Capítulo 33 – Voltando ao quarto do monitor


- Ruiva eu preciso falar com você. – Lucy se sentou de frente para a amiga na biblioteca.

- Só depois que eu estudar para DCAT.

- É sobre DCAT mesmo. – Falou Lucy conseguindo a atenção da amiga. – Professor Kirke faz questão da sua presença no grupo de estudos. E, não me pergunte como, ele já sabe sobre o seu dom e sobre a sua missão. Então ele acha, e parece que Dumbledore também, que você deve estar muito bem preparada.

- Eu não tenho tempo pra isso, Lu!

- As reuniões serão apenas duas noites por mês. Você dedica muito mais do que isso para os seus estudos individuais de DCAT, seria muito mais proveitoso se você aceitasse estudar conosco.

- Estamos insistentes hoje, não?

- Professor Kirke quer que eu te convença de qualquer jeito. E ele não quer precisar falar com a McGonagall e pedir pra ela te deixar livre das responsabilidades da monitoria...

- Ah, é uma ameaça? – Lily perguntou sorrindo.

- Depende se vai funcionar...

A ruiva encarou Lucy pensativa e depois de um tempo em silêncio deu de ombros.

- Tudo bem, vamos ver no que é que vai dar essa história...

- Obrigada Lis. – Lucy deu um beijo na bochecha da amiga. – A ameaça era só pra forçar a barra.

A ruiva sorriu e começou a guardar seus materiais.

- E quando será nosso primeiro encontro?

- Depois de amanhã. Vai voltar pra torre comigo?

- Sim, já chega por hoje. – Lily fez uma pausa. – O Remus me contou que foi convidado pelo professor Kirke para ajudar a Gwen no grupo.

- Pois é...

- E tenho certeza que tem dedo seu nessa história. – Falou sorrindo. – Você aceitou muito fácil que a Gwen preenchesse as duas últimas vagas.

- Sério? E o que você acha que eu posso ter feito? – Perguntou a loirinha sorrindo também.

- Eu esperava que você me dissesse.

Lucy diminuiu o passo para demorarem mais a chegar à torre dos leões.

- Na verdade não foi nada demais, apenas conversei com o professor Kirke o que a própria Gwen tinha me confessado. Que ela estava um pouco insegura e que talvez precisasse de ajuda. E simplesmente o nome do Remus surgiu na conversa como uma opção, só isso.

- Você não presta.

- Eu sei que não.

As duas grifinórias subiram para o dormitório feminino, mas não encontraram Alice e Gwenda por lá. Lucy avisou que iria tomar banho antes de descerem para o jantar e Lily prometeu esperar pela amiga. Decidiu aproveitar o tempo pra organizar os livros que já estavam um pouco fora de ordem.

Como tinha combinado com as amigas no início do ano letivo, todos os livros delas ficariam juntos na mesma prateleira. Havia muitos ali que ela ainda precisava estudar... Matérias antigas para rever... Matérias que por falta de tempo nunca tinham sido nem lidas...

A pasta preta de Lucy de recortes sobre a guerra estava sempre atualizada, se a loirinha achava que era importante, Lily não iria discutir. Folheou página por página despreocupadamente e parou com um aperto no coração na página que tinha o jornal com a matéria do assassinato de seus pais.

No canto da página, alguns nomes de Sonserinos escritos com a letra da loirinha e o nome do Malfoy com um risco em cima. Lily sabia que o próprio Dumbledore descartara a chance do Sonserino estar no ataque, só não entendia por quê.

Quando foi guardar a pasta no lugar, um livro de capa preta e sem título lhe chamou a atenção.

Lily abriu o livro e ele explicava detalhadamente um feitiço de transfiguração, justamente o que a ruiva teve dificuldade na aula daquela terça-feira mais cedo.

- Não é possível.

Naquele momento Lucy saiu do banho reclamando que a água estava quente demais.

- Lucy, por favor, me diz que isso não é o que eu estou pensando.

- Oui. Não é o que você está pensando, Lis.

- Agora pode falar a verdade.

- É o que você está pensando. – Lucy mordeu o lábio inferior. – Eu sei que não podia, mas não resisti.

- A professora McGonagall nos proibiu de tirar qualquer livro daquele quarto.

- Foi nele que eu aprendi aquele feitiço de cura... E foi muito útil no ano passado quando fomos atacadas pelos Sonserinos.

- Ah... Os Sonserinos que você colocou na cabeça que nós deveríamos seguir?

- Exatamente. Eles te machucaram muito, você lembra? E de qualquer forma também foi importante no dia que o Sirius jogou a Alice naquele penhasco, quando estávamos colhendo a 'chuvinha japonesa' pra te salvar, ruiva.

- Ainda assim... Esse livro tem algum feitiço muito complexo!

- Disso eu não tenho dúvida. Mas continua sendo útil da mesma forma.

Lily balançou a cabeça e sorriu de leve.

- É impossível colocar um pouco de juízo nessa sua cabecinha de vento.

- Vai me deixar ficar com o livro?

- Não. Nós vamos devolvê-lo agora.

- Lis... – Lucy choramingou.

- Agora.

A ruiva saiu do dormitório feminino com Lucy em seu encalço e as duas foram direto para o corredor estreito no quarto andar, parando apenas em frente ao lindo quadro da feiticeira branca.

- Jadis. – Murmurou Lucy.

- O que será que uma pintura dela faz aqui em Hogwarts? – Perguntou Lily que já tinha ficado sabendo pela amiga que esse quadro era da feiticeira branca.

- É um mistério, não? – A loirinha sorriu. – Agora precisamos adivinhar a senha.

Lily abriu o livro e as palavras 'olhar de basilisco' se formaram no centro da página.

- Eu apenas mentalizei a pergunta... – A ruiva deu de ombros. – Olhar de basilisco.

O quadro deslizou e Lucy balançou a cabeça, incrédula.

- E você ainda quer devolver esse livro!

- É preciso! Esse livro pode estar carregado de artes das trevas, você não sabe. Nunca confie em um objeto mágico que você não saiba a procedência.

- Muito sensato Lily.

- Professor Dumbledore?

O diretor sorriu bondosamente quando entrava na sala e se aproximou da mesa de estudos que continuava exatamente do mesmo jeito que as meninas viram no ano anterior. Aliás, o tempo parecia não ter passado naquele lugar, tudo estava impecavelmente em ordem.

- Olha professor, nós...

Ele levantou a mão impedindo-a de continuar.

- Eu imagino a razão de vocês estarem aqui novamente e esse livro em sua mão, Lily, confirma que estou certo.

- Eu? Não...

- Calma Lily. – Dumbledore sorriu. – Eu sei que não foi você que tirou esse livro aqui do quarto, não é mesmo Lucy?

- É verdade professor. Fui eu que tirei o livro daqui, apesar do alerta da professora McGonagall.

- Então você sabe que não devia?

- Sei. Lá vai a Lucy pra mais uma detenção...

O diretor sorriu.

- Já faz um bom tempo que eu tenho conseguido te livrar das detenções, não é verdade?

- É... No sexto ano foi apenas uma e meia, contando como meia aquela que o professor Norton me colocou e o senhor me liberou.

- Sim. E isso agora não é motivo para detenção. Você é curiosa por natureza, e nem eu posso lutar contra isso. Ainda assim a Lily está certa, você deveria ter escutado o alerta da Minerva e não ter tirado o livro daqui. Fico feliz por ele não ter caído nas mãos erradas, senão você já sabe o que poderia acontecer, não sabe?

- Parece que só agora eu consigo imaginar essa situação...

- Mas devia ter imaginado antes. Este livro está carregado de artes das trevas, como quase tudo neste quarto.

- Esse quarto... McGonagall nos disse que era um quarto de monitor desativado há muitos anos. Ele foi de Tom Riddle, não foi? Voldemort...

- Sim Lily. – Dumbledore juntou as mãos, gesto que sempre repetia quando parecia considerar uma situação. – Foi mesmo de Tom Riddle, hoje conhecido como Voldemort.

- Ele esteve em Nárnia?

- Esteve.

As duas grifinórias arregalaram os olhos.

- Mas não da maneira que vocês estiveram. Ele pesquisou muito sobre tudo enquanto esteve em Hogwarts, pesquisou inclusive sobre as várias formas de poder, e este poder em outros mundos. Como vocês perceberam esses livros que estão aqui respondem a qualquer apelo de conhecimento que a pessoa que os abrir faça. Foi assim que ele conheceu Nárnia e Jadis.

- E Nárnia serviu de alguma forma para ele?

- Não tenho como saber, Lucy. Mas sempre fui da opinião que qualquer conhecimento adicional não faz mal a ninguém. Se ele aprendeu o que queria com a história da feiticeira branca, isso só ele vai poder te responder.

- Vou lembrar-me de perguntar quando tomarmos um chá juntos. – A loirinha falou sorrindo. – E como ele soube da existência de Nárnia? Pra perguntar ao livro sobre Nárnia ele devia ter, ao menos, ouvido falar sobre o assunto.

- É outra coisa que você vai ter que se lembrar de perguntar no chá. – Dumbledore sorriu bondosamente e se levantou. – Façam o que vieram fazer aqui: deixem o livro onde ele deve ficar e não tentem mais voltar a este quarto. É para o bem de vocês.

E dizendo isso saiu da sala deixando as duas grifinórias pensativas.

- Lembra da outra vez que eu estive aqui? Que os livros apareciam pra mim sempre como guia de artes das trevas?

- Lembro... Como invocar Inferis, como amaldiçoar objetos...

- Era por causa das aparições de Aslam. Eu as achava um tanto sinistras e só conseguia pensar em arte das trevas...

- Aslam... Eu sinto tantas saudades dele. – Lucy abriu um sorriso nostálgico.

- Eu também. Dele e dos Pevensie...

- Eu sei de qual Pevensie você tem saudade, ruiva. – A loirinha sorriu e puxou a amiga pela mão. – Vamos embora, estou morrendo de fome e o jantar já deve estar servido.


- Treze alunos. – Gwenda sorriu observando as pessoas ao seu redor.

Estavam em uma sala no quinto andar, cedida por Dumbledore para o grupo de estudos de DCAT.

Gwenda apontou a varinha para um pergaminho pregado em uma das paredes.

- Gwenda Reed e Remus Lupin. – Os nomes eram escritos no papel conforme ela falava. – Lucy Eyelesbarrow, Marlene McKinnon, Alice Martindale, Frank Longbottom, James Potter, Sirius Black, Dorcas Meadowes, Edgar Bones, Fabian Prewet, Gidean Prewet e Lily Evans.

A morena fez uma pausa observando os nomes brilhando no pergaminho.

- Professor Kirke pediu que Remus e eu coordenássemos esse grupo, mas cada encontro nosso será dirigido geralmente por alguns de vocês. Estamos aqui porque todos nós concordamos em tomar partido nessa guerra contra Voldemort e seus Comensais da Morte. Cada um que está aqui hoje possui alguma habilidade natural ou teve resultados extraordinários em algumas matérias de grande importância.

Remus continuou.

- Para que o grupo atinja o objetivo nós iremos precisar que algumas pessoas revelem no grupo alguns segredos, portanto gostaria de ter a palavra de cada um de vocês de que tudo o que for contado, discutido e treinado nesse grupo ficará aqui dentro. Alguns tipos de informações não podem sair daqui de forma alguma.

Todos concordaram que sim e assinaram uma lista passada por Remus. Essa lista era como um contrato de fidelidade ao grupo enquanto ele existisse.

- Muito bem. – Falou Gwenda após cada um assinar a lista. – Como a maioria aqui já se conhece vamos dispensar as apresentações para ganhar tempo. Ao invés disso vou revelar para o grupo o que cada um tem de especial para ter sido convidado a participar. Vou começar pela primeira participante voluntária, Lucy Eyelesbarrow, que foi convidada por ser uma Legilimente natural.

Alguns estudantes que não conheciam o dom da loirinha a olharam de modo desconfiado. Ela sorriu ao perceber, sem usar legilimencia, o que se passava na cabeça deles.

- Mas vocês podem ficar despreocupados porque eu sei controlar de maneira bastante segura esse meu dom. Também já passei por uma interessante entrevista com professor Dumbledore e me comprometi, fazendo um solene juramento, que não sairia por Hogwarts lendo as mentes dos estudantes. Então podem ficar tranqüilos que, caso tenham qualquer segredo, eu não irei 'vê-los' sem a permissão de vocês.

- Isso foi realmente esclarecedor... – Comentou Edgar arrancando um sorriso da loirinha. – Na verdade explica muita coisa...

- Na verdade nunca usei legilimencia com você, Ed. Algumas coisas, como o sabor do seu sorvete favorito, eram meramente adivinhações.

- Hum... – Falou ele não completamente convencido.

Gwenda limpou a garganta para chamar a atenção de volta para si.

- A segunda participante do grupo foi Marlene McKinnon que também tem um dom bastante peculiar. Marlene pode conversar com os animais.

Edgar e Dorcas que eram da mesma casa e do mesmo ano que Marlene não esconderam a expressão de completa surpresa.

- Isso também explica muita coisa. – Comentou Dorcas entendendo o porquê da amiga sempre tirar notas máximas em Trato de Criaturas Mágicas.

- A terceira integrante do grupo foi Alice Martindale. O dom da Lice é, de alguma forma, ao mesmo tempo incrível e terrível. Alice pode ver coisas através dos sonhos.

- Mas ainda não posso controlá-los. Durante o sonho é horrível, é como se eu estivesse lá participando da cena. Mas só consigo lembrar o sonho muito tempo depois. Como foi o caso de quando os pais da Lily foram assassinados. Lembrei do sonho em detalhes, mas já tinha se passado muito tempo. Dumbledore conversou comigo no primeiro dia de aula desse ano e disse que à medida que eu for me acostumando com esse dom, poderei lembrar cada vez mais rápido dos sonhos.

- Isso pode ser muito útil durante a guerra. – Comentou Gidean Prewet.

Alice abriu um sorriso tímido.

- O Frank foi convidado a participar do grupo porque além de ser um ótimo aluno nas principais matérias de Hogwarts é hexacampeão de duelos da escola, então acho que isso pode ser bastante importante também. Já James Potter e Sirius Black foram convidados a participar do grupo porque além de serem alunos bastante talentosos, são animagos.

- Animagos? – Perguntou Fabian Prewet. – Mas isso é completamente impossível! Nunca ouvi algum relato de que alguém em idade escolar pudesse se tornar um animago.

- Bom, cá estamos nós. – Sirius falou sorrindo abertamente. – E na verdade desde o nosso quinto ano, pra ser exato.

- Dumbledore sabe disso?

- É claro que não Dorcas. – Respondeu Gwenda. – E nem pode saber. Apesar de incrível é ilegal perante o Ministério da Magia e se Dumbledore soubesse não poderia deixar de expulsá-los. Só estamos revelando todos esses segredos aqui hoje por que acreditamos que todos que estão aqui são da mais absoluta confiança.

- Com certeza. – Concordou Dorcas. – Apenas pensei que Dumbledore tinha aprovado.

- Nem ele aprovaria... – James comentou.

- Bom, continuando, Dorcas Meadowes foi convidada a participar do grupo por ser uma excelente oclumente. Incrivelmente ela pode fechar a mente até para ela mesma se quiser.

- Fará uma bela dupla com a Lucy... – Comentou James.

- Foi exatamente o que eu pensei quando Lily nos contou. – Falou a loirinha sorrindo. – Vai ser muito bom pra todos nós tentarmos legilimencia com a Dorcas e oclumencia comigo.

- Já Edgar Bones foi convidado a participar do grupo porque já ganhou três vezes o prêmio de aluno modelo em feitiços e é ótimo aluno em transfiguração. Acredito que vamos conseguir aprender muita coisa com ele. A mesma coisa me ocorreu com os gêmeos Prewet, são alunos ótimos em poções e DCAT então poderemos aprender muita coisa 'extra' em nossos encontros. Esse era o grupo original de dez alunos que o professor Kirke tinha me pedido para montar. Além dos dez alunos o professor teria a mim como coordenadora do grupo. Mas para uma tarefa como essa ele decidiu que seria ótimo chamar o Remus, que também é um dos melhores alunos de DCAT, para auxiliar na coordenação. Quando o grupo parecia estar completo, o professor Kirke fez questão de que Lily Evans participasse do grupo, porque, de alguma forma, ela é quem mais vai precisar desses treinamentos quando sairmos de Hogwarts.

Alguns estudantes não entenderam o porquê desse favoritismo com relação à Lily, mas sabiam que tudo seria esclarecido a seu tempo.

- Como eu já mencionei, as aulas serão dirigidas por todos nós e em nossos encontros cada um vai adicionar alguma coisa ao grupo.

Gwenda terminou de falar e puxou sua cadeira para a roda de estudantes sentando entre Alice e James. Remus continuou.

- Dumbledore pediu que a Lily conversasse um pouco com a gente nesse primeiro encontro. Vamos ouvir algumas palavras muito interessantes sobre diferentes formas de magia e autocontrole.

Lily levantou de seu lugar e encarou os colegas que formavam um círculo no centro da sala.

- Eu sei que pode parecer piada logo eu falar sobre autocontrole. – Comentou a ruiva fazendo alguns alunos rirem.

- Você que fez sua fama, Lis querida.

- Obrigada Lucy. – Lily continuou sorrindo. – Na verdade eu não tenho a pretensão de servir de exemplo, mas o professor Dumbledore conversou comigo antes dessa reunião e ele acha que devo compartilhar com vocês certa experiência que Lucy e eu vivemos este ano.

A grifinória prosseguiu contando sobre Nárnia e tudo o que viveu e aprendeu lá. Toda a narração foi feita com muita riqueza de detalhes, como o próprio Dumbledore e professor Kirke haviam pedido ainda naquele dia mais cedo.

O diretor achava que os ensinamentos de Aslam e a magia de Nárnia podiam encantar e servir de base para este restrito grupo de treze estudantes. A ruiva tinha sido instruída apenas para não mencionar sua missão, mas queriam que ela falasse abertamente sobre os conselhos de Aslam sobre abrir a mente, sentir a natureza e tudo o mais que pudesse ser de utilidade para os estudantes durante a guerra para a qual se preparavam.

- Quer dizer que em Nárnia os animais falam? – Perguntou Fabian.

- Sim. – Lily respondeu simplesmente.

- Aqui eles também falam... – Comentou Marlene. – Você só precisa estar receptivo o suficiente para conseguir se comunicar com eles.

- É o que acontece em Nárnia. – Falou Lucy sorrindo. – Lá você está o tempo todo em sintonia com a natureza, você se sente completamente à vontade com a natureza e ela com você, por isso essa conexão e essa comunicação com os animais e com as dríades é tão fácil e tão fantástica.

- Vocês não tiveram medo? – Edgar perguntou.

- Eu fiquei apavorada quando Ripchip apareceu e começou a conversar com a gente. – Explicou a loirinha. – Mas depois você se acostuma e tudo é tão maravilhoso!

Lily retomou a narrativa dos acontecimentos em Nárnia e explicou tudo com maestria. Lucy, que estava bastante emotiva aquela noite, quase chorava de saudade de cada coisa que a amiga contava.

- Nárnia foi importante pra mim porque lá eu descobri que tenho um dom peculiar. Eu posso sentir quando alguma coisa ruim está acontecendo ou está prestes a acontecer. Mas eu sempre tive muita facilidade em 'bloquear' os meus sentimentos e isso acabava impedindo que o meu dom se manifestasse, o que me deixava terrivelmente doente quando alguma coisa mais grave estava acontecendo. Vivenciar Nárnia foi a coisa mais fantástica que me aconteceu.

- E a Lucy? - Marlene perguntou.

- Fui só mesmo para turismo... - A loirinha comentou sorrindo.

- E pra ser seqüestrada pelo Littar. - Alice lembrou.

Quando acabou a reunião, cada aluno tinha que voltar imediatamente para seus respectivos salões comunais. Lily se deixou ficar para trás e foi conversando com James até a torre dos leões.

Chegando ao salão comunal perceberam que todos os outros estudantes já tinham subido para o dormitório e a ruiva não viu mal algum em continuar ali, conversando com seu mais novo amigo.

- Sua narração foi incrível Lily. – Elogiou ele escolhendo uma das poltronas.

- Obrigada.

- Eu cheguei a sentir como se eu mesmo estivesse em Nárnia.

- Conseguiu sentir o perfume inebriante da juba de Aslam? A paz, tranqüilidade e conforto que te invade sem que você perceba e que te faz sentir como se uma parte de você ficasse pra trás quando sabe que talvez nunca mais o veja novamente? Aslam... Ele é tão maravilhoso!

James sorriu e se inclinou para frente.

- É como se fosse isso... É uma sensação boa, se posso dizer assim, algo sem explicação, mas que não precisa dessa explicação, só é... Bom.

Lily riu.

- É engraçado te ver falar assim. Faz sentido.

- Mesmo que eu nunca tenha ido à Nárnia.

- Mas já pegou o espírito da coisa. E é isso que é importante. No começo eu tive medo. Medo de Aslam, medo do que podia ser Nárnia. Foi por isso que ele me preparou desde o ano passado, para que eu tivesse tempo de, ao menos, fazer as minhas pesquisas. Mas desde o primeiro instante que pisei em Nárnia... Mudou tudo dentro de mim. A atmosfera de lá... Você se sente envolto pela magia o tempo todo.

- E sobre a sua missão? Não tem mais medo disso?

- Não, Aslam me disse que na hora certa eu vou saber o que fazer e eu confio nele. Apesar de achar uma responsabilidade muito grande... Não consigo imaginar que peça o destino pode estar preparando pra mim.

- Espero que você não fique mais doente do jeito que ficou da última vez... É preocupante.

Lily sorriu e se recostou novamente no sofá.

- Bom, estou seguindo o conselho de Aslam: menos preocupações desnecessárias e abrir a minha mente. Isso inclui esse meu novo relacionamento com você. Nunca consegui imaginar essa cena assim: nós dois conversando neste salão comunal, em paz.

- É... Nárnia realmente te ajudou bastante! – James falou sorrindo.

Os dois ficaram se encarando em silêncio durante algum tempo até que Lily se lembrou de uma cena no último Natal.

- Tem uma coisa que eu quero te perguntar há muito tempo...

- Sim?

- No último Natal eu ganhei um colar. Um colar lindo com um pingente de lírio, eu fiquei imaginando se não foi você...

O maroto riu e bagunçou o cabelo.

- Puxa, você demorou hein? Pensei que nunca fosse perguntar.

- Então...

- Não, não fui eu. Foi a Lucy Cupido Eyelesbarrow.

- Lucy?

- Ela pensava que sua primeira aposta seria eu. E que ainda nas férias você ia me procurar pra agradecer.

- Eu vivo dizendo que ela não presta! – Lily riu. – Ainda não sei por que me tornei amiga daquela doida.


N/a:

É... A Lucy não presta... Mas todo mundo já sabe disso...

Hoje tenho que ser rápida, estou atolada de provas para estudar e trabalhos para fazer! Próximo capítulo tem Hogsmead, Quadribol e uma surpresinha para Lily, não necessariamente nessa ordem... Próxima atualização no dia que vocês quiserem. Se eu receber reviews suficientes para 'desestressar' do período de provas, posso voltar hoje mesmo (rsrsrs).

Um beijo especial para: Miss Moony (Nossa, não canso de agradecer seus elogios, você é realmente muito boazinha comigo! Hehe Tive mesmo que dar uma boa injeção de coragem na ruivinha, porque não é fácil, ainda mais para ela admitir um erro! E meus casais estão mesmo um pouco complicados, mas as coisas logo vão começar a se ajeitar... Posso te apresentar só o Gidean, porque eu já tenho planos com Fabian, serve? Huahuahua), 1 Lily Evans (É, o 'site-que-não-pode-ser-nomeado' é mesmo péssimo, mas fico feliz assim mesmo de saber que você passou por aqui! Respondendo sua pergunta: espero que sim! rsrsrs), Yuufu (Oi lindinha! A única filha que não me abandonou... rsrsrs Bem, a Gwen é um caso complicado mesmo... Mas dá pra entender um pouco. Salvei no word para ler aos poucos a fic que você me indicou e estou adorando! Acho que termino de ler ainda esse fds. E NSM logo, logo... prometo! rsrs) e Lily P Black (Olá! Obrigada pelos elogios, espero que você já tenha conseguido ler tudo e apareça sempre!).

Vocês já sabem disso, mas eu não me canso de repetir: eu preciso da opinião de vocês para conseguir continuar postando. O acordo é muito simples: eu escrevo para vocês e vocês escrevem para mim!!! Simples assim. Faça uma autora feliz, letrinhas verdes logo ali, ó...

Beijinhos,

Luci E. Potter.