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Donzela Ardilosa
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Capítulo 8
— O que dirá a ele? — Kaede exigiu.
Rin se agachou e escondeu sua cabeça debaixo da colcha.
— Quieta.
Tudo a incomodava e a irritava nessa manhã. Tudo lhe doía. A cabeça. Os olhos. Inclusive os dentes. E Kaede tinha considerado adequado abrir as portinhas e cegá-la com a luz do sol quando acabava de fechar os olhos para dormir.
— O que lhe dirá? — Kaede repetiu, puxando a colcha apesar dos protestos de Rin.
— Não sei. — Gemeu ela. — Que diferença faz? Ele provavelmente não vai se lembrar mesmo. Era apenas um jarro. — Talvez assim Kaede a deixaria em paz e a deixaria voltar a dormir.
— Jarro? Um jarro? Que jarro?
Senhor, Kaede soava como uma galinha, uma galinha com um forte e insistente cacarejar.
— O jarro que caiu. Eu o peguei.
Kaede a sacudiu com força pelo ombro.
— Acorde.
Rin finalmente gemeu sua rendição.
— O que aconteceu?
— E o que fez na escada?
— Que escada? — Rin pressionou as pontas de seus dedos contra suas têmporas pulsantes.
— Você não se lembra?
Rin franziu o cenho contra a infringente luz do sol. Realmente se lembrava de algo... Vagamente. Algo na escada. Algo agradável.
Ah, sim, ela havia sido beijada por Sesshoumaru.
Seus lábios se curvaram com a lembrança. Ele tinha um gosto muito bom – gosto de mel, não, de vinho. Seus braços a haviam cercado calorosamente como uma suave manta de lã de cordeiro. E ela havia sentido a espessa adaga de sua virilidade pressionada contra...
— Isto é o que você lhe dirá. — Ordenou Kaede.
Rin suspirou.
Kaede continuou.
— Que isso é só uma brincadeira tola que suas irmãs lhe ensinaram.
Rin franziu o cenho. Algo mais tinha acontecido nas escadas, e agora estava começando a se lembrar. Oh, Deus, era não possível, não é mesmo? Certamente ela não havia bebido. Mas quando sua memória começou a voltar com muita clareza, Rin compreendeu que, sim, ela havia estado muito bêbada. Sesshoumaru a tinha acusado de ser fraca, e ela tinha derrubado o homem fazendo-o cair de traseiro no chão.
— Oh.
— Oh. — Kaede sacudiu a cabeça com desgosto. — É isso tudo o que tem para dizer? Oh?
— Sinto muito, xiansheng.
Ela estava arrependida. Em sua embriaguez, ela havia feito coisa muito pior. Ela havia ameaçado Kaede. Agora Rin entendia o que seu criado queria dizer e o que pedia que ela fizesse. Rin assentiu com a cabeça, ensaiando a mentira.
— É só uma brincadeira tola que aprendi com minhas irmãs.
Kaede grunhiu minimamente satisfeita como ele sempre estava com seu desempenho.
— Agora, levante-se. Vamos fazer tai chi chuan.
Rin gemeu.
No final não foi preciso que Rin usasse a mentira ensaiada depois de tudo. Não viu Sesshoumaru em toda a manhã. Os preparativos para o casamento de Sango a manteve muito ocupada no grande salão e a todos os demais fora de seu caminho. Por sorte, Kaede havia lhe preparado um chá de ervas para aliviar a maioria de seus males, e por isso ela pôde funcionar com uma eficácia razoável.
Ela supervisionou os criados primeiramente quando eles poliam e varriam e, em seguida, quando decoravam o salão com ramos de cedro e grãos de azevinho, brotos de urze roxa. Rin se assegurou que houvesse velas suficientes, bem como linho e taças para os convidados. E ela fez uma relação de todos os que entravam e saiam da leiteria e do armazém para se assegurar que ninguém havia encontrado a saída secreta em seu quarto particular.
Era tarde na manhã quando Sesshoumaru finalmente fez sua aparição na entrada do grande salão. O coração de Rin se deteve ao ver seu sorriso infantil e alegres olhos marrons. Uma onda de sensualidade a invadiu imediatamente. Rin pôde imaginar instantaneamente o sabor de seus lábios, a textura de seu cabelo e o aroma de sua pele.
Ela se mordeu o lábio e desejou que seu coração se estabilizasse. Tinha que manter o controle. Era um assunto de grande importância. Tinha brincado com fogo na noite anterior, permitindo-se agir por impulso, e tinha sido muita sorte escapar ilesa.
Ela podia não ser tão sortuda no futuro.
Ela tinha que se acostumar à presença de Sesshoumaru. Não importando quão brilhantes fossem seus olhos ou quão simpáticas fossem suas covinhas.
Além disso, Rin disse a si mesma, endireitando uma vela cambaleante, era no dia anterior ao casamento de sua irmã. Não tinha tempo para bate-papo ocioso. Ou longos e adoradores olhares. Ou famintos, ardentes e apaixonados beijos.
Aparentemente, ela não tinha nenhuma razão para preocupar-se. Sesshoumaru parecia determinado a ficar fora de seu caminho. Ele rondava em volta de toda a atividade, emprestando uma ajuda aqui, uma força lá atrás, ou dando uma palavra de cautela ou elogios a quem merecia.
Seu charme era realmente surpreendente. Em só um dia, esse homem astuto havia conseguido se entrelaçar perfeitamente na tapeçaria humana de Higurashi, como se realmente fosse um pretendente sério.
Era uma raposa ardilosa.
O que o fazia realmente muito perigoso era que as pessoas de Higurashi confiavam nele, pessoas como a criada que atualmente ria como uma idiota enquanto Sesshoumaru se inclinava sobre ela com exagerada galanteria.
Rin estreitou seus olhos e bateu palmas para tirar a poeira de suas mãos. Era momento de intervir. Não podia se dar o luxo de ter uma criada apaixonada, doente de amor caindo a seus pés. E muito menos uma que poderia revelar segredos.
Mas nesse momento os guardas anunciaram a chegada dos primeiros convidados para o casamento, e Rin teve que se ocupar em lhes dar as boas-vindas. Ela se assegurou que os cavalos fossem acomodados no estábulo e pediu comida para eles, e os convidou a ficar cômodos perto da lareira. Tais tarefas sempre recaíam a Rin, já que era ela a mais sociável das irmãs.
Quase uma hora depois ela voltou a ver Sesshoumaru no grande salão, e quando descobriu com quem ele falava, sentiu uma pontada aguda e desagradável no peito.
Kikyo Miyako.
Kikyo era um problema. Ela era muito peituda para seu próprio bem, e nesse momento parecia ter dificuldade para manter seu suculento par de tetas dentro do decote de sua camisa. Tinha um sorriso descarado, olhos ardilosos, bochechas rosadas, cabelo rebelde e sempre luzia como se acabara de se deitar com alguém. O que era verdade a maior parte das vezes.
E o pior de tudo, Kikyo Campbell era uma fofoqueira incurável. Custava muito para Kikyo manter seus lábios e as pernas fechadas. Sesshoumaru só precisaria lhe dar uma piscada de olho, e ela lhe contaria tudo o que ele queria saber.
Kikyo estava parada na entrada da despensa agora, timidamente colocando um cacho de cabelo de seu cabelo trás da orelha, enquanto sir Sesshoumaru estava apoiado contra a parede ao seu lado, sorrindo e conversando.
A imagem fez as orelhas de Rin ferver.
Não podia ser de ciúmes, ela se disse a si mesma. Afinal, Sesshoumaru realmente não lhe pertencia, não realmente. O cortejo era uma farsa, ou não?
Mas algo sobre essa paquera descarada fez que o sangue de Rin fervesse.
Na realidade devia ser raiva. Kikyo era sua criada. O casamento de Sango era amanhã. E essa moça preguiçosa estava perdendo um tempo valioso, sacudindo sua língua, batendo suas pestanas e meneando seus quadris para... O excelentíssimo sir Sesshoumaru.
Além disso, Rin pensou, abrindo seu caminho através do salão, não se supunha que Kikyo tinha que ser cortejada por sir Nobu?
— Kikyo! — Ela gritou assustando a criada. — Você foi procurar o queijo?
— Sim, minha lady.
— Sim? — Rin duvidava. Kikyo raramente fazia algo na primeira vez que se pedia.
— Sim.
Rin franziu o cenho.
— E quanto ao pombal? Você já limpou?
— Fiz isso ontem, minha lady.
Rin piscou com surpresa. O que estava errado com Kikyo? Ela não estava dando a Rin as habituais respostas atrevidas. E, além disso, parecia que a moça finalmente tinha aprendido a amarrar as fitas do decote de sua camisa.
— E o hidromel. Eu lhe disse...
— O hidromel já foi levado para cima.
— Ah. — Rin olhou para Sesshoumaru, que parecia desconcertado pelo tom áspero que usava com Kikyo.
— Então o que fazia na despensa?
O rosto de Kikyo era a imagem da inocência.
— Só estava pendurando o bacon como você disse minha lady.
— Hum. Bom. Muito bem. — Mas Rin ainda estava irritada como gato com o vento norte. Pegou Kikyo pelo cotovelo e a conduziu para longe de Sesshoumaru, para que ele não as ouvisse. – Você decidiu vadiar todo o dia. — sussurrou ela — E paquerar com os convidados?
— Eu não estava vadiando. — Replicou Kikyo. — E não estava paquerando. Foi ele quem começou a falar comigo. O que eu podia fazer? — Disse ela, seus olhos adotaram um ar sonhador. — Minha lady não tem de que se preocupar. Eu tenho meu próprio homem agora. Não roubarei o seu.
Rin sentiu um rubor esquentar suas bochechas.
— Do que falavam então?
Ela se encolheu de ombros.
— De nada. Ele só me perguntava coisas de Higurashi. Do castelo. Das pessoas do castelo.
— Ele perguntou algo sobre mim?
— Não.
Rin não podia ajudar, porém se sentia descontente. Virgem de Deus! Conhecia Sesshoumaru há menos de dois dias, e já o havia espiado duas vezes e tinha revistado seus pertences.
— Necessita alguma coisa mais, minha lady? — Kikyo perguntou.
Rin negou com a cabeça. Depois reconsiderou.
— Sim. Entregue um jarro de cerveja para sir Nobu. Ele esteve trabalhando muito no campo de treinamento.
— Sim, minha lady. — Os olhos de Kikyo se iluminaram enquanto saíam correndo, qualquer um teria pensado que Rin havia lhe pedido que fosse sentar-se na mesa do rei.
Talvez algum dia Rin fosse encontrar um homem que fizesse seus olhos brilhar desse modo. A maneira como os de Sango também brilhavam quando olhava a seu noivo, e o mesmo acontecia a Kagome quando falava de seu marido.
Sesshoumaru não fazia que o olhar dela brilhasse dessa maneira. Não, lhe causava emoções completamente diferentes. Suspeita. Diversão. Irritação. E inexplicável desejo.
Estremecendo-se com a lembrança de seus beijos, Rin se virou para ver onde seu atraente, embora inoportuno, pretendente tinha ido. Ali estava ele, surgindo da escada que levava ao porão. E não estava sozinho. Vinha não com uma, mas com duas criadas que riam como tolas enquanto observavam como ele carregava um saco de aveia sobre um ombro, alegremente avançando pelo corredor e saindo pela porta.
Ela sentiu um calafrio subir ao longo de seu pescoço. Que diabos planejava esse safado? Seu objetivo era paquerar com cada criada de Higurashi antes de pôr-do-sol?
Rin não se importava. Sinceramente não. Ela repetiria para si mesma essas palavras, centenas de vezes em sua mente até que terminou acreditando nelas.
Seu único interesse a respeito de Sesshoumaru era descobrir por que diabos tinha vindo a Higurashi. Tinha intenção de averiguar do que ele tinha falado com as mulheres de Higurashi. Uma vez que descobrisse isso, e por que tinha vindo ao castelo, ela o descartaria como um trapo velho.
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Continua...
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Notinha da não autora:
Donzelas, desculpa não ter postado ontem, sai pra um Happy hour com uns amigos do trabalho e voltei pra casa vendo estrelinhas novamente, largar essa vida.... Posto o Capítulo 9 hj anoite, bjos
