Parte 10: Noivado Tecido por Amor
Enquanto isso, na praça principal....
Milo estava ao lado de Shina, sentado numa mesinha próxima juntamente com Aldebaran. Perto dali, observavam atentamente as crianças se divertindo numa das barraquinhas de brincadeiras, enquanto que conversavam, tomavam vinho e comiam pães, queijos e algumas carnes defumadas.
A gritaria de Izack e Amanda a cada brinde que ganhavam nos jogos, chegava rapidamente aos ouvidos dos cavaleiros. As crianças disputavam entre si quem ganharia mais brinquedos na barraca de jogos.
- Hehe!! EU ganhei!! - Gritou exultante Izack.
- É... Mas agora eu tenho mais do que você!! - Amanda berrou e depois fez uma careta pra Izack.
Ali perto, Milo se divertia ao ver as crianças brincando, mas Shina logo observou que elas passavam dos limites, não dando oportunidades para as outras crianças.
Izack estava usando ar gelado para derrubar os pinos do boliche e Amanda se utilizava de suas agulhas para acertar o patinho de madeira, enquanto fingia usar a pistola. E assim, ganhavam muitos brinquedos nas barraquinhas.
- Milo, você precisa fazer alguma coisa! Elas estão abusando dos seus poderes, e isso não é justo!
- EI... peraí! Você tem razão! Estão usando poderes para ganhar!! Isso não vale!! - Disse Milo ao constatar atentamente que Shina está certa. Antes ele não tinha percebido, pois estava por demais entretido com as conversas com seus amigos, e não olhava direito o que elas estavam fazendo.
- De fato, eles estão trapaceando.... - Disse Aldebaran enquanto descansava a taça de vinho na mesa.
Subitamente, Milo resolveu tomar uma iniciativa, ainda mais porque aquelas atitudes não são dignas de um aspirante a cavaleiro. Ele se levantou da mesa e se dirigiu aonde os garotos estão.
- IZACK, AMANDA!! TRAPAÇA NÃO VALE!!! Se Camus chegar aqui, vocês estarão numa enrascada!!! - Disse Milo as crianças, num tom de voz que inspirava respeito. Tanto que elas o olharam estupefatas.
Shina foi até onde estava Milo e disse para as crianças:
- Joguem limpo, por favor!! Chega de usarem os seus poderes pra ganhar nos jogos! Camus não iria gostar de saber o que estão fazendo! Cavaleiros devem ter lisura em suas atitudes! E dar também chances para as outras crianças participarem.
- Nós vamos nos comportar agora, Shina!! Só nos deixe jogar mais um pouco.... - Disse Amanda com um olhar de súplica, no que foi seguido por Izack, que a olhou assim.
- Está bem... Mas SE voltarem a fazer de novo.... A brincadeira acaba!! Entenderam? - Shina ficou muito séria quando disse aquilo. E em seguida fez um gesto para que entendessem que ela os estava observando, enquanto voltava para sua mesa.
Milo olhou para os lados e depois que Shina saiu, cochichou no ouvido delas:
- Não façam uso de seus poderes aqui.... mas na casa de Camus vocês podem usar, ok? - As crianças acenaram com a cabeça positivamente com um sorriso em seus semblantes. E então Milo deu uma piscadela para os dois e depois foi na direção de Shina e Aldebaran.
Enquanto os garotos continuavam a jogar sem usar de seus poderes, Shina, Milo e Aldebaran voltaram a confabular e continuar com seus comensais.
- É realmente uma grande tentação para eles... Depois que descobrimos o quão maravilhosos são os nossos poderes, nos sentimos tentados a experimentar deles em tudo quanto é lugar... Mas não é bem assim que as coisas funcionam, não é? Temos as nossas responsabilidades e com o tempo todos nós adquirimos o bom senso que as mentes jovens não o possuem. - O Cavaleiro de Touro olhou para a fisionomia estampada de preocupação dos seus amigos e disse. - Ei, não os culpem!! Nós também já fomos assim quando éramos novatos!!
- Você está certo, Aldebaran... Eles estão experimentando algo que já saboreamos quando mais novos. Eu me lembro do meu entusiasmo quando aprendi a controlar o uso do meu cosmo e a utilizar de minhas agulhas em tudo quanto é lugar... Era uma euforia prazeirosa! - Disse Milo suspirando de saudade, com um sorriso nos lábios. Ele olhou pra Shina com uma expressão de curiosidade. - E você, Shina....?
- Eu?!..... - Ela ficou um pouco surpresa com a pergunta dele. - Bem.... eu gostava de usar os meus poderes, mas fui instruída desde cedo a ter mais responsabilidade com eles.
- Vai, Shina... admita, você usava bastante!! Assim como eu!! - Disse Milo com um sorrisinho, enquanto pegava uma fatia de queijo com um garfinho.
- Não da forma como você está dizendo!! - Shina ficou corada diante da insistência de Milo. E com as mãos tentava justificar seus argumentos com um gesto de negação. - E Camus com certeza me apoiaria agora!!
- E por falar em Camus.... Onde será que ele está? - Perguntou Aldebaran preocupado.
- É mesmo... - Milo ficou pensativo. - Mas acho que deve estar com Katya agora... HUHU... E para ficarem bem juntinhos em uns momentos à sós.... Camus danado, seu filho da.... - Milo sorriu maliciosamente, enquanto mordiscava um pedaço de carne.
- PÁRA aí mesmo com o que ia dizer!! - Shina ficou aflita e ao mesmo tempo irritada com os comentários de Milo. - Deixe os dois em paz, por favor!! Não devemos nos intrometer nos assuntos pessoais deles!!!
- Eles perderam os fogos... que pena... - Disse Aldebaran.
- Acho que não... - Replicou Milo enquanto observava Shina tomar um gole de vinho.
- Eles estão bem, não se preocupem com os dois!! - Shina descansou a taça e pôs um pedaço de pão na boca de Milo, enquanto observava as crianças que jogavam nas demais barraquinhas de jogos.
- AI... Shina... Cof, cof, cof... - Ele quase se engasgou com o pão, e pegou um pouco de vinho para beber. Depois, teve a sua atenção desviada para o que Shina está observando.
- Eles estão fazendo direito agora.... - Disse Shina aliviada.
- É mesmo! - Concluiu Milo depois que se limpou com um guardanapo.
- Aprenderam direitinho a lição. - Aldebaran pousou com a mão sobre o rosto e o cotovelo na mesa.
Depois de algum tempo, as crianças terminaram todo o dinheiro que Camus havia lhes dado para jogar. E então, foram até a mesa onde estavam Shina, Milo e Aldebaran mostrar o que haviam conseguido.
- Vejam!! Desta vez pegamos os brindes sem usar nossos poderes!! - Disse Izack carregando uma sacola cheia de brinquedos.
- É mesmo!! Somos bons também em pegar assim!! - Com entusiasmo a menina mostrou para Shina o que conseguiu. - E os que ganhamos com os nossos poderes, resolvemos dar para as outras crianças!
- Fizeram muito bem!! E o melhor... Sem trapaças! Cavaleiros honrados agem deste modo. - Disse Shina para eles.
- Nossa, vocês são bons mesmo!! Conseguiram tudo isso sem usar do cosmo! - Milo ficou assaz impressionado com as habilidades dos dois.
- Agora vamos correndo mostrar isso para Camus!! Hehehe!!! - Disse Izack, no que era seguido também por Amanda que, terminou de recolher os brinquedos que estavam na mesa, e devolvê-los para a sacola.
- EIII!!! Voltem aqui!!! - Milo se levantou da cadeira e começou a chamar pelos garotos que corriam na direção da colina.
- Não se preocupem, nós sabemos onde ele está!! - Disse Amanda ao acenar com a mão para Milo e os outros.
- Mas este é o problema..... - Suspirou com desalento, Shina ao ver as crianças se distanciarem deles.
As crianças correram com bastante entusiasmo, enquanto seguiam pelo sinuoso caminho que os levava para o alto da colina, onde está o mirante, no qual se encontram o valoroso Cavaleiro de Aquário Camus, que está acompanhado de sua amada Katya.
Ao se aproximarem perto de uns arbustos ainda úmidos do sereno da noite, Amanda puxou Izack pelo colarinho da camisa, para ficarem escondidos entre as folhas e galhos, de modo que não pudessem serem vistos por Camus e Katya que ainda estavam se beijando, sentados num tronco de uma árvore.
- É aqui, é aqui, vamos!! - Disse Amanda ao perceber que Camus estava perto deles com Katya. - Se esconda!! Rápido!!
- EI, Amanda! Vai mais devagar!! Você me machucou! - A menina tampou a boca de Izack, que se ajeitava no chão, pois caiu de costas.
- Shiii, fique quieto!! - Ela pôs o dedo indicador na boca e fez uma expressão séria. - Olhe ali! - Disse sussurando a garota, enquanto que com as duas mãos pousadas no ombro dele, o posicionou de modo que ele pudesse ver melhor o que Camus e Katya estavam fazendo. - Veja! Eles estão se beijando!
- AI, QUE NOJO!! - Exclamou o menino com expressão de asco. - Na boca... não!!!
- Fale mais baixo!! - Amanda fez um sinal para fazê-lo diminuir o seu tom de voz. - Você quer que eles nos ouçam?! E eles são adultos.... E eles fazem isso, apesar de também achar estranho e nojento.
- Meu mestre beijando a Katya?! Isso é muito estranho pra mim!! É nojento, olha só como se beijam!!! - E ele de tão atônito que ficou, puxou o braço da sua amiga e apontou o dedo para o casal.
- Isso é normal, Izack... Adultos fazem, mas é muito esquisito....
- Mas ele é meu mestre?! Ele não pode fazer isso!! Estão muito abraçados, e na minha frente eles não se beijam assim!!!
- E porque não, Izack? Shina me contou que é normal os adultos se beijarem quando gostam de alguém.
Uma sombra sorrateira, deles se aproximou..... Mas quem será?
- Um dia vocês irão mudar de idéia, quando crescerem!! - Disse Milo com um brilhante sorriso. - E gostar de beijos....
Izack e Amanda ficaram surpresos ao escutarem a voz de Milo e perceberam que ele estava atrás deles, agachado na moita. Ele veio junto com Shina e Aldebaran.
- MILO!!! AIIII!!! - Exclamaram em uníssono as crianças.
Quando as crianças fizeram um alarido, Milo acabou tropeçando, caindo junto delas, arrastando Shina e Aldebaran no embalo.
- Falem mais baixo, por favor!! - Disse Shina preocupada.
- Chega mais pra lá, Izack!! Está me machucando!! - Amanda o empurrou para um canto, no que o menino se ajeitou para o lado de Milo.
- Estávamos procurando vocês dois! - Disse Milo.
- Nós fomos procurar Camus para mostrar o que ganhamos, mas ele está bem ali beijando a Katya... Não entendo como vocês adultos podem gostar disso!! - Izack com cara de muxoxo, mostrou para Milo, com o dedo onde Camus estava com Katya.
- Isso não é nada, garoto!! Quando você gostar de uma garota, apreciar beijos e estiver apaixonado, vai deixar de pensar assim... Hehee. - Milo deu alguns tapinhas na cabeça de Izack de modo amistoso, com um sorriso maroto no rosto. - Eu acho que vai encontrar uma namorada muito bonita e.... - Ele cochichou algo no ouvido dele, o que o deixou bastante corado.
- Milo!? Não fique dando idéias para o garoto!! - Shina deu um cutucão, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse para trás.
- Ei... tem uma coisa aqui se mexendo.... - Amanda sentiu que algo subia no seu braço, e quando percebeu que era um inseto, ela congelou de pavor. - Um... Be-sou-ro!!! ARGHHH!!! E tem mais aqui!!
- Ai, você pisou na minha mão!! - Reclamou Izack.
- Ei.... Olhem só quem está olhando para cá.... - Disse Aldebaran um pouco apreensivo por observar que Camus desviou a sua atenção para eles. E cutucou os seus amigos para que vejam que era tarde demais e que ele já estava percebendo a presença deles.
Camus, ao notar de onde que vinham aqueles gritos e o farfalhar das folhas daquele arbusto; que agora não teria mais privacidade alguma com sua amada.
Então ele se levanta e se dirige até onde está a exuberante folhagem, no que é seguido por Katya. Ele olha por baixo daquela moita e encontra todos os cinco ali, amontoados.
- Mas o que está acontecendo aqui?! - Ele cruza os braços e os encara com severidade. - Será possível que eu não posso ter um momento só meu e de Katya? Vocês vem aqui e atrapalham tudo?!
Eles se levantam e um a um vão saindo daquela vegetação. Seus rostos se mantinham fixos em Camus, numa expectativa pela reação dele.
- Por um acaso.... Estavam nos espionando...? Eu não posso ter um momento de paz, que logo sou interrompido!! - Ele estava ficando corado de tão tenso diante daquela situação embaraçosa. - Isso não é justo!! - Ele virou as costas quando percebeu que Katya estava vindo em sua direção. Ela então o abraçou.
- Eu tomei um susto com vocês aqui!! Não esperava que chegassem aqui. E não entendo o que vieram fazer aqui; Camus e eu ficamos um pouco envergonhados por vocês ficarem nos observando. - A moça ficou assaz constrangida.
- É... Desculpe, Katya!! Mas nós queríamos mostrar ao Camus o que ganhamos nos jogos. - Izack olhou para ela meio sem graça, enquanto esperava de Amanda a confirmação de suas palavras.
- Isso mesmo!! - Sorriu a menina ao erguer a sacola com os prêmios e mostrar pra ela.
- Nós... viemos atrás deles, eu, Shina e Aldebaran, para impedi-los de vir pra cá. - Coçou a cabeça Milo, um pouco sem graça. - Mas vejo que não deu muito certo....
- Deixe pra lá, não é, Camus? Afinal de contas eles não fizeram por mal... - Katya tocou suavemente em seu rosto enquanto o encarava com um olhar amável. E depois voltou sua atenção aos demais. - Eu e Camus temos algo muito importante para lhes contar, não é meu querido?
- Sim... Bem... Eu e Katya vamos nos casar. E nós queríamos contar isso depois, mas vocês apareceram...
- Casar?! Os dois? - Izack ficou suspreso, pois não esperava ouvir tal revelação oriunda de seu mestre.
- Isso mesmo. Decidimos hoje! - Disse Camus resoluto.
- Parabéns!! - Amanda ficou estupefata, apesar de achar isso interessante.
- Camus, meu amigo... eu estou muito contente com a sua decisão!! E escolheu uma garota maravilhosa para ser a sua noiva!! - Milo cumprimentou o seu amigo, com um sorrisinho animado.
- Muitas felicidades para vocês dois! Eu sei que merecem!! - Disse Shina, cumprimentando-os.
- Parabéns, Camus.... - Aldebaran também os congratulou, com um ligeiro tapinha nas costas.
- Obrigado, meus amigos!! Estamos tão felizes, que eu os convido para comemoramos juntos o nosso noivado! - Camus estava tão alegre e bem humorado, que logo esqueceu que estava sendo espionado. E Katya que estava abraçada ao lado dele, também se sentia muito bem agora. - Venham conosco!! Eu pagarei umas bebidas para vocês!!
- Maravilha, Camus!! - Milo estava entusiasmado, pois adora beber e festejar na presença de seus amigos. Pois sempre torceu pela felicidade de seu melhor amigo, o Cavaleiro de Aquário.
- Ei, mestre!! Olhe o que eu e Amanda ganhamos!! - Izack abriu a sacola cheio de brindes e mostrou para Camus, todo orgulhoso.
- Estes aqui, nós ganhamos sem usar de nossos poderes!! - Amanda também mostrou alguns dos seus brindes, os que ganhou de fato sem trapaças. - Nós aprendemos que não devemos usar de nossos poderes para ganhar!!
- Muito bem!! Estou orgulhoso de vocês!! Vejo que sabem agora o valor de um cavaleiro!! - Ele afagou a cabeça das crianças. E depois Katya sorriu com satisfação para elas.
Então todos bastante contentes, desceram juntos a colina, e se dirigiram até a praça principal, onde a festa continuava animadamente.
O som foi aumentando de intensidade, a medida em que se aproximavam das barraquinhas, que estavam repletas de pessoas que se divertiam alegremente entre jogos, danças, comidas e bebidas.
Juntos, os amigos de Camus foram para uma mesa, com ele e os outros, onde puderam participar descontraídos da alegre comemoração de um futuro noivado promisor.... Um momento de uma imensa felicidade para Camus e Katya, no qual todos unidos puderam festejar com entusiasmo!
......E comemoraram durante um bom tempo, na companhia de seus inestimáveis amigos.....
Um dia após a festa, Camus acordou bastante animado e repleto de grandes expectativas. Pois decidiu que com a ajuda de seus amigos, compraria um anel e depois contaria para os pais de Katya sobre o noivado, e seu desejo de começar com ela uma família.
Esperançoso e com muitos planos para construir uma nova vida com a moça, ele decidiu compartilhar os seus sonhos com seus amigos tão estimados do Santuário. E estava se sentindo tão bem, que resolveu dar uma folga nos treinos para a alegria de Izack.
O menino aproveitou bem o seu tempo livre e resolveu passar uma boa parte do seu dia brincando com Amanda.
Katya e Shina foram às compras em muitas lojas da cidade, onde puderam escolher várias coisas bonitas para enfeitar a casa, além de doces, perfumes e vestidos.
Camus reuniu os seus amigos para ajudá-lo a escolher um lindo anel de noivado para dar para Katya.
Eles saíram cedo, até uma loja, onde se podia encomendar pelo correio, jóias e outras peças de fina arte. Lá, encontraram um catálogo com muitas opções e preços variados para serem escolhidos. Levaram consigo o grosso tomo, contendo o mostruário da distante matriz da loja de peças refinadas.
Foram caminhando até o bar, que se posicionava a uma razoável distância dali.
Sentaram-se numa mesa reservada e discreta do bar, onde Camus gostava de frequentar, para que ali escolhessem sossegadamente e sem atrair a atenção de curiosos, um anel mais apropriado para o futuro e almejado enlace.
Milo, tratou de chamar um atendente, para que lhes tragam bebidas. Um rapaz veio solicitamente ao encontro deles:
- Pois não, senhores... o que desejam?
- Queremos três cervejas e alguns salgadinhos.
- Sim, senhor! Mais alguma coisa? Nós temos sanduíches, grelhados....
- Não, obrigado... Por enquanto só vamos querer isso.
- Está bem! Aguardem alguns minutos, que já estarei de volta com os pedidos.
Assim que o rapaz se retirou, as atenções deles se voltaram para o catálogo e o conteúdo dele......
- Vamos!! Abra logo isso, Camus!! Vamos ver logo o que têm aí!!! - Milo estava curioso para saber o que Camus iria escolher.
- É... Camus, abra!! - Completou Aldebaran.
- Está bem! Veremos as opções que existem aqui. - Camus abriu cautelosamente a capa daquele tomo.
A expectativa crescia a medida que Camus folheava as páginas demoradamente... se detendo em observar meticulosamente a cada ilustração e textos em anexos, que estavam acompanhados dos preços e formas de pagamento. Separando, o que de fato era relevante para o seu objetivo.
- Anel de ouro, com platina... detalhes em rubis.... Não! Próximo...
- Este aqui, com esmeraldas..... - Disse Milo, apontando o indicador para a figura.
- Este aqui não serve! É muito caro!! - Camus virou a página.
- E este...? - Milo sorriu. - É bonito!
- Olha, este têm safiras! - Disse Aldebaran.
- Esperem um pouco, que estou vendo qual.... - Ele folheava outra página.
Neste momento, chega o rapaz trazendo as bebidas e os salgadinhos. O que por fim acabou interrompendo o que Camus ia completar. Ele imediatamente separou um pedaço de papel e marcou a página não vista e fechou o calátogo.
- Muito obrigado.... - Disse Milo para o atendente. Então, depois que eles foram servidos, eles esperaram que o rapaz fosse embora, para continuar. - Tem algum que te interessa?
- Tem sim! - Camus abriu o mostruário e ficou olhando atentamente para a ilustração do anel. - Acho que talvez escolho este aqui, de ametista. Ele combina com os olhos dela e não é tão caro como os outros e nem tão simples como alguns que eu vi.
- Que diz aí, Camus? - Milo debruçou-se para ver melhor a figura, enquanto mordiscava um biscoito.
- Anel de ouro, com única ametista e dois pequenos brilhantes.... Este eu posso pagar. - Ele encarou os seus amigos. - E tem aquele outro de pérola e brilhante, mas prefiro o de ametista. - Posso pagar aos pouquinhos e está na medida das minhas posses.
- Vai este mesmo, homem!! - Disse Milo com um sorriso confiante. - Ela com certeza irá gostar!
- É o de ametista. - Aldebaran justificou sua opinião. - Foi o que achei mais bonito. Não entendo muito dessas coisas, só achei que foi o melhor.
- Então é este que eu vou comprar! Muito obrigado, amigos! - Camus pegou uma caneta e preencheu num pedaço da página à parte, onde se encontra o formulário de pedido; os detalhes da compra.
- Ah, que isso, Camus... amigos são para essas coisas! - Com um sorriso, Milo levantou seu copo. - Vamos fazer um brinde à tudo isso! Brindaremos também as boas coisas e nossa amizade... - Se precisar da minha ajuda para inteirar nas despesas... Esteja à vontade!! Hehe....
- Não precisam se preocupar comigo!! Eu consigo dar conta disso! Com vocês aqui, me sinto muito feliz por poder compartilhar de algo de extrema importância em minha vida!! Meu noivado com a mulher que eu amo!! - Camus estava ficando bastante emocionado depois que terminou de preencher o formulário de entrega. Pois foi comovido pelo gesto inesperado de seu amigo.
- Nós estamos contigo pra tudo isso, Camus!! - Milo, com a outra mão, empurrou o copo de Camus na direção dele, como que insistindo para que brindassem logo. E por fim, Camus levantou o dele também.
- Isso mesmo! - Disse Aldebaran que levantou o seu copo. - Pode contar conosco!
- Muito obrigado.... - Camus olhou para seus amigos com uma imensa alegria.
- Viva nossa amizade!! - Brindaram juntos em uníssono, levantando os copos, tilintando-os e bebendo de todo conteúdo em seguida.
Camus sentia em seu coração uma felicidade incomensurável. Era algo tão diferente de tudo pelo qual já passou em sua vida. Uma sensação superior às das mais empolgantes e vitoriosas batalhas pelas quais já viveu em sua vida servindo ao Santuário!!! Melhor que o prazer de lutar!!
A sensação de amar é melhor que as de lutar e derrotar os seus oponentes nas pelejas da vida......
Apesar de passar pela experiência de estar ao lado de outras mulheres, esta é diferente de todas, pois o amor realmente encontrou uma força tão grande no âmago de seu ser.... que ali mesmo instalou uma fortaleza inexpugnável e sólida, que nada mais neste mundo e no outro possam desmoroná-la!
Depois que apreciaram da mais imensa alegria, numa comemoração especial, na qual puderam dividir a alegria e conversar sobre todas as coisas que foram muito importante durante esses dias; decidiram ir juntos até o correio, onde Camus entregou o formulário para a compra do anel.
Finalmente conseguiu resolver uma parte do problema!!!
Agora faltava pouco para tomar uma decisão assaz definitiva.... Era o que mais o deixava tenso!
Pedir à mão de Katya para a família dela.........
Tão logo deixaram o posto dos correios, foram até a casa de Camus, onde encontraram Shina e Katya conversando animadamente na cozinha, enquanto que Izack e Amanda brincavam lá fora.
Quando a noiva de Camus percebeu que ele havia a pouco retornado na companhia de seus amigos, veio com um animado sorriso recebê-lo.
- Camus.... que bom!! Você já voltou bem na hora do almoço!! - Ela o abraçou e o beijou ligeiramente nos seus lábios, e em seguida segurando-o pela mão, o conduziu até a mesa da sala. - Vocês dois também... venham! - Katya fez um gesto, chamando os amigos de Camus para se juntarem na mesa. - Eu e Shina providenciamos tudo.
- Quer que eu chame as crianças, Katya? - Perguntou Shina, enquanto que ela saía para fora.
- Ah... sim, claro!! - Disse a moça um pouco atarefada.
- Katya, preciso falar contigo... em particular! - Camus olhou para Katya, pedindo que ela fosse para um canto, longe dos olhares dos outros.
- Tudo bem... - Ela foi com ele até a porta da cozinha. - Pode dizer.
- Quero hoje ver os seus pais para pedi-la em casamento. Pretendo deixar tudo certo e preparado. Será que há algum problema....?
- Claro que não! Eu acho que é uma boa idéia. E eles devem estar em casa. - Ela deu um luminoso sorriso e o beijou na boca rapidamente.
Em seguida, eles se dirigiram até a mesa para o almoço. Camus estava um pouco ansioso, porque precisava contar para os seus amigos a sua decisão, e também do apoio deles.
Mais do que nunca se sentia que o momento estava próximo e não poderia cometer erros....
Katya serviu para eles um delicioso rosbife acompanhado de legumes ao molho de frutas silvestres.
Camus abriu um dos vinhos muito especiais, que havia guardado para alguma ocasião que fosse muito importante para ele.
- Este será um dia que eu jamais sonhei que pudesse me acontecer! Decidi que irei me casar com esta mulher tão maravilhosa! - Ele segurou a mão de Katya e sorriu. - A única pela qual eu resolvi tomar esse caminho. As estrelas me disseram que este é o meu destino!
- Camus... - Suspirou Katya.
- Eu espero contar com o apoio de vocês meus amigos!! E juntos façamos um brinde!! - Ele levantou a taça de vinho, esperando que seus amigos o sigam.
- Você está predestinado a ser feliz, amigo!! - Disse Milo contente com a alegria de Camus.
- Sim, um brinde para você e Katya!! - Disse Shina, ao enconstar sua taça entre a de Milo e Camus.
- Parabéns aos noivos!! - Disse animadamente, Aldebaran ao juntar também sua taça.
- VIVA!!! VIVA!!! - Gritaram em uníssono as crianças, com seus copos de suco de ameixa.
Após o almoço, no qual puderam brindar e comemorar bastante, Camus decidiu planejar uma visita para os pais de Katya à noite, quando finalmente poderia contar pra eles sobre suas intenções de contrair matrimônio com a filha deles.
Era uma situação difícil e delicada, pois ainda mantém fresca em sua memória os fatos que aconteceram entre a sua amada e a mãe dela, que Shina lhe contara naquele dia.
Tudo deveria ser bem explicado, de forma que se pudesse evitar todo e qualquer tipo de equívoco, pois temia e muito uma reação inesperada da mãe da moça, e que ela não simpatizasse com ele.
Então, ele conversou bastante com seus amigos, com o intuito de obter forças para conseguir superar essas dificuldades... e não pôr nada a perder!!
Katya levou as crianças para dar um passeio na colina, e depois para a padaria, onde puderam se divertir comendo deliciosos doces. E com isso, Camus ficou mais tranquilo na companhia de seus amigos do Santuário.
- Mas eu acho que vai dar tudo certo, Camus! - Disse Milo. - Ela vai perceber que é um homem bom.
- Isso mesmo!! Mostre pra ela as suas qualidades e diga o que há em seu coração, o seu EU verdadeiro! - Disse Shina também. - Ela precisa entender que você é diferente do que pensa que é.
- Com o pai dela sempre foi tranquilo, ele me trata muito bem. Mas a mãe, tem um pouco de ciúmes da filha. E ela depois daquele dia me vê diferente... mas acho que isso tem a ver com o que ela acha das minhas amizades. E por isso, sinto que ela interpretou mal certas coisas vistas na casa.
- Mas não perca as esperanças!! - Disse Aldebaran com um sorriso amigável.
- Eu acho que isso tudo tem a ver com o fato da filha dela estar passando a maior parte do tempo em sua casa, que está com homens estranhos, que ela não conhece... só isso. - Supôs Shina.
- Mas eu cortei todo vínculo de trabalho com ela, para não ficar com uma situação constrangedora! E assim, poder assumir um relacionamento mais sério e a mãe dela não pensar que eu esteja desejando me aproveitar de Katya!
- Já é alguma coisa.... você não pagando mais nada assim caracteriza um laço emocional. Mas eu percebi que as amigas de Katya pensam diferente da mãe dela, talvez por serem mais jovens e terem mais contato com o mundo lá fora e os costumes de longe. - Shina se lembrou de todas as conversas que tivera com as amigas de Katya no dia do festival e na véspera, e também do pouco que pôde conversar com a mãe dela.
- É mesmo!! As amigas delas ficaram muito interessadas em mim e no Aldebaran!! Ficaram mais caidinhas por mim!! - Milo se sentiu muito orgulhoso por comentar isso.
- MILO?! - Shina deu um cutucão em Milo. - Tome mais cuidado com essas meninas!! Algumas têm namorados que podem não gostar dos seus galanteios! Eu VI como você se comportou ontem!!
- Até parece... Haha... Eu vejo que está com ciúmes de mim!!
- AI!! Não é nada disso.... - Shina ficou assaz corada com os comentários de Milo. Ficando ligeiramente irritada com isso. - Quem queria ficar com ciúmes de um mulherengo como você?!
- Haha.... - Milo ficou bastante feliz com a expressão aflita de Shina querendo justificar sua atitude.
Camus ficou um pouco pensativo, o que desviou a atenção dos seus amigos, que interromperam os seus comentários e brincadeiras.
- O que foi...? - Perguntou Shina.
- Foi algo que dissemos? - Milo ficou preocupado.
- Não... Nada disso.... - Camus suspirou um pouco e depois continuou. - A maioria das pessoas deste lugar são tão diferentes daquelas das quais eu estou acostumando a conviver no Santuário... às vezes me sinto diferente, como se não fizesse parte do mundo deles....
- Mas como as pessoas daqui, a maior parte não está acostumada com gente de fora e costumes de fora, e isso pode levar um tempo!! - Afirmou Aldebaran.
- É assim mesmo... Confiança é algo que demora anos para se conseguir!! - Milo deu um tapinha nas costas de Camus, para animá-lo.
- Você é um homem da bom caráter, honesto e íntegro. Com o tempo eles vão perceber que poderão ver um ser humano maravilhoso no dia a dia com elas....!! - Shina sorriu e depois olhou para Milo e Aldebaran, esperando que eles endossassem as suas palavras. Logo, eles balançaram positivamente com as cabeças. O que deixou Camus se sentir melhor.
- Muito obrigado, meus amigos!! Com vocês do meu lado estou mais confiante para mais essa "batalha".
Camus, ficou mais entusiasmado e ganhou novas esperanças com o incentivo de seus amigos. Pois desde que passou a viver na longínqua Sibéria durante todos esses meses e longe do seu adorado Santuário, pôde agora desfrutar de mais alegrias; seja com sua amada Katya, com o prazer do seu treinamento em Izack... ou com a presença calorosa de alguns dos seus amigos mais queridos da ensolarada e distante Grécia....
As saudades foram crescendo durante todo esse tempo. Saudades de sua casa zodiacal; das lutas; das missões que participava como Cavaleiro de Athena; dos árduos treinamentos em outros aspirantes a cavaleiro; dos momentos de folga em que juntos iam beber, conversar e se divertir nos bares de Rodório... saudades até das mudanças súbitas de humor do Grande-Mestre e das loucas fofocas que rolavam sobre ele!!
Porém... durante esse período, o fato que mais felicidade lhe trouxe, foi a descoberta do amor que sente por Katya. A moça simplesmente roubou o seu coração, trazendo-lhe novos ânimos, como se fosse um bálsamo para as feridas de um guerreiro que está à beira da morte.
As feridas provocadas pela longa ausência numa terra fria e distante, com pessoas assaz reservadas e personalidades tão opostas do que estava já acostumado a conviver no Santuário, estão bem depressa se cicatrizando numa impressionante rapidez, tal é o amor que adentrou em seu coração....
Um amor que revigora todas as tristezas e melancolias.... um amor que vale à pena ser vivido!! Katya!!!
Quando a noite se aproximou com seu negro manto coberto de cintilantes estrelas..........
As crianças ficaram em casa brincando, e em seguida foram dormir.
Camus acompanhado de sua doce Katya e de seus mais valorosos amigos, foi ao encontro da família da moça, com um desejo em mente:
- Quero me casar com sua filha!! Sou um homem trabalhador, de bom caráter.... - Ele estava segurando firmemente a mão de Katya, enquanto olhava para seus amigos, que acenavam positivamente com a cabeça. E depois encarou os pais da moça. - Não sou rico, mas o que eu possuo é mais do que o suficiente para dar à sua filha uma vida digna! E me esforçarei para fazer de tudo para que Katya tenha uma vida feliz comigo!!!
Camus por dentro se sentia invadido, como se um terrível monstro tivesse sugado todo o seu cosmo. Porém, o sorriso de Katya funcionava como um escudo que impedia que esse mostro o derrotasse. E logo foi ganhando mais confiança e determinação. Ainda mais com a presença de seus amigos, oferecendo um incentivo na decisão mais importante de sua vida!!
As palavras eloquentes que Camus foi respondendo foram o bastante para deixar até mesmo a mãe da moça impressionada e convencida da sinceridade delas!!
- Minha filha... é realmente isso que você deseja? - Perguntou o pai.
- Sim! Porque eu o amo!!
- Vejo que eu estava realmente errada a seu respeito!! Você é mesmo o homem certo para desposar a minha filha!! - Disse a mãe assaz admirada com tanta honestidade. - E seus amigos realmente não são o que eu esperava que fossem... me perdoem!!
Camus se sentiu surpreso com os comentários da mãe de Katya. Pois não esperava por uma resposta tão receptiva advinda dela. Ainda mais, porque ela admitiu que estava equivocada a respeito de sua pessoa. Agora... não há mais nada a temer!!!
- Eu entendo... e sei que deseja o melhor para Katya e não gostaria de que um homem mal intencionado se aproveitasse de sua filha, é natural querer proteger os filhos; porém quero que tenha a certeza de que eu serei um bom marido para a sua filha! - O que Camus disse deixou mais aliviada a mulher, que deu um sorriso de tranquilidade e confiança.
- Então está tudo resolvido!! Você, Camus, irá se casar com minha filha! - Disse resoluto Mikail. - Já escolheu uma data certa para a cerimônia?
- Sim, senhor! Nós pretendemos nos casar o quanto antes, logo que o inverno terminar.
- Muito bem! Então está decidido!! Vocês terão o meu consentimento!! - Disse o pai de Katya, enquanto retirava do armário uma garrafa. - Eu tenho aqui comigo uma boa garrafa de vinho e quero comemorar com vocês todos!! Os amigos de Camus também são nossos convidados!!
Todos se confraternizaram alegremente. E bem ali, a felicidade chegou para o valoroso Cavaleiro de Ouro, Camus de Aquário!! Um felicidade inesperada e bemvinda!!!
Logo, uma nova realidade está se concretizando....
Um sonho tangível de um amor que foi sendo cultivado neste terra tão dura e gélida....
Que nasceu no coração de um Cavaleiro de Gelo e foi se desenvolvendo ao longo do tempo....
E foi graças a doçura de uma moça de muitos encantos e ternura, que o gelo foi cedendo lugar para as chamas ardentes de um sentimento muito mais poderoso do que o maior cosmo que já foi visto!!!
E o nome deste poder é.......
Amor!!!
A força que rege a vida, que está acima de todo e quaisquer cosmos.....
Este é o mais incrível e verdadeiro poder do Cavaleiro de Aquário!!
Que ele desenvolveu por criar laços com uma valiosa mulher..... Katya!!
O poder que transformou Camus no homem mais poderoso, de um coração mais forte e belo!!!
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO.............................
