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Donzela Ardilosa
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Capítulo 19
Sesshoumaru não deixou de sorrir, assombrado enquanto caminhava ao lado de Rin, carregando sua valiosa compra. A moça inteligente podia ser capaz de enganar todos os outros, mas Sesshoumaru estava começando a reconhecer quando ela inventava uma de suas mentiras.
Tinha visto o modo que seus olhos haviam se iluminado quando ela tinha visto a magnífica lâmina. Não tinha acreditado nem por um segundo que Rin tivesse a intenção de dar essa coisa para Kaede. De fato, ele apostaria a metade de suas moedas que a coleção de armas penduradas na parede de Rin não pertencia à criada, mas a própria moça insolente.
A moça afirmava que não aprovava a luta, mas era tão claro como o brilho em seus olhos que ela adorava as armas de guerra. E não apenas isso, ele tinha começado a suspeitar que ela fosse capaz de fazer mais que simplesmente admirar as armas à distância.
O modo que ela tinha desviado o golpe do mercador não tinha sido um acidente. E agora Sesshoumaru não podia evitar suspeitar, por incrível que pudesse parecer que a doce Rin tinha uma semelhança inquietante com o ágil ladrão que ele procurava.
— Olhe, Sesshoumaru! — Rin de repente gritou, não parecendo em nada um ladrão perigoso, mas uma criança seduzida enquanto apontava um diminuto macaco com uma coleira incrustada de jóias que brincava de correr sobre o ombro de seu dono. A risadinha dela era contagiosa enquanto olhava as artimanhas que a pequena besta fazia.
No entanto, alguns minutos depois, a criança despreocupada se transformou em uma perspicaz negociante enquanto pechinchava com um comerciante de tecidos que tentava fazer passar um linho comum por um exótico algodão do Egito.
Em um momento Rin estava lambendo o suco pegajoso de uma cereja confeitada de seus dedos. E no seguinte sussurrava para Sesshoumaru uma advertência sobre o comerciante de cerâmicas que estava vendendo mercadorias rachadas.
Rin saltava constantemente entre ser uma mulher e ser uma criança, e ele nunca sabia o que surgiria a seguir. Mas talvez fosse essa a coisa que o atraía nela. Ele amava as surpresas, e Rin estava cheia delas.
Uma de suas surpresas era o hábito de espreitar no bosque de Higurashi, atacando os viajantes estrangeiros com as bolsas cheias? Como poderia ele descobrir com certeza?
Enquanto Rin aplaudia a conclusão da interpretação de um músico que tocava o alaúde, Sesshoumaru olhava a alguns jogos de habilidades, mais distante no caminho. "Perfeito", ele pensou. Pegando a mão dele, ele a puxou.
— Venha.
Ela o acompanhou com muito gosto até que viu para onde ele ia. Então Rin hesitou.
— Lançamento de facas?
— Será divertido. — Ele a persuadiu.
— Você sabe o que sinto em relação à luta.
Sesshoumaru riu.
— Não é luta. É só uma competição.
— Mas eu nunca...
— Eu posso te ensinar.
— Me ensinar?
— Sim. — Ele disse orgulhosamente. — Tenho um olho afiado como uma lâmina.
— Hum.
Ele apoiou a arma de Rin contra o poste em um canto da barraca, então apertou uma moeda na mão do proprietário e selecionou três facas.
— Eu vou te mostrar como se faz, e depois você lançará as próximas três.
Sesshoumaru observou o alvo de palha a cinco metros de distância, depois dobrou seus dedos e tomou a primeira faca. Tomou uma respiração profunda, e então, com um movimento rápido de seu pulso, lançou a arma. A faca se afundou no alvo de palha a menos de um centímetro do objetivo central.
Rin bateu palmas e lhe deu uma pequena alegria, mas Sesshoumaru sabia que podia fazer o melhor que isso.
Ele esfregou a mão em sua túnica, secando seus dedos para melhorar seu aperto, então apanhou a segunda faca. Desta vez quando a lançou, esta aterrissou ao lado da primeira, uma lâmina de largura mais perto do centro.
— Você é muito bom. — Disse Rin.
Mas não bom o era bastante. Ele tinha que despertar o espírito competitivo dela. Para fazer isso, Sesshoumaru tinha que acertar o centro.
Tomando uma respiração funda e se concentrando no objetivo, atirou a última faca. Desta vez ela se cravou no lado oposto, só a milímetros do centro.
Sesshoumaru se queixou e sacudiu a cabeça.
Rin se apressou a aplacar sua humilhação.
— Você esteve tão perto. Pelos Santos, se isso tivesse sido um ladrão, teria salvado a minha vida.
— Aqui. — Ele disse, selecionando três facas para ela, enquanto o dono da barraca tirava as três que Sesshoumaru havia atirado.
— Você tem certeza... — Rin começou a dizer, enquanto se movia relutantemente para a linha de lançamento.
— Eu te ajudarei. — Ele colocou a primeira faca na mão de Rin, depois se parou atrás dela, envolvendo seus braços sobre ela para guiá-la. Era uma posição íntima. A macia e perfumada nuvem do cabelo dela roçou a bochecha dele e o traseiro dela se conchegou contra os quadris dele. Ele ficou extremamente tentado a gastar o resto do dia para lhe ensinar a lançar facas.
— Assim? — Ela perguntou, enquanto ela endurecia seu pulso.
— Não, assim.
Ele soltou o aperto firme dela com uma sacudida suave, então a guiou para alguns arremessos de prática antes que ele lhe dissesse que deixasse a lâmina ir. O braço de Rin cambaleou, e a faca saiu voando em direção ao alvo, e se alojou no círculo mais externo.
Ela podia ter falhado de propósito. Ele teria feito isso se tentasse esconder seus talentos. Mas, para sua diversão, Rin parecia absolutamente encantada com o resultado.
— Eu fiz isso! — Ela exclamou. – Acertei o alvo!
A preocupação de Sesshoumaru de que ela poderia ser uma atiradora perita desapareceram. Ela era verdadeiramente terrível e abençoado coração dela, a pobre moça nem mesmo sabia. Deus, Rin era preciosa, pensou Sesshoumaru, em especial quando ela se virou em seus braços para lhe dar um beijo vitorioso na bochecha.
— Tente outra vez. — Disse ele. — Desta vez mantenha seus olhos no centro do alvo.
Os braços deles se moveram novamente como se fosse um só e ele as ajudou a lançar a lâmina para frente. A faca se cravou em um círculo mais perto do centro, mas pelo sorriso orgulhoso de Rin, qualquer pessoa teria pensado que ela tinha acertado o alvo três vezes seguido.
Rindo entre dentes, Sesshoumaru lhe deu a terceira faca.
— Quer provar sozinha agora?
— Sim. — Ela disse, seus olhos se iluminaram.
Ele assistiu como o rosto dela se tornou muito sério e ela inspirou algumas vezes, enquanto focalizava o alvo de palha. Então, depois de dois falsos impulsos, ela lançou a lâmina para frente. Perdeu o alvo completamente, que pousou na parede da parte de trás da tenda.
— Ah! — Ela colocou suas mãos sobre sua boca com vergonha.
— Tudo bem. — Ele lhe assegurou, colocando sua mão em sua bolsa de moedas outra vez. – Vamos jogar outra rodada?
Ela sussurrou.
— Não quero estragar a tenda do pobre homem.
Ele riu.
— Eu tenho certeza que minhas moedas cobriram as reparações. Mas desta vez, vamos torná-la mais interessante. Que tal uma aposta?
— Uma aposta?
— Sim. Tenho uma fome feroz novamente. Se eu ganhar, vamos comprar torta de enguias. — Ela enrugou o nariz. — Se você ganhar compraremos pastel de frango.
Ela considerou a aposta durante um minuto, seus olhos brilhando especulativamente. Depois ela assentiu com a cabeça, aceitando seu desafio.
— Feito.
Para a satisfação dele, seus dois primeiros lançamentos pousaram no círculo interior, e Sesshoumaru acertou no branco no último lançamento.
Rin sacudiu a cabeça, com a certeza de que ela já havia perdido a competição. Pegou a primeira faca, mordendo o lábio ao se concentrar. Ela se parou com o pé errado para frente e Sesshoumaru a parou para corrigir a postura dela. Ela acenou com a cabeça, estudando o alvo, depois entrecerrou os olhos e lançou a faca. Esta se cravou na borda do painel de palha, errando completamente o alvo.
Diante do cenho franzido dela com desilusão, Sesshoumaru lhe deu a segunda faca.
— Desta vez, mantenha os olhos abertos. — Sugeriu ele com um sorriso.
Ela igualmente sairia vitoriosa. Ele lhe daria seu prêmio por ter acertado no alvo uma fita para o cabelo. Mas não podia negar que sua boca já estava salivando como se estivesse provando a torta de enguia.
Então algo assombroso aconteceu. Com um rápido giro de seu pulso, Rin atirou a faca, e de algum jeito, milagrosamente, esta pousou no centro do alvo.
Rin soltou um grito de triunfo, e até o dono da tenda a olhou, indubitavelmente agradecido que a faca não tivesse pousado em nenhuma parte de seu corpo.
O homem se inclinou para Sesshoumaru.
— Sorte de principiante. — Ele lhe assegurou.
Sesshoumaru presumiu o mesmo, até que Rin lançou a última faca. Esta voou direto ao alvo com tal velocidade e mortal objetivo, enquanto batia na primeira lâmina, cortando a respiração de Sesshoumaru. Essa lâmina poderia ter sido lançada por um assassino profissional, tão verdadeiro foi seu vôo.
— Você viu? — Ela gritou, batendo palma com regozijo. — Oh, lamento que meu pai não estivesse aqui para ver.
— Foi... Incrível. — Sesshoumaru concordou, sentindo-se ligeiramente tonto. — Você tem certeza de que nunca lançou uma faca antes?
— Eu? — Ela riu.
O dono da barraca sacudiu a cabeça.
— Nunca vi nenhum principiante acertar duas vezes seguidas no alvo.
— Eu estava muito motivada. — Disse ela.
— Você gosta das fitas, minha lady? — O homem perguntou, sustentando uma seleção para deixá-la escolher seu prêmio.
— Não. — Ela lhe lançou uma piscada de olho. — Realmente odeio torta de enguia.
Cumprindo sua palavra, Sesshoumaru lhe comprou os pastéis de frango, embora ele não tivesse muito apetite. Não havia forma de negar que Rin possuía habilidades que uma mulher que assegurava detestar a violência definitivamente não deveria ter. A pergunta era o que fazer sobre isso.
Ele tentou manter a mente tranqüila enquanto se sentavam debaixo de um carvalho, para compartilhar a comida. Talvez estivesse tirando conclusões precipitadas. Só porque Rin podia lançar facas não significava que ela fosse A Sombra. O talento dela podia ser uma característica familiar. Afinal de contas, as irmãs de Rin eram espadachins peritas. Ela podia ter herdado algumas habilidades de seu pai também.
Sesshoumaru se perguntou o que aconteceria se ele blefasse, e dissesse que sabia quem era A Sombra? Será que um vislumbre de medo brilharia de temor nos olhos de Rin?
Ele tragou o último pedaço do pastel e sacudiu os miolos de seu colo, depois pegou a mão de Rin entre as suas.
— Minha lady, tenho algo para confessar.
— Sim?
Ele estudou seus olhos atentamente.
— Eu sei algo sobre... A Sombra.
Rin piscou uma vez, mas seu olhar fixo não revelou nada. Mas como seguiu contemplando-a em silêncio, o horror apareceu lentamente em seus olhos. Sua boca formou um "Oh" de surpresa, e Rin retirou sua mão.
Jesus, Sesshoumaru pensou, ele tinha razão. Rin era A Sombra. Estava escrito por todo o seu rosto.
— Você... Você... — Rin começou a dizer, sem fôlego.
Sesshoumaru mentalmente completou a frase por ela. Vai contar para minha família? Vai me entregar às autoridades? Vão me enforcar por meus crimes?
— Você... É a Sombra? — Rin sussurrou.
— Eu?
Seus olhos se abriram enormemente com medo quando assentiu com a cabeça.
— Eu?
Como Rin tinha conseguido reverter à situação tão depressa, Sesshoumaru não sabia, mas o absurdo de sua suposição o fez rir alto.
— Claro que não!
— Tem certeza?
— Eu não sou A Sombra, Rin.
Ela o olhou com olhos cautelosos.
— Então o que você tem para confessar?
Deus, ou ela estava verdadeiramente perplexa ou dissimulava brilhantemente. Sesshoumaru não podia dizer o que?
— Espere! — Rin disse de repente, colocando sua mão sobre seu antebraço. — Não me diga. Eu sei.
Sesshoumaru esperou. Talvez ela fosse revelar agora. Os criminosos freqüentemente se confessavam abertamente quando a perfídia deles era descoberta.
Rin timidamente baixou seus olhos.
— Você deseja confessar que em seu encontro recente com A Sombra, esteve tão perto da morte, que percebeu quão valiosa a vida é.
Sesshoumaru franziu o cenho. Do que falava essa moça? Não havia nada que ele desejasse confessar.
Rin se inclinou mais perto e o olhou timidamente.
— Você aprendeu que o que é precioso para um homem pode ser varrido... — ela suspirou. — Em um piscar de olhos.
Ele sorriu com inquietação. Onde Rin queria chegar com isso?
Ela lhe devolveu o sorriso, depois inclinou sua cabeça contra a dele e com um suspiro afetuoso.
— Eu sei isso, meu querido Sesshoumaru. Quer confessar que não poderia suportar a idéia de passar o resto de seus dias longe da mulher que ama.
Sesshoumaru quase se afogou de assombro. Ele ainda estava processando a surpresa quando Rin rodeou seus braços ao redor seu pescoço e lhe plantou um beijo delicado em sua boca.
E agora que merda se supunha que deveria fazer? Essa pequena diabinha estava o encurralando deliberadamente.
Não era que esse encurralamento o incomodasse. De fato, ele sentia seus braços maravilhosamente sobre ele, os lábios dela doces e quentes, seu suave, adorador olhar muito lisonjeiro.
Mas Rin o havia empurrado até um ponto de onde ele não podia se mover. Ela poderia ter usado meras palavras para fazer isso, mas Rin não era menos hábil que A Sombra quando se tratava de deixar um homem indefeso.
— Rin.
— Sesshoumaru? — Ela baixou seu olhar para sua boca e avidamente lambeu seus lábios.
Ele suspirou.
— Era exatamente isso o que eu desejava confessar.
Rin decidiu que deveria compartilhar a propensão de seu pai por jogar. Ela tinha corrido um grande risco, usando suas artimanhas femininas, apostando tudo para arrastar para longe do assunto A Sombra e o guiar para o tema do casamento.
Felizmente, a aposta tinha dado certo.
E quando Sesshoumaru selou suas palavras com um beijo profundo, a realidade de que ela tinha ganhado começou a penetrar em sua mente.
— Case-se comigo, minha lady. — Murmurou Sesshoumaru contra seus lábios.
Ela lhe lançou um sorriso malicioso.
— Vou ter que pensar sobre isso.
Ele arqueou uma sobrancelha ameaçadora.
— Pense rápido, se não eu poderei retirar minha oferta.
Antes que ela pudesse dar uma resposta, ele começou a colocar beijos por toda parte de seu rosto.
— Bem? — Ele disse entre beijos febris. — O que você me diz?
Tão intensa e devastador foi a sua agressão que ela mal podia respirar entre os seus beijos.
— Nenhuma palavra, moça? — Ele exigiu. — Vai me dizer que sim?
— -Sim! — Ela conseguiu gritar finalmente, rindo com prazer quando ele se aproximou de seu ouvido. O coração dela parecia dançar de alegria, e o corpo parecia mais leve que o ar. Finalmente, ele pausou o longo ataque o suficiente para apertar o rosto dela entre as mãos dele. A expressão dele era muito séria, mas o olhar dele era suave e devotado e como ele continuou fitando profundamente os olhos dela, a boca dele se alargou lentamente em um sorriso brilhante, completo com adoráveis covinhas.
Então, tão impulsivo como ela, Sesshoumaru a pegou pela mão, a colocou de pé, e a puxou.
— Venha.
— Aonde nós vamos?
— Acredito que lhe devo uma prenda de amor, minha lady.
Fazendo uma pausa apenas o tempo suficiente para pegar seu shang chi, Rin foi arrastada para as tendas dos artesãos e dos joalheiros.
Seu presente era uma aliança de casamento, um formoso anel de prata entrelaçado que o joalheiro disse que era "o nó dos amantes". Pareceu curiosamente estranho na mão dela, mas sabia o que esse anel em sua mão significava que pertencia a Sesshoumaru e que ele pertencia a ela.
É claro que Sesshoumaru não deixou que ela a usasse. Não agora. Em alguns dias eles estariam casados, ele lhe disse, e quando pronunciassem os votos matrimoniais diante das pessoas de Higurashi e do sacerdote, então ele lhe colocaria o anel no dedo e lhe prometeria seu amor eterno.
Rin podia esperar. Afinal de contas, uma vez que ele lhe colocasse o anel no dedo, uma vez que eles fossem marido e mulher diante Deus, ela sabia que já não poderia seguir lhe ocultando segredos.
***
O sorriso não se apagava do rosto de Sesshoumaru enquanto segurava a mão de Rin. O que acontecia entre os atores em cima do palco que estava diante dele, ele não sabia. Ele estava concentrado na encantadora donzela que estava sentada ao seu lado, que observava a interpretação artística com fascinação extasiada.
Tinha sido um dia surpreendente. Quinze dias atrás, ele nunca poderia ter imaginado que a missão de Lorde Morbroch lhe daria uma recompensa inestimável.
O fato que Rin o tivesse forçado a pedir sua mão lhe parecia de algum jeito apropriado. Ela era completamente imprevisível e impulsiva, tal como quando ela o havia agarrado naquele primeiro dia e lhe tinha imposto um beijo. O casamento com Rin seria uma interminável série de aventuras e surpresas, disso ele estava certo.
Também seria uma séria responsabilidade. Ele nunca havia sido responsável por outra pessoa. Sempre tinha levado uma vida solitária: dormia onde a noite o encontrava, comia o que podia encontrar ou caçar, vivia cada dia submetido ao capricho do vento. Não estava acostumado aos rigores da vida em um castelo, onde as pessoas respeitavam horários e seguiam estritos códigos de conduta.
Mas Sesshoumaru esperava ansioso pela disciplina. Talvez fosse o que ele faltava em sua vida: um sentido de propósito, um sentido de pertencer. Ele agora pertencia à encantadora donzela que lhe segurava a mão com uma confiança infantil. E tinha intenção de ser digno dessa confiança cega.
Seu coração se inchou com o imprudente desejo de agradar Rin. Queria ser a luz de seus olhos, para fazer seu mundo seguro e abençoado e brilhante. Será que isso que sentia era amor? Se fosse, ele poderia ver por que os homens faziam coisas doidas em nome do amor. No momento, ele com prazer faria qualquer coisa para trazer um sorriso ao rosto dela.
A primeira coisa que faria seria oferecer sua amizade a Kaede. Por razões que só ela sabia, a velha criada parecia detestá-lo. Geralmente esse tipo de coisas não lhe preocuparia. Ela era apenas uma criada, afinal. Mas a velha resmungona obviamente era muito querida por Rin. Era importante que Sesshoumaru aprendesse a sentir carinho por ela, embora ela nunca chegasse a apreciá-lo.
Segundo lugar, ele ia resolver suas dúvidas a respeito da Sombra de uma vez por todas. Ele precisava apanhar o bandido, descobrir sua identidade e completar sua missão.
E um dia, revelaria seus segredos para Rin. Mas por agora, será que ela se importaria muito que ele fosse um bastardo? Será que ela se importaria que fosse um mercenário e não sir Sesshoumaru de Morbroch, mas Sesshoumaru La Nuit? Será que se importaria em saber que ele tinha vindo a Higurashi, não para cortejá-la, mas para apanhar um bandido?
Não, Sesshoumaru decidiu. Tudo o que importava era que ele amava Rin, e que queria fazê-la sua esposa. O resto ele ia lhe dizer em breve.
Ele levantou a mão de Rin para seus lábios pela centésima vez. Ela riu bobamente por algo que os atores faziam, e ele virou sua atenção à cena.
Os dois rufiões estavam tendo algum tipo de falsa disputa que envolvia um peixe enorme, esbofeteando um ao outro com a coisa. Sesshoumaru pensou que o ato lhe parecia familiar. Sim, ele tinha visto o espetáculo desses homens antes e tinha compartilhado uma cerveja com eles. Tinha sido em Stirling. Ou talvez em Carlisle. Enquanto seguia observando o engraçado espetáculo, sorriu abertamente enquanto os atores se perseguiam, escapuliam, saltavam, se golpeavam e se chocavam em uma coreografia muito ensaiada. Então uma idéia brilhante começou a se formar em sua mente.
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Continua...
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