Helena tentou puxando suas mãos pra cima, e pra baixo. O nó estava muito apertado, e tudo o que ela conseguia era arranhar um pouco o pulso. Então acabou desistindo:
- Eu não estou conseguindo.
Para conseguir seu intento que era libertar a si próprio e a jovem que estava próximo dele, Saga disse em tom confiante:
- Eu tenho fé que você vai conseguir. Helena, você é a nossa única esperança de sair daqui. Tente com mais calma, que você consegue. Sem pressa, Helena, apenas tente novamente.
Depois de alguns minutos tentando, e Saga já estava sem acreditar em sua palavras confortadoras perdendo as esperanças dela conseguir, Helena levantas os braços livres da corda, gritando contente:
- Consegui, Saga.
Helena levantou-se, cambaleando um pouco devido ao longo tempo em que suas pernas estiveram paradas sem que pudesse ter uma boa circulação sanguínea, o que causou um formigamento nas pernas. Ela conseguiu suplantar seus obstáculos, e foi até Saga, livrando-o das amarras que o impediu de ajudar na difícil tarefa:
- Essa é a primeira vez que você me chama somente pelo nome. – comentou Saga após se ver liberto.
- Desculpe-me por faltar-lhe com respeito. Não cometerei este erro novamen...
- Depois de tudo o que passamos juntos, Helena, escutar você me chamando assim foi à melhor coisa que aconteceu. – interrompia Saga ao mesmo tempo em que lembrava o quanto à voz de Helena era doce. – Estou me sentindo mais leve agora.
Helena sorria acanhada, e Saga imaginou que esse sorriso podia virar lágrimas novamente se eles demorassem muito para fugir dali. Balançou a cabeça com força, tentando desse jeito tirar as horríveis imagens de sua mente. Ele a pega pelas mãos para escapar com ela, no entanto, Helena se recusou, soltando-se, e indo em direção das caixas que caíram. Ela vasculhou tudo, sem que Saga entendesse o que procurava. Até que ela achou algumas coisas bem úteis. Lanterna, caixa de fósforos, faca de pesca, fio de nylon, anzóis, e iscas artificiais. Pegou apenas a lanterna e a caixa de fósforos.
- Se a gente não conseguir ir muito longe, pelo menos teremos luz.
- Boa idéia, Helena. Mas devemos pegar essas coisas também.
Saga estava pegando as iscas artificiais, a faca, o fio de nylon e os anzóis, enquanto ela abria a porta, saindo em disparada. Eis que Saga escuta um grito feminino. Ele saiu correndo para fora, e mal conseguiu enxergar direito, pois o lugar onde eles passaram dois dias presos tinha pouca iluminação, e do lado de fora, o sol já ia alto. Quando sua visão começou a se acostumar com a claridade, conseguiu enxergar que Helena estava pendurada em um precipício com uma altura razoável de uns 6 metros de profundidade mais ou menos. Ele pega seu braço e se esforça para puxá-la. Ao se ver segura, próxima a Saga ela o abraçou agradecendo.
- E agora, o que vamos fazer? – perguntou temerosa com o que o futuro reservava para eles.
- Se a gente fugir aqui por cima, é capaz de eles nos encontrarem, já que não fazemos idéia de quando vão voltar. E sem um transporte, não chegaremos longe o suficiente para ficarmos seguros.
- Eu matei um deles com minha má sorte... – murmurava quase chegando ao estado de choque.
- A sua má sorte nos ajudou muito. Há males que vem para o bem. Seria isso que meu pai diria se estivesse nesta situação.
- Eles... eles vão nos matar por causa disso. – gaguejou com o pânico tomando sua alma.
- Acalme-se, Helena. Não deixarei que nada de ruim aconteça a você. – Saga olha para o mar e fala com um sorriso no rosto – Já tive uma idéia. Você sabe nadar? – Helena faz um gesto negativo com a cabeça – Então apenas confie em mim, e faça tudo o que eu fizer.
Saga descia escalando o rochedo até chegar a certo ponto. Não era preciso escalar todo o rochedo, por não ser tão alto assim. Mas também não dava para pular lá de cima, pois seria morte certa com todas aquelas pedras no chão. Saga se soltou a uma altura de 1.50 cm, e faz sinal para que ela fizesse o mesmo. Helena tentou, mas o medo impediu que desse o próximo passo, e ela acabou voltando pra cima.
- Eu não vou conseguir, Sr Saga.
- Você vai conseguir Helena. Você foi muito corajosa até agora, então dá pra chegar até aqui. Respire fundo e comece a descer sem olhar pra baixo.
- Estou com medo de cair. – ela gritou tomada pelo desespero.
- Não se preocupe com isso. Eu estarei aqui para te pegar se isto acontecer. Desça devagar, sem olhar pra baixo.
Helena sentiu-se mais esperançosa com as palavras de apoio de Saga, começando a descer devagar. Estava indo tudo muito bem, quando sentiu que um dos apoios estavam ruindo. Estancou ali mesmo. Seus pés e mãos eram curtos para chegarem a uma parte mais segura. Ela grita já entrando em pânico:
- Eu não consigo mais. Minhas mãos estão doendo.
- Está tudo bem, Helena. Solte que eu te pego.
Assim que ela o fez, caiu de qualquer jeito. Saga deu leve gemido com o peso do corpo de Helena sobre seu estomago.
- Ai, eu te machuquei. Desculpa.
- Não se preocupe com isso. –murmurou Saga depois de um gemido de dor.
Assim que ela saiu de cima dele, Saga tirou o paletó, amarrando em um tronco de arvore que estava caído. Helena prontamente tentou impedir.
- Sr Saga, esse terno é muito caro... não pode...
- Nossas vidas custam mais do que isso... é algo irrecuperável... – Saga amarra agora o outro lado do paletó no pé dizendo – Vamos ter que rolar até chegar à beira mar, assim não deixaremos rastros para eles seguirem. Chegando lá, a gente caminha até ficar de frente para aquela ilhota.
- Pretende nadar até ela? Mas eu não sei nadar. – protestou temerosa.
- A gente vai usar este tronco para se segurar, enquanto batemos os pés para impulsionar. Vai dar tudo certo.
Assim eles o fizeram. Depois de muito tempo andando com as ondas quase os derrubando, finalmente chegaram ao ponto em que Saga havia dito, e seguiram com o restante do plano dele. Demoraram a chegar à ilhota devido ao mar agitado, mas o que importa é que chegaram a salvo. Já na ilha, os dois estavam exaustos, ofegantes e largados na areia.
- Se a gente ficar aqui, eles podem nos ver. É melhor a gente ir para o outro lado da ilha.
- Aquela cabana parecia ser de algum pescador, Sr Saga. Se ele nos avistar, pode vir aqui nos resgatar.
- E se ele foi assassinado pelos bandidos? Eles vão vir de barco e... Não vamos dar oportunidade para que isso aconteça.
Assim que Saga foi pegar em suas mãos para conduzi-la pela ilha, percebeu o estado em que se encontravam. Os pulsos estavam marcados pela força que fez para soltar-se das cordas. As mão estavam sangrando por causa de cortes produzidos pelas pedras pontiagudas que o rochedo continha. Tudo que havia acontecido de ruim desde a noite em que foram jantar fora culpa dele. Pensando assim, Saga não conseguiu segurar suas lagrimas. Helena o abraçou dizendo:
- Isso foi necessário para que ficássemos seguros.
- Não sei o que deu em mim para te obrigar a fazer tudo aquilo...
- O que me obrigou a fazer o que eu fiz foram as circunstancias. Você apenas me incentivou a tomar a decisão certa.
Saga rasgou as mangas de sua camisa longa, e fez uma atadura para as mãos dela. Logo depois rumaram entre as pedras e arvores para chegarem do outro lado da ilha. Isso levou mais ou menos uma hora. Aproveitaram este tempo de caminhada para pegarem tudo o que encontravam para fazer uma fogueira a noite. Empilharam na areia, perto de umas pedras grandes onde eles pretendiam se abrigar do vento e do fio. Saga preparou o anzol com a isca e a linha de pesca. Colocou o fósforo que estava esquecido no bolso de sua calça para secar e foi para beira mar, encima de uma pedra, sendo acompanhado por Helena.
- Ainda bem que eu costumo praticar pesca esportiva com o Camus nas horas vagas. Nunca na minha vida poderia imaginar que esta pratica relaxante poderia ser usada para minha sobrevivência.
- Teremos então peixe para o jantar. Só tem um problema... e quanto a água?
Saga olhou para Helena, pensando em alguma resposta que não a deixasse aflita. Olhou para as nuvens e respondeu:
- Temos que rezar para que chova.
Logo anoiteceu, e eles fizeram a fogueira para assar os peixes. Aquele jantar para eles naquele momento tinha sido a melhor comida que eles já comeram em toda a vida. Lavaram as mão no mar, e foram deitar entre as pedras, que não protegeu muito do vento daquela noite. Mesmo com a fogueira próximo deles, ainda sentiam frio. Saga cobriu Helena com seu paletó, e ficou no seu cantinho, tremendo de frio.
- Se a gente dormir abraçados, vamos ficar mais quentinhos.
Helena dizia abraçando Saga sem cerimônia nenhuma. Já Saga, só agora pode ver as imagens de horas atrás com outros olhos. Ao olhar Helena descer do penhasco, dava pra ver sua meias finas rasgadas, assim como a parte de baixo do vestido também estava, deixando uma boa visão de sua langerri preta totalmente amostra. Ao agarrá-la e cair no chão, pode ver parte do seu seio pela falta que fazia a alça do vestido. Seu coração batia descompassado cada segundo que lembrava de tudo isso. E piorava cada vez mais ao sentir suas curvas encostadas em seu corpo, o calor gostoso que Helena emanava, e seu cheirinho agradável. A razão implorava que se afastasse, mas o seu corpo exigia que a agarrasse com força para poder sentir com mais intensidade esta sensação. Queria poder beijá-la, mas nunca faria isso com ela dormindo por uma questão de ética. "Mas no quê eu estou pensando? Sou noivo, e estou me sentindo atraído por outra mulher... e para piorar essa mulher é a minha secretaria, e prima de Milo. Estou me sentindo como um verdadeiro canalha". Saga passou horas em claro, com esses pensamentos de querer algo, e ao mesmo tempo se repreendendo. Totalmente confuso, e fatigado acabou rendendo-se ao sono.
Como um balde de água fria encima de dois amantes, Saga acordou de seus sonhos erótico ao sentir os pingos fortes de um temporal. Ele e Helena acordaram no susto:
- Temos que dar um jeito de reservar esta água para bebermos nos dias que ficaremos aqui. Mas como vamos fazer isso?
- Ontem peguei a argila que tinha no meado da ilha enquanto você pescava, e fiz um pote de barro.
- Mas você teria que ter uma fornalha para que ele sirva aos nossos propósitos.
- Fiz um buraco na areia e o coloquei, depois enchi com os gravetos...
- Você foi muito esperta, senhorita Helena.
- Obrigada! Mas não mereço este elogio, pois isso era uma coisa que eu devia saber, afinal de contas trabalhar com argila é algo que a minha família faz a gerações.
- E por que você não seguiu com o oficio de sua família?
- Porque sempre quebrava tudo com minha má sorte, dando o maior prejuízo a minha família. Mas a minha irmã se tornou uma grande escultora.
- Fico feliz que tenha optado por outra profissão. A gente acabou se conhecendo.
Ela sorriu, e Saga fez a mesma coisa. Só agora ele pode perceber que as ataduras não estavam mais cobrindo suas mãos. Felizmente não estavam sangrando mais. Sentia-se aliviado em constatar a melhora de suas mãos. Enquanto Saga tirava o pote do buraco onde outrora havia uma fogueira e lavava no mar, Helena adentrava pela ilha para pegar folhas grande de uma planta. Os dois seguravam as folhas para a água que caia nelas se juntassem com a água que caia no pote. Era um trabalho demorado, porém, necessário para garantir água para dois dias com um racionamento bem ensaiado. Parecia que Deus estava ajudando aqueles dois. Chovia um dia, e passava dois dias para chover novamente. Seria uma obra de Deus ou do diabo?
Continua...
