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Donzela Ardilosa
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Capítulo 24
Sesshoumaru ficou congelado. Era como se tivesse sido golpeado no estômago por uma pedra lançada por uma catapulta. Não podia mover-se. Não podia respirar.
Não. Não era possível.
Kaede era A Sombra, não...
Rin.
No entanto não podia negar que era sua amada Rin quem estava de pé diante dele. Não havia modo de confundir esses brilhantes olhos castanhos, suas narinas respiravam agitadamente, seus lábios tremiam.
— O que...? Como...?
Rin aproveitou a confusão de Sesshoumaru, liberando-se de seu aperto e lhe cravando os dedos abaixo das costelas, em seguida bateu em retirada precipitadamente.
Enquanto ele se levantava com a mandíbula boquiaberta, expressando sua dor, Rin se chocou contra a cama, pulando para trás desta, quase caindo, se sentando no chão.
Como podia ser? Como Rin podia ser A Sombra? Onde tinha aprendido a lutar assim? E por que, diabos, ela lutava contra ele?
Como ele ficou ali de pé, olhando fixamente o lado oposto da cama, onde ela indubitavelmente estava escondida agachada, esperando para atacar, Sesshoumaru começou a tremer ao tomar contato com a realidade do que tinha feito.
Jesus, ele havia tentado matá-la.
Ele havia cortado sua barriga, machucado os nódulos dos seus dedos, quase havia lhe arrancado a cabeça. Essa idéia lhe deixou um gosto amargo na garganta.
Sesshoumaru olhou sua espada, sua extremidade estava manchada com sangue dela, e de repente a arma lhe pareceu uma serpente vil e incandescente. Deixou-a cair, e esta ressonou pesadamente no chão.
Com uma voz trêmula, ele sussurrou na escuridão.
— Rin.
Não houve nenhuma resposta, só um silêncio, impossível de decifrar. Ela se rendia ou o espreitava?
— Rin. — Ele ofegou, dando um passo para a cama. — Saia. Não te machucarei.
Mas ela ainda não respondeu.
Ele deu outro passo.
— Estou desarmado. Venha até mim, Rin.
Ela ficou em silêncio por tanto tempo, que Sesshoumaru temeu que ela pudesse ter se ferido, enquanto caia no outro lado da cama. Ou talvez a espada dele a havia cortado mais profundamente do que ele supunha. Essa possibilidade o debilitou.
— Rin. — Ele suspirou, lentamente caminhando ao redor da ponta da cama.
Em pouco tempo ele notou que Rin havia desaparecido por debaixo da cama, mas quando sentiu uma ardência incrivelmente aguda atrás de seu tornozelo, como se um incontrolável cachorro estivesse mordendo seu tornozelo.
Sesshoumaru cambaleou para descobrir uma daquelas estrelas diabólicas grudada atrás de sua perna. Quando se acocorou para tirá-la, o seu pulso saiu voando por debaixo da cama, descendo sobre sua mão. O golpe apertou sua mão no ponto mais afiado da estrela cravada, e ele gemeu em agonia.
Doente com a realidade de que sua adorável Rin tivesse feito isso, que ela tivesse lhe causado intencionalmente essa dor insuportável, Sesshoumaru rastejou lentamente para um canto para extrair essa miserável estrela da carne. Um jorro de sangue emanou sobre sua mão.
Capaz de ver todo o quarto de sua posição privilegiada, ele teve um momento para rasgar um pedaço de tecido de sua camisa e enfaixar a ferida sangrenta. Enquanto ele envolvia o tecido em torno de sua mão, ele viu o braço de Rin se estendendo sigilosamente por debaixo da cama para alcançar sua espada.
Deveria ter se jogado para frente, recuperar a arma, colocá-la sobre sua garganta, forçando sua rendição. Então ele poderia fazer que ela o escutasse. E poderia descobrir a razão de ela tentar matá-lo.
Mas Sesshoumaru não teve nem coração nem vontade para fazer isso. Ele estava ferido por dentro e por fora, pelas feridas do ódio dela.
Em vez disso, ele deixou que ela pegasse sua espada enquanto ele ajustava sua improvisada atadura com os dentes, em seguida ele observou como ela saltou agilmente sobre seus pés, sustentando a arma com as duas mãos.
— Rin?
Mas ela não falava. E tampouco, ele suspeitou, escutava. Havia muita cólera, muito medo, muito desespero em seus olhos. Rin estava além da razão.
Quando ele se levantar para ficar em frente a ela, ela avançou sobre ele, perto o bastante para fazê-lo vacilar. Quando ela fez um novo movimento, ele se abaixou por debaixo da lâmina e a derrubou com seu corpo, enquanto a fazia rolar em cima dele sobre o chão. O pensamento de infligir algum dano a ela era desagradável, mas ele tinha que fazer o que era necessário para sobreviver.
Mesmo deitada de costas no chão, ela tinha defesas notáveis. Ela dirigiu seu joelho para cima, cravando-o em seu queixo. Quando Sesshoumaru cambaleou para trás, Rin dirigiu seu punho para seu estômago, lhe tirando a respiração.
Quando ela começou a tomar sua espada outra vez, com a intenção de decapitá-lo, Sesshoumaru não teve outra escolha, a não ser golpear seu antebraço com muita força, a fazendoela derrubar a espada. Mesmo assim, ele estremeceu quando os ossos dela receberam seu golpe.
— Renda-se. — Ele ofegou, esperando que ela se rendesse então.
Mas Rin parecia determinada a matá-lo, com ou sem espada.
Ela se deslizou por debaixo da cama, e Sesshoumaru tomou a espada caída, lutando para ficar de pé. Alguém tinha que acabar com toda essa loucura. Não queria machucar Rin, mas tampouco queria morrer.
***
Rin tremeu debaixo da cama, massageando seu antebraço machucado. Isso não estava saindo bem absolutamente.
O que tinha começado como um simples assassinato agora era um combate mortal. Agora tinha que matar ou ser morta. E a menos que ela pudesse recuperá-las de algum jeito, ela tinha esgotado o fornecimento de suas armas.
— Rin, saia daí. — A voz de Sesshoumaru era esguiniçada.
Ela esticou sua mandíbula. É claro que ele queria que ela saísse. Ela era um alvo melhor quando não estivesse agachada debaixo da cama.
Rin olhou a silhueta de sua bota quando ele passou uma vez, duas vezes, como um gato agitado que permanece de guarda em frente à toca do rato. Depois, Sesshoumaru recuou, e ela ouviu o rangido de um tamborete.
— Estou sentado. — Ele disse para ela. — Minha espada está sobre o chão, bem na minha frente. Só quero falar, Rin.
Ela não confiou nele nem por um instante. Conversar? Tudo o que ele havia lhe dito desde o começo eram mentiras, desde "meu nome é sir Sesshoumaru de Morbroch" até "Eu te Amo".
Ela já não acreditava em nada que ele dizia inclusive o "não te machucarei".
Sesshoumaru tinha intenção de matar A Sombra. Pela recompensa.
Rin franziu o cenho, enquanto se fechava para essas lembranças dolorosas, e concentrando-se no dilema que tinha em mãos.
Não tinha armas.
Sesshoumaru sabia exatamente onde ela estava.
Sua espada poderia estar no chão, mas se ela saísse, ele poderia agarrá-la em um instante e transpassá-la no seguinte.
O que ela poderia ela fazer?
Kaede havia lhe ensinado que a arma mais letal era a mente. Até mesmo o oponente mais poderoso, mais experto e mais perito podia ser logrado. Rin se perguntou se poderia lograr Sesshoumaru La Nuit.
O que mobilizaria seus instintos assassinos? O que o deixaria de joelhos? O que lhe faria esquecer-se de matar A Sombra? O que o deixaria mais vulnerável?
Rin estreitou seus olhos. É claro.
Ela começou a fungar ruidosamente, só o bastante para fazê-lo se inclinar no tamborete. Então ela progrediu para pequenos soluços, amortecidos por suas mãos contra sua boca.
— Rin?
Rin sorriu perversamente. Ele era como um coelho, enquanto cheirava a armadilha. Havia algo em uma mulher soluçando que poderia reduzir um homem mais insensível em um pudim.
Rin chorou com mais força, mais pateticamente, e ouviu Sesshoumaru se levantando do tamborete.
— Rin, você está bem?
Com um último gemido, longo e comovente, ela retirou suas pernas e viu quando ele se agachou para olhar por debaixo da cama.
— Rin, não chore. Não vou a...
Rin cortou as palavras dele com um chute em seu rosto. Então, antes que ela pudesse ver os resultados de seu ato de violência, ela rolou para fora da cama e ficou de pé.
Procurando uma arma, qualquer arma, ela encontrou um jarro de louça e o quebrou contra a borda da mesa, fazendo fragmentos afiados da borda. Armada novamente, ela se virou para Sesshoumaru.
Sesshoumaru estava em silêncio no chão. Seu rosto estava sangrando. Seu corpo estendido, não se movia.
O único som no dormitório era sua agitada respiração, entretanto parecia o coração dela batia como um tambor quando ela se levantou preparada com o jarro quebrado.
Gradualmente, Rin abaixou o jarro. Ela o havia chutado com tanta força? Sesshoumaru estava inconsciente? Estava morto? Essa possibilidade, tão desejável havia sido um momento atrás, a horrorizava agora afundava em suas entranhas como uma bola de chumbo.
Santo Deus. O que ela havia feito? Ela havia matado a um homem? Ela havia matado... Seu noivo?
Ela deu um passo cauteloso para mais perto. O sangue fresco brilhava sobre seu lábio. Sua mandíbula estava inclinada para um lado. E nada indicava que Sesshoumaru estivesse vivo. Não movia as pestanas. O peito não se movia. Não havia pulso visível em sua garganta. Nenhum sussurro de respiração saía de seus lábios.
Rin tragou em seco e caminhou para mais perto.
Jesus amado, ela o havia matado?
Parecia-lhe impossível. Embora essa tivesse sido sua intenção. Era por isso que ela havia entrado no dormitório dele, para procurar o homem que havia lhe mentido, que a tinha enganado, e entregado seu querido xiansheng para ser executado, e tudo por dinheiro. Tinha pensado em matá-lo.
E agora parecia que o havia feito.
Deveria se sentir vitoriosa. Mas tremia sob o peso de sua alma perdida pesando sobre seus ombros e lágrimas inesperadas encheram seus olhos.
Deus a ajudasse, ela o havia adorado. Por mais tolo que isso parecesse, ela o tinha feito. E agora tinha matado o único homem que alguma vez havia amado.
Tragando o nó em sua garganta, Rin se obrigou a esquecer o que tinha feito, endureceu-se para se proteger do que viria.
Kaede estaria decepcionado. Não lhe importaria que ela tivesse feito isso por seu xiansheng, que tinha pensado em salvar a vida de Kaede. Ele nunca a perdoaria por tomar vingança em seu nome.
A vingança é a arma de um tolo, ele sempre dizia uma arma nascida não da razão, mas sim da paixão.
Rin não podia lhe dizer que tinha feito isso em nome da paixão. Não no princípio. De algum jeito, encontraria um modo de tirá-lo do calabouço e de se assegurar que eles estivessem muito longe de Morbroch antes de confessar que tinha matado seu captor.
Tomando uma respiração profunda e secando uma lágrima solitária em sua bochecha, Rin avançou para mais perto, inclinando-se para se assegurar que Sesshoumaru estava morto.
***
Sesshoumaru esperou em agonia, resistindo à necessidade de respirar, resistindo à necessidade de tocar seu rosto machucado, resistindo o instinto de curvar seu corpo protetoramente enquanto seu atacante se aproximava.
Tinha sido um tolo. Ela o tinha feito cair em sua armadilha, fingindo lágrimas, só para enganá-lo. Mas dois podiam jogar esse jogo.
Ele supôs que merecia um nariz sangrando por ter caído vítima de um truque tão óbvio, mas o amor o havia cegado. Tinha cometido o engano de acreditar que Rin reagia como uma mulher quando na realidade ela agia como uma guerreira. Não deixaria que isso acontecesse novamente.
No momento em que sentiu Rin se aproximar, em que sentiu seu hálito sobre sua bochecha, Sesshoumaru entrou em ação. Cercando os tornozelos dela com seus braços, ele puxou os pés dela, fazendo-a desmoronar contra o pé da cama. Então ele lutou para ficar de cócoras, enquanto esguichava sangue do seu corte. Levantando sua mão para localizar sua espada. Mas da mesma maneira que seus dedos descobriram a lâmina, ela bateu algo contra a lateral de sua cabeça e ele se moveu lateralmente pelo impacto.
Piscando por trás de nuvens negras que queriam nublar sua visão, ele a agarrou pela garganta com uma mão e encontrou sua espada com a outra.
Rin lançava socos e pontapés enquanto ele a levantava por um braço, quase a estrangulando com seu aperto. Mas com todos os outros danos ela lhe havia oferecido, ele sentia que a golpeava escassamente.
Lançou-a sobre a cama, e ela imediatamente escapou para trás até que ficou contra a parede. Com um grunhido de raiva e frustração, ele empurrou sua arma contra sua garganta, imobilizando-a com a ponta da espada.
Durante muito tempo eles só contemplaram um ao outro, seus olhos lançando fogo, suas respirações ofegando na noite quieta, nenhum dos dois desistia, nem um dos dois piscava.
Não havia medo em seu olhar fixo, só ódio e sede de sangue.
Sesshoumaru sabia agora por que Rin o queria ver morto. Ela tinha descoberto quem ele era. Tinha descoberto suas mentiras, seus falsos pretextos, seu grande engano. Ela havia acreditado nele, e ele a tinha enganado E não havia nada mais perigoso no mundo que uma mulher traída.
Era sua culpa. Ele não podia culpar a ela. Tinha sido um tolo por ter acreditado que quando ela descobrisse a verdade sobre ele, quando descobrisse que ele não era sir Sesshoumaru de Morbroch, mas Sesshoumaru La Nuit, um mercenário bastardo, que tinha ido a Higurashi, não por Rin, mas para apanhar A Sombra, de algum jeito, o amor derrotaria todas essas decepções.
Mas Sesshoumaru poderia ver pelo brilho em seus olhos que Rin já não o amava. Ela o desprezava. O suficiente para querer vê-lo morto. E se ele não a matasse nesse momento, ela certamente o mataria na primeira oportunidade que tivesse. Inferno! Ela havia acreditado instantes atrás, que o tinha matado.
Ele tinha estado em tal situação difícil antes. Homens com quem ele não tinha tido nenhuma desavença às vezes ele fora forçado a matar, por que senão eles o caçariam e lhe entregariam nas mãos da morte.
Mas nunca tinha matado uma mulher. Nunca tinha matado ninguém que não merecesse. Por Deus! Nunca tinha matado ninguém que amasse.
E não pensava que pudesse fazê-lo agora.
Não importava que seu corpo estivesse coberto por navalhadas feitas com as armas de Rin. Não importava que as costas lhe doessem e que mão sangrasse e que seu nariz estivesse como se fosse nada mais que uma massa de lascas. Não importava que ela houvesse se virado para ele como um cão de caça, rosnando e mordendo a mão que tinha oferecido carícias amorosas uma vez.
Nem sequer se importava se no momento ele deixasse cair sua espada, e ela a pegaria para o matar.
Contemplando os olhos flamejantes de Rin, Sesshoumaru se lembrou que eles o haviam olhado com amor. Em sua companhia, ele tinha conhecido o prazer. Em seus braços, ele tinha conhecido o afeto. Em sua cama, ele tinha conhecido a aceitação.
Não podia destruir essas recordações, até mesmo se recordações fosse tudo que ele teria, com um golpe da sua lâmina.
Embora ele segurasse seu próprio encurralado, sua misericórdia, um murmúrio distante da morte, seus dedos tremeram sobre o cabo da espada.
— Não. — Ele sussurrou. — Não posso. — Ele abaixou sua espada, então com cuidado a colocou entre eles sobre a cama.
Como ele havia previsto, ela imediatamente se aproveitou de sua fraqueza. Ela agarrou a espada com ambas as mãos e a virou contra ele.
Sesshoumaru abaixou seus olhos, querendo recordar que alguma vez tinha visto adoração em seu olhar, incapaz de enfrentar o gozo sanguinário que indubitavelmente agora se refletia em seus olhos castanhos. Sesshoumaru não ofereceu nenhuma resistência quando ela cravou sua garganta com a ponta da espada. Isso não lhe doeu mais que o ódio dela.
Mas quando o momento se prolongou, quando o silêncio se alargou, e ela nada fez, mantendo-o em uma incerteza atormentadora, a melancolia dele se transformou lentamente em raiva.
Essa moça maldita não tinha nem um resto de bondade em seu coração para lhe conceder uma morte rápida e misericordiosa?
— Termina com isto de uma vez! — Ele grunhiu.
A ponta da espada se sacudiu contra sua garganta.
— Não me dê ordens!
— Se vai me matar, me mate agora!
— Não vou ser... Apressada.
Ele não estava disposto a se submeter para reduzir a velocidade da tortura para dar prazer a ela. Enviaria sua alma ao diabo laçando-se primeiro contra a espada.
— O que você quer? — Ele grunhiu.
Ela hesitou.
Ele respirou pelo nariz uma vez e a dor fez seus olhos se umedecerem.
— Mas que inferno, Rin! O que você quer?
— Eu... Quero saber o que você fez a Kaede. — Ela levantou a espada sob seu queixo. — E por uma vez, quero ver se pode falar sem mentiras.
— Mentiras? — Ele soltou uma risada sem graça. — É estranho que você fale de mentiras. — Disse ele, levantando seus olhos para cravar seu olhar fixo nela. — Lady Sombra.
Uma faísca de culpa cruzou por seus olhos como um relâmpago, esteve lá por um instante, e desapareceu no seguinte e a ponta da espada saltou para dentro da mão assustada dela, a cortando.
Ela levantou seu queixo com falsa prepotência, mas ela baixou seus olhos. Sua voz tremeu, e Sesshoumaru quase se compadeceu dela. Quase.
— O que você fez a ele?
Sesshoumaru piscou. Ele? Rin sabia que sua criada era um homem? Esse era outro de seus enganos?
— Quem?
— Kaede! — Ela disse com impaciência.
— Kaede? — Ele franziu o cenho. — Kaede? — Então ele ficou indignado por que Rin sabia desde o princípio, ele tinha se preocupado por ela por nada, em sua veemência, ele quase se apunhalou na lâmina. — Você quer dizer sua criada?
Ele poderia assegurar que Rin se ruborizava, mesmo que ele não pudesse ver o tom rosado de suas bochechas.
— Você não entenderia. — Disse ela sem convicção.
— Sim. — Ele replicou, sua raiva completamente engajado agora. — Eu não entenderia como uma donzela inocente dorme de boa vontade com um velho disfarçado de mulher!
— Nunca dormi com ele!
Sesshoumaru não se incomodou em cuidar suas palavras, grunhindo grosseiramente.
— Sem dúvida vocês estavam muito "ocupados" para dormir.
Sesshoumaru não teria se surpreendido se ela o tivesse transpassado com a espada nesse instante, mas ela a retirou e o esbofeteou com a mão aberta.
Ele gemeu quando o golpe atingiu seu rosto ferido, perguntando-se se cravar-se na espada poderia ser menos doloroso.
A voz dela foi um sussurro áspero.
— Você sabe bem que não foi assim, filho de...
— Sim. — Sesshoumaru já lamentava suas palavras apressadas. Afinal de contas, ela havia chegado a ele sendo virgem. — Eu sei. — Sesshoumaru esfregou seu lábio que sangrava com o dorso de sua mão. — A menos que você tenha me mentido sobre isto também.
Ela suspirou e levantou sua mão para esbofeteá-lo outra vez. Dessa vez Sesshoumaru lhe agarrou a mão.
— Escuta, minha lady — ele a advertiu — Eu já tive o suficiente de seus golpes e o suficiente de suas mentiras.
— Minhas mentiras? E quanto a suas mentiras? — Ela replicou com ironia. – E quanto ao "Sou sir Sesshoumaru de Morbroch", e quanto ao "vim cortejar Rin". E quanto ao "Fui golpeado no torneio...", e quanto ao "Rin te amo"... — Ela se sufocou com as palavras.
Sesshoumaru estreitou seus olhos.
— Isso não era uma mentira, Rin. Eu juro. — Ela tentou puxar sua mão do aperto da mão dela, mas ele não a deixou ir. — Eu juro. Eu te amei. — Sesshoumaru tragou em seco, vendo a dor em seus olhos, agora se manifestando com lágrimas de verdade. — Deus me ajude, ainda te amo.
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Continua...
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