X
Com a visão embaçada e meio desnorteado, ele a prendeu no chão com o próprio corpo e deslizou o rosto pelo pescoço macio. Não ouvia a raiva dela ou seus protestos. Queria aquela boca para si...
"Homem!!... Acorde!" ela gritou, tentando soltar-se dele.
Mas foi silenciada com um beijo avassalador...
X
Escarlate estava surpresa. Não esperava esse tipo de ataque. Fazia tempo desde o último homem que a tocara e muito menos beijara.
Quando deu por si, já estava retribuindo o beijo e enlaçando-o com braços e pernas. Notou que seus dedos estavam afundados na nuca dele e que mãos masculinas estavam deslizando pela sua cintura. Até que aquela situação não estava assim tão ruim...
Inuyasha já estava completamente desperto. Sabia o que estava fazendo, mas não sabia que seria tão... delicioso. Nem mesmo Kikyou mexera tanto com ele como essa mulher. Seu beijo era... magnífico. Suas mãos sabiam como e onde tocar, seu corpo era macio e exalava um cheiro doce e perfumado. Uma mistura de morango e maçã, como no coquetel... Sim, ela estava deixando-o fora de si.
Só quando Escarlate sentiu uma das mãos dele tocar sua pele sob a blusa percebeu o que estava realmente acontecendo. Soltou-o e o empurrou com toda sua força. Inuyasha foi cair metros atrás, em cima da cama. Ele a olhou surpreso tentando entender o que acontecera.
A mulher se levantou e tirou o pó da roupa sem olhá-lo. Arrumou a camisa e começou a sair do aposento...
"Espera!" Inuyasha chamou, pulando da cama e agarrando o braço dela.
Ela apenas olhou da mão que a agarrava para os olhos violetas do homem. Vendo que ela não falaria nada, ele a soltou.
"Seu nome?... Quem realmente é você?... E porque uma reputação como a sua?" As perguntas foram saindo de sua boca. Naquele momento só queria saber sobre ela, só queria-a para si.
"Se nem moradores desta cidade não conhecem meu passado, não será tão fácil conhecê-lo sendo um forasteiro... Amanhã. Fora da minha casa." E sem pronunciar mais uma palavra, ela saiu do lugar.
Inuyasha preferiria um tapa a uma resposta tão fria como aquela. Mas o que queria? Aparecera do nada naquele vilarejo, tentara tomar o tal coquetel, invadira uma propriedade privada e atacara uma mulher. Ótimo, nada pior pode acontecer... E, como se ouvissem seu pensamento, uma tempestade 'brotara' no céu.
Praguejando, Inuyasha correu para a cama. Realmente, ali era o único lugar em que não havia goteiras. Como ela conseguia viver ali?...
"Aliás, como o metidinho do xerife nunca a achou por aqui?..." sussurrou tentando entender a falta de lógica. Só achou uma solução provável "Ele é burro o suficiente para achar que isso aqui está abandonado..." e riu sozinho... Esquecendo-se de que ele mesmo achou que o casebre estaria abandonado.
Mas algo realmente não saía de sua mente. Não, não era algo. Era alguém. Ela, por inteiro. Milhões de perguntas ressoavam na sua cabeça.
"Feh... Já vi que não durmo nesta noite..." resmungou, encolhendo-se no canto.
xxxxx
Escarlate encolheu-se ao lado de seu cavalo. Ainda tinha que dividir o espaço com o cavalo daquele homem. Agradeceu por ter arrumado o telhado do estábulo dias atrás. Passar uma noite de tempestade num estábulo porque tem um homem na minha cama... Só me faltava essa... Praguejou, tremendo.
Olhou para o cavalo dele. Marrom e comum. Procurou detalhes... Encontrou saúde e carinho, imperceptíveis àqueles que olham de forma superficial. O cavalo era bem tratado. Sua saúde demonstrava que o animal estava sendo alimentado corretamente, seus olhos brilhantes eram pura vitalidade. Não havia marca de ferimentos ou tortura. Quem ele é?... O que quer comigo? Meu corpo?... Dúvidas tomaram sua mente. Ao menos ela sabia que ele não era comum. Pelo visto, bondoso, carinhoso e gentil...
"É..." confirmou os pensamentos. Ouviu Nuvem Negra relinchar, como se pedisse atenção e mandasse esquecer o homem. "Nuvem... Obrigada pela companhia." E, sorrindo, afagou o pescoço dele.
Sem perceber, acabou dormindo ali, recostada no seu cavalo.
xxxxx
Inuyasha levantou antes de o sol aparecer. Mal conseguira dormir e já estava calçando as botas negras novamente. Saiu da casa e percorreu o caminho para o estábulo, com o estômago roncando. Abriu a boca para chamar o cavalo, mas quando viu quem estava ali, calou-se instantaneamente.
Não acredito que ela dormiu aqui... Riu e, sem fazer barulho, caminhou até a mulher. Pensou mais um pouco e decidiu pegá-la no colo. Quando se abaixou perto dela, o cavalo negro acordou e mordeu-lhe a manga da blusa. Inuyasha olhou surpreso da manga para o cavalo. Então ela tem um aliado sempre junto, em?...
"Acalme-se... Não vou machucá-la..." sussurrou para o cavalo, encarando-o.
Como se o cavalo entendesse o que foi dito, soltou Inuyasha e permitiu que ele levasse Escarlate para dentro da casa.
Ela dorme feito pedra... Ou finge que dorme só para ficar perto de mim... Sorriu com a segunda possibilidade. Colocou-a delicadamente na cama e se endireitou para olhá-la dormir. Linda. Parece o oposto do que é chamada. E ainda assim, exala uma sensualidade fora do comum... Acho que é essa roupa meio masculina que mostra o corpo que ela tem. Onde já se viu mulher civilizada usar calças?... Mas que eu gostei, gostei. Um sorriso malicioso brotou em seus lábios enquanto se abaixava. Beijou os lábios dela levemente e saiu porta afora.
Quando ela não escutou mais passos, abriu os olhos. Levou a mão à boca e sorriu... Não sei o que está acontecendo comigo, mas realmente estou adorando isso... E, no fim, ele tem um bom caráter. Não tentou me atacar. Será que ele vale a pena?...
Perdida em pensamentos, não percebeu que ele estava observando-a pela janela. Feh... Acertei. Tenho chances então... E saiu cavalgando, cheio de si.
xxxxx
Sango estava montada em seu cavalo malhado quando o viu sair da casa da amiga. Sorriu... Ela já tem mais um pretendente. Aliás, falando em pretendente... A mulher desviou os olhos para a cidade ao longe. Encontrou o Saloon e se lembrou dele. Sei que ela me mandou falar com ele. Mas se eu entrar na cidade, posso ser morta. Parece que ela se esquece esse detalhe que cerca minha tribo... Revirou os olhos.
Como Apache, ela furtava e lutava contra 'os homens brancos'. Mesmo sendo branca, sua alma era Apache. E por assim ser, é caçada como tal.Viver um romance com um homem como Miroku seria uma tempestade para todos. Não poderia se dar ao luxo de brigar com a tribo por causa de um romance bobo...
Suspirou. Surgira um problema com a tribo dos Hopi. Eram vizinhos dos Apaches há gerações... Mas agora, com a chegada da praga branca, começaram a criar dificuldades. Sango entendia. Estavam perdendo terras para os intrusos e, como os Apaches ainda tinham muitas, eles começaram a brigar.
"Vamos, Mancha. Temos que falar com o líder Hopi..." segurou a crina do cavalo, ordenando o movimento.
Os Hopis eram uma tribo agricultora. Ela sabia que se realmente entrassem em guerra, iriam sofrer muito. Os Apaches, sua família, eram guerreiros natos. Sabiam lutar e matar... Ela tinha que evitar brigas de qualquer jeito.
Mancha, seu cavalo, voou pelo deserto. Ela sentia o vento morno deslizar pelos cabelos, a areia quente só lhe dava mais impulso a continuar. Por menos de um momento fechou os olhos e sentiu a liberdade brincar com suas sensações. Mas, assim que chegou nos limites dos vizinhos, seu rosto se fechou em traços sérios, indiscutíveis.
Foi até o início das tendas, onde desmontou e caminhou até aquela que reconhecia ser a do chefe. Respirou fundo e entrou. Já estava sendo esperada.
"Então você é a famosa filha do Lobo... Sango, creio." um homem a fitou. Ela o conhecia através dos relatos do pai. Assumiu o poder assim que o pai faleceu e não era como ele. Manipulável, estava criando problemas até para a própria tribo. Lobo alertou a filha para uma emboscada, mas Sango ignorou essa possibilidade. Criar guerra com os Apaches seria um dano irreparável para os Hopi...
"Sou sim. Creio que seja o Chefe Tom." respondeu, no mesmo tom de voz sério.
"Sim, Tom Bacya, membro do alto Clã do Urso." sorriu, lisonjeado "Mas sente-se, Sango. Precisamos conversar".
Sango assentiu levemente e se sentou em uma cadeira esculpida, de frente ao chefe e de costas à entrada da tenda.
"Vou direto ao assunto. Queremos metade da terra que os Apaches ocupam." e olhou-a, mandão.
"...metade?! O senhor realmente percebe o que está falando?" não conseguiu evitar o tom de incredulidade na voz. Como assim ele queria algo tão absurdo desse jeito?
"Óbvio que sei. E não volto atrás. Se negarem, será guerra até o último sobrevivente." o tom ameaçador fez Sango refletir. Ele sabia da reputação de guerreiros dos Apaches. Tinha que ter algo para apoiá-lo.
"O senhor sabe que somos imbatíveis na arte de guerrear. Tem certeza de que deseja isso?..." suspirou.
"Absoluta. Ele irá me ajudar." e, como se estivesse ali desde sempre, um homem apareceu das sombras.
Sango olhou e arregalou os olhos. Óbvio que sabia quem era. O dono da mansão, o forasteiro rico e nojento que invadira o vilarejo...
"Naraku?!..."
xxxxx
Bufou, irritado. Olhou para as esporas lustradas, tentando fazer os pensamentos vagarem para longe dela. Kouga já não agüentava saber que não estava conseguindo fazer seu trabalho. Uma mulher! Uma maldita mulher de calças!... Não estava conseguindo admitir tantas baixas, tantas derrotas para um ser com seios. Que xerife ele era?!
"Um xerife apaixonado por uma ladra..." fechou os olhos, tentando negar a verdade pela milionésima vez.
Levantou da cadeira, abruptamente. Como conviver com isso?! Por mais que ele a caçasse, intimasse a comparecer na delegacia, não conseguia tratá-la como um bandido cruel. Por que ela simplesmente não era um. Ele sabia que ela era a única capaz de enfrentar os poderosos do pequeno vilarejo. Kouga não poderia fazer nada... Ou colocariam um xerife ainda mais corrompido, que faria mal às pessoas inocentes.
"Odeio isso... Sempre o mais forte, sempre." seus olhos percorreram seu escritório simples. Nada interessante para fazer...
Tomando uma decisão, saiu dali. Montou no cavalo e foi até o Saloon. Encontrou-o fechado, com Miroku sentado à porta.
"Resolveu não trabalhar hoje?" perguntou, curioso.
"Não estou afim de embebedar mágoas alheias hoje." ouviu uma resposta seca do homem.
Kouga desviou o olhar, mas continuou ali. Miroku era um homem problemático, que nunca dera certo com ele. O xerife tinha certeza de que ele era amigo da Demônio, Escarlate... Mas nunca conseguiu provar. O dono do saloon alegava que atendia qualquer pessoa que desejasse ser cliente, sendo ou não um ladrão procurado.
Olhou o xerife esnobe. Miroku não agüentava aquele homem. Sabia que ele era um cara justo... Mas ficar perseguindo a Escarlate já era demais. Sabia que ele tinha uma paixão pela mulher e isso o irritava ainda mais. Ela era como uma irmã mais velha para ele e, com certeza, aquele cara não iria merecê-la nunca. Servo dos mais fortes... Pff...
Os dois homens estavam alheios ao que iria acontecer dali em diante. Se soubessem, talvez teriam ido embora daquele lugar ou se armado mais cedo... Mas certamente o que estava para acontecer mudaria a vida daquele povoado para sempre.
xxxxx
E finalmente postei o terceiro capítulo. Sim, peço mil perdões pela demora cruel. Mas adaptar-me à Universidade foi bem pesado no início. Agora estou com folga suficiente para escrever e terminar esta fanfic.
Sim, faltam uns 2 ou 3 capítulos para seu final. Não irei escrever algo muito extenso. Prefiro escrever mais de uma fanfic do que enrolar em uma apenas.
Aliás, outra que irei continuar assim que possível é Entre Ladrões, não se preocupem.
Quanto às reviews... Bem, pelo que li está proibido o comentário de reviews na própria fanfic. Alguma sugestão de como responder? xsem graçax
Bem, o chocolate vai para a Tifa e andreia. Agradeço imensamente. Aliás, só voltei a escrever mesmo depois do comentário da andreia. Depois de tanto tempo sem postar, descobri que ainda há pessoas que lêem. Obrigada!!
