- Sua idiota! Olha o que fez. Agora esses papéis não prestam pra nada. – Carlos estava tão irritado gritando com Helena que nem ligava se estava chamando a atenção de todos no hall do edifício.

- Desculpe. Eu posso tentar encontrar outras cópias e... – Helena estava quase entrando em pânico por ver que o irritou mais uma vez.

- Isso aqui era o original, sua retardada.

- Carlos, não deve tratar as mulheres assim.

Saga censurava Carlos, incrédulo em ver como sua secretária parecia temer tanto Carlos a ponto de pedir desculpas praticamente chorando.

- Só porque você é o presidente desta empresa, não significa que deva se meter entre uma briga de um casal de namorados. – retrucava Carlos entre os dentes.

- Mas isso não lhe dá o direto de xingar a garota.

- Ela é uma demente, estúpida e desastrada. – replicou pausadamente em alto e bom tom para que todos escutassem direito – Não sei como alguém tão pequena pode causar tanto desastre. Por onde ela passa, deixa um rastro de devastação... Isso só pode ser um aborto da natureza, e ainda por cima é tão feia que...

Saga deu um soco certeiro em Carlos. Já tinha visto ele a tratando mal antes, mas dessa vez, ele ultrapassou todos os limites. Sabia que não podia interferir na vida de sua secretária, no entanto, não podia deixar que aquele homem a humilhasse tanto para que no final das contas ela se sentisse na obrigação de pedir desculpas de joelhos. Isso era imperdoável. Saga teve tanta raiva, que teria socado mais ainda se por acaso não percebesse que Helena tinha corrido para fora do prédio, e atravessando a rua sem olhar para os lados. Saga saiu correndo atrás dela, e pôde ver que um carro a acertou em cheio. Ela ainda estava consciente, e com vontade de levantar-se, mas Saga pôs sua mão encima de seu corpo para que não levantasse.

- Calma, Helena. Você deve ficar quieta até que a ajuda chegue... Alguém, pelo amor de Deus, chame uma ambulância.

Shaka que estava dialogando com o amigo durante a discussão entre Helena e Carlos mal teve reação diante do ocorrido. Estava pasmo com o que ouviu de Carlos, e também em como Saga procedeu com ele. Nunca o tinha visto fazer algo tão bruto e brusco até aquele momento. Quando conseguiu recuperar-se do choque, correu atrás de Saga pegando o celular em sua valise dizendo enquanto discava:

- Estou ligando para uns amigos meu do Hospital Geral...

- Obrigado, Shaka.

- Essa é a primeira vez que eu me machuco no meio dos acidentes que provoco. – dizia completamente infeliz – Talvez isso seja um sinal que Deus resolveu acabar com meu sofrimento por ser um desastre ambulante...

- Não dê ouvidos para o que Carlos disse. Ele sempre foi um mau caráter... Por favor, Helena, fique quieta para não piorar as coisas.

Assim que a ambulância chegou, todos os procedimentos foram feitos para que ela não tivesse nenhuma seqüela. Saga discutiu com o pessoal do resgate, e acabou conseguindo que o deixassem ir junto com Helena. Ao chegar no hospital, todos os exames foram feitos, enquanto Saga estava na sala de espera, muito preocupado. Assim que o médico saiu do quarto em que Helena estava, Saga aproximou-se dele aflito.

- Como ela está, doutor?

- Se não fosse pela burocracia do hospital, daria alta pra ela agora mesmo. Tudo o que ela tem são pequenos hematomas, nada que mereça preocupação.

- Tem certeza que ela não teve nenhum ferimento interno?

- O doutor Shaka mobilizou todos os especialistas do hospital: radiologia, neurologia. Foi solicitado até tomografia computadoriza... Todos chegamos ao mesmo consenso, ela está ótima... – o médico viu Saga dirigir-se para a porta do quarto que acabara de sair e avisou – Ei! Sugiro que você não entre ai. Essa garota tem um dom terrível de causar acidentes.

Saga não dá ouvidos ao que o médico tinha falado, imaginando que ele estava apenas exagerando. Ao entrar no quarto, viu uma faxineira limpando o chão que estava sujo com cacos de vidro e um cheiro forte de remédio, e um enfermeiro catando alguns papéis que tinha caído no chão. Helena queria levantar-se para ajudá-los, mas os dois prontamente disseram um sonoro "Não". Saga sentou-se na beirada da cama tentando imaginar o que tinha se passado ali dentro.

- Obrigada por ter cuidado de mim, Sr Saga... mas estou com tanta vergonha que não queria ver mais ninguém...

- Vergonha? Helena, quem deveria ter vergonha é o Carlos, por tudo o que fez a você... O que eu não consigo entender é por que uma moça tão legal quanto você poderia namorar um idiota como ele...

- Eu nunca recebi um elogio em toda minha vida. Ele disse que eu era muito bonita e inteligente... eu pensei que ele estava querendo me agradar com essas palavras, mesmo sabendo que eu não era nada disso, porque gostava mesmo de mim.

- Canalha! Ele só faz essas coisas para usar as mulheres e quando não lhe importa mais, ele descarta como se fosse lixo... Espera, eu não estou dizendo que você é o contrario de tudo o que ele te elogiou...

- Obrigada, Sr Saga. Foi muito gentil da sua parte, mas eu realmente não tenho mais coragem de aparecer novamente na empresa...

- Não quer? Mas eu estava precisando que você fosse comigo a um jantar de negócios amanha a noite.

- Eu vou arruinar o jantar. Como sempre...

- Não dará tempo de arranjar outra secretária a tempo... Por favor, preciso mesmo de você lá.

- Se for mesmo para te ajudar, então irei, Sr Saga.

Saga resolveu chamar Helena para o jantar de negócios porque queria que ela mudasse de ares. Quem sabe ela pararia de se menosprezar o tempo todo?

Já havia passado da hora de Helena chegar. Kanon e Milo ficaram muito preocupados com o sumiço dela e resolvem ligar para o celular de Saga, que explicou tudo o que aconteceu. Na manha seguinte, já havia se passado as 24 horas do acidente, e Helena recebeu alta do hospital. Pegou um táxi e voltou para o Ap. de seu primo, encontrando apenas Kanon, pois Milo havia ido a clinica onde Mu estava. Desde que foi internado, a banda fez apenas dois shows sem ele, mas sempre voltava para visitar o amigo.

- Hoje à noite terei que ir a um jantar de negócios com Sr Saga, e nem sei que roupa devo usar no restaurante ...

Helena dizia olhando seus vestidos, ao qual nenhum deles servia para a ocasião. Kanon olhou para ela de cima a baixo, com uma das mãos tapando a boca, analisando o que podia ser feito para resolver a questão. Uma idéia surgiu em sua mente. Ligou para um conhecido rapidamente, e depois pegou nas mãos delicadas de Helena praticamente arrastando ela até o carro. Dirigiu até uma famosa clínica esteticista sem dizer nada. Assim que chegaram, ele foi direto para a sala principal.

- Afrodite, o que você pode fazer neste caso? Tem que estar pronta para hoje a noite.

- Quantas vezes eu tenho que dizer? Chame-me de Flor...

- Não gosto dessas intimidades.

- Ta bom, eu desisto mesmo... Quando você me disse que precisava de uma ajuda, pensei que era algo que fosse possível de se fazer... eu não sou Deus para fazer milagres, sabia?

- Se você não pode fazer nada, então irei procurar outra pessoa.

- Eu não disse que não faria. Vou fazer o possível para deixar essa mocréia apresentável. – apertou o botão do telefone, e falou com sua secretaria – Marin, prepare a sala vip, e desmarque todas as consultas. E se for possível, me auxilie neste tratamento. Vamos ter muito trabalho pela frente.

Helena continuava sem entender até o presente momento. Afrodite a encaminhou para a tal sala vip, e pediu para que trocasse de roupas atrás de um pequeno vestiário. Quando ela estava completamente nua, foi pegar o biquíni que havia caído no chão, e acabou derrubando o tal vestiário. Kanon a viu como veio ao mundo, sem nada para impedir essa visão. Afrodite pegou um roupão, colocando no caminho para impedir que Kanon continuasse olhando.

- Kanon, seu pervertido.

- Não há nada no corpo dela que eu já não tenha visto em outras mulheres... e o dela não faz o meu tipo..

- Kanon, por que você me trouxe aqui? – Helena perguntava roxa de vergonha, tentando arranjar outro tipo de assunto para desviar dessa situação vexatória.

- Você verá, Helena... Você deve ter de altura 1.58 cm mais ou menos...Vou ficar com seus óculos por enquanto. Afrodite, de que horas passo aqui?

- Final da tarde. Espero conseguir terminar até lá.

Kanon foi a uma ótica, deixando o óculos para pegar mais tarde, e depois foi a varias lojas de roupas. Depois de finalmente achar o vestido perfeito, procurou por um salto alto que combinasse com o vestido. Tudo isso o fez perder tanto tempo, que quase pegou a ótica fechada. Voltou para o lugar onde havia deixado Helena. Entregou os embrulhos e uma caixinha para Afrodite.

- Eu imaginei que você pegou os óculos dela com essa finalidade mesmo.

Afrodite comentava levantando a caixinha, e logo vai para a sala vip, voltando logo em seguida. Alguns minutos depois, Helena sai toda arrumada. Kanon suspira ao ver o resultado, e Afrodite analisa para ver se havia alguma imperfeição. Depois de algum tempo, conclui:

- Humm, agora só está faltando os toques finais.

- Droga!! Se não me apressar, perderei o avião. Afrodite, cuide de tudo, por favor. Helena, espero que você se saia bem neste jantar. Até a volta.

Cobertura de Saga

Saga já estava pronto. Usava um terno azul muito escuro. Seu cabelo estava amarrado, com um longo rabo de cavalo. Seu perfume, de essência máscula invadia o cômodo onde estava bebendo seu Whiskey 15 anos. A campainha toca. Ele olha para o relógio, e ficou impressionado com a pontualidade de sua secretária. Comparou com a pontualidade de Saori, que o faria esperar a noite toda. Colocou o copo sobre a mesinha de centro, e foi atender a porta. Viu uma mulher baixa, e muito bonita. Ela vestia um vestido preto com decotes bastante provocantes, com alguns enfeites discretos, mas que acentuavam bem na roupa. Usava um casaco branco para contrastar com o vestido. Seu cabelo era loiro estava com um volume ideal para todo o restante do corpo, totalmente diferente do cabelo preso e mirrado de Helena. A maquiagem era bem suave, o que fazia realçar mais os olhos azuis claro dela, totalmente diferente de Helena que usava aqueles óculos enorme. Depois de se recuperar da falta de ar que aquela deusa imaculada lhe fez passar, deduziu de quem se tratava.

- Boa noite, senhorita... você deve ser a namorada do meu irmão gêmeo, Kanon. Ele está vivendo por uns tempos na casa do amigo dele. Se fosse outra ocasião, eu poderia pedir que se acomodasse enquanto esperava que eu ligasse para ele. No entanto, estou esperando uma conhecida que irá jantar fora comigo.

- Então por que não vamos agora, Sr Saga? Não me agrada muito em fazer as pessoas esperarem...

- Helena?? – Saga quase caiu duro no chão por causa dessa gafe. Nunca imaginaria que ela pudesse ter mudado tão radicalmente. – Eu não te reconheci... você está tão...

- Se o senhor quiser, posso voltar para casa... devo estar ridícula...

- Não, ao contraio. Você está muito linda. – Saga nem conseguia descrever o que estava sentindo no momento. E quando ela sorriu acanhada, Saga ficou mais nervoso ainda, sem saber o que fazer. Se ele fosse outra pessoa já teria roubado um beijo dela. – Vamos?

Saga estendeu a mão para conduzi-la, e ela prontamente aceitou. Ao entrar no elevador, Saga se sentia cada vez mais tentado a aproximar-se de sua nuca para exalar de perto o perfume delicioso de rosas que vinham dela. Tentou pensar em outras coisas para não prosseguir com esses pensamentos impulsivos, e provocantes. Mesmo assim, continuava tenso, e ao chegaram no restaurante em silencio, sentiu um grande alivio. Seus músculos antes retraídos, agora relaxavam quando o rapaz pediu os casacos para guardar. Mas isso durou pouco tempo. Saga quase teve um treco. O vestido era longo, e com decotes laterais que chegavam até uma certa altura da cocha. A meia fina na cor Champanhe provocava mais ainda. O salto alto de 10cm lhe dava uma certa altura, mas não o suficiente para alcançar seus olhos. Todos olhavam para Helena, admirados com sua beleza. Sentam-se a mesa onde dois senhores os aguardavam.

- Boa noite, Sr. Smith! Boa noite, Sr. Willians. Esta é a minha secretaria, Senhorita Helena.

- Logo de cara percebi que não se tratava de sua namorada, Saori. Não preciso pensar muito para concluir o motivo dessa... surpresa.

O homem praticamente comeu Helena com os olhos. A insinuação de Willians estava mesmo na cara. Saga só pode se defender de uma forma educada que dava para tal disparate:

- Que rude, Sr Willians. Saori está em uma viagem de negócios, e como preciso de alguém para fazer algumas anotações, achei melhor trazer minha secretaria.

- Perdoe-me, mas é que foi essa a impressão que tive.

Saga pretendia retrucar, pois aquele homem estava agindo como um completo idiota, porém, o garçom chegou na hora em que falaria algo. Em sua mente corria um pensamento assustador: "será que ele viu como eu fiquei quando Helena tirou o casaco? Mas eu só fiquei perplexo porque não podia imaginar que Helena podia esconder tanta feminilidade... e sensualidade." Tirando de seu devaneio, o garçom pôs a entrada na mesa. Tudo estava parecendo bem, até que o garçom trouxe Escargots à la bourguignon e vinho branco. Willians continuavafalando algumas coisas que estavam deixando Saga cada vez mais irritado. Coisas do tipo: "Tem certeza que pretende mesmo se casar com a Saori? Sempre achei que ela deveria se casar com meu filho Robert. Os dois são muito parecidos". Quando não era isso, estava fazendo insinuações em relação a Helena, que nem estava percebendo que as indiretas eram com ela. Helena que estava apanhando do Escargot, decidiu que seria a ultima vez que tentaria comer o bendito. Nessa tentativa, o Escargot escapuliu, batendo na cara do Sr. Willians. Este levou um susto, levantando-se imediatamente. Esse ato de desespero fez com que ele batesse na bandeja que o garçom estava trazendo. Tudo o que tinha sobre ela caiu encima dele. Helena foi tentar ajudar, mas Willians rejeitou dizendo:

- Isto é um ultraje, Saga. Você trouxe esta mulher apenas para me humilhar...

- Não, Sr Willians. Você é que estava insultando minha secretaria a noite toda. E me insultou também com seus comentários capciosos... Helena?

Saga olhava para todos os lados e não conseguia avistá-la em canto nenhum. Pediu licença e saiu da mesa para procurá-la. O rapaz que havia guardado os casacos, disse que ela tinha saído sem levar seu casaco. Saga pegou o seu casaco e o dela, e caminhou pelo lugar que o rapaz indicou que ela havia ido. Quando Saga a encontra, vê as lagrimas em seu rosto. Ele pegou um lenço e enxugou as lagrimas de uma forma carinhosa. E na voz mais doce do mundo, tentou consolá-la:

- Não desperdice suas lagrimas com aqueles que não as merecem.

- Eu estraguei tudo, Sr Saga. Eu sempre faço essas coisas...

- Aqueles dois são uns idiotas. Eu já sabia que eles não tinham uma boa proposta para dar a minha empresa.

- Mas se o senhor sabia, por que veio? Por que me convidou?

- Porque eu queria que você saísse um pouco. Que se sentisse melhor em relação ao que Carlos fez você sentir.

- Eu realmente me senti bem hoje e... aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh

A conversa dos dois foi interrompida bruscamente por homens encapuzados e armados. Eles agarraram Saga e Helena.

- Quem são vocês e o que querem?

- Quem somos não te interessa. Isso é um seqüestro.

- O que vamos fazer com essa mulher?

- Pelo jeito que está vestida, deve ter uma boa grana. Vamos levá-la. Assim matamos dois coelhos com uma cajadada só

- Não, solte-a!! Ela é apenas minha secretária.

- E eu sou a rainha da França. Vamos logo antes que eu machuque seus rostinhos lindos.

Continua...