5º Capítulo: Lata de Cerveja X Crianças

Catherine, pressentindo algo, levantou-se de sua mesa e acercou-se da amiga.

- SEUS FILHOS, nossos filhos, Gil. Onde estão eles?- Perguntou Sara, contendo-se para não brigar com ele.

- Ah, esses? Não sei! Estavam aqui agora mesmo e aquele garotinho loiro...

- Theo?

- Isso!

- Gil, o Howard ainda está aí?

- Sim.

- Ele está melhor que você? Coloque-o no aparelho.

Sara ouviu um barulho de vozes. Ao seu lado, de cara feia, Catherine ficava lhe pedindo o telefone. Queria falar com o marido. Sara passou o fone para ela.

- Howard? O que você está fazendo aí, ainda?

- Sabe o que é querida, eu acabei me distraindo com o jogo. Vou agora...

- O que se passa com Gil? Não está sabendo onde estão as crianças!

- Bem, há um monte de latinhas de cerveja na mesinha de centro... Ele fica tonto com pouca coisa...

- Howard! O Gil não agüenta bebida! Ele logo fica tonto!

- E agora você me diz isso?

- Quanto ele bebeu?

- Bom isso eu não sei! Era preciso contar a pilha de latinhas...

- Tudo bem! Já entendi: ele está bêbado...

- Eu não diria isso; bêbado é uma palavra muito forte... Ele está só um pouco alterado...

- Sei... A ponto de perder as crianças!

- Que exagero, Cath! Ninguém perdeu ninguém... – a voz dele demonstrava aborrecimento – Grissom subiu e já as achou. Estão todas bem...

Catherine pôs a mão no bocal do aparelho, e transmitiu as novidades para Sara, que abalada ainda, sentara-se na cadeira da chefe, pois suas pernas estavam bambas.

- Homens... Vê se a gente pode deixá-los, em nosso lugar?Ficam um pouco sozinhos e já fazem bobagem! – Resmungava Sara.

- Vou pegar Theo e vou para casa... Quantas latinhas você bebeu, Howard?

- Pra ser sincero, não sei! – Ele respondeu olhando aquela pilha de latinhas vazias, tentando se lembrar, quantas eram suas.

- NÃO IMPORTA!Fique aí! Vou sair mais cedo e pego vocês. Seja bonzinho e me espere!

- Que bobagem querida, estou bem! Posso perfeitamente levar o Theo para casa!

- NÃO SE ATREVA a dirigir um veículo com meu filho dentro, Howard Byron Simmons.

- Mas...

-Nem tente discutir, que você não tem razão!

- Sim querida!

No andar de cima, Grissom foi atraído pela luz acesa, no quarto de Ryan. Encostou-se no batente e ficou olhando para as crianças, que sentadinhas no chão, pareciam se divertir com um jogo convencional.

Enterneceu-se ao olhar para os filhos. Com aquela idade, não pensava em ter filhos. Depois de tê-los, contudo, não concebia sua vida sem aquelas duas criaturinhas.

Ryan apesar da pouca idade o acompanhava aos jogos de beisebol, e demais esportes. Quando não iam aos estádios, assistiam juntos à TV.

Robin ia atrás dele o tempo todo, e com seus grandes e curiosos olhos azuis, fazia um monte de perguntas e "bebia" suas palavras. Ele sentia e gostava da admiração cega que a menina tinha por ele. Ele já havia sentido esse mesmo olhar de uma garota, Sara Sidle, em São Francisco, anos antes...

Apesar de estar com a cabeça pesada e ver tudo em dobro, aproximou-se das crianças e perguntou suavemente:

- O que estão fazendo aí, amiguinhos?

- Estamos jogando Banco Imobiliário, papai, - respondeu Ryan – e pra variar, sua filha está dando uma "limpa! em nós dois!

- É verdade, tio Grissom, Robin é muito boa em jogos de tabuleiro! - Exclamou Theo que tinha uma grande admiração pela menina. Um gênio para ele.

Robin deveria nessa hora sorrir ou agradecer ao menos, mas não fez nada disso: não tinha costume de afastar-se do foco de sua atenção, que naquele momento era o jogo.

Grissom não achava nada de errado com a filha, agora tonto, menos ainda. Ele tinha um grande orgulho da filha. Achava que a menina era muito inteligente e fazia vista grossa para tudo que ela fazia.

Às duas horas, Catherine e Sara vieram embora, deixando Nick encarregado, com a recomendação de a qualquer coisa, ligasse para a supervisora. As duas chegaram em casa e, acharam Howard dormitando no sofá. Catherine acordou o marido, e ao indagar sobre Theo, soube que o filho estava dormindo com Ryan.

Subiram os três o mais silenciosamente possível. Howard pegou o filho, que dormia placidamente ao lado do amigo. Não precisava tanto cuidado, porque Ryan tinha um sono tão pesado, quanto o pai; nem uma britadeira acordaria o menino. De fato, quando Howard retirou Theo, Ryan virou-se para outro lado e, continuou dormindo. Sara depositou um beijo em sua cabeça e ajeitou suas cobertas.

Theo abriu sonolentamente os olhinhos e viu a mãe.

- Oi mamãe! Já é hora de acordar?

- Não, pode dormir sossegado, que ainda é cedo! – Falou Catherine.

O menino se ajeitou no colo do pai e voltou a dormir. Sara fez sinal, para Catherine ir descendo, que ela iria em seguida. Entrou no quarto de Robin, pé-ante-pé. Precaução inútil, pois a menina, tinha o sono leve como ela,e já a esperava com seus dois faroletes azuis bem abertos.

- Acordamos você meu anjo?- Perguntou Sara, envolvendo em seus longos braços, a menina de pijaminha dos Flintstones.

- Não se importe com isso! Mamãe, não consigo dormir...

- O que foi, meu bem, alguma dor?- Aflita a mãe quase sufocava a criança.

- Não, é que estou preocupada com você e papai...

- Preocupada?... Conosco?...- e a ruga na testa de Sara já se formara.