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Donzela Ardilosa
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Capítulo 11
Rin terminava as contas em sua mesa quando Kaede subiu atrás dela com um café da manhã tardio de bolachas de aveia e manteiga.
— Parece que seu pretendente é muito mais... Talentoso do que ele te levou a acreditar.
Rin se esticou, mas manteve os olhos em seus livros de contabilidade. Ficava nervosa quando Kaede falava de sir Sesshoumaru. Era óbvio que ela detestava o homem e faria qualquer coisa para se livrar dele. Mas Rin não queria se livrar ainda, não antes de descobrir suas intenções.
— Talentoso?
— Ele é bastante bom com a espada.
Rin tragou em seco. Kaede tinha razão.
— É mesmo? — Ela se encolheu de ombros, afundando a pluma na tinta para escrever a última cifra na página. — Talvez suas habilidades tenham melhorado porque InuYasha esteve treinando com ele. InuYasha é um bom professor.
— Esse tipo de habilidades um homem não aprende em dois dias. — Disse Kaede, pondo a cesta com bolachas de aveia no lado dos livros de Rin. — Ele nasceu com elas.
— Então, por que ele ocultaria suas habilidades? — Ela fez a pergunta tanto para ela como para Kaede. — Por que fingiria ser incompetente com a espada?
— Por quê? - Kaede perguntou.
Ela franziu o cenho pensativamente.
— A melhor arma é a que ninguém sabe que você possui.
— Exatamente. O fator surpresa.
— Hmm. — Rin soprou a última entrada no livro de contabilidade para secá-la, depois fechou o livro, deslizando-o para um lado. — Por que está tão interessada em sua esgrima, afinal? Espadachim ou não, sabe que eu poderia colocá-lo com o traseiro no chão a qualquer momento.
— Ora! Às vezes é muito confiante. — Advertiu-lhe Kaede. — Como um patinho que pensa pode voar somente porque pode nadar.
Rin partiu uma bolacha de aveia e espalhou uma espessa camada de manteiga sobre ela.
— Sim, sou confiante. — Disse ela, dando a Kaede um sorriso tímido. — E isso é porque tenho o melhor professor do mundo.
— Hum. — Kaede nunca caía vítima da bajulação de Rin. Era um homem idoso sábio que via através de tudo, ou de quase tudo.
— Além disso — Rin disse, fazendo uma pausa para mordiscar a borda da bolacha de aveia — Eu acho que você deveria ficar contente que eu tenha um pretendente bom com a espada.
A criada baixou suas sobrancelhas e declarou.
— Aqueles que praticam a mentira têm algo a esconder.
Rin contemplou ao idoso.
Às vezes suas palavras pareciam muito profundas e misteriosas.
Outras vezes só parecia uma declaração do óbvio.
Essa era uma dessas vezes. Rin abriu a boca para discutir com ele, para lhe dizer que, é claro, eles tinham algo a esconder, mas pensou melhor e fechou a boca. As pessoas nunca discutiam com Kaede. A menos que a pessoa estivesse disposta a tolerar um discurso de uma hora de duração sobre a sabedoria do Oriente.
— Deveria ir ao campo de treinamento. — Disse Kaede. — Observá-lo. Estudá-lo.
Rin comeu outro bocado, sobre tudo para atrasar a resposta. Supôs que não haveria nada de errado em olhar o combate de Sesshoumaru nesse dia. Em efeito, sempre era um prazer observar um bonito cavaleiro manejando sua espada. Ofegando. Suando.
Mas Rin suspeitava que Kaede soubesse mais do que ele dizia. Seu comentário era menos uma sugestão, e mais uma ordem. E Rin notou uma advertência cautelosa em sua voz.
— Tudo bem, xiansheng. — concedeu ela. — Se insiste.
Finalmente, Rin se alegrou de ter tomado uma hora de seu dia para observar de perto o campo de prática enquanto InuYasha fazia Sesshoumaru suar. Suspeitava que a amizade de Sesshoumaru enquanto ele se confrontava com os homens era um fingimento assim como a inabilidade para manejar uma espada nos dias anteriores. Mas ele era danado de bom, quase tão bom como ela. Rin teve que admirar seu talento.
Sesshoumaru fingia grande interesse em escutar os conselhos de InuYasha, imitado à perfeição os movimentos que Nobu lhe ensinava, e até escutava as recomendações de Kagome quanto ao modo de pegar a espada.
Sua esgrima mostrava uma melhora, que Sesshoumaru sabia era absolutamente calculada. Afinal, nada mais chato e ingrato para um homem como a constante melhoria do aprendiz que estava sob sua instrução.
Rin tomou nota dos seus balaços contidos, os arcos que fazia fora de sua marca, à demora nos bloqueios que resultou em erros.
Rin notou que Sesshoumaru minimizava intencionalmente sua capacidade. Sem dúvida ele era capaz de força maior e maior velocidade. Só ocultava essa capacidade porque não era necessário usá-los aqui.
Kagome parou ao seu lado.
— Ele está melhorando.
— Você acha? — Rin apertou os lábios. — Sango me disse que ele luta como uma criança.
— Vindo de Sango, isso é um elogio. Deveria ter visto como ela lutava quando era uma menina.
— O que é isso?
Nada poderia manter Sango longe do campo de treinamento por muito tempo, nem sequer compartilhar a cama com seu marido na manhã após sua noite de núpcias. Ela chegou correndo e passou um braço ao redor dos ombros de suas irmãs.
Rin suspirou.
— Acha que ele alguma vez lutará suficientemente bem para me proteger?
Sango lhe sorriu astutamente.
— Você gosta desse belo moço, não é mesmo?
Rin olhou através do campo outra vez, ao ponto onde Sesshoumaru cruzava espadas com Nobu. Sesshoumaru era um homem digno, mesmo que mentisse como um canalha. Seus ombros eram largos e poderosos. Seu peito era amplo, estreitando-se abaixo de sua cintura. Seu cabelo escuro caia em mechas úmidas em seu rosto, debaixo do qual corriam filetes de suor enquanto ele investia aparentemente com interminável energia. Quando Nobu deteve a luta, o rosto de Sesshoumaru se iluminou com um sorriso enorme.
O coração de Rin se acelerou enquanto o desejo dentro dela despertava incontravelmente. Deus, Sesshoumaru era mais bonito do que deveria ser permitido a qualquer homem. De todos os modos, ela tentou manter um tom neutro quando confessou com voz rouca.
— Ele é atraente.
— E muito amável. — Disse Kagome.
— Sim. — Ele se esforçava em ser amável e solidário com todos, ajudando os criados e falando pacientemente com seu pai
— E generoso. — Acrescentou Sango.
— Hum. — Generoso? Ele havia dado a Rin sua moeda de prata. Mas provavelmente tinha sido para comprar seus afetos. Também tinha se oferecido em escoltar as damas de Mochrie nessa manhã, e isso definitivamente não era motivado pela generosidade. Que homem não ofereceria sua escolta a um bando de mulheres que o bajulavam?
— Corajoso. — Kagome sugeriu.
Rin a olhou.
— Corajoso?
— Você não ouviu nada, Rin? — Os olhos de Kagome brilharam com um prazer repentino, e ela se endireitou para dar a notícia. — Seu pretendente, sir Sesshoumaru de Morbroch, nesta mesma manhã se enfrentou com... Ninguém mais e ninguém menos que... A Sombra.
Rin levou uma mão a seu peito.
— O que?
Sango não acreditava nela.
— Não.
— Sim. Toda a fortaleza está falando disso. — Kagome enrugou sua testa. — Ninguém lhe disse isso, Rin?
Rin amassou o decote de sua túnica.
— Ele foi ferido?
— Ah, não, não. — Kagome se apressou em lhe assegurar. — Conhece A Sombra. Só alguns arranhões e um pouco de orgulho ferido. Mas aqui está o mais interessante. — Ela se aproximou para sussurrar a ambas. — A Sombra lhe deixou um tributo.
— Uma de suas facas? — Rin adivinhou.
— Não. Uma moeda de prata. Um tributo da luta digna que Sesshoumaru ofereceu.
Sango sorriu com satisfação.
— Ora! Um tributo?
Rin franziu o cenho.
— Um tributo? Foi isso o que ele disse?
Kagome assentiu com a cabeça.
— Parece que ele teve uma verdadeira batalha com o foragido.
— Isso é o que ele afirma... — disse Sango desconfiada.
— Duvido que ele esteja exagerando. — Argumentou Kagome. — Afinal, havia uma dúzia de testemunhas.
— Um tributo? — Rin perguntou outra vez.
Sango riu entre dentes.
— Talvez fosse por sua incapacidade fez dele um desafio à Sombra.
— Incapacidade? — Rin arqueou uma sobrancelha.
Sango a ignorou, brincando com Kagome.
— Talvez devêssemos mandar as crianças ao bosque a partir de agora, para combater o ladrão se é que é tão fácil.
— Sango! — Kagome lhe deu uma palmada de repreensão no ombro e observou Rin.
Mas Rin não estava ofendida.
Estava furiosa.
Sesshoumaru tinha conseguido fazer de um passeio superficial uma façanha de proporções heróicas, e tinha usado essa oportunidade para ganhar glória e admiração das pessoas do castelo e caíssem nas boas graças dos cavaleiros. Inclusive sua irmã mais velha estava convencida que ele era um herói. Como tinha feito isso? Droga! Palhaço presunçoso e mentiroso!
— Não quis dizer isso, Rin. — desculpou-se Sango. — Não importa se ele pode lutar ou não. Você sempre terá a nós para te proteger.
Kagome franziu o cenho.
— O que Sango quer dizer é que tudo o que importa é que você o ama. O ama, não é mesmo?
Rin estreitou seus olhos enfocando o homem que sorria vitoriosamente no campo. Ela lhe apagaria esse sorriso satisfeito de sua boca embora tivesse que usar cada uma das armas de seu arsenal. Sorrindo forçadamente, Rin replicou.
— Oh, sim. Amo-o muitíssimo.
Sesshoumaru sentiu os olhos de Rin cravados nele quando se virou se esquivou e se desviou uns golpes de Kenneth. Quase desejava que a moça partisse. Era muito difícil se concentrar em sua luta contra o espadachim, não lutando muito bem, bloqueando alguns golpes, mas não todos, sem o peso de seu adorado olhar.
Uma parte dele desejava se exibir para ela, exibir todas suas habilidades, pois a maior parte das mulheres que observavam seu desempenho ficavam boquiabertas de admiração. A maior parte das mulheres, exceto as damas de Mochrie, Sesshoumaru supôs, que tinha sido testemunhas de sua derrota nas mãos da Sombra nessa manhã.
Sesshoumaru não havia tido intenção de contar nada sobre essa luta. Mas as contusões em seus braços não podiam ser facilmente justificadas, sobre tudo quando InuYasha as observou com um olhar intenso. Como protetor de Rin, como todos eram, o homem provavelmente se perguntava se ela teria causado essas lesões em Sesshoumaru, rechaçando seus avanços amorosos.
Então Sesshoumaru tinha admitido com vergonha o que tinha acontecido calculando que eles iam ouvir esse conto mais cedo ou tarde da boca das damas de Mochrie.
Foi uma surpresa para ele que em vez se burlarem se sua batalha desigual, os homens de Higurashi se mostraram assombrados. Eles exigiram saber de todos os detalhes da luta, golpe por golpe. Aparentemente, ninguém tinha duelado durante tanto tempo com A Sombra. E quando ele lhes contou que o foragido havia lhe deixado uma moeda de prata para lhe pagar pelo prazer da luta, eles ficaram completamente espantados.
Foi embaraçoso para Sesshoumaru. Na verdade, ele tinha a impressão que a moeda tinha sido um gesto de gozação, não um tributo de respeito. Mas não ia discutir com as pessoas do castelo que queriam acreditar nisso. Se eles queriam convertê-lo em um herói, quem era ele, para negar?
Além disso, a história havia lhe servido para ganhar respeito imediato entre os cavaleiros, respeito que indubitavelmente lhe outorgaria um lugar proeminente na mesa de jogo essa noite.
Por sobre a cabeça de Kenneth, Sesshoumaru viu Rin outra vez na cerca que rodeava o campo. Ela agitava sua mão, tentando captar sua atenção. Ele acenou em resposta e Kenneth, pensando que ele planejava atacar, empurrou o braço de Sesshoumaru com seu escudo. Sem pensar, Sesshoumaru respondeu imediatamente. Girou-se e avançou com sua espada, tocando o ombro de Kenneth.
Kenneth retrocedeu, tocando seu braço ferido, seu rosto pálido pela surpresa.
— Oh! Kenneth. Você está bem? — Sesshoumaru silenciosamente se insultou. Tinha estado tão preocupado por essa beleza sorridente parada na cerca que tinha perdido completamente a cabeça. Droga! Poderia ter machucado Kenneth seriamente.
— Be... Bem.
— Não sei o que aconteceu. — disse Sesshoumaru, mentindo só um pouco.
Kenneth lhe deu um sorriso fraco.
— Tem um bom ataque de todos os modos. — Disse ele como um estímulo.
Sesshoumaru fez uma careta. Kenneth não conhecia nem a metade da força de seu ataque. Murmurando uma desculpa, Sesshoumaru guardou sua espada na bainha e foi até a donzela que causara essa distração.
— Você está melhorando. — disse Rin, quando ele se aproximou da cerca.
Deus, ela era deslumbrante. Nessa manhã estava usando uma túnica azul que combinava com seus olhos azuis. Seu cabelo estava preso em uma trança arrumada, e presa por uma fita que combinava uma fita que ele tinha muita vontade de desatar para que as ondas castanhas avermelhadas caíssem sobre seus ombros.
Ela subiu um degrau na parte inferior da cerca e então suas cabeças ficaram no mesmo nível.
— Poderá superar InuYasha em muito pouco tempo. — Murmurou ela.
Sesshoumaru riu entre dentes, depois usou seus dentes para retirar de suas luvas de couro. Poderia superar InuYasha agora mesmo se quisesse. Ele sacudiu a cabeça com modéstia afetada.
— Talvez.
— Não. — Ela insistiu. — Até mesmo minhas irmãs estão impressionadas.
— Suas irmãs. — Isso o fez rir outra vez. Ele ainda achava difícil acreditar que eles as deixavam manejarem as espadas.
— E você? — Ele se tirou a segunda luva.
Rin timidamente abaixou seus olhos.
— Eu sempre estive impressionada.
Quando ela levantou seus olhos novamente, eles estavam escuros pelo desejo. Seu próprio desejo crescia com enorme velocidade, seu olhar o tocou como o fogo toca os gravetos. Um fogo de luxúria deflagrou-se dentro dele, um fogo que ameaçava sair do controle. Sesshoumaru forçou sua voz a uma firmeza que não sentia.
— Pensei que você desaprova a luta física e a violência.
Ela se inclinou para frente até que esteve a centímetros de distância, depois sussurrou.
— É que os combates não me impressionam.
— É mesmo?
Lentamente ela baixou seu olhar até a sua boca, então prendeu seu lábio inferior timidamente debaixo de seus dentes, não deixando qualquer dúvida sobre o que a impressionava sobre ele.
— Minha lady, está brincando com fogo.
No canto de sua boca vermelho cereja se desenhou um sorriso astuto.
Era bom que ele estivesse usando a cota de malha, pois, de outra maneira, sua ereção teria se exibido para todas as pessoas ver. Deus, nunca tinha desejado beijar uma mulher tão intensamente. Beijá-la e acariciá-la, colocá-la sobre a grama e...
— Vem comigo? — ordenou ela.
Sesshoumaru quase não encontrou força para assentir com a cabeça.
Saltar por cima da cerca do campo de prática era outro assunto.
Sesshoumaru pensou que havia feito o que tinha estabelecido para fazer essa manhã – havia se encontrado A Sombra e havia ganhado a estima dos cavaleiros de Higurashi. Nessa noite jogaria na mesa de jogo e iria fazer mais investigações. Enquanto isso, ele tinha muito tempo para se envolver em atividades mais prazerosas.
Rin entrelaçou seus dedos com os dele. Ela devia ser uma mocinha devassa sem dúvida, Sesshoumaru decidiu, ao ignorar o fato que ele estava suado e sujo por causa do combate e provavelmente fedia a couro e suor. Ela o puxou para junto de si, contudo, sorrindo com cumplicidade enquanto iam para os estábulos.
— Para onde você está me levando?
— Para um lugar onde ninguém nos escutará.
Sesshoumaru sorriu abertamente.
Sesshoumaru parou diante do pombal, anunciando a qualquer um que pudesse ter a oportunidade de estar ouvindo-os.
— Me permita te mostrar as maravilhosas pombas que os Taysho trouxeram com eles, sir Sesshoumaru.
A boca de Sesshoumaru se curvou com diversão. Ele se perguntou se Rin conseguiria enganar alguém.
— É claro, minha lady. Não há nada que eu aprecie mais que contemplar pombas maravilhosas. — Quando eles entraram pela porta de carvalho, ele acrescentou suavemente. — E você, meu amor, é a pomba mais bela que já vi.
A porta se fechou atrás deles, deixando o interior fracamente iluminado pelos raios de luz que entravam pelas fendas por entre as tábuas do pombal que não se juntavam inteiramente. Uma onda de arrulhos passou por entre as fileiras de pombas, e o doce aroma de palha fresca dissimulava os aromas desagradáveis do pombal.
Rin não perdeu tempo. Correu suas mãos sobre a túnica dele, empurrando-o suavemente para trás contra a porta fechada, ao mesmo tempo em que o olhava amorosamente nos olhos.
— Nunca antes me beijei um... Um herói. — Suspirou ela.
—Um herói?
— Sim. — Ela disse, movendo seus dedos sobre seus ombros como se estivesse calculando sua largura. — Ouvi o que você fez.
— Isso? Não foi nada.
— Ah, não. Foi assombroso. — Ela deslizou sua mão ao lado de seu pescoço. — Todo o castelo fala disso.
Ele envolveu seus braços ao redor dela, fechando seus dedos em cima da curva de suas nádegas.
Ele poderia lhe dizer a verdade, que havia sido humilhado na luta com A Sombra. Que o foragido fora mais esperto e que o havia superado em cada instante do combate. Que os contos de seu heroísmo haviam sido muito exagerados.
Mas era muito agradável sentir a admiração de Rin. Se ela queria acreditar que ele era um herói, por que deveria decepcioná-la?
— Me conte o que aconteceu. — Suplicou ela, virando-se dentro de seus braços de modo que sua cabeça ficou apoiada contra seu peito e seu traseiro, contra sua virilha. — Tudo. Não se esqueça de nada.
Sesshoumaru sorriu, apoiando seu queixo no topo de sua cabeça.
— Como quiser, minha lady. — Ele deslizou seu queixo enquanto murmurava contra seu cabelo, de modo que ela podia sentir seu hálito roçar seu ouvido. — O bosque estava escuro e sinistro — começou ele em um sussurro — Tão silencioso como a morte.
— Tão silencioso como a morte? Pensei que você estava lá com as damas de Mochrie.
— É verdade. — Ele afirmou. — Mas eles conversavam com vozes muito suaves... Quando de repente, no meio do bosque, comecei a sentir... — disse ele, soltando suas mãos — ...Um formigamento atrás de meu pescoço. — Sesshoumaru deixou que sua mão subisse pelas costas dela, depois tocou seus dedos à nuca dela. Rin tremeu.
— Naturalmente, levei uma mão ao cabo da espada.
Ele fechou suas mãos novamente em cima de sua cintura. Ela as cobriu com as próprias mãos. Suas mãos eram lisas e delicadas em seus maltratados nódulos.
— Lancei um olhar através das árvores, procurando algum intruso, estava alerta a mais leve agitação de uma folha ou galho. Mas nada se moveu na folhagem.
— Não havia pardais?
Na verdade havia pardais. Ele recordava ter se perguntado o que piava mais, os pardais ou as mulheres de Mochrie. Mas Sesshoumaru sacudiu a cabeça. Os pardais tirariam o mérito do drama de seu conto.
— Era muito cedo na manhã para que houvesse pardais.
— E não tinha... Ou ratos, esquilos. Ou qualquer outra coisa. Corujas?
— Não. Não havia corujas. — Sesshoumaru franziu o cenho. A moça tentava deliberadamente arruinar sua história?
— Continue.
Ele limpou a garganta, em seguida murmurou.
— Tenho um instinto especial para detectar o perigo. E esse instinto me disse que estávamos sendo seguidos. Com o fôlego entrecortado, avancei lentamente, passo a passo, meus dedos agarrando firmemente o cabo de minha espada até... — Ele sacudiu seus braços de repente, Rin quase gritou. — Ali estava ele. Ele havia pulado para o caminho vindo do nada. A Sombra.
Rin se virou em seus braços outra vez, enfrentando-o com olhos cheios de medo.
— Você devia estar aterrorizado.
Sesshoumaru olhou para baixo com grande estoicismo.
— Um homem não pode ceder ao terror em uma circunstância assim.
Ela suspirou reverentemente.
— Com o que ele se parece? Era como o descrevem? Estava todo de preto?
— Ah, sim, tão negro como a asa de um corvo, pequeno, mas veloz, tão mortal como um ceifeiro.
— O que você fez?
— Primeiro me assegurei que as mulheres e as crianças estivessem seguros.
Rin franziu o cenho com curiosidade.
— E a Sombra esperou pacientemente enquanto você fazia isso?
Sesshoumaru fez uma pausa. Não havia forma de negar o fato que A Sombra tinha conseguido cortar duas bolsas com moedas antes que Sesshoumaru pudesse pôr uma mão sobre o bandido.
— Enquanto eu verificava a segurança deles, os dois homens de Mochrie enfrentavam corajosamente o ladrão.
— Eram dois cavaleiros armados contra um ladrão pequeno?
Sesshoumaru franziu o cenho. De algum jeito ela não captava a idéia.
— Ele é pequeno, mas incrivelmente esquivo.
— Ah!
— Quando vi que estavam em segurança, os homens de Mochrie já tinham sido anulados.
Os olhos dela se arregalaram.
— Santo Deus! Eles foram feridos? Mutilados? Assassinados?
Como Rin estava conseguindo arruinar seu conto heróico, Sesshoumaru não sabia, mas ela estava fazendo um bom trabalho para tirar toda a glória a sua façanha.
— Eles foram... Roubados.
— Ah. — a admiração nos olhos de Rin ia se desvanecendo.
— Tem certeza de que quer ouvir toda a história? — ele perguntou. — Posso pensar em coisas muito mais agradáveis para fazer com minha língua.
Seus olhos se nublaram durante um minuto, e ele a viu engolir em seco. Suas palavras claramente tinham um efeito nela.
— Beije-me. — pediu ele em um sussurro.
Uma ruga de angústia apareceu através de sua sobrancelha.
— Eu... Eu...
— Só um beijo. — ofegou ele. — Depois terminarei a história.
Rin abaixou seu olhar para sua boca, considerando, em seguida lhe deu um assentimento com a cabeça.
— Um.
Aconchegando seu rosto em suas mãos e pressionou um beijo doce, casto sobre sua boca.
Era justo por todos os golpes e contusões que havia ganhado nessa manhã poder sentir o roçar curador dos lábios de Rin. Sua boca era suave e quente, um bálsamo calmante para seu orgulho ferido, um alimento necessário para seu corpo faminto.
Tão difícil como se conter, era cumprir sua palavra. Um beijo.
Mas era Rin quem não o soltava. Com um suspiro, ela se apertou mais profundamente em seu abraço, agarrando sua túnica com as mãos. Ela empurrou sua boca aberta, deslizando seus lábios sobre os seus inclusive colocando sua língua dentro da boca.
Era como um relâmpago correndo por suas veias, chocando-o, paralisando-o. Todos os pensamentos, toda razão, todo vontade o abandonaram. Não poderia resistir a ela, mesmo que fosse puxado por um cabo de aço. Tampouco desejava fazê-lo.
Só a revoada repentina de uma pomba os sobressaltou e os fez se afastarem. Rin cambaleou para trás. O que ocorria entre eles era um mistério para ambos, uma espécie de força estranha que desafiava qualquer explicação.
Rin recuperou a compostura antes que ele o fizesse, respirando profundamente e passando o dorso de sua mão trêmula sobre sua boca molhada.
— Um beijo. — disse ela, e isso foi um aviso tanto para si como para ele.
Sesshoumaru sabia que o anseio animal que o dominava demoraria muito mais tempo em desaparecer. Mas não podia se permitir perder o controle aqui, onde a oportunidade de ter intimidade no pombal mal iluminado era tão convidativa. Agora não era o momento para ser imprudente.
— Onde estávamos? — Ele perguntou com um sorriso débil.
Rin se aproximou com mais cautela desta vez, se virando para apoiar sua cabeça contra seu peito. Ele envolveu um braço ao redor de sua cintura, o outro sobre seus ombros, deixando seu antebraço descansar levemente sobre o seu seio e ela envolveu seus dedos sobre seus braços. Estranhamente, essa parecia a posição mais natural do mundo. Quem os visse poderia pensar que eles fossem amantes durante anos.
— Você estava me contando sobre A Sombra ter roubado você.
Ele vacilou um momento, ordenando seus pensamentos, em seguida sacudiu a cabeça.
— Não a mim. Ele não me roubou.
— Não o fez? Por que não? Não tinha dinheiro?
A moça maliciosa sabia bem que não era assim. Ela tinha revistado seus pertences.
— Eu tinha dinheiro. Mas depois que acabei ele, imagino que A Sombra decidiu que eu não valia o problema.
— Acabou com ele? — Seus dedos se apertaram em seu braço. — O que você lhe fez?
Era difícil para Sesshoumaru se lembrar. Não só porque tudo tinha acontecido tão rapidamente, mas porque estava completamente distraído pela donzela tentadora que tinha em seus braços.
Não queria contar a história. Queria deslizar sua mão pelo ombro de Rin até seu seio, e sentir seu suspiro quando lhe tocasse...
— Sesshoumaru?
— Sim?
— O que aconteceu?
Ele tragou em seco. Talvez se relatasse o conto rapidamente, eles poderiam passar a fazer coisas mais agradáveis.
— Nada, realmente. Tirei minha espada, a brandi contra o foragido. Ele se aterrorizou e fugiu para a floresta.
— É mesmo? E por isso te deixou o tributo de uma moeda de prata?
Sesshoumaru fez uma careta. Havia se esquecido da moeda de prata.
— Não. Suponho que na realidade foi uma luta muito mais longa do que eu te contei. — Ele apertou suavemente seus ombros. — Só não queria te incomodar com os detalhes do combate.
— Eu não me aborreço nem me impressiono facilmente. — Insistiu ela. — Quero ouvir todos os detalhes.
Sesshoumaru suspirou. Temia justamente isso. Não podia se lembrar de cada pequeno detalhe. De todos os modos, Sesshoumaru supôs como não ia lhe contar a verdade da luta, poderia lhe dizer qualquer coisa.
— Assim que as mulheres e as crianças estavam em segurança e fora do caminho — murmurou Sesshoumaru, aspirando o aroma limpo do cabelo de Rin — Me virei para enfrentar o ladrão. — Acariciou lentamente o ombro feminino com o polegar. — Ele é pequeno e feio, horripilante como um besouro negro, frio como um túmulo. E seu rosto horrível tem olhos lustrosos parecidos com os do Diabo.
— É Feio?
— Oh, sim, feio como o pecado.
— Pensei que A Sombra usava uma máscara.
Seu polegar se congelou na metade da carícia.
— Sim. Certo. — Sesshoumaru recomeçou as carícias. — Mas há algumas criaturas cujas almas são tão feias, e essa feiúra emana por cada poro de seus corpos. Tenho certeza que ele é uma dessas criaturas.
Ela parecia satisfeita com sua explicação. Mas Sesshoumaru teria que ter mais cuidado. Era desafiador contar uma história racional quando seu membro está pressionado contra as nádegas firmes de uma jovem donzela.
Ele acariciou com a ponta de seu nariz o cabelo dela e sussurrou.
— Antes que eu pudesse levantar minha espada, o bandido se precipitou avançado como um gato selvagem com seus dentes agudos expostos.
— A Sombra tem dentes agudos?
— Não, os gatos têm dentes agudos.
— O que a Sombra tem?
— O que você quer dizer?
— Uma espada? Uma clava? Uma tocha? — Ela apertou sua mão. — Um martelo de guerra?
Sesshoumaru franziu o cenho.
— Acredito que poderia ter uma de suas facas.
— Quer dizer uma dessas pequenas facas pretas?
— Elas não são pequenas. Elas são... Elas são... Muito afiadas.
— Hum. Continue.
Desconcertado, Sesshoumaru tentou retomar o fio da história.
— Independentemente das armas que ele tinha ou não tinha... Era impossível dizer o que tinha escondido em seu traje. A Sombra se movia tão rápido como o vento. — Para mostrar-lhe Sesshoumaru rapidamente à fez se virar em seus braços, agarrando-a pelos ombros e olhando-a fixamente. — Assim.
Seus olhos se arregalaram.
— Estava... Assustado? — Seu olhar lentamente vagou para sua boca então. E gradualmente, Sesshoumaru viu sua fome crescer.
Seu corpo respondeu com uma onda de desejo que cresceu tão implacável como uma bolha em azeite fervente. Sesshoumaru contemplou seus lábios suculentos com desejo. Como ansiava beijar essa boca deliciosa, quente, esfomeada...
— Por que eu deveria estar assustado? — Ele sussurrou seus pensamentos já estavam longe da Sombra.
— É só um inofensivo...
Como suas bocas se encontraram Sesshoumaru não soube. Como atraídos por um imã, elas simplesmente se encontraram. E uma vez que o beijo começou, Sesshoumaru quis que nunca terminasse.
Rin sabia que estava se afogando. Sentiu um redemoinho de desejo crescer nas profundidades de suas entranhas e as águas da paixão se fechando sobre sua cabeça. Mas não podia fazer nada para os deter.
Tampouco queria.
Esse era o equilíbrio que seu corpo ansiava o equilíbrio de seu chi. Ainda que a sensação a fazia se sentir tonta como na primeira vez que Kaede a havia feito se pendurar de cabeça para baixo no galho de uma árvore, de alguma maneira era certo.
De repente não lhe importava quem Sesshoumaru era, as habilidades que ele ocultava as mentiras que dizia a ameaça que representava. Pelo modo em que o sangue corria por suas veias, o modo que sua pele ardia com luxúria, o modo em que seu coração batia contra suas costelas, ela sabia que esse homem era a conclusão que fechava o círculo, o yang para seu yin.
De alguma maneira seus braços abriram seu caminho sobre seu pescoço úmido, puxando para mais perto. O cheiro de suor, couro e da cota de malha persistia nele. O aroma era, sem dúvida, aroma de macho, intenso e embriagador.
Ele tinha gosto suave de cerveja, mas sobre todo, mas principalmente de paixão, e ela bebeu profundamente dessa fonte na ânsia de matar sua própria sede. Suas línguas duelaram, se acasalaram e dançaram juntas, como um cortejo de borboletas. Suas bocas se procuraram como se estivessem se alimentado de ambrosia.
Com uma mão, Sesshoumaru encontrou e desatou a fita de sua trança, soltando seu cabelo que caiu livremente sobre suas costas. Em seguida, grunhindo sua aprovação suavemente, ele enterrou seus dedos na massa de cabelos na altura de sua nuca, as pontas de seus dedos se esfregando suavemente até que o couro cabeludo de Rin se arrepiasse.
Seu tórax protegido pela cota de malha parecia um muro de pedra contra os seios femininos, e ela teve muita vontade de arrancar a túnica e a cota de malha para sentir o homem flexível que havia debaixo.
Ela sentiu os dedos dele descer sobre suas costas, enquanto a outra mão se arriscava sobre seus quadris. Quando esta se estabeleceu com um agarramento possessivo sobre sua nádega, ela arquejou, mas não tinha intenção de se afastar. Pelo contrário, ela angulava seus quadris completamente contra os dele, derretendo-se em seu abraço.
Sesshoumaru gemeu contra seus lábios, e o som lhe causou um estremecimento de prazer através de sua feminilidade já despertada. Quando sua mão relaxou sobre a frente de seu decote, seus dedos dançando ao longo se sua clavícula os mamilos dela começaram a se erguer com antecipação. Entrando pelo decote sua mão foi para baixo, e mais abaixo, até que tomou seu seio, levantando-o ternamente em sua mão.
Suas emoções se tornaram selvagens, ela gemeu a sensação, saboreando o êxtase desse contato, ansiosa por arrancar o tecido que os separava, e ansiando por mais.
Sesshoumaru lhe deu mais. Como se lesse sua mente, ele soltou os cordões de sua camisa e afrouxando a parte de cima, então enquanto ela prendia a respiração em expectativa, ele deixou seus dedos se aventurarem por debaixo de sua roupa, se arrastando suavemente pela pele ardente.
Quando Sesshoumaru tocou com a ponta de um dedo o mamilo sensível, ela suspirou ante a intensidade do calor que a invadia. E quando a mão sobre suas nádegas se curvou para entrar em sua fenda entre elas, tudo o que ela pode fazer foi tentar se manter de pé.
E então tudo mais desapareceu. As pombas. O pombal. Suas inibições.
Sesshoumaru era sua meditação. Ele era seu foco. Ela queria unir-se a ele, fundir-se com ele, estar dentro dele até que suas almas ficassem intrinsecamente unidas.
Mas o destino interveio.
Como ela estava a ponto de se render a sensualidade, o pombal repentinamente foi inundado por uma explosão de luz rigorosa e cegadora, que os fez se afastarem bruscamente.
— Olá?
Era sir Nobu.
Com habilidade e experiência, Sesshoumaru rapidamente subiu o decote de Rin e protetoramente a colocou atrás dele.
— Sir Nobu. — Sua voz tinha um tom áspero, sem uma nota de desejo.
— Sir Sesshoumaru? — Nobu se aventurou a responder.
Rin, agitada e confusa, se escondeu atrás de Sesshoumaru, tentando arrumar sua roupa e seu cabelo.
Antes que Sesshoumaru pudesse responder, Nobu disse com um grunhido baixo.
— Kikyo? É você?
— Não é Kikyo, Nobu. — Sesshoumaru lhe respondeu rapidamente.
— Ah. — depois de um silêncio tenso, ele acrescentou.
— Supus que encontraria Kikyo aqui.
— Ela não está aqui.
— Tudo bem, então. Desculpe-me.
Outro silêncio tenso seguiu antes que Sesshoumaru finalmente dissesse.
— Adeus, Nobu.
— Ah. Sim.
Quando Nobu se saiu, o coração de Rin quase havia se recuperado do choque dessa intrusão. Mas a brusca bofetada da luz do sol tinha feito mais que apenas a assustá-la. Havia lançado luz sobre sua própria loucura.
Ela havia perdido a cabeça. Seu controle. Seu equilíbrio. Como Sesshoumaru a havia enganado para fazê-la acreditar que ele era o complemento de seu espírito, ela não sabia. Mas agora, com a luz clara do dia, ela se deu conta que tudo isso havia sido uma ilusão.
Tremendo de humilhação e auto-repugnância, ela amarrou os cordões de sua camisa, sacudiu o pó de suas saias, e se preparou para dar a ele uma breve despedida.
Ela esperava um sorriso arrogante de Sesshoumaru quando ele se virasse, um intencional arquear de sua sobrancelha, um sorriso afetado de auto-satisfação. Afinal, ele devia acreditar que ela estava à mercê dele agora.
Nada a preparou para veracidade de seu humor quando seus olhares se encontraram. Seus olhos brilhavam tão suavemente como a luz de uma vela, embaçado de desejo, de generoso pesar. Suas narinas infladas pelo ardor restante, e seus lábios estavam inchados e abertos pelos beijos.
Ela havia aprendido a fingir atração desde que era uma menina. Sempre que queria um favor dos homens de Higurashi, Rin timidamente abaixava seus olhos, se mordia o lábio, e sorria recatadamente. Mas o olhar no rosto dele não era fingido. Ela tinha certeza disso. E era mais que mera luxúria.
Um lampejo de assombro brilhou em seus olhos, fascinação e uma curiosa afeição, uma afeição impossível de fingir.
Sesshoumaru poderia tê-la deixado com o desejo insatisfeito.
Mas ela havia lhe atingido diretamente no coração.
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Continua...
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