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Donzela Ardilosa
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Capítulo 18
Rin estava acostumada a fazer a seu modo. Não importando quão submissa ela parecesse, podia manipular a seu jeito quase qualquer coisa. Assim, enquanto ela imitava as posturas de tai chi chuan de Kaede ao amanhecer, sua mente estava a milhares de milhas de distância, refletindo sobre os métodos que poderia usar para que sir Sesshoumaru pedisse sua mão.
Tinha que ser logo. Rin não era uma ingênua. Sabia que havia uma pequena possibilidade de que ele tivesse plantado um bebê em seu ventre no dia anterior. Na verdade, a idéia de que já poderia estar levando um filho dele curiosamente a agradava.
— Não sorria. — Murmurou Kaede sobre seu ombro. Como o velho criado podia dizer que ela estava sorrindo, Rin não sabia. Talvez ele tivesse olhos na nuca.
Rin tentou obedecer, mas tudo no que poderia pensar era a intensidade do amor que tinha sentido com Sesshoumaru no dia anterior e no prazer que derretia seu coração enquanto descansava em seus braços depois. Nunca quereria perder essa felicidade.
Kaede se moveu devagar para a direita, e Rin copiou o movimento, embora suas pernas tremessem com o esforço, ainda estava cansada pelo sexo do dia anterior.
Ela não podia contar a ninguém sobre o que tinha feito, obviamente. Nem para suas irmãs. Ou para Kaede. Especialmente Kaede. Ela iria chamá-la de negligente e irresponsável por entregar sua virgindade a um homem que ainda não estava casado com ela.
Mas Rin tinha intenção de remediar isso. Muito em breve.
Kaede abriu seu braço direito em um amplo arco. Ela o imitou. Ao menos, Rin pensava estar imitando-o. Mas quando o criado virou sua cabeça, e lhe grunhiu
— Preste atenção! — Ela se deu conta que estava usando o braço oposto.
Kaede franziu o cenho com desgosto.
— Não é digna de seu mestre hoje.
Rin respirou profundamente. Kaede tinha razão. Não estava concentrava.
— Sinto muito, xiansheng.
— Terminamos. — Ele disse com decisão solene.
— Sim, xiansheng. — Rin procurou reagir, se desculpar, reparar de alguma maneira o insulto. Mas era inútil argumentar uma vez que Kaede havia feito o decreto.
O fato que ele tivesse interrompido os exercícios repentinamente era um sério castigo para Rin. Desde o primeiro momento que o havia trazido para casa, Kaede lhe havia explicado que sua vida a partir daquele dia em diante seria dedicado a ela, e que ele a treinaria nas antigas e sagradas formas de seu povo. Kaede a tinha feito compreender que um presente muito valioso que ele lhe dava, pois se tratava de um conhecimento secreto que poucos privilegiados podiam aprender. Era uma grande afronta para Kaede que Rin não prestasse a completa atenção a seus ensinamentos.
Talvez ele a perdoasse amanhã, mas por agora estava claro que Kaede havia acabado com ela. Ele arrancou seu traje de criado do gancho na parede e sacudiu as saias com um forte ruído antes de vesti-los em cima de seu traje feito de linho.
Rin se curvou respeitosamente diante de seu mestre, depois se sentou na cama, deixando que a culpa se filtrasse em seus ossos.
— A Noite vai engolir a Sombra muito em breve. — Disse Kaede, tão suavemente que Rin quase não o escutou.
— O que?
— Deve estar preparada.
— O que você quer dizer?
Mas por despeito ou para ser enigmático, Kaede aparentemente não tinha intenção de explicar sua observação crítica. Com uma expressão grave que causou um calafrio a Rin, ela se virou e deixou o dormitório.
Rin tentou se animar com o fato que Sesshoumaru a levaria à feira hoje. Quando colocou sua túnica vermelho rosa favorita e escolheu uma fita que combinasse para seu cabelo, não pôde menos que sorrir quando pensou na imagem de Sesshoumaru outra vez. Somente havia passado meio-dia desde que tinha contemplado aquelas adoráveis covinhas, desde que tinha visto aqueles olhos cintilantes, e que tinha beijado aquela boca tentadora? Parecia uma eternidade.
Rin se apressou a colocar seus sapatos de couro e fez girar a capa ao redor de seus ombros, então com impaciência desceu a escada, incapaz de reprimir o sorriso que adornava seu rosto.
***
Quando Sesshoumaru levantou o olhar de seu café da manhã para ver a delicada pétala rosa que descia pelas escadas do grande salão, quase se engasgou com uma bolacha de aveia. Anjos do céu! Rin era mais linda do que se lembrava, mesmo usando roupas. Como seria vê-la descendo as escadas para saudá-lo todas as manhãs de sua vida?
Não, Sesshoumaru se corrigiu, sorrindo astutamente, se Rin consentisse em ser sua esposa, ele pensava em mantê-la na cama até muito tarde todos os dias.
— Bom dia! — Ela gritou com um sorriso brilhante.
Como um cachorro que balança o rabo quando seu amo entra em um quarto, o membro de Sesshoumaru despertou imediatamente, instintivamente respondendo a sua presença. Supôs que era algo muito lamentável ser tão facilmente manipulado, mas não se preocupou muito. Ele de boa vontade seria escravo de Rin.
É claro, ele nunca deixaria que ela soubesse o poder que exercia sobre ele.
Sesshoumaru engoliu a bolacha de aveia, e galantemente se curvou em uma reverência, seus olhos demonstrando uma fingida indiferença.
— Minha lady, o que a faz descer tão cedo? E por que está tão elegantemente vestida? Está planejando limpar os estábulos hoje?
Rin estreitou seus olhos com maldade e lhe deu um empurrão reprovador no meio de seu tórax. Para sua surpresa, Sesshoumaru se viu empurrado vários centímetros para trás. Essa moça pequena era mais poderosa do que parecia.
Ele sorriu enquanto massageava o local.
— Espero que tenha trazido muitas moedas. — Burlou-se ela, arqueando uma sobrancelha.
— O suficiente para comprar a lua e as estrelas.
Rin levantou a cabeça para ele.
— E o sol?
— O sol? — Sesshoumaru fingiu considerar a idéia, depois franziu o cenho. — Eu não acho que uma moça como você deva brincar com fogo.
Ela se aproximou e murmurou.
— Mas eu gosto de brincar com fogo. — Ela abaixou seu olhar intencionalmente para o vulto que se inchava rapidamente na virilha masculina.
— Ah, sim, minha garota má. — Sussurrou ele. — Certamente que você gosta.
— Onde estão minhas irmãs? — Rin resmungou, lançando um olhar ao redor do salão.
Ele levantou o canto de sua boca.
— No campo de treinamento.
— Então me beije. — Pediu ela.
No momento mais inoportuno, Sesshoumaru espiou por cima da cabeça de Rin, e viu na entrada da despensa a criada diabólica fulminando-o com o olhar. Em vez do beijo ardente que queria lhe dar, Sesshoumaru se inclinou para frente e colocou um beijo breve e casto sobre a testa de Rin.
Rin franziu o cenho, obviamente decepcionada.
— Kaede! — Ele falou em voz alta, dando à criada carrancuda um aceno alegre. — Bom dia!
Os olhos de Rin se arregalaram com surpresa, e ela prudentemente se afastou um passo dele.
Kaede ainda o fulminava com o olhar, mas Sesshoumaru ignorou seu jeito irritável e falou calidamente com ela.
— Você virá conosco à feira?
Uma consternação passou rapidamente pelo rosto de Rin, mas Sesshoumaru sabia que era um convite inofensivo. Sesshoumaru tinha proclamado há somente dois dias atrás que as feiras eram feitas para zhi, crianças.
Kaede lhe enviou um imerecido olhar gélido e se aproximou, por um instante, Sesshoumaru desejou saber se a velha carrancuda tinha intenção de lhe cravar dois dedos nos olhos ou se ia amaldiçoá-lo em sua língua por emitir um convite tão audacioso.
Mas no último momento, Kaede pegou o braço de Rin.
— Se assegure de voltar antes do jantar.
— É claro. — Rin respondeu.
Kaede não a soltou. A criada puxou Rin ainda mais perto dela, e lhe disse claramente.
— A Noite virá muito em breve. Muito em breve.
Alguma comunicação secreta deve ter passado entre as duas no momento seguinte, porque Rin solenemente acenou com a cabeça, então murmurou.
— Estarei alerta.
Sua resposta aparentemente satisfez Kaede, já que sem outra palavra, a criada se afastou tão rapidamente e tão silenciosamente como tinha chegado.
Sesshoumaru teria preferido continuar do ponto onde ele havia haviam parado, com Rin lhe pedindo um beijo e sua virilha despertando seu desejo. Mas se eles fizessem isso, um beijo conduziria a outro, os beijos conduziriam às carícias, as carícias os conduziria até o quarto de Rin, e nunca transporiam as portas dianteiras da fortaleza.
Sesshoumaru tinha prometido levá-la à feira. Também havia lhe prometido um símbolo de amor.
Muito tarde na noite anterior, depois de muita reflexão e consideração, ele tinha decidido qual seria esse símbolo. E agora que havia decidido, estava ansioso por chegar à feira para encontrar o artesão apropriado de quem poderia comprar esse tesouro.
Sesshoumaru lhe ofereceu seu braço.
— Vamos, minha lady?
Ela enlaçou seu braço no seu e sorriu alegremente. O que se seguiu foi o dia mais agradável que Sesshoumaru havia passado em uma feira.
Rin sempre tinha amado as feiras, mas essa era a primeira vez que ela tinha ido a uma com um pretendente e sem uma dama de companhia. Passear se esquivando das tortuosas filas de pessoas, de braço dado com um homem que ela adorava era uma experiência completamente nova.
Naturalmente ela levava uma lista de coisas para comprar: velas para o castelo, vasilhas de terracota, remédios para substituir aqueles que ela havia dado ao monastério, canela da Birmânia e pimenta da Índia. Mas por uma vez, com Sesshoumaru a cutucando, ela vadiava entre as barracas que vendiam artigos mais frívolos.
Ela examinou uma mesa cheia de broches prateados para capas, trabalhados em formas de dragões, cervos, leões e javalis selvagens. Outra barraca apresentava uma série de fitas de cabelo em todas as cores do arco íris. Uma mulher da Normandia oferecia cheirosos frascos de lavanda e rosas. Em outra barraca, um artesão de couro vendia suave bolsa de todas as formas e tamanhos, fechadas com botões feitos do chifre de vaca. E outro comerciante oferecia frascos que continham um fino pó, que ele proclamava que era terra do túmulo de Cristo.
Passeando pelas barracas dos armeiros, Sesshoumaru se deteve para contemplar uma coleção de lâminas de aço de Toledo, mas decidiu que o comerciante estava cobrando demais por suas mercadorias.
— Seria mais barato — ele murmurou para Rin — Pagar uma passagem para a Espanha e comprar uma arma lá.
Em outra barraca, ele encontrou punhais com um preço razoável, mas de qualidade inferior, algo que só um comprador experiente reconheceria.
Ele se interessou por uma lâmina bonita em uma terceira loja, até que o vendedor lhe disse que se tratava da verdadeira espada do Rei Artur, momento no qual ele guiou Rin para fora com toda a pressa, fazendo uma careta de descrença.
A admiração de Rin por ele aumentava a cada uma de suas transações. Sesshoumaru podia não ser capaz de ler, mas tinha uma mente aguçada quando se relacionava ao comércio. Sesshoumaru podia não ser um cavalheiro tão rico como um Lorde, mas ela podia ter certeza que ele jamais esbanjaria seu dote. Era um pensamento confortante.
Eles quase tinham chegado o fim das barracas dos armeiros quando os olhos de Rin se iluminaram ao ver uma coleção variada de armas de todo mundo. Havia sabres curvos, espadas romanas curtas, um par de adagas Vikings e um grande machado de guerra saxão. Mas o que lhe cortou a respiração foi à arma apoiada contra o poste em um canto da tenda. Era uma perfeita shang chi. Uma dupla alabarda chinesa. O longo cabo negro tinha um dragão vermelho pintado cuja cauda se estendia em espiral ao longo de todo seu comprimento, terminando com uma borla vermelha que pendia na ponta. As lâminas de gêmeas pareciam asas de uma borboleta prateada.
Esquecendo-se completamente de Sesshoumaru, ela estendeu a mão para tocar essa bela arma, pesando-a em uma mão. A arte era soberba, o equilíbrio era incrível, e alguém tinha afiado muito bem as lâminas, pois quando ela passou o polegar em uma das extremidades, ela cortou a primeira camada de pele. Era raro achar um pedaço de tal qualidade excepcional e o pulso dela se acelerou ante a idéia de adquiri-la.
— Quanto custa isso? — Ela perguntou, tentando não parecer muito interessada.
O comerciante piscou horrorizado, depois olhou para Sesshoumaru com receio.
As sobrancelhas de Sesshoumaru se arquearam com perplexidade.
— Você está interessada nisso?
Rin olhou para os dois homens. Merda! Em seu entusiasmo pelo shang chi, havia se esquecido que nesse dia só era uma donzela de Higurashi, não uma mestre em artes marciais chinesas.
— Sim. — Ela balbuciou. — É para Kaede. — Ela se dirigiu ao comerciante, fingindo ignorância. — É Chinês, não é mesmo?
O comerciante assentiu com a cabeça.
— Talvez o cavaleiro gostaria de experimentá-lo. — Ele praticamente arrancando possessivamente a arma dela e a entregou para Sesshoumaru.
Rin se mordia o lábio com frustração enquanto Sesshoumaru inspecionava a arma.
— Quanto custa? — Ela repetiu.
Sesshoumaru franziu o cenho.
— Isto não podia funcionar como uma arma, não com a lâmina aberta desta maneira. Elas se romperiam com o impacto.
Rin sacudiu a cabeça.
— É feita para fatiar não para cortar. – Ela lhe disse. — E o aço é muito forte, temperado até uma dúzia de vezes.
Ambos os homens a olharam sobressaltados.
— Ou foi isso o que eu ouvi dizer. — Terminou Rin sem muita convicção.
— Me permite? — O comerciante perguntou, enquanto gesticulava para arma.
Sesshoumaru a entregou para que ele, assim ele poderia demonstrar sua utilização.
— O shang fu é uma antiga arma da China. — Declarou ele.
— Shang chi. — Corrigiu-o Rin.
— O que?
— Shang chi. Chama-se shang chi. — Assegurou para Sesshoumaru. — Kaede me disse isso.
O comerciante franziu o cenho com desaprovação. Mas quando ela olhou para Sesshoumaru, viu certa diversão em seus olhos.
— O shang fu tem a lâmina fechada, como uma alabarda. — Disse ela suavemente. — Esta tem uma lâmina que se abre, é um shang chi.
O comerciante não gostava de ser corrigido, em especial ser corrigido por uma mulher, supôs Rin. Mas ele seguiu com sua demonstração para Sesshoumaru, pegando uma maçã podre de uma cesta sobre da mesa.
— Suponho que não importa como você o chama, contanto que faça o dano, não é mesmo, cavaleiro?
Assegurando-se que ninguém estava ao seu alcance, ele descansou o cabo no ombro dele e lançou a maçã sobre o chão. Em seguida, usando ambas as mãos, balançou a espada sobre sua cabeça com a intenção de guiá-la para baixo como um machado para partir a maçã.
O coração de Rin subiu para sua garganta. Jesus! O impacto contra a terra ia danificar o fio da navalha. Tinha que detê-lo.
Rin agiu por instinto. Quando a lâmina começou sua descida, ela caminhou em direção ao comerciante. Agarrou o cabo do shang chi com uma mão. Com a outra mão golpeou seu cotovelo, não tão duramente para quebrá-lo, só para fazê-lo soltar a arma.
Com um grito de dor, ele deixou cair à arma, e ela conseguiu desviar o golpe o suficiente para que a lâmina só roçasse a terra.
Havia conseguido salvar a arma.
Mas agora ela havia se lançado da chaleira para dentro do fogo.
Rin se levantou com o shang chi incriminatório em sua mão. O comerciante cambaleou para trás, agarrando o cotovelo dolorido e talvez quebrado... . Sesshoumaru a contemplou com temor. E uma pequena multidão curiosa começava a se formar.
Com tanto desamparo feminino que ela poderia aparentar, Rin se encolheu em sinal de desculpa e devolveu a arma ao comerciante.
— Estou tão arrependida. Devo ter... — Então se deu conta que poderia usar isso em sua vantagem. — Sinto-me tão miserável. Por favor, me deixe lhe pagar a arma.
O comerciante a olhou com olhos tristes, mas claramente não estava disposto a deixar passar uma venda.
— Vale oito xelins. Não, dez xelins.
Sesshoumaru se sentiu tentada a pechinchar com esse trapaceiro, mas supôs que realmente lhe devia algo pelo dano causado a seu braço. Além disso, essa arma provavelmente valia mais do que ele podia saber. Ela tirou as moedas de sua bolsa.
Então o comerciante cometeu o erro de tentar se aliar com Sesshoumaru e em contra ela.
— Nada mais perigoso que uma moça com uma espada afiada, não é mesmo?
Sesshoumaru sorriu para ele.
— Somente um canalha com uma mente aguda. — Ele se aproximou furtivamente do homem, sorrindo amigavelmente, e falou em voz suficientemente alta para que as pessoas presentes ouvissem. — Já que minha lady te salvou de cortar fora seus próprios dedos de seus pés, bom homem, considero que deveria se sentir mais que feliz de baixar um pouco o preço.
— O que? — Ele piscou rapidamente.
Rin levantou as sobrancelhas.
A multidão começou a sussurrar entre si.
— Isso é verdade? — Um ancião desdentado perguntou para Sesshoumaru. — Esta moça pequena o salvou?
— Oh, sim. — Disse Sesshoumaru sobriamente. — E o fez sem ter em conta sua própria segurança.
— Ele teria cortado fora os dedos de seus pés com essa espada endemoninhada. — Concordou uma mulher gordinha. — Eu vi tudo.
— Realmente? — Um homem magro, barbudo interveio, colocando sua cabeça por entre a multidão. — E ele ainda por cima vai fazer que ela pague?
— Isso não é justo.
— Este desgraçado deveria estar agradecido.
As especulações dos espectadores se fizeram cada vez mais selvagens, e Rin começou a se sentir envergonhada quando a história adquiriu dimensões heróicas.
— Quem salvou sua vida?
— Essa moça pequena. Ele poderia ter se matado com essa maldita lâmina se ela não tivesse...
— Ela a arrebatou de sua mão...
— ...salvando a pele desse ingrato...
— ...Ela parecia um anjo da guarda o arrebatando das mãos da Morte...
— Esse comerciante é um ingrato materialista, isso é o que ele é.
— Não comprarei uma arma deste ladrão.
— Tudo bem! Tudo bem! — O comerciante gritou, depois disse para Sesshoumaru. — Oito xelins.
O velho desdentado interveio.
— Você deveria pagar a ela por te salvar a vida.
Quando o caos cresceu a seu redor, Rin lançou um olhar para Sesshoumaru. Seus olhos brilhavam com malícia enquanto mantinha os braços cruzados orgulhosamente sobre seu peito. Esse rapaz malvado parecia estar desfrutando do caos que havia criado.
— Você é um patife. — Murmurou ela.
— E você uma mentirosa. — Disse-lhe ele carinhosamente, entregando a ela o shang chi.
Tão silenciosamente como foi possível, Rin colocou os oito xelins na mão do comerciante e escapou por entre a multidão. Quando eles partiram, as pessoas presentes ainda discutiam sobre o que tinha acontecido quem tinha salvado quem, e onde deveriam ou não comprar suas armas. Rin não podia ajudar, mas se perguntou o que um velho camponês desdentado desejava uma espada antiga, de qualquer forma.
Rin deveria ter se dado conta que não ia poder escapar desse incidente completamente ilesa. Sesshoumaru tinha perguntas a fazer.
— Então, como você sabe tanto sobre armas chinesas?
Ela se encolheu de ombros.
— Kaede.
— E como uma velha criada chegou sabe tanto?
— Ela... Seu pai era um guerreiro. — Rin se mordia o lábio. Podia ser verdade, mas realmente não sabia. Kaede nunca tinha falado sobre seus pais, só sobre seus mestres.
— Mas certamente ela não te ensinou a manejar essas armas.
Sesshoumaru estava pisando em terreno perigoso. Ela tinha que tomar cuidado.
— Kaede sempre foi muito observadora.
— E você?
— Eu... O que?
— É observadora? Como aprendeu a manejar tais armas?
Rin sufocou em uma risada forçada.
— Eu? — Ela quase gritou. — Manejar armas? Oh, Sesshoumaru, sabe que não posso suportar lutas.
Droga! Não podia dizer a verdade a ele, não quando estava tentando conseguir que ele pedisse sua mão. Eventualmente... Confessaria. Mas seria a seu próprio tempo, pouco a pouco, para que Sesshoumaru pudesse se adaptar gradualmente a suas revelações. Diria que as armas na parede de seu quarto eram suas, que Kaede era sua mestre, que ela era muito treinada nas artes marciais chinesas. E que se ela o desejasse, poderia arrebatar o shang chi das mãos dele e lhe cortar a garganta em um piscar de olhos.
Rin franziu o cenho. Ela se perguntou se alguma vez seria capaz de contar toda a verdade a ele. Era um segredo enorme que escondia de Sesshoumaru. Talvez se ele soubesse de toda a verdade, ele já não sentiria carinho por ela.
Rin considerou esses pensamentos destrutivos. Era uma idiotice alimentar seus medos.
O fato era que ela já havia se deitado com Sesshoumaru. Duas vezes. E não havia como voltar atrás, nem desfazer o que ela havia feito. Ela o havia atraído até sua cama. E agora tinha que atraí-lo à capela antes que ele pudesse desentranhar muitos de seus segredos. Rin estava determinada a ter êxito... Se pudesse distraí-lo pelo tempo suficiente em sua obstinada busca pela verdade.
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Continua...
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