O sol já estava morrendo no horizonte quando ela chegou ao seu destino. Seu cavalo negro estava cansado, mas se negava a parar enquanto ela não ordenasse. Ele não era um animal qualquer, era seu amigo e ela sabia que podia confiar a própria vida a ele.
Alisou o pescoço do amigo e puxou as rédeas levemente. Ele parou em frente ao atual acampamento dos nômades que ela tanto conhecia. As tendas armadas, o cheiro de carne sendo assada, risos de crianças e vozes falando uma língua tão complicada. Era o único lugar em que se sentia em paz.
Desmontou de seu cavalo e, carinhosa, retirou sua cela e as rédeas. Ele estava sempre solto para ir e vir. Segurando os equipamentos em uma das mãos, estendeu a outra para fazer carinho nele.
"Volte mais tarde, querido. Você sabe o quanto preciso de você..." e terminando a frase, deu um passo para trás, libertando-o.
O cavalo relinchou, como se agradecesse e a compreendesse, e se foi. Sumiu no deserto.
"É nessas horas que vejo a menina que sempre conheci..." ouviu uma voz grossa atrás de si.
"Essa menina ainda vive, Lobo. Mas não é ela que perdura." A mulher sorriu, virando-se para contemplar o homem.
Ele era o líder dos Apaches naquela região. Lobo de Areia, seu nome. Gentil, sábio e dono da própria força, sempre seria um líder nato. E era a personificação de um pai para ela. A pele vermelha reluzente no fim do sol, cabelos escuros e longos amarrados em trança. Penas e couros o adornavam. Parecia um deus mortal.
"Vamos, Sango quer falar com você... Dê-me isso aí. Quando seu cavalo Nuvem Negra reaparecer, pegue suas coisas na minha tenda." E ele se foi, levando as coisas dela.
Andou pela tribo, sorrindo e cumprimentando. Entrou em uma tenda simples e riu. Lá estava sua amiga, deitada e olhando entediada para o teto.
"Sango... Ainda assim?" e rindo, sentou-se ao lado dela na cama de couro.
"Boa noite para você também, Escarlate. Papai quer que eu treine alguns atributos para assumir a liderança da tribo... Um desses atributos é a paciência" e suspirando Sango se sentou, cansada.
Escarlate olhou para a amiga. Sango tinha uma pele tão branca quanto a neve, longos cabelos escuros e lisos, olhos castanhos puros e um sorriso carinhoso. Ela não era uma Apache de sangue...
"...Que foi?" Sango percebeu o olhar sério que a outra direcionava para si.
"O passado..." e desviou os olhos para o chão coberto de tapetes feitos à mão.
Sango sabia do que ela falava. E quando Escarlate voltava ao passado ninguém a não ser ela mesma poderia tirá-la de lá.
Lobo de Areia cavalgava ferido pelo deserto. Seu sangue marcava o caminho percorrido. Seu cavalo ofegava.
Fora pego numa emboscada. Lutou até matar aqueles homens repugnantes e montou para voltar correndo à aldeia. Sabia que estariam atacando-a. Precisava chegar a tempo...
Quando viu o fogo alto, gritou. Desmontou pulando do cavalo sem ligar para a perna esfaqueada. O fogo engolia tudo, dançava alegre enquanto deteriorava tudo aquilo que era a vida de Lobo.
O homem correu pelas tendas, desesperado. O calor parecia não lhe incomodar, muito menos a chama. Parou de correr quando encontrou a sua tenda, já em pó. Sua mulher... Sua filha... Delas, só restaram os corpos queimados, retorcidos em dor.
Lobo de Areia gritou em desespero. Ele não suportou a dor e se desfez em lágrimas. Seus olhos se voltaram aos céus. Usando sua voz mudada pelo choro, gritou suplicando misericórdia à Natureza. Não merecia tanta destruição.
Como em resposta, uma chuva vinda do nada começou e apagou o fogo. Os pingos grossos iam desfazendo a areia, mudando a terra. Logo, um pequeno filete de água se fez na frente do homem. Esse filete escorria até um rio, não muito distante. As lágrimas do homem secaram, entendendo a mensagem.
Ainda sentindo dor, reergueu-se e acompanhou o filete com passadas lentas e pesadas. Seu sangue escorria, mas parecia ser apenas um detalhe comparado à sua descoberta. Lobo chegou perto do rio calmo. A chuva havia parado no caminho.
Ele levantou o olhar para as águas e viu boiando dentro de um cesto um pequeno e frágil bebê. Não era como ele. Sua pele era branca, seus olhos eram de cristais. Sentiu as lágrimas escorrerem novamente pela face e, assim, tomou o bebê nos braços. Seria sua filha...
"Ouvir sua história da boca do Lobo de Areia ainda me comove. Parece uma lenda, não é?" comentou Escarlate, um tempo depois de relembrá-la.
Sango sorriu e concordou com ela, balançando a cabeça. Seu pai já havia contado a história milhares de vezes... E em todas elas, as duas choravam. Dádiva dos Deuses era o nome que às vezes ouvia da boca dele.
"Sua história é ainda mais..." Sango começou, mas parou.
"... horripilante." Escarlate sorriu e completou. Mas não era o sorriso que a amiga costumava ver. Era um sorriso gelado, mortal. De alguém que parecia ser incapaz de derramar uma lágrima sequer ao relembrar o passado.
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Inuyasha saiu sem rumo do Saloon. Olhou para um dos lados e viu casas e casas desertas, nenhuma pessoa para lhe informar... Quando olhou para o olhou lado, quase caiu. Um enorme cavalo cinza praticamente pisoteou o lugar em que estivera segundos atrás.
Levantou os olhos para a pessoa montada e se deparou com um homem encarando-o de volta.
"Forasteiro, você viu uma mulher sair daqui a cavalo, vestida de vermelho?" ouviu-o perguntar, mandão.
Girou os olhos e reparou no homem. Vestia-se como se fosse importante. Seus cabelos longos estavam amarrados em um rabo-de-cavalo firme, olhos azuis brilhantes e uma enorme estrela dourada no peito, espetada do lado direito. Então ele é o xerife?... Nojentinho. Os pensamentos de Inuyasha não eram nada bons.
"Não, não vi nenhuma. Por quê? Ela fugiu de você?" cutucou, retribuindo o olhar seco.
"Olha só como fala, homem. Ela é uma foragida da lei, procurada e com a cabeça a prêmio. Se a vir, reporte-me ou capture-a. Se estiver ajudando na fuga dela, será preso como comparsa." Ouviu o homem bufar, raivoso.
"Bom, se ela aparecer vou capturá-la e o prêmio será meu. Nada de levá-la para você." Inuyasha ergueu uma das sobrancelhas enquanto tirava a poeira da camisa, como se não desse valor ao xerife.
"Qual seu nome, forasteiro?"
"Inuyasha"
"Pois bem, Inuyasha. Sou o xerife Kouga. Duvido muito que você consiga capturá-la. É muito mais fácil ficar atraído por ela. Cuidado..." e tomando isso como um fim de conversa, Kouga saiu cavalgando deserto afora.
"Feh... Já estou, xerife idiota..." resmungou para o vento. Sabia que não podia se dar ao luxo de ficar apaixonado. Precisava de dinheiro para conseguir uma vida estagnada em uma terra não muito longe, com ouro de preferência.
Seu cavalo estava comportado, amarrado à estaca. Um cavalo comum, marrom. Pegou um pouco de água de dentro da bolsa pendurada nele e uma maçã. Assim que aliviou a sede, entregou a maçã para o cavalo e o desamarrou. Teriam que achar um lugar para ficar ao relento, até arrumar algo para fazer.
Inuyasha foi cavalgando para fora do vilarejo. Não era muito grande. Havia várias casas, algumas imponentes, outras bem simples. Era um lugar pacato. Ele ficou imaginando o que ela roubava... Quando viu.
Separada de tudo havia uma imponente mansão. Parecia ser intocável. Cercada por uma cerca alta de ferro, bloqueava a entrada de qualquer curioso. Tinha um enorme jardim, verde e florido, algo praticamente impossível para um lugar seco e desértico como aquele. Uma estátua renascentista adornava o jardim, junto com uma fonte jorrando água cristalina.
Andando de um canto a outro havia homens vestidos de forma imponente. O xerife parecia um nada perto deles. E Inuyasha soube que eram capangas de quem morava ali. Seja lá quem for que reine aqui é poderoso, influente e mandão. Vejo a razão dos roubos daquela mulher... Injustiça estampada para todos observarem. Inuyasha sorriu, pensando. Qual o nome daquela história infantil?... Robin Hood. Ela me lembra esse ladrão...
E com o pensamento longe, foi cavalgando para longe do vilarejo. Encontrou o que chamou de 'colina' e uma casa abandonada no topo. Estava em pedaços. Faltava parte do telhado, havia uma tábua arrancada que deixava um buraco na parede da sala, furos, danos por toda a parte.
O cavalo relinchou. Encontrara um pouquinho de grama e um estábulo caído ao lado da casa. Sem esperar pela ordem do dono, saiu trotando para comer, deixando Inuyasha com cara de 'tacho' montado e sem comando.
"Cavalo esfomeado..." desmontou reclamando. Tirou a cela do animal e a colocou no estábulo. Entrou na casa e encontrou tudo organizado, limpo e meio arrumado. Alguém já esteve aqui... Concluiu, quando olhou a cama rústica, encostada no único canto que não tinha furos no telhado ou rachaduras na parede.
Sem se importar se estava invadindo ou não, deitou-se na cama do jeito que estava. Segundos depois já estava sonhando...
Sabia que havia passado muito tempo. Não entendia porque estava novamente àquele lugar.
Olhou para os lados, buscando-a. Quando a viu, sentiu o coração palpitar. Lá estava Kikyou, vestida para se mostrar e conquistar. Ele foi mais um que caiu em suas teias. Sabia disso, mas não se importava. Estava apaixonado, queria-a para si. Dia após dia aparecia ali para vê-la dançar, embebedava-se e quando conseguia dinheiro, gastava-o com ela naquela cama fétida.
Kikyou sorriu, mas não foi para ele. Havia alguém que estava capturando o olhar da dançarina. Inuyasha olhou na mesma direção e o viu. Alto, bem vestido, longos cabelos negros. Seu rosto era puro sadismo, seus olhos eram avermelhados. Parecia o diabo encarnado em um corpo masculino, exalando sedução.
Imediatamente Inuyasha soube que não poderia competir com ele. Percebeu que o homem era rico e sabia que Kikyou só olhava para o dinheiro. Naquele momento, sentiu o coração se esmagar. Sabia o que aconteceria e, ainda assim, doeu demais quando viu acontecer na sua frente. Kikyou se jogou nos braços dele e se foi, desapareceu...
Olhou para a mesa à sua frente, desolado e cansado. Havia um copo escarlate esperando-o. Esticou o braço para pegá-lo, mas não conseguiu. Um braço feminino o impediu...
"Inuyasha..." ouviu uma voz doce chamá-lo.
Virou-se e se deparou com aquela mulher. Ali, usando um longo vestido vermelho e segurando seu braço.
"Você..." ouviu as palavras saírem de sua boca por conta própria.
"Inuyasha..." a voz dela era uma seda envolvendo-o...
Acordou de repente, sentindo uma dor aguda no braço. Abriu os olhos, ofegando. Deslizou o olhar ainda embaçado para o braço e viu uma mão feminina segurando-o. Assustado, sentou-se rapidamente e finalmente notou quem estava sentado na cama, ao seu lado.
"Estava tendo um pesadelo?..." Escarlate sorriu divertida. Ele estava tão apavorado, tadinho...
"...O-o que você está fazendo aqui?... C-como...?" gaguejava, tentando entender o que estava acontecendo.
"Este é meu refúgio, seu inútil. Não mandei ir entrando assim sem mais nem menos. Não percebeu que estava habitado?" ela ergueu as sobrancelhas, exaltada.
"Eu não tinha aonde ir... E... Hei, como me acordou? Senti uma dor horrível!" Inuyasha olhou o braço e viu um vergão vermelho no local.
"Unhas, querido..." ela sorriu, cruel.
"Você..." rugindo, partiu para cima dela.
Pega de surpresa, Escarlate não conseguiu se defender. Caiu com Inuyasha sobre si, no chão.
"Seu louco, saia de cima de mim!!!" gritou, ainda aturdida.
Inuyasha ainda não estava completamente sóbrio. Sentia-se preso ao sonho. Kikyou acabara de abandoná-lo e ela, o Demônio, aparecera para lhe consolar. Como não percebera que essa era a mulher perfeita?...
Com a visão embaçada e meio desnorteado ele a prendeu ao chão com o próprio corpo e deslizou o rosto pelo pescoço macio. Não ouvia a raiva dela ou seus protestos. Queria aquela boca para si...
"Homem!!... Acorde!" ela gritou, tentando soltar-se dele.
Mas foi silenciada com um beijo avassalador...
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x risada maléfica x
Como é bom terminar um capítulo em uma cena tão extrema assim... Bem, classifiquei esta fanfic como M. Não sei o que acham de hentai ou cenas mais explícitas. Quem estiver lendo poderia se manifestar opinando se devo ou não colocar e se eu for colocar, qual tipo seria. Um soft, um pesado... Fiquem à vontade.
Obrigada àqueles que estão lendo e, muitíssimo obrigada, pelas reviews.
Um chocolate para MelinaLequinhaPrincesayoukai100 e Tifa! (Tifa fofa, obrigada por me aturar no msn i.i Espero suas fanfics!).
Espero-lhes no próximo capítulo!
Lua
