Capítulo 27 – Voltando pra casa
Remus baixou seu livro de Transfiguração no colo quando ouviu tocar o sinal que indicava o término da primeira aula daquele sábado.
Fechou os olhos lentamente. Tinha sobrevivido à segunda noite de lua cheia daquele mês, mas já sentia como se tivesse há semanas nessa tortura. E não bastasse o sofrimento natural que sempre passava nesse período, ainda tinha que se preocupar com os rumos de seu namoro com Gwenda depois dela ter descoberto seu segredo de um jeito tão apavorante. E havia também o sumiço de um dia inteiro de Lily e Lucy...
A porta da enfermaria bateu estrondosamente fazendo com que o garoto desse um pulo assustado que quase o derrubou da maca.
- Alguma notícia das meninas? – Perguntou ao ver que eram os marotos que entravam de forma tão singular.
- Nada ainda. – Respondeu Sirius se aproximando.
- Na verdade viemos te colocar a par da última notícia de Hogwarts. – Falou James em tom de grande suspense. – Nosso novo professor de DCAT não é bruxo.
- Um professor trouxa em Hogwarts?
- Sim, trouxa. Mas está fazendo certo mistério sobre sua história, acho que ainda vai demorar um pouco pra contar como veio parar aqui.
- É, mas ele foi bem rápido pra se interessar pela Gwenda, não? – Comentou Peter recebendo, como sempre, um olhar de censura dos outros dois amigos.
- A Gwen? Como assim?
Nem Sirius, nem James pretendiam tocar no nome de Gwenda, mas diante da situação criada por Rabicho, James resolveu falar.
- Professor Kirke queria apenas conversar com ela e pediu que ficasse depois da aula.
- Como hoje é sábado e os setimanistas têm aulas apenas de manhã, acho que ela vai deixar pra vir depois do almoço, não?
James não encarou Remus, apenas olhou de relance para Sirius deixando nas mãos do amigo explicar essa.
- Ela ainda está um pouco chocada com o que aconteceu Aluado...
Remus suspirou.
- É até melhor que ela não te veja nesse estado, talvez depois que você se recuperar... - James sorriu compreensivo e Sirius olhou o relógio.
- Aula do Slug agora.
- Tudo bem, podem ir. Qualquer novidade sobre a Lily e a Lucy...
- Essa é a frase do dia! – Sirius falou sorrindo antes de garantir que viriam assim que soubessem de alguma coisa.
Aquela foi mais uma agradável noite em Nárnia para Lily e Lucy.
Quando voltaram para a companhia de Aslam, Peter e Edmund já haviam montado um prático acampamento que, por causa de sua vista privilegiada de todo o território Narniano, era muito melhor que o anterior.
Lily conseguiu relaxar um pouco depois que desabafou com sua melhor amiga. Seguiria o conselho de Aslam permitindo que as situações tomassem seu curso natural.
Preocupar-se-ia apenas em manter a mente e o coração abertos, poupando assim aborrecimentos com seu dom.
- Hora da especialista em fogueiras, Lucy Eyelesbarrow, entrar em ação. – Falou Susan divertida apontando para um punhado de madeiras que tinha conseguido juntar.
- Não fale assim, Su! – Lily sorriu – Ou ela realmente vai acreditar que consegue acender sozinha uma fogueira e vai acabar incendiando todo o acampamento.
- Mas eu estou quase aprendendo, Cherrie.
- Eu te ensino, de novo. – Falou Lucy Pevensie se aproximando das garotas.
Enquanto as Lucys acendiam o fogo e Susan aprontava algumas frutas para o jantar, Lily preparou mais um pouco de remédio para Peter.
O Grande Rei, por sua vez, quase completamente curado, estava adorando barganhar com Lily alguns beijinhos e em troca ele bebia toda a poção sem reclamar e sem fazer careta.
Durante a noite, em meio às mais fantásticas histórias sobre Nárnia (algumas narradas inclusive por Aslam), Peter e Edmund improvisaram alguns instrumentos musicais e Lily, animada, tirou Ripchip para dançar.
As irmãs Pevensie faziam um coral afinado com Aslam e com os senhores Castor que haviam resolvido passar a noite com eles. Enquanto isso Lucy E., proibida de se afastar do grupo por qualquer motivo que fosse, tentava fazer com que o amável Sr. Tumnus entendesse sua necessidade de um banheiro. E que banheiro não era um país distante e nem fazia fronteira com as longínquas terras de 'Sala Vazia'.
Acabou desistindo quando Aslam lhe lambeu o rosto e a convidou para dançar também.
Depois de mais uma noite de festa, todos foram dormir exaustos e Lily tremia só de pensar na caminhada do dia seguinte quando voltariam para o conforto de Cair Paravel. Mas para sua surpresa, quando acordou havia no acampamento vários cavalos para levá-los de volta para o Castelo.
Lembrou de repente das aulas de equitação com seu pai, na fazenda dos Evans. Passava todo o verão com os avós, ela e Petúnia. Como era delicioso cavalgar, sentir o vento no rosto, e rir dos tombos de Petúnia...
O momento de nostalgia foi quebrado por Lucy E. parada à sua frente com os olhos marejados.
- O que foi?
- Os... Os cavalos... – Lucy falou fungando e tremendo.
- O que eles fizeram? Te derrubaram? Te deram um coice?
- Não. Mas eu... Eu morro de medo de cavalos, Lis!
A ruiva teve que morder os lábios com força para não rir.
Lucy morria de medo de cavalos...
-... Por essa eu não esperava! – Lily verbalizou seus sentimentos.
- Lis! Você tem medo de baratas... Eu tenho medo de cavalos, oras!
- Você pode ir a pé, não vamos te impedir. – Peter se aproximou puxando pela guia um lindo cavalo negro.
Lucy deu um passo para trás e colocou as mãos na boca para se impedir de gritar.
- Tira esse monstro da minha frente!
- Eu não sou um monstro. – Falou calmamente o cavalo, deixando a loirinha ainda mais assustada.
- Você fala?
- Lucy... – Chamou Lily. – Nárnia... Animais falantes, lembra?
Lucy balançou a cabeça horrorizada e correu em direção à Aslam.
- O que nós vamos fazer com ela? – Lily perguntou preocupada enquanto acariciava a crina do cavalo.
- Aslam dará um jeito.
E o Grande Leão realmente arranjou a situação.
Lily e os reis de Nárnia iriam a cavalo, mas num ritmo mais lento para acompanhar a comitiva que iria a pé: Lucy, Ripchip, Sr. Tumnus e os castores. Aslam também seguiria com eles.
Muito mais divertida e prazerosa do que a viagem de ida para o acampamento, dessa vez eles também estavam bem localizados e Peter até mesmo se deu ao luxo de sair várias vezes da trilha pra mostrar às garotas a magia das florestas de Nárnia.
Algumas vezes saíam em imensos e multicoloridos vales floridos, outras passavam rentes a penhascos gigantes ou desfiladeiros encantadores. Os mais diferentes cenários, um mais espetacular que o outro.
Foi depois de uma pausa para o almoço e de uma disputa de corrida a cavalo entre Lily e Peter, que o Grande Rei decidiu retomar o caminho para Cair Paravel.
Mas não foi o imenso e pomposo castelo branco que as grifinórias viram descortinar-se às suas vistas quando desciam por um morro ricamente florido.
Era sim um castelo, mas muito menor e apinhado de torres. Também era escuro e abandonado.
Peter parou no pátio e ajudou Lily a descer. Ficaram por um tempo apenas observando a construção.
- Onde estamos? – Perguntou a ruiva ainda com a mão apoiada na de Peter.
- Aqui era o castelo da Feiticeira Branca. – Respondeu Edmund fazendo Lily arregalar os olhos, impressionada.
Lucy fez uma careta de desagrado mas logo sua expressão suavizou e ela sorriu para o fauno.
- Me mostra onde o senhor esteve congelado?
Sr. Tumnus sorriu e pegou na mão da loirinha guiando-a para dentro do castelo em ruínas.
- Esse lugar me dá calafrios. – Falou Susan ainda sem passar pelo portão.
- Eu também não gosto nenhum pouco daqui. – Lucy P. concordou com a irmã.
- O que o professor Kirke queria?
Gwenda chegou a se assustar com Alice parada na porta da sala de DCAT.
- Você não pretendia me esperar no salão comunal? – Perguntou ela fechando a porta atrás de si.
- Não agüentei de curiosidade!
Gwenda riu da apreensão da amiga e começou a andar rumo à sala de poções.
- E então Gwen?
- Cadê o Frank?
- Acho que já foi pra aula do Slug. Não vai me contar o que o professor que a gente acaba de conhecer queria com você?
- Queria me convidar pra participar de um grupo especial de DCAT. Eu tenho que selecionar dez pessoas pra esse grupo que vai receber um treinamento especial pra enfrentar a guerra quando sairmos de Hogwarts.
- Que coisa absurda! – Alice parou de chofre. – Nós temos apenas dezesseis anos! Como ele quer nos oferecer um treinamento pra lutar contra um bruxo maligno como Voldemort?
- E como você pensa em sobreviver quando sair da proteção desse castelo Lice? Vai fugir da Inglaterra?
- Não... Mas não pretendo lutar ativamente contra Voldemort, quero me manter o mais longe possível desse maníaco.
Gwen estava boquiaberta.
- Não acredito Lice!
- Problema seu... – Alice falou séria e recomeçou a andar. Depois sorriu para a amiga. – Tem coisa muito mais surpreendente que é difícil de eu acreditar também.
- Como o quê?
- Como uma garota que não quer falar com o próprio namorado depois de descobrir que ele tem um problema gravíssimo e precisa de ajuda.
- Estava demorando... – Gwen falou cansada e encarou a porta da sala de poções. – Acho que nossa aula já vai começar.
E falando isso entrou na sala deixando Alice pra trás. A morena sorriu para James e Sirius que se aproximavam pelo outro lado do corredor com Rabicho logo atrás.
- Tentei mais uma vez falar com a Gwen, mas não consegui nada.
- Não está mais em nossas mãos, Lice. Se ela não quer ir até a enfermaria, vamos ter que esperar acabar o período da lua cheia.
- Nunca pensei que um dia eu te falaria isso Sirius, mas... Você tem razão.
- Eu sempre tenho razão, vocês é que não reconhecem.
- Deixando sua modéstia de lado, ainda temos uma aula pra assistir... – Comentou James apontando para a porta.
Alice e Sirius concordaram e Peter seguiu atrás deles para dentro da sala.
- Será que não é melhor alguém ir atrás da Lucy e do Sr. Tumnus? – Perguntou Edmund. – Do jeito que ela é curiosa, acho perigos eles se perderem lá dentro.
- Não precisam se preocupar, pois eu já voltei. – Falou a loirinha saindo do castelo junto com o fauno. – Nossa! Lá dentro tudo é ainda mais tenebroso do que olhando daqui...
- Vamos embora? Eu só tenho lembranças horríveis desse castelo.
- Foi aqui que você foi mantido prisioneiro da Feiticeira Branca?
- Foi sim Lily. – Respondeu Edmund com uma careta como se tivesse acabado de tomar a poção de cura feita para Peter.
- É melhor mesmo irmos embora. – Lucy E. sorriu enquanto se apoiava em uma imensa macieira.
Peter e Edmund ajudaram as garotas a montarem em seus cavalos e logo estavam novamente na estrada para Cair Paravel.
Levaram pouco mais de uma hora para chegarem ao castelo.
Lucy e Lily foram direto para o quarto da ruiva e Lucy desabou na cama da amiga.
- Que saudade eu estava disso!
Lily riu e deitou ao lado da loirinha.
- Ainda assim foi divertido.
Lucy sentou rapidamente e encarou Lily estupefata.
- Que cena inédita é essa? A senhora monitora-chefe achando graça nas adversidades? Deixa os marotos ficarem sabendo disso...
Lily bateu com uma almofada em Lucy.
- Não espalhe essa história, ou vamos ter que agüentar uma bomba de bosta por aula!
A loirinha gargalhou.
- Tudo bem, vou manter segredo.
- Obrigada.
- Mas vou querer obter privilégio com essa informação.
- Veremos... – Lily levantou da cama. – Agora eu vou tomar um longo banho morno.
- É, eu também estou precisando de um... A gente se vê no jantar.
Lily sorriu e observou a amiga sair do quarto.
Era engraçado como em Nárnia tudo parecia mais fácil. Queria continuar se sentindo assim quando voltasse para Hogwarts.
Mas já era o sexto dia que estava fora da Escola de Magia. Provavelmente já teria muito que explicar quando voltasse para seu mundo. Isso a deixava apreensiva.
- Chega de se preocupar com o que pode vir a acontecer. Uma coisa por vez...
A ruiva respirou fundo e seguiu contente para o seu banho. Estava feliz por começar a entender os conselhos de Aslam.
- Bom Jour! – Lucy entrou no quarto de Lily afastando as cortinas. – Lis, olha que sol maravilhoso apareceu hoje para se despedir de nós!
Lily, que havia colocado três almofadas sobre o rosto por causa da claridade, jogou tudo longe quando assimilou a última frase da amiga.
- Se despedir?
- Sim ruiva, se despedir. Aslam me disse que já estamos prontas. No caso, quando ele diz 'estão prontas', é claro que ele quer dizer que você está pronta. Já que, pelo que pude perceber, eu só vim mesmo fazer turismo. E foi bárbaro!
Lucy deu um gritinho e pulou na cama deitando no travesseiro de Lily.
- O Grande Rei está em cólicas lá embaixo. Susan teme que ele faça um buraco no assoalho de tanto andar de um lado para o outro.
- Você pode falar um pouco mais devagar? Minha cabeça está dando voltas...
- É melhor você se vestir logo. Edmund prometeu que nos leva pra ver o mar mais uma vez antes de irmos embora.
Lucy sorriu e saiu do quarto, deixando para trás uma Lily completamente confusa.
- Ainda não quero ir embora... – Sussurrou a ruiva enquanto levantava da cama e trocava de roupa.
Encontrou no guarda-roupa um lindo vestido cor pêssego, que contrastava muito bem com seu cabelo vermelho-fogo.
Depois de trocar de roupa e escovar os dentes, desceu para a imensa sala de jantar, onde Peter e Edmund ainda comiam e Susan mostrava para Lucy E. como manusear seu arco-e-flecha.
- Su, você não acha perigoso ensinar uma coisa dessas para a Lucy aqui dentro do castelo? Pelo o que eu conheço essa figura, não vai sobrar uma louça e um único cristal inteiro!
- Olá Lis! – A loirinha cumprimentou a amiga e sorriu. – Cuidado com seus comentários quando sou eu quem está segurando o arco-e-flecha...
Lily cumprimentou os irmãos Pevensie e sentou-se ao lado de Peter.
- Bom dia Lily. – O Grande Rei a recebeu com um beijo. – Teve uma boa noite?
- Parece que nunca dormi tão bem em toda a minha vida! – Respondeu a ruiva servindo um pouco de suco. – E esse arco-e-flecha, Su?
- Foi um presente que ganhei quando chegamos em Nárnia. Cada um de nós, com exceção de Edmund que era prisioneiro da feiticeira, recebeu uma arma para se defender. Foi o próprio Papai Noel que nos entregou os presentes, quando, pela primeira vez em cem anos, Nárnia tinha um Natal e o eterno inverno começou se extinguir.
- A Lucy recebeu um elixir de cura, e eu, minha adorada espada.
- A espada que usamos na luta contra Littar?
- Essa mesma.
- Podemos ver o mar agora? – Perguntou Lucy E. sentando-se na mesa de frente para Lily.
- Eu queria falar com Aslam...
- Ele já foi embora, Lily. Ficou de nos encontrar na praia, mais tarde.
- É verdade mesmo que já vamos embora?
- Sim, é verdade... – Falou Susan e um rápido abatimento recaiu sobre todos eles.
- Por isso temos que aproveitar tudo que pudermos hoje. – Lucy estendeu a mão sobre a mesa, segurando a de Lily. – Aposto que o monitor-chefe não está dando conta do trabalho sem a sua ajuda.
Lily riu e voltou a comer. Lucy não conseguia mesmo deixar que ela esquecesse de James...
Quando estavam todos prontos, e Lucy Pevensie acordou, seguiram a cavalo para a praia.
Susan aceitou ir a pé para acompanhar Lucy E. que não quis nem pensar em conversar com o cavalo que estava disposto a fazê-la perder o medo.
- Se pudesse, moraria aqui pra sempre.
- Eu sei... Mas pelo o que você me contou, não acredito que tivesse coragem de deixar seus amigos para trás no seu mundo, enfrentando toda aquela guerra, sozinhos.
- Não teria mesmo. Infelizmente... – A loirinha sorriu. – Mas isso não significa que eu não queira mais do que qualquer coisa, permanecer aqui em Nárnia.
- Eu entendo. – Susan fez uma breve pausa. – Estive observando que você não tira esse colar por nada nesse mundo.
- Esse? – Lucy apontou para o pingente de uma estrela de quatro pontas que trazia sempre no pescoço. – Foi a Lily quem me deu esse colar. No nosso primeiro Natal em Hogwarts.
- E desde então, você nunca o tirou?
- Nunca.
- Eu queria te dar uma lembrança de Nárnia, então tinha pensado em um colar que enfeitou todas as rainhas que passaram por Cair Paravel. É o colar que simboliza o amor.
- Pra mim seria uma honra! – Lucy parou de súbito e abriu um enorme sorriso. – Mas...
- Eu sei, não quer tirar o colar que ganhou da Lily. – Susan tirou uma delicada gargantilha que trazia em seu pescoço. – Mas acaba de me ocorrer uma idéia...
A rainha Susan se aproximou de Lucy e colocou o cordão em torno do pescoço da loirinha, depois ajeitou o pingente por baixo da estrela dada por Lily.
Como que por mágica, os dois pingentes se encaixaram, e a estrela, antes de quatro pontas, agora tinha cinco, e no centro brilhava levemente a figura de um Leão.
- Nunca imaginei que um podia completar o outro...
- Que lindo. – Lucy falou pasma, acariciando seu novo colar. - Isso é incrível!
- Isso é magia. – Falou Susan sorrindo.
- Já me decidi. – Falou Lucy E. quando chegaram à praia e ficaram um tempo observando a paisagem. – De todos os lugares de Nárnia, esse mar é a paisagem mais espetacular!
- Eu ainda acho que a visão que temos em Cair Paravel, onde vemos todo o território Narniano, é a mais linda de todas. – Discordou Edmund e no fim, cada um tinha uma opinião diferente de qual era seu lugar preferido.
Lily e Lucy apostaram corrida pra ver quem chegava primeiro ao mar e como as duas chegaram praticamente juntas, Peter, o Grande Rei, foi quem teve que decidir quem venceu. E é lógico que ele decidiu por Lily.
Depois de exaustos de brincar no mar, as Lucys resolveram disputar contra Susan e Edmund qual dupla faria o castelo de areia mais bonito. Enquanto isso Lily e Peter foram dar uma volta na praia e juntar conchinhas para enfeitar os castelos.
Quando o casal voltou do passeio, todos decidiram almoçar. Susan, que havia trazido uma cesta cheia de guloseimas, organizou um delicioso piquenique. Já quase no fim da tarde, depois de Lily e Peter votarem em seus castelos de areia preferidos (votação que providencialmente deu empate), os seis amigos sentaram de frente para o mar observando o pôr do sol e acompanhando, onda a onda, os castelos se desmancharem.
- Vou sentir tanta falta dessa paz... – Comentou Lily deitando a cabeça no ombro de Peter.
- Quem sabe a gente não possa voltar aqui nas próximas férias? Antes de eu partir direto para o curso de Aurores...
- Infelizmente aqui não é uma colônia de férias, Lu... – Peter falou sorrindo.
- Mas podia ser... Eu me sentiria completamente em paz e preparada para a guerra que está acontecendo lá no nosso mundo...
- Vocês já estão muito bem preparadas, Lucy.
- Aslam! – As duas grifinórias correram para abraçar o Grande Leão.
Peter sentiu um frio na barriga quando percebeu que chegara a hora que tanto temia: se despedir de Lily.
- Tem certeza que não é muito cedo para levá-las de volta Aslam? – Lucy P. traduziu em palavras o sentimento do irmão e o Leão pareceu lhe sorrir bondosamente.
- A missão delas aqui em Nárnia foi cumprida. Elas já estão preparadas para o que está por vir.
- Se você acha que eu estou pronta para carregar o meu fardo, Aslam... – Lily sorriu. - Apenas não sei como vou poder enfrentar Voldemort que é um bruxo tão poderoso!
- Minha querida, assim como Peter, Susan e Lucy, você também possui uma arma, uma arma mais poderosa que qualquer outra...
- E como posso encontrar essa arma, Senhor?
- Você já a carrega consigo, porém irá encontrá-la no momento em que mais precisar. Quando todas as outras armas já tiverem falhado, quando tudo parecer perdido e a esperança estiver por um fio, procure por sua estrela, minha lembrança a fará achar a arma que salvará o seu mundo.
- Minha estrela?
- É chegada a hora, filhas de Eva, vão e lutem com todas as forças para ajudar seu mundo, ele precisa da coragem e determinação que vocês mostraram aqui...
Lucy E. que até então observava tudo em silêncio deixou cair uma lágrima. Sentiria falta daquele lugar tão maravilhoso.
- Queria continuar aqui, é tudo tão lindo! – Falou enquanto reprimia um soluço, nunca gostou de despedidas.
Lily também deixou uma lágrima solitária lhe escorrer pelo rosto enquanto se despediram dos reis de Nárnia. Susan e Lucy também choraram quando abraçaram as amigas.
- Será que voltaremos a nos ver? – Perguntou Peter quando Lily o abraçou.
- Espero que sim... – Ela falou num sussurro.
Lily e Lucy abraçaram Aslam carinhosamente.
- Obrigada por tudo Aslam! – Falou a ruiva.
- Não esqueça o que aprendeu aqui Lily.
- Não vou esquecer!
De repente tudo começou a girar muito rápido e as duas garotas tiveram a impressão de estar viajando com uma chave de portal.
Mas com a mesma velocidade que começou, elas pararam de girar e sentiram-se cair com um baque no chão. Piscaram os olhos várias vezes para acostumá-los com a escuridão do lugar.
Ainda sentada no chão, Lily procurou a mão da amiga.
- Você está bem?
Lucy tossiu várias vezes antes de responder.
- Tirando a parte que eu comi um monte de terra? Sim, estou bem. E você?
- Sim... Onde será que estamos?
Lucy puxou sua varinha que estava amarrada numa fita do vestido.
- Lumus Solem. – Girou tentando identificar o lugar. – Estamos no fundo do penhasco em que caímos antes de ir parar em Nárnia. Foi aqui que eu estive com a Alice aquela vez.
- Então você sabe como sair daqui?
Lucy balançou a cabeça afirmativamente.
- Prepare-se, cara Lily, é uma longa caminhada.
- Você acha que elas vão conseguir Aslam? – Perguntou Susan.
O Leão parou de andar e virou para trás encarando os irmãos Pevensie.
- Se não acreditasse, não as traria para Nárnia.
- Mas é um fardo muito grande o da Lily. – Falou Peter.
Aslam balançou a juba.
- Eu sei. É por aí que entra a missão da Lucy.
- Missão da Lucy? – Susan perguntou estupefata. – Mas você não falou nada sobre uma missão dela, falou apenas da Lily...
- Porque não era necessário. Na hora certa ela vai saber o que é melhor a fazer, mesmo que isso...
Aslam interrompeu-se e voltou a andar.
- Mesmo que isso? – Perguntou Lucy curiosa.
- O que eu posso dizer é que as coisas vão acontecer como devem acontecer e elas vão estar preparadas para o que for.
O dia já tinha amanhecido e o sol já estava alto quando Lucy conseguiu se localizar na floresta novamente. Depois de tanto tempo caminhando em silêncio, Lily virou-se sorrindo para a amiga.
- Mesmo estando há sete anos no mundo bruxo, Nárnia foi a coisa mais mágica que me aconteceu.
- Tenho a mesma impressão. – A outra concordou. - Ai.
Lucy parou pra desenroscar um galho que prendeu em seu braço.
- Acho que depois dessa temporada em Nárnia estamos mais do que prontas pra enfrentar Voldemort e suas bonequinhas.
- Mas Voldemort já? Enlouqueceu Lucy?
A loirinha gargalhou.
- Lily, foi a maior aventura das nossas vidas! Em apenas uma semana nós conhecemos animais falantes, reis de verdade, um Leão que é o máximo, anões, gigantes, faunos, dríades... Sem contar que eu fui seqüestrada, que você lutou com espada contra o Littar, matou um calormano pra me salvar, quase me devolveu pra ele, salvou a vida do Grande Rei e ainda o deixou pra trás completamente caidinho por você!
- Olhando por esse lado... – Lily riu também.
- Que venha Lord Voldemort e suas bailarinas! Nem eles serão páreos ao golpe da sua espada, ruiva!
- É, vai nessa sua doida. Antes de nos preocuparmos com Voldemort temos coisas de interesse imediato pra resolver.
- Como o que, por exemplo?
- Como explicar onde estivemos por uma semana, não é pra qualquer um que vamos poder contar sobre Nárnia.
- Eu não vejo problema em contar a verdade pra quem realmente se importaria com o nosso sumiço... – Lucy começou a contar nos dedos. – Alice, Gwen, Remus, Sirius, James, Frank e o Ed.
- E McGonagall e Dumbledore e o professor Slug e o Hagrid e...
- Entendi. Talvez tenhamos mesmo que pensar em uma boa história. Ai de novo!
Lucy tinha prendido a roupa em outra árvore.
- Prefiro as florestas de Nárnia. Lá as árvores não atacavam a gente!
- Estamos quase fora da floresta, Lu. – Lily riu e voltou pra ajudar a amiga a se desvencilhar dos galhos.
- Posso saber onde é que as madames estavam? – Elas ouviram atrás de si uma voz desagradavelmente conhecida.
Viraram o mais devagar que puderam para encarar os olhos faiscantes do zelador Filch.
- Se te falássemos, você não acreditaria, senhor Filch. – Falou Lucy prendendo a respiração.
- Mas é bom terem uma boa explicação para dar à Professora McGonagall. Vamos!
Lily engoliu em seco. Estar em Nárnia era maravilhoso, mas depois de vários dias longe da escola com certeza a professora já estaria furiosa. E encarar McGonagall furiosa podia ser o fim da sua tão sonhada carreira de monitora chefe.
- Sim, nós teremos uma boa história. Mas antes o senhor pode me responder por gentileza que dia é hoje? – Lucy perguntou com seu sorriso mais inocente.
- Não estou para brincadeiras, mocinha!
A loirinha deu um suspiro e seguiu com Lily atrás do zelador. Fizeram em silêncio todo o percurso até a sala dos professores. Filch levantou a mão pra bater na porta quando a mesma abriu repentinamente dando passagem ao professor de poções.
Slughorn estancou ao ver o estado das vestes das garotas. Estavam com as roupas de Nárnia completamente sujas e rasgadas.
- O que aconteceu com vocês? – Perguntou ele ainda sem conseguir se mover.
As duas grifinórias também pareciam grudadas ao chão. E sem conseguir articular explicação alguma, começaram a gaguejar uma porção de coisas sem sentido.
- Eu as encontrei na orla da floresta proibida. – Explicou Filch.
McGonagall que tinha escutado o balbuciar das duas meninas, correu para a porta e murmurou, aliviada, um 'Graças à Merlin'.
- Quase morremos de preocupação!
- Estamos bem. – Lily respondeu num sussurro.
- E onde foi que se meteram vocês duas? – Perguntou a professora assumindo seu tradicional modo severo.
- É uma longa, muito longa história, professora. – Lucy falou cansada.
- Pois bem, vocês vêm comigo até a sala de Dumbledore e depois...
- Dumbledore? – Perguntaram em tom choroso.
- Sim, Dumbledore. Passaram o dia de ontem inteiro desaparecidas... Dumbledore já acionou inclusive o esquadrão ministerial de aurores. Pensamos que tivessem sido raptadas por Comensais.
- Que idéia absurda... – Lucy sussurrou para a amiga.
McGonagall não escutou, pois tinha sua atenção voltada para o professor Slughorn.
- Sua aula de agora é com os setimanistas, não? – Perguntou e Slughorn concordou com um gesto de cabeça. – Pode avisar os grifinórios que as duas já apareceram e que estão bem. Agora vamos ver o diretor.
Lucy passou as mãos no rosto, completamente cansada e fez uma careta quando McGonagall seguiu apressada para uma estátua de Gárgula. Lily deu um tapa na mão da amiga e murmurou um 'comporte-se' receando que a professora virasse de repente e flagrasse as expressões da loirinha.
- Eu estou suja, cansada, com fome e morrendo de medo de Dumbledore... Nem Merlin pode condenar minhas caretas!
Lily girou os olhos e puxou Lucy pela mão para andarem mais rápido. Pararam atrás de McGonagall enquanto a estátua de Gárgula se movia dando passagem a uma escada em caracol.
N/a:
QUE SAUDADES!!!
Meus amores, nem tenho palavras pra me desculpar por tanto atraso, mas tenho muito a agradecer pelas reviews e e-mail´s que eu recebi nesses últimos tempos me pedindo pra voltar logo. Eu não pretendo abandonar ABA de jeito nenhum, e sei que vocês merecem pelo menos alguma justificativa da minha parte.
Aconteceram tantas coisas nesses últimos meses que pediam minha prioridade, como minha casa-marido-casamento, estudando pro vestibular, mudança de casa (limpa, desmonta móveis, encaixota tudo, limpa a casa nova, monta os móveis, tira tudo das caixas... ¬¬), aulas pra tirar a carteira de motorista e parar de dirigir com medo de blitz (olha o exemplo.. tsc, tsc), leitura do HP7 e mais uma promoção no meu trabalho, o que ocupa minha cabeça e minha atenção durante todo o dia, não é fácil!
Mas enfim, estou conseguindo colocar tudo em ordem e já estou programada pra atualizar regularmente ABA e NSM, em especial ABA por enquanto. Se vocês ainda me quiserem por aqui, claro...
Agora eu já vou... Peço desculpas mais uma vez por tanto atraso e também repito meus agradecimentos pelo incentivo e carinho de todo mundo, é por isso que não pretendo parar com ABA.
Beijos enormes!!
Próxima atualização: 24 de Agosto.
