Os dois foram jogados com violência dentro do carro, e logo depois, cada homem encapuzado senta-se do lado de suas vitimas. Eles colocam o capuz em Saga e Helena. Saga escutou Helena chorando. Sentiu o desespero tomar conta de seu ser. Não sabia nada sobre aqueles homens, nem o que poderiam fazer se Helena ficasse histérica. O problema também era saber se ela estava bem. Com aquele capuz na cabeça não podia ver nada.

- Você está bem, Helena?

- Acho que sim... Sr Saga, estou com medo.

- Não se preocupe, Helena, no final tudo dará certo.

Saga queria pelo menos olhar em seus olhos, mas como não dava o único jeito foi abraçá-la tentando passar um pouco de conforto. Sabia que se demonstrasse seu temor, ela entraria em pânico, e poderia acontecer o pior. Passaram-se muito tempo no carro, como reféns de seus possíveis algozes, afinal de contas, Saga ainda tinha alguns inimigos por causa de sua empresa que prosperava tanto, e o único herdeiro seria alguém que eles não julgavam capaz de desempenhar o papel de presidente tão bem quanto ele. Kanon apenas se importava com a banda e seus shows, e era apenas assim que todos o viam. Mas também poderia morrer por causa de alguém que resolvesse não pagar o resgate. Algo ali estava muito claro. Não era um seqüestro ocasional. Estavam ali por causa dele e Helena foi apenas algo adicional pro grupo. Pensando assim, viu que tudo era tudo muito perturbador, e para piorar, Helena estava com ele. Talvez se estivesse sozinho, sua preocupação fosse menor. Tinha medo que algum deles resolvesse forçá-la a fazer coisas que ele nem queria imaginar. Gostou muito de ver que ela havia se sentido bem com a mudança radical no visual e também por ter saído da rotina de trabalhar tanto e voltar para um apartamento vazio. Gostou de ver essa outra face dela, maravilhosamente linda e... sexy. Contudo, estava se odiando por ser o responsável por tudo isso. Ele poderia se sentir ameaçado, mas Helena não, nunca. Ela poderia estar dormindo ou assistindo TV, mas não, graças a ele Helena estava ali.

- Vamos morrer. – Helena murmurou.

- Não vamos morrer Helena. Eles não podem fazer nada que nos prejudique. Kamus pagará o resgate e estaremos livres. – "assim espero" pensava Saga meneando a cabeça para não pensar nos absurdos que vinham a sua mente – Sabe por que a banda de Kanon tem o nome de "Chama congelada"?

- Não... – sua voz saiu tremula. – Não queria morrer tão jovem....

- Já disse, Helena, não vamos morrer. – embora estivesse nervoso, Saga conseguia usar uma voz tranqüilizadora para contar o motivo do nome da banda – Kamus saía com uma mulher, quem nem me recordo o nome agora, mas os dois não pareciam combinar muito. Até que um dia, Milo tinha ido fazer uma visita ao amigo. Kamus e seu primo são amigos há muitos anos. Você acredita que a tal mulher sorriu quando Milo piscou pra ela? Então, quando ela veio beijar Kamus, ele a ignorou completamente, e saiu com Milo. Quando seu primo contou isso e chamando Kamus de chama gelada porque ele apagou o fogo de palha dela com uma ação fria, Kanon disse que daria um bom nome para banda.

- Ela deve ter ficado muito triste.

- Chorou na hora, afirmou que amava ele, mas depois de alguns dias já estava namorando outra pessoa. Um empresário do ramo naval.

Finalmente eles chegaram a um lugar que pelo barulho, parecia ser próximo de uma praia.

- Estamos aqui com um dos integrantes da banda "Chama congelada", Kanon, que foi eleito o melhor guitarrista do ano. Kanon, o que você tem a declarar em relação ao seqüestro de seu irmão gêmeo, Saga?

Kanon nem respondeu, saiu correndo de volta para o camarim, e ligando logo a tv para ver se o que aquela repórter estava dizendo era mesmo verdade. Logo atrás veio Milo, e Shura.

- ...esta é a esquina de Leoforos E. Antistaseos com a Kalama, umas das ruas mais movimentadas do centro, onde homens encapuzados renderam duas pessoas à noite de ontem... Entre elas o empresário Saga, da incorporação Adamanto Ltda. foi seqüestrado. Ele tinha saído do restaurante Lazaros, após uma reunião de negócios. Algumas pessoas que estavam passando pelo local testemunharam o ocorrido. O senhor viu o que aconteceu? – a repórter perguntava levando o microfone ao homem que praticamente agarrava querendo narrar os fatos.

- Ele estava aos flertes com uma mulher loira, muito bonita. – dizia ele que parecia um mendigo – Os homens encapuzados já foram logo anunciando o seqüestro e jogando os dois no carro...

Kanon nem esperou ouvir o restante. Desligou o aparelho, e foi logo organizando as poucas coisas. Já caminhando para a saída, Pandora, a empresaria da banda perguntou como se não tivesse escutado o noticiário:

- Kanon, aonde vai? Vocês têm um show pra tocar.

- O que você acha? Não vou ficar aqui enquanto meu irmão pode estar sofrendo tortura, ou até mesmo sendo assassinado.

- Nós temos um contrato.

- Que se dane o contrato. Eu vou agora mesmo pegar um jatinho.

- Escute aqui, você não pode falar com ela assim. É a nossa empresaria.

- Shura, eu não to nem ai para a relação que vocês mantêm em segredo. Tudo o que quero saber agora são noticias do meu irmão. E não há ninguém no mundo que irá me segurar aqui.

- Ter alguém para te segurar aqui tem. Mas eu não vou me meter nisso. Não conheço seu irmão tão bem quanto te conheço, mas compadeço-me com sua aflição.

- Se você não segurar ele aqui, está despedido, Aldebaran.

- Gente, vamos acalmar os ânimos. Kanon está com esse problema no joelho, e veio praticamente forçado para fazer este show. O Mu não está conosco também. E agora este problema com o seqüestro de Saga. Não dá pra tocar desse jeito. Não há clima pra isso. Mesmo que Kanon seja obrigado a ficar, eu não vou tocar.

- Obrigado, Milo. Sei que posso contar com você e Aioria.

- O que é isso agora? Um complô?

- Entenda como quiser Pandora... eu vou pegar o jatinho agora, e quem quiser vir comigo tudo bem. E se por acaso alguém for mandado embora, vou sair da banda e vocês ficam a ver navios.

Kanon disse isso não por desmerecer o profissionalismo de seus companheiros, mas sim por saber que agora ele estava no auge da fama depois de ser escolhido como o melhor guitarrista do ano, sendo assim impossível de ser mandado embora da banda com que tanto gostava de tocar.

No cativeiro

Os dois estavam amarrados em uma pilastra de madeira, um de frente pro outro, a mais ou menos metros 3 metros de distancia. Entre eles, mais para a direita, havia umas caixas empilhadas. Helena chorava muito, e isso estava cortando o coração de Saga, que nada podia fazer. Teria que fazer algo para distrair sua atenção e deixá-la mais calma.

- Helena, você sabe alguma coisa sobre seu nome? Sobre uma figura da...

-Sr Saga, não estamos em condições para ficar conversando sobre coisas que não ajudarão em nada.

Ignorando completamente o argumento sensato de Helena, Saga continuou falando:

- Helena era casada com Agamenon, rei de Micenas. Mas quando o príncipe de Tróia, Paris, fez uma visita, acabou apaixonando-se perdidamente por Helena, e a raptou, casando-se com ela ao chegar a Tróia.

- E ela se apaixonou por Paris? Eles foram felizes?

- Sim, eles se apaixonaram. E Helena ficou conhecida como Helena de Tróia... Só que a felicidade deles durou pouco tempo.

- É uma história muito triste.

Do lado de fora de onde Saga e Helena estavam, dois homens conversavam, quando escutaram os dois:

- E essa agora... O nosso covil virou uma sala de aula de mitologia grega.

- Toda essa conversa mole está me dando umas idéias...

O Homem comentava olhando pela brecha da porta. O outro que já havia entendido o que ele queria dizer com isso falou sério:

- Nada de fazer besteira enquanto a gente estiver fora. Eles são mercadorias, e devem ser entregues intactas.

Assim que os outros saíram, ele disse sorrindo: "vai sonhando". Ele entra no cativeiro, desabotoado a camisa em direção de Helena.

- Agora não tem ninguém para te proteger, garota.

- Não encoste suas mãos sujas nela, biltre.

- É mesmo? E quem vai me impedir? Vou fazer tudo que eu quiser com ela, e você só poderá assistir. Vai ser muito divertido.

Ele gargalhava alto, e ficava cada vez mais alto quando Helena dizia: "Me solte". Saga estava se sentindo impotente diante de todo esse terror. O bandido arrebentou a alça do vestido deixando um de seus seios um pouco mais visível. Helena tentava chutar o homem, e isso estava deixando-o mais irritado. Ele puxou a parte de baixo do vestido com tanta força, que rasgou impulsionando para trás, e ele bate com a cabeça na pilha de caixas. Estas caixas caem encima dele, e uma bem próxima aos paises baixos de Saga, que suspirou de alivio por não ter acertado. Saga, mesmo amarrado, conseguiu chutar a cara do bandido, e cuspiu logo a seguir insultando o homem inconsciente. Lembrou-se do estado que Helena estava:

- Você está bem? – ela parecia estar em estado choque, pois não respondia. Insistiu em um tom mais alto de voz – Helena! Você está bem?

- Ele rasgou meu vestido... mas agora parece que ele está... morto.

- Acho que sim... Helena, não podemos ficar parados. Eles devem voltar logo.

- Mas o que podemos fazer amarrados desse jeito?

- Acalme-se, Helena. Vamos conseguir sair daqui.

- Quando eles descobrirem que sou pobre e não tenho onde cair morta, eles vão me matar...

Saga diz para si mesmo: "Eu sei disso, Helena. Tenho que pensar em uma forma da gente fugir antes que isso aconteça". Eis que uma idéia veio a sua cabeça.

- Suas mãos são tão finas, que tem a espessura de seus pulsos se você conseguir encolher os dedos. As cordas vão passar direto, e você estará solta.

Helena tentou puxando suas mãos pra cima, e pra baixo. O nó estava muito apertado, e tudo o que ela conseguia era arranhar um pouco o pulso. Desistiu.

Continua...