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Donzela Ardilosa
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Capítulo 6
Enquanto ela se apressava em voltar à fortaleza, o coração de Rin pulsava freneticamente... Com pânico... ou com excitação? Não saberia dizer. Pois ela se sentia alternadamente zangada e agradecida pela interrupção de Kaede. Jesus, nunca havia se sentido tão acalorada, leviana e desenfreada, como quando estava envolvida pelos braços de Sesshoumaru. E nunca havia se sentido tão vulnerável. Seu abraço curiosamente havia lhe deixado poderosa e fraca, ao mesmo tempo. Agora seu corpo se movia poderosamente, mas parecia também que seus joelhos não podiam sustentá-la em pé.
Era uma sensação maravilhosa. E ainda assim aterradora.
Na arte da guerra, o autocontrole era tudo. Fora isso que Kaede havia lhe ensinado. A disciplina das emoções era essencial. O domínio do corpo era a chave.
Rin tinha trabalhado durante anos, aprendendo a reprimir a dor, a fadiga e a hesitação, aumentando sua força física e mental, havia centrado seu corpo para aperfeiçoar a obediência e sua mente para que fosse aguda e eficaz como uma espada.
Como podia ser que algo tão simples como um beijo destruísse tão facilmente sua concentração? Como poderia ser que um sorriso ou uma piscada de olho de um forasteiro rompesse o equilíbrio de sua serenidade? Como podia ser que o contato de sua mão alterasse completamente o equilíbrio de seu chi?
Sim, Rin decidiu, Kaede fazia bem em interrompê-la. Precisava passar um tempo longe de Sesshoumaru, um tempo para meditar, e para voltar a alinhar seus sentidos.
Sabia o que ela tinha que fazer. Como tinha feito com a dor, a fadiga e a hesitação, ela tinha que se habituar a influência de Sesshoumaru. Como Kaede freqüentemente dizia: Não se vence o medo afastando-se dele, a não ser abraçando-o.
Então ia abraçar Sesshoumaru. Muito freqüentemente. Profundamente. Até que finalmente o conquistasse.
No momento que chegou à fortaleza, Rin já se sentia mais no controle. Depois de um almoço rápido, Sesshoumaru foi ao campo de treinamento para provar sua espada contra os cavaleiros de Higurashi outra vez, e com a falta de sua presença inquietante, Rin começou dar ordens no grande salão, e a calma e o equilíbrio voltaram para sua mente.
Antes do anoitecer, Rin já havia se recuperado e realmente esperava ansiosa poder estar na companhia de Sesshoumaru durante o jantar. Então ele apareceu com sir Nobu, rindo amigavelmente, com o rosto recém lavado, seu cabelo limpo e penteado, seu amplo peito coberto por uma túnica marrom que combinava com seus olhos risonhos, e Rin fez o que pôde para manter seu coração pulsando em um ritmo estável.
Era ridículo como seu corpo respondia a sua presença. Afinal, ela acabava de conhecer esse homem. E, no entanto necessitou de toda sua força da vontade para não pular por cima da mesa alta e se lançar em seus braços, para anunciar ao mundo que ele era seu. Era realmente nojento e, no entanto Rin não podia refrear seus sentimentos mais do que poderia evitar que a chuva caísse.
Quando ele a viu, seu rosto se iluminou com um amplo sorriso. Ele se aproximou e tomou sua mão e colocou um beijo no dorso de seus nódulos.
— Senti a sua falta, meu doce.
Suas palavras a afetaram mais do que gostaria de confessar, e sem dúvida, mais que do que ela tinha esperado. Rin retirou sua mão rapidamente.
— Ora! Sem dúvida Inuyasha e Mirok o mantiveram muito ocupado no treinamento, e não teve tempo para sentir minha falta.
Ele sorriu abertamente e se sentou ao seu lado.
— Eles realmente não me mantiveram ocupado. Mas cada vez que eu levantar minha espada, será para lutar em sua honra, minha lady.
— Realmente? — Inuyasha grunhiu do canto da mesa. — Então é melhor que cuide muito bem de sua honra, Rin.
— Inuyasha! — Kagome o repreendeu.
— Ele não é muito bom com a espada. — Justificou-se Inuyasha com um encolhimento de ombros.
Mirok se aproximou por detrás deles e bateu no ombro de Sesshoumaru.
— Ele vai melhorar. Recorda como eram os cavaleiros de Higurashi quando chegamos?
Sango apareceu atrás de seu noivo, e lhe beliscou com força a nádega para fazê-lo gemer.
— Os cavaleiros de Higurashi eram perfeitamente capazes quando você chegou, normando.
— Vamos vocês dois. — disse Kagome com uma risada. — Uma briga de noivos tão cedo? Nem sequer estão casados.
Quando o pai das três irmãs chegou, InuYasha e Sesshoumaru ficaram de pé para ajudá-lo a se acomodar em um lugar entre eles. Rin esperava que Lorde Tourhu não se opusesse a Sesshoumaru. Às vezes em seu estado de senilidade, ele ficava mal quando via rostos desconhecidos em sua mesa.
— Quem vai se casar? — Lorde Tourhu perguntou, olhando com confusão aos comensais ao redor dele.
InuYasha respondeu com uma voz forte e pausada.
— Mirok e Sango vão se casar em dois dias, meu lorde.
— E ele não é bom com a espada?
— Mirok sabe lutar com a espada. — Respondeu InuYasha. — O novo pretendente de Rin é que não é bom com a espada.
Kagome protestou outra vez.
— InuYasha!
— É a verdade, ele não é bom.
Lorde Tourhu se virou lentamente para olhar Sesshoumaru.
— Quem é este?
Sesshoumaru sorriu e lhe ofereceu a mão.
— Sou sir Sesshoumaru de Morbroch, meu lorde.
— Não sabe lutar com a espada?
Rin tinha escutado o suficiente.
— O que importa isso? — Ela disse com impaciência, desdobrando o guardanapo em seu colo. — Por que estão tão interessados em saber se sabe ou não sabe lutar? Saber dirigir uma espada não é tudo na vida. Tenho certeza que...
— O que? — Lorde Tourhu rugiu.
Rin hesitou.
Kagome interveio, passando por InuYasha para colocar uma mão sobre o braço de Lorde Tourhu.
— Pai, é Rin. — ela explicou. — Sabe que Rin não gosta de lutas.
— Rin? — Ele resmungou.
— Sim. — Ela lhe assegurou. — E este é sir Sesshoumaru, um... Amigo de Rin.
Rin não se deu conta que estava contendo a respiração. Mas quando Lorde Tourhu relaxou, ela soltou um suspiro de alívio. A última coisa que queria era ofender seu pai. Lorde Tourhu era descendente de Vikings, tinha nascido e criado como um guerreiro, e embora seus dias da glória já tivesse passado há muito tempo, ele nunca havia perdido seu espírito guerreiro. Questionar a importância do ato de lutar era como questionar sua própria existência.
Por sorte, em sua condição, Lorde Tourhu geralmente se esquecia de um segundo para outro do estava falando. Mas suas reações podiam ser tão imprevisíveis às vezes. Rin rezou para não fizesse nenhuma pergunta embaraçosa para Sir Sesshoumaru.
— Que assunto você tem com minha filha?
Assim mesmo.
Rin sorriu forçadamente.
— Conheci-o no torneio, pai. Lembra-se do torneio?
Ele grunhiu.
— Pensei que haviam dito que ele não sabia lutar.
— Ele... Ele...
Sesshoumaru a salvou.
— Fui derrubado de meu cavalo em um tumulto, meu lorde. Nunca tive a possibilidade de participar do torneio.
Inuyasha resmungou entre dentes.
— Graças a Deus por isso.
Kagome lhe deu uma cotovelada.
Sesshoumaru deve ter ouvido o insulto, mas ele era muito educado para responder. Em troca, ele tomou a mão de Rin na sua e falou com seu pai.
— Foi sua filha quem me salvou.
— Kagome ou Sango? — Lorde Tourhu perguntou.
— Rin, meu lorde.
— Rin? Rin não sabe lutar. — Lorde Tourhu sacudiu a cabeça com desgosto enquanto os criados começavam a servir o jantar, repartindo o guisado de cordeiro nas bandejas. – Qualquer um sabe lutar mais.
Rin sentiu que suas bochechas se ruborizavam.
— Eu não estava participando do torneio, Pai. Eu... — Mas que droga! Estava a ponto de mentir a seu próprio pai? Sim, mas que opção ela tinha? Ela e Sesshoumaru tinham inventado essa história juntos, e agora tinham que se manterem fiéis a ela. — Eu cuidei de suas feridas.
— Rin foi um anjo de piedade, meu lorde. — Sesshoumaru acrescentou, acariciando sua mão. -Ela me cuidou, refrescava minha testa, trouxe-me a comida e a bebida...
Mirok sorriu com satisfação.
— Pensei que tinha ficado inconsciente por vários dias.
— E assim foi. — Rin rapidamente interveio.
— Ela me contou que cuidou de mim. — Sesshoumaru corrigiu.
— E lhe trocava as ataduras. — Acrescentou ela.
— Verdade? — Sango perguntou com astúcia. -E exatamente em que lugar foi ferido, sir Sesshoumaru?
— No braço. —Rin respondeu.
— Na perna. — Respondeu simultaneamente Sesshoumaru.
— No braço e na perna. — Disse Rin. — Foi uma ferida muito... Extensa e... Muito grave.
— Realmente. — Kagome disse, franzindo o cenho com preocupação fingida.
Houve um longo e tenso silêncio.
Então Mirok começou a rir, e outros riram dissimuladamente. Ele levantou seu jarro para Sesshoumaru.
— Eu teria feito que me golpeassem para ficar inconsciente durante dias, se tivesse sabido que ia ter uma enfermeira tão bonita.
Sango deu um tapa no ombro de seu noivo.
Sesshoumaru levantou seu jarro em resposta, e lhes sorriu abertamente.
Rin se sentia mortificada.
— Você acha que eu e Sesshoumaru... Você acha que eu...
Sesshoumaru abaixou sua bebida e fechou a mão dela entre as suas.
— Querida, seria bom se nós confessássemos.
— Confessar? — Isso não estava indo bem. Absolutamente.
— A verdade é que eu não posso ter sido tão insensato assim. - admitiu. - Afinal, um homem teria de ser tolo para sofrer nas justas quando ele pode sofrer nas mãos angelicais de uma bela dama. Eu não estou certo?
Rin sentiu que seu rosto estava vermelho de vergonha. Ninguém acreditaria em sua história agora. Todos sabiam que Rin não era o tipo de moça que entraria sozinha na tenda ocupada por homens desconhecidos.
Mas para sua surpresa, a maior parte dos homens na mesa riu e levantou seus jarros em um brinde. Nem sequer suas irmãs intervieram para defendê-la.
Rin baixou a cabeça para abafar sua irritação e sua vergonha no jarro de vinho. Agora não haveria modo de convencê-los de que não havia se deitado com sir Sesshoumaru no torneio. Especialmente quando ela tão descaradamente havia lhe roubado um beijo nessa mesma manhã diante de testemunhas.
De repente tinha perdido o apetite. Uma coisa era viver uma mentira de sua própria autoria. E outra totalmente diferente era estar enredada nas mentiras de alguém mais, em especial quando esse alguém não se preocupava nem um pouco com a sua reputação e se provava condenadamente criativo em sua narrativa.
Por sorte, o interesse pelas habilidades como enfermeira de Rin e talentos para a luta de Sesshoumaru diminuíram rapidamente. Logo a conversa girou para coisas comuns, a proximidade do casamento de Sango, a abundância de salmão no lago nesse ano, a necessidade de reparações na capela, e o roubo de duas as vacas por parte dos Kiranosuki.
Então, enquanto Rin ia se acalmado embalada por um sentimento de ao ouvir o bate-papo típico da mesa em Higurashi, Lorde Tourhu decidiu envolver Sesshoumaru em um de seus temas de conversa favorito.
— Contaram-lhe sobre o ladrão que temos no bosque?
Tão inesperado foi à mudança do tema da conversa que Sesshoumaru quase se engasgou com um pedaço de carne de cordeiro. Ele conseguiu engolir sem problema, e em seguida despreocupadamente tomou um gole de vinho.
— Não. — Ele respondeu. — Você disse um ladrão?
Mas Rin, bem intencionada, mas uma moça intrometida inclinou-se para frente para interromper.
— Pai, eu tenho certeza que ele não está interessado nisso. — Explicou a Sesshoumaru. — São principalmente rumores e especulações cultivadas e fora de proporção.
Sesshoumaru lhe deu um sorriso forçado. E se perguntou se seria muito grosseiro apertar sua mão sobre a boca dela para que Lorde Tourhu seguisse falando.
— Mas — InuYasha disse, cravando sua faca na mesa para marcar seu ponto de vista — Eu continuo dizendo que foi a Sombra quem destruiu a catapulta dos ingleses.
De repente o salão se encheu de suposições e argumentos, também interessados em desvendar. Parecia que todos tinham uma opinião sobre o assunto.
— Eu o vi uma vez. — Interveio Mirok. — Na cabana do granjeiro onde Sango me manteve como refém.
Sesshoumaru piscou. Tinha ouvido Mirok corretamente? Sango o havia mantido como refém? Por Deus! Essas mulheres de Higurashi eram de fato muito intrépidas.
Fingindo um leve interesse, Sesshoumaru, entretanto cuidadosamente sintonizou seus ouvidos para escutar cada palavra.
Sango acrescentou.
— Ele deixou lá uma de suas facas.
— Suas facas? — Sesshoumaru perguntou.
Ela assentiu.
— Uma adaga delgada, toda preta. Ele as deixa depois que ele rouba suas vítimas.
— Nem sempre. — murmurou Rin.
— Nem sempre. — Concordou Kagome. — Mas é um sinal para que todos saibam que foi um trabalho feito por ele.
Sesshoumaru comeu avidamente outro pedaço de carne de cordeiro.
— É mesmo? E por que faz isso?
O homem idoso respondeu a Sesshoumaru, como se tivesse estado esperando pacientemente que alguém lhe pedisse que relatasse sua anedota favorita.
— A Sombra — começou Lorde Tourhu com seus olhos azuis brilhando como safiras ao sol — É tão rápido como o relâmpago. Ágil como uma chama de fogo. Um ser quase invisível.
— Quase invisível. — Murmurou Rin. — E, entretanto tantos asseguram tê-lo visto. — Ela fez uma careta.
Lorde Tourhu prosseguiu, agitando seus braços ossudos para acrescentar ênfase à história.
— Veste-se todo de preto. Da cabeça aos dedos dos pés. Negro como a noite, mas com uma estreita fenda onde seus olhos reluzem como se fossem os olhos do diabo.
Ele então fez o sinal da cruz, e todos imitaram o gesto, todos exceto Rin, que se sentia horrivelmente envergonhada pela interpretação dramática de seu pai.
Até o momento Lorde Tourhu só descrevia o que Sesshoumaru já tinha averiguado. O ladrão conhecido como A Sombra, era veloz, ágil, e aparentemente tinha uma obsessão com sua roupa preta. Mas assim como Rin, Sesshoumaru não acreditava que o ladrão possuísse algum atributo demoníaco ou místico.
— Ele pode saltar como um acrobata — disse Lorde Tourhu — E cair na terra sem nenhum arranhão, e, antes que sua vítima possa piscar lhe corta a bolsa de moedas… ou a garganta.
Rin suspirou com desgosto.
— Nunca cortou a garganta de ninguém, pai. — Ela olhou fixamente para Sesshoumaru, tentando convencê-lo. — Ele não o fez. Realmente é bastante inofensivo.
— Ninguém sabe onde ele vive. — Continuou Lorde Tourhu. — Ele aparece do nada, faz o roubo e em seguida desaparece no bosque... Como uma sombra.
— Ninguém foi capaz de agarrá-lo? — Sesshoumaru perguntou. — Alguém já tentou?
Sango e Kagome trocaram um olhar rápido e sutil que Sesshoumaru quase se perdeu, era um olhar de comunicação entre irmãs que só elas poderiam entender.
Depois Kagome deu de ombros.
— Rin está certa. Na maior parte dos casos, ele não faz mal algum.
— Porém — Sango acrescentou — Ele nunca incomodou a nenhuma das pessoas de Higurashi, na verdade.
Kagome riu entre dentes.
— Além disso, sobre o que meu pobre pai falaria se prendêssemos seu ladrão favorito.
Sesshoumaru desejava que o homem idoso continuasse falando, mas parecia que sua mente senil já flutuava à deriva. Nesse momento ele estava concentrado em tirar um miolo de pão de sua grande barba branca.
— Ninguém poderia prendê-lo de qualquer maneira. — Disse Mirok. — Ele pode ser pequeno, mas também é astuto como uma raposa.
— Escorregadio como uma enguia. — Concordou InuYasha.
Sango interveio.
— Mais rápido que um...
— Mas certamente alguém deve ter tentado. — Sesshoumaru tentou manter seu tom superficial, mas não queria deixar que o tema da conversa cessasse. — Não pode ser tão... — Quando ele levantou suas mãos para dar ênfase à frase, seu dedo se enganchou com a base de um jarro vazio, e ele se chocou contra a mesa.
O jarro deveria ter caído ao chão. Mas a mão de Rin moveu-se depressa e o agarrou um instante antes que caísse.
Por um instante, os olhos deles se encontraram os de Sesshoumaru, assombrados, os de Rin, culpados. Então ela deixou cair o jarro.
Este golpeou o chão de pedra com um som metálico que ecoou no salão.
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Continua...
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