algo nesse pacote poderia lhe dar uma pista. O que tinha acontecido com esse pacote?

Provavelmente ainda estivesse no cavalo.

Lançando o restante do pão aos pássaros, Rin deixou o jardim e partiu para os estábulos. Observando discretamente o campo de prática, ela viu Sesshoumaru treinando com Inuyasha. Kagome e Sango estavam apoiadas contra a cerca, observando. Por pura curiosidade, Rin o estudou durante um momento.

Ele não era muito bom.

Não que isso importasse. Não que ele fosse ser seu marido. Mas podia notar que a estupidez de Sesshoumaru ofendia Inuyasha, e suas irmãs murmuravam preocupadas.

Rin supôs que não deveria tê-las julgado tão severamente. Suas irmãs podiam ser asfixiantes e insuportavelmente super protetoras às vezes, mas era somente porque elas cuidavam dela. Era sua própria culpa por ter-se mostrado tão indefesa durante todos esses anos. Mas, o que mais poderia ter feito? Era sua aparente e fingida vulnerabilidade que lhe permitia controlar secretamente as coisas que aconteciam em Higurashi, que lhe permitia ter acesso aos rumores que escapavam dos criados descuidados, e que lhe permitia manter uma vigilância contra os forasteiros suspeitos como sir Sesshoumaru sem chamar muito a atenção.

Ela era responsável por gerir a administração do castelo, mas nem sequer suas irmãs valorizavam o que essa árdua tarefa implicava. Ela dirigia todos os bens e os serviços, a coleta e a distribuição do dinheiro, fiscalizava as provisões de comida, tecidos, lãs, cerveja, armas, carne e lenha. Ela se assegurava que as contas sempre estivessem equilibradas, não era uma tarefa fácil, em especial com o vício de seu pai pelas apostas. O fato era que ela fazia parecer que essa tarefa administrativa era fácil e conseguia enganar a todos os fazendo acreditar ela era essencialmente incapaz.

Por isso, quando ela passou pelo tratador dos estábulos e o saudou com um sorriso tímido, ele só sacudiu a cabeça e a deixou passar, sem nem sequer sentir-se curioso em relação ao que ela estava fazendo ali.

Uma vez que ela encontrou a égua de Sesshoumaru, sua despreocupação fingida desapareceu. Era uma criatura bastante nervosa, e ela teve que acalmar à besta várias vezes com murmúrios calmantes e suaves carícias no pescoço antes que pudesse ter acesso ao cubículo onde estava o animal.

Seus pertences estavam em um canto afastado, um pacote, uma grossa manta de lã e a sela dele. Ela arrastou a pesada sacola para um lugar onde tinha a luz do sol, e se agachou para olhar dentro.

A maior parte do conteúdo do pacote era bastante comum, e não havia nada incriminatório. Havia roupas sobressalentes, uma panela, uma colher, um pederneira, uma taça de madeira, algumas facas, uma corda, coisas que qualquer viajante levaria. Mais abaixo, tiras de linho e um molho de ervas, provavelmente de uso medicinal. Remexendo o fundo, Rin encontrou uma pequena bolsa de veludo com moedas de prata e um par de luvas de couro. Depois seus dedos tocaram uma pesada algema de metal.

Ela puxou a algema para fora e segurou o objeto à luz. Rin franziu a testa. Era um sinistro par de grilhões de ferro.

O estalo de uma língua atrás dela a assustou, fazendo-a guardar a algema rapidamente no pacote.

— Encontrou algo de útil? — Ela se virou para ver Sesshoumaru surgir das sombras, ameaçadoramente, com seus braços cruzados sobre seu peito, e com um sorriso satisfeito em seu rosto.

Por Deus! Como ele havia conseguido surpreendê-la assim?

— Eu... Eu... — Rin se agitou. — Por que não está treinando com InuYasha?

Sesshoumaru deu de ombros.

— A paciência de seu cunhado se esgotou. — Ele arqueou uma sobrancelha. — Por que você está revisando minhas coisas?

— Eu não estava revisando. — Ela respirou profundamente. Era exatamente o que ela estava fazendo. — Eu estava... — Ela necessitava um golpe de inspiração. — Eu só me perguntava... — disse Rin acariciando suavemente a sela. — Se havia me trazido... Algo.

O brilho duvidoso de seus olhos lhe disse que Sesshoumaru não estava convencido dessa desculpa, mas que lhe dava o benefício da dúvida.

— Quer dizer que procurava um sinal de meu afeto? O presente de um amante ou algo assim?

Ela mordeu seu lábio inferior, um gesto tímido que sempre mostrava o lado protetor dos homens.

Mas Sesshoumaru só riu entre dentes, então se agachou ao seu lado, colocando suas coisas de volta no alforje.

— Moça ambiciosa.

Rin fingiu vergonha, mas quando ele fechou o alforje e apoiou a sacola contra a parede do estábulo, ela não pôde menos que sentir um tremor de inquietação. Por que ele levaria uma algema?

Ele se coçou o queixo.

— Faz um momento, ouvi que uma das criadas dizia algo sobre uma feira.

— Uma feira? Ah, sim, na cidade. Em quinze dias. — Ela estreitou seu olhar, tentando discernir o que ele planejava.

— Eu lhe prometo que te comprarei algo lá, meu doce. — Ele agarrou seu queixo afetuosamente entre seu polegar e o dedo indicador. — Um presente adequado para a donzela mais encantada de toda Escócia.

Seu sorriso demonstrava incerteza. Não importava seu sorriso simpático. Esse homem levava algema em seu alforje. Que diabos ele estava planejando fazer isso?

Ele inclinou sua cabeça e piscou um olho.

— A menos que, é claro, você tenha roubado a prata de meu alforje.

Rin ofegou, fingindo uma grande ofensa.

— O que você está dizendo? Pensa que eu roubaria algumas moedas? — Ainda quando ela estava reagindo com grande ofensa, ela sentiu um rubor em suas bochechas. Depois de tudo ela havia remexido seus pertences. Ele tinha todo o direito de suspeitar.

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Sim, Sesshoumaru pensou, a encantadora donzela era definitivamente uma ladra. Ela provavelmente já havia roubado dúzias de corações com esse sorriso inocente e esses grandes olhos castanhos que podiam encher-se de lágrimas ante a mais leve provocação.

Sesshoumaru não foi enganado nem por um segundo. Ele conhecia muito bem o tipo. Rin pertencia ao tipo de mulher que usa seu afeto como moeda de troca, trocando olhares sedutores e beijos por fitas de seda e jóias preciosas, mulheres que sangravam um amante até levá-lo a bancarrota, e em seguida avançavam para o seguinte homem. Rin era o tipo de moça que um homem deve amar e abandonar sem o menor remorso. O que era perfeito para seu plano.

De qualquer modo, essa moça era muito curiosa para seu gosto.

— Estava brincando. — Sesshoumaru lhe assegurou com uma piscada de olho, estendendo sua mão para tomar a dela.

Rin colocou sua mão sobre a palma dele, e ele a ajudou a ficar de pé. Ele tirou o pó e a palha de suas saias, desfrutando do prazer secreto de lhe tocar o traseiro enquanto fazia isso, e fazendo-a lançar um suspiro.

Sesshoumaru fingiu inocência, soltando-a, depois se inclinou para tomar seu alforje.

— Você me mostrará onde devo pôr minhas coisas? — ele perguntou, logo acrescentado com astúcia. — Em algum lugar onde estejam... Seguras.

Rin se ruborizou outra vez, mas se era de vergonha ou de irritação, ele não podia dizer.

— É claro.

Sesshoumaru carregou sobre seu ombro o alforje e seguiu Rin em direção à fortaleza.

Inuyasha tinha dado permissão para que Sesshoumaru descansasse com os outros cavalheiros no grande salão, embora depois da pobre demonstração das habilidades de esgrima de Sesshoumaru, o lorde decepcionado provavelmente tivesse preferido que ele dormisse com os cães. Agora, contemplando a cadência dos quadris de Rin enquanto ela o guiava através do pátio, Sesshoumaru lamentava não ter pedido permissão de compartilhar a cama com essa donzela sedutora.

Há seu tempo, ele prometeu a si mesmo. Embora Rin fosse definitivamente uma mulher passional, ela também era uma provocadora profissional. Ela pertencia ao tipo de moça que se lançava provocativamente sobre um homem em um minuto, só para alegar que é virgem no minuto seguinte.

Quando se deitasse com Rin, seria em seus termos. E ia se deitar com ela, disso não restava dúvida. Havia poucas mulheres que podiam resistir aos encantos de Sesshoumaru quando ele se propunha a usar esses encantos. Em um dia, talvez dois, Sesshoumaru pensou com um sorriso de cobiça, teria Lady Rin entre seus lençóis e murmurando seu nome pedindo mais e mais.

Ao entrar no grande salão de Higurashi, Sesshoumaru ficou impressionado. Inumeráveis bandeiras de cores brilhantes e escudos de prata adornaram as paredes. A palha mesclada com ervas aromáticas que cobria o chão emanava um aroma doce que enchia o recinto, e as velas colocadas nos candelabros das paredes dava ao salão um ambiente cálido, uma resplendorosa acolhida. Os criados corriam de um lado ao outro, mantendo o fogo na lareira, limpando a fuligem das paredes, carregando baldes, cestas e feixes, subindo ou descendo a escada da fortaleza.

— Preparativos para o banquete do casamento. — explicou-lhe Rin, quando passaram ao lado de algumas criadas que enceravam as mesas de carvalho com panos e um pote de cera de abelhas.

Sesshoumaru assentiu com a cabeça. A cerimônia que aconteceria em dois dias poderia resultar útil aos seus objetivos. Que ladrão poderia resistir à tentação de colocar seus dedos nos bolsos dos convidados de um casamento, sobretudo convidados que provavelmente viajariam meio bêbados depois da festa de casamento? Teria que vigiar o bosque ao amanhecer depois do banquete de casamento, pois tinha certeza que nesse dia ia agarrar o ladrão.

— Pode guardar suas coisas aqui. — Rin lhe disse, abrindo uma grande arca de carvalho colocado junto à parede. Estava cheio com vários alforjes similares.

Quando Sesshoumaru deixou cair seus pertences dentro do baú, um rapaz jovem se aproximou.

— Minha lady, o vinho chegou do monastério, mas o cozinheiro diz que é pouco.

— Pouco? Como pouco? Quanto é pouco?

O rapaz coçou a cabeça, tentando se lembrar.

— Dois barris?

Rin suspirou.

— Dois barris? Tem certeza? É só metade do que solicitei.

— Sim, são poucos, dois barris.

Enquanto Rin se mordia o lábio, considerando o que fazer, outra criada se aproximou uma anciã com o rosto como uma maçã seca.

— Esse maldito comerciante de especiarias, por Deus! — resmungou ela. — Ele agora está pedindo mais dinheiro pela mercadoria.

Rin franziu o cenho.

— Bom, não posso lhe pagar mais.

— Foi o que eu lhe disse.

— E?

— Ele diz que a mercadoria custa mais desta vez, porque seu navio foi atacado por piratas.

— Isso não é minha preocupação.

A anciã enrugada se encolheu de ombros, e Rin apertou seus dentes com frustração.

Então um casal se aproximou uma mulher robusta com um olhar convencido, que arrastava um homem que apertava nervosamente seu chapéu em suas mãos.

— Vamos, fale. — A mulher lhe disse. — Diga a minha lady o que você fez.

— Peço-lhe perdão, minha lady. — Disse ele. — Mas um dos cães se soltou e... E...

A mulher cruzou seus braços sobre seu peito generoso.

— O maldito cão urinou nas toalhas que seriam usadas para o casamento, isso é o que ele fez.

— Ele não queria fazer isso. — argumentou o homem. — Além disso, que diabos estavam fazendo essas toalhas penduradas dos arbustos?

— Elas estavam arejando, seu grande palerma.

Rin levantou uma mão para pedir silêncio, depois se virou para Sesshoumaru.

— Sinto muito.

— Você está muito ocupada.

— Sou a responsável pela administração do castelo. — ela lhe explicou. — Provavelmente estarei muito ocupada nos próximos dois dias com os preparativos do casamento.

— Posso fazer algo para ajudar?

— Não realmente. A menos que possa interrogar esse cão.

Ele sorriu abertamente ante seu humor irônico.

— Como o tempo está agradável, minha querida, acredito que vou dar um passeio pelo campo, quero conhecer sua magnífico Higurashi.

Tomando algumas coisas de seu alforje, ele acenou com a cabeça os outros, desculpando-se por se retirar, mas não sem antes de ouvir a mulher robusta.

— Minha querida?

Sesshoumaru sorriu par si mesmo. Não podia acreditar em sua boa sorte. Não só tinha conseguido encontrar uma desculpa para ficar em Higurashi, uma desculpa jovem e desejável, e agradável de olhar, mas que também parecia estar muito ocupada para prestar muita atenção nele, o que significava que teria liberdade para procurar o foragido.

Sesshoumaru não perdeu tempo. Armado com sua espada, algumas adagas, e as algemas, e levando a bolsa com dinheiro para economizar a tentação à curiosa Rin, Sesshoumaru partiu com a intenção de explorar o bosque a pé.

O bosque de Higurashi era lindo e tinha um toque selvagem e de fantasia ao mesmo tempo. O musgo que cobria as pedras e os troncos das árvores amortecia os sons de seus passos enquanto ele sondava o caminho frondoso. Ao seu lado, as folhas de samambaia se dobraram sob o peso das libélulas, os esquilos avermelhados saltavam de galho em galho procurando nozes. Cogumelos venenosos cresciam em ramalhetes ao pé dos antigos carvalhos. A névoa quase havia se dissipado, e aqui e ali, onde os raios do sol penetravam a folhagem para iluminar o chão, podia se ver um lagarto ou rato se detendo para apreciar os cálidos raios.

Era o tipo de lugar que alguém poderia imaginar habitado por todo tipo de seres mágicos como duendes travessos e fadas encantadas. Na verdade, Sesshoumaru quase acreditava, pelos relatos exageradas sobre o ladrão que ele procurava ao qual descreviam como um ser invisível, tão veloz como relâmpago tão silencioso como a morte, que A Sombra era uma dessas criaturas mágicas do bosque.

Sesshoumaru sacudiu a cabeça. Não era de estranhar que os lordes continuassem a se sentirem aterrorizados por esse ladrão quando eles mesmos o descreviam com semelhantes talentos e haviam lhe posto um nome tão sinistro. A Sombra. Sem dúvida o ladrão era um mero mortal, pobre como um rato e que provavelmente se chamava John, Peter ou algum outro nome comum.

Mas até agora Sesshoumaru tinha sido incapaz de encontrar algum rastro da Sombra. Nenhum resto de comida nem restos de coelho assado. Nenhum musgo sobre as rochas esmagado pelo peso do traseiro desse maldito ladrão. Nada de aroma de fumaça no ar. Nenhum galho que tivesse sido quebrado para armar um refúgio. Nem um grama de excremento humano sujando as folhas. Nada que indicasse que um ser humano estivesse habitando esse bosque.

Sesshoumaru examinava um graveto quebrado no caminho quando novamente sentiu um formigamento na parte detrás de seu pescoço, um sinal que lhe dizia que não estava sozinho.

Com cuidado, para não despertar suspeitas, ele pegou um pedaço de árvore morta do lado da trilha e começou a tirar os galhos, assobiando enquanto o fazia. Quando terminou ele o bateu no chão diversas vezes, testando sua capacidade para ser utilizado como bengala. Mas todos os seus sentidos estavam extremamente alerta e afinados, escutando a mínima respiração e procurando a mínima tremulação de luz.

Atrás dele. Ele estava certo o intruso estava atrás dele.

Assobiando suavemente, Sesshoumaru avançou pelo caminho com um passo garboso, deixando que sua bolsa de moedas pendurada em seu cinturão se sacudisse e emitisse um som metálico que certamente tentaria qualquer ladrão.

Sabia que o ladrão ia segui-lo. Virando em uma curva do caminho, Sesshoumaru deixou cair uma moeda de prata e seguiu caminhando, como se não estivesse consciente de sua perda.

Mas em vez de seguir pelo caminho, Sesshoumaru se escondeu atrás de um grupo de arbustos e levantou a bengala, esperando que o foragido se aproximasse.

No instante que viu um brilho de um tecido azul, Sesshoumaru saltou para frente. Mas, para seu horror, o descarado com que se chocou não era nem John, nem Peter. A não ser lady Rin.

O que aconteceu depois, ele não soube claramente. Em um segundo, ele investia contra ela, tentando em vão não esmagá-la. No instante seguinte, ele se sentiu impelido para frente com mais força ainda, cruzou voando diante dela e foi cair no arbusto de azevinho no lado oposto, e como a bengala parecia ter vida própria o catapultou para lá.

— Ah! Sesshoumaru!

Depois um segundo de incredulidade e atordoamento, Sesshoumaru conseguiu se libertar dos arbustos espinhosos, recuando quando as folhas cortantes arranharam sua bochecha. Que merda acabava de lhe acontecer?

Rin estava de pé diante dele, suas mãos trêmulas abraçando seu peito, era a imagem da inocência, mas a moeda de prata era visível entre seus dedos.

— Você está bem, meu querido?

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Continua...

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Notinha da não autora:

Como prometido!