8º Capítulo; Um caso para Robin
Catherine telefonara, dizendo que daria uma passada, levando Howard, para que ele pegasse seu carro. Ela que não se preocupasse, pois nem iriam entrar. Mas já que iria lá, se Sara concordasse Catherine a levaria ao laboratório, e a traria de volta.
- Está bem! Mas por que não vão entrar? O Howard está de castigo? – Riu Sara.
- De certa forma. Assim ele aprende a não bagunçar a casa e a vida dos outros.
- Ora, Gi nãol é nenhuma criança! E ele passou tão mal hoje, que acho que aprendeu a lição!
- Mesmo assim! Howard não tem o direito de tumultuar a vida dos amigos..- replicou a loira.
À noite, Sara pegou sua carona e já dentro do carro acenou para Howard, que se dirigia ao lado oposto das duas.
- Como é, deu "aquela" bronca em Gil?
- Não, nem toquei no assunto. Eu estava zangada de verdade com ele; mas ao chegar em casa e ver as crianças bem, e ele jogado na cama, fiquei com dó. Ele quis se mostrar para Howard e ele mesmo sofreu as conseqüências.
- Ora, ora, Sara, você está amolecendo...
- Apenas achei que estava fazendo uma tempestade em copo d'água! Além disso, prometi a Robin. – Retrucou meio aborrecida.
- Como assim? Onde Robin entra nessa história?
Sara contou-lhe então a conversa que tivera com a filha.
- Hoje, ela ficou me vigiando pra ver, se eu cumpria a promessa!
- Que coisa... Imagine só!...
-E isso não foi tudo... Hoje ela teve um rompante como nunca tinha tido. Você sabe; ela não lida bem, com seus sentimentos...
- Igual a Gil... – enterneceu-se Catherine.
- Sim... E eu preciso ajudá-la a se encontrar, nesse labirinto em que ela se mete...
- Essas crianças... Não sei onde vão buscar essas coisas...
-As outras eu não sei... Mas a Robin, pega inspiração perto... Na madrinha dela...
- Em mim? Que eu fiz?
- Contou de quando ela nasceu e como o Gil e eu, estávamos separados, naquela época...
- Meu Deus, Sara! Faz tanto tempo! – Fez uma pausa e fez um ar pensativo, como quem remexe bem no fundo pra lembrar. - Ela era menor que o Ryan, quando contei...
- Você esqueceu que aquela menina tem uma memória de elefante! – Falou Sara.
- Ela deduziu que você e o Gil, iam se separar, se você brigasse com ele?
- Isso também a preocupou, mas ela foi além; como estava irritada com Ryan, ficou assustada, achando que iam se divorciar, ou coisa assim.
- Essas crianças... têm cada uma! - Riu com gosto, Catherine.
Na escola, no dia seguinte, uma menina, que morava na sua rua, contou o estado miserável, em que encontrou sua Barbie, no dia anterior: braços, pernas e cabelos cortados à faca. No recreio, Ryan veio contando, que mais uma coleguinha, tivera sua boneca mutilada.
Theo o acompanhava, pois os dois estudavam na mesma classe e seguia Ryan para todo o lado, como se fosse sua sombra. Ele perguntava ao amigo se Sara não brigara com seu pai, pois a mãe tinha passado um sermão e tanto, para Howard.
- Não! Não falou nada! Você soube de algo? – Questionou a irmã.
- Sobre o quê? – Perguntou Robin distraída, pensando nas Barbies.
- Se mamãe não deu "aquela" bronca no papai, por causa da bebedeira?
Robin fechou a cara e disse um não seco, ríspido. Os meninos pararam a conversa porque a respeitavam e, tinham um pouco de medo dela, embora ela fosse inofensiva...
Era como Grissom, cujo exterior era sério, quase bravo, e o interior era macio, se derretendo por qualquer coisa. Robin ainda tinha uns laivos de impaciência, um pouco do jeito rebelde e petulância de Sara. Era mesmo muita areia, pro caminhãozinho dos dois meninos.
Quando ela voltou para a classe, confabulando com sua professora, estava a Srta. Stillman, a professora de Ryan. Sua professora a interpelou:
- Precisamos da sua ajuda!
- No que posso lhes ser útil, Sra. Berthold?
Foi a Srta. Stillman, quem começou a conversa. A menina notou que ela estava nervosa e indignada.
- Robin, você já dever ter ouvido falar nesse clamoroso caso das Barbies, não? Pois bem, queremos que você nos ajude, pois só se fala nisso e está impossível, ensinar qualquer coisa, com o zunzum que este caso está provocando!
- Certamente, Srta. Stillman! Agora, com sua permissão e da Sra. Berthold, vou à primeira série, marcar uma reunião de estratégia, com minha equipe.
Como ambas concordassem, lá se foi a menina-detetive, deixando a Srta. Stillman, boquiaberta com a seriedade de Robin. Ela era nova na escola e, não conhecia a menina. A professora de Robin, mais velha e já lidando com a garota, em outras oportunidades, não se surpreendia tanto.
- Ela é sempre assim! É muito inteligente!
- O irmão dela também, mas é... diferente! – Disse com uma expressão espantada a Srta. Stillman.
Enquanto se encaminhava à classe do irmão, Robin pensava, que nunca tivera um caso como aquele, para resolver, precisaria da ajuda dos pais Alcançando a sala de Ryan, transmitiu-lhe que teriam uma reunião, em casa, depois da escola. Theo que estava junto, falou que ligaria para casa, avisando que não se incomodassem com ele. Ele estaria na casa da tia Sara o pai que fosse buscá-lo na hora do jantar.
-UÉ! Mamãe não se importa se você ficar pra jantar! – Disse Ryan, que não perdia um convite pra jantar, nem que sua vida dependesse disto!
- Eu sei! – Suspirou Theo. - Mas é melhor que eu esteja com meus pais!
- Pais... Às vezes dão um trabalho... – resmungou o pequeno Ryan.
