ELA DESAFIOU OS DEUSES E ESCREVEU O SEU DESTINO
.:O ENIGMA DA SIRENE:.
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Laura, Ariel, Christian, Carite, Endora e Merik são criações únicas e exclusivas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 3: A Imperatriz.
Com uma das mãos levou a xícara aos lábios e com a outra tombou mais uma lamina.
-E essa? –Celina perguntou indicando a carta.
-A Imperatriz; Laura respondeu pensativa. –Essa é a que mais tem em comum com Gaia a Mãe Terra e as outras deusas da fertilidade, com a fertilidade em si e as possibilidades ilimitadas que a natureza nos concede;
-E onde essa entra, na história? –a jovem perguntou.
-Alem de tudo, essa carta representa o começo de uma nova vida, cheia de possibilidades e uma infinidade de escolhas; ela respondeu sorrindo. –E foi assim que a nossa historia realmente começou;
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.:A História Dentro da História – De Príncipe a Sapo:.
Arqueou a sobrancelha levemente, vendo que ele parecia um tanto quanto confuso. Estranho, de alguma forma ele lhe parecia familiar embora o nome Christian Dampier não lhe dissesse nada.
-Ahn! Bem...; Christian pigarreou ao perceber que demorara demais a falar. –Sua tia é uma grande pianista e milady, se interessa por música? – ele indagou casualmente.
-Toco flauta transversal e violino; Ariel respondeu. –Gosto de Vivaldi, mas prefiro o violino cigano;
-Bastante eclética; o duque comentou pensativo. –Embora o violino cigano não seja muito visado nestes salões;
-Por isso Carite praticamente teve de me arrastar até aqui; Ariel resmungou.
-Milady é totalmente diferente das mulheres que já conheci; Christian falou mais para si do que para ela. –Fala o que pensa sem se importar com as convenções, detesta os paradigmas da sociedade, prefere música cigana as valsas modistas. É aficionada por Sherlock Holmes, quando as moças de sua idade, vivem aos suspiros por Shakespeare, bastante contraditório, não? –ele completou num murmúrio.
-Apenas não gosto de clichês, Vossa Graça; Ariel respondeu num tom frio e forçosamente cortes.
Quem ele pensa que era para achar que lhe conhecia, depois de algumas poucas palavras.
-Bem, se Vossa Graça já satisfez sua curiosidade, com licença; a jovem falou irritada, enquanto dava-lhe as costas para voltar ao salão.
Teria saído rapidamente dali se ele não houvesse segurado delicadamente seu pulso, impedindo que se movesse.
-Perdoe-me milady se a ofendi de alguma maneira; Christian falou se aproximando. –Por favor, não tome o que disse como algo negativo, quando ressaltei as diferenças, me expressei de maneira erronia quando na verdade deveria demonstrar minha satisfação por ter a chance de conversar com alguém que não se esconde por trás de mascaras; ele falou dando um fino sorriso ao tocar-lhe levemente a face onde estava desprovida da mascara.
-Vidas de aparência não existem apenas em Londres Vossa Graça, sei do que milorde se refere, mas as mulheres de sua vida, realmente não me interessam; Ariel falou em tom mordaz, esquivando-se dele ao sentir a mão de Christian subir levemente por seu braço, detendo-se no cotovelo, para puxá-la mais para perto de si.
-Não precisa ficar com ciúmes; Christian brincou com um sorriso sedutor nos lábios.
-Vossa Graça é excessivamente pretensioso; a jovem falou sentindo a face aquecer-se levemente, mas culpou o champanhe por isso.
-Auto-confiante; ele corrigiu.
-Arrogante é a palavra certa para defini-lo; Ariel rebateu se afastando. –Se Vossa Graça presa tanto pela sinceridade, deixe-me lhe dizer algo;
-Tudo que milady quiser; Christian falou sorrindo de maneira presunçosa.
-As damas daqui realmente não devem ter cérebro, já que o perseguem tanto. Porque não existe nada mais patético do que estereótipos de príncipes encantados, que ao serem beijados viram sapo; ela falou.
-Nossa, já chegamos a tanto e eu nem sabia; Christian falou, esforçando-se para não rir.
No lugar dela, qualquer outra mulher estaria se resfolegando da oportunidade de tê-lo como acompanhante. Mas Ariel não, ela fazia questão de deixar evidente a superioridade intelectual que tinha, tendo uma resposta mordaz e precisa para cada questão. É, definitivamente nunca conhecera antes uma mulher como ela.
Rolou os olhos antes de lhe dar as costas novamente e tentar sair da sacada, entretanto as Deusas do Destino são verdadeiras sádicas quando decidem brincar com a vida dos mortais, querendo eles ou não participar do jogo insano.
Antes que pudesse pensar em se afastar, ele segurou-lhe o pulso novamente, com um pouco mais de intensidade, dando a entender que ela não conseguiria escapar dele tão facilmente.
-Mas nesse momento, sinto-me no direito de me defender e provar o contrario; ele falou aproximando-se.
-Uhn! – Ariel murmurou estancando quando sentiu os lábios dele roçarem os seus.
Sentiu o corpo ficar tenso e tentou se afastar, entretanto o jovem duque estava disposto a provar o contrario. Deixou uma das mãos contornar a cintura fina, trazendo-a para junto de si, mesmo diante do protesto evidente, com a outra, acariciou a face parcialmente coberta pela mascara.
A intenção original era apenas provar que ela não era tão intocável quanto parecia, mas o feitiço virara contra o feiticeiro e ele simplesmente não conseguia se afastar.
Seus lábios eram quentes e rosados como pétalas de rosas ao sol, uma essência suave de lírios brancos emanava das madeixas negras, embriagando-lhe os sentidos. Sentiu-se mergulhar num redemoinho inexorável, quando derrubando as resistências ela entreabriu os lábios.
Estremeceu, quando os lábios sedutores e persuasivos moveram-se sobre os seus. Instintivamente apoiou uma das mãos enluvadas sobre o peito dele. Sem saber se era mais para afastá-lo ou aproximá-lo.
Torpor e letargia os envolviam, afastou-se lentamente deixando os lábios roçarem com extrema delicadeza a ponta do nariz alvo as maçãs rosadas da face.
Fitou-a embevecido, era como se uma aura prateada a envolvesse, tornando-a ainda mais etérea. Mas aquela jovem dama era tão mortal como ele e igualmente suscetível a paixões intensas, quando devidamente estimuladas.
-Pode abrir os olhos, kiria; Christian sussurrou em seu ouvido. –Ao contrario do que pensa, não virei um sapo; ele completou com um sorriso arrogante.
Ainda naquela noite, ele iria lembrar da quantidade de vezes que a mãe o avisara para tomar cuidado com o que falava e de preferência, manter a boca fechada por garantia.
Os orbes violeta abriram-se para si quase vermelhos, antes que ele pudesse se afastar ou notar o movimento que ela fez, a jovem já havia puxado a luva da mão direita e acertado-lhe um tapa certeiro na face, que estalou alto.
-Não, mas até uma lhama é mais interessante; Ariel falou furiosa, antes de soltar-se bruscamente dele e voltar para o salão, com um olhar capaz de gelar o inferno.
Dizer que ao menos dera tempo de falar "Ai" seria mentira, mas conseguia sentir perfeitamente a face arder e as formas dos dedos dela marcando sua pele, como um auto-relevo avermelhado.
-É meu amigo, a senhora sua mãe não lhe ensinou a ficar de boca fechada, para sua própria saúde? –Rochester indagou quando ele saiu da sacada, buscando a jovem entre a multidão do salão.
-Puff! – Christian resmungou.
Droga! O que estava acontecendo com ele. Nunca um beijo lhe afetara tanto quanto agora, mas também, precisava colocar de uma vez por todas na cabeça, que Ariel não era como as outras mulheres que já conhecera. Entretanto, poderia ter colocado tudo a perder agora.
-Um conselho amigo, Lady De Siren não é como as outras, então não faça nada estúpido de novo;
-Palavras de um profundo conhecedor do sexo oposto, imagino? –o duque retrucou sarcástico.
-É, mas também alguém que já teve sua cota de relações com oportunistas, para saber reconhecer uma verdadeira lady; ele respondeu serio. –Se pretende que seja apenas outra conquista, deixe-a em paz Christian. Ela não precisa terminar de partir o próprio coração por sua causa;
-Do que está falando? –Christian indagou confuso.
-Como você disse, sou um profundo conhecedor dessas jovens deidades do paraíso, que possuem o poder de nos levar do céu ao inferno em questão de segundos. Então me ouça e a deixe em paz, ela não precisa de mais um problema para administrar; Rochester falou.
Ditou isso, o arlequim mascarado desapareceu no meio da multidão. Respirou fundo, sentia o coração agitado acalmar-se aos poucos. Estava confuso com o que aconteceu e Rochester não ajudara muito. Preferia o conde bancando o devasso incorrigível do que falando serio desse jeito, porque nessa segunda parte, nunca aconteciam coisas agradáveis.
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.I.
Laura Sollo… Isso deveria querer dizer alguma coisa? –ele se questionou, fitando confuso a garota a sua frente.
-O que quer? –Mú conseguiu perguntar por fim.
-Você! –Laura respondeu eloqüente. Sorriu levemente ao vê-lo corar furiosamente. Céus, ainda existiam homens que ficavam envergonhados? –ela pensou agradavelmente surpresa. –Para ser mais especifica, quero aquilo que você sabe; ela falou decidindo deixar as coisas claras, para não terem problemas futuros.
-Como? –ele perguntou confuso.
-Não lhe trouxe aqui para nada, cavaleiro de Áries; Laura continuou, voltando-se para a rua, vendo as pessoas andarem calmamente, sem se preocuparem com a conversa que se desenrolava ali. –Preciso da sua ajuda; ela completou voltando-se para ele.
-Olha, não sei exatamente o que quer de mim, mas no momento não tenho cabeça para ajudar ninguém; ele exasperou levantando-se.
-Você diz a si mesmo que abandonou os sentimentos que o deixam fraco, mas agora, só o que vejo é alguém que cansou de lutar antes da batalha começar; Laura falou vendo-o dar alguns passos para se afastar, mas estancou. –Você entregou seu coração a alguém que o partiu, e acha que tudo perdeu o sentido, por isso prefere ver todos como hipócritas e indignos de sua confiança;
-Aonde você quer chegar com isso? –Mú perguntou virando-se para ela.
-Quero apenas lhe mostrar que somos mais parecidos do que você pode imaginar; ela respondeu calmamente. –E também, quero que me de uma chance de lhe convencer a me ajudar;
-E porque acha que eu faria isso? –ele rebateu.
-Porque você também quer uma forma de começar uma nova vida, mesmo que tenha de deixar uma parte importante de si para trás; Laura respondeu fitando-o com um olhar profundo, como se fosse capaz de ler sua alma.
Ponderou por um momento, não tinha nada a perder. Seria mentira se dissesse que desejava voltar a Jamiel, porque agora o que menos queria era estar rodeado de lembranças. Suspirou resignado, era a hora de escolher.
-Me convença; o ariano falou dando de ombros.
-Sábia decisão; ela falou de maneira enigmática. –Acredite, você não vai se arrepender;
-Eu ainda não concordei; Mú avisou, embora o sorriso que ela lhe lançou, fosse bem claro, como se dissesse "mas vai!".
.: História Dentro da História – O Lorde Vampiro:.
Exasperada, atravessou o salão em busca da tia. Ignorando os olhares curiosos. Certamente alguém deveria ter visto o tapa que dera naquele duquezinho metido a Don Juan.
Deu quase duas voltas pelo salão e não encontrou Carite, onde ela se metera? –Ariel pensou. Virou-se para entrar em uma das salas de descanso quando sem querer acabou se chocando contra alguém.
-Desculpe; ela murmurou.
-Eu é que peço desculpas milady, não se machucou, não é? –alguém indagou preocupado.
Ergueu os olhos hesitante e surpreendeu-se ao deparar-se com uma figura bem singular diante de si.
Não sabia ao certo que personagem ele representava, não era um rei, já que os longos cabelos dourados que caiam lisos até o meio das costas, estavam presos com uma delicada fita de cetim vermelho. Sabia também que ele não era um príncipe, já que suas vestes eram mais folgadas e a gola da camisa semi-aberta no pescoço, mostrava o colo alvo e uma leve veinha a pulsar.
Curiosa, estudou-o cautelosamente, a mascara fina cobria apenas uma parte do rosto. Ele não era francês tinha certeza disso, mas possuía uma postura refinada e clássica. Era difícil saber quem ele era afinal; Ariel pensou confusa.
Observou o caimento das roupas vermelhas e negras, uma longa capa negra cobria-lhe as costas e os ombros largos, um colete vermelho deixava perfeitamente evidente o torso bem talhado. Um relógio dourado pendia em um dos bolsos, mas não pode ver o Standard entalhado no mesmo. Não conseguia lembrar-se de ninguém que se enquadrasse nesse perfil, mas espere... Ah, havia alguém sim.
-Não, esta tudo bem; Ariel respondeu sorrindo mais confiante. –Estava distraída e procurando por minha tia, por isso acabei não lhe vendo;
-Que bom; ele falou com um sorriso capaz de iluminar as profundezas do Érebro; ela pensou surpresa. –Mas me perdoe, não me apresentei;
-Deixe-me adivinhar; Ariel se adiantou. –Lorde Dracul ; ela falou vendo-o entreabrir os lábios surpreso, para em seguida fechá-los sem conseguir emitir som algum. –Então, acertei?
-Ahn! Acertou; o rapaz respondeu. –Mas como sabia? –ele indagou confuso, desde que chegara já lhe confundiram com cada personagem, que preferia nem pensar sobre o tipo de instrução que algumas pessoas ali possuíam.
-Vermelho e preto; Ariel respondeu sorrindo. Sabia que com aquela postura ele só podia ser um vampiro. –E um pouquinho de intuição feminina também; ela falou divertida, esquecendo a raiva que sentia de Christian.
-Bastante perceptivo; ele falou segurando a mão que ela havia lhe estendido. –Rafaelle Cardelli a seu dispor;
-Ariel De Siren; a jovem respondeu quando viu-o curvar-se numa breve reverencia e pousar um beijo suave nas costas de sua mão.
Inclinou-se brevemente, num gesto educado e respeitoso, como Carite lhe fizera repetir uma infinidade de vezes para quando fosse apresentada a alguém em Londres, entretanto que decidira não usar até aquele presente momento; ela pensou mal notando um certo duque a alguns passos dali, que afastou-se no meio da multidão, cuspindo fogo.
-É um prazer conhecê-lo; ela falou sinceramente.
Rafaelle era um perfeito cavalheiro e parecia ter nascido para ser um lorde, ou melhor, um Lorde Vampiro, como nas histórias contadas por Bram Stoker e pelo professor Van Helsing.
-E eu também gosto muito das histórias de Bran Stoker; Ariel falou sorrindo, deixando-o um tanto quanto desconcertado.
-Milady permite-me um atrevimento ao pedir-lhe uma dança? –Rafaelle indagou hesitante.
-Ahn! Bem...; Ariel balbuciou incerta.
-Se de alguma forma ficar aborrecida com minha presença, sinta-se livre para dizer e não a importunarei mais; ele falou.
-Tudo bem; a jovem respondeu, aceitando a mão que ele lhe estendia.
Isso apenas vinha a reafirmar que ele nascera para ser um cavalheiro, entretanto a fantasia de Lorde Vampiro dizia mais sobre ele do que Rafaelle imaginava. Os tons neutros embora fossem discretos chamavam a atenção para a forma como ele falava e se portava.
Rafaelle tinha presença de espírito e chamava a atenção onde passava. Ele era misterioso, não pensava assim apenas pela mascara que ocultava-lhe a face, deixando apenas o contorno e a cor dos olhos a mostra, que alias eram de um azul muito claro, quase cinza prateado. Impressionante!
A mão coberta por uma luva negra, fechou-se sobre a sua com delicadeza, antes de guiá-la até a pista. Sentia-se tranqüila junto com ele, diferente de Christian que lhe deixava com os nervos a flor da pele, nos poucos minutos que conversaram.
-Faz muito tempo que milady esta em Londres? –ele indagou casualmente.
-Não, cheguei ontem com minha tia; ela falou quase tropeçando quando Rafaelle de maneira comportada apoiou uma das mãos sobre as costas dela e com a outra, fê-la apoiar a sua em seu ombro.
-Então milady não é inglesa?
-Não, sou grega; Ariel respondeu. –Mas e você, não é italiano como seu nome, não é? –ela indagou curiosa.
-Milady me pegou; ele brincou com um doce sorriso. –Não sou italiano, embora minha nonna seja;
-Uhn?
-Minha avó; Rafaelle explicou, quando viu que havia carregado demais no sotaque. –Sou escocês por parte de pai e italiano por parte de mãe;
-Mistura interessante; ela comentou surpresa.
-Pena que meu pai não pense o mesmo; ele murmurou com ar cansado.
-Porque diz isso? –Ariel indagou curiosa.
-Ele acha que sou impulsivo demais e que herdei isso de minha mãe; Rafaelle explicou.
Era mesmo uma pena que o pai não fosse capaz de compreender que se continuassem presos aos velhos paradigmas de seus avós, seu povo jamais iria crescer. Se ele não arriscasse, poderiam perder todas as chances que estavam aparecendo. Isso não era ser impulsivo, ou era?
-Mas e milady, a quem atribui sua sinceridade? –ele indagou com um sorriso travesso, sabendo que com qualquer outra mulher uma conversa sagaz como àquelas seria impossível, principalmente se elas soubessem quem era o que representava.
-Eu mesma, prefiro falar o que penso a florear apenas pela conveniência; Ariel respondeu. –Embora minha tia vive falando que herdei isso de mamãe, não sei ao certo; ela completou pensativa.
-Gostaria que houvesse mais pessoas como milady, infelizmente mais da metade dos que estão aqui, por exemplo, não usam mascaras só em bailes; ele comentou, indicando o salão com um gracioso meneio de cabeça.
-Por isso prefiro lugares com menos gente. Quando você conversa com um grupo pequeno de pessoas sabe as que estão sendo sinceras ou as que são apenas politicamente corretas; Ariel falou.
Rodopiavam pelo salão graciosamente. Alguns casais afastaram-se da pista para deixarem o anjo e o vampiro dançarem. A orquestra tocou com mais intensidade, embora o casal dança-se calmamente, conversando sobre trivialidades, alheios a todo o resto.
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.II.
Tayler's, o letreiro clássico piscava no alto do prédio. Aquele era o mais famoso café londrino, a história do estabelecimento dizia que aquele foi ponto de encontro para os grandes mestres pensadores dos séculos passados, como Issac Newton, que passava horas ali conversando sobre os mistérios da vida e seus infinitos segredos.
-O que vai querer? –Laura perguntou, enquanto seus olhos corriam distraidamente pelo cardápio.
-Qualquer coisa; Mú respondeu sem dar muita atenção.
Fitava as pessoas andando na rua, era como se fosse tudo certo e nada atrapalhasse aquela rotina que eles pareciam viver.
-Eles não sabem que para viverem assim, outros precisam se sacrificar; a jovem falou chamando-lhe a atenção.
-Uhn?
-Eles não fazem idéia do quanto, outras pessoas precisam se sacrificar, para que eles vivam bem; ela repetiu lançando-lhe um olhar compreensivo.
-...; Mú assentiu silenciosamente.
Era a natureza humana, só se preocupar quando o problema batia a porta, enquanto existissem outros para resolver o problema, mas não podia julgar a todos por um mesmo parâmetro, se fizesse isso estaria se colocando no mesmo nível daqueles deuses insanos que se acham no direito de tentar destruir essa Terra; ele pensou.
-Escuse me, lady; um garçom falou se aproximando diante do chamado dela.
-Duas mocas com bastante chocolate; Laura falou devolvendo-lhe o cardápio.
-Mais alguma coisa?
-Não ainda; a jovem falou enquanto o garçom se afastava. –Moca é uma bebida com meia dose de café, meia de chocolate e chantilly; ela explicou, vendo-o assentir.
Observou que o cavaleiro tinha um olhar perdido e vago, tudo aquilo deveria ser novo e estranho para alguém que vivera a vida toda isolado do resto do mundo, sem outra perspectiva que não fosse a de se tornar cavaleiro.
-Sabe Mú, eu poderia ter escolhido qualquer outro, mas escolhi você; Laura falou chamando-lhe a atenção.
-Por quê? –ele perguntou numa mistura de curiosidade e confusão.
-Porque assim quis o destino; ela respondeu seria.
-Destino? –o ariano falou sarcástico. –Isso é patético, é melhor rever seus conceitos! Se esta se baseando nisso, você se enganou; ele falou tencionando se levantar, mas seu corpo não se moveu.
-Não; Laura falou e sua voz soou mais suave do que das outras vezes. Sentiu-a reverberar por sua mente, como se tomasse cada particular do seu sistema nervoso. Aos poucos os orbes rosados adquiriram um tom violeta intenso.
-Errar é uma palavra que não existe no meu dicionário nem conjugada e eu não errei ao escolher você; ela completou com a voz profunda que o fez estremecer.
-Quem é você?
-Já disse, Laura Sollo; ela respondeu sorrindo de maneira angelical, diferente de segundos atrás. –E estou disposta a fazer uma troca com você;
-Como?
-Você tem algo que eu quero e em troca, você pode me pedir o que quiser e eu lhe darei, desde as estrelas do céu, até a pena de uma fênix, aquilo que quiser; ela falou fitando-o com um brilho intenso no olhar, tão sedutor quanto uma serpente.
Era como se uma nuvem densa houvesse caído sobre ele e até seus olhos estivessem embaçados. A respiração tornou-se pesada e o pouco de consciência que tinha lutava para quebrar aquele encanto misterioso.
-Então? –Laura falou pousando a mão delicadamente sobre a dele.
Há quem visse a cena e dissesse que eles não passavam de um belo casal namorado naquele fim de tarde, mas o que acontecia ali era bem diferente.
-Não; Mú respondeu com há voz um pouco tremula, mas convicto do que queria.
-Como? –ela insistiu, deixando os dedos entrelaçarem-se casualmente aos dele.
Havia algo no olhar dele que lhe intrigava, era uma coisa que vira numa fração de segundos na praça, quando se aproximara dele como uma cigana.
Um brilho que nublou os orbes verdes, na hora achou que fosse reflexo dos seus, mas agora que via de perto, sabia que era real. Havia um potencial oculto e misterioso ali, que lhe impulsionava a não desistir dele mesmo se encontrasse resistência.
-Não; Mú falou com a voz mais grave, inclinando-se para trás bruscamente para se afastar.
Assustou-se com o que aconteceu a seguir, os orbes verdes foram tingidos por uma sombra vermelha, mas antes que pudesse falar algo, todos os vidros do café explodiram diante da manifestação do cosmo dele que reverberou por todo o quarteirão como um tsuname sobre a praia.
-Você não tem o direito de manipular as pessoas para conseguir o que quer; o cavaleiro exasperou puxando a mão e levantando-se. –Não conte comigo; ele avisou antes de deixá-la sozinha ali.
Ele não só percebera seu encanto, como conseguira quebrá-lo. Definitivamente ele não era um cavaleiro como os outros, ou melhor, não era um homem como os outros que facilmente se deixariam seduzir pela perspectiva de ter o mundo curvado a seus pés.
Sabia que ele tinha um poder imensurável, se não, não seria pupilo de Shion e Dohko não teria lhe falado sobre ele, mas... Pensou que, quanto maior o poder, maior a ambição, só que estava errada. E aquele cavaleiro pela primeira vez em muito tempo, lhe mostrara que nem tudo que fazia podia ser planejado, mas ele também não conhecia aquele seu lado que não admitia perder.
Entretanto em breve ele saberia, afinal, ela era Laura Sollo, alguém que jogava com o destino e que jamais perdia. Jamais! Talvez fosse arrogante, mas... Essa era a paga quando se tem poder e sabe como usá-lo; ela pensou deixando que um fino sorriso se formasse em seus lábios.
Agora sim, tudo estava se encaminhando para o ponto que queria chegar.
.:História Dentro da História – A Rainha:.
Fez uma breve reverencia ao entrar no gabinete, vendo uma senhora já de idade sentada atrás de uma imensa mesa de carvalho polido. Viu-a acenar e aproximou-se.
-Vossa Majestade; Carite falou prestando-lhe uma breve reverencia.
-Deixe de formalidades menina, estamos só nós duas aqui e eu, como bem sabe, cresci respeitando os mais velhos acima de qualquer titulo e embora você pareça estar na flor da idade, sei que já viu muito do mundo até agora; a rainha falou de maneira enigmática.
-O suficiente, para muitas vidas; a marina falou dando um baixo suspiro ao se aproximar mais.
-Mas me conte, ouvi dizer que veio apresentar sua sobrinha a Londres essa temporada; Vitória comentou.
-Não exatamente, Ariel recebeu algumas propriedades em Londres como herança e veio visitá-las, mas não pretende ficar mais do que um mês para resolver tudo;
-Tão pouco; a rainha falou pesarosa.
-Ela esta numa fase complicada de sua vida, ano passado ela perdeu a melhor amiga e ainda não teve tempo de assimilar a perda de outro ente querido, a quem considerava um pai; Carite falou com ar serio. –São muitos vidas em tão pouco tempo e ela é apenas uma criança que foi obrigada a crescer antes de ver o melhor da vida;
-Ela já conheceu Christian? –Vitória indagou curiosa, depois de alguns minutos de silêncio.
-Deixei-os conversando quando chegamos; Carite respondeu. –Eu não sabia como contar a ela sobre Christian, então deixei para ela tirar suas próprias conclusões;
-Talvez seja melhor assim; a rainha falou, quando sua dama entrou correndo na sala, mal batendo.
-Vossa Majestade, milady não sabe o que aconteceu; a jovem de melenas castanhas falou, segurando o vestido de forma que ele ficasse erguido até o tornozelo, obviamente para que ela pudesse andar mais rápido sem ter perigo de escorregar no mesmo.
-Marie, tenha modos; a rainha a repreendeu suavemente.
-Perdão Majestade, mas foi incrível; ela falou agitada.
-O que aconteceu? –Vitória indagou.
-Uma dama no salão bateu em lorde Dampier; Marie falou animada e igualmente chocada.
-Ahn! Como ela era? –Carite indagou rezando a Zeus para que não fosse quem ela pensava que era.
-Ela estava com uma fantasia de anjo e pelo que eu ouvi, ela ainda disse que uma lhama era mais interessante que lorde Dampier; Marie ressaltou.
-Ah meu Deus! –Carite falou jogando-se na primeira poltrona que encontrou.
-Pelo visto sua sobrinha e Christian estão se dando muito bem; a rainha falou com um sorriso matreiro.
-É melhor eu dar um jeito nisso, antes que aconteça uma desgraça; Carite falou preocupada.
-Deixe-os, convenhamos Carite, já estava na hora de Christian abandonar a vida de boêmio e se aquietar;
-Vossa Majestade não esta pensando em...;
-Eu gostaria que você trouxesse Ariel até mim, gostaria de conhecê-la e conversar com ela;
-Como quiser, mas eu acho melhor ir até lá só por precaução; ela falou despedindo-se e voltando ao salão.
-o-o-o-o-o-
Quando a música parou, uma serie de aplausos ecoou pelo salão, corou ao perceber tantos olhares sobre ambos, foi com alivio que viu a tia se aproximar.
-Minha tia; ela murmurou.
-Vamos, vou acompanhá-la até lá; Rafaelle falou.
-Obrigada; Ariel respondeu sorrindo, enquanto ele lhe estendia o braço.
-Vocês dançaram muito bem, foi lindo; Carite falou sorrindo para o casal.
Não estava mentindo ao dizer isso, embora estivesse curiosa quanto ao recente acompanhante da sobrinha. Achou que fosse encontrar a sobrinha se engalfinhando com Christian não dançando com aquele misterioso cavalheiro.
-É um prazer poder desfrutar de tão adorável companhia; Rafaelle falou pousando um beijo suave sobre a mão da jovem.
-Nesse caso, posso dizer que a recíproca é verdadeira; Ariel falou sorrindo, com a face corada.
-Senhora, desculpe não me apresentar, Rafaelle Cardelli; ele falou numa respeitável reverencia.
-Pode me chamar apenas de Carite; ela respondeu calmamente.
-A pianista? Quero dizer... É um prazer conhecê-la, milady; Rafaelle falou surpreso. –Minha mãe já foi a vários de seus concertos e é grande apreciadora de suas peças;
-Fico feliz em ouvir isso; a marina respondeu sorrindo. Bem, acabara de ver dois bons motivos para a sobrinha ter se identificado com ele. Rafaelle falava o que pensava e também, era um doce de pessoa; ela concluiu embora sua preferência quanto aos gostos da jovem de melenas negras fosse um pouco controversa.
-Infelizmente agora devo me retirar, obrigado novamente pela dança, milady; ele falou voltando-se para Ariel, que apenas assentiu quando ele se despediu e partiu.
-Uhn! Parece que você tem um admirador; Carite provocou com um sorriso malicioso nos lábios.
-Não, mas gostei de conversar com ele; Ariel respondeu com simplicidade.
-Ah menina, o que eu faço com você? –ela brincou.
-Conheço alguns métodos de tortura medieval bastante interessantes; Christian respondeu mordaz ao se aproximar.
-Pensei que Vossa Graça já houvesse partido atrás de outro passa-tempo; Ariel rebateu, fitando-o em desafio.
-Impossível quando se é chamado tão carinhosamente de lhama; ele respondeu sarcástico.
-Não chamei Vossa Graça de lhama, eu disse que as lhamas eram mais interessantes que Vossa Graça; ela o corrigiu.
-Ariel; Carite chamou-lhe a atenção.
-Oras, mas foi isso que eu disse; ela retorquiu.
-Vou me abster do direito de ficar em silêncio; Christian falou irritado.
-Assim nos poupa; Ariel provocou.
-Christian, esta na hora de irmos, nos acompanha até a carruagem? –Carite indagou, tentando apartar a discussão que viria a seguir.
-Como desejar, milady; ele falou lançando um olhar envenenado a jovem que o ignorou abertamente.
-Vamos então; Carite completou.
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.III.
Respirou fundo, porque ainda estava ali? Não sabia, mas queria respirar um pouco daquele ar novo antes de voltar. Encostou-se em um poste, colocando as mãos nos bolsos apenas como apoio, a sua esquerda estava a Abadia e a sua frente o Tamisa, banhando pelos raios vermelhos do sol.
Logo ele iria desaparecer no horizonte. Nunca pensara que estaria em um lugar daqueles e teria aquela vista. Alias, nem que tudo aquilo iria acontecer.
Sentia falta da vida que tinha em Jamiel com Ilyria e o mestre, era simples e pacata, mas gostava dessa tranqüilidade, embora muitas vezes tenha se sentido frustrado e irritado com tanta passividade. Entretanto atribuía isso ao isolamento excessivo, facilmente compensado com as horas a fio de meditação.
Fechou os olhos por alguns minutos, às vezes pensava que estava nadando contra a correnteza e indo contra sua natureza. Mas qual era ela? Não fazia idéia, era muito confuso.
Passou a mão levemente pelos cabelos e voltou-a ao bolso, franziu o cenho ao sentir algo áspero roçar sua mão, retirou de dentro do bolso o que quer que estivesse lá.
-Uma carta; Mú murmurou vendo que aquilo não parecia uma carta comum de baralho. –O Mago; ele falou ao ler o nome da lamina ao pé da mesma.
Já ouvira falar que em muitas culturas o tarô era usado à leitura da sorte e até mesmo para estratégias de guerra, mas ela ainda era mais freqüentemente vista na cultura cigana, eles acreditavam que o destino poderia ser lido nas cartas e cada naipe representava um pressagio.
O que aquela significava? –ele se perguntou confuso, ainda mais por ela ter aparecido ali do nada.
-Significa que você tem uma escolha a fazer e não tem como fugir dela; a voz de Laura soou a seu lado, fazendo-o se sobressaltar. -Antes que tome qualquer decisão, quero lhe contar uma coisa e se quiser ir depois, não vou lhe impedir; ela completou.
-...; ele assentiu silenciosamente.
.:História Dentro da História – Considini:.
Saiu do palácio com um estranho sentimento crescendo no peito. Sabia que não deveria se expor daquele jeito indo a festas onde seria facilmente reconhecido, mas essa, fora realmente interessante.
Acenou para seu valete, e ele logo voltou trazendo uma carruagem negra sem Standard. Quando chegara a cidade para a temporada, decidira manter-se incógnito por precaução e expor o brasão de seu clã em plena Londres faria sua estadia ali ser um completo inferno.
-Vossa Alteza, podemos partir?
-...; Rafaelle assentiu, entrando na carruagem.
Acomodou-se graciosamente no acento estofado e logo a carruagem partiu. A casa que estava ficava a poucas quadras do HidePark e pertencia a um amigo que lhe convidara uma infinidade de vezes para visitar o local.
Suspirou pesadamente, ainda se lembrava do pai falando que tais frivolidades eram para desocupados e alguém como ele, cheio de responsabilidades, não podia se permitir a isso.
O pior de tudo é que mesmo depois de morto o pai ainda lhe assombrava, mas um dos motivos para estar em Londres sem revelar completamente quem era. Um novo suspiro saiu de seus lábios quando a imagem daquele delicado anjo surgiu em sua mente.
Se não tivesse ido a Londres não a teria conhecido. Quem sabe fosse o destino dando uma trégua finalmente para si. Não viera a Londres para procurar uma esposa, embora seu conselheiro lhe lembrasse freqüentemente dessa necessidade, mas se um dia tivesse de escolher alguém, seria uma mulher como Ariel De Siren.
Não conseguia se lembrar de alguma vez ter sido tratado apenas como um homem comum e não como o príncipe que era, por uma mulher. Normalmente na corte elas costumavam se aproximar como chacais de si e era impossível saber se elas estavam sendo sinceras ou apenas agindo deslumbradas por um titulo.
Recostou-se melhor, vendo as ruas passaram através das janelas. Ariel De Siren, o nome ecoou em sua mente.
-Ariel De Siren Considini; ele murmurou, ouvindo o som reverberar pela carruagem, notando a sonoridade das palavras e o quão intensa pareceu. –Ariel Considini, fica melhor; Rafaelle murmurou pensativo.
Queria saber tudo sobre ela, principalmente com a possibilidade de ela ser a futura princesa Considini. Não que estivesse procurando uma esposa, mas não faria mal algum em dar uma mãozinha para o destino ao fazer seus caminhos se cruzarem novamente; ele pensou sorrindo satisfeito com os planos que aos poucos começara a surgir em sua mente.
Sua estadia em Londres seria bem mais interessante do que havia imaginado...
Continua...
Domo pessoal
Constantemente eu recebo perguntas sobre os enigmas das minhas fics. Bem não posso revelar nada por enquanto, mas a resposta está em cada novo capitulo é só juntar as peças e montar o quebra cabeças para descobrir o segredo da trama.
Quanto a O Enigma da Sirene, fiquem atentos nas duas histórias que estão acontecendo juntas em cada capitulo. Porque, como disse outras vezes, a fic pode conter spoillers de algo que ainda vai acontecer mais para frente na historia, ou spoillers de fics futuras.
Não se acanhem em fazer perguntas, me questionem, contem suas teorias, estou aqui esperando ansiosa para saber a opinião de vocês e o quão perto vocês estão chegando da verdade.
Ademais, agradeço de todo coração os comentários super gentis e o apoio que venho recebendo desde que comecei a escrever essa saga. Muito obrigada...
Um forte abraço e até a próxima
Dama 9
