Epílogo: A confissão
Já começava a noite quando Mary Lou foi embora. Robin subiu e não descia mais. Sara foi até seu quarto, verificar se tudo estava bem. Encontrou-a sentada na cama, segurando sua Barbie destroçada, nas mãos. Sara sentou-se ao seu lado e abraçou-a.
- É ela, não?
A menina, mal e mal agitou a cabeça, depois falou bem baixinho à mãe:
- Por que, mamãe?... Eu não entendo... Ela me falou que eu tinha sido a única que não mudou com ela e no fim, me apronta essa?
Sara prestou atenção à boneca mutilada, pegou os pedaços das mãos da filha.
- Veja Robin... Ela fez diferente dessa vez... Não cortou os membros à faca e deixou-os aqui... Só os arrancou; é fácil consertar... Não cortou os cabelos nem arrancou os olhos...
A menina não abandonou sua atitude parada.
- Ora, mamãe! Não me importa a boneca... É o princípio da coisa!
- Mas você não vê filha? Não há raiva, nessa boneca...
- Verdade? – A menina arregalou os olhos.
- Sim, quando um serial-killer muda seu modus-operandis, a gente olha diferente, algo está acontecendo, chama a nossa atenção! Estou orgulhosa de você, filha! Sei que quando contar ao seu pai, ele também ficará.
- Está? Ele ficará?
- Vamos pôr a mesa pro jantar, e continuaremos a conversar se você quiser.
No dia seguinte Sara ficou apreensiva, enquanto a menina não chegou da escola. Assim que era hora das crianças chegarem, corria à janela verificar, se elas realmente, tinham chegado.
Estava ansiosa, com o desfecho daquele caso. Percebera que a filha tinha sido tocada, por ele. Na idade dela, dificilmente Robin lidaria com psicopatas sádicos e criminosos cruéis. Ela provavelmente teria de lidar com crianças com algum problema, ou arteiras demais.
A perita queria ver, qual a atitude da filha, quando a "criminosa", era alguém que morava na sua rua, freqüentava a sua casa, estudava na sua escola... Sara vinha notando que a menina, ultimamente, estava mais tolerante, com os erros alheios; menos dura, menos acusatória, cheia de dúvidas... Quando finalmente, ela chegou, Sara acercou-se dela.
- E então? Como foi?
- Bem, eu a procurei e a acusei. No começo ela ficou nervosa e negou. Depois ela ficou surpresa por eu saber, mas continuou negando. Então eu falei da profusão de digitais encontradas nas bonecas; do machucado no cotovelo e aumentei um pouco as coisas, falando que tínhamos seu DNA, por causa do band-aid.
-E? – Perguntou Sara impaciente.
- Bem, ela pôs a outra mão no seu cotovelo e exclamou: "Ah, então foi aí que perdi?". Então confessou que foi ela sim. Quando perguntei porquê, ela contou, que tinha ficado com muita raiva das meninas, que a esnobaram. Ela resolveu se vingar.
- E por que escolheu as Barbies, especificamente, e não uma boneca qualquer?
- Isso também me deixou curiosa. Perguntei para ela.
- E então, qual foi a resposta?
- Ela disse que pediu aos pais, no seu aniversário uma Barbie, que ela não ganhou, por considerarem no momento, algo supérfli...supérflo...supér...
-SUPÉRFLUO. – Ajudou Sara.
- O que é isso, mamãe?
- Desnecessário.
- Bem, ela concentrou sua raiva, em cima delas, ainda mais quando soube que elas eram o "xodó" daquelas meninas detestáveis que a destrataram!
- Ela explicou, por que agiu diferente com você?
-Sim, eu perguntei: ela disse que foi tratada como "uma pessoa comum",pela minha família, ninguém olhou diferente, pra ela..
- Mas ela é uma pessoa comum, mas não será por muito tempo, se puser minhocas em sua cabeça e acreditar nelas.
- Foi o que lhe disse, mamãe. E quando fui à sala da diretora, com a Srta. Stillman e a Sra. Berthold, fui contra a suspensão, por alguns dias. Isso só lhe daria tempo para pensar e alimentar sua raiva!
- É o que eu acho também... Bom, o que vocês resolveram?
- Bem, como pude ver que ela ensina muito bem, sugeri que ela ajudasse nas aulas de recuperação das férias de verão. Ela perderia as férias, mas estaria trabalhando com os pequenos e não teria tempo de pensar bobagem...
- Puxa, você disse isso? – Perguntou Ryan, deslumbrado com a irmã e mastigando sua maçã.
- Sim e disse mais; Mary Lou, com apenas um revés passageiro, agiu desse jeito, imagine o drama de outras crianças, pelo mundo, com problemas mais sérios, de sobrevivência mesmo, empurradas para a criminalidade...
- Você falou tudo isso mesmo? UAU! - Fez Ryan, agarrado à sua maçã. – Robin para Presidente! – Gritou entusiasmado.
- Céus, não! Espero que as mulheres não tenham de esperar tanto! – Retrucou séria a irmã.
Sara que já havia começado a se emocionar com a filha, sorriu, abraçou-a por trás, deu-lhe um chacoalhão e conseguiu arrancar-lhe um sorriso. – Esta é a minha Robin! – Concluiu.
- Queridos, cheguei! – Informava Grissom, colocando suas coisas no sofá.
-Estamos na cozinha. – Gritou Ryan.
- Vá contar ao papai, Robin! Sei que ele vai gostar! – Sara empurrava a menina para a sala.
- Sim, vá! – Confirmava Ryan.
Robin foi, mas não entendia porque tanta comoção, em torno do seu "casinho", vindo de duas pessoas experientes, que já tinham visto de tudo, como os pais.
A campainha tocou: Grissom atendeu, Era um amiguinho de Ryan. O menino foi conversar lá fora com ele. Quinze minutos mais tarde, entrava afobado, falando para a irmã:
- Um novo caso, Robin: Peter Willians veio dizer que roubaram suas bolinhas de gude!
- Telefone para o Theo! – Disse a menina, desvencilhando-se do abraço de parabéns do pai.
Ela voltou a se empertigar e a assumir o papel de chefe daquela pequena equipe.
- Onde foi a cena do crime?
- Na casa dele, mesmo, Robin!
- Iremos lá, investigar, assim que Theo chegar! - Disse a pequena detetive.
Uns minutos depois, quando a garotada saiu, Grissom sorriu e abraçou Sara, pela cintura.
- Parece que teremos outro caso tenebroso: "o sumiço das bolinhas de gude!".
- Vá brincando! Eles levam muito a sério!- Ralhou de leve a esposa.
- Eu sei! É assim, que eles vão aprendendo e tomando gosto pela coisa...
- Acha que sairão CSI's daí?
- Não sei Sara, não tenho bola de cristal! Mas Robin leva jeito!
- Howard diz que ela tem a investigação no DNA...
- Bem, se ela puxou a mãe, será uma grande CSI.- Declarou Grissom galante.
- E se puxou ao pai, será uma excelente supervisora! – Disse Sara puxando-o para mais perto e beijando-o com paixão.
FIM
