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Donzela Ardilosa

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Capítulo 10

A alvorada encontrou a maior parte dos habitantes da casa ainda na cama, esgotados pela farra da noite anterior. Mas não Sesshoumaru. Ele tinha uma missão. Hoje poderia ser o dia que enfim se encontrasse cara a cara com A Sombra.

Ao lado do fogo, ele devorava um café da manhã composto por bolachas de aveia untadas com manteiga e acompanhadas de cerveja. Lançando um olhar ao redor do salão viu os vestígios da celebração da noite anterior, copos quebrados, flores murchas, cães roncando com as barrigas cheias, velas derretidas, ossos desprezados, e aqui e ali algum que outro camundongo intrépido em busca de restos comida.

Pareceu-lhe que Rin teria muitas coisas para fazer. Um sorriso se desenhou no rosto de Sesshoumaru, embora um sorriso cansado, quando sua bela, maliciosa e irresistível imagem se materializou em seus pensamentos.

Sua amada dama demonstrava ser um adversário admirável. Já era muito difícil conciliar a busca de um criminoso com o cortejo fingido de uma dama. Mas quando a luxúria e os ciúmes apareciam para complicar as coisas, e quando a implacável Rin se aproximava mais e mais da verdade, Sesshoumaru se encontrava em uma posição mais incomoda que as um sacerdote apanhado em um bordel.

Não que ele se importasse em contar uma pequena mentira. Isso era parte de seu trabalho. Mas se negava a se sentir culpado por isso. Além disso, Rin não era exatamente sem pecados e mentiras. As mentiras saíam de sua boca tão facilmente como uma esteira de água segue o nado de um cisne.

Ele tinha conhecido mulheres como Rin antes. Adoráveis como elas eram, uma vez que elas ganhavam seus afetos, elas o tinham abandonado sem derramar uma lágrima. Para elas, a conquista era tudo.

Ele as compreendia. Seu próprio sustento estava apoiado na caçada. Não havia nada mais emocionante que rodear e encurralar uma presa, a burlando e por último capturá-la.

Enquanto isso, ele teria que sofrer essa sedução que deixava sua boca seca, seu coração palpitante, e suas bolas doloridas pela luxúria não satisfeita.

Ao menos nessa manhã ele conseguiria um alívio da perseguição dos encantos de Rin. Segundo a carrancuda Kaede, que devia se levantar com as galinhas, a moça ainda estava na cama, e não desejava ser incomodada.

As damas de Mochrie, por outro lado, estavam excessivamente impacientes por encontrá-lo para que lhes fizesse de escolta em seu passeio. Elas desceram as escadas envoltas em uma onda de tagarelice, fazendo que Sesshoumaru se perguntasse se elas deixavam de falar quando dormiam. Sua presença no grande salão o desagradou quase tanto como a carranca de Kaede, que imediatamente se apressou a voltar para o quarto de Rin, provavelmente para contar à sua ama que "o descarado" novamente estava flertando com outras mulheres.

Sesshoumaru não tinha modo de parar o veneno da língua da idosa, mas com sorte, poderia deter A Sombra hoje. Uma vez que essa tarefa estivesse cumprida, Sesshoumaru poderia deixar de lado seus falsos pretextos, e dar a Rin o que ambos desejavam, ou pelo menos uma pequena prova, depois lhe dar uma carinhosa despedida para voltar para Morbroch para receber sua recompensa.

Havia uma boa possibilidade que ele pudesse conseguir seu objetivo nessa manhã. Se, como ele suspeitava, o ladrão estivesse acostumado a atacar os convidados do castelo de Higurashi e, ele saberia que as Mochrie era um alvo fácil. Elas haviam ganhado bastante dinheiro ontem à noite, jogando com Lorde Tourhu, e só havia dois soldados em sua escolta, então eles não oporiam muita resistência. Que ladrão poderia resistir à tentação de semelhantes vítimas?

Havia uma dúzia de pessoas, cinco mulheres, dois homens, três crianças, uma senhora idosa, e ele. Quando eles partiram para o bosque, os homens se colocaram um na dianteira e o outro na retaguarda do grupo, com Sesshoumaru no meio, o que agradou muito às apaixonadas damas. Mas depois de um quarto de uma hora de escutar o bate-papo incessante e as risadas tolas, Sesshoumaru quase lamentava não ter tomado uma posição diferente. Custava-lhe ouvir os seus próprios pensamentos, e muito menos ouvir os intrusos.

Ainda assim ele manteve um olho vigilante nas árvores, alerta a qualquer movimento revelador na folhagem. Duas vezes ele foi enganado por uma codorna assustada que ser escondeu nos arbustos. Uma vez ele pensou ver um brilho suspeito entre os galhos, mas resultou ser o reflexo de um dos medalhões das damas.

Quando o tempo passou, ele começou a duvidar que encontrasse o ladrão. Talvez tivesse escolhido o clã errado. Talvez A Sombra preferisse atacar os viajantes que eram em menor número. Talvez devesse ter seguido os Kuranosuki.

Então, quando eles passaram por uma clareira ensolarada, ouviu o homem que encabeçava o grupo lançar um suspiro agudo. A mão de Sesshoumaru instantaneamente foi ao cabo de sua espada.

Quando o homem deixou de caminhar, a linha que formava o grupo se desarmou, cada um dos viajantes colidindo com um da frente, prendendo Sesshoumaru no meio.

Sesshoumaru não era um homem para tirar conclusões precipitadas. Algo poderia ter feito o homem se deter. Um javali. Um soldado inglês. Uma moeda de prata no caminho.

Mas antes que ele pudesse esticar sua cabeça para ver o que acontecia, um sussurro atemorizado percorreu o grupo.

— É a Sombra.

— A Sombra.

— A Sombra.

Quando Sesshoumaru se desprendeu da multidão que o rodeava e extraiu sua espada, o soldado jazia sobre o chão, de barriga para baixo.

As fossas nasais de Sesshoumaru se dilataram. Por Deus! Ele estava morto?

Não, os dedos do homem se moviam fracamente. Ele só estava atordoado.

E de pé quase sobre ele, com a bolsa que continha moedas em sua mão enluvada, era o ladrão conhecido como A Sombra.

Tal como a lenda sustentava, ele estava vestido de preto desde suas luvas de couro flexível até suas botas de couro. Suas pernas e braços estavam envoltos em uma grande camada de tecido preto, que continuava em torno de sua cabeça, deixando uma fenda estreita para os olhos e um buraco no nariz para respirar.

Mas Sesshoumaru não se sentiu amedrontado. Embora A Sombra tivesse uma semelhança alarmante com Diabo, era claro que se tratava de um simples mortal, e um mortal com um corpo bastante pequeno.

— Pare! — Sesshoumaru gritou, levantando sua espada.

O ladrão olhou por um tempo suficiente para Sesshoumaru vislumbrar um brilho escuro em seus olhos encobertos. Depois o homem saltou repentinamente com extrema agilidade, pulando e saltando através dos galhos e aterrissar ao lado do homem que cobria a retaguarda do grupo.

Sesshoumaru se virou. O ladrão era rápido. Mas Sesshoumaru sentia que ele podia ser mais rápido. Desta vez não esperaria que o foragido fizesse algum movimento. Sesshoumaru avançou brandindo sua espada.

Antes que ele desse dois passos, A Sombra já tinha abordado o segundo homem Mochrie, fazendo-o girar, torcendo seu braço para trás, e em seguida cortando a bolsa com moedas e a capturando antes que ela caísse ao chão.

Enquanto Sesshoumaru olhava com espanto, o ladrão jogou o homem contra o tronco de uma árvore golpeando sua cabeça, deixando-o desacordado, inseriu as duas bolsas em sua estranha farda. Então A Sombra enfrentou Sesshoumaru, inclinando sua cabeça como se perguntasse a Sesshoumaru se ele estava certo de querer desafiá-lo.

Sesshoumaru não era covarde. A Sombra podia ser rápida, mas era pequeno. Sua única arma era uma adaga delgada contra o sabre de Sesshoumaru. Nesse caso, sua força bruta prevaleceria sobre a agilidade.

— Afastem-se! — Ele ordenou às mulheres e às crianças. Dizia-se que A Sombra nunca tinha ferido ninguém gravemente, mas Sesshoumaru não queria correr qualquer risco.

Ante sua ordem, os Mochrie diligentemente se dispersaram para os lados do caminho.

A Sombra deu um leve assentimento, quase como uma saudação zombadora, e Sesshoumaru teve a impressão que sob as camadas do tecido preto, o homem ria abertamente.

Sesshoumaru tinha intenção de apagar esse sorriso do rosto. Com o cenho franzido severamente, ele deu um passo para frente.

Se Sesshoumaru tivesse piscado, teria perdido o pontapé rápido que A Sombra lançou para o braço que segurava a espada. Mesmo assim, Sesshoumaru apenas foi capaz de retrair a mão o bastante rápido para não soltar a arma quando sentiu o roçar da bota da Sombra sobre seus dedos.

Não tinha tempo para se surpreender. No próximo instante, A Sombra avançou com um soco que só não atingiu a mandíbula de Sesshoumaru só porque ele, com reflexo, lançou a cabeça para trás.

Mas Sesshoumaru não pôde evitar a seguinte sucessão de golpes. A perna da Sombra se elevou novamente e lhe atingiu as costelas. Sesshoumaru ficou dobrado pelo impacto, e então um punho lhe atingiu no queixo. Em seguida o foragido usou ambas as mãos para empurrá-lo para trás.

De algum jeito Sesshoumaru conseguiu sustentar-se de pé, embora tivesse que retroceder para se afastar do ataque rápido.

Enquanto isso, A Sombra o esperava como um rapaz insolente, com seus braços cruzados sobre seu peito em uma atitude desafio.

Sesshoumaru agarrou a espada com mais força. Com um rugido feroz, ele balançou sua espada e golpeou o foragido.

Mas o ladrão agilmente se deixou cair no chão enquanto a espada assobiava sobre sua cabeça.

Sesshoumaru atacou em diagonal para baixo, uma vez, duas vezes, mas A Sombra saltou com agilidade esquivando-se dos golpes ambas às vezes.

Agora a determinação e o orgulho de Sesshoumaru tinham sido provocados. Isso era absurdo. Sesshoumaru era um guerreiro com grande experiência. E o ladrão não era muito maior que um adolescente. Sesshoumaru tinha a vantagem da força e da altura. Certamente poderia derrotar a esse foragido de miniatura.

Com uma expiração profunda, ele começou a rodear o ladrão, brandindo a espada diante dele, avaliando o melhor ângulo para o ataque.

Quase como por um passe de mágica, o ladrão de repente tirou sua pequena faca negra e começou a imitar os movimentos sigilosos de Sesshoumaru.

Atrás dele, Sesshoumaru ouviu a risada tola de uma das damas de seu clube de admiradoras, o que só aumentou sua irritação.

Então Sesshoumaru viu sua oportunidade. A atenção da Sombra se desviou ligeiramente quando uma das damas sussurrou para outra. Sesshoumaru avançou com a intenção de lhe produzir um corte inofensivo na altura das costelas.

O ladrão não só se esquivou do ataque, mas também, simultaneamente, lançou sua própria arma pelo ar diretamente para a cabeça de Sesshoumaru, não o suficientemente perto para lhe causar uma ferida, mas o suficientemente perto para distraí-lo.

Quando Sesshoumaru jogou sua cabeça para trás, assustado pelo brilho da faca voadora, algo aconteceu. Ele não tinha certeza do que foi.

Mas nos seguintes confusos segundos, sentiu golpes em vários lugares, a espada foi arrancada de sua mão, e desconcertadamente ele caiu pesadamente ao chão.

Sesshoumaru jazia no chão de costas, seu corpo e sua mente, atordoados e seus pulmões privados do ar, olhando para os galhos que pendiam acima dele.

Como merda tinha acontecido isso? Como poderia ser que esse pequenino, vestido com panos pretos, armado com uma faca de brinquedo, que subia em árvores como um macaco, não só tivesse evitado a captura, mas também o tivesse derrubado no chão?

Ele. Sesshoumaru la Nuit. Guerreiro experiente. Respeitado campeão. E um dos mercenários mais reconhecidos de toda a Escócia.

Durante um momento tudo o que pôde fazer foi ficar deitado ali, sem fôlego, enquanto A Sombra se balançava de galho em galho, enquanto balançava o dedo em repreensão. Enquanto Sesshoumaru o olhava, o ladrão lançou um pequeno objeto redondo sobre seu peito, depois com um salto, desceu até o chão para sair correndo pelo bosque.

Depois do que pareceu uma eternidade, Sesshoumaru finalmente pôde recuperar a respiração. Tossiu uma vez, duas vezes, fazendo cair o objeto que A Sombra tinha atirado sobre ele. Depois ele se levantou apoiando-se em seus cotovelos.

— Você está bem? — Uma das damas Mochrie perguntou. A admiração quase definitivamente havia desaparecido de sua voz. Ela se sentia tão decepcionada como ele estava.

Sesshoumaru assentiu com a cabeça. Mas interiormente fervia de raiva. Esse ladrão descarado o havia humilhado. Havia se burlado dele. O havia derrotado. E o transformado em um absoluto tolo.

E o pior de tudo, as mulheres Mochrie não pareciam nada impressionadas com a defesa que Sesshoumaru tinha esgrimido para protegê-las.

— Você o viu? — Uma delas perguntou com impaciência.

— Sim, é claro. — Respondeu a outra. — Ele se moveu tão rapidamente tão... Como...

— Como um relâmpago.

— Não. — A outro disse como em um sonho. — Tão rápido como uma... Sombra.

As outras damas murmuraram seu acordo com um suspiro romântico.

— Pergunto-me como será ele debaixo daquela máscara.

— Loiro. — Uma delas adivinhou.

— Não, com cabelo preto como azeviche.

— Eu apostaria que ele é feio como o pecado. Por que outra razão se cobriria o rosto?

— Para esconder sua identidade, tonta.

— Você acha que nós o conhecemos? — Uma delas perguntou, com os olhos arregalados.

— Não. Ninguém que conhecemos pode lutar assim.

— Acredito que ele usa uma máscara — uma delas suspirou — Porque deseja permanecer como um homem de mistério.

— Sim, um homem misterioso, que romântico!

— Na verdade, eu apostaria que é tão belo como o Diabo.

As damas riram dissimuladamente atrás de suas mãos.

— Ele me fez lembrar...

— Damas! — Sesshoumaru falou com voz firme.

Essas moças tolas não tinham nem idéia de quão perto tinham estado de ficarem feridas.

E agora, Sesshoumaru tinha que escutá-las glorificando o bandido como se o admirassem...

Sesshoumaru sacudiu a cabeça e ficou de pé, estremecendo de dor pelos múltiplos golpes recebidos.

— Estão ilesas? — Ele lhes perguntou mordazmente.

Elas assentiram com a cabeça.

Uma moça languidamente murmurou.

— Não acredito que A Sombra machuque intencionalmente alguma mulher.

A repugnância de Sesshoumaru quase igualava sua fúria. Elas eram muito ingênuas se acreditavam que um foragido possuía algum código de honra. Merda! Inclusive os mercenários não respeitavam os princípios do código dos cavaleiros.

A Sombra sem dúvida era capaz. O que tanto alarmava como enfurecia Sesshoumaru. Sabia agora que A Sombra era uma grave ameaça. O foragido podia ter roubado só um pouco de prata e entretido as damas com suas palhaçadas hoje. Mas não se sabia o que ele podia fazer se ficasse aborrecido com o roubo de bolsas. Era uma distância curta a percorrer entre o corte de bolsas de pratas e o corte de gargantas.

Sim, decidiu que o soldado dos Mochrie, ainda grogue, mas se recuperando, se reunissem sua inteligência e suas armas, ele definitivamente tentaria apanhar o ladrão.

Não era uma questão de recompensa agora.

Agora era uma questão de honra.

— Olhe! — Uma das damas gritou. — Sua adaga!

Sesshoumaru franziu o cenho quando as damas se precipitaram para examinar a delgada faca preta cravada no tronco de um carvalho. Incrivelmente, elas começaram a brigar pela posse do objeto, como se fosse um presente de um campeão. Sesshoumaru só pôde fazer uma careta de repugnância.

Um dos homens Mochrie lhe bateu no ombro em sinal de consolo.

— Ao menos você pôde lutar contra ele. — Sesshoumaru sacudiu a cabeça. — O homem se move mais rápido que um monge preso em um bordel.

O segundo homem se uniu a eles.

— Sim, e você tem sorte porque ele não roubou suas moedas.

Sesshoumaru franziu o cenho, tocando sua bolsa com moedas. Era verdade. A Sombra não o havia roubado. Mas era porque Sesshoumaru se defendeu muito bem, ou porque simplesmente o ladrão não tinha querido incomodar-se em tomar suas moedas?

— Necessitam de algumas moedas para poderem voltar para sua casa? — Sesshoumaru perguntou.

O primeiro homem negou com a cabeça.

— Não. Só eram nossos lucros.

— Lucros?

— Sim. — O segundo homem lhe disse. — O dinheiro que ganhamos ontem à noite nas apostas.

Os homens agradeceram a Sesshoumaru por sua oferta e pela admirável tentativa com a espada, mas o cérebro de Sesshoumaru estava concentrado no que eles haviam lhe contado. Olhou fixamente o ponto do bosque por onde o foragido havia desaparecido.

A Sombra de algum jeito devia estar relacionada com Higurashi. Alguém do banquete de casamento de ontem à noite, alguém que havia apostado seu dinheiro, alguém descontente com a diminuição de sua prata, deve ter encontrado uma maneira de recuperar suas perdas. A Sombra podia ser uma espécie de mercenário? Um agente de retaliação de algum habitante de Higurashi?

Era difícil de imaginar. Os cavaleiros de Taysho eram considerados verdadeiros cavaleiros, renomados por sua honra e sua lealdade. E os homens de Higurashi com quem ele havia falado haviam lhe parecido muito orgulhosos para recorrer a esse truque vil para recuperar o dinheiro perdido em um jogo.

Mas Sesshoumaru tinha chegado a conhecer o pior dos homens. Viajando por todo o país, como ele fazia, tinha entrado em contato com bandidos de todos os tipos, homens que podiam lhe sorrir e bater em seu ombro enquanto lhe cravavam uma faca em suas costas. Tinha conhecido homens amáveis e pacíficos, atormentados por algum ato de violência cometido contra seus seres amados, que de repente executavam um tipo de vingança que só um demônio poderia exigir.

Sesshoumaru havia imposto uma em assassinato a sangue frio. Ele havia se recusado em ser um assassino contratado. Mesmo que ele tivesse vergonha de admitir e relutasse em relembrar, como jovem e desesperado mercenário, ele alguma vezes havia sido um parceiro para esse tipo de vingança, entregando pecadores nas mãos desses homens, fechar os olhos e se afastar enquanto eles reivindicavam o pagamento em carne e sem dúvida garantindo seu lugar no inferno.

Assim Sesshoumaru tinha aprendido que todos os homens eram falíveis. A honra era frágil. A lealdade era passageira. Com a motivação apropriada, heróis podiam se converter em um foragido em um piscar de olhos.

A avareza era uma motivação suficiente para que um homem contratasse um ladrão como A Sombra para amedrontar o bosque?

Os homens de Mochrie finalmente tinham solucionado a disputa mesquinha das damas concedendo a faca da Sombra ao jovem rapaz que viajava com elas, para a consternação das damas. Mas logo que Sesshoumaru recuperou sua espada do chão, as damas encontraram algo novo que despertou seu interesse.

— O que é isto? — Uma das donzelas apontou um objeto brilhante que piscava sobre a terra ao lado dele.

— É meu. — Reclamou uma das damas.

— Eu o vi primeiro!

— Não. Eu o vi...

— Damas! — A irritação de Sesshoumaru só foi excedida por sua curiosidade. Ele tomou o objeto antes que elas pudessem começar uma luta livre pela posse dessa coisa.

Era uma moeda de prata.

Uma das damas gritou.

— É isso o que A Sombra lançou sobre você?

Sesshoumaru franziu o cenho. Devia ser. Mas, por quê?

— Deve ser uma espécie de símbolo de honra. — Um dos soldados adivinhou. — Ele te pagou porque apresentou uma boa luta.

— Que romântico! — Uma das mulheres suspirou.

— Eu sabia que A Sombra é um verdadeiro cavaleiro. - declarou outra.

— Talvez o vejamos outra vez algum...

— Vou me retirar agora. — A paciência de Sesshoumaru estava por se esgotar. Guardou a moeda em sua bolsa, ante o olhar invejoso das damas de Mochrie. Em seguida, embainhando sua espada, ele as saudou com uma sacudida de cabeça.

Planejava treinar hoje, se misturar nas filas dos homens de Higurashi, ganhar seu companheirismo, ganhar sua confiança. Nessa noite participaria das apostas, e vigiaria a todos os jogadores. E tentaria não ser distraído por uma moça encantadora que seguia ocupando seus pensamentos.

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Continua...

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Notinha da não autora:

Meninas, mais um capítulo para vocês, e Respondendo a algumas que me perguntaram sobre a minha outra fic, UM LUGAR PRA SE CHAMAR DE LAR, eu realmente quero terminar ela, mais me falta inspiração o capítulo 22 está quase pronto,

Aprendi a nunca mais fazer uma fic com tantos capítulos, cansa muito e agente perde o animo naquela historia e começa a pensar em escrever outras... e aquela acaba inacabada, eu odeio, e realmente peço desculpas a todos que gostam, vou tentar terminar e postar pra vcs, ok, bjos