Capítulo 38 – Volta às Aulas
As aulas voltaram, se possível, num ritmo ainda mais acelerado. Os setimanistas tinham a impressão que, de uma hora para outra, os professores tinham decidido que eles deviam conhecer e saber fazer todos os tipos de poções, todos os tipos de transfigurações e todos os tipos de feitiços (que não fossem Artes das Trevas) que existiam no mundo mágico.
- E ainda por cima a maioria dos feitiços são não-verbais e outros são sem varinha! – Gwenda estava inconformada.
Lily lembrou as amigas que desde os NOM's vinha avisando que deviam se preparar, mas ainda assim até mesmo ela estava tendo dificuldades em acompanhar o novo ritmo dos professores.
Quase no final do mês de janeiro aconteceu o segundo jogo de quadribol da equipe da Grifinória. Jogaram contra a Lufa-lufa, mas James não conseguiu o intento de agarrar o pomo tão rápido quanto no jogo anterior. Ainda assim, ganharam o jogo por 230X120.
Natalie Toothill estava ainda mais dispersa na narração deste jogo e Lucy atribuiu isso ao recente início de namoro da Corvinal.
A loirinha continuava evitando Sirius tanto quanto podia. O maroto, por sua vez, tinha desistido da tática de cautela e voltou a tentar se aproximar da grifinória. Mas Lucy não estava disposta a lhe dar nenhuma chance para conversa.
Quando numa noite de lua cheia Sirius ameaçou azará-la se não o ouvisse, Lucy simplesmente murmurou que ele tinha sido avisado e que fez a escolha dele.
Mas Sirius pretendia pedi-la em namoro e não entendia porque ela o evitava tanto e não lhe dava chance de aproximação. É lógico que ele simplesmente não sabia que ela estava magoada pelo o que aconteceu no passado, e jamais saberia também se dependesse da loirinha.
- Quando eu já tinha esquecido o que aconteceu, estávamos vivendo tão bem como amigos, ele vem e me apronta essa. – A loirinha comentou com Lily enquanto estudavam no salão comunal.
A ruiva apenas levantou os olhos do livro e murmurou um 'você é quem sabe' e voltou a estudar. Mais de um mês depois do acontecido, Lily tinha simplesmente desistido de falar qualquer coisa sobre esse assunto.
- Meu pergaminho acabou. Você tem mais aí?
- Não, o meu já está acabando também.
- Vou buscar no meu malão.
Lucy subiu as escadas correndo.
Entrou no dormitório indo direto até seu malão, ignorando como sempre a presença de Emily. De repente ouviu um soluço e sentiu um deja vu.
Virou lentamente para encarar a morena que tinha nesse momento levantado o rosto coberto de lágrimas.
- Aconteceu alguma coisa? – Lucy perguntou cautelosa, afinal Emily nem sempre aceitava com cordialidade qualquer aproximação das outras grifinórias.
- Eu... – Ela gaguejou e Lucy pensou que seria seguro sentar na beirada da cama dela. – Eu... Eu sou um trasgo mesmo! – Ela falou e voltou a chorar.
- Er... – Lucy não sabia como fazer isso. – Desculpe, mas porque você acha que é um trasgo?
A loirinha entendeu apenas algumas palavras entrecortadas com soluços. Dentre elas 'ninguém' e 'mim'.
- Você quer conversar sobre isso? – A loirinha tinha certeza que ela iria gritar um 'não' ou azará-la pra longe, mas para contrariar qualquer expectativa, Emily apenas balançou a cabeça afirmativamente. – Tudo bem, vamos lá... O que foi que aconteceu com você?
Emily levantou o rosto marejado para encarar a loirinha. Lucy, sem poder se conter, balançou a varinha limpando o rosto da colega.
- Está bem melhor assim. – E estendeu um pedaço de chocolate que tirou do bolso de seu casaco.
- Obrigada. – Emily comeu um pedaço do chocolate e voltou a falar, dessa vez com a voz um pouco mais 'limpa'. – Ninguém gosta de mim.
- Como assim ninguém?
- Eu vivo entrando e saindo de relacionamentos que simplesmente acabam porque a pessoa que está comigo descobre que gosta de outra garota. Estou tão farta disso, sabia? Quando eu vejo os casais felizes passeando por Hogwarts eu fico pensando porque isso nunca acontece de verdade comigo. É sempre tão superficial.
Lucy sentia que estava preparada para ajudar e dar conselhos em qualquer assunto que a morena estivesse precisando. Qualquer um, menos esse. A loirinha pensou com pesar que preferia que Emily estivesse tendo problemas com alguns Sonserinos nojentos, ou com dificuldades para conjurar um patrono, qualquer coisa, menos isso.
- Emily, eu queria muito poder te ajudar. Queria de verdade, mesmo que em sete anos essa seja a nossa primeira conversa normal. Mas esse é um assunto tão pessoal, pode ser que eu dê alguma opinião que você se ofenda, acho que ficaria um clima muito pior por aqui.
- Eu sei. – Falou ela com os olhos enchendo de lágrimas de novo. – Mas é que pensei que podia conversar com você por que no ano passado, quando perdi um tio meu num ataque de Comensais, você foi a única que me ofereceu ajuda, mesmo sem saber o que tinha acontecido. Você falou que se eu quisesse a sua ajuda...
Lucy lembrava muito bem desse dia. Então ela tinha razão naquela época de suspeitar que a colega tivesse perdido alguém. A loirinha encarou Emily por um tempo e de repente um sorriso se formou em seu rosto.
- Você está disposta a ter um namorado e ficar só com ele? – A loirinha tentou perguntar de uma forma que não parecesse que insinuava que a garota tinha o hábito de ficar com mais de um garoto por vez. Mas não teve muito sucesso porque Emily franziu o cenho levemente.
- Não acabei de te contar que são sempre eles que terminam comigo? Estou apenas procurando a pessoa certa.
- Tenho a impressão que não é desse jeito que você vai conseguir encontrar a pessoa certa... Mas tudo bem, o que eu quero dizer é que eu tenho uma pessoa para te apresentar, uma pessoa maravilhosa! Mas você tem que me dar sua palavra de que não vai fazê-lo sofrer.
Emily pareceu interessada.
- Tem a minha palavra, mas... Quem garante que ele vai gostar de mim?
- Bem... Isso vai depender mais de você do que de mim. Apenas seja legal com ele, o resto vai acontecendo naturalmente.
- Qual o nome desse seu amigo?
- Você vai descobrir amanhã. – Lucy levantou da cama da colega sorrindo. – Agora eu tenho que terminar a redação de feitiços.
E falando isso desceu para o salão comunal.
Todos os treze alunos que participavam do grupo especial de DCAT concordaram em aumentar o número de encontros. A princípio eles se reuniam apenas duas vezes por mês, mas agora tinham decidido que estudariam juntos pelo menos uma vez por semana.
Isso aconteceu por causa do aumento da complexidade das matérias estudadas. Todos os setimanistas estavam sofrendo um pouco com a quantidade assustadora de matérias que haviam surgido depois das férias de fim de ano.
Gwenda estava bastante satisfeita com os resultados que o grupo estava obtendo. Já tinham aprendido muitos feitiços novos, alguns que os professores jamais ensinariam, mas todos com a aprovação de Dumbledore e do professor Kirke.
Professor Kirke por sua vez estava se saindo muito bem como professor de DCAT, mesmo para um trouxa. Era um professor querido por quase todos os alunos, exceto por alguns Sonserinos que achavam um absurdo Dumbledore manter em Hogwarts um professor que não fosse bruxo.
Foi somente no inicio de março, nas vésperas do feriado de Páscoa, que Sirius finalmente conseguiu uma chance decente de conversar com Lucy. James e Lily estavam em uma reunião da monitoria e Alice e Gwenda tinham saído para dar uma volta com seus respectivos namorados, portanto Lucy estava sozinha no salão comunal estudando.
Na verdade ela parecia estar lutando com a pena que adquirira vida própria e não queria escrever de jeito nenhum. Aruska estava enrolada em cima da mesa só observando a cena.
Sirius se ajoelhou no chão ao lado dela e a encarou divertido.
- Quer ajuda?
- Não, obrigada. – Falou ela séria ao perceber Sirius ali tão perto. Aruska também encarou Sirius com uma expressão de puro desagrado.
- Sinceramente eu não consigo te entender. Estávamos tão bem...
- E você estragou tudo.
- Queria saber o que foi que eu fiz pra ter estragado tudo. Você nem ao menos me olha na cara pra dizer o que teve de errado naquele beijo.
- Tudo. Eu te avisei que ele não devia acontecer. – Lucy voltou a atenção para aquela pena rebelde. – Se não se importa eu tenho muita coisa pra estudar.
Sirius ficou em silêncio por um tempo, mas não desistiu.
- Se eu tivesse te pedido em namoro antes de te beijar, você estaria me tratando melhor?
A loirinha fechou os olhos por um tempo numa expressão de puro cansaço. Sirius não entendia, parece que ninguém conseguia entender! Estendeu a mão e pegou sua gata no colo enquanto falava.
- Black, - Ela ignorou a careta dele, afinal usara o sobrenome de propósito. – como você mesmo disse, estávamos muito bem. Conversávamos, saíamos, nos divertíamos... Eu gostava mesmo de você, mas gostava de um jeito que você não consegue entender, gostava de ter a sua amizade, de ter você por perto. Nunca quis dar chance alguma pra gente ficar junto por que eu sei como geralmente isso acaba. Eu não queria perder a sua amizade. Nunca. Nem em Hogwarts nem quando fossemos embora daqui. Se a gente começasse a namorar, quando terminasse jamais voltaria a ser a mesma coisa. Você entende? Pra mim não valia a pena arriscar a nossa amizade por causa de uns beijos vez ou outra no salão comunal.
Sirius piscou os olhos sentindo-se completamente confuso.
- Eu... Eu nunca pensei...
- É, eu sei que não.
- Não. Eu nunca pensei que se a gente começasse a namorar você já estaria pensando em quando fosse terminar. Por que você acha que tem que terminar algum dia?
- É assim que funciona, não é? – Lucy ignorou os protestos do maroto. – Eu sei que é Black. Você é assim. Prefiro não correr o risco.
- Lucy Eyelesbarrow falando que não quer correr um risco? Isso é inédito!
Ela sorriu levemente e voltou a chacoalhar com força a pena maluca, com o movimento quase acertou Aruska que soltou um miado de desaprovação e pulou do colo da loirinha.
Sirius apontou a varinha para a pena e ela voltou a funcionar normalmente.
- Oh, obrigada.
- Vai continuar me chamando de Black? – Perguntou ele temeroso.
- Não me sinto mais a vontade pra te chamar de outra forma. – Ela deu de ombros. – Me desculpe, mas é assim que vai ser.
- Você é um mistério pra mim, sabia? – Ele comentou enquanto levantava da mesa de estudos. – Queria não me importar com essa sua frieza, mas não consigo...
- O que acaba sendo uma pena para nós dois.
- Então você acha mesmo que eu deveria desistir de você?
- Sim, eu acho. – Lucy respondeu encarando os olhos extremamente azuis de Sirius, aqueles olhos que ela tanto gostava... – Pouparia aborrecimentos para os dois lados...
- Tudo bem então, talvez eu tente isso.
O maroto subiu correndo as escadas para o dormitório enquanto o quadro da mulher gorda deslizava dando passagem a Lily e James. Lily ria como se estivesse escutado de James a melhor piada do ano.
- Oh, você está aí! – A ruiva falou ainda sorrindo abertamente.
- Parece que estou... – Lucy respondeu sem prestar atenção na ruiva, ainda pensava se tinha sido exagero ou um bom negócio mandar Sirius desistir de vez.
Lily estava extasiada demais para perceber o semblante pensativo da amiga.
- Tenho boas notícias Lu! Nosso teste de aparatação será na semana que vem.
- Que bom Lis... – Falou a loirinha sem ter sucesso em demonstrar alguma empolgação. – Não vejo a hora de poder aparatar de verdade...
- Já consegue sem deixar nenhum pedaço para trás? – James perguntou.
- Algumas vezes sim. – Falou a loirinha sorrindo.
Nesse momento a pequena coruja de Lily entrou no salão comunal trazendo um embrulho, pelo menos, três vezes maior que ele.
- Olá Ayron! – Falou Lucy acariciando a coruja que lhe entregara o embrulho.
Aruska encarou a coruja com ainda mais desaprovação do que encarara Sirius. Parece que a qualquer momento ela ia dar um pulo e engolir a corujinha em uma única bocada.
Lucy espantou a gata de perto enquanto desfazia o embrulho. Em cima havia um bilhete de sua mãe.
Olá querida,
Estou morrendo de saudades. Sinto muito pelo Natal, mas sei o quanto você detesta viajar para a Espanha. Estou mandando para você e para Lily os vestidos que vocês usarão na formatura. Sim, eu já recebi o convite. Foi mesmo muito delicado da parte do seu professor, o tal de Dumbledore, sugerir que eu fosse de trem. Detestaria ter que passar novamente por uma experiência como aquela em viajamos pela lareira com o pozinho verde. Eu chegaria extremamente suja e mal arrumada na sua festa.
Enfim, nos vemos daqui a alguns meses.
Beijos. Para você e para a Lily.
Lucy tirou da embalagem dois vestidos lindos.
- Esse vermelho é o seu. – Falou Lucy estendendo para a amiga o vestido que tinha uma etiqueta com o nome da ruiva.
- Porque o Ministério tem que amassar tanto assim os vestidos?
- De certo procurando artes das trevas ocultas por baixo do saiote. – A loirinha comentou sorrindo. Depois encarou seu próprio vestido que era de um azul claro bastante intenso. – Mas... Não são vestidos de gala. Minha mãe não costuma errar nesse tipo de coisa!
- Tem um 'PS' do outro lado do bilhete. – Observou James apontando para o pedaço de papel virado em cima da mesa.
P.S.: Vocês já sabem, é claro, que é uma festa a fantasia. Garotos com roupas sociais, garotas com vestidos 'temáticos'. Por isso comprei para a Lily uma fantasia de Morgana (Morgana é uma bruxa famosa, não é mesmo? Ela deve gostar) e para você comprei a fantasia da sua princesa favorita, Cinderela. Beijos da mamãe.
- Festa a fantasia? – As duas amigas perguntaram quase juntas.
- E quem é Morgana? – James perguntou curioso. – Sua mãe diz que é uma bruxa famosa.
- Morgana? Ela é uma bruxa famosa para os trouxas, é como se fosse... Ah, James é uma longa história, outro dia eu te conto. Mas sabe que a mamãe tem razão? – Lucy perguntou divertida encarando Lily. – Você vai ficar perfeita de Morgana Lis!
Rapidamente a história de que as garotas deveriam estar fantasiadas no Baile de Formatura se espalhou entre os estudantes. Pelo visto apenas os pais dos alunos tinham sido avisados desse 'detalhe'.
Emily parecia bem animada nos últimos tempos. Tinha inclusive parado de tratar com aspereza as colegas de dormitório. Isso se devia ao fato dela estar se entendendo muito bem com Edgar Bones que Lucy lhe apresentara um dia depois daquela conversa no dormitório feminino.
Na verdade Lucy tinha feito pouco mais do que apresentá-los, tinha explicado a Edgar que a morena estava passando por uma fase complicada e que Lucy só conseguira pensar nele como uma boa companhia para a garota.
E a loirinha acertara em cheio, afinal com o tempo até mesmo Edgar começou a se mostrar agradecido por Lucy ter lhe apresentado uma pessoa tão especial, já que Emily abandonara completamente seus antigos hábitos.
- Eu sabia que eles se entenderiam bem. – Falou para Lily durante um almoço no Salão Principal apontando para o casal. – Já te disse que eu geralmente acerto?
- Já. Várias vezes.
- Nós já te falamos também para abrir uma agência de matrimônios. – Comentou Remus sorrindo.
- E é por isso que te chamamos de Afrodite. – Falou Alice.
Nesse momento o fantasma da grifinória, Nick-quase-sem-cabeça, flutuou pela mesa trazendo novidades.
- Soube pelo Barão Sangrento que Dumbledore está furioso hoje! – Começou ele atraindo a atenção dos grifinórios.
- O que aconteceu Nick? – Lily perguntou percebendo que o diretor mais uma vez estava ausente durante a refeição.
- Parece que o Professor Slughorn flagrou alunos da casa dele treinando feitiços de Artes das Trevas.
- O Slug flagrou os alunos dele? Duvido que os entregasse para o Dumbly. – Sirius comentou sarcástico.
- Exatamente por isso Dumbledore está furioso. O professor Slughorn jurou que estava apurando os fatos para levá-los à Dumbledore, mas parece que o diretor não o levou muito a sério.
- Não, claro que não. Dumbledore sabe o quanto Slug gosta de ser paparicado por seus alunos. Nosso professor de poções jamais contaria nada se dependesse dele.
- E imaginem só! – Nick continuou. – Artes das Trevas, bem debaixo das barbas de Dumbledore.
- O que aconteceu com o Slug e com os alunos, Nick? – Perguntou Lucy.
- Nada. Dumbledore chamou a atenção de Slug que prometeu ficar mais atento, mas Slug não sabia, na verdade não quis, citar os nomes dos estudantes.
- E Dumbledore não o obrigou a falar?
- James, parece que não conhece a natureza de Dumbledore em sempre acreditar no melhor das pessoas. – Falou Lily. – Com certeza ele deve achar que não deve interferir, que deve deixar que estes alunos percebam sozinhos o mal que estão fazendo para eles e para os outros.
- Ainda assim... – Comentou James voltando a atenção para o seu almoço.
Depois que Nick flutuou para longe dali, os estudantes retomaram as conversas que tinham sido interrompidas pelo fantasma. Apenas Lucy ficou séria encarando a mesa dos Sonserinos.
Lily percebeu e estalou os dedos na frente dos olhos da amiga.
- O que foi?
- O Seboso é muito bom. – Ela respondeu simplesmente ainda sem tirar os olhos do Sonserino.
Todos que estavam por perto a encararam, curiosos.
- Como é que é? – Lily perguntou arregalando os olhos. Tinha ficado tão confusa que nem implicou com o fato da loirinha ter chamado Snape de Seboso.
- Muito bom oclumente. – Ela finalmente desviou os olhos para a amiga. – Ele me provoca só pra se testar, só pra ter certeza do quanto é bom em fechar a própria mente.
- E como é que ele 'te provoca'? – Perguntou Alice. – Não o vi fazendo nada...
A loirinha balançou a cabeça, descrente, e apontou para um pequeno pedaço de pergaminho na frente do seu prato. Nele estava escrito 'Você podia tentar ver o que é verdade nessa história. SS.'
- Esse papel surgiu aqui na minha frente enquanto o Nick falava sobre o Slug estar protegendo os alunos favoritos dele. Vocês não perceberam?
Até os marotos tinham parado de conversar para prestar atenção.
- E você viu alguma coisa? – Remus perguntou.
- Nada. Absolutamente no escuro. – A loirinha encarou o Sonserino mais uma vez. – Por isso que eu falei que ele é muito bom.
James limpou a garganta para chamar para si a atenção dos amigos e encarou seu relógio de pulso.
- Acho que a aula do Flitwick já vai começar.
- O Sirius está com a Lorraine. – Lily comentou casualmente.
- Que sejam felizes. – Respondeu Lucy sem tirar os olhos do tabuleiro de xadrez.
- Não se importa mesmo?
A loirinha finalmente levantou os olhos para a amiga. As duas eram as únicas setimanistas no salão comunal com tempo livre, isso porque Lily quase tinha obrigado Lucy fazer todos os deveres junto com ela.
- Lis querida, se eu fosse me importar cada vez que o Sirius troca de 'namorada', estava perdida!
- Podia muito bem ser você com ele agora...
- Claro! – Lucy gargalhou. – E dentro de dois ou três dias poderia ser eu também arrasada pelos corredores dessa escola ou com tanta raiva dele que precisaria pedir a um sonserino que o machucasse no próximo jogo de quadribol.
Lily pareceu considerar.
- Mas...
- Chega, Lis. Por favor. – Lucy pediu. – Já é bastante difícil conseguir me afastar. Se você ficar falando dele o tempo todo é pior.
- Tudo bem. – Lily levantou os braços em sinal de rendição. – Mas o James concorda comigo que vocês fariam um casal muito fofo.
Lucy girou os olhos.
- Torre na G3. – A loirinha falou e logo abriu um imenso sorriso. – E vocês dois? Não acha que já estão enrolando muito com essa história 'vamos passar pela fase de bons amigos antes de qualquer coisa'?
- Lu, em dezembro do ano passado eu odiava o James.
- E quase em abril desse ano você já o ama completamente.
- Não é tão simples assim...
- E porque não?
A ruiva mordeu o canto dos lábios pensando afinal em uma jogada.
- Bispo na C7. Ele nunca mais tentou nenhuma investida. Parece que está satisfeito com nossa atual situação.
- E agora é você que não está? – A loirinha gargalhou mais uma vez. – Não acredito nisso!
- Pode falar mais baixo? – A ruiva censurou percebendo o interesse de outros grupos do salão comunal em sua conversa.
- Lis, ele não tenta nada porque não quer arriscar perder o 'pouco' que já conseguiu com você.
- De repente...
- É claro que é! Sabe, se precisar de Félix Felicis...
- Não! Não quero. E te proíbo de interferir de qualquer forma que seja.
- Eu? Interferir?
- Sim, a senhorita. Eu juro que se eu souber que um movimento que seja nesse meu relacionamento com o James não aconteceu naturalmente, eu paro de falar com você.
- Acho que eu poderia sobreviver a isso... – A loirinha sorriu marotamente.
- Além de voltar ao 'É EVANS pra você POTTER!'...
- Uh... Você é durona.
- Estou falando sério Lucy.
A loirinha ordenou o movimento da sua rainha enquanto pensava se valia arriscar.
- Tudo bem. Não vou interferir. Nem ao menos falar para o James 'olha meu amigo, a Lis não se importaria se você fosse um pouquinho mais rápido'.
- Nem isso.
- Ok, nem isso. – Lucy sorriu, assentindo.
- Lily... – Uma voz suave a chamou.
Ela resmungou e virou de lado.
- Lily, acorda. Eu não tenho muito tempo.
A ruiva ouvia a voz melodiosa fazer cócegas em suas lembranças. Fazia muito tempo que ela não escutava essa voz.
- Lily, por favor, acorda.
A ruiva abriu os olhos devagar e levou um susto. Não podia ser verdade o que via. Não ali.
- O que... – Ela começou, mas ele logo a interrompeu fazendo um gesto que pedia silêncio.
Lily encarou as outras camas. Suas amigas dormiam profundamente.
- Pe-Peter? – Ela encarou o rapaz loiro à sua frente. – Como pode, aqui? E você está diferente...
Ela queria dizer 'mais lindo' ou 'um deus grego' em lugar de 'diferente', mas se conteve.
- Mais velho. O tempo em Nárnia passa diferente, Lis. Muito mais rápido.
Ele sorriu e a abraçou.
A ruiva sentiu seu coração disparar com o abraço. Esse cheiro bom dele... Quase tinha esquecido o quanto Peter mexia com ela.
- Senti saudades. – Ela sussurrou quando se separaram e ele sentou na beirada da cama dela.
- Eu também... Tenho pensado em você em cada dia dos últimos anos.
- Anos?
Peter sorriu.
- Alguns anos.
- Te fizeram muito bem... – Ela sorriu e cruzou as pernas em cima da cama. – Mas então... Como você veio parar aqui?
Ele desviou os olhos para o outro lado do quarto encarando uma por uma das amigas da ruiva. Parou seu olhar na cama em que Lucy dormia profundamente, abraçada a um sapo de pelúcia.
- Lucy parou de dar trabalho? – Peter perguntou sorrindo.
- Não. Faz parte da natureza dela... – Lily respondeu rindo também.
Eles passaram um bom tempo conversando sobre o seqüestro da loirinha em Nárnia e lembrando toda a aventura que viveram naqueles dias.
Até que Peter enfim abordou o assunto que lhe levara ali.
- Aslam permitiu que eu te fizesse uma breve visita. – Ele fez uma pausa. – Na verdade eu tenho insistido muito com ele desde que vocês voltaram para cá e eu soube de uma certa profecia...
Peter segurou as mãos de Lily entre as suas e a ruiva sorriu afetada com o toque dele. As mãos do Grande Rei eram tão macias e quentes quanto ela lembrava. A ruiva sentiu que podia ficar ali, encarando aqueles olhos lindos e segurando aquelas mãos sedosas por toda a eternidade.
Mas a voz de Peter a fez voltar de seus devaneios.
- Há um traidor entre vocês.
- Nós já sabemos. – A ruiva comentou um pouco rouca por causa das lembranças dos dias bons que passara com Peter em Nárnia. – A Lucy escutou uma conversa um dia desses... Parece que tem alguém passando informações para o lado das trevas...
- Quando falo entre vocês, quero dizer entre seus amigos Lily.
A ruiva arregalou os olhos e Peter segurou com ainda mais firmeza as mãos dela.
- Um deles vai querer entregá-los a Voldemort, e talvez você consiga, com seu dom, descobrir quem é essa pessoa.
- Um dos meus amigos?
- Sim. É por isso que eu queria tanto vir. Pra te alertar. Porque o mal está muito mais próximo do que você pode imaginar.
- Ob-Obrigada. – Ela balbuciou. Estava grata de verdade com o esforço de Peter, mas ele bem que podia dar uma informação mais completa...
Lily ainda não tinha conseguido abandonar tão completamente o controle sobre seus sentimentos. Não ao ponto de deixar seu dom fluir naturalmente. Estava se esforçando, mas talvez levasse anos para conseguir sentir quem era o traidor.
O rei de Nárnia observou curioso as expressões de Lily mudarem enquanto ela processava a notícia.
- Aslam não lhe deu o nome?
Peter quase gargalhou.
- Você se esqueceu de como é Aslam?
Lily se fazia a mesma pergunta. Lembrou do imenso Leão lhe lambendo a face... Dele caminhando ao seu lado lhe dizendo calmamente que era responsabilidade dela salvar o mundo de Voldemort... E do dia que Lily subiu em suas costas para correrem até o acampamento Narniano. Sentiu por um breve segundo o frescor de seu hálito e o cheiro doce de felicidade de quando estava junto com Ele.
- Não. É impossível esquecer Aslam.
- Claro que é... – Ele sussurrou e pareceu repentinamente triste. – Eu tenho que ir Lily. Não posso passar mais uma hora aqui, porque acho que se passariam dias em Nárnia...
- Entendo. Mas a Lucy adoraria te ver um pouco.
Ele desviou os olhos novamente para a loirinha e sorriu.
- Também adoraria conversar um pouco com ela. Todos nós sentimos muitas saudades de vocês duas. Mas Aslam me fez jurar que ninguém além de você me veria.
- Oh... – Lily murmurou decepcionada, mas logo sorriu. – Fico muito feliz de você ter vindo. Mesmo que por tão pouco tempo. Queria saber notícias de todos...
Peter sorriu e levou a mão direita de Lily até os lábios. Deu beijo carinhoso e sussurrou.
- Tome cuidado, Lis. Mas sem deixar que esse cuidado interfira no seu dom. Aslam disse que se você parar de controlar como as coisas 'devem' acontecer, em pouco tempo poderia descobrir quem é o tal traidor.
- Só depende de mim... – A ruiva fez uma careta, mas logo sorriu. – Me lembro Dele falando isso também...
O rei mexeu em suas vestes e tirou de dentro de sua capa uma miniatura de rosa vermelha.
Lily recebeu a rosa e levou-a instintivamente ao nariz. Era o cheiro das florestas de Nárnia. Ela sorriu abertamente com a lembrança e Peter a abraçou.
Antes que se afastasse, Lily encontrou os lábios dele e Peter a beijou.
A ruiva pensou que iria flutuar. Era o melhor beijo que já provara. E era o beijo que a trazia algumas de suas melhores lembranças: Nárnia.
Peter a puxou pela cintura, trazendo-a mais para perto e aprofundou o beijo. Depois que se separaram Lily ainda demorou algum tempo para retomar o fôlego. Peter tocou delicadamente em seu rosto, provocando ainda mais os sentidos da ruiva.
Quando abriu os olhos, o Grande Rei já tinha desaparecido.
- Ah não... – Ela choramingou sentando novamente em sua cama.
Lily ainda ficou por muito tempo acordada encarando o vazio à sua frente sem se convencer de que ele não voltaria, até que caiu no sono.
No dia seguinte, quando acordasse, ela pensaria que tinha sido um sonho muito agradável. Mas quando visse em cima de seus lençóis um fiapo de fio de ouro da capa de Peter, pensaria que estava enlouquecendo e que isso acontecia porque sentia uma falta absurda das aventuras e dos dias felizes passados em Nárnia.
Na verdade só no fim do dia, quando encontrasse caída ao lado de sua cama uma pequena rosa vermelha, ela se convenceria que tinha sido real.
- Peter... – Ela iria sussurrar cheirando mais uma vez a rosa e sorrindo com as lembranças do Grande Rei.
N/a:
Uau!
Nossa... Eu AMO Rei Peter, o Magnífico... (suspiros)
Bem, eu aceitei o desafio! Inseri uma cena com Peter Pevensie vindo direto de Nárnia para balançar o coração da ruiva que estava quase cedendo aos encantos de James Potter! Vocês são terríveis! Haushuahsuahus
E a Lucy, hein? Colocou o cachorrão para escanteio total! Rsrs Tadinho do Sirius! 'Então você acha mesmo que eu deveria desistir de você?' Quase morri de dó do BD!
Tudo bem, eu já vou!! (quem tem que comentar o capítulo são vocês, não eu... rsrs) Beijos enormes para as pessoinhas especiais que me divertem com suas reviews tão fofas:
Maluh Wesley Hale – Olá flor! Nossa, você não imagina o desafio que foi aceitar seu pedido sem interferir na história... Mas no final, AMEI sua sugestão, apesar de ter trazido o Peter por bem menos tempo do que você pediu... Mas já serviu pra deixar a ruiva balançada... hehehe Apenas não pude trazer para Hogwarts o Edmund porque não encaixaria muito com a história... Espero que tenha gostado! Beijinhos!
Lolah Lupin – Oie! Nossa... Obrigada! Rsrs Acho que todo mundo tem uma amiga como a Lucy! Rsrs Melhor PO? Bondade sua! Haushuahsu Mas obrigada mesmo pelos elogios! Beijos!
1 Lily Evans – Wow! Isso que é sorte moça! haushuahsu E sorte a sua estar tomando coragem para o Retorno do Rei, eu nem passei de SdA ainda... rsrs Os anos de passar debaixo de escada e quebrar espelhos sempre cobram de uma vez só! haushuahsuus Nossa, ri horrores com a sua campanha 'defenda um lobo feliz da Gwenda cacá de nariz'! k k k k k É... A Lene e o Remus vão ter um 'affair' sim... rsrsrs sugestões anotadas! (até li resumos dos livros pela internet e já estão na minha lista \o/) hauhsuahu Acordo de divisões de beldades são ótimos... eu tenho alguns acordos (que incluem o Jay e o Peter Pevensie, mas abafa!) Pobre Sirius, não merecia mesmo Azkaban! Caramba, eu ficaria extremamente honrada de receber capas de presente! (já fiquei toda boba aqui... ahushuahsu) Viciada em One Tree Hill? O 'Chad' é um fofo, não? *-* rsrsrs Você quer ser adotada? QUE FOFO! rsrsrs Mas você já tem um atestado de insanidade? É preciso de um pra entrar na família! k k k k k Brincadeira, só de você me dar tanta atenção assim, já é atestado de loucura suficiente... haushuahsuhua Você quer ser o quê na família? Filha ou sobrinha? (pode escolher!) E fique tranquila, PRECISO voltar à NSM, até porque tem uma mensagem codifica sua por lá que eu morro de curiosidade pra saber o que significa... rsrsrs Régulus? No próximo capítulo ele aparece um pouquinho... E alguém morrer? Não se preocupe, isso terá bastante na continuação de ABA... Vai compensar a 'paradeira' que tem sido isso aqui... haushuahsuah Beijinhos!
Malu – Olá! Para satisfazer o seu pedido: Peter Pevensie! Haushuahsua Obrigada pelos elogios, e realmente se eu conseguisse enfiar os Cullen aqui... Ai, ai... (suspiros) eu AMO todos eles! Mas acho que a Alice é a minha preferida... rsrs Beijão flor!
Miss Moony - Olá! Vou começar pelas sugestões! huahsuahuas Bem, um dos últimos livros que eu li e achei perfeito foi 'a menina que roubava livros'! AMEI esse livro. Além da série Twilight (viciante) e de Marley e eu (fofo!). Mas se você quiser livros policiais, posso te indicar Agatha Christie (sou suspeita pra falar porque eu sou a maior fã dela, mas...) meus preferidos dela são 'O Caso dos 10 Negrinhos', 'Assassinato no Expresso Oriente', 'Inimigo Secreto'... XD Podia ficar horas sugerindo livros... k k k k Hã... sorry, não existe a possibilidade de não deixar você viúva na continuação de ABA (senão viraria uma UA) Mas a sugestão da clube dos gatos é ótima! Posso inventar uma poção perfeita pra você perder sua alergia aos bixanos... hihihi (tá, agora eu vou em ordem...) É, eu também axo que a Lucy devia aproveitar pra pegar mais no pé da ruiva por causa desse cansaço todo... rsrsrs Er... bem, na minha opinião (e imaginação) aquele rato tem ligação com cada morte da seqüência de ABA! odeio ele! MUITA coisa teria sido completamente diferente... Você viu que gracinha SEU Gidean (claro, ênfase! rsrs) super comportado... heheh É, para satisfazer um pouco seu PPR (já que eu separei tanto o Sirius e a Lucy) o Remus vai mesmo se acertar com a Lene por um tempo... E a história do lobinho pra mim é a mais triste... (não, na verdade é impossível escolher qual a mais triste...) mas eu fiquei completamente 'hã?' (tipo: queixo caído) quando ele e a tonks (que eu amo também...) morreram... o pior foi que a JK não deu a menor importância pra isso, só 'comentou'! pra morte do Dobby teve toda aquela coisa... pobre remus, tava tão feliz... concordo, seu final era o melhor! É, a Lucy não é muito certa das idéias... uma pena pra ela que não vai poder aproveitar o BigDog... E só o Remus pra perceber essa 'mania' da loirinha quando está mentindo... haushuahsu E ela realmente perdeu a chance de ouvir a opinião do Remus sobre o Sirius, mas... eles são meu pior-casal-problema então... rsrsrss Seu PPR estava temporariamente adormecido por causa do 'namorado' que eu te dei... distraiu você um pouquinho... huashuahsu mas eu adoro quando ele ataca, sério! mas você viu o progresso hoje, a ruiva já admitiu que está caidinha pelo maroto fofo... Uh... eu também mandava toda minha família para Hogwarts (e de quebra tentava arranjar um emprego por lá! nem que fosse domando hipogrifos!haushuahusau) É, as coisas não serão fáceis daqui pra frente... Mas teremos mesmo muito Lily-James pela frente também! E Alice-Frank, Gwenda-Fabian, Mauren-Gidean, Marlene-Remus, Emily-Edgar... e muito Lucy-Sirius (mas esses só na continuação de ABA! haushuahsuhusau) Beijos flor!
Lily P Black - Nossa... que lindo sua declaração para a fic! rsrs Fico feliz que esteja gostando tanto assim de ABA, mas tenho uma notícia triste: ela já está acabando mesmo... Mas vai ter uma continuação e espero sinceramente que você continue gostando! E, bem, não posso te dar o Sirius porque a Lucy não quer o cachorrão 'agora', mas ainda vai querer... hehehe Obrigada mesmo flor! Beijinhos!!
Bem, a contagem regressiva agora é UM! (sim, é no próximo capítulo, mas eu conto um com ele porque é bem no final! haushauhsuahus)
Beijos enormes, Luci E. Potter.
