Capítulo 5: Thea

Thea equilibrava com dificuldade os pãezinhos e dois copos de café, os quais havia comprado em seu caminho até o hospital, enquanto esperava pelo elevador. Ainda era cedo, mas ela não conseguira dormir na noite passada, não com o acidente tão fresco na memória. Havia sido uma chata com Oliver, mas estavam virando uma nova página... uma que começava com café da manhã.

É claro que ela não contava em encontrar Oliver ainda dormindo quando ela apareceu com sua oferta de paz.

Ele não era o único: seu guarda-costas dormia numa cadeira não muito longe da cama. Ele estava só com a camisa de mangas longas, o terno dobrado sobre o peito, e Thea tinha de se perguntar como ele conseguira dormir em primeiro lugar... aquela posição não parecia das mais confortáveis.

Pairando na entrada da porta, sentiu uma ponta de culpa...talvez ela devesse ter trazido um terceiro copo de café. Ainda assim, não conhecia bem Diggle, mas ele parecia estar sempre presente nos últimos dias. O estranho era que Oliver não parecia se importar. Era como se ele gostasse de tê-lo por perto e não do jeito idiota de antes, mantendo alguém ao seu lado apenas para irritá-lo até que explodisse. Já havia entrado em aposentos encontrando ambos conversando mais de uma vez, apenas para que parassem de imediato quando a viam.

Certo, Thea estava com um pouco de ciúmes. Queria que Oliver falasse com ela, não com um estranho que estava sendo pago para estar ali. Talvez não fosse racional, mas quem disse que tinha de ser?

Oliver fez um barulho, algo entre dor e medo –e isso era muito errado, Thea pensou, o irmão dela não devia fazer um som desses-, e Diggle ergueu-se de imediato, piscando para afastar o sono e parecendo quase confuso. O movimento súbito fez Thea pular e ela deu um passo instintivo para trás, ficando fora do campo de visão dos outros dois. Ela quase derrubou os copos no processo e levou alguns segundos para lidar com essa crise menor.

Um grito a trouxe de volta para a entrada da porta num instante. Oliver estava tendo um pesadelo e Diggle –que havia se movido da cadeira até a borda da cama- tinha as mãos nos ombros de Oliver. Ele estava ou tentando acordá-lo ou mantê-lo no lugar, Thea não sabia e estava prestes a correr até eles para fazer... algo –não estava bem certa do quê, dizer para ele parar, talvez- quando Diggle inclinou-se, a boca quase tocando a orelha de Oliver.

"Oliver, acorde. Você está sonhando e vai acabar se machucando." Ele disse calmo e Thea quase bufou... de jeito nenhum que isso ia funcionar. Mas funcionou, toda luta saiu de seu irmão e ela ainda estava encarando quando Oliver abriu os olhos.

"Digg?" ele perguntou, a voz arranhando e rouca, lembrando Thea de muitas ressacas.

"Sim," uma das mãos de Diggle se moveu para a mesa do lado da cama para pegar o copo de agua lá. A outra mão continuou exatamente onde estava.

"Ai."Oliver reclamou ao tentar se sentar e soltou um som baixo de dor, estremecendo, enquanto Diggle o ajudava a beber.

"Eu sei. Costelas quebradas são uma droga." Ele disse, sem soar muito compreensivo. Thea franziu o cenho... ele deveria ser mais legal com o

Oliver. "Quer falar sobre isso?"

Oliver suspirou e Thea estava prestes a salvá-lo –Oliver não falava sobre a ilha, é claro que ele não queria- quando ele começou a falar.

"Havia esse cara, na ilha. Ele me encontrou... na verdade, ele atirou em mim, mas você sabe como são essas coisas..."

"Querer atirar em você? Eu realmente não posso nem imaginar…" Diggle deixou a frase no ar e, embora Thea pudesse ver apenas suas costas, podia ouvir o sorriso em sua voz e percebeu-se sorrindo junto quando Oliver bufou, soltando um som baixo de dor ao fazê-lo.

"Muito engraçado… por favor, não me faça rir." Ele cutucou o braço de Diggle, fazendo o homem se afastar por instinto um pouco. Estranho, Thea pensou, mas, então, tudo aquilo era. Era quase como se... mas decerto não. Exceto que faria sentido, certo? Explicaria tudo, todos os segredos e momentos sozinhos e quão confortáveis eles ficavam perto um do outro.

Ainda assim, Diggle? Okay, o cara era gato –Thea tinha olhos, muito obrigada- mas ela num tinha pensado que ele era o tipo do Oliver. Nem um pouco.

"De qualquer maneira…" Oliver enfatizou "esse cara…"

Ele soou mais relaxado e Thea saiu antes que pudesse ouvir mais, sentindo-se mal por estar entreouvindo tanto quanto já escutara. Sim, queria saber mais sobre o que acontecera a Oliver, mas queria que ele contasse para ela, não espiar uma conversa entre ele e o namorado. Fale se num seria estranho.

De qualquer jeito o café já devia estar mesmo frio agora. Ela iria comprar novos... três copos dessa vez.

Continua...

Próximo POV: Laurel e Tommy