Keeping up with the Joneses: Relato de um fã de Indiana Jones
A imagem mais antiga referente a Indiana Jones que se encontra em minha memória é a perseguição no trem, no início de "A Última Cruzada".
Quando eu era criança, fui fascinado por trens e estradas de ferro (tanto que já tive muitos trenzinhos elétricos, "Ferrorama" e afins). Aí me lembro que, quanto tinha cinco ou seis anos de idade (eu acho), estava almoçando na casa da minha avó num domingo, toda a família reunida, e logo depois do meio-dia estava passando na TV um filme com um menino correndo por cima de um trem, depois continuando a fugir de alguém pelos trilhos, e por fim entrar numa casa, cena em que me recordo vagamente de minha mãe falando "nossa, olha só, é o pai dele!".
Na época eu não entendi nada do que era aquilo, a única recordação que ficou sendo o trem e os trilhos, pelo motivo que citei acima. Só após muitos anos eu fui descobrir que se tratava de parte da seqüência inicial do filme "Indiana Jones e a Última Cruzada", com o jovem Indy fugindo dos contrabandistas com a Cruz de Coronado.
Nasci em 1988, portanto não pude ver nenhum filme da trilogia clássica de Indiana no cinema. Quanto estreou A Última Cruzada, em 1989, eu só tinha um ano de idade, nem isso. Mesmo crescendo sem nunca vê-los, tampouco me interessando pela história ou o personagem, os filmes do doutor Jones para mim acabaram sempre tendo um gosto de domingo à tarde e reunião familiar, e ainda têm, justamente devido ao primeiro contato que tive com a série.
Cheguei à adolescência conhecendo Indy apenas pelas referências na cultura pop, como a cena da pedra rolando atrás dele e o uso do chicote, e eu criei a idéia errônea de que os filmes se resumiam a apenas isso. Lá por 2002, quando surgiram rumores de que Steven Spielberg e George Lucas estavam trabalhando no quarto filme, até cheguei a colocar uma referência a isso num dos meus contos do personagem Bruce Goldfield. Mas ainda não havia tido vontade de assistir à trilogia do arqueólogo aventureiro...
Até 2006, quando eu estava no final do terceiro colegial, em época de vestibulares, e tinha 18 anos de idade.
Era um sábado à noite, chovia muito. Eu tinha combinado de ir sair com um amigo, porém o clima me prendia em casa. Então meu pai chegou com um DVD que meu tio havia emprestado: "olha só, é o Indiana Jones". Como eu não tinha mais nada para fazer, botei o filme para assistir. Era o segundo longa da trilogia clássica, "Indiana Jones e o Templo da Perdição", dublado, já que o disco não tinha a opção do áudio original. E me diverti bastante assistindo: a confusão na boate em Xangai, a fuga de carro ("Tem uma criança dirigindo!"), a desventura no avião e sua solução inusitada, a chegada à Índia, os mistérios de Pankot... Continuei vendo até a parte em que Indy é obrigado a beber o Sangue de Kali e vai para o lado dos vilões, quando a chuva parou e acabei saindo. Fora uma experiência memorável.
Chegou 2007 e eu, passando no vestibular, fui cursar História em outra cidade. Morar longe dos pais, um desafio no início. Tive então contato com um de meus colegas de classe e grande amigo, o Fabio Vieira (Fizban). Ele é fascinado pelo personagem, que marcou sua infância, e conviver com ele fez com que eu me interessasse ainda mais por Indiana Jones. Até que, em dezembro desse mesmo ano, já de férias, finalmente assisti à trilogia clássica completa. Testemunhei a procura pela Arca da Aliança, o resgate das Pedras Sankara (agora até o fim) e a corrida até o Santo Graal (sendo que esse terceiro filme se tornou o meu predileto, talvez também devido ao vínculo com meus primeiros anos). Daí veio o vício, comecei a baixar jogos do personagem, idéias para fanfics passaram a pipocar em meu cérebro...
E em maio de 2008, o primeiro filme que vi no cinema junto com minha primeira namorada foi justamente "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal".
Esse personagem se tornou e está se tornando, cada vez mais, parte da minha vida, entrando para o "rol" de sagas e histórias pelas quais tenho verdadeira paixão (como Resident Evil e Batman, quem me conhece sabe).
Luiz Fabrício de Oliveira Mendes, "Goldfield".
Keep up with the Joneses!
