x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
-

-

-

Donzela Ardilosa

-

-

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Capítulo 22

A Noite engoliu a Sombra.

O pergaminho caiu das mãos trêmulas de Rin. Seu coração caiu. Uma mão ainda se agarrava a tampa do baú de madeira vazio, lentamente Rin caiu de joelhos.

Ainda não entendia completamente. Mas gradualmente, os pedaços desse quebra-cabeça começavam a se encaixar em seu lugar, como sinistras nuvens negras que formam redemoinhos em um presságio de uma tempestade. Com cada minuto que passava, essa tempestade parecia mais ameaçadora e mais perigosa.

Rin precisava descobrir o que exatamente tinha acontecido e agir antes que fosse tarde demais.

As palavras condenáveis do pergaminho a encaravam do chão do gabinete enquanto ela revia o que ela já sabia.

Kaede não podia ser encontrada. Ninguém a tinha visto durante todo o dia. Mas tampouco alguém a tinha visto sair do castelo.

Sesshoumaru tinha partido com os atores horas atrás e não havia retornado. Sir Nobu estava convencido que ele tinha viajado com eles com a esperança de encontrar A Sombra. Mas agora todos temiam que algum crime tivesse acontecido.

Kaede havia lhe advertido que Sesshoumaru não era quem ele afirmava dizer que era, e que ele tinha vindo a Higurashi, não por Rin, mas sim por motivações muito pessoais. Ele acreditava que Sesshoumaru havia conspirado com os atores para roubar Lorde Tourhu. Também havia dito a Rin que A Sombra seria muito insensata se decidisse perseguir e enfrentar esses qualificados lutadores.

E agora, enquanto Rin observava a arca vazia e seu coração martelava contra suas costelas, ela temeu que Kaede tivesse agido contra seu próprio conselho.

O disfarce da Sombra não estava na arca.

E Kaede estava desaparecida.

***

Rin supostamente deveria ter sabido que Kikyo Miyako nunca poderia ter mantido sua boca fechada sobre o tecido preto que havia a mandadoela buscar. De fato, algumas horas mais tarde, Kagome e Sango chegaram ao gabinete de Rin, exigindo respostas.

— Rin! — Kagome exigiu. — Que demônios está...

Sango ofegou.

— Mas que inferno!

As irmãs se congelaram quando Rin se virou para elas, vestida dos pés a cabeça de preto. Durante um segundo, ninguém disse nada. O único movimento no quarto era a chama flamejante da vela.

— Rin? — Kagome finalmente sussurrou.

A boca de Sango se curvou lentamente em um sorriso de admiração.

— Eu sabia! Você é A Sombra, não é mesmo? — Sango não podia ter parecido mais orgulhosa quando se dirigiu a Kagome. — Ela é A Sombra.

— Não me importa quem é ela. Não me importa quem você é. — Rugiu Kagome em termos inequívocos. — Você não vai deixar esta fortaleça esta noite, nem sequer pense nisso!

Rin franziu o cenho, claramente decepcionada pela reação delas. Suas irmãs não estavam absolutamente impressionadas com o fato de descobrir que sua irmã menor era A Sombra? Rin levantou seu queixo.

— Não estou pedindo a sua permissão.

Sango cruzou seus braços sobre seu peito.

— Ao menos espera até o amanhecer, Rin.

— Até lá pode ser muito tarde. — Rin colocou o par de luvas de couro pretas que Kikyo havia lhe trazido.

— Muito tarde para que? — Kagome perguntou, observando as armas sobre a mesa diante de Rin. — Por Deus! O que você está planejando fazer?

— Não é assunto seu.

Kagome estendeu uma mão para detê-la.

— Não me diga que minha irmã não é assunto meu.

Rin, movida pela culpa, assentiu. Afinal, Kagome e Sango só estavam preocupadas com ela.

— Vou recuperar as moedas de papai.

Era uma meia verdade, mas Kagome não foi enganada nem por um instante.

— Eu não me recordo que A Sombra alguma vez tenha necessitado semelhante quantidade de armas simplesmente para cortar a bolsa de moedas de um homem.

Um silêncio se seguiu até que Sango rompeu a tensão.

— Iremos com você. — decidiu ela.

— Não. — Rin disse. — Eu trabalho sozinha.

— Não desta vez. — disse-lhe Kagome.

— Eu sempre trabalho sozinha. — insistiu Rin. Ela murmurou entre dentes enquanto amarrava uma faixa sobre sua túnica. Já era muito ruim que elas permanecessem indiferentes a incrível revelação de que seu a pequena Rin era o ladrão esquivo de Higurashi, e ainda por cima agora se negavam a lhe dar o devido respeito ao notório bandido.

— Por Deus! Vocês não estão nem um pouco impressionadas pelo fato de que eu seja A Sombra? — Rin resmungou.

Kagome e Sango trocaram olhares. Então Kagome disse.

— Nós tivemos nossas suspeitas durante algum tempo.

— O modo em que A Sombra "casualmente" nos deixou comida na cabana do granjeiro. - Disse Sango, referindo-se à visita de Rin durante o rapto de Mirok.

— A explosão da catapulta. — Acrescentou Kagome, recordando a destruição que Rin tinha causado na máquina de guerra dos ingleses.

— Afinal — Sango disse com um sorriso ardiloso — O sangue de Higurashi corre em suas veias.

— Mas eu ainda não permitirei que você saia desta fortaleza. — lhe advertiu Kagome.

Rin arqueou uma sobrancelha.

— E como você vai me impedir?

Kagome a olhou fixamente enquanto acariciava o cabo de sua espada. Ela poderia estar um pouco pesada com a criança que levava no ventre, mas isso não lhe impedia de usar sua espada, e pelo visto não hesitaria em usá-la se Rin a desafiasse.

É claro, ela não teria a oportunidade. Rin não deixaria que isso acontecesse.

— Kagome, eu sou A Sombra. — Ela lhe recordou suavemente. — A Sombra?

Sango extraiu sua espada.

— Talvez. Mas há duas de nós.

Rin suspirou. A última coisa que queria fazer era brigar com suas próprias irmãs. Mas o tempo corria. E se teria que lhes demonstrar que era capaz de tomar suas próprias decisões, deveria fazê-lo agora e rapidamente.

Com um chute, Rin golpeou a mão de Helena, a despojando de sua espada. Em seguida, antes que a arma tocasse o chão, Rin se aproximou e pressionou dois dedos no vão da base da garganta de Sango.

Embora não causasse um verdadeiro dano, a manobra causou desconforto e a fez caminhar para trás. Sango cambaleou, tropeçando em um tamborete para aterrissar no chão sobre seu traseiro.

Até então, Kagome tinha sua espada no meio do caminho fora de sua bainha. Rin se virou, agarrando Kagome pelo braço que sustentava a espada e a frente de sua túnica. Com um giro de sua perna lhe dobrou os joelhos por trás, fazendo-a perder o equilíbrio e cuidadosamente a agarrou para baixá-la ao chão.

Quando Rin soltou Kagome, o silêncio de perplexidade no ambiente era tão denso que podia cortar-se.

— Alguma outra objeção? — Rin perguntou.

Ela olhou de uma irmã a outra. Agora elas pareciam impressionadas, seus olhos, muito abertos, e boquiabertas.

Sango era primeira a falar.

— Mas que inferno!

— Como você... O que você... — Kagome perguntou sobressaltada, apoiando-se sobre suas mãos. — Onde você aprendeu...

Rin não tinha tempo para lhes responder. O que tinha para dizer só as transtornaria ainda mais. Como poderia lhes explicar que tudo o que sabia tinha aprendido de sua criada? Elas ainda não haviam percebido que Kaede era homem.

— Mais tarde.

Rin começou a reunir as armas que tinha escolhido antes, sais, shan bay sow, woo diep do, e shuriken, e as colocava entre as dobras de suas roupas, enquanto Sango ficava de pé e estendia uma mão para Kagome

— Eu não sei quando estarei de volta. — Rin lhes disse. — Mas não tem que temer por mim. Sabem que não nasceu homem que possa superar A Sombra. — Depois acrescentou com um sorriso satisfeito. — Nem homem e nem mulher.

Sango e Kagome, ainda sobressaltadas, se despediram com abraços ferozes. Então Rin escapou através do túnel e no bosque, movendo pelas árvores com cautela silenciosa e se misturando na noite invisível como o vento.

— Ela é boa. — Sango afirmou quando Rin se foi.

— Sim.

— Quanta vantagem devemos dar a ela?

— Duas horas. Talvez três.

***

Uma vez que Sesshoumaru se recuperou do choque, quando finalmente aceitou o incrível fato que Kaede era A Sombra, ele percebeu que tinha um dilema do pior tipo nas mãos.

Ele tinha jurado pegar o bandido.

Também tinha jurado proteger Rin.

Nunca havia imaginado que aqueles dois objetivos entrariam em conflito.

Ele podia ver agora que Kaede tinha traído Higurashi, mas de forma mais significativa, ela havia traído Rin. A criada havia se insinuado à moça confiante, lhe oferecendo sua ajuda, encantando-a, subjugando-a com sua obediência exagerada, e havia usando essa confiança para ganhar acesso e conhecimento.

Então, como um cão de caça malcriado, ela tinha se virado contra Rin, enquanto mordia a mão que a cuidava.

Sesshoumaru caminhou impacientemente diante da criada com o cenho franzido, esfregando a parte detrás da nuca, imaginando o faria com ela. Ainda era muito difícil acreditar que uma senhora idosa, enrugada podia se mover com semelhante velocidade, agilidade e graça. Mas ele havia visto com seus próprios olhos. Ela tinha derrubado Hob-Nob e Wat-Wat no chão em um segundo.

Talvez ela estivesse realmente enfeitiçada. Talvez ela fosse mesmo uma cria do Diabo, como Wat-Wat havia dito. Ou talvez ela fosse à filha de um grande guerreiro de quem tinha herdado seus talentos. Independentemente do que fosse, claramente Kaede era uma ameaça.

E agora, com sua identidade descoberta, ela inclusive seria uma ameaça até maior. Ela não poderia voltar para sua vida confortável em Higurashi. E se ela não tinha nenhum lugar onde viver e nenhum modo de se sustentar, ela poderia se ficar mais e mais desesperada.

Sesshoumaru tinha conhecido centenas de bandidos, homens que algum dia haviam sido pessoas decentes, mas que tinham recorrido ao roubo e até ao assassinato por necessidade.

Sesshoumaru não podia simplesmente deixá-la partir. Kaede podia não ter matado ninguém ainda, mas certamente ela tinha as habilidades para cometer um assassinato. Quando as circunstâncias fossem extremas, Kaede recorreria à violência. E então ninguém, nem os viajantes, nem as pessoas de Higurashi, nem sequer Rin poderiam estar protegidos de seus talentos letais.

Não tinha nenhuma outra escolha, a não ser entregá-la para Morbroch. Não se atrevia a voltar primeiro para Higurashi, pois certamente Rin choraria e lhe pediria que deixasse em liberdade à velha criada. Rin nunca entenderia o perigo. E ela nunca o perdoaria.

— Você não percebe o que fez? — Ele gritou com frustração. — A posição em que você me colocou? Velha maldita!

Kaede lhe respondeu com um sorriso inescrutável.

— Para um mercenário contratado, você é incrivelmente cego.

Sesshoumaru ficou rígido. Como a criada sabia que ele era um mercenário contratado?

— Ah, sim. — Disse Kaede. — Eu sei quem você é, Sesshoumaru La Nuit.

Sesshoumaru apertou sua mandíbula. Kaede o havia reconhecido? Se ela sabia seu nome, sabia que era um mercenário, e sabia de sua reputação, o havia contado a Rin?

— Eu sei por que você veio. — Prosseguiu Kaede. Então sua boca enrugada se torceu em um sorriso satisfeito. — Mas você ainda não sabe quem eu sou eu.

Sesshoumaru já tinha suportado bastante de seu atrevimento. Ele se plantou debaixo do nariz da velha.

— Eu somente sei que você é minha cativa, velha.

— Não sou uma velha.

— O que?

— Eu não sou nenhuma velha. — Kaede seguiu contemplando-o com um sorriso satisfeito.

Sesshoumaru franziu o cenho com incredulidade. Certamente a criada estava mentindo.

— Não. — Ele sussurrou, estudando o rosto enrugado de Kaede.

— Sim.

A possibilidade de que Kaede em efeito pudesse ser um homem, e que, sem o conhecimento de Rin, a empregada que havia compartilhado o dormitório dela todos estes anos, enquanto a ajudava a se vestir, enquanto a aconchegava a noite, na verdade era um homem, inflamava a raiva de Sesshoumaru mais rapidamente que fogo em erva seca.

Ele agarrou a frente da roupa de Kaede e fez que a criada ficasse de pé com um puxão. Depois, com outro puxão violento, rasgou-lhe a parte superior da roupa preta, expondo sua carne pálida.

Náuseas e raiva passaram por sua garganta, fazendo seus braços tremeram quando ele viu o peito plano de Kaede.

Era verdade então. Esse degenerado era um bandido da pior índole. E Rin, inocente e confiante, tinha sido sua vítima. Esse verme miserável a tinha enganado. E tinha enganado a todos.

As mãos de Sesshoumaru tremeram com o impulso de puxar sua adaga e transformar Kaede em mulher de uma vez por todas. Mas Sesshoumaru resistiu à forte tentação.

Em vez disso, ele empurrou Kaede ao longo do caminho, extraindo sua espada para cutucar a velho.

Não havia dúvidas agora. Ele levaria esse devasso diretamente para Morbroch e deixaria que os Lordes fizessem com ele o que desejasse. Na mente de Sesshoumaru, a forca não era suficiente castigo para os delitos que A Sombra havia cometido contra sua amada Rin.

***

A feira era um lugar misterioso à noite. As barracas, com suas cores brilhantes, todas silenciosas, pareciam figuras fantasmagóricas.

Uma brisa suave se agitou, enquanto fazia uma música estranha com as panelas de ferro e farfalhando os véus de seda, agitando contas de cristal e agitando paredes de lona. Mas o som serviu bem a Rin, para que ela pudesse deslizar despercebida ao longo das veredas e entre os pavilhões.

Os atores eram fáceis de encontrar. Eles dormiam atrás da plataforma que servia de palco. Mas não havia nenhum sinal de Sesshoumaru ou de Kaede.

Tão silenciosa como a morte, Rin entrou por detrás deles, extraiu seu shan bay sow, e a pressionou contra cada uma de suas gargantas.

— Shhh! — Ela sussurrou.

Eles despertaram sobressaltados.

— Não se movam! — Ela murmurou. — E não façam ruído. Dêem-me o que eu quero, e não lhes farei mal.

Wat-Wat sussurrou.

— As moedas estão em minha bolsa.

Hob-Nob replicou.

— Não lhe conte onde estão as moedas.

— Sou o único ameaçado com uma espada em minha garganta?

— Ela disse que não nos machucaria.

— Shh! — Rin lhes ordenou. Esperava que ninguém tivesse ouvido os atores tagarelas. — Não estou interessado em suas moedas. Quero informação. Onde está Sesshoumaru de Morbroch?

— Quem?

— Sesshoumaru de Morbroch. — Disse ela. — O homem que deixou Higurashi com vocês esta manhã.

— Ela fala de Sesshoumaru La Nuit.

— Você disse Sesshoumaru La Nuit?

Rin franziu o cenho. Por que essas palavras lhe soavam familiares?

— Ele disse que seu nome era esse?

— Sim. Sesshoumaru La Nuit, o mercenário.

A memória de Rin foi sacudida de repente. Sesshoumaru La Nuit realmente era um mercenário, um famoso caçador de criminosos e bandidos, um homem que as pessoas da nobreza pouco escrupulosa às vezes contratavam para missões não muito morais. Mas certamente Sesshoumaru, seu Sesshoumaru, não era esse homem.

— Onde está ele?

Eles hesitaram, e ela os cravou com a ponta das lâminas.

— Se foi. — Ambos responderam.

— Para onde?

— Ele não nos disse.

— Só pegou o ladrão e...

— O que? — Ela perguntou com um sobressalto em seu coração. — Que ladrão?

— A Sombra.

— Não, O Sombra.

— Não, não, estou certo de e A Sombra.

— O Sombra soa melhor.

— Não importa se soa melhor. Se eu fosse um ladrão, eu não me chamaria A Sombra. — O coração de Rin batia ferozmente com a briga, e alguns pensamentos sombrios começaram a rolar em sua cabeça, derrubando-a como um furacão mortal.

Se Sesshoumaru de Morbroch fosse Sesshoumaru La Nuit, o mercenário...

Se ele tinha capturado A Sombra, ou a quem ele acreditava que era A Sombra...

Jesus!

Sesshoumaru La Nuit. LA Nuit. A Noite.

A Noite engoliu A Sombra.

Rin não podia respirar.

Sesshoumaru a tinha enganado.

Kaede havia se sacrificado.

E Rin tinha sido uma idiota.

Os atores ainda discutiam quando ela se escapou para o bosque.

Para um tempo longo ela caminhou inexpressivamente ao longo do caminho, sem ter certeza para onde ia muito aturdida para fazer algo mais que mover um pé diante do outro.

Como podia ter estado tão cega?

Como não havia percebido que Sesshoumaru era um canalha?

Ele não tinha vindo para Higurashi para aderir às forças de Taysho. Ele tinha vindo para ganhar uma recompensa por capturar A Sombra.

Seu peito se sentia oprimido como se estivesse sendo esmagado entre as rodas da moenda de um moinho, apertando seu coração e fazendo quase impossível ela respirar. Nem sequer seus soluços podiam escapar da prisão de seu peito, entretanto a garganta dela constringiu o desejo para chorar e os olhos dela arderam com lágrimas não derramadas.

Amaldiçoou a enganosa língua dele. Ela tinha confiado seu coração a ele. Ela tinha se comprometido com ele em casamento.

Por Deus! Até havia se deitado com o desgraçado.

E agora estava pagando pela loucura que tinha vivido.

Mas era pior, Kaede estava pagando por isso.

De algum jeito, Rin conseguiu se manter em movimento. Eventualmente, talvez por instinto talvez pelo destino, ela encontrou o caminho para Morbroch. Sesshoumaru La Nuit podia não ser um cavaleiro, mas ele provavelmente tinha emprestado seus serviços ao Lorde de Morbroch. Era lá, sem dúvida, que Sesshoumaru cobraria sua recompensa.

Enquanto ela caminhava passando pelos enluarados pinheiros e os esqueletos dos carvalhos desfolhados, a ferida da traição se inflamou dentro do seu peito, enquanto coalhando como nata, formando um nó duro de raiva. Toda sua energia, ela focalizou em um único propósito. Todos seus pensamentos centraram na vingança. Com cada respiração Rin exalava o pouco do que restava de piedade. Com cada grama de sua vontade, Rin desejou vê-lo morto.

Rin nunca tinha matado um homem.

Mas sabia como fazê-lo. Kaede havia lhe ensinado como terminar com a vida de um homem em um instante e também como prolongar a agonia de sua morte. Ele também havia lhe ensinado que era um ato de covardia matar quando não era necessário.

Mas pela primeira vez em sua vida, Rin sentiu que não só era necessário, mas também o desejava. Tão desprezível quanto poderia ser até Kaede se enfureceria com sua sede sanguinária dela por vingança, e quando Rin imaginou enterrar sua lâmina afiada no coração mentiroso de Sesshoumaru ou cortar sua garganta, uma onda de satisfação perversa lhe serviu como bálsamo temporário para sua alma ferida.

Foi sua fome de vingança que a manteve acordada durante toda a noite, e que a manteve caminhando resolutamente para Morbroch.

Na verdade, Rin dormiu e comeu muito pouco ao longo dos próximos dias, talvez pelo medo de perder sua chance de salvar Kaede, e talvez o mais importante, de perder a oportunidade de matar Sesshoumaru La Nuit.

Ao crepúsculo do terceiro dia, ela se arrastou sobre um montículo que fazia parte de um círculo de pequenas colinas que rodeiam o Castelo de Morbroch.

Agora que sabia que Sesshoumaru estava ao alcance de sua mão, agora que sabia que conseguiria a vingança que procurava, Rin se sentiu invadida pelo esgotamento acumulado. Sua mente encontrou um novo foco, e quando olhou fixamente o castelo de pedra, começou a formular um plano.

Esperaria até o anoitecer. Afinal, a noite era o domínio das sombras.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Continua...

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x