No dia seguinte, empresa de Saga

Helena andava pelos corredores, procurando a sala certa, mas era tudo tão grande, que nem sabia pra que lado ia. Viu uma porta a esquerda, e entrou sem bater na porta. Achando que a porta estava emperrada, ela forçou. Do outro lado da porta estava Shaka como o pé direito no alto para ver o que estava incomodando, descobrindo que era uma tachinha de quadro de avisos preso na sola de seu sapato social. Para ficar apoiado e não cair segurou-se na maçaneta da porta. Quando Helena empurrou a porta, Shaka caiu no chão com tudo. Helena chegou perto dele no chão, e perguntou com serenidade:

- O que o senhor está fazendo ai no chão?

- Plantando batatas! O que você acha?!

- O senhor caiu? Foi por minha causa? É que meu primo vive dizendo que se acontece um acidente, a culpa é minha...

- Que nada. Imagina... – replicou com uma nota de ironia na voz – Afinal de contas o que faz aqui, e por que não bateu na porta antes de entrar no meu consultório?

- Consultório? Mas eu pensei que era a sala de...

- Se quer continuar trabalhando aqui, sugiro que seja mais sutil ao entrar nas salas. Principalmente na sala de Camus e de Carlos. E dá próxima vez que pensar em entrar em alguma sala, leia primeiro quem é o dono da sala. Ok?

- Não cometerei este erro novamente. Desculpe-me.

Helena sai do consultório o mais rápido que pôde para não levar outra bronca, e acaba batendo em alguém alto a sua frente, caindo logo em seguida no chão. Teve vontade de chorar, não por causa de suas nádegas que estavam doloridas por causa do impacto, mas sim por causa de sua má sorte. O homem a sua frente tinha deixado alguns papéis cair, porém não deu muita importância. Queria saber se a garota caída no chão estava bem. Tão magra ela era, que teve receio que tivesse quebrado algum osso. Estendeu a mão dizendo:

- Você está bem?

- Estou bem sim... – dizia sem olhar pra cima. Aquela voz soava parecida com alguém que ela conheceu. Aceitou a mão que lhe oferecia ajuda e assim que já estava de pé, olhou para aquele perfeito cavalheiro. Ao ver de quem se tratava, praticamente se jogou encima dele, abraçando contente – Que bom! Pensei que teria que falar com seu irmão sozinha. Você nem me disse se ele era legal ou estressado por natureza. Sabe como é né, essas pessoas que passam o dia inteiro trancafiado num escritório geralmente são arrogantes, chatos e...

- Hãn? Ah sim... Você acha mesmo que as pessoas de uma empresa são assim?

- A maior parte é estressada, chata e arrogante. Para você ter uma idéia, esse daí mesmo é um desses. - dizia apontando para o consultório de Shaka, enquanto a pessoa ficava pensando o que ela poderia ter feito para deixar o pacato doutor irritado.

- Eu diria que você tomou uma conclusão precipitada em relação a Shaka. Venha, mostrarei que está errada.

- Bom dia, Shaka.

- Bom dia... – Shaka olhou espantado para a figura baixa ao lado de quem o havia cumprimentado – Você?!

- Vejo que já se conhecem. Poderia dar uma checada nela pra ver se não quebrou nada quando caiu?

- Falando em quebrar alguma coisa, já está melhor, Kanon? Não acha que devia usar o gesso até estar realmente bem?

Shaka riu daquele comentário de Helena.

- Este é Saga o irmão gêmeo de Kanon, e presidente desta empresa...

Helena ficou pálida, tremula e praticamente sem ar depois de descobrir que ele não era quem julgava ser. Estava tão nervosa que caiu dura no chão, deixando os dois muito preocupados com ela. Saga a ergue nos braços com muita facilidade e a deposita em cima de um leito que Shaka resignou a ela. Shaka pegou o estetoscópio, desabotoou um pouco sua camisa, e fez um exame rápido.

- Parece que ela está bem... Mas acho que devo enviá-la para o hospital para fazer uns exames mais completos para determinar com precisão...

- Não será preciso. Sei exatamente o motivo deste súbito mal-estar.

- Então me conta que agora fiquei curioso.

- Talvez algum dia... Assim que ela despertar, poderia levá-la até a minha sala?

- Eu não conhecia esta funcionária.

- Nem era possível mesmo. Ela é a prima de Milo e é a secretaria que irá substituir a Shina.

- Feia do jeito que é, a Saori não sentirá ciúmes dela...

Shaka comentou baixo, mas mesmo assim Saga pode escutar. Sabia que a Shina era meio mal humorada, contudo a questão maior para Saori pedir que demitisse sua secretaria foi que Shina era bonita e sensual demais. Sabia que sua noiva era muito ciumenta, e que essa garota não despertaria esse sentimento em Saori.

Trinta minutos depois, Helena já havia despertado, e Shaka a conduzia ao escritório de Saga, mesmo sob os protestos dos quais Shaka não entendia o motivo de tanto pavor. Ao chegar aos seus destinos, Shaka praticamente a joga na sala, e fecha a porta para que ela não saísse correndo. Saga que estava lendo alguns papéis parou para indicar que se sentasse em uma cadeira a frete da mesa onde tinha uma plaqueta escrita: Presidente Saga Nichols. Saga pôde perceber que Helena estava tão tensa que nem fazia menção em sentar-se:

- Não se preocupe. Eu não mordo. – anunciou com um sorriso doce nos lábios.

- É que depois do que eu falei, estou com medo de levar uma boa e merecida bronca.

- Não é o que pretendo fazer, senhorita...?

- Chrystakis. Helena Havilland Chrystakis. Mesmo assim acho melhor o senhor dar este emprego para outra pessoa.

Helena se virava na posição da saída aliviada em poder sair dali, no entanto ele perguntou solenemente:

- Acha que não está qualificada para ser minha secretaria? De acordo com seu currículo, você está mais do que qualificada para desempenhar este trabalho.

Voltando-se para Saga respondeu com a voz tentando aparentar a firmeza que suas pernas não tinham naquele momento:

- Não é isso. Só acho que depois de tudo, não mereço trabalhar para o senhor.

- Todos nós temos opiniões sobre várias coisas nesta vida, e muitas delas, as outras pessoas discordam. Mas isto é normal, pois sem a diversidade de pensamentos nenhuma boa idéia seria criada. Concordada comigo?

- Sim senhor.

- Não estamos no exército, Helena. Sei que estou lhe contratando como minha secretaria, mas não precisa ser tão formal assim em momentos que estamos a sós.

- Prefiro tratar meus contratantes desta forma mesmo. É uma questão de ética, Sr Nichols.

- Veja bem, Helena. Todos chamavam meu pai de Sr. Nichols. Prefiro que me chame de Sr. Saga ou só Saga. Agora se sente para que possamos dialogar adequadamente. – viu Helena se dar por vencida, e finalmente sentar-se na cadeira que havia indicado. Prosseguiu um tanto pensativo – Agora gostaria de conversar sobre outro assunto...

- Se é sobre a questão do salário, gostaria de informar que trabalho com o valor do mercado, nada menos que isso e...

- Não se preocupe quanto a isto. Esta empresa paga bem a todos os funcionários, principalmente aos mais dedicados. Este é o motivo dela prosperar tanto. Na verdade eu queria saber o que aconteceu com Kanon. No consultório você disse que ele estava usando gesso...

- Ah sim. Ele teve uma contusão no joelho quando foi me buscar no aeroporto.

- Foi grave? Ele ficará bem logo, ou...?

- O médico disse a Kanon que se fizesse repouso absoluto, tomasse os remédios e não bebesse durante o tratamento ele tiraria o gesso em uma semana.

- Acho que ele vai ter que passar um tempo sem tocar, de beber entre outras coisas que está acostumado nestas turnês...

- Kanon toca em uma banda? Eu não sabia disso. Deve ser muito bom. Eu sempre quis aprender a tocar algum instrumento como piano ou violão, só que nunca tive muita vocação pra isso.

- Eu cheguei a ter algumas aulas de piano, mas nunca me aprofundei muito. Principalmente porque meu pai morreu quando eu tinha 16 anos, e tive que começar a aprender a lidar com os negócios dele. Isso foi um pouco antes de Aioros sofrer o acidente. Ele era considerado o melhor guitarrista daqueles tempos. Dizem que Kanon agora está cotado como o guitarrista do ano...

- O senhor deve sentir muito orgulho de ter um irmão como ele. Principalmente por ser seu irmão gêmeo.

- Acho que ele não tem muito orgulho de mim... Nem falou nada sobre mim a você.

- O senhor não devia pensar assim. Ele só não me disse nada porque não teve tempo.

- A gente andou discutindo por esses dias.

- Sendo assim a minha irmã também não gosta muito de mim. Já quebrei muitos moldes de uns trabalhos dela sem querer. A gente discutia, ficava sem se falar, e depois voltávamos a ser como antes da discussão. – Helena pode ver uma mulher de longos cabelos roxos entrando. Estava muito linda com um vestido justo na cor vinho. Ela ficou tão impressionada que não se conteve – Nossa!! Aquela mulher tem a imponência de uma deusa.

Saga sorriu com o comentário de Helena. Ele sabia que Saori era realmente bonita, mas não esperava que e Helena reagisse assim. Saori deu um selinho em Saga e logo sorriu pra ele dizendo:

- Bom dia, meu amor. Sentiu saudades de mim?

- De cada minuto que você não estava do meu lado. Eu quero lhe apresentar a minha nova secretaria. Está é Helena Havilland Chrystakis.

- Ela é mesmo de verdade, Sr Nichols? Parece uma fada das fabulas que escutava ainda criança.

- Por favor, Srta. Chrystakis. Prefiro que me chamem de Saga. Ser chamado assim traz muitas lembranças dolorosas que gostaria de esquecer para sempre.

- Mil desculpas, Senhor. Eu não queria que se sentisse mal por minhas palavras. Eu...

- Gostei dessa nova secretaria, meu amor. – falava Saori contente ao ver o quanto a outra moça sentia-se insegura e inofensiva para sua relação com Saga – Ela é perfeita para trabalhar com você.

- Ainda bem que você gostou dela. Assim não terei que perder tempo com anúncios e entrevistas. Helena, esta é a minha noiva, Saori.

- Vocês formam um belo casal.

- Gostei tanto dela que eu mesma irei mostrar a empresa a ela.

- Por que você não me espera aqui no meu escritório, enquanto eu faço isso?

- Ah, Saga. Logo, logo nos casaremos e esta empresa se unirá com a minha. Então eu devo desempenhar algumas funções aqui. Nada melhor do que eu já começar a adaptar-me a todo o sistema daqui, não acha?

- Se você prefere assim, por mim tudo bem. Mas não demore muito.

- Só o suficiente para te deixar com mais saudades.

Assim que as duas saem da sala, passam no escritório de Camus, que as recepcionou com cordialidade. Saori explica qual é a função dele, e que aquele ali era o braço direito de Saga. Dali, elas voltaram para o corredor, onde Helena deu um escorão em uma pessoa que derrubou café em sua roupa.

- Sua desastrada! Olha o que fez...

- Calma, Carlos. Esta é a nova secretaria de Saga.

- Eu vou molhar este lenço para ver se dá para limpar a sua camisa. Quanto mais tempo demorar, vai ser mais difícil de tirar a mancha.

Assim que se viram a sós, ele comentou com ar enojado:

- Aonde Saga arranjou essa coisa?

- Isso não importa. Ela parece ideal. Não acha?

- Hmm... Isso quer dizer que terei que tratá-la de uma forma especial.

- Isso mesmo. Veja lá se não vai exagerar.

- Com isso? Só se eu fosse tão doido, a ponto de me internarem imediatamente em um manicômio.

Os dois encerraram o dialogo assim que perceberam que Helena já estava de volta:

- Aqui está. É só esfregar um pouco e...

- Não se preocupe tanto com essa camisa. Desculpe por ter sido grosso com você. Todo este trabalho me deixa assim, irritado com qualquer coisa.

- Eu compreendo. Mesmo assim, tive minha parcela de culpa.

- Quer saber de uma coisa? Vamos almoçar juntos para acabar com essa má impressão que você pode ter de mim... Eu faço questão, e não aceito "não" como resposta.

Helena olhou pra Saori como quem pedisse uma ajuda para se decidir, e a outra faz um sinal com a cabeça dizendo para ela aceitar.

- Tudo bem. De que horas, e aonde?

Carlos marcou para jantar em um restaurante pomposo, e a cortejou de todas formas possíveis. Depois deste dia, os seguintes foram do mesmo jeito até Helena aceitar um relacionamento entre eles. Já estavam namorando á uma semana, e às vezes ela se sentia infeliz quando Carlos dava uma bronca.

Continua...


Olá pessoal! Quando estava quase deletando essa fanfic recebi um email que me fez pensar um pouco se deveria ou não fazer isso. Então decidi por deixá-la aqui, e por fim atualizá-la. Espero que tenham gostado.

Até o próximo capitulo.