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Donzela Ardilosa
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Capítulo 25
A garganta de Rin se dilatou. Ela tentou de tudo para deter as lágrimas.
Ela franziu o cenho ferozmente.
Ela endureceu sua mandíbula.
Ela apertou o punho ao redor do cabo da espada.
Utilizando as habilidades de concentração que Kaede havia lhe ensinado, ela repetiu várias vezes em sua mente que as palavras de Sesshoumaru eram apenas para manipulá-la. Manipulação. Manipulação.
Mas seu queixo começou a tremer, sua mão se afrouxou ao redor do cabo da lâmina, e contra sua vontade, algumas lágrimas quentes começaram a transbordar de suas pestanas.
— Por que eu deveria acreditar em você? — Ela sussurrou.
— Olhe para mim. — Murmurou ele em resposta. — Olhe em meus olhos.
Contra seu melhor julgamento, ela o fez. Isso a obrigou a ver o desastre tinha feito no rosto de Sesshoumaru, a evidências da violência da qual ela era capaz, mas ela se forçou a encontrar seu olhar.
— É verdade que te enganei sobre muitas coisas. — disse ele. — Meu nome. Meu título. O torneio. Meu objetivo para ir a Higurashi. Minha habilidade com o manejo de uma espada. — Seu olhar ficou feroz com a emoção. — Mas nunca enganei você sobre isto. Eu te amo, Rin, com todo meu coração. O que fiz, fiz para te proteger. Pensei que Kaede era uma verdadeira ameaça. — Sua mandíbula se esticou. — Eu sabia que se salvasse sua vida, você nunca voltaria a me receber. Mas não podia te abandonar em uma situação de perigo.
Ela afastou o olhar. Ele a tomava por tola novamente? Como poderia confiar em seu olhar quando ela, também, era capaz de fingir emoções que não sentia?
Como se ele lesse seus pensamentos, seus dedos afrouxaram seu aperto ao redor de sua mão, ao mesmo tempo em que se dava conta de algo espantoso.
— Meu Deus! Você nunca me amou?
Rin fez uma pausa. A admissão de seu amor a deixaria vulnerável à traição novamente.
Sesshoumaru interpretou sua longa hesitação como uma afirmação.
— Estou vendo. — Com rudeza ele soltou sua mão. — Então é melhor mentirosa que eu, minha lady.
Rin franziu o cenho. Não podia o deixarele acreditar nisso. Sim, ela tinha um talento para enganar e mentir, mas não nesse assunto. Ela o tinha amado. Verdadeiramente.
Ante sua falta de resposta, Sesshoumaru murmurou tristemente.
— Kaede está no calabouço. Não o machuquei. — Com um sorriso pesaroso, ele acrescentou. — Pode ser um mestre das artes marciais chinesas, mas segue sendo um pequeno velho.
Rin sentiu uma lágrima rolar por sua bochecha, e antes que pudesse se deter, ela disse.
— Eu te amei. — Depois, mortificada por sua confissão imprudente, ela acrescentou. — Antes.
Ele a contemplou, oscilando entre a convicção e a descrença.
— É verdade?
Por Deus! Como ela havia chegado a isto? Como ela havia se convertido em um escravo de suas emoções? Isso não era nada do que Kaede havia lhe ensinado. Seu mestre havia lhe ensinado a ser forte, indiferente, resolvida, enfocada, uma guerreira perfeita.
Nesse momento, Rin não era nada disso. Suas energias estavam espalhadas em um redemoinho, seus pensamentos corriam desenfreados, e seu chi...
Ela se sentia tão desajeitada, tinha perdido todo seu equilíbrio, e temia que nunca voltaria a se centrar novamente.
Bruscamente ela secou uma lágrima e apertou o cabo da espada, determinada a equilibrar-se.
O que faria Kaede nesta situação? Como ela ansiava pela sabedoria dele nesse momento.
— Por favor, não me atormente com a espera, minha lady. — Sesshoumaru soltou um suspiro irregular. — Me beije ou me mate. Mas não me faça esperar.
Sesshoumaru soube então que não tinha vontade de assassinar Sesshoumaru. Canalha como era. E mentiroso. Mercenário. Impostor. Trapaceiro. Uma fraude.
Mas era o homem que ela amava.
E com toda a imparcialidade e sinceridade, quem era ela para julgá-lo?
Ela mesma não havia dito tantas mentiras, não tinha enganado, não tinha manipulado tanto como Sesshoumaru? Não tinha nenhum direito de julgá-lo por seus pecados, já que era igualmente culpada.
Rin levantou seu queixo, tomou uma respiração profunda e estudou seu rosto.
Sesshoumaru La Nuit a amava? Realmente?
Para Rin, só havia uma maneira de descobrir.
Deixou a espada de um lado, deixando-a cair ruidosamente no chão. Então, com cuidado, se moveu para mais perto dele, tomando seu rosto machucado entre suas mãos, e levantou sua cabeça para lhe dar um beijo.
Sua boca estava inchada, o lábio estava partido, e ela sentiu o cheiro de sangue em suas narinas. Mas não havia modo de confundir sua ternura quando Sesshoumaru respondeu a sua carícia.
Com cuidado ela inclinou a cabeça dele, enredando seus dedos em seu cabelo, e colocou beijos suaves ao longo de seus lábios como um modo de se desculpar por cada corte, cada machucado, e cada contusão.
Os braços lentamente se ergueram entre eles até o rosto dela. Com seu polegar, Sesshoumaru suavemente massageou sua mandíbula fazendo-a abrir a boca para receber uma medida mais justa de seu afeto. Sua língua se arriscou a entrar mais intimamente e ele parecia verter o néctar da alma dele na boca dela, enquanto saturava o beijo com toda a pitada de amor que ele sentia para ela.
O coração desprotegido dela não era rival para tão delicada agressão. Rendição passou sobre ela, enquanto escoava os sedimentos de resistência dos seus ossos. A essência da alma dele era pura e deliciosa e ela chorou pela doçura disto, enquanto bebia profundamente e de boa vontade da paixão dele.
Rin sabia a verdade agora. Suas línguas podiam mentir, mas seus corações falavam a verdade. E não era só desejo que havia entre eles. Era amor, tão puro e inconfundível quanto uma chama incandescente.
Deus a ajudasse se ela estivesse equivocava, porque na verdade, estava perdida.
***
Sesshoumaru já não podia pensar.
Menos mal. Mesmo que ele pudesse conectar dois pensamentos, eles provavelmente teriam sido contraditórios.
Rin o odiava.
Não, ela o amava.
Enquanto ela continuasse pressionando seus lábios macios sobre os seus, e seus dedos seguissem enterrando-se em seu cabelo, murmurando doces promessas contra sua boca, não lhe importava nada mais.
Mais tarde os dois poderiam desembaraçar a complexa rede de mentiras que eles haviam criado. Mais tarde eles poderiam confessar seus pecados. E mais tarde ele poderia decidir se Rin o amava ou o odiava.
No momento, era bom o suficiente que ele a segurasse em seus braços novamente quando ele havia acreditado que não a veria novamente.
Pelo menos tudo estava muito bem. Até que a moça devassa ofegou e pediu vigorosamente.
— Faça amor comigo.
Foi então que Sesshoumaru soube que era definitivamente um homem. Pois apesar de seu corpo machucado, apesar de seu rosto esmagado, da sua mão cortada, de seu ombro ferido, de sua cabeça rachada, e o mais doloroso, apesar de sua virilha chutada, não havia outra coisa que ele desejasse mais.
Ele assentiu com a cabeça, e ambos começaram a arrancar as roupas como se elas estivessem em chamas.
Se estivesse tomando o caminho equivocado, que assim fosse. Nunca havia conhecido uma alegria como a que encontrava os braços de Rin. Se o destino tinha planejado que ele deveria morresse em seus braços, ao menos morreria feliz.
Tendo acreditado que nunca mais tocaria a pele sedosa dela, que nunca mais provaria sua boca deliciosa, que nunca mais lamberia seus seios doces, agora seu corpo se alagou de êxtase. Estendeu-a sobre a cama, e não houve um centímetro dela que ele não negligenciasse quando ele correu as mãos cuidadosamente sobre a sua carne arranhada, úmida e quente da batalha, e lavou o suor salgado dela com a língua.
Sesshoumaru suspirou suavemente em seu ouvido, enquanto apreciava os calafrios do desejo dela. Estimulou seus mamilos com seus lábios, deixando-os rígidos. Mas quando estava disposto a se mover mais abaixo para provar os segredos úmidos de sua feminilidade, Rin de repente ficou rígida.
— Kaede!
Sesshoumaru virou sua cabeça. Inferno! Esse velho degenerado estava aqui? Havia escapado do calabouço? Seria absolutamente injusto que o guardião ciumento aparecesse agora.
Mas o dormitório estava vazio.
Rin, com seus olhos brilhando com urgência, levantou-se sobre um cotovelo e empurrou seu cabelo despenteado para trás.
— Tenho que salvá-lo.
Sesshoumaru franziu o cenho, tentando desfazer a confusão de desejo em seu cérebro.
— É meia-noite.
A mente de Rin já não estava ali. Ela saiu da cama, se lançando sobre ela, juntando sua roupa.
— Ele vai para a forca ao amanhecer.
Com sua virilha ainda dolorida pela necessidade, Sesshoumaru reticentemente assentiu com a cabeça. Ela tinha razão.
Eles dificilmente poderiam fazer amor enquanto Kaede padecesse no calabouço abaixo da fortaleza.
— Mas está encerrado no calabouço. Como vamos a...
— Não sei! — Ela gritou com frustração enquanto começava a se vestir. — Mas tenho que tentar.
Sesshoumaru estremeceu por causa de suas feridas quando ele se sentou e alcançava sua própria roupa desprezada.
Ela colocou uma de suas pernas encantadoras nas calças pretas.
— Você não precisa vir.
Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha em atitude de desafio, colocando seus braços nas mangas da túnica.
— É minha culpa que ele esteja lá.
Ela saltou em um pé, colocando a segunda perna em suas calças.
— Eu faço melhor o trabalho quando estou sozinha.
Ele olhou a cama, murmurando entre dentes.
— Eu tenho que discordar.
Ela levantou a calça e as amarrou na cintura.
— Estou falando sério. Tenho muito mais experiência em escapar entre as sombras.
Ele passou a túnica por sobre sua cabeça.
— Não te deixarei ir sozinha.
Rin franziu o cenho, agarrando rapidamente sua própria túnica.
— Me deixar? — Ela colocou seus braços por entre as mangas. — Como você acha que pode me deter?
Sesshoumaru se encolheu de ombros, sacudindo suas calças.
— Culpa.
Ela começou a passar sua cabeça pela túnica, então abaixou a vestimenta novamente, enquanto o encarava desconfiava.
Quando Sesshoumaru se sentou na cama, colocando as pernas em suas calças, explicou-lhe.
— Não seria tão cruel de privar um homem da possibilidade de corrigir a injustiça que ele fez, não é mesmo?
Insultando por entre os dentes, ela o apontou com um dedo.
— Não se meta em meu caminho.
— Acredite em mim. — Ele disse, cautelosamente apertando e seu nariz machucado. – Eu não vou.
Minutos mais tarde, contra o juízo de Sesshoumaru, eles estavam rastejando pelos corredores escuros da fortaleza. Rin havia recuperado suas armas, entretanto as havia escondido entre as dobras de suas roupas que nem ele as percebia. Sesshoumaru apertava o cabo de sua espada extraída enquanto saltavam e se esquivavam de criados e cachorros que dormiam suavemente.
Quando encontraram as escadas que conduziam ao calabouço, Sesshoumaru tomou à dianteira, e sussurrou.
— Permaneça atrás de mim.
Mas a moça impertinente ignorou seu comando, escorregando por ele como uma sombra, descendo apressadamente a escada iluminada com tochas antes que ele pudesse segurá-la, e Sesshoumaru não teve outra opção a não ser seguir-la.
Ele queria a advertir que ali embaixo provavelmente um guarda custodiava a porta. E se ela não tomasse cuidado, provavelmente ela esbarraria nele e cairia em uma armadilha. E então Sesshoumaru teria que resgatá-la.
Mas quando ele dobrou a última curva da escada, Rin já havia se encontrado com o guarda. Para seu espanto, o pobre desgraçado já estava caído aos pés dela e inconsciente. A mandíbula de Sesshoumaru caiu.
— Como você...?
Confundindo seu temor com horror, ela tentou explicar.
— Ele não está morto. Só o toquei em um ponto de pressão muito delicado.
Sesshoumaru sacudiu a cabeça e murmurou baixinho.
— Por todos os Santos, vai ter que me ensinar esse truque.
Rin lhe deu um débil sorriso, e depois se agachou para a parte mais baixa e pressionou sua bochecha contra a porta.
— Kaede. — Murmurou ela. — Você está aí? — Ela golpeou suavemente. — Kaede!
— Rin? — Se ouviu a voz de Kaede por debaixo da porta.
— Está tudo bem, xiansheng?
— O que você está fazendo aqui? Você tem que sair. — Disse Kaede. — Não é seguro para você.
— Não vou te abandonar.
— Você deve. Escute-me, Rin. Seu noivo não é quem você pensa que é. Ele não é um cavaleiro. Ele é um... Mercenário. — Ele murmurou a palavra como um insulto, como se um mercenário fosse alguém que afogava gatinhos para viver. — Um homem cuja lealdade muda tão facilmente como o vento. — Prosseguiu Kaede. — Ele aluga sua espada à melhor oferta, ele ganha dinheiro com as desgraças...
— Eu não ganho a vida com a desgraça de ninguém. — Interveio Sesshoumaru depois de ter ouvido o suficiente. — Ponho minha espada ao serviço daqueles que não podem lutar por eles mesmos. Eu persigo ladrões. Eu corrijo injustiças.
— Você o trouxe com você? — Kaede murmurou incrédulo.
— Está tudo bem, Kaede. — Rin lhe assegurou. — Ele está aqui para ajudar.
Sesshoumaru, ainda incomodado, murmurou entre dentes.
— A menos que deseje ser enforcado amanhã.
— Rin, você é uma criança tola! — Kaede a repreendeu. — Você não pode confiar nele!
Os olhos de Rin se estreitaram perigosamente.
— Não sou uma criança.
— Mas age como uma.
— E você está agindo como...
— Parem, os dois. — Interveio Sesshoumaru. — A menos que vocês queiram chamar o povo de Morbroch sobre nossas cabeças. — Eles obedeceram, e ele suspirou impacientemente. - Agora, temos que encontrar a chave.
— Você não pode. — Disse Kaede de modo convencido.
— Por quê? - Rin perguntou.
— Lorde de Morbroch a leva pendurada em seu pescoço.
Rin se mordeu o lábio.
— Então entrarei em seu dormitório e...
— Você não pode fazer nada disso. – Sesshoumaru lhe disse.
Ela levantou seu queixo.
— Vou fazer o que eu quiser.
— Não enquanto eu estiver aqui para te proteger.
— Escute ele, Rin. — Disse Kaede.
As sobrancelhas de Sesshoumaru se arquearam com surpresa. Realmente Sesshoumaru estava se aliando a ele?
— Ele tem razão. — Disse Kaede. — Você não deve se por em perigo sozinha.
— Me por em perigo sozinha? Não foi por isso que fingiste ser A Sombra para ser preso em meu lugar?
— Shh. — Sesshoumaru interpôs.
— Farias que meu sacrifício tivesse sido em vão? — Kaede lhe perguntou.
— Não haverá nenhum sacrifício. — Insistiu Rin.
— Shhh! Se os dois não pararem essa disputa...
— Eu sabia o que isto ia me custar. — Disse Kaede. — Mas eu já sou um homem velho. Melhor eu morrer...
— Shh, mas que inferno!
Mas já era muito tarde. Passos se aproximavam. Em um minuto, eles seriam descobertos.
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Continua...
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