7º Capítulo: Conversa de mulher

Quando o jantar estava colocado na mesa, Robin foi mandada para acordar Grissom. Ele levantou mais bem disposto, mas ainda se sentindo um pouco atordoado. "Nossa, que ressaca brava!", pensou enquanto descia as escadas. Quando o viu, Sara perguntou se ele estava melhor.
- Sim, querida! Sua idéia foi muito boa! Acho que eu estava precisando descansar!
Ela não disse nada, só sorriu. Robin vigiava atentamente, cada gesto, cada palavra da mãe. Ela estava vigiando-a e Sara sabia. Perguntou a Grissom como tinha sido o seu dia.
- Péssimo! – Respondeu, pondo a sopa de batatas fumegante em seu prato. – Começando ao acordar e continuando igual.
Contou sobre as crianças e depois falou sobre um fato ocorrido com ele na Universidade, que fez todos rirem. Sara também, mas ela estava de olho em Ryan.
- Tome a sopa com mais vagar! Ela está muito quente; deixe esfriar um pouco. Vai queimar a boca, meu anjo!
- Não queima não! Com "esse" aí, nada acontece!
- Como você sabe Robin? – Indagou Grissom.
-Vaso ruim não quebra!
- ROBIN! Não fale assim do seu irmão
- Mas é verdade, mamãe!
- Vê como eu sofro! – Falou o menino com uma cara engraçada a Grissom.
- As mulheres nos tratam assim, mas não vivem sem nós! – Riu Grissom.
Sem dizer uma palavra, Sara achou melhor agir. Do outro lado da mesa, atirou certeira, seu guardanapo, em cima dele.
Na hora da sobremesa, todos saboreavam o delicioso pudim de ameixas da mamãe. Robin teve a sua vez de falar sobre o seu dia.
- Hoje aconteceu uma coisa interessante na classe da Srta. Sttilman...
- Não é a professora do Ryan? – Perguntou Sara.
- Ela mesma, mamãe. Como você sabe, hoje é dia dos brinquedos, na primeira série. Pois bem, duas meninas levaram suas Barbies, e ao voltarem do recreio, acharam seus bebês mutilados. Parece que arrancaram os olhos e os cabelos. Minha colega Nells, falou que com ela aconteceu pior; cortaram as pernas e os braços!
- Que horror! – Disse Grissom. – Estão fazendo isso com crianças?
Robin olhou para o pai, achando que ele ainda não estava bem.
- Não são crianças papai; são bonecas chamadas Barbies. Sabe aquela que você me deu no meu aniversário?
- Aquela magrinha?
- É... Ela é o sonho de toda garota! E você acha papai, que se crianças estivessem sendo mutiladas, não teriam chamado a mamãe ou tia Cath?
- É fato, querido! – Observou Sara, lambendo a colherinha do pudim.
- Hoje minha cabeça não está funcionando bem! 'Mas outras coisas estão... Pare de me provocar, ou mesmo com as crianças aqui, tomarei uma atitude, da qual vou me arrepender "- pensou Grissom e mandou um olhar lascivo à esposa, que rapidinho, mudou de postura.
- Como você não nos contou nada disso filho?
- Eu se me esqueci! - Falou o menino, suspendendo seu pratinho vazio. - Você podia me dar mais um pouco de pudim?
- Mas, é claro!
- Como você está esquecido hoje, não Ryan?De comer você nunca esquece, não? E pro seu governo é eu me esqueci, não tem o "se". Pare de se comportar, como um bebezão! – Disse Robin, saindo da mesa intempestivamente.
O menino ficou meio atarantado com aquela reação estapafúrdia da irmã. Tinha uma vaga idéia de ser o culpado daquela reação, mas não entendia porquê.Disse com ingenuidade:
- Não sei o que deu nela hoje: está tão esquisita!
- Esquisita como, filho? – Perguntou Sara preocupada.
- Não sei! Esteve contra mim, o dia todo e falou coisas difíceis, que não entendi direito...
- Coisas como o quê? – Questionou Sara, com a testa franzida.
- Harmonia entre vocês dois... - respondeu o pequeno, raspando o prato.
A testa de Sara foi desanuviando. Ela julgava saber a causa da atitude da menina. Foi atrás dela.
- Acho que sei o que está acontecendo.
- Precisa de minha ajuda, querida?
- Não, Gil, acho que posso resolver isto! É conversa de mulher!
Encontrou a filha na cozinha, em frente à pia, se amarrando um avental.
- Que está fazendo Robin?
- Não está vendo? Estou lavando a louça, hoje é meu dia... – respondeu a menina, sem se virar.
-Deixe a louça e venha conversar com sua mãe! – Disse Sara sentando-se.
Robin claramente, não sabia que atitude tomar. Ficou ainda um pouco indecisa, parada em frente à pia. Por fim, foi para perto da mãe, enlaçou seu pescoço, ficou um pouco encostada em Sara... e então, começou a chorar. Não era um choro manhoso ou escandaloso: era um choro sentido, magoado, de cortar o coração. Sara abraçou a filha, bem apertado e perguntou:
- O que está havendo, meu anjo?
- Mamãe, hoje acordei com uma raiva danada de Ryan! – Falou a menina muito aflita. - Fico irritada com o que ele faz, me entra atravessado tudo que ele fala!
Sara riu, sentindo-se aliviada. Era só isso? Era coisa de pouca monta. Robin ficou desconcertada, com a risada da mãe.
- Isso é natural filha!Acontece com todo mundo!
-Mas somos irmãos!
- E daí? Continuarão e ser irmãos, do mesmo jeito!Terão briguinhas também e não deixarão de ser irmãos por causa disso!
- Não?
- Não. Veja eu e seu pai: nos amamos muito, não será uma briguinha, ou por acordarmos irritados um com o outro, que ficaremos separados.
- Mas já se separaram uma vez...
- Foi um mal entendido e já faz muito tempo...
- Mas, aconteceu... – Insistiu a menina, enxugando o rosto, com a mão.
- Foi uma coisa que aconteceu há tanto tempo...
- Mas aconteceu... – Repetiu teimosamente Robin.
- Bom você não precisa se preocupar! Nada fará com que você e Ryan deixem de ser irmãos!
Sara achava que a filha podia ser muito irritante, às vezes. Em muitas coisas, ela era muito parecida com Grissom. Era turrona igual.
- Deixe a louça e voltemos para a sala! Vamos conversar um pouco, enquanto eu tenho ainda um tempinho!
A menina deixou o avental sobre a mesa e foi junto com Sara para a sala. Grissom abriu a boca para falar alguma coisa, mas Sara fez-lhe um gesto para calar-se. Ele achou melhor obedecer e ficou quieto. Como se nada houvesse acontecido, Robin voltou a sentar-se em seu lugar. Sara continuou o assunto, como se ele não tivesse sido interrompido.
- Você vai aceitar o caso das Barbies?
- Não sei, mamãe! Oficialmente, ninguém entrou em contato comigo!
- Sei, entendo!
Robin então se virou para o pai, cuja opinião prezava e respeitava muito:
- E então, papai: o que acha?
- Não sei dizer! Mas quem fez isto, estava com muita raiva...