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Donzela Ardilosa
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Capítulo 26
— Se esconda! — Sesshoumaru empurrou Rin para as sombras. Então ele se apoiou contra a parede, pondo o guarda inconsciente ao lado dele, e passando um braço amigável ao redor do pobre desgraçado.
Quando o homem de Morbroch desceu a escada para ver do que se tratava todo aquele ruído, Sesshoumaru cantava como um bêbado.
— Ei, o que é tudo isto? — O homem exigiu.
— Somente... Estamos... Tendo um pouco de diversão. — Sesshoumaru disse arrastando sua língua. Arrotou, e depois riu bobamente.
— Você está bêbado.
— Shhhh. — Ele sussurrou, apoiando um dedo contra seus lábios. — Meu amigo aqui está dormindo.
O homem franziu o cenho.
— Ele está bebendo quando se supõe que deve de guarda?
— Tudo está... Sob controle... Comandante. — Disse Sesshoumaru, golpeando a têmpora. —Estou vigiando o... Prisioneiro. Além disso, ele está encarcerado, muito bem... Encerrado. — Ele golpeou a porta para dar ênfase a sua palavra.
O homem hesitou inseguro sobre se era seguro partir.
— Ei, você não... Tem... Um pouco... De álcool com você, por acaso? — Sesshoumaru perguntou. – Eu fiquei sem nenhum.
O homem sacudiu a cabeça com desgosto.
— Você já bebeu o bastante. — Ele se virou para sair, mas murmurou por sobre seu ombro. – Fiquem em silêncio. Alguns de nós temos que dormir.
— Shhhhhh. — Sesshoumaru sussurrou. — Serei mais silencioso que um camundongo.
Uma vez que o guarda havia partido, Rin saiu sigilosamente das sombras.
— Isso foi muito convincente.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Tão convincente como você, "Oh, Sesshoumaru, você sabe que não suporto a violência"?
Seus olhos brilharam.
— Agora — ele disse — Temos que encontrar um modo de tirar Kaede. Eu proponho aplicar a força. Derrubar a porta ou quebrar parte da parede.
Rin sacudiu a cabeça.
— Não, o ruído chamará muito a atenção. Algo silencioso e cauteloso será melhor. Eu ainda afirmo que deveríamos conseguir a chave do pescoço de Lorde Morbroch.
— É muito perigoso.
— E invadir o calabouço não é?
— Há outro modo. — Disse Kaede — Uma opção entre a cautela e a força, já sabem, yin e yang.
Sesshoumaru não tinha nem idéia do que o velho falava, mas Rin franziu o cenho, analisando a idéia. Finalmente, ela sorriu, com um olhar de surpresa em seu rosto.
— É claro. Huo Yao. — Sussurrou ela. Rin golpeou suavemente a porta de calabouço. — Kaede, amanhã deixará que lhe levem até a árvore para ser enforcado.
— Não! — Sesshoumaru gritou. Rin havia ficado louca?
Mas quando Rin explicou sua estratégia, seus olhos iluminados com a emoção da esperança. Embora Sesshoumaru não entendesse totalmente os métodos desse plano desesperado, não pôde evitar sorrir toda vez que a palavra Huo Yao era mencionada.
Huo Yao. Era a palavra que Kaede havia usado para descrever as fortes faíscas que se produziam entre Rin e ele. O criado não tinha sido capaz de defini-la claramente, para Sesshoumaru naquele momento, nem o pôde fazer agora. Mas Rin lhe assegurou que era uma força poderosa. Havia muito trabalho para fazer e pouco tempo para fazê-lo.
Rin rondou a capela da fortaleza, procurando a preciosa Bíblia iluminada de Morbroch. Usou seu delgado punhal para fazer saltar o cadeado que a mantinha presa ao púlpito, ao mesmo tempo em que murmurava preces de arrependimento por esse ato.
Enquanto isso, Sesshoumaru assaltava a cozinha para procurar os elementos que Rin necessitaria: panelas de ferro, uma colher, barbante, uma pederneira, raminhos secos, carvão, enxofre e salitre, e um odre de vinho para colocar perto do guarda ainda inconsciente. Entre essa prova irrefutável e o testemunho do segundo guarda, ninguém acreditaria quando afirmasse que tinha sido golpeado por uma misteriosa mulher vestida de preto.
Quando eles se encontraram no dormitório de Sesshoumaru, Rin limpou a mesa, colocando os pós, a panela, os raminhos secos, e a pederneira. Então, estremecendo enquanto o fazia, ela cortou várias páginas da Bíblia, uma atrás de outra, as colocando sobre a cama. Quando havia terminado, o quarto parecia à oficina de um alquimista.
Com um cuidado meticuloso, ela mediu os pós, os misturando juntos na panela de ferro. Então ela cortou o barbante em doze pedaços, os recobria com a mistura e os colocava de lado.
A tarefa de Sesshoumaru era pôr um raminho seco e um pedaço de barbante revestido ao longo das extremidades das folhas da Bíblia de modo que parecesse como uma mecha. Rin borrifaria uma colherada generosa da mistura do pó preto no meio de cada página. Sesshoumaru então enrolaria a página fortemente ao redor do raminho, fechando o tubo dobrando ele no meio. A ponta de cada raminho seria selada com uma gota de cera de vela.
O processo, embora meticuloso, logo se tornou rotineiro, e os dois trabalhavam juntos como um artesão e seu aprendiz. Em uma hora, tinham armado perto de cem dispositivos.
— Você sabe... — disse Sesshoumaru — Kaede me disse uma vez que você e eu somos como o Huo Yao.
— É mesmo?
— Ele disse que o que acontecia entre nós era mais do que faíscas, mais que uma chama, mas não pôde descrever.
Ela sorriu.
— Acredito que ele tenha razão. Você verá. — Ela espalhou o pó em uma folha do Gêneses.
— Foi Kaede quem treinou você?
— Desde que eu tinha treze anos.
— E ninguém suspeitou? Nem sequer suas irmãs?
— Kaede sempre dizia que a maior arma é aquela que ninguém sabe que você possui. — Ela levantou a vela e deixou cair uma gota de cera na página sustentada entre os dedos dele.
— É verdade. — Ele soprou a cera, que se endureceu. — Mas o que elas sabem sobre as armas? As armas que estão penduradas na sua parede?
— Elas acreditam que eu só as coleciono. Eles nunca suspeitaram que eu soubesse usá-las.
Ele pôs a folha de lado.
— E ninguém descobriu que sua criada era um homem?
— Não.
Sesshoumaru franziu o cenho, irritado pelo ciúme mesquinho que começavam a atormentá-lo.
— Vocês dois compartilharam um dormitório. Ele te vestia...? Agasalhava-te na cama?
Rin o fulminou com o olhar em resposta, então decidiu responder.
— Basta de falar sobre mim. E você? Por que se converteu em um... Já sabe... Em um mercenário? — Ela disse a palavra entre dentes, reproduzindo o preconceito de Kaede.
Sesshoumaru franziu o cenho enquanto procurava outra folha, justo a que falava da Serpente no Paraíso.
— É uma profissão honrada. Eu nunca matei nenhum homem que não o merecesse. Nunca aceitei contratos de homens que procuravam uma vingança pessoal e egoísta. E, além disso, sou muito bom com a espada.
— Hmm. — Ela espalhou o pó sobre a folha. — Não parecia tão perito quando chegou a Higurashi.
— Ah! — Ele disse, quebrando um raminho. — Isso é porque a melhor arma é a que ninguém sabe que você possui.
Ela riu.
— Você aprendeu a lutar com seu pai?
Seu pai. Sesshoumaru estremeceu apesar da idade daquela ferida em particular. Suspirou enquanto enrolava mais uma folha. Deveria fazer uma confissão completa nesse momento. Somente Deus sabia se sobreviveria até o final desse dia. Depois do modo que eles estavam profanando a Santa Bíblia, não se surpreenderia se um relâmpago o atingisse antes do amanhecer.
— Sou bastardo. — Ele sustentou a folha para colocar uma gota de cera. — Meu pai era um Lorde normando, era um bêbado, minha mãe escocesa foi sua amante. — Ele fez uma pausa para soprar a cera. — Quando eu tinha quatorze anos, ele descobriu que minha mãe tinha outro amante. Ele a assassinou e tentou me matar. — Sesshoumaru tocou a cicatriz em seu pescoço.
Rin abaixou a vela.
— Mas você escapou?
— Eu o matei. — Ele sorriu severamente. — E assim começou minha ilustre vida como mercenário.
Houve um longo silêncio no dormitório, e Sesshoumaru se perguntou se Rin se sentia muito horrorizada para falar. Finalmente ela colocou sua mão sobre a dele e murmurou.
— Sinto muito. — E tão estranho como parecia, aquelas duas simples palavras fizeram muito para suavizar a dor daquela lembrança.
— E você? — Ele perguntou. — Por que escolheu a vida de crime?
— Ah, não é crime. — Disse ela, recolhendo a colher para remexer o pó. — Não realmente.
Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha.
— Roubar moedas das bolsas dos viajantes? Estou bastante seguro de que é um crime.
— Em primeiro lugar eu não roubo as moedas de qualquer um.
— Não?
— É o dinheiro que ganharam de meu pai na mesa de jogo. Então, realmente não cometo um roubo. Eu somente estou... — Ela hesitou.
— Sim?
— Equilíbro as contas.
— Equilibrar as contas. — Repetiu ele.
— É o que Kaede chama yin e yang. Você não entenderia.
Ele estendeu outra folha. Era a desculpa mais criativa para justificar um roubo que ele já havia ouvido falar, e Sesshoumaru tinha ouvido muitas delas.
— Não acredito que Lorde Morbroch entenda isso.
Ela franziu o cenho.
— Foi ele que contratou você.
— Sim, ele junto com outra meia dúzia de outras... Vítimas ofendidas.
Rin não levantou seu olhar quando perguntou.
— E quanto você recebeu para entregar A Sombra?
O ar ficou tenso entre eles enquanto ela esperava a resposta. Sesshoumaru então compreendeu, verdadeiramente, o que ele havia feito a dor que Rin devia ter sentido por sua traição. Ele tinha ido a Higurashi, não para lhe cortejar, mas para capturá-la. Por dinheiro.
E agora ela queria saber qual era o preço daquela traição.
É claro, agora que ele ia ajudar A Sombra a fugir não merecia a recompensa.
— Um xelim? — Ela adivinhou. — Dois?
Na verdade, entre todos eles haviam lhe pago cinqüenta xelins, mas isso não importava agora. Tinha a intenção de deixar esse dinheiro. Sesshoumaru respondeu suavemente.
— Não é tanto quanto ela vale.
O céu havia se transformado de ébano em índigo quando eles esgotaram o fornecimento de pó negro.
Rin olhou o arsenal de dispositivos, alinhados como fileiras de soldados sobre a cama. Ela não pôde menos que sorrir amplamente, pensando no estrago que estavam a ponto de causar.
Sesshoumaru, vendo seu sorriso, sorriu-lhe em resposta.
— O que foi?
Ela o olhou. Seu rosto estava coberto com manchas do pó negro. Usando sua manga, ela limpou cuidadosamente as manchas.
— Você vai apreciar isto.
Ele se encolheu de ombros.
— Estive em batalhas antes. Vi todo tipo de catapultas e máquinas de guerra...
— Isto é muito melhor que uma catapulta.
— Flechas incendiárias?
— Isso seria uma brincadeira de criança.
— Fogo grego?
— Nada se parece com huo Yao.
Ainda havia muito por fazer. Rin estava determinada em devolver a Bíblia tão intacta como fosse possível. E que não mostrasse nenhuma prova de seu ardil. Os objetos tinham que ser devolvidos à cozinha, a panela ao seu gancho, a colher ao seu lugar, o barbante do lugar de onde ele tinha vindo. Ninguém devia descobrir o que eles tinham forjado.
E havia outra medida a tomar.
— Você deve me fazer uma promessa. — Disse para Sesshoumaru.
— Qualquer coisa.
— O segredo do huo Yao é sagrado. Não pode ser usado exceto, em circunstâncias muito extremas, de outro modo seu mistério se perderia. — Ela estudou seus olhos, tentando lhe comunicar claramente sua mensagem. — Não deve contar a ninguém. Deve guardar este conhecimento como um segredo em seu coração. Você me entendeu?
Ele franziu o cenho. Sem dúvida um tentador cem usos para o huo Yao cruzaram rapidamente por sua mente, mas ela não podia deixá-lo desperdiçar esse conhecimento sagrado dessa maneira. Era um instrumento muito destrutivo e muito perigoso em mãos de tolos.
— Você tem que me prometer. — Disse ela outra vez.
Sesshoumaru assentiu com a cabeça, e ela se alegrou de ter se assegurado sua promessa aqui, antes que ele presenciasse algo tão espetacular e impressionante como o huo yao era.
Quando as nuvens da manhã tinham começado a ruborizar-se com a chegada iminente do sol, suas tarefas dentro da fortaleza estavam completas. Como os guardas estavam alertas à chegada intrusos, e não alertas a aqueles que deixavam o castelo, Sesshoumaru simplesmente lhes disse que tinha decidido partir antes da execução e que eles transmitissem seu pesar ao Lorde de Morbroch. E eles presumiram que Rin, enrolada em um capote, era sua esposa.
Isso tinha acontecido há uma hora. Agora, da posição de onde estava Rin podia ver Sesshoumaru com seu archote, meio escondido entre as árvores da colina de onde se percebia Morbroch. Estando de pé em vigília, como uma primeira fileira de soldados de um exército, estavam os duzentos dispositivos que eles tinham conseguido armar. Embora de onde Rin estivesse empoleirada ela não os pudesse ver por causa das ervas altas. O que era perfeito. Pois se ela não podia vê-los, então tampouco as pessoas de Morbroch podiam vê-la.
Os olhos lhe ardiam pela falta do sono, embora estando acomodada em um ramo alto de uma árvore, ela estava longe de adormecer. Seus nervos estavam tensos com a expectativa. O que planejavam fazer era algo absolutamente atrevido, três pessoas usando sua astúcia e sua inteligência contra todas as pessoas do castelo. Se isso não funcionasse...
Rin esticou sua mandíbula, ajustando o tecido escuro sobre seu rosto outra vez. Isso tinha que funcionar.
Concentrou-se em uma só folha da árvore, centrando sua mente na tarefa que tinha pela frente. Mas não se dava conta de quão difícil seria manter a calma quando a ponte elevadiça rangeu para dar passagem à carroça que levava os criminosos que iam ser executados.
Pareceu-lhe que uma eternidade tinha passado quando o carro rangeu fazendo seu caminho colina acima, seguido por homens de rosto sério, crianças excitadas, e mulheres que pareciam preferir ter ficado na comodidade de suas camas. Rin observou atentamente a cena e viu Kaede, com suas mãos atadas, na parte traseira do carro. Embora ele mantivesse sua cabeça orgulhosamente erguida, quando Rin notou quão pequeno e indefeso parecia, seu coração balançou.
Por fim o grupo que ia assistir à execução chegou debaixo da árvore onde estava a forca. Ninguém notou à figura escura que espreitava silenciosamente entre os ramos. Eles estavam ocupados em olhar e cuspir insultos ao prisioneiro. Inclusive o carrasco, que lançou a corda sobre o galho mais grosso, nunca viu Rin escondida ali. É claro, pois a invisibilidade era seu maior talento. Era assim que ela havia ganhado o nome de A Sombra.
Que acusações foram pronunciadas publicamente pelo Lorde Morbroch, que insultos a multidão havia proferido, e qual foi à última prece que o carrasco murmurou Rin não soube. Enquanto eles falavam, Rin deslizou com paciência infinita e cautela para a bifurcação do galho e até se colocar diretamente em cima da corda da forca. Então ela extraiu seu woo diep do e esperou.
Engoliu em seco quando o carrasco colocou a corda ao redor do pescoço de Kaede, como se ela mesma estivesse a ponto de ser enforcada. Então tomou uma respiração profunda e silenciosa. A cronometragem dela tinha que ser perfeita. Assim como a de Sesshoumaru.
Sesshoumaru observou os procedimentos com os olhos de um falcão, nem sequer se atreveu a piscar. A tocha estava preparada em sua mão. E embora nunca o admitisse para Rin, tinha pouca fé na longa fila de dispositivos colocados ao longo do cume da colina. Como poderiam alguns pós da cozinha enrolados em algumas folhas de uma Bíblia profanada causar algo mais que a ira de Deus vingativo?
Ainda assim tinha feito tudo o que Rin tinha pedido... Que outra opção ele tinha? Eles eram três contra muitos, e em seu coração, Sesshoumaru sabia que Rin tinha razão. Inclusive se ele tivesse podido convencer Lorde Morbroch que Kaede não era A Sombra, isso não teria mudado nada. O homem estava ansioso por um bode expiatório, sobretudo para apaziguar os outros Lordes. E o fato de que o criminoso fosse um homem velho de aparência estranha de uma terra longínqua sem dúvida fazia sua execução mais agradável.
Sesshoumaru odiava o fato de ter deixado Rin sozinha lá abaixo para enfrentar às pessoas de Morbroch enquanto ele fazia o papel do Prometheus na colina.
Sesshoumaru estreitou seus olhos. A corda agora estava ao redor do pescoço de Kaede. O carrasco retrocedeu. Em outro minuto...
O homem lançou um grito, o cocheiro estalou o chicote, e a carroça avançou.
Os pés de Kaede ficaram balançando por só um instante quando uma figura negra desceu pela corda suspensa da forca, cortando as amarras de seus pulsos. Com uma agilidade assombrosa para sua idade, Kaede sacudiu seus braços livres para cima, agarrando a corda que estava em cima de sua cabeça antes que esta pudesse estrangulá-lo e subiu por ela até desaparecer entre os galhos da árvore.
Era o sinal para Sesshoumaru. Caminhando devagar entre a longa fila de dispositivos, ele encostou a tocha ardente no primeiro pedaço de barbante revestido, um por um.
O primeiro assobio afiado o assustou e quase o fez pular para fora de suas calças. Quando ele lançou um olhar por sobre seu ombro, ele viu um flash luminoso de chama e disparou o raminho para cima com tanta força como se tivesse sido lançado por um arqueiro, em seguida rumando para baixo como uma estrela cadente.
Um momento depois, o segundo tiro também saiu voando. Desta vez, ele assistiu como ele arqueava para o alto no céu. Faíscas, fogo, e fumaça encheram o céu matutino.
Quando Sesshoumaru fez uma pausa para assistir, o terceiro foi acompanhado por uma explosão de fogo e, em seguida, o quarto, com um violento chiado, fazendo que as pessoas do castelo começassem a gritar de pânico. Quando o quinto dispositivo quase explodiu sobre seu pé, Sesshoumaru percebeu que não deveria ter deixado de caminhar. As pequenas bestas o estavam rodeando, mordendo os saltos dos seus sapatos com seus dentes infamáveis.
Ele aumentou a velocidade de seus passos, acendendo os ramos a um ritmo estável que manteve o céu cheio de incríveis explosões e crepitações e sopros de fumaça, como se um dragão estivesse cuspindo fogo no céu de Morbroch, fazendo chover fogo sobre a paisagem.
O cavalo assustado fugiu arrastando carroça, retumbando e deslizando pela estrada rochosa, fazendo o caminho de volta para o castelo. A multidão se dispersou como ratos perseguidos por um gato, gritando, enquanto corriam, tropeçando e atropelando-se, caíam na ladeira enquanto fugiam da fumaça e das chamas. Como morcegos saídos do inferno, os projéteis voavam em todas as direções, estourando e assobiando, cuspindo fogos e enchendo o ar com uma fumaça nociva.
Sesshoumaru não pôde mais que sorrir ante o caos glorioso que tinham causado. E por um momento louco, desejou não ter feito a promessa a Rin. Essas armas eram surpreendentes, como raios e trovões, eram muito magníficas para mantê-la em segredo.
***
— Que inferno é isto? — Sango perguntou a Kagome, que se deteve em seco na estrada do bosque.
Kagome franziu o cenho, com uma mão sobre o cabo de sua espada.
— Parece como se...
Antes que ela pudesse terminar, outro assobio sobrenatural encheu o ar. Em seguida outro. E outro.
Sango extraiu sua espada.
— Isso vem de Morbroch.
As duas irmãs trocaram olhares sérios, e em seguida seguiram avançando pelo caminho. Não tinha sido por nada que elas tinham conseguido escapulir de Higurashi sob os narizes de seus maridos, que tinham rastreado Rin durante três dias, e agora seguiam em frente, completamente armadas e prontas para a batalha. Não lhes importava quão perita Rin fosse como guerreira, elas sempre sairiam em defesa de sua irmã menor, e nada ia as deter agora.
Mas quando chegaram ao local onde as árvores eram menos densas e o caminho levava colina acima, elas não puderam fazer algo mais a não ser se deter com suas bocas abertas e observar com temor.
As pessoas corriam pelo campo para o castelo, gritando como se seus cabelos estivessem em chamas. O céu parecia uma visão do Inferno, cheio de fumaça tóxica e de estranha espécie de gafanhotos diabólicos que zumbiam e cuspiram fogo quando mergulharam daquele modo e perseguiam o povo de castelo que estava fugindo.
A cinqüenta metros à sua direita, Kagome e Sango descobriram a origem desse enxame de gafanhotos monstruosos. Sesshoumaru, seu rosto estava iluminado com alegria diabólica, estava ateando fogo a uma fileira de varetas que chispavam e depois saíam voando pelo ar lançando chamas.
— Mas que diabos...? — Sango disse.
Então Kagome lhe deu uma cotovelada e apontou para um par de coitados que subiam a colina na direção elas.
— Rin. — Ela suspirou.
— Pelas bolas de Lúcifer, essa é... Esse é... Isso é Kaede?
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Continua...
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