Parte 9: O Baile

O dia do Festival de Verão chegou, e o do baile também; e com ele grandes expectativas diante deste tão aguardado evento. Ao cair da noite, toda a cidade ficou iluminada com lanterninhas de papel coloridas, que enfeitavam as barraquinhas de lona branca alternadamente adornadas com ramalhetes de flores que combinavam com as cores das lanterninha dispostas nas estacas.

Em cada barraquinha uma atração: Comidas diversas, doces e salgadas; bebidas alcóolicas, chás, cafés, etc; brinquedos, jogos, fotografia, música e muitas outras atividades bem alegres e divertidas.

No centro da praça central, onde ao largo se localizavam as outras barraquinhas, ficava bem destacada uma grande e imensa lona branca armada, no local destinado ao Grande Baile; o evento mais importante da festa. Entre cada estaca que sustentava o peso da lona, também as enfeitavam os mesmos arranjos de belíssimas flores, amarradas entre ramagens de folhas e decoradas com lanternas pequenas de cores variadas que se encontravam nas demais barraquinhas.

As pessoas foram chegando.... e com elas um vozerio pôde ser ouvido de quaisquer partes daquele entorno. Aromas saborosos e por demais atraentes para o paladar foram sentidos em todas as direções. O som da banda de música alegrava aquele ambiente, levando o som para bem longe dali...

E na casa de Camus, o Cavaleiro de Aquário em seu quarto se olha no espelho enquanto ajeita seus cabelos presos num rabo de cavalo. Ele estava vestido com uma camisa social azul clara e calça azul escura. Seu paletó, pendurado num cabide. Quando ele estava calçando seus sapatos pretos, eis que bate na porta Milo:

- Sou eu... Camus !! Posso entrar.... ? - Milo veio entrando. Estava com os cabelos presos num rabo de cavalo e usava uma correntinha de ouro com um pingente de escorpião no pescoço. Ele usava uma camisa verde e um paletó cinza claro que era da mesma cor da calça, e com sapatos pretos.

- Sim, sim.... ! Entre ! - Disse Camus enquanto se levantava da cadeira e pegava o paletó para o vestir.

- Nossa !! Que elegância !!! Está até perfumado !! - Milo abriu a porta e a deixou um pouco entreaberta. Ele ficou boquiaberto com a surpreendente aparência de seu amigo. Pois há algumas horas estava um pouco desmazelado, com a barba por fazer, devido aos treinos exaustivos com Izack. - Ainda bem que a Katya não te viu daquele jeito antes.... Ela com certeza ia preferir ter ver assim todo bem vestido... e não usando aqueles trapos fedorentos. Huhuhu !!

- Ela já me viu assim antes... só algumas vezes, quando vinha arrumar a minha cama, e quando eu treinava o garoto. Mas decerto ela irá gostar mesmo de me ver do jeito que estou agora; pois desejo estar bem limpo para levá-la ao baile! - Logo que vestiu o paletó, se olhou no espelho e depois para Milo. - Acho que ela irá gostar... Só estou um pouco tenso porque é hoje que vou pedi-la em casamento!!

- Calma... homem!! Vai dar tudo certo!! - Disse Milo com uma expressão animada de confiança, enquanto pousava sua mão no ombro de seu amigo.

- Obrigado... Milo!! - E sorrindo, Camus fecha os botões de seu paletó.

Um som de passadas na escada foram ouvidos pelos dois, que imediatamente voltaram-se para a porta à fim de olhar quem estava se aproximando.

- Quem está aí? - Perguntou Milo.

- Izack!! - Gritou o garoto.

- Entre logo e diga o que foi!! - Disse Camus enquanto guardava no bolso do seu paletó alguns pertences.

- A Shina, Amanda e o Aldebaran estão prontos e perguntam se já podemos ir. - O garoto estava se sentindo um pouco incomodado por ter que vestir uma camisa branca e uma calça marrom com suspensórios. E sapatos marrons com meias brancas. Ainda mais porque Shina o achou muito engraçadinho vestido asssim.... O que era motivo de vergonha e constrangimento. - E a Katya...?

- Eu vou buscá-la na casa dela... E Izack... Diga aos outros que eu estou já estou indo! - Disse Camus enfaticamente.

Assim que Izack saiu, Camus olhou para o seu amigo, com um exultante sorriso esperançoso....

- Vai dar certo... Não vai?

- Sim... Claro que sim!! Ela te ama!!

- Então vamos!!

Então eles desceram as escadas e na sala, logo na porte de entrada encontraram Shina, Amanda e Aldebaran sentados num sofá. E Izack com uma expressão entediante e aborrecida no olhar....

- NOSSAA...... Você caprichou, Camus !!!! - Exclamou Aldebaran surpreso ao ver o seu companheiro dourado bem vestido. O Cavaleiro de Touro estava usando um paletó cor de creme e camisa amarela. com sapatos marrons.

- Camus..... Você está lindo.... Mas não sou eu que tenho que gostar mais disso... e sim a Katya!! - Disse Shina com convicção. Ela estava trajada com um lindo vestido verde esmeralda com pedrarias na mesma cor, e com uma fina echarpe enlaçada nos ombros, presa num broche prateado. Calçava sapatos prateados bem altos... E os cabelos, estavam presos com uma presilha prateada, deixando umas poucas mechas escorrerem de seu rosto, com maquiagem mais forte, para a noite.

- Parece um artista de cinema!! - Disse Amanda. Ela está usando um vestido cor-de-rosa e branco com estampado de flores pequenas e mangas fofas. Os cabelos estavam presos numa maria-chiquinha com fitas vermelhas. E estava com sapatos vermelhos, estilo boneca, com fivela prateada e meias brancas.

- Bem... Vejo que vocês estão prontos me esperando.... - Ele ficou bastante corado com os elogios de seus amigos. E tentou disfarçar o seu olhar dos seus amigos. - Então podemos ir....!!!

Eles foram caminhando até o local da festa. E num certo ponto, Camus mandou que seus amigos o esperassem na praça central, enquanto que ele ia na casa de Katya buscá-la.

- Tem certeza de que não quer que a gente vá contigo? - Perguntou Milo preocupado com o seu amigo. -Afinal você anda muito nervoso com esse baile...

Shina ao ouvir isso, fez uma cara de zangada e deu um cutucão no seu amigo.

- Ah... Eu dou conta.... podem ir..... - Disse Camus enquanto fazia um gesto com uma das mãos.

- Espere um pouco que tenho algo aqui que ela pode gostar! - Shina abriu a sua bolsa e dela retirou um pequenino arranjo de flores preso em cada uma das duas fitas brancas. -Tome... e leve isto pra ela!! Uma você amarra no seu pulso e a outra ofereça pra ela. É como uma promessa de amor.... Fiz isso pensando em vocês dois, com algumas das flores que colhemos no campo hoje cedo.

- Muito obrigado... Shina! - Ele estendeu a mão e pegou as fitas. E com um sorriso um pouco tímido, se afastou de seus amigos. Milo foi então com o restante do grupo em direção à praça central, onde ficaram sentados num banco, perto de uma barraquinha de doces aguardando a chegada de Camus e Katya.

O Cavaleiro de Aquário foi andando, até encontrar a casa de sua namorada. Ele estava se sentindo um pouco ansioso e animado, diante da expectaviva de poder estar ao lado dela. Camus suspirou um pouco, e bateu na campainha......

Ele escutou algumas vozes vindas de dentro da casa, mas não soube identificar adequadamente de quem seriam todas. Porém, uma ele reconheceu sendo de Katya..... Pelo vidro da porta podia se observar um vulto, em uma imagem um pouco indefinida, como se estivesse borrada. E então o som da porta sendo destrancada foi por ele ouvido, e...... Ela se abriu, revelando a presença de Katya.

Ela estava por demais linda! E trajando um belo e suave vestido lilás, que combinavam com seus encantadores e doces olhos lilases. Estava com uma maquiagem que combinava com seu vestido e dela, podia se perceber que usou um delicado perfume de violetas. Os cabelos, presos num lindo penteado, por uma fivela roxa de veludo, que deixavam algumas mechas soltas caídas pelo pescoço. Ela usava um lindo colar de pedra roxa e calçava sapatos roxos. Nas mãos, uma linda bolsa de contas de brilho roxo metálico, que perfeitamente faziam par com os acessórios que usava.

A simples visão de ver a moça assim, tão formosa e encantadoramente bela, deixou Camus extremamente fascinado! Ela irradiava uma energia repleta de amor.... e beleza!

E ali.... naquele momento, seu nome era amor!

- E.... Katya.... Como você está.....???!!! - As palavras certas estavam fugindo da mente do Cavaleiro de Aquário, que ficou desconcertado, tentando procurar algo para descrever o que sentia ao presenciar uma beleza indescritível. Porém, a sua amada entendeu completamente o que ele queria transmitir naquela hora. E com um sorriso amável, deixou Camus mais calmo.

- Eu sei.... Você também está muito lindo!! - Ela deu um sorrisinho de entusiasmo e ânimo. - O que é isso em suas mãos? - Ela percebeu que ele trazia consigo as pulseiras de flores e fitas que Shina deu pra ele.

- Ah.... tenho uma coisa para te dar. - Com as mãos ligeiramente trêmulas, ele as estendeu, mostrando as fitas. Pois para o Cavaleiro de Aquário era algo muito difícil de fazer, porém, ele sabia que precisava ir adiante com isso. - Isto... é para você..... - Então, ele segurou na mão esquerda da moça e amarrou no pulso dela, a fita que tinha flores trançadas por Shina. - ....uma pulseira de flores que representa o amor pelo qual estamos unidos.... - E mostrando a outra pra ela, tenta colocar no seu próprio pulso. Katya resolve o auxiliar, pois seu amado parece ter alguma dificuldade para amarrar em si próprio, para a sua aflição. - E esta é a minha parte....

- É MUITO LINDA..... CAMUS!!! OBRIGADA!!! - Os olhos de Katya rutilaram de uma imensa alegria. Ela olhou da pulseira para Camus e de Camus para a pulseira que está em seu pulso.... E o abraçou, e lhe deu um beijinho muito contente em sua boca.

- Vejo que gostou muito! - Camus com um sorriso ficou um pouco surpreso com o entusiasmo dela. - Acho que agora podemos ir.... - Disse o Cavaleiro de Aquário ao oferecer o braço para a sua amada.

E juntos foram caminhando na direção da praça central, onde no entorno estavam as barraquinhas e alguns bancos, nos quais, em um deles estavam sentados os amigos de Camus, os aguardando.

Quando Camus chegou acompanhado de Katya, todos ficaram admirados com a beleza da moça.

- Camus.... A sua namorada é tão linda que se não fosse sua.....

- Milo..... Não diga mais nada!!! - Shina chutou o pé de Milo e fez uma expressão de reprovação ante a insinuação dele. Katya riu um pouco disso e Amanda fez uma cara de desdém. - Você está linda para o Camus... e só isso importa agora!

- Hahahaha! O Milo tem razão!!! O Camus tem bom gosto! - Disse Aldebaran. - E por isso vou com as crianças levá-las para participarmos de uns joguinhos numa barraquinha ali, só para deixar vocês à sós... - E olhando para Milo e Shina com um sorrisinho bem maroto, enquanto puxava Izack e Amanda pelas mãos. - Inclusive você e Shina.... Sei que fazem um belo casal......

- EI.....?! - Shina se assustou bastante surpresa com o comentário de Aldebaran. - Até você?!

- É...... Nada mal mesmo!! Gostei de sua idéia, Aldebaran! Venha comigo, Shina.... Vamos dançar e depois tomar uns drinques. - Milo puxou Shina pela mão, quase a arrastando pela praça. Ela se sentiu um pouco desconcertada com as atitudes do Cavaleiro de Escorpião ali. - E Camus.... Você devia fazer o mesmo.... !!! - Ele deu um empurrãozinho no ombro do seu amigo e saiu dali com Shina na sua cola.

- Seus amigos são sempre assim, Camus? - Perguntou Katya depois de constatar muito intrigada que todos saíram em disparada em direções opostas, deixando apenas ela sozinha com Camus.

- Hum... às vezes eles são mesmo. - Camus ficou um pouco encabulado com as coisas que seus amigos fizeram. E para contornar a situação, teve uma idéia. - Gostaria de tomar chá com bolo? Tem uma barraca no outro lado, que tem muitas mesas onde poderemos ficar um pouco sossegados.

- Sim... eu quero! - Disse a moça com um leve e animado sorriso.

Então eles se dirigiram abraçadinhos, até uma barraca toda decorada de vermelho e azul que ficava numa ponta oposta de onde estavam. Nela, várias mesinhas brancas com toalhas vermelhas decoradas com arranjos de flores do campo em lindos vasos de cerâmica adornados com um lindo laço de fita azul. Em cada mesa espalhada pela barraca, faziam conjunto quatro cadeiras igualmente brancas.

Camus escolheu uma que ficava perto de um canteiro de flores e ao mesmo tempo com uma boa distância do balcão onde haviam as pessoas que serviam as comidas e recebiam os pedidos.

- Aqui nos parece ser bom.... O que achou, Katya?

- Gostei muito! - Disse a moça com um sorriso luminoso, enquanto descansava a sua bolsinha de contas metálicas roxas em cima de uma cadeira ao lado da sua.

- Vamos fazer os pedidos? - Camus segurou a mão de Katya com um olhar que transparecia alegria. E ao avistar Anna, uma das amigas de Katya que trabalha na padaria e que estava servindo as mesas como voluntária na festa, resolveu chamá-la para que os atendesse.

- Olá!! Vocês aqui?! Mas que surpresa!!! - Exclamou assaz animada Anna por encontrar a amiga na festa ao lado de Camus. Ela entregou o menu de pedidos para Camus e Katya, enquanto retirava do bolso do seu avental um bloquinho de notas e uma caneta. - Vieram se divertir na festa?

- Sim, Anna! Está uma noite tão linda que eu e Camus resolvemos participar da festa! - Katya se preocupou com o fato de sua amiga estar trabalhando ali, e não poder ficar perto de Yuri, do qual começou a namorar. - Não vai participar do baile com o Yuri? Onde ele está? E Tatyana?

- Não se preocupe comigo, pois assim que minhas tarefas terminarem, uma das garotas ficará no meu lugar.... e então eu poderei ficar mais um pouco com o Yuri que está numa barraca de jogos. E a Tatyana eu não sei.... decerto deve estar com o Sergei ajudando-o com alguma barraca ou... se divertindo em algumas das atividades de nossa festa.

Camus ficou um bom tempo concentrado em escolher os pedidos em seu menu, enquanto Katya ficava conversando com Anna. A conversa delas não lhe interessava de todo, pois queria logo escolher algo para comer e beber junto com sua namorada.

- Este bolo com cobertura de café e morangos....? É bom? - Perguntou Camus apontando com o indicador para o nome do bolo.

- Sim. É um dos melhores que nós temos. Vai querer?

- Katya....? - Camus olhou pra sua namorada e com o dedo mostrou lhe o bolo para dela saber se queria também. - Eu quero provar este.... E você?

- Quero também! E acho que combina perfeitamente com um chá preto. - Katya retirou das mãos de Camus o cardápio e o entregou para sua amiga com um amistoso sorriso. - Um chá com leite... é o que gostamos de beber às vezes. - Ela olhou para Camus que concordou com ela.

- Muito bem, eu vou trazer tudo pra vocês! - Anna anotou os pedidos e saiu com muita disposição e boa vontade. Afinal, ela gosta muito de sua amiga e torce bastante para que ela se entenda com Camus.

Depois de um bom tempinho, Anna trouxe para os dois, as saborosas fatias daquele bolo de café com morangos e mais as xícaras de um perfumado chá com leite. Tão logo ela os serviu, se retirou dali com um simpático sorriso.

- A Anna é uma boa amiga..... e eu gosto muito dela.... E você, Camus.... me diga uma coisa....? - Katya com um garfo separa um pedaço do bolo e o prova.

- O que deseja saber? - Camus ficou curioso com o que será que ela ia lhe perguntar.

- Eu sempre quis saber sobre seus amigos... Como você os conheceu? O Milo... Sinto que ele é muito amigo seu....

- É verdade.... O Milo, eu o conheço desde que entrei para o Santuário, juntamente com uns poucos, quando fomos escolhidos pelos nossos cosmos para sermos treinados como Cavaleiros de Athena. Eu era criança e fui direto pra lá. Fiquei um tempo convivendo ele e os outros, onde fizemos amizades.... até um mestre ser designado pra mim e eu ser treinado nas artes do cosmo numa região perto da daqui, em outra cidade.

- Eu não me lembro de ter visto você ali antes.....

- Mas isso é porque eu estava num lugar diferente, onde você não costumava passar. Era um pouco afastado, por causa da floresta. Eu treinava lá. Talvez eu te leve um dia para conhecer aquilo ali. A Sibéria é muito vasta..... - Ele tomou um gole de seu chá.

- Verdade.... - Ela sorriu, e segurou a mão dele. - Ele me parece ser uma boa pessoa, apesar das diferenças que sinto entre vocês dois... personalidades diferentes.... Vocês não brigam?

- Depois que terminei meu treinamento de cavaleiro, voltei para o Santuário, onde pude estreitar mais os laços de amizade com Milo e outros amigos que tenho. Às vezes nos desentendíamos por alguma coisa.... nada muito sério.... Mas na maior parte do tempo, vivíamos bem em harmonia, como se fôssemos irmãos.... - Ele deu uma garfada no bolo, deu uma pausa antes de completar. - Não somos irmãos de sangue, mas na verdade eu e ele nos sentimos como se tivessemos um forte laço fraternal, somos assim como irmãos em espírito! Ele é como se fosse a minha família também! Somos irmãos e amigos.....

- É muito bonita uma amizade assim, nascida na infância e preservada na vida adulta! - Ela tomou um golinho do chá. - Amizades assim são raras nos dias de hoje... Fico feliz por você que tenha amigos pelos quais possam compartilhar muitas alegrias e tristezas juntos! Eu te entendo porque gosto e conheço minhas amigas Anna e Tatyana desde que eu era criança. E com elas desfrutei de experiências valiosas nos doces tempos da minha meninice, que estão guardadas até hoje em meu coração!

Katya sorri para Camus quando ele segurando em suas mãos a olha com ternura.....

- Ah... tem um morango aqui... - Disse Katya enquanto espetava a fruta com um garfo e a oferecia para seu amado. - Quer te dar este meu morango.... sei que gosta de morangos.... - Camus comeu o morango do garfo de Katya.

- Está doce este morango.... obrigado! Acho que seria muito egoísmo de minha parte se eu não te oferecer um pedacinho do meu bolo. - Camus numa amistosa brincadeira, pegou um pedaço do bolo e deu para sua amada com o garfo.

- Ah... Camus.... Hahaha!!

E eles fizeram a brincadeira de cruzar os braços e dar um pedaço do bolo de cada um com os seus respectivos garfos.... Até terminarem de comer o bolo e beber de todo o chá.

- Vamos dançar? - Perguntou Katya para Camus.

- Claro! Já encerramos por aqui, e creio que podemos ir embora. - Ele fez um gesto, chamando Anna para pagar a conta. A moça solicitamente se aproximou deles imediatamente.

- Espero que tenham gostado! - Disse Anna, enquanto recebia o dinheiro de Camus.

- Sim, estava tudo muito bom! - Katya sorria, acenando para a sua amiga, enquanto que com a outra dava as das mãos para o seu amado. - Até logo e obrigada!

Assim que se retiraram dali, foram caminhando de braços dados pelo entorno que estava cercado por lindos canteiros decorados por belíssimas flores coloridas e perfumadas.

- Vamos dançar? - Perguntou Camus, olhando-a com um doce sorriso.

- Eu quero muito! - A moça ficou preocupada com o fato dele ter pedido isso, sabendo que ele não se sentia muito seguro para dançar. - Mas está tudo bem com você? Tem certeza que quer isso?

- Sim... Claro que sim...!! - Camus ficou um pouco corado e tenso por causa disso. - Eu sei que é o que mais deseja fazer e que esperou ansiosamente por este dia.... Além disso, eu quero que se sinta feliz hoje. Se eu puder te dar um pouco de felicidade, me sentirei recompensado!

- Ah.... Camus.... É por isso que eu te amo tanto.... Você tem um coração tão bondoso e repleto de afeto dentro de sua máscara de gelo..... Aparenta frieza, mas na realidade é tão caloroso e gentil!

Camus ficou tão estupefato e comovido pelo inesperado e sincero elogio vindo dela, que se sentiu congelado, estático em seus gestos; em sua reação.... Não saberia o que dizer pra ela naquela hora.... o que dizer para a pessoa que ama que está feliz por isso e que ela é a força que move seu coração....

Mas ao olhar em seus olhos, ele encontrou uma doce e profunda serenidade, originados de uma verdadeira emoção ali representada..... Uma emoção autêntica!

Não haviam mentiras..... Não haviam falsidades..... Não haviam malícias..... Não haviam hipocrisias.....

Tudo o que ele via naqueles lindos olhos lilases eram a certeza mais pura e bela de que a moça que está diante dele, realmente sente por ele o mais nobres de todos os sentimentos humanos......

O AMOR......

......O amor mais inocente, doce, lindo e claro como um cristal que reluz ao Sol......

E Camus ao perceber tudo isso, tocou nas quentes e macias faces rosadas de Katya e a beijou.....

.....beijou com a delicadeza de um anjo os rubros lábios da mulher amada que se asssemelhavam em cor e sabor a doces morangos colhidos numa manhã orvalhada......

Tudo o que Camus não conseguiu traduzir em palavras, ele deixou transparecer na singela forma de um beijo carinhoso e aconchegante que expressava seus sentimentos aprisionados nas profundezas da sua alma..... No interior daquele coração perdido e confuso que desejava desesperadamente abrir com a chave do afeto, as correntes da cela do medo, da tristeza e da insegurança, para caminhar nas belas estradas do amor....

Para o valoroso Cavaleiro de Aquário, as palavras estão fugindo de sua mente.... falta pouco para criar coragem.... Para tomar a decisão....

E percebeu que naquela hora, que ainda não se sentia suficientemente bem preparado para a mais importante das decisões. Portanto, resolveu deixar para depois do baile, quando estivesse mais relaxado e menos tenso a mais difícil missão de sua vida.....

Dizer para a mulher que mais ama que a deseja como sua esposa.... Para assim poder compartilhar em definitivo a sua vida com ele...... Uma vida para sempre juntos no amor!

- Vamos para o baile? - Camus sorrindo ofereceu seu braço para que Katya pudesse o enlaçar.

- Sim! - Ela se segurou bem firme no braço dele, enquanto o fitava com um alegre semblante.

O doce e afetuoso casal adentrou na grandiosa e linda tenda onde o baile acontecia......

O ambiente ali estava bem animado. Haviam muitas pessoas dançando embaladas por uma música suave executada por uma afinada orquestra que acompanhava um grupo vocal composto por duas cantoras e um cantor.

Luzes coloridas e suaves balançavam delicadamente do teto branco, formando lindos desenhos no piso coberto por um grande tapete cinza claro.

Nas extremidades do canto do palco, uma máquina lançava bolhas de sabão, que flutuavam lenta e graciosamente por entre as pessoas que ali se divertiam alegremente.

As paredes tinham muitas flores que enfeitavam as laterais, onde se posicionavam as aberturas para ventilação. Cadeiras nos cantos estavam dispostas, para aqueles que ficavam cansados.

Camus foi para o meio do recinto junto com Katya. Ela envolveu seu braço na cintura da moça, e com a outra mão, segurou a dela. Katya descansou sua mão esquerda no ombro direito de seu amado, e assim, permitindo que ele segurasse a sua mão livre.

Eles deslizaram com leveza ao compasso da doce música, por entre toda a extensão do lugar. Bailavam harmoniosamente, como se fossem folhas levadas ao sabor do vento outonal....

- Ei, Camus.... Aquele ali não é o seu amigo, Milo dançando com a sua amiga Shina? - Perguntou intrigada Katya, ao constatar a presença daqueles dois no salão.

- É mesmo! - Camus virou seu rosto e pôde perceber de imediato que o referido casal são os seus amigos Milo e Shina! E sorriu por não poder acreditar no que seus olhos estão vendo. Era realmente uma visão incrível! - Sim, Katya.... São eles mesmo!! E estão aqui dançando!! Fico feliz por eles....

- Mas por que? - Perguntou sem entender muito bem, Katya.

- É que eles não costumam se entender bem.... Ficam às turras um com o outro. Achei estranho que estejam se divertindo bem juntos. Vamos falar com eles.... - Camus segurou Katya pelas mãos e foi até onde estavam os seus amigos.

Então, eles se aproximaram de Milo e Shina que estavam dançando há algum tempinho.

- Oi, Milo!

- Oi, Camus! Mas que surpresa encontramos vocês aqui! Eu e Shina os vimos entrando....

- Estão se divertindo...? - Perguntou Camus surpreso com o amigo.

- Ah... estou dançando com uma bela dançarina.... - Disse Milo com um sorrisinho de entusiasmo.

- Não esperava que Milo fosse tão habilidoso.... - Disse Shina satisfeita.

- Fico muito feliz que estejam gostando do Baile! É muito divertido dançar!! - Katya sorriu para Shina abraçada com Camus.

- E as crianças... Milo? Estão bem? - Perguntou Camus preocupado.

- Com Aldebaran numa barraquinha de jogos. - Milo olhou para seu amigo e percebeu a sua preocupação. - Pode ficar tranqüilo, porque elas estão em boas mãos.... E nosso amigo Touro não se desviaria delas para alguma bobagem. Fora que ele gosta muito de jogos! - Milo deu um tapinha no ombro de seu amigo, com um sorriso de confiante. - Vá passear com sua namorada.... A noite está linda!

- Obrigado, Milo! - Camus sorrindo abraçou Katya e deu um toque nas costas de seu amigo com a mão livre. - Até mais... Shina...

Camus e Katya se retiraram da tenda, deixando seus amigos ali, dançando sossegadamente.

Caminharam juntos e abraçadinhos, por entre a calçada decorada com canteiros floridos.

Desceram pela alameda decorada de flores e fitas de seda, onde lanterninhas coloridas iluminavam o caminho com sua tênue e suave luz.

- Daqui a um pouco mais, haverá uma queima de fogos para comemorar o evento. Eu adoraria assistir contigo, Camus! - Disse a moça, enquanto apontava para o caminho que levava para o mirante. - Pode ser.....? Mais adiante tem um lugar que é o melhor para se observar.... É naquele onde fomos tantas vezes, que tem vista para toda a cidade.

- Sim, seria perfeito! Iremos então apreciar os fogos dali.... E é perto de onde estivemos sempre bem juntos nos últimos dias.... - Camus ficou mais relaxado por poder estar ao lado de sua amada durante os festejos e comemoração com os fogos, num lugar comum a ambos, e que facilitaria assim a sua decisão de pedir a sua mão....

O caminho estava bem iluminado pelas lanterninhas e completamente limpo, sem galhos e folhas que pudessem atrapalhar os passos em direção ao mirante natural. Ele foi cuidadosamente preparado pelos prestativos moradores voluntários, para que as pessoas que o desejassem por ele passar, tenham as melhores condições para enxergar por onde estivessem passando; e também não pudessem tropeçar nos galhos secos e escorregar nas folhas úmidas da chuvinha leve da noite anterior.

E o referido local escolhido por Katya, é um ambiente bucólico e acolhedor, onde durante a primavera e verão, costumam estar repleto de flores. É uma colina de onde se avista as luzes da cidade e os festejos de seus habitantes. Um bonito, calmo e acolhedor lugar.....

Camus e Katya já estiveram ali várias vezes.... Desde a primeira vez em que ela o levou para conhecer a região, e até nos dias em que ela entregava-lhe uma garrafa de café, quando ele ia treinar seu pupilo Izack. Isso sem contar a vez em que levaram os amigos de Camus para conhecer o local; ou que cada um deles esteve sozinho..... Seja procurando flores, como Katya costuma fazer, seja levando Izack para os treinos....

Quando finalmente chegaram ao seu destino, foram até a beirada mais próxima, onde encontraram um tronco caído de um pinheiro e nele se sentaram.

A vista dali de cima é muito bela e o lugar estava calmo o suficiente, pois o som da música e o vozerio das pessoas que estavam na festa, se achavam um pouco distantes, e realmente não havia mais ninguém ali nas imediações, o que poderia permitir que pudessem conversar tranqüilamente....

- A festa daqui de cima com essas luzes fica tão bonita... Eu gostei muito! E você...? - Katya se sentia entusiasmada diante da beleza do lugar e também de ter desfrutado da alegria daquela festa ao lado da pessoa que ama.

- É mesmo muito bonito... Mas o melhor de tudo é porque estou contigo ao teu lado nesta noite... - E Camus juntou forças em seu coração para poder dizer a ela o quanto a amava, e o quanto queria dividir sua vida com ela. Ele segurou na mão direita da moça e com sua mão livre, acarinhou o rosto rosado de sua amada. - Tenho uma coisa muito importante para te perguntar....

- Pois diga.... Eu quero ouvir.... - Os olhos de Katya brilhavam com uma doce e amorosa expressão.

- Há tempos que eu sinto por você um amor imenso em meu coração..... E pensei bem em como somos felizes aqui.... E em tantas boas coisas que gosto de compartilhar contigo.... E na felicidade que me trouxe e me proporciona!! - Ao seu lado eu me sinto um homem mais feliz!! E não quero te perder jamais....!! E acima de tudo quero te pedir..... - Ele engoliu em seco, deu uma pausa e pensou para medir as palavras cautelosamente, olhando-a demoradamente em seus olhos, fitando-a numa amável e singela expressão de ternura. - Quer casar comigo...?

- Sim, eu quero... Claro que sim!! - Ela sorriu dizendo com um alegre e vibrante entusiasmo. - Eu te amo!

Então Camus cuidadosamente, com doçura, pousou sua mãos nos cabelos muito platinados de sua amada e a beijou delicadamente na boca.... Ela descansou suas mãos nos ombros dele, enquanto que aquele beijo foi se tornando mais intenso, longo e caloroso.....

Repentinamente..... Um estrondoso som vindo lá de baixo, onde a cidade fica, interrompeu os ardentes beijos apaixonados daquele casal repleto de vida e imensa felicidade.....

-Ah... Olhe só, Camus!! Os fogos!! - Ela apontou o dedo indicador para o céu que estava iluminado com riscados de um colorido vibrante, em formas das mais belas e diversas.

- Sim... Estou vendo!! Mas é tão bonito que combina perfeitamente conosco!!! - Ela segurou a mão direita dela, enquanto observava os fogos. - Katya, tem mais uma coisa que desejo te dar.....

- Me dar...? - Ela ficou curiosa com as palavras dele.

- Eu não tive tempo ainda de te comprar um anel. E portanto, não quero te deixar sem ter um..... - Ele então teve uma idéia surgida de suas memórias passadas e recentes.....

E Camus se recordou das palavras ditas por seu melhor amigo Milo de que os poderes do cosmo podem ser utilizados de forma criativa em várias ocasiões; e de quando ele criticou a forma com que a aluna de Milo se utilizou de seus poderes; e também de um outro conselho seu, de que muito necessitava ser menos rígido e inflexível consigo mesmo.... ser mais espirituoso e aproveitar a vida com mais alegria e um sorriso de criança em seu coração.....

Disse Milo para ele em um certo dia, quando esteve muito tenso e preocupado com as coisas no Santuário: " Relaxe... só temos esta única vida e ela pode ser linda se quisermos que realmente seja assim!! " . E ao lembrar-se desse dia, sorriu, pensando.... " Milo... Milo.... só você mesmo, homem.... Pra me dizer isso.... Agora sim, eu reconheço que tem toda razão!! "

- Me dê a sua mão.... - Ela sorriu para ele tentando descobrir o que ele irá fazer. Camus tocou com seu indicador o dedo anular de Katya. - Deseja mesmo ver meus poderes.... Meu cosmo...? Pois então quero com ele te presentear com uma coisa muito linda. Observe!!

E uma luz tênue de cor azulada e violeta emananava com um equilíbrio equivalente e constante do dedo indicador de Camus, indo direto como um feixe de energia para o dedo anular da mão direita de Katya, circundando-o ao mesmo tempo que formava belíssimos desenhos de flores bem pequenas nele. Aquilo exigia uma imensa concentração de Camus, que com esmerado capricho deixava aquele reluzente anel de cor violeta azulado, por demais belo e encantador. E no final, gravou as letras iniciais de seus nomes: C e K, cruzadas e enlaçadas dentro de um desenho de um coração.

- O que achou? Gostou...? - Perguntou Camus com um sorriso de satisfação e o rosto corado de tamanha expectativa diante da reação que a moça irá lhe demonstrar. - Ele irá só durar alguns dias, depois derreterá aos pouquinhos, com o calor natural do seu corpo. Até lá vou te comprar um anel de verdade para substituí-lo.

- Mas... Mas... que anel mais lindo!! - Ela, com um sorriso de uma singela alegria, ficou exultante ao observar demoradamente o anel que está diante de sua mão... em seu dedo anular. - Eu jamais iria imaginar que pudesse receber um anel assim!! Muito obrigada, Camus!! - Katya o abraçou e o beijou na boca com bastante entusiasmo, e com muitos beijinhos.....

- É para você, porque eu te amo... e muito!! - Disse Camus entre beijos.

Então Katya encostou sua cabeça em seu ombro, e Camus a abraçou, acarinhando-lhe a cabeça, e foi passando os dedos por entre as mechas de cabelo de sua amada. Juntos ficaram observando assim, a beleza daquele espetáculo de luzes, formas e sons.....

E logo, eles se beijaram mais uma vez... um longo e demorado beijo apaixonado, embalado pelo som dos fogos que iluminavam o céu com suas incríveis formas e colorido....

Um amor que se se fortifica com a intensidade de um cosmo repleto de doces sentimentos nobres de ternura, afeto, bondade e felicidade....

Ali naquele momento vivido por Camus e Katya, a paz interior em meio a tormenta arrebatadora dos fogos..... Significava que o mundo gira, o mundo pode mudar..... Mas o amor, este sim, continua a navegar no mar aconchegante da serenidade e segurança que o mantém vivo nos belos corações enamorados.......

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO.....................................