Capítulo 30 – DCAT
Torre dos Leões, dormitório feminino do sétimo ano. Lily acabara de contar para as amigas como Sirius a defendeu contra os Sonserinos e como fora flagrado pela monitora que lhe aplicou uma detenção.
- Não se culpe, Lis. Ele já está mais do que acostumado, e aposto que se divertiu muito azarando os Sonserinos.
- Mesmo assim. Fico satisfeita pela professora McGonagall ter aceitado que eu monitorasse a detenção dele.
- Mas Lis, você odeia monitorar detenções dos marotos. – Falou Alice.
- Eu sei. Mas sinto que não agradeci suficiente, e ainda me sinto responsável por essa detenção. – Respondeu a ruiva abrindo seu livro de poções.
Lucy deu de ombros e deitou na cama comendo uma barra de chocolate.
- Gwen, você não disse que tinha um assunto pra conversar com a gente?
- Tenho... Professor Kirke, a pedido de Dumbledore, está montando um grupo "clandestino" - A garota fez o sinal de aspas com as mãos – de Defesa Contra as Artes das Trevas.
- Grupo de DCAT? Porquê isso? – Perguntou Lily.
- Pra quem estiver disposto a lutar contra as forças de Voldemort. Vai ser como um grupo de estudos de matéria avançada.
- Sou candidata! – Lucy levantou da cama num pulo – O que eu preciso fazer pra entrar nesse grupo?
- Ser escolhida. Não vai entrar qualquer aluno, vai participar apenas quem for escolhido por se destacar em alguma coisa.
- Eu sou a melhor aluna de Trato de Criaturas Mágicas! – A loirinha falou alegre fazendo as amigas rirem. – Quem é que está escolhendo os participantes?
Gwenda se ajeitou melhor na cama, cruzou as pernas e abriu um sorriso quase maníaco antes de responder:
- Eu.
Lucy soltou um gritinho e correu até a cama de Gwenda.
- Estou dentro, não estou?
- Não. – A morena respondeu rindo da cara de decepção de Lucy – O que você tem de especial pra ser aceita?
- Gwen não faz isso com a coitadinha! – Falou Lily – Ela vai ter um colapso se ficar fora disso.
- Deixa, Lis. Eu tenho um trunfo. – Falou a loirinha fazendo Gwenda arquear uma sobrancelha desconfiada. - Não que minhas habilidades com TdCM não seja um ótimo argumento, mas vocês esqueceram que eu sou Legilimente?
Gwenda abriu um enorme sorriso.
- Bem vinda, Lucy. Você é a primeira participante do "Gwen de DCAT".
- "Gwen de DCAT"? – Perguntou Lily levantando os olhos do livro de poções.
- Ficou uma ótima pronúncia, não? – Gwenda falou orgulhosa.
- E quantas pessoas vão participar do "Gwen de DCAT"? – Perguntou Alice.
- Inicialmente, dez pessoas. Professor Kirke quer poucos alunos nessa primeira experiência.
As meninas ficaram em silêncio por um tempo, as quatro se encarando como se ocorresse à todas elas a mesma idéia. Foi Lucy quem traduziu o sentimento delas em palavras:
- Nós quatro deveríamos participar. Eu sou Legilimente, Alice pode ver coisas através dos sonhos e Lily pode sentir quando está acontecendo alguma coisa errada.
- Você esquece que eu não posso controlar meus sonhos, Lucy. – Falou Alice – E não lembro dos sonhos depois...
- E eu ainda não consigo controlar as tais vibrações negativas.
Gwenda e Lucy trocaram um olhar cúmplice.
- É pra isso que vai servir o grupo, Lis. – Falou a morena – Aperfeiçoar as habilidades naturais que alguns estudantes especiais têm.
- Sinto muito, Gwen. Mas não vai dar pra eu participar do seu grupo. Já estou transbordando de coisas pra fazer e não vou dar conta nem da metade desse jeito.
- Lice? – Gwenda fez sua melhor cara de pidona.
- Ainda não sei se eu quero, o negócio dos sonhos é muito ruim pra mim. Mas prometo que vou pensar.
- Acho que você é a única participante voluntária, Lucy.
- Voluntária não, desesperada! – Falou Lily sorrindo.
A loirinha riu.
- Claro que não, só precisamos de um por cento dos estudantes de Hogwarts, Gwen. Vamos montar esse grupo em dois tempos. – Lucy piscou um olho.
- Como assim, 'vamos'? Já está se incluindo na seleção dos alunos também?
- Sim. Como primeira e única participante do grupo eu tenho o cargo de... De... Sei lá, 'caça-talentos'?
As quatro amigas riram.
Torre dos Leões, dormitório masculino do sétimo ano. Sirius acabara de contar para os amigos como defendeu Lily dos Sonserinos e como fora flagrado por Bellatrix que lhe aplicou uma detenção.
- Você não devia ter feito uma coisa dessas por aquela ingrata. – Foi o comentário de James quando terminou a narrativa do amigo.
- Até parece que você não faria o mesmo, Pontas.
- Disse certo, faria. Depois de ela ter me ameaçado como ameaçou, não moveria uma único dedo pra defendê-la.
- Eu concordo com o Almofadinhas. – Remus entrou na conversa. – Mesmo bravo com a Lily, você não a deixaria ser azarada pelos Sonserinos. Eram dois contra uma.
- Vocês também concordavam, e até apostaram, que eu não ficava dois dias sem falar com a Evans...
Remus fechou o livro que estava lendo e encarou James pensativo.
- Você pensa em abandonar de vez a idéia de conquistar a ruiva?
- Penso Remus. – O maroto ajeitou os óculos. – Nunca me fez muito bem gostar dela.
- Mas James, você nunca quis de verdade se aproximar da Evans. Você sabe que eu entendo de garotas, mas nunca entendi a monitora, mesmo assim acho que não é provocando ela que você vai conseguir alguma coisa...
- Cheguei ao fundo do poço. – James desabou na cama e sorriu. – Ouvindo conselho do cachorro-mor de Hogwarts?
Remus sorriu e Sirius jogou seu travesseiro em James.
- Você sabe que eu estou certo, não sabe?
- Imagino que sim... – James deu de ombros. – De qualquer forma, eu estou com a Emily, e estamos muito bem.
- A Emily? – Perguntaram Remus e Sirius em uníssono. Sirius fez uma careta.
- Ela é pegajosa! E chata! E tem aquela voz irritante...
- Mas não me odeia, não me xinga, não me evita e não me ameaça.
- E também mexe bastante com você, hein? Ao invés de defendê-la, você só a comparou com os pontos negativos Lily...
James encarou a foto da ruiva que permanecia na cabeceira de sua cama e suspirou.
- Eu ainda gosto daquela pimentinha...
- Então mude de atitude. – Remus falou sorrindo.
- Não enquanto ela não me pedir desculpas. Ela ameaçou contar nosso segredo para o professor Dumbledore! E nem quis ouvir as minhas explicações!
- Olha, a conversa está ótima, mas eu tenho que ir... – Disse Sirius se levantando da cama. - Tenho uma detenção a cumprir.
O maroto chegou pontualmente oito da noite na cozinha onde seria sua detenção, picando frutas para os elfos.
- Boa noite, Black. – Cumprimentou Lily antes de abocanhar uma maçã.
- Evans? – Ele perguntou fazendo quase uma careta. A monitora-chefe sempre tornava suas detenções memoráveis.
- Eu pedi que McGonagall me deixasse monitorar a sua detenção.
- Hum...
Lily sorriu e se aproximou dele.
- Você não precisava ter feito aquilo.
- Não? Evans, você estava sem varinha e eles pretendiam te machucar...
- Mas eu nem sou sua amiga. Aliás, sempre que posso coloco você e o Potter em detenção...
Sirius deu de ombros e se aproximou da mesa de frutas e começou a cortá-las, sem auxílio de magia, do jeito que os elfos gostavam.
- Eu teria feito aquilo por qualquer pessoa. – Ele parou subitamente e um sorriso maroto se formou. – Qualquer não. Se fosse o Seboso, eu ajudava a azarar.
Lily sorriu.
- Você não devia falar uma coisa dessas na frente de uma monitora... Ainda mais do Severus. – A ruiva fez uma pausa. – Eu queria saber como posso te agradecer Black.
- Simples. Nunca mais me chame de Black. Eu detesto quando as pessoas me lembram que eu já fui daquela família.
- Não é mais?
- Eu saí de casa e provavelmente o meu nome já foi 'queimado' da árvore genealógica, estou morando agora com o Pontas, digo, o...
- O Potter.
- É... O James. Mas um tio meu morreu e me deixou uma boa herança, o que vai fazê-lo ser 'queimado' da árvore também, então nas próximas férias eu vou comprar um apartamento em Londres.
- E vai morar sozinho?
- Sim, o que tem demais? Você... Depois do que aconteceu, não pretende morar sozinha?
Lily ficou um instante em silêncio.
- Desculpe tocar no assunto... Foi sem querer.
- Está tudo bem. – Lily sorriu – Eu estou morando na casa da Lucy. É uma casa enorme e ela se sente muito sozinha lá. Não teria a sua coragem para morar sozinha.
- Não teria? Então está na grifinória por engano?
A ruiva riu de leve.
- Talvez... Quem sabe no fundo eu seja mesmo uma Sonserina... Mas é uma delícia morar com aquela doida da Lucy.
- Imagino. – Sirius sorriu e voltou a atenção para as frutas.
- Pára com isso. – A ruiva falou séria e balançou a varinha. Em dois segundos todas as frutas apareceram cortadas e separadas cada variedade em uma tigela diferente.
- Você acaba de quebrar uma regra! – Sirius falou estupefato. – Isso vai entrar para a história de Hogwarts.
- Você só está nessa detenção por minha causa, nada mais justo que eu te ajudar também.
Sirius sorriu.
- Até que você não é tão má quanto parece.
- Eu pareço má? – Lily perguntou num falso tom de ofendida.
- Se existia um nome que me causava medo, esse nome era Lily Evans.
- Nossa! – Lily gargalhou. – Preciso mudar essa imagem! Vou tentar ser menos nervosa com você daqui pra frente.
- Será que vou ganhar uma amiga?
- Você sabe o que é isso?
- Bom, na grifinória a Alice, a Gwenda e a Lucy são minhas amigas...
Lily estreitou os olhos.
- Mas já deu em cima da Lucy.
- Ah... Bom, se a sua preocupação é essa, fique sossegada. Eu não trairia meu melhor amigo.
- O Potter não gosta de ninguém além dele mesmo.
- Você é muito cabeça-dura, mas... Só o tempo vai provar se tem mesmo razão.
- É... – Lily achou melhor não discutir. – Vamos voltar para o Salão Comunal?
- Só mais uma coisa, como eu vou poder te chamar? Devo continuar com o 'senhorita Evans'?
- Não precisa. Pode me chamar de Lily.
- Combinado, Lily.
O mês de outubro chegou com menos chuva e as aulas de Trato de Criaturas Mágicas, que haviam sido suspensas no fim de setembro, foram retomadas para a felicidade de Lucy.
- Olá Marlene!
- Bom dia Lucy. Animada?
- Senti muita falta de TdCM, essas aulas ao ar livre são uma delícia.
- Mas não tivemos TdCM por apenas duas semanas! – A morena falou rindo.
- Pra mim é uma eternidade! É uma das aulas que eu mais gosto. Junto com DCAT, é claro.
- Vamos chegar mais perto? Pelo que soube, hoje vamos estudar os Clabberts, e eu os adoro!
Lucy concordou e elas se acomodaram o mais próximo possível da mesa do professor Kettleburn.
- Bom, hoje é ele quem está atrasado... – Lucy comentou fazendo Marlene sorrir. O costume da loirinha se atrasar era de conhecimento geral.
- Seu amigo, o Lupin, também está atrasado.
- Ah, o Remus. Ele não vem hoje, está doente.
- Ele falta bastante, não?
A loirinha abriu um mínimo sorriso antes de responder.
- Ele é muito doentinho... Está sempre com alguma coisa...
Antes que a conversa pudesse continuar, o professor Kettleburn chegou pedindo desculpas pelo atraso e comentando que 'devia estar mesmo muito atrasado, pois até a senhorita Eyelesbarrow já tinha chegado'.
- Como vocês já devem estar sabendo, hoje estudaremos os Clabberts. O Clabbert é uma criatura fascinante, arbóreo, lembra uma cruza de mico com sapo. Possui uma pústula no meio da testa que fica vermelha e faísca quando ele percebe algum perigo. Antigamente...
O professor seguiu as explicações enquanto cada aluno se dirigia até mesa dele pegar um Clabbert para si.
Enquanto ele falava sobre a história e características, Marlene começou a conversar com o seu animalzinho.
- Lene você está bem?
- Sim. Você não devia apertar o Arnold desse jeito...
- Arnold?
- Sim, é o nome do seu Clabbert. E você está machucando a patinha dele.
- Oh. Desculpe, Arnold. Assim está melhor?
O animal soltou um grunhido e Marlene traduziu para a loirinha.
- Ele disse que está bastante confortável agora.
Lucy riu.
- Lene você é tão convincente que parece que está conversando de verdade com eles.
- Lucy, eu estou conversando de verdade com eles.
- Isso definitivamente não é possível.
Foi a vez de Marlene rir.
- Na magia tudo é possível.
- Por um acaso você já esteve em Nárnia?
- Nárnia? O que é isso?
- Nada, esquece. – Lucy achou que não era o momento pra falar sobre Nárnia com Marlene. – Mas você pode conversar com todos os animais?
- Sim. Todos que quiserem conversar.
- Isso me dá idéias...
- Senhoritas Eyelesbarrow e Mckinnon, já fizeram o exercício? – Perguntou o professor Kettleburn parando em frente as duas setimanistas.
- Exercício? Desculpe professor, mas nós estávamos...
- Conversando. – Completou um tanto irritado. – Se gostam tanto de Trato das Criaturas Mágicas quanto dizem, deviam, ao menos, prestar atenção na aula.
As garotas se desculparam mais uma vez e fizeram o exercício pedido pelo professor.
Depois das aulas da tarde as setimanistas da Grifinória tinham como costume sentar para descansar à sombra de uma árvore à beira do lago negro. Como naquela tarde Lily tinha uma reunião com os monitores e Alice estava com Frank, apenas Lucy e Gwenda mantinham a tradição.
Naquele momento Lucy contava para a amiga que tinha convidado Marlene para participar do grupo de DCAT.
- E além de tudo ela é ótima aluna de transfiguração e poções.
- Então eu já tenho duas participantes voluntárias. – Gwenda falou sorrindo. – Queria tanto que a Lily e a Lice aceitassem participar.
- Eu ouvi meu nome... – Comentou Alice se aproximando das amigas.
- Alice, você precisa aceitar participar do grupo especial de DCAT. – Falou Gwen olhando para cima e cobrindo os olhos com a mão por causa do sol forte que estava de frente pra ela. – Daqui a poucos meses vamos sair da proteção de Hogwarts e, querendo ou não, você vai ter que enfrentar a guerra. Não é melhor que esteja preparada, para o caso de algum... Imprevisto?
Alice ficou um tempo encarando Gwen, depois sentou no seu lugar preferido, com os pés dentro da água e olhou sorridente para Lucy.
- Você acha que eu devo aceitar, Lu? Não sei se ela foi convincente o bastante.
- Olha... Se eu fosse usar o meu método de persuasão, você provavelmente estaria com uma varinha encostada no pescoço. – A loirinha falou sorrindo.
- Então eu vou aceitar logo, antes que ela apele para a 'caça-talentos'.
- Ótimo. Muito sensato Lice.
- Queria saber se existe a possibilidade do Frank participar também?
- Claro que sim! Bom, então agora temos quatro participantes! – Gwenda exclamou feliz. – Só faltam seis...
N/a:
Olá pessoal!!
Ainda tem alguém por aqui?? o.O
Bom, eu não tenho muito pra falar sobre a demora para atualizar (apenas que foi um pouco de tudo da mistura trabalho-faculdade-casamento), mas quero agradecer as review's e e-mail's que tenho recebido pedindo para continuar... Vocês são umas gracinhas. Também quero dedicar essa postagem à minha filhinha Jane que conversou comigo essa semana e me estimulou a voltar, Jane lindinha, esse capítulo é especial à você flor! XD
Um beijo especial para as review's do capítulo passado: miss Jane Poltergeist, Srta. Wheezy, Jhu Radcliffe, .Insane.Marauder., Mrs.Na Potter, Miss Moony, Andrew Stepking, Rose Anne Samartinne e Lin Argabash.
Depois de alguns meses vocês ainda lembram da campanha do SAL?
Críticas, elogios, reclamações, sugestões... O 'GO'em baixo de cada capítulo funciona como um perfeito SAL (Tempero para eu escrever melhor, ou simplesmente: Serviço de Atendimento ao Leitor), e seu comentário é recebido 24 horas por dia!
