Saímos do galpão onde ocorreu o ensaio. Subi na moto que eu havia estacionado logo em frente da porta industrial e a liguei. Logo em seguida ouço o ronco de outro motor.
Era Yashiro e Chris saindo do galpão em outra moto. Agora ambos vestiam luvas e roupas mais quentes de couro, devido o frio que chegava.
Peguei a estrada logo atrás deles, pois íamos a uma lanchonete com karaokê onde nosso ilustre companheiro menor de idade pudesse entrar. Encontramos um local, que segundo eles, tinha ótima comida e era aconchegante.
Realmente achei o pequeno restaurante muito organizado.
Após a refeição farta e muitas risadas, levamos Chris para casa. A rua onde paramos era de arquitetura bem diferenciada, parecia uma colônia de estrangeiros. Estava absorta olhando para o lugar ainda em cima da moto, quando o garoto me abraçou forte.
- Nisa, obrigada pela companhia de hoje! – reparei naquele instante que Chris tinha um leve sotaque e sorri agradecendo.
-Não foi nada! Adorei passar a tarde com vocês. Fazia tempo que não tinha momentos agradáveis. – fiquei segurando a mão dele procurando alguma coisa que explique o surgimento do demônio que ele é hospedeiro. Aquilo era uma maldade sem limites...
- Nem tão agradáveis assim, por que nossa amiga integrante do grupo te maltratou. – diz Yashiro tocando a campainha da porta olhando de rabo de olho para a gente.
Ri um pouco.
- E você acha que isso é anormal?? – balancei a mão segura na de Chris e sorrimos.
Pisquei para o menino e falei por telepatia: "vamos dar um susto nele?"
Com um balanço de cabeça e cara de arteiro, Chris aceita.
Nos teleportamos antes que os responsáveis por Chris aparecessem na porta.
Chegamos a ouvir Yashiro conversando.
- Aqui esta o garoto, são e salvo. –aponta para trás onde não há ninguém.
- Onde... – olhando para todos os lados - Onde ele está, Shiro?? – pergunta a mulher à porta.
Enquanto os 2 procuravam-nos, teleportamos para dentro da casa e saímos pela porta da frente gritando. Fazendo ambos darem um pulo.
Olhei para a cara de bravo de Yashiro e começamos a rir.
- Foi só brincadeira!! – diz Chris batendo nas costas do amigo e sorrindo.
Nos despedimos.
- Você também é pentelha, não é, Nisa?? – diz Shiro sorrindo de canto de lábio.
- Por que você pergunta? Você prefere mulheres mal humoradas? – pisco para Yashiro, o vendo ficar vermelho. - Falei besteira?
Ele sobe na moto e me olha sorrindo antes de dar partida.
- Vamos a um lugar. Quero lhe mostrar algumas pessoas. – coloca o capacete e sai em disparada.
Acompanho seu ritmo normalmente junto com minha moto. Tinha adorado alugar aquele modelo. Era muito confortável. Eu só não podia derrubá-la.
No caminho travamos uma conversa telepática. No começo Yashiro não gostou, mas se soltou ao longo das perguntas.
- Posso chama-lo de Shiro?
Ele estendeu o polegar em sinal afirmativo.
- Você parece um irmão mais velho do Chris, se conhecem a muito tempo? – emparelhei a ele e olhei de relance para o capacete.
- Sim... praticamente o vi crescer em meio a essa multidão de exilados pela guerra. Mas o conheci mesmo na academia onde treinamos. – Shiro se empolga pensando em cenas de treinos e eu deixo sua mente viajar – O garoto tem potencial demais! Até conseguimos inscreve-lo no torneio "The king of fighters". O que não foi muito fácil.
- Mas ele não é menor de idade? – perguntei intrigada. – Num é contra a lei?
- É contra a lei deixar uma pessoa na idade dele, com as técnicas que tem, fora do campeonato. É isso. – aponta a fachada piscante logo a frente. – Chegamos. Viagem agradável não?
Dei uma gargalhada.
Deixamos as motos e entramos, sem ao menos apresentarmos identidades. Já era mais de uma hora da manhã.
